Questões de Concurso
Sobre uso da vírgula em português
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Desde fim dos anos 80 do século passado, o efeito estufa como ameaça ecológica número um não é mais contestado. Embora não se possa provar, irrefutavelmente, que o aumento até agora medido das temperaturas anuais médias (em torno de um grau nos últimos cem anos) se refere ao desenvolvimento humano, essa suposição tem, no entanto, muita probabilidade de ser correta — de tal forma que seria irresponsabilidade deixar as coisas seguirem seu curso. Um primeiro sinal de que o clima mundial já começou a mudar é o aumento de anomalias meteorológicas — ciclones, períodos de seca e trombas-d’água diluvianas — desde os anos 90 do século passado.
Os limites do crescimento marcam uma espécie de escassez, embora no mercado não se tornem imediatamente notados como tais. A atmosfera, por exemplo, não funciona como um reservatório, que um dia esvaziará e outro dia será novamente enchido por bombeamento (a isso, o mercado poderia ao menos reagir em curto prazo), mas como um mecanismo que, lenta mas inexoravelmente, terá efeito retroativo em nossas condições de vida, comparável a um parafuso de rosca que se aperta sempre mais.
O limite do demasiado é invisível e também não pode ser determinado diretamente por experimentos. Assim como, ao se escalarem montanhas, o ar cada vez mais rarefeito nas alturas desafia os alpinistas diferenciadamente — uns mais, outros menos —, a fauna e a flora, em regiões diferenciadas, reagem diferentemente ao aquecimento da atmosfera. Uma das preocupações mais sérias é provocada pela velocidade com que já está ocorrendo a mudança climática. Se ela não for eficazmente freada, poderá exigir demasiado da capacidade adaptativa de muitas espécies.
Thomas Kesselring. Depois de nós, o dilúvio. A dimensão do meio ambiente. In: Ética, política e desenvolvimento humano: a justiça na era da globalização. Benno Dischinger (Trad.). Caxias do Sul, RS: Educs, 2007, p. 222 (com adaptações).
Em relação aos aspectos linguísticos e às ideias do texto apresentado, julgue o item a seguir.
A correção gramatical e a coerência do texto seriam preservadas caso fosse suprimida a vírgula empregada logo após o vocábulo “como”, no segundo período do último parágrafo.
Proclamado em 2019 pela UNESCO (1) 5 de maio é o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Uma data que reverencia a nossa língua comum (2) falada por mais de 260 milhões de pessoas (3) nos 5 continentes. Em seu segundo ano de celebração (4) o Instituto Camões coordenou uma programação de atividades em 44 países. Conferências (5) concursos literários e iniciativas acadêmicas (6) irão transbordar de sotaques e saberes (7) essa língua (8) que é tão nossa e tão de todos.
Assinale a alternativa na qual todos números entre parênteses representam a colocação correta da vírgula:
Dadas as sentenças:
I. À noite, faço aulas de natação.
II. Foi à janela, olhou, retornou assustada.
III. Ela só pensava uma coisa, que não retornaria.
Sobre o emprego da vírgula:
TEXTO 02
O texto abaixo servirá de base para responder à questão.

https://tirasarmandinho.tumblr.com/
TEXTO 02
O texto abaixo servirá de base para responder à questão.

https://tirasarmandinho.tumblr.com/
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.

Sobre sinais de pontuação do texto, analise as assertivas abaixo:
I. Na linha 01, a vírgula em destaque deve ser retirada, pois está separando o sujeito do verbo.
II. Os travessões das linhas 30 e 31 podem ser substituídos por parênteses, mantendo a correção do período.
III. Os dois-pontos da linha 37 foram usados para anunciar uma fala.
Quais estão INCORRETAS?
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.


I. A vírgula da linha 06 justifica-se por separar termos de mesma função sintática.
II. A vírgula da linha 16 justifica-se por introduzir um aposto.
III. A virgula da linha 28 justifica-se por introduzir uma oração adjetiva explicativa.
Quais estão corretas?
Leia atentamente o seguinte período:
"O presidente e o vice de finanças do clube, jamais negaram a prioridade em pagar as dívidas da agremiação".
No período lido, a vírgula está mal colocada por separar:
Leia o trecho abaixo e, em seguida, responda ao que se pede.
Manchas de óleo chegaram à Praia dos Carneiros________ uma das principais e mais visitadas do Estado________em Tamandaré________no Litoral Sul de Pernambuco________na manhã desta sexta-feira (18) ________A informação foi confirmada pela Secretaria de Meio Ambiente de Pernambuco________
(Disponível em <https://folhape.com.br/noticias/noticias/meio-ambiente/2019/10/18/NWS,120217,70,645,NOTICIAS,2190-MANCHAS-OLEO-CHEGAMPRAIA-DOS-CARNEIROS-TAMANDARE.aspx> Acesso em 18/10/19).
Em sequência, as pontuações que completam CORRETAMENTE essas lacunas são:
Nas frases:
Carolina, pode telefonar agora.
Carolina pode telefonar agora.
Considerando “a pontuação”, a diferença de sentido entre as frases é:
Na fala do aluno “Sim, professora...”, a vírgula está justificada por:

I. A vírgula da linha 08 separa uma oração reduzida de gerúndio.
II. As duas vírgulas da linha 19 separam um aposto explicativo.
III. As duas vírgulas da linha 28 separam um adjunto adverbial deslocado.
Quais estão corretas?
A Amazônia é o centro do mundo
Eu quero começar lembrando onde nós estamos. E quero lembrar que nós estamos no centro do mundo. Essa não é uma frase retórica. Também não é uma tentativa de construir uma frase de efeito. No momento em que o planeta vive o colapso climático, a floresta Amazônica é efetivamente o centro do mundo. Ou, pelo menos, é um dos principais centros do mundo. Se não compreendermos isso, não há como enfrentar o desafio do clima.
Esta é justamente a razão de colocarmos o nosso corpo aqui, nesta cidade, Manaus, capital do Amazonas, estado do Brasil, país que abriga cerca de 60% da Amazônia. Manaus é tanto uma floresta em ruínas como as ruínas de uma ideia de país. Manaus pode ser vista como a escultura viva de um conflito iniciado em 1500, com a invasão europeia que causou a morte de centenas de milhares de homens e mulheres indígenas e a extinção de dezenas de povos. Neste momento, em 2019, testemunhamos o início de um novo e desastroso capítulo.
O Brasil é um grande construtor de ruínas. O Brasil constrói ruínas em dimensões continentais desde que começou a ser inventado pelos europeus no século 16. Para sermos capazes de resistir nós precisamos nos tornar floresta — e resistir como floresta. Como floresta que sabe que carrega consigo as ruínas, que carrega consigo tanto o que é quanto o que deixou de ser. Parece-me que é a esse sentimento afetivo que precisamos dar forma para dar sentido à nossa ação. Para isso temos que deslocar algumas placas tectônicas de nosso próprio pensamento. Temos que descolonizar a nós mesmos.
O fato de a Amazônia ainda ser vista como um longe e também — ou principalmente — como uma periferia dá a dimensão da estupidez da cultura ocidental branca, de matriz primeiro europeia e depois norte-americana, essa estupidez que molda e dá forma às elites políticas e econômicas do mundo e também do Brasil. E, em parte, também às elites intelectuais do Brasil e do planeta. Acreditar que a Amazônia é longe e que a Amazônia é periferia, quando qualquer possibilidade de controle do aquecimento global só é possível com a floresta viva, é uma ignorância de proporções continentais. A floresta é o perto mais perto que todos nós aqui temos. E o fato de muitos de nós nos sentirmos longe quando aqui estamos só mostra o quanto o nosso olhar está contaminado, formatado e distorcido. Colonizado.
Dias atrás eu conversava com procuradores e defensores públicos que chegaram há pouco em cidades do interior amazônico. Era o primeiro posto deles. Porque essa é a lógica. A Amazônia é o epicentro dos conflitos, mas, para fiscalizar o Estado e defender os direitos dos maisdesamparados, as instituições mandam os sem nenhuma experiência. Alguns deles — não todos — interpretam que estão sendo enviados a uma região amazônica como um teste ou mesmo um castigo, um calvário que precisam passar antes de ter um posto “decente”. Parte deles — não todos — não vê a hora de ter o que é chamado de “remoção” e deixar essa bad trip para trás. E não é culpa deles, ou não é só culpa deles, porque essa é a lógica das instituições, este é o olhar para a Amazônia. Felizmente alguns deles percebem à importância do seu papel, aprendem, compreendem, permanecem e se tornam servidores públicos essenciais para a luta pelos direitos em regiões onde os direitos pouco ou nada valem.
Lembrei a eles que, como eu, eram privilegiados. Eles estavam justamente no centro do mundo. Eles estavam no melhor lugar para se estar para quem tinha escolhido aquela profissão. Mas teriam que se esforçar muito para superar a sua ignorância, como eu me esforço todos os dias para superar a minha. Era a população local, eram os povos da floresta que teriam de ter enorme paciência para explicar a eles o que precisam saber, já que pouco ou nada sabem quando aqui chegam. O mesmo princípio vale para jornalistas e também para cientistas.
Somos nós que precisamos da ajuda dos povos da floresta. É deles o conhecimento sobre como viver apesar das ruínas. São eles os que têm experiência sobre como resistir às grandes forças de destruição. Para que tenhamos alguma chance de produzir movimento de resistência precisamos compreender que, nesta luta, nós não somos os protagonistas.
(Texto especialmente adaptado para esta prova. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/09/opinion/1565386635_3112 70.html. Acesso em: 12/12/2019.)

