Questões de Concurso
Comentadas sobre uso da vírgula em português
Foram encontradas 5.059 questões
Atenção: Leia atentamente o texto a seguir e responda a questão.
Os percalços de viver no espaço

Considerando as ideias do texto e sua estrutura linguística, julgue o item a seguir.
A omissão da vírgula que se segue ao termo
“nosocomial” (linha 26) manteria a correção
gramatical, mas alteraria o sentido original do texto.
Paris 2024: França cogita tirar abertura do Rio Sena por risco de atentado.
A Agência de Inteligência Francesa (DGSI) pediu mudanças no esquema de abertura dos Jogos Olímpicos em Paris. Segundo a rádio francesa Europe 1, a sugestão foi realizada durante reunião com o ministro do Interior, Gérald Darmanin, nessa quinta-feira (28).
Após o atentado em Moscou, na Rússia, as autoridades francesas elevaram nível máximo de alerta de segurança. Segundo informações do veículo francês, manter o desfile dos atletas no rio Sena seria muito arriscado. Para evitar um novo ataque, o DGSI teria sugerido pensar em um “Plano B” para a cerimônia.
As autoridades francesas teriam constatado uma movimentação “fora do normal” entre suspeitos. O temor da agência seriam ações de “terrorismo em massa”, com a utilização de carros-bombas, que podem ser acionados à distância.
A atuação dos chamados “Lobos Solitários”, terroristas que decidem por atacar sozinhos, também é preocupação. Em dezembro de 2023, um ataque nesses moldes matou um homem e deixou outros dois feridos no centro de Paris.
Em entrevista na última semana, Gérald Darmanin, garantiu que o país está pronto para garantir segurança durante os Jogos Olímpicos de Paris. “A França ‘está particularmente ameaçada’, principalmente durante estes eventos extraordinários que serão os Jogos Olímpicos”, afirmou Darmanin durante uma visita a Roubaix, no norte do país.
A abertura dos Jogos Olímpicos, prevista para o dia 26 de julho, já foi modificada por questões de segurança. A cerimônia terá metade dos espectadores inicialmente planejados.
O esquema de segurança conta com 45
mil policiais e militares. Segundo dados do
governo francês, 18 mil soldados franceses foram
mobilizados para os 19 dias de competição, além
de cerca de 35.000 policiais e militares. De
acordo com o Ministério das Forças Armadas da
França, haverá reforço de países estrangeiros.
“Várias nações vão enviar reforços em setores
críticos, como cães farejadores”, informou o
Ministério.
Fonte: Paris 2024: França cogita tirar abertura do Rio Sena por risco de atentado | CNN Brasil
“Um bairro extremamente confuso, uma rede de ruas[,]¹ que anos a fio eu evitara[,]² tornou-se para mim, de um só lance[,]³ abarcável numa visão de conjunto[,]4 quando um dia uma pessoa amada se mudou para lá. Era como se em sua janela um projetor[,]5 estivesse instalado e decompusesse a região com feixes de luz.”
BENJAMIN, Walter. Primeiros socorros. In: Rua de mão única (trad. Rubens Rodrigues Torres Filho). São Paulo: Editora 34 / Duas Cidades, 2023[1928]. Adaptado.
Assinale a alternativa que corresponde ao número dessa vírgula inadequada propositadamente inserida.
O que acontece no seu corpo quando você sente medo
Cristina Almeida - Colaboração para VivaBem
Um dos instintos mais básicos de todo ser humano é o medo. Diante do perigo, essa intensa emoção aciona um alarme que promove alterações neurofisiológicas. O objetivo é garantir que estejamos prontos para lutar ou fugir, protegendo órgãos vitais e a nossa sobrevivência.
Diante de situações ou objetos que causam medo, a central de alarme do seu cérebro aciona o sistema nervoso simpático, que desencadeia respostas orgânicas como a liberação de hormônios do estresse: o cortisol e a adrenalina. Essas mudanças mobilizam energia para a atividade física, ou seja, preparam o indivíduo para atacar ou evitar o estímulo agressor aprimorando todos os sentidos.
Disponível em: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2024/01/16/o-que-acontece-no-seu-corpo-quando-voce-sente-medo.htm
De acordo com as regras de pontuação, marque a alternativa que apresenta o uso correto da vírgula.
Observe o trecho abaixo:
Ao ensinar a norma culta e os demais conteúdos disciplinares, a escola propiciaria a possibilidade de evolução cultural, social e econômica dos seus frequentadores.
Leo Ricino, LÍNGUA PORTUGUESA, p.18/19/20, edição 20.
Abaixo há reescrituras do trecho acima com alterações de pontuação.
Assinale a alternativa que está de acordo com o prescrito na norma culta.
Assinale a frase que apresenta erro no uso desse sinal de pontuação.
Coluna I.
A- Ponto final. B- Ponto de interrogação. C- Travessão. D- Dois-pontos. E- Vírgula.
Coluna II.
1- Separa palavras enumeradas. 2- Indica o final de uma frase declarativa. 3- Indica a fala de uma pessoa. 4- São usados para enunciar uma enumeração. 5- Indica o final de uma pergunta.

O emprego de vírgula logo após o nome “práticas” (linha 48) alteraria o sentido original do texto, mas manteria as relações sintáticas entre os termos e a correção textual.
A dignidade é intrínseca: vem do próprio fato de ser humano, vem de dentro. Não é concedida – e nem retirada – por ninguém.
Dignidade é a especial preeminência de que alguém goza; é seu alto valor, sua nobreza. Quando falamos de dignidade do homem, referimo-nos a algo que é intrínseco: vem do próprio fato de ser humano, vem de dentro. Não é concedida – e nem retirada – por ninguém: nem pelos que nos rodeiam, nem pelo Estado, nem pela cultura, nem pelo consenso social. E não é coletiva, mas individual: não falamos da dignidade “da humanidade” em geral, mas de cada pessoa. Cada ser humano, único e irrepetível, é digno de respeito. É disso que trata a Declaração Universal dos Direitos do Homem quando afirma, em seu artigo 1º, que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos” e, em seu preâmbulo, que “o reconhecimento da dignidade inerente e dos direitos iguais e inalienáveis de todos os membros da família humana é o fundamento da liberdade, justiça e paz no mundo”.
Mais adiante, no poema, Drummond lançará outra pergunta: “Que milagre é o homem?”. Em outras palavras, o que nos faz tão especiais? Ao longo da história, diversos filósofos deram diferentes respostas a essa questão, mas, no fundo, chegaram a uma conclusão similar. Para Aristóteles, a razão dessa especial dignidade é a capacidade de compreensão e inteligência do homem. O filósofo grego entende que o ser humano é capaz de entrar em sintonia com a totalidade do universo. Para toda a tradição judaico-cristã, a raiz desse especial valor é o fato de ser imagem e semelhança de Deus – e é sintomático que o cristianismo tenha tido um impacto tão grande nas sociedades pagãs ao afirmar a universalidade da dignidade humana entre pessoas que viam, por exemplo, as mulheres como objeto. Na época das Grandes Navegações, o debate sobre a dignidade dos habitantes das novas terras descobertas resolveu-se afirmativamente graças ao trabalho de pensadores como o espanhol Francisco de Vitória.
É difícil apontar para a fonte exata dessa singularidade que se percebe no homem. Há nele uma interioridade, um poder de, por meio da inteligência, da vontade, da capacidade de elaborar os sentimentos, travar contato com diversas realidades e torná-las parte de si mesmo, que o torna muito especial. Mais ainda: ele é capaz de chegar àquilo que está destinado a ser, a desenvolver os seus potenciais, a corrigir seus rumos até o último minuto. E, como se isso não bastasse, o homem é um ser que sempre está em busca de algo mais, de algo que o transcenda, o que o diferencia de todos os outros animais. Esta não é uma diferenciação apenas quantitativa, mas qualitativa. Por mais que reconheçamos nos animais atributos como a inteligência, essas características que mencionamos são únicas do gênero humano. A noção de “pessoa” está diretamente vinculada a essas características: o homem nunca é algo; é sempre alguém – mesmo quando o exercício de sua autonomia não pode ser plenamente exercido; pensemos, por exemplo, em pessoas cuja situação as impede de realizar escolhas, como um paciente em coma ou alguém tão mergulhado nas drogas que já perdeu o controle de si mesmo. Elas não são menos dignas, menos “pessoas”, que ninguém.
Mesmo depois de Kant, a humanidade ainda levou tempo para entender totalmente que todo ser humano era portador de uma dignidade intrínseca – os movimentos abolicionistas e dos direitos civis precisaram ensinar isso ao homem dos séculos 19 e 20. E uma das últimas fronteiras foi quebrada quando a dignidade do inimigo foi finalmente reconhecida, por meio de tratados internacionais como as Convenções de Genebra, que pretendiam banir o tratamento desumano a civis e combatentes em tempos de guerra.
No entanto, diante da simples observação da realidade e dos comportamentos humanos, surge o questionamento: não há, mesmo, pessoas mais ou menos dignas? A dignidade é sempre igual para todos? A essa pergunta podemos responder afirmando que a palavra “dignidade” tem mais de um sentido. A dignidade de que temos tratado aqui é a chamada “dignidade ontológica”; tem este nome justamente por derivar da própria existência como ser humano, e por isso todos a têm em idêntico grau. São as considerações a respeito desta dignidade que continuarão a nos guiar nas reflexões que ofereceremos mais adiante. Mas existe também o que podemos chamar de “dignidade moral” – isto é, o patrimônio moral que cada um construiu com o uso da sua liberdade. É ela que alguém tem em mente quando afirma que uma pessoa pode ser mais digna que outra. A dignidade moral, sim, pode ser perdida (e também recuperada), mas única e exclusivamente pela decisão livre de seu detentor, pelas próprias atitudes. Ou seja, perdida, mas jamais retirada. Os piores facínoras perderam sua dignidade moral porque assim o quiseram, por suas escolhas. Mas sua dignidade ontológica se preserva – nesse sentido, os maiores crápulas são tão dignos quanto os maiores heróis – e é a raiz do incrível poder de redirecionar a própria vida, de voltar a dar sentido a ela, mediante o arrependimento, até o minuto final de sua existência.
O homem é um ser que esquece. Talvez não se esqueça tão facilmente daquelas questões mais triviais do dia a dia, mas acaba se esquecendo das grandes verdades a respeito de si mesmo. E uma dessas verdades é sua inviolável dignidade.

A omissão da vírgula empregada após “2019” (linha 5) manteria a correção gramatical do texto.