Questões de Concurso
Sobre travessão em português
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TEXTO I
[...]
Tenho fama de ser bom “dedicador” de livros. Amigos pedem-me conselhos quando se sentem embaraçados com a folha em branco e a necessidade de escrever nela algumas linhas para que o presente fique, por assim dizer, mais personalizado. Creio mesmo que esta minha pequena glória não seja imerecida e, para mantê-la, tenho minhas regras e truques. Revelo aqui apenas um: em desespero, grito por socorro – por exemplo, adaptei para uso próprio, muitas vezes, aquela dedicatória feita por meu pai, “Para você, o amor nos tempos do... amor”. Mas, para minha danação eterna, tendo à verborragia quando Cupido entra em cena. Há alguns anos, quando aquela que desorganizou o que estava organizado entrou em minha vida, passei a dar-lhe dezenas de livros, todos com longas e digressivas dedicatórias. Em troca, ganhava dela livros e presentes com cartões — quando havia algum cartão — com poucas linhas, geralmente algo direto do tipo “Para Marcelo” ou “Feliz aniversário”, e essa concisão, comparada com os meus cartapácios, me roubava noites de sono. Não gosto de pensar que meu caos interno tenha ficado preservado em dezenas de dedicatórias amontoadas em estantes alheias (há aí, percebo agora, uma sutil e freudiana forma de poder na relação entre um verborrágico e uma comedida). Contudo, noutras vezes acertei, ainda que também estivesse confuso: a uma mulher especial que meus transtornos não permitiram que fôssemos além, digamos, de uma espécie de modus vivendi sentimental, dei “Amor em Veneza”, de Andrea di Robilant, e, aproveitando o próprio título impresso na folha de rosto, escrevi: “Para B., AMOR EM VENEZA – e também em Goiânia”.
Em “O Complexo de Portnoy”, de Philip Roth, estruturado como se fosse uma longa sessão de análise, apenas repeti a única frase que o psicanalista diz a Portnoy depois de mais de duzentos e cinquenta páginas de reclamações do seu paciente (talvez, imagino, como reconhecimento da minha própria tagarelice): “Para B.: agora a gente pode começar?”. Tenho o consolo de pensar que ela, daqui a muitos anos, possa dar de cara por acaso, numa tarde preguiçosa ou numa noite insone, com esses livros perdidos nas estantes e, lendo o que escrevi, sinta condescendência pela minha desorganização sentimental, ternura pelo pouco que tivemos e uma vaga decepção pelas promessas não cumpridas dessas dedicatórias.
[...]
FRANCO, Marcelo. Revista Bula. Disponível em:<http://twixar.me/S5n3>
Releia o trecho a seguir.
“Em troca, ganhava dela livros e presentes com cartões — quando havia algum cartão — com poucas linhas [...]”
Sobre os travessões utilizados no trecho, analise as afirmativas a seguir.
I. Podem ser substituídos por vírgulas.
II. Servem para separar um comentário dispensável no texto.
III. Foram utilizados para isolar uma oração.
De acordo com o texto e com a norma-padrão, estão corretas as afirmativas:
Releia o trecho a seguir.
“O americano William James Sidis, que nasceu em 1898 em Nova York, foi a pessoa mais inteligente de todos os tempos – pelo menos segundo os testes de QI.”
Em relação ao uso do travessão nesse trecho, considere as afirmativas a seguir.
I) Serve para sinalizar uma informação sem importância no trecho.
II) Separa uma frase explicativa.
III) Pode ser substituído por vírgula.
De acordo com o contexto e com a norma-padrão, estão corretas as afirmativas
Sobre a banalização do próprio corpo
Recentemente, num café da manhã entre confrades, ao sugerir – destaco “sugerir” – a uma amiga atriz que fechasse um dos botões de sua camisa, pois um de seus seios poderia ficar exposto ao movimentar-se, obtenho a resposta: “Mas é só um peito como todos os outros. Como aquele das mães que amamentam. É só mais um peito”.
Um pouco confuso com a reação, me calo e reflito… “É só mais um peito”? Mal da Filosofia: faço da afirmação um problema, uma questão.
A pergunta me remói por dias, até que assisto ao espetáculo Ziggy, homenagem prestada a David Bowie pela Cisne Negro Cia. de Dança, de Hulda Bittencourt. Ao mergulhar minha visão – e meu ser, portanto – nos corpos em gesto dos bailarinos e nas suas extensões, isto é, o belo e inspirado figurino de Fabio Namatame, uma pletora de pensamentos me invade, dentre eles, e sobretudo, a reflexão do filósofo francês Maurice Merleau-Ponty.
Merleau-Ponty teve um papel importantíssimo ao recuperar a importância da percepção para a Filosofia. Suas teses de doutorado – a complementar, A estrutura do comportamento, e a principal, Fenomenologia da percepção – são consagradas a permutar, no modo como concebemos a consciência, o ego cogito (“eu penso”), tal como o compreendemos até então, pelo ego percipio (“eu percebo”). Numa direção diversa daquela de Descartes, Merleau-Ponty não funda o modo de ser singular do homem em sua capacidade de pensar, mas em sua percepção.
A partir das reflexões de Edmund Husserl, MerleauPonty alerta que não há uma consciência pura, tal como o defendia Descartes, isto é, o homem não pode ser simplesmente uma “coisa pensante” (res cogitans). Ele é necessariamente uma consciência aberta para o mundo. Sua consciência é sempre consciência de alguma coisa. E aquilo que possibilita a ele estar no mundo em consciência é seu corpo. E aqui temos uma marca importantíssima.
Em diálogo com Husserl e com toda uma série de pensadores franceses – dentre eles Malecranche, Maine de Biran e Bergson –, Merleau-Ponty evoca a noção de corpo-próprio. Podemos compreendê-la melhor por meio de uma distinção que faz a língua alemã. Dentre as palavras usadas para se referir a “corpo”, destacam-se duas: Körper e Leib. Körper designa qualquer corpo posto no espaço. Leib designa um corpo animado, um corpo vivo, o corpo próprio a um dado sujeito ou, se se preferir, a uma dada subjetividade.
Mas por que desta distinção? Responder a esta pergunta nos auxilia a responder à questão que nos colocamos de início. Nosso próprio corpo, ou, se se preferir, nosso corpo-próprio – como se traduz usualmente em português a palavra Leib – não é como qualquer outro corpo posto no espaço. Ele é dotado de vida: vida única, singular e que nos constitui. Sem ele, não estaríamos presentes no mundo, não o perceberíamos e não faríamos a sua experiência (a do corpo e a do mundo).
Nosso corpo não se desloca no espaço, ele realiza gestos. Uma cadeira não realiza gestos, um automóvel ou uma máquina tampouco. Minha mão, seus olhos, os braços de um dançarino, o corpo de um ator se movimentam no espaço de uma maneira totalmente diversa daquela de qualquer outro corpo. O corpo próprio percebe tudo aquilo que o envolve no ato em que se move, percebendo a si próprio. Mais que isso, na e pela percepção ele cria, inventa e transforma o espaço que se abre para acolher seu gesto.
Como diria Merleau-Ponty em sua tese principal, “O corpo-próprio está no mundo como o coração no organismo: ele mantém continuamente com vida o espetáculo visível, ele o anima e o nutre interiormente, forma com ele um sistema”.
Regressemos ao espetáculo Ziggy. Nele, o figurino expunha partes dos corpos dos bailarinos sem qualquer excesso, sem qualquer possibilidade de banalização. Lá havia seios à mostra: em alguns casos um; noutros, eram vistos parcialmente. Mas tudo sem excesso. O figurino valorizava os movimentos de cada um dos corpos que se ofereciam ao espaço, que eram por ele acolhidos e que, simultaneamente, o faziam se abrir a seus gestos. Na dança, por exemplo, é possível captar esta bela dimensão em que se percebe a criação como o encontro entre o movimento e o espaço, e não somente como fruto do movimento de um sujeito num espaço inerte. Não é possível um sem o outro.
Fechando o círculo constituído por esta reflexão, retomo, então, a questão: “É só mais um peito”? Não se tratava, ali, de “só um peito”, mas de um seio único que não é simplesmente algo à parte, um conjunto de pontos localizáveis no espaço que o constituem como um corpo isolado. Ele é necessariamente parte de um corpo inteiro que, por sua vez, põe a pessoa em contato com o mundo e a faz, por esta situação, transformar o próprio mundo por seus gestos. Como o seio da dançarina, aquele dito “só mais um peito” se movimenta com o corpo todo. Dizia Merleau-Ponty que as partes do corpo “se reportam umas às outras de uma maneira original: não estão dispersas umas ao lado das outras, mas envolvidas umas nas outras”.
Ao tomar o seio, por exemplo, como “só mais um peito”, é desprezado o corpo inteiro da bailarina que se expressa no movimento, compondo um gesto singular que cria a cena, que abre um horizonte de percepção. Ao banalizar o corpo-próprio, seu gesto – a dança, o atuar, o canto, por exemplo – perde sentido. Os seios nus das combatentes do “Femens” deixariam de ter o mesmo impacto e de, em sua densidade, constituir ato político. E assim será se banalizarmos qualquer parte de nosso corpo ou mesmo quaisquer de seus gestos: punhos erguidos, palmas, vaias, o beijo.
Não se trata, aqui, de debater a ocasião em que a frase sugerida para discussão – “Mas é só um peito […]” – fora enunciada. Tampouco de renegar as lutas políticas pelas quais passamos nas últimas décadas, de que somos devedores, que possibilitaram liberações em dimensões diversas de nossa vida em sociedade, e de nos recolhermos na redoma conservadora que, nos anos recentes, se ergue em torno de nós e nos sufoca tal qual clausura. É preciso defender o espaço
Trata-se apenas de um convite a pôr em questão a frase proferida, de modo a manter-nos despertos e atentos a cada gesto realizado, não para perscrutar a própria consciência ou mesmo o inconsciente, como se ambos escondessem alguma verdade à espera da decifração, mas para, por meio desta atenção sobre nós mesmos, vivermos intensamente cada gesto realizado pelo próprio corpo, pelo corpo inteiro – pelo corpo-próprio –, em sua singular complexidade.conquistado.
Francisco Alessandro. Revista cult. Disponível em:
<https://bit.ly/2LHLa1P>. Acesso em: 6 ago. 2018 (Adaptação).
Analise as afirmativas a seguir.
I. Em “Ao banalizar o corpo-próprio, seu gesto – a dança, o atuar, o canto, por exemplo – perde sentido.”, os travessões podem ser substituídos por parênteses.
II. Em “Mal da Filosofia: faço da afirmação um problema, uma questão.”, os dois-pontos foram utilizados para anunciar uma oração apositiva.
III. Em “Dentre as palavras usadas para se referir a “corpo”, destacam-se duas: Körper e Leib.”, as aspas da palavra “corpo” indicam uma citação direta.
Estão corretas as afirmativas
Brasil fabricará medicamentos a partir da
biodiversidade do país
Parceria de empresas com centro de pesquisa de
Campinas planeja desenvolver remédios nas áreas
de oncologia e dermatologia
Para desenvolver a indústria farmacêutica do Brasil, nada melhor do que trabalhar com aquilo que temos de melhor: dono da maior fauna e flora do planeta, o país ainda tem milhares de espécies vegetais não catalogadas e que podem contribuir para a fabricação de medicamentos responsáveis pelo tratamento de diferentes enfermidades.
Em uma parceria inédita, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) somou esforços com o Aché Laboratórios e a empresa Phytobios para encontrar moléculas de plantas que podem contribuir para remédios destinados às áreas de oncologia e dermatologia. O acordo foi assinado na última segunda-feira (11 de dezembro), durante um evento no auditório do CNPEM, em Campinas.
Com investimento planejado de R$ 10 milhões, as primeiras expedições comandadas pela Phytobios já reuniram exemplares de diferentes espécies vegetais que serão analisados no Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), que faz parte do CNPEM. “A expedição em busca das espécies é algo bastante complexo: temos de ter um cuidado enorme para não danificar o meio ambiente durante as coletas, além de preservar o material vegetal encontrado”, afirma Cristina Ropke, CEO da Phytobios. “Temos de coletar plantas na época em que elas estão floridas ou frutificadas para que um botânico especialista naquela família as identifique de maneira apropriada.”
À frente de projetos como o Sirius — maior projeto científico e tecnológico em desenvolvimento no Brasil — o CNPEM conta com equipamentos capazes de realizar a análise das moléculas e mapear suas potencialidades para o tratamento de enfermidades como o combate a diferentes tipos de câncer.
Uma das maiores empresas farmacêuticas do país, o Aché também participará o do processo de pesquisa e análise das potencialidades das substâncias encontradas nas plantas: caso obtenham sucesso nas diferentes etapas de desenvolvimento, os participantes do projeto acreditam que os medicamentos estarão disponíveis no mercado em até 15 anos — o desenvolvimento de um novo remédio é um dos processos mais longos e caros da indústria.
Vânia Nogueira de Alcântara Machado, presidente do Aché, destacou durante o evento que essa iniciativa colocará o Brasil como um dos poucos países capazes de desenvolver tecnologias complexas.
Especialistas afirmam que o desenvolvimento de projetos similares será possível graças à regulação da Lei 13.123, promulgada pela presidente Dilma Rousseff em maio de 2015. Conhecida como Marco da Biodiversidade, a legislação foi elaborada para minimizar os riscos de exploração indevida da biodiversidade nacional e diminuir os ritos burocráticos no desenvolvimento de novos produtos.
Peter Martin Andersen, presidente do Grupo Centroflora, afirma que espécies vegetais do país não correm risco desde que as empresas respeitem uma exploração sustentável. “O manejo orgânico deixa a floresta em pé: ao extrair uma planta nativa, você precisa ensinar qual é a maneira correta de extração”, afirma. “Um bom exemplo é o jaborandi, que estava listado sob risco de extinção há 10 anos e hoje apresenta um cenário totalmente diferente: você ensina às comunidades que não se deve extrair o pé de jaborandi, mas que elas devem cortar as extremidades da planta.”
TANJI, Thiago. Galileu.
Disponível em: <https://goo.gl/xANJEf>.
Acesso em: 14 dez. 2017 (Adaptação).
Analise as afirmativas a seguir.
I. No trecho “À frente de projetos como o Sirius — maior projeto científico e tecnológico em desenvolvimento no Brasil — o CNPEM conta com equipamentos capazes de realizar a análise das moléculas [...]”, os travessões podem ser substituídos por vírgulas.
II. No trecho “Peter Martin Andersen, presidente do Grupo Centroflora, afirma que espécies vegetais do país não correm risco [...]”, as vírgulas da parte destacada podem ser substituídas por parênteses.
III. No trecho “Em uma parceria inédita, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) somou esforços com o Aché Laboratórios e a empresa Phytobios [...]”, os parênteses podem ser substituídos por travessões.
As alterações propostas que não alteram o sentido do texto e estão de acordo com a norma padrão são as das afirmativas:
A marcha da insensatez: redes sociais estão
destruindo a sociedade civil
Professor de Stanford, Niall Ferguson afirma que a polarização nas redes sociais está levando a sociedade a um estado de declínio que só pode ser qualificado de “incivilidade”
Umberto Eco (1932–2016) disse que as redes sociais possibilitaram o surgimento – e quiçá uma hegemonia – de uma “legião de imbecis”. Antes, concentrados em bares, tomando vinho ou cerveja, “falavam sem prejudicar a coletividade. Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel. O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”. O escritor e filósofo italiano sugere que os jornais filtrem de maneira rigorosa as informações divulgadas nas redes sociais, porque, no geral, não são confiáveis.
O historiador escocês Niall Ferguson – autor de livros seminais sobre a Primeira Guerra Mundial e a Segunda Guerra Mundial, além de obras sobre a decadência do Ocidente [...] – segue o mesmo caminho de Umberto Eco, acrescentando sua própria interpretação. O professor de Stanford afirma que a polarização excessiva nas redes sociais está levando a sociedade “a um estado de declínio que só pode ser qualificado de “incivilidade”.
Suas interpretações foram colhidas pelos repórteres Ana Paula Ribeiro e Gustavo Schimitt, de O Globo. “A minha preocupação hoje é que a sociedade civil foi tão erodida pelo advento das redes sociais que não podemos mais falar em sociedade civil. Os Estados Unidos se tornaram uma sociedade não civilizada. A polarização se tornou um veneno. Eu me pergunto se a civilização não está se tornando algo diferente, em uma não civilização ocidental”, critica Niall Ferguson. No livro “A Grande Degeneração – A Decadência do Mundo Ocidental” [...], o autor não arrola as redes sociais como um dos fundamentos da ruína do Ocidente.
Dirigentes do Facebooke do Twitter não estão, sugere Niall Ferguson, minimamente preocupados com a extensão do dano que está acontecendo no tecido social. Quanto mais barbárie, produzida ou não pela tensão ideológica, mais pessoas circulam pelas redes, aumentando seus ganhos financeiros. “Uma das consequências das redes sociais gigantes é a polarização. As pessoas se agrupam em grupos de esquerda ou de direita. O que notamos é um maior engajamento em tuítes de linguagem moral, emocional e até obscena. As redes estão polarizando a sociedade, produzindo visões extremistas e fake news”, frisa o historiador.
[...]
Insensatez
Eugênio Bucci, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, apresenta uma tese ligeiramente diversa da de Niall Ferguson. O professor diz que, mais do que incivilidade, a polarização está gerando insensatez nas redes sociais. “A tendência é que discursos exacerbados sejam favorecidos nas redes.
E isso vai produzindo o efeito bolha: as pessoas que fazem parte delas dentro das redes são governadas por algoritmos e não pelo discernimento racional. O que é um paradoxo, porque tudo o que o Brasil precisa neste momento é de sensatez. Mas parece que os ventos favorecem a insensatez”, afirma o mestre. Não é uma visão apocalíptica, mas também não é integrada. É moderada.
Ao contrário do que diz Niall Ferguson, mais apocalíptico, Eugênio Bucci sugere cautela, pois não aposta que as redes sociais vão corromper a democracia no Ocidente. “As redes não podem ser definidas como mal absoluto. É bom lembrar que também representam um arejamento das democracias. E foram responsáveis por imprimir nova dinâmica nas relações entre a sociedade e o Estado”, pontua.
O professor Fabio Malini, coordenador do Laboratório de estudos sobre Internet e Cultura (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), corrobora a tese de Niall Fergunson. A incivilidade já predomina no Brasil, sobretudo no comportamento político (o que vai além do comportamento dos políticos). “A polarização é corriqueira na política. Mas, nas redes sociais, tem um modelo específico de atenção das pessoas que influi nisso. A proximidade tem sido a tônica de como algoritmos são construídos fortalecendo bolhas ideológicas, onde há atitudes impulsivas, que redundam em decisões emocionais.”
As redes sociais são incontornáveis, quer dizer, vão continuar (goste-se ou não, são positivas). O mais provável é que, após uma primeira fase como terreno da barbárie, retome o caminho civilizatório, abrindo oportunidade ao debate entre indivíduos que pensam de maneiras diferentes a respeito de política, economia, cultura e comportamento. Isto, claro, numa perspectiva otimista. No momento, tornaram-se frigoríficos de ideias, de comportamentos e de pessoas. Talvez não seja possível piorar.
BELÉM, Euler de França. Revista Bula.
Disponível em:<https://goo.gl/uoVXcZ>
Releia o trecho a seguir.
“Umberto Eco (1932-2016) disse que as redes sociais possibilitaram o surgimento – e quiçá uma hegemonia – de uma ‘legião de imbecis’.”
A respeito do excerto destacado nesse trecho, analise as afirmativas a seguir.
I. A palavra “hegemonia” indica que a “legião de imbecis” é um grupo pouco influente na sociedade.
II. Os travessões sinalizam a inserção de um comentário do autor do texto.
III. A palavra “quiçá” é um advérbio que funciona como modalizador nesse excerto.
Estão corretas as afirmativas:
Julgue o item relativo aos aspectos linguísticos e aos sentidos do texto.
Sem prejuízo para a correção gramatical, os travessões
que intercalam o segmento “no campo, na pequena
cidade, na metrópole” (linhas 11 e 12) poderiam ser
substituídos por parênteses, pois esses elementos têm
natureza explicativa.


Com relação ao texto e a seus aspectos linguísticos, julgue o item.
Nas linhas 6 e 7, os sinais de dois‐pontos e de travessão, respectivamente, poderiam ser substituídos por vírgulas, sem haver prejuízo gramatical ao texto.
• No caso do luto, nossa dificuldade para lidar com o assunto pode atrapalhar – e muito – a forma como uma criança que perdeu alguém querido vai reagir. • … não seria hora de as escolas eliminarem esses dias e passarem a adotar – se acharem importante – o Dia da Família?
É correto afirmar que esse sinal de pontuação está empregado nas passagens isolando informações para, respectivamente,
Batizada Arlette e sublimada como Fernanda, a atriz carioca moldou − e continua moldando − cada personagem vivida no rádio, no teatro, no cinema e na televisão por 75 anos. Leia abaixo um trecho da entrevista de Fernanda Montenegro à Revistae.
Por viver tantos personagens, o ator não se torna um ser diferente?
− Nós somos estranhos. Porque, o que é que nós somos? Esquizofrênicos? Só não estamos num hospício porque nos aceitamos e nos aceitam quando acertamos. É uma vida dupla. Você tem um espetáculo à noite e faz toda sua vida durante o dia, seja ela qual for, uma vida calma, incontestada, desassossegada, e à noite, você tem que dar conta de outra esfera. Ninguém te obriga a ir [trabalhar]. Nem quando você passa pela perda de um amor. A gente até acha que aquele amor teria gostado se você fosse lá fazer seu espetáculo. Ítalo Rossi perdeu um irmão num desastre e fez o espetáculo da noite. Estou contando um caso extremo, mas isso acontece.
Em casos como esse dá para guardar as emoções?
− A gente não guarda emoção. A gente vai [trabalhar] com o que acontece, com o que bate na hora. Cada plateia provoca outro estágio no espetáculo. Tem sempre alguma coisa [que muda] porque é tudo muito sutil, embora você faça sempre o “mesmo” gestual. É algo imponderável e inexplicável. Porque é o seguinte, não é só uma pessoa, um elenco e a plateia. Ali tem que haver uma comunhão. Porque às vezes um ator está de um lado do palco, outro ator está do outro lado, eles se olham e dizem: “Hoje não vai sair como a gente quer”. É uma energia cósmica. Mas nunca é exatamente a mesma coisa. Não é. Tanto que às vezes uma pessoa vai ver o espetáculo e se apaixona, mas um amigo vai ver e não gosta, não entrosou, não comungou, entendeu? Não deveria haver uma luta para conquistar a plateia, mas provocar fascínio e buscar uma comunhão.
O que significa esse ofício de atriz?
– É como se fosse um ato religioso: você entra no teatro e espera começar. Já estão todos sentados? Já está na hora? Aí, faz-se alguma coisa: toca-se uma campainha, uma luz muda, os atores entram mesmo com a luz... Ou seja, tem um início. Aí você fica diante de um ser humano. É como uma missa. O que é o padre? Um ator. Ele está ali paramentado, num cerimonial religioso. Se é Páscoa, é uma cor, se é Semana Santa ou Natal, são outras cores. Se fala um texto, não deixa de ser um auto medieval, e as pessoas ficam ali. Acho que, no fundo, tudo na vida é um teatro. Já falava o Velho Bardo [William Shakespeare]: para cada pessoa, você se apresenta, mesmo que um pouquinho, de maneira diferente. Às vezes até a cada hora do dia, até para você mesmo. Quem é a gente?
(Adaptado de: Revistae, São Paulo, Sesc, jul. 2018.)
As frases abaixo referem-se à pontuação do texto.
I. Em a atriz carioca moldou − e continua moldando − cada personagem vivida no rádio (1°parágrafo), podem-se suprimir os travessões sem prejuízo para a correção, ainda que o segmento isolado por eles passe a ter menos realce na frase.
II. Em Porque é o seguinte, não é só uma pessoa, um elenco e a plateia. (3° parágrafo), pode-se substituir a vírgula imediatamente após “seguinte” por dois-pontos, sem prejuízo para a correção e o sentido.
III. Em Ali tem que haver uma comunhão. Porque às vezes um ator está de um lado do palco (3° parágrafo), com as devidas alterações, pode-se substituir corretamente o ponto final por vírgula.
Está correto o que consta de
A questão diz respeito ao Texto.
Leia-o atentamente antes de respondê-la.

“[...]: se trocou de médico, deixou para trás anos de conversas importantes, de resultados de exames – coisas das quais nem se lembra mais.” (linhas 10 a 13)
Sobre a pontuação, julgue os itens abaixo em verdadeiro (V) ou falso (F). Em seguida, assinale a alternativa com a ordem correta das respostas, de cima para baixo:
(__) O travessão utilizado na linha 2 poderia ser corretamente substituído por uma vírgula;
( ) As vírgulas utilizadas na linha 8 e 11 isolam e encerram elementos de valores meramente explicativos;
( ) Manteria a correção gramatical do texto se isolássemos entre vírgulas a expressão “simultaneamente” (linha 9);
( ) Separam-se por vírgula as orações coordenadas unidas pela conjunção “e” quando elas têm sujeitos iguais, apenas.
Considere as seguintes afirmações.
I - O sujeito de mudaram (l. 02) é o mesmo de mudaram (l. 04).
II - As vírgulas presentes entre os travessões das linhas 15 e 18 separam termos com a mesma função sintática.
III- O sujeito de invadiram (l. 21-22) é o mesmo de encobrem (l. 28).
Quais estão corretas?
Com base no texto, julgue o item a seguir.
Os travessões nas linhas 20 e 22 poderiam ser
substituídos por vírgulas, sem prejuízo gramatical e de
sentido ao texto.
Leia o trecho transcrito de uma obra de Monteiro Lobato e atente para sua pontuação.
“Pedrinho não podia compreender férias passadas em outro lugar que não fosse no Sítio do Picapau Amarelo, em companhia de Narizinho, do Marquês de Rabicó, do Visconde de Sabugosa e da Emília. E tinha de ser assim mesmo, porque Dona Benta era a melhor das vovós; Narizinho, a mais galante das primas; Emília, a mais maluquinha de todas as bonecas; o Marquês de Rabicó, o mais rabicó de todos os marqueses; e o Visconde de Sabugosa, o mais ‘cômodo’ de todos os viscondes. E havia ainda a tia Nastácia, a melhor quituteira deste e de todos os mundos que EXISTEM.”
(LOBATO, Monteiro. O Saci. In: Obra infantil completa. S. Paulo: Brasiliense, 1982, p.199)
Veja outras possibilidades de pontuação nas seguintes passagens.
I. E tinha de ser assim mesmo; porque Dona Benta era a melhor das vovós.
II. O Marquês de Rabicó; o mais rabicó de todos os marqueses.
III. Emília – a mais maluquinha de todas as bonecas.
IV. E havia ainda a tia Nastácia: a melhor quituteira deste e de todos os mundos que existem.
Marque a alternativa que apresenta as passagens onde a pontuação foi substituída CORRETAMENTE.
Considere os espaços em branco e os sinais de pontuação. Em seguida, associe-os ao seu respectivo emprego e marque a alternativa da sequência CORRETA dessa associação:
SINAL DE PONTUAÇÃO
(1) Travessão
(2) Parênteses
(3) Reticências
(4) Aspas
EMPREGO
( ) __Santa__ madrasta! Assim pensava o enteado.
Dar destaque a uma palavra.
( ) –Corra, garota! __Aí vem o cachorrão__
Quebrar a sequência na fala do personagem.
( ) Gênio, veloz, imbatível __Pelé, o melhor!
Isolar uma frase.
( ) A sopa __mal servida__ ficou toda no prato.
Intercalar um comentário.
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao
longo do texto estão citados nas questões.

I. Ele está sendo utilizado, porque é um sinal de pontuação que serve para separar orações ou frases explicativas. II. Em seu lugar, poderia ser inserido um hífen a fim de manter a intenção do autor em realçar o exemplo sobre o desenvolvimento da aprendizagem. III. Ele poderia ser suprimido caso o autor quisesse deixar de salientar a mudança na prática das caçadas feitas pelos seres humanos, sem haver prejuízos à compreensão da mensagem.
Quais estão corretas?
Julgue o seguinte item, a respeito de aspectos linguísticos do texto CB3A1-II.
O sinal de dois-pontos na linha 9 e o travessão na linha 17
foram empregados com a mesma finalidade: introduzir uma
enumeração que fornece detalhes acerca do conceito de
“nação” explorado no texto.







