Questões de Concurso Sobre tipologia textual em português

Questões Discursivas

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Q2237843 Português
Texto 1:

Inteligência artificial pode acabar com 27% dos empregos em países da OCDE

Mais de um quarto dos empregos na OCDE dependem de habilidades que podem ser facilmente automatizadas na próxima revolução da inteligência artificial e os trabalhadores temem perder seus empregos para a IA, afirmou a OCDE em 11 de julho de 2023.

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é um bloco de 38 membros, abrangendo principalmente nações ricas, mas também algumas economias emergentes, como México e Estônia.

Até agora, há poucas evidências de que o surgimento da IA tenha um impacto significativo nos empregos, mas isso pode ocorrer porque a revolução está em seus estágios iniciais, disse a OCDE.

Os empregos com maior risco de serem automatizados representam, em média, 27% da força de trabalho nos países da OCDE, com os países da Europa Oriental mais expostos, disse a organização sediada em Paris em suas Perspectivas de Emprego para 2023.

Os trabalhos de maior risco foram definidos como aqueles que usam mais de 25 das 100 habilidades e habilidades que os especialistas em IA consideram que podem ser facilmente automatizadas.

Enquanto isso, três em cada cinco trabalhadores temem perder o emprego para a IA nos próximos 10 anos, constatou a OCDE em uma pesquisa no ano passado. A pesquisa contemplou 5.300 trabalhadores em 2.000 empresas, abrangendo manufatura e finanças em sete países da OCDE. Essa pesquisa foi realizada antes do surgimento explosivo da IA generativa como o ChatGPT.

Apesar da ansiedade com o advento da IA, dois terços dos trabalhadores que já trabalham com ela disseram que a automação tornou seus trabalhos menos perigosos ou tediosos.

"Como a IA afetará os trabalhadores no local de trabalho e se os benefícios superarão os riscos dependerá das ações políticas que tomarmos", disse o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, em entrevista coletiva.

"Os governos devem ajudar os trabalhadores a se prepararem para as mudanças e se beneficiarem das oportunidades que a IA trará", continuou ele.

Salários-mínimos e negociações coletivas podem ajudar a aliviar a pressão que a IA pode exercer sobre os salários, enquanto governos e reguladores precisam garantir que os direitos dos trabalhadores não sejam comprometidos, disse a OCDE.


REUTERS. Inteligência artificial pode acabar com 27% dos empregos em países da OCDE. CNN Brasil. Disponível em: ar-commm-2-dos-em mpeeegoseemm-pasesdda-oocdeee encia-artificial-pode-acabar-com-27-dos-empregos-em-paises-da-ocde/ Acesso em: 11 jul., 2023. 




Texto 2



 A respeito do gênero e tipo textual e da função da linguagem predominante nos Textos 1 e 2, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas:
I. Enquanto no Texto 1 a função da linguagem predominante é a conativa, a predominante no Texto 2 é a função fática.
PORQUE
II. O Texto 1 pertence ao gênero artigo de opinião e o Texto 2 se trata de um infográfico.
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta: 
Alternativas
Q2236092 Português
Leia o texto.
Capítulo V O agregado
      Nem sempre ia naquele passo vagaroso e rígido. Também se descompunha em acionados, era muita vez rápido e lépido nos movimentos, tão natural nesta como naquela maneira. Outrossim, ria largo, se era preciso, de um grande riso sem vontade, mas comunicativo, a tal ponto as bochechas, os dentes, os olhos, toda a cara, toda a pessoa, todo o mundo pareciam rir nele. Nos lances graves, gravíssimo.         Era nosso agregado desde muitos anos; meu pai ainda estava na antiga fazenda de Itaguaí, e eu acabava de nascer. Um dia apareceu ali vendendo-se por médico homeopata; levava um Manual e uma botica. Havia então um andaço de febres; José Dias curou o feitor e uma escrava, e não quis receber nenhuma remuneração. Então meu pai propôs-lhe ficar ali vivendo, com pequeno ordenado. José Dias recusou, dizendo que era justo levar a saúde à casa de sapé do pobre. ASSIS, M. Dom Casmurro.
Observando a relação entre as estruturas morfossintáticas e os sentidos do texto, é possível inferir que 
Alternativas
Q2235185 Português
O extraordinário (e esquecido) caso do sequestro do caixão de Charles Chaplin

Há 45 anos, em 25 de dezembro de 1977, o mundo se despedia do grande criador do icônico Carlitos, que com a mesma bengala com que enfrentou os caprichosos flagelos da vida transformou o novo meio de entretenimento do cinema em arte. O lendário Charles Spencer Chaplin (1889-1977), amplamente considerado o maior comediante e uma das figuras mais importantes da história do cinema, morreu no início da manhã "de velhice", segundo seu médico. Nascido na pobreza, ele se tornou um artista imortal graças à sua brilhante humanização dos conflitos tragicômicos do homem com o destino. […] Quando o som chegou à sétima arte, a estrela silenciosa mostrou que tinha muito a dizer. O discurso final do seu primeiro filme falado "O Grande Ditador" (1940) foi uma admirável e progressista defesa da democracia, que não se ouvia nos domínios do Terceiro Reich, nem na Itália nem na Espanha, pois Adolf Hitler, Benito Mussolini e Francisco Franco proibiram o filme, provando que Chaplin havia acertado em cheio. Sua vida, porém, também foi marcada por polêmicas.

Expulso dos EUA

Fazer uma comédia sobre um líder nazista foi uma delas. Mais tarde, ele escreveria que estava determinado a fazê-lo porque era essencial rir de Hitler. Mas ele havia se metido na política e, embora sua vida privada também alimentasse os tabloides, seria a política que lhe causaria mais problemas. Seus discursos durante a 2ª Guerra Mundial, pedindo uma segunda Frente Ocidental com aliados soviéticos para derrotar Hitler, irritaram muitos conservadores. Com o advento da Guerra Fria, suas amizades com figuras artísticas de destaque acusadas de simpatizar com a causa comunista o colocaram na mira das autoridades. O deputado John E. Rankin, um legislador de direita do Mississippi (Estados Unidos), estava entre os que o denunciaram e exigiram sua deportação. A vida de Chaplin “é prejudicial ao tecido moral da América”, disse Rankin, pedindo que ele fosse mantido “fora das telas americanas e que suas imagens repugnantes sejam mantidas fora dos olhos da juventude americana”. Finalmente, em 1952, o ator, súdito britânico e em 1975 nomeado cavaleiro pela rainha Elizabeth 2ª, foi praticamente expulso dos Estados Unidos. De nada valeu seu “efeito incalculável em transformar o cinema na forma de arte do século 20”, reconhecida pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas daquele país 20 anos depois com um Oscar Honorário. Embarcando em um navio com destino à Inglaterra, ele foi informado pelo Serviço de Imigração e Naturalização dos Estados Unidos que sua reentrada naquele país seria negada a menos que estivesse disposto a responder às acusações "de natureza política e torpeza moral". Indignado e farto do assédio implacável das autoridades, os Chaplins se mudaram para a Suíça. Foi lá que ele morreu aos 88 anos, poucas horas antes do início da tradicional festa de Natal de sua família. Sua quarta esposa, Oona, filha do dramaturgo Eugene O'Neill, e sete de seus 11 filhos estavam com ele. O andarilho que fez 81 filmes em uma vida cinematográfica que começou em 1914 e terminou em 1967 foi enterrado em uma cerimônia privada dois dias depois nas colinas acima do Lago de Genebra. Mas isso, como antecipamos no título, não foi o fim da história.

“Ridículo”

Em uma coda que parecia ter sido escrita por ele para um de seus primeiros curtas de comédia, vários meses após sua morte, seu corpo foi apreendido por uma dupla de ladrões trapalhões. Em março de 1978, eles desenterraram o caixão para forçar a viúva de Chaplin, Oona, a pagar 400 mil libras (equivalente a cerca de R$ 12 milhões em valores atuais). […] Ela se recusou a pagar dizendo "Charlie teria achado ridículo". Em ligações subsequentes, os sequestradores ameaçaram ferir seus dois filhos mais novos. A família manteve silêncio sobre os pedidos de resgate, mas isso não impediu que vários rumores circulassem sobre o caixão desaparecido. [...] Enquanto isso, a polícia suíça montou uma operação na qual 200 quiosques telefônicos foram monitorados e o telefone dos Chaplins, grampeado. Cinco semanas depois, os autores do sequestro foram localizados e presos. O caixão foi encontrado mais tarde, enterrado em um milharal no Lago de Genebra. Um porta-voz dos Chaplins disse: “A família está muito feliz e aliviada por esta provação ter acabado”. [...]

Inspiração italiana

Quase um ano após a morte de Chaplin, em seu julgamento em 11 de dezembro de 1978, um refugiado polonês confessou a um tribunal suíço que desenterrou o corpo e tentou extorquir dinheiro da família do comediante. Roman Wardas, um mecânico de automóveis de 24 anos, disse que não conseguiu um emprego e estava passando por momentos difíceis quando leu um artigo de jornal sobre um caso semelhante na Itália. […] Ele acrescentou que pediu a seu amigo Gantscho Ganev, um búlgaro de 38 anos, que o ajudasse a desenterrar o caixão em Corsier-sur-Vevey, perto da mansão onde Chaplin morou por 23 anos. […] O co-réu disse ao tribunal: “Não me importei em levantar o caixão. A morte não é tão importante de onde eu venho.” Ganev esclareceu que depois de ajudar Wardas naquela noite, não se envolveu mais no assunto. [...] O caixão de Charlie Chaplin foi reenterrado no cemitério original, desta vez em uma cova de concreto à prova de roubo.

BBC News
O texto apresentado é do tipo:
Alternativas
Q2234192 Português
“Entenda o que é tecnociência e qual seu lugar no nosso cotidiano
Nas últimas décadas, ciência e tecnologia foram alvos de debate a respeito do vínculo de subordinação entre si. Se por um lado temos a ciência vista como produtora de todo conhecimento racional e verdadeiro, do outro temos a tecnologia, que se apresenta como a materialização dos resultados da atividade científica.
Após anos sendo vistas de formas separadas, ciência e tecnologia se unem em determinado aspecto e passam a ser conhecidas como “tecnociência”. A tecnociência nada mais é do que a privatização instrumental do conhecimento científico-tecnológico que já conhecemos há muito tempo, para produção de artefatos, tais como: computadores, celulares, televisores, etc.
Apesar de parecer algo extremamente complicado e distante, os mecanismos de funcionamento da tecnociência são simples e estão sendo utilizados a todo o momento. Ao acessar o computador ou celular para ler materiais como este, o usuário está usufruindo dos resultados da tecnociência. Seu objetivo é bem simples e direto ao ponto: facilitar a vida de quem a utiliza.
O dia a dia do brasileiro fica cada vez mais acelerado e com sobrecargas de horas de trabalho. É pensando em situações de sobrecarga como esta que os mecanismos da tecnociência são aplicados. Como cita a pesquisadora Flávia Lacerda, da Faculdade de Ciência da Informação de Brasília, em sua tese de doutorado, é preciso que haja novas ferramentas para acompanhar o desenvolvimento das informações presentes em nosso mundo. Tanto tecnologia quanto a ciência sempre proporcionaram vantagens individuais significativas na hora da resolução de certos problemas. Porém, a unificação de ambas está sendo capaz de proporcionar vantagens coletivas para a população em geral, como é o caso do crescimento da economia do país.
Segundo o Relatório do Plano de Ação do ano de 2017, do BNDS (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), a utilização desses mecanismos trazidos pela tecnociência para a rotina do brasileiro será capaz de movimentar na economia nacional um valor estimado entre US$11 bilhões a US$25 bilhões de dólares.”. (Texto adaptado. Disponível em: https://www.techenet.com/2019/10/entenda-o-que-e-tecnociencia-e-qual-seu-lugar-no-nosso- -cotidiano/).
Quanto a tipologia textual, assinale a alternativa que explica adequadamente o objetivo do texto.
Alternativas
Q2232648 Português
Leia o seguinte texto argumentativo:

Os escritores devem ser comprometidos.
O escritor não é um simples observador da realidade; ao contrário, deve estar comprometido com o destino da sociedade em que vive e, pela mesma razão, sua criação literária não deve escapar para uma temática atemporal, mas sim abordar os problemas que enfrentam seus concidadãos para conscientizá-los sobre o sentido de suas vidas e sobre as circunstâncias da época em que vivem; a obra literária tem que contribuir para a transformação da realidade, abrindo maiores espaços de liberdade. O escritor deve, também, ser crítico em relação ao poder estabelecido e solidarizar-se com os oprimidos. (Anônimo)
Sobre a estruturação desse texto, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q2232640 Português
Leia o texto a seguir.

"Sobreviver não é apenas um direito, é uma obrigação. Dentro dos mais estritos limites, sob todas as pressões, até mesmo em face das mais humilhantes concessões, é fundamental sobreviver. Amanhã é um dia novo, ninguém sabe o que a história nos reserva, a felicidade pode estar na esquina, a solução a um passo e, quando você pensa que não pode mais, ainda pode muito."
Millor Fernandes
Sobre a estrutura desse texto argumentativo, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q2232528 Português
"Uma sensação única na boca, uma terna tentação, uma caricia para os sentidos... Aqui você encontrará as receitas do chocolate Milka que farão você fundir-se no cremosidade."
Esse texto, publicado em algumas revistas, pode ser enquadrado como texto
Alternativas
Q2231833 Português
Leia o texto a seguir:

O inverno
Rubem Braga

Foi a mais estranha manhã que tenho visto no Rio, essa de sexta-feira. Depois de uma noite de lua veio um vento que amontoou nuvens baixas sobre a cidade e, de súbito, desfechou uma chuva forte, com jeito de chuva de verão. Mas sem aquela pressão e eletricidade desses temporais que se formam atrás das montanhas de pedras, como bandidos que se juntam para um assalto ― e de súbito rebentam sobre as casas, entre relâmpagos e trovoadas.

O temporal matutino veio com um vento quase frio, e às onze horas da manhã o ar estava escuro e ao mesmo tempo leve como de madrugada. Na minha rua, com a tristeza das árvores podadas, o asfalto molhado tinha um reflexo tão triste, uma luz pálida de olhos de pessoa doente.

E aquela escuridão era como um dia de fim de outono na França, esses dias em que a cidade grande assume um ar egoísta, apressado, ao mesmo tempo brutal e cheio de tédio. O inverno! Pode-se amá-lo nas montanhas cobertas de neve e de sol e nas noites urbanas, quando as mulheres esplendem entre os grandes casacos macios, no meio das luzes. Mas a rua diuturna é triste e feroz quando a neve se transforma em lama e o vento gelado esbofeteia o transeunte.

A tristeza pior, que mais de uma vez me apertou o coração, é, entretanto, a desse fim de outono, um desses dias escuros, molhados e frios, que dizem que o inverno vai começar, que ele já está chegando, e que é preciso dar adeus aos belos dias de sol em que é doce andar lentamente pelas ruas.

Essa estranha manhã do Rio me trouxe a mesma sensação desses dias sujos, deprimentes, do começo de inverno em Paris, em que nos dá uma vontade súbita de embarcar para um Brasil qualquer em que haja luz e calor, em que a gente possa sair com um calção de banho e andar na praia, ao sol ― o pobre condenado a meses de capote, cachecol, chapéu, sapato pesado, ar cheio de fumo e vento frio.

Mas o dia avançou um pouco e, como num milagre, as nuvens sumiram e veio um sol tão claro e fino sobre a cidade molhada que a cidade esplendeu no ar limpo, viva como risada de criança. E, por um instante, surpreendi nas pessoas um olhar novo, reconhecido, quase feliz, como se tivéssemos saído afinal da escuridão de um torpe, longo inverno. A cidade renascia com tanta beleza que dava vontade de fazer como na roça, e a todo ser humano que passasse dizer, com uma leve emoção ― bom dia.

Fonte: https://ocjht.mgmonline.online. Acesso em 20/05/2023 
Leia o trecho a seguir, para responder à questão:
O inverno! Pode-se amá-lo nas montanhas cobertas de neve e de sol e nas noites urbanas, quando as mulheres esplendem entre os grandes casacos macios, no meio das luzes. Mas a rua diuturna é triste e feroz quando a neve se transforma em lama e o vento gelado esbofeteia o transeunte (3º parágrafo).
A crônica é essencialmente um gênero narrativo, ou seja, cumpre o papel de relatar uma história real ou fictícia. Contudo, é possível haver trechos que cumpram outros papéis, como o de detalhar as características de elementos presentes no discurso. Considerando essas informações, o trecho destacado é predominantemente: 
Alternativas
Q2230577 Português
Um apólogo

Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:

– Por que est· você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma coisa neste mundo?

– Deixe-me, senhora.

– Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que est· com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.

– Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.

– Mas você é orgulhosa.

– Decerto que sou.

– Mas por quê?

– É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?

– Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu, e muito eu?

– Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...

– Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás, obedecendo ao que eu faço e mando...

– Também os batedores vão adiante do imperador.

– Você é imperador?

– Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto... Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana – para dar a isto uma cor poética.

E dizia a agulha: 

– Então, senhora linha, ainda teima no que dizia h· pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu È que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...

A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte; continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile. Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:

– Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.

Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:

– Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém.

Onde me espetam, fico.

Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:

– Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!

Machado de Assis
É característico de textos narrativos como Um apólogo, de Machado de Assis: 
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Q2229497 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Mudanças climáticas aumentam incidência de doenças, alerta Fundo Global.

O diretor executivo do Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária, Peter Sands, alertou na terça-feira (22), em entrevista coletiva à associação de correspondentes da Organização das Nações Unidas (ONU), que as mudanças climáticas tendem a causar ainda mais mortes do que se imaginava. Isso porque chuvas intensas e o aumento médio da temperatura podem aumentar o número de casos de doenças infecciosas.

De acordo com a Agence France-Presse, o diretor destacou no evento que, além de trazer insegurança alimentar deixando as pessoas mais vulneráveis a doenças, o clima quente e úmido tornou-se um cenário propício para a dengue e a malária aumentarem sua área e grau de incidência.

Embora até o momento o surto de malária tenha sido associado ao aumento da frequência e da devastação das tempestades tropicais, as inundações no Paquistão ajudaram a elevar este número. 

<Partes da África que anteriormente não eram afetadas pela doença agora estão em risco à medida que as temperaturas aumentam e permitem que os mosquitos prosperem=, disse Sands. Ele afirmou que a população nessas áreas não tem tanta imunidade, ou seja, o risco de mortalidade é maior.

Outra ameaça citada é a propagação da tuberculose entre o número crescente de pessoas em deslocamento causado pela mudança climática em todo o mundo.

<A tuberculose é uma doença que prospera com concentrações de pessoas altamente estressadas em confinamento com comida e abrigo inadequados. Quanto mais vemos o deslocamento de pessoas, mais acho que isso se traduzirá em condições favoráveis para a transmissão da doença=, explicou o diretor.

Quando questionado se o mundo estava melhor preparado para a próxima pandemia do que para o Covid-19, Sands disse que sim, mas acrescentou: <Isso não significa que estamos bem preparados, apenas não estamos tão mal preparados quanto estávamos antes do coronavírus".

Em regiões mais pobres o perigo é ainda maior, de acordo com o executivo, já que nesses locais o HIV, tuberculose e malária estão matando muito mais pessoas do que a Covid. <Para as pessoas que ajudamos nas comunidades mais pobres, marginalizadas e vulneráveis do mundo, 2022 foi um ano brutal=, ressaltou.

Revista Galileu Digital. Disponível em: <https://revistagalileu.globo.com/>. Acesso em: 05 de abril de 2023. (Adaptado).
O texto "Mudanças climáticas aumentam incidência de doenças, alerta fundo global= pertence a qual tipo textual?
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Q2225982 Português
O QUE VIVI AO FICAR PRESO NO ELEVADOR
Por Ton Paulo – 20 novembro 2019

          As portas do elevador estacionado no térreo já se fechavam quando, numa corrida rápida, coloco o braço no rumo do sensor a tempo de fazê-las reabrirem. Entro ainda ofegante no cubículo vazio, não sem antes soltar um “que sorte!” em voz baixa.

          Sou apaixonado por elevadores vazios. O intervalo do térreo até o andar escolhido é sempre o momento oportuno do dia para dar uma ajeitada no cabelo no espelho, olhar as mensagens ainda não visualizadas e respirar. Mas não hoje.

          O elevador parou no meu andar, o 25º, mas as portas não se abriram. Espero, estranhando o delay, e nada. Alguns instantes depois, o ventilador de teto para. Era isso: eu estava preso em um elevador enguiçado.

          Desato a tocar o interfone, mas, no lugar de uma voz humana, só recebo uma luzinha que pisca insistentemente. Do nada, me vem a palavra “claustrofobia” – do latim, claustro phobos: medo de lugares fechados. Eu não tinha aquilo, mas sentia que meus pulmões já puxavam o ar de maneira irregular.

          Sento, levanto, sento novamente, dou voltas só de meias dentro do cubículo de metal. Exatos uma hora e cinquenta minutos se passam até que um funcionário abre a porta, com o elevador já no térreo e me encontra no chão abraçado às minhas pernas. Ainda um pouco trêmulo e puxando o ar com força, caminho até a recepcionista: “Onde ficam as escadas mesmo?”


Disponível em: https://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/oque-vivi-ao-ficar-preso-no-elevador-221327/. Acesso em: 20 maio 2023. 
O texto “O que vivi ao ficar preso no elevador” se organiza a partir do modo
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Ano: 2023 Banca: FGV Órgão: TJ-BA Prova: FGV - 2023 - TJ-BA - Conciliador |
Q2224641 Português
Texto 1 – O caminho da alimentação saudável

Nova rotulagem da Anvisa é bem-vinda, mas aquém de seu potencial
Carlos Augusto Monteiro
Laís Amaral Mais

Desde outubro de 2022, o consumidor brasileiro vem se deparando com mudanças nas embalagens de alimentos nos mercados. Trata-se do novo modelo de rotulagem nutricional determinado pela Anvisa.

O uso do padrão é válido para produtos alimentícios lançados a partir de 9 de outubro; para aqueles já existentes, o prazo para adequação pode ser de um a três anos a partir da mesma data, dependendo da natureza do produto.

O modelo traz novidades importantes. A principal é a inclusão de um ícone de lupa, indicando alto teor de gordura saturada, açúcar adicionado e sódio — cuja ingestão excessiva aumenta o risco de doenças crônicas. Além disso, padroniza o design da tabela nutricional e mostra valores nutricionais do alimento com base em porções de 100 g ou 100 ml, facilitando comparações entre produtos semelhantes de marcas distintas.

A adoção é um avanço. O rótulo de um alimento traz informações que orientam o consumidor sobre os componentes do produto, interferindo na decisão de compra. A escolha da nova rotulagem, no entanto, poderia — e deveria — ter ido além.

Na teoria, a função do ícone da lupa é informar o consumidor sobre a composição dos alimentos. Na prática, a iniciativa deveria apoiar escolhas alimentares mais saudáveis. Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, um caminho simples para manter uma alimentação saudável é evitar o consumo de ultraprocessados. São opções que contêm pouco ou nenhum alimento inteiro, sendo feitas majoritariamente de substâncias extraídas de alimentos (como amido do milho ou proteína da soja). Por isso, é comum que sejam adicionados corantes, aromatizantes e outros aditivos que os deixam atraentes.

Eles também costumam ter excesso de açúcar, gordura saturada e sódio. Dessa forma, uma grande parte dos alimentos aptos a levar o selo da lupa é composta de ultraprocessados. Ainda assim, muitos alimentos nocivos à saúde podem passar incólumes, já que o perfil nutricional — ou seja, os limites para cada nutriente crítico — escolhido pela Anvisa é demasiado permissivo.

Para receber um rótulo de "alto em sódio" no Brasil, por exemplo, um alimento precisa ter ao menos 600 mg do nutriente a cada 100 g de produto. Em comparação, o perfil nutricional da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) atrela a quantidade de sódio ao total calórico do produto. Na prática, a diferença é notável: no caso de um caldo de galinha em cubos, o modelo da Anvisa tolera o dobro de sódio aceito pela Opas.

Brechas como essa, aliadas à publicidade já costumeira desses produtos, podem seguir provocando confusão ao consumidor. Mais que mostrar excessos em nutrientes, é necessário ajudar a população a identificar os ultraprocessados. Isso poderia ocorrer facilmente com o destaque da presença de certos tipos de aditivos alimentares. Afinal, nenhum alimento feito com comida de verdade precisa de "aroma idêntico ao natural de morango". 

Para além das mudanças na rotulagem, o Brasil pode seguir o exemplo do Chile, que, junto às regras, implementou políticas públicas de alimentação saudável. A iniciativa inclui campanhas educativas e a regulação da publicidade e da venda de produtos não saudáveis a crianças. São ações que beneficiariam largamente a alimentação e a saúde no Brasil.

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2023/01/o -caminho-da-alimentacao-saudavel.shtml Acesso em: 13/05/2023
“Para além das mudanças na rotulagem, o Brasil pode seguir o exemplo do Chile, que, junto às regras, implementou políticas públicas de alimentação saudável.” (Texto 1, 9º parágrafo)
Embora o texto 1 seja predominantemente argumentativo, seus últimos dois parágrafos colocam em relevo outro tipo textual.
Na passagem acima, retirada do último parágrafo do texto 1, o tipo textual predominante é o(a):
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Q2221764 Português

Texto 2


Os desafios para reinserir um milhão de crianças e adolescentes nas escolas

Ana Luiza Basilio


        As escolas brasileiras começam o ano letivo de 2023 com uma ausência injustificável: ao menos um milhão de crianças e adolescentes não estão presentes nas aulas por terem deixado de fazer parte dos sistemas de ensino. Dados do Censo Escolar da Educação Básica 2022 apontam que 1,04 milhão de estudantes dos 4 aos 17 anos estavam fora da escola.

       Os maiores níveis de exclusão escolar se concentram entre crianças de 4 anos: 399.290. Entre as faixas de 5 e 6, o total chega a 151.985. Também são expressivas as taxas de evasão entre os adolescentes de 17 anos: 241.641 deixaram a escola antes de completar o Ensino Fundamental ou o Ensino Médio. Dos 14 aos 16 anos, a soma dos que deixaram a escola nas mesmas condições é de 250.497. [...].

      Além de uma questão de oferta, no entanto, a exclusão escolar é determinada por outros marcadores sociais que atravessam as famílias brasileiras, sobretudo as mais vulneráveis, e impedem que crianças e adolescentes finalizem a jornada no sistema de ensino.

    Um dos principais obstáculos é a pobreza. Dados da pesquisa do Unicef – “As Múltiplas Dimensões da Pobreza na Infância e na Adolescência no Brasil” – divulgados em fevereiro mostram que, em 2019, ao menos 32 milhões de meninos e meninas (63% do total) viviam a pobreza em suas múltiplas dimensões, a englobar renda, educação, trabalho infantil, moradia, água, saneamento e informação. [...].

       “Não há como assegurar o direito à educação sem garantirmos o direito ao transporte, à saúde, à moradia e à renda. Uma coisa não funciona sem a outra”, observa a doutora em Ciências Sociais Julia Ventura, gestora estratégica da ONG Cidade Escola Aprendiz. “Você não consegue garantir que uma criança permaneça na escola se a mãe não tiver dinheiro para pegar um ônibus e levála ou se essa família enfrenta outras necessidades básicas, como falta de alimentos” [...].



Disponível em:<https://www.cartacapital.com.br/educacao/os-desafiospara-reinserir-um-milhao-de-criancas-e-adolescentes-nas-escolas/> . Acesso em: 18 abr. 2023. [Adaptado].
A autora utiliza como estratégia de organização discursiva o predomínio do tipo textual
Alternativas
Q2218980 Português

Texto para o item.




Internet: <www.prodi.ifes.edu.br> (com adaptações).

Quanto à tipologia textual e às ideias do texto, julgue o item.


O texto é essencialmente argumentativo, pois defende o uso das PICS, em razão de tais práticas estimularem os mecanismos naturais da prevenção de agravos e da recuperação da saúde. 

Alternativas
Q2218483 Português
Texto 1
Leia o texto a seguir:

Não podemos mais acreditar em nada do que vemos?
Com inteligência artificial, até especialistas às vezes têm dificuldade para dizer se uma foto é real ou não

Ver não é crer há muito tempo. As fotos são falsificadas e manipuladas há quase tanto tempo quanto existe a fotografia.

Agora nem mesmo a realidade é necessária para que as fotos pareçam autênticas – apenas inteligência artificial respondendo a um comando. Mesmo os especialistas às vezes têm dificuldade para dizer se uma foto é real ou não. Você consegue?

O rápido advento da inteligência artificial disparou alarmes de que a tecnologia usada para enganar as pessoas está avançando muito mais depressa do que a tecnologia que identifica os truques. Empresas de tecnologia, pesquisadores, agências de fotografia e organizações de notícias estão se esforçando para se atualizar, tentando estabelecer padrões de proveniência e propriedade do conteúdo.

Os avanços já estão alimentando a desinformação e sendo usados para instigar divisões políticas. Governos autoritários criaram emissoras de notícias aparentemente realistas para promover seus objetivos políticos. No mês passado, algumas pessoas acreditaram em imagens que mostravam o papa Francisco vestindo uma jaqueta acolchoada e um terremoto devastando o noroeste do Pacífico, embora nenhum desses fatos tenha ocorrido. As imagens foram criadas usando o Midjourney, um popular gerador de imagens.

Na terça-feira (4), quando o ex-presidente americano Donald Trump se apresentou no gabinete do promotor distrital de Manhattan em Nova York para enfrentar acusações criminais, imagens geradas por inteligência artificial apareceram no Reddit mostrando o ator Bill Murray como presidente na Casa Branca. Outra imagem mostrando Trump marchando na frente de uma multidão com bandeiras americanas ao fundo foi rapidamente compartilhada novamente no Twitter sem a informação que acompanhava a postagem original, de que na verdade não era uma fotografia.

Especialistas temem que a tecnologia possa acelerar a erosão da confiança na mídia, no governo e na sociedade. Se qualquer imagem pode ser fabricada – e manipulada –, como podemos acreditar em alguma coisa que vemos?

“As ferramentas vão melhorar, vão ficar mais baratas e chegará o dia em que não poderemos acreditar em nada do que vemos na internet”, disse Wasim Khaled, CEO da Blackbird.AI, empresa que ajuda clientes a combater a desinformação.

A inteligência artificial permite que praticamente qualquer pessoa crie obras de arte complexas, como as agora expostas na galeria de arte Gagosian em Nova York, ou imagens realistas que borram a linha entre o que é real e o que é ficção. Insira uma descrição de texto e a tecnologia produzirá uma imagem relacionada, sem necessidade de habilidades especiais.

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/tec/2023/04/nao-podemos-mais-acreditarem-nada-do-que-vemos.shtml?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_
No trecho “O rápido advento da inteligência artificial disparou alarmes de que a tecnologia usada para enganar as pessoas está avançando muito mais depressa do que a tecnologia que identifica os truques” (3º parágrafo), identifica-se um modo de organização:
Alternativas
Q2218046 Português

Texto para o item.




Internet: <blog.unopar.com.br> (com adaptações).

Com relação à tipologia textual e às ideias do texto, julgue o item.


Atualmente, a fisioterapia conta com um aporte tecnológico para a realização de suas atividades.


Alternativas
Q2218045 Português

Texto para o item.




Internet: <blog.unopar.com.br> (com adaptações).

Com relação à tipologia textual e às ideias do texto, julgue o item.


O texto pode ser considerado essencialmente narrativo, tendo em vista a sucessão de fatos apresentada. 


Alternativas
Q2218044 Português

Texto para o item.




Internet: <blog.unopar.com.br> (com adaptações).

Com relação à tipologia textual e às ideias do texto, julgue o item.


Somente na última década do século XX, o curso de fisioterapia passou a constar do rol de cursos superiores reconhecidos no País.


Alternativas
Q2218043 Português

Texto para o item.




Internet: <blog.unopar.com.br> (com adaptações).

Com relação à tipologia textual e às ideias do texto, julgue o item.


Rio de Janeiro e São Paulo estão entre as cidades que inauguraram os primeiros cursos de fisioterapia no Brasil. 


Alternativas
Q2218042 Português

Texto para o item.




Internet: <blog.unopar.com.br> (com adaptações).

Com relação à tipologia textual e às ideias do texto, julgue o item.


As práticas de hidroterapia e os tratamentos de choque mencionados no primeiro parágrafo são considerados, no texto, como práticas fisioterápicas.


Alternativas
Respostas
1261: D
1262: D
1263: B
1264: D
1265: C
1266: A
1267: C
1268: B
1269: B
1270: C
1271: D
1272: D
1273: B
1274: E
1275: B
1276: C
1277: E
1278: E
1279: E
1280: C