Questões de Concurso Sobre tipologia textual em português

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Q681486 Português

FAMÍLIA

Três meninos e duas meninas

Sendo uma ainda de colo

A cozinheira preta, a copeira mulata,

O papagaio, o gato, o cachorro,

As galinhas gordas no palmo da horta

E a mulher que trata de tudo


A espreguiçadeira, a cama, a gangorra,

O cigarro, o trabalho, a reza,

A goiabada na sobremesa de domingo,

O palito nos dentes contentes,

O gramofone rouco toda noite

E a mulher que trata de tudo.


O agiota, o leiteiro, o turco,

O médico uma vez por mês,

O bilhete todas as semanas

Branco! Mas a esperança sempre verde.

A mulher que trata de tudo

E a felicidade

Carlos Drummond de Andrade

Com relação ao texto acima, podemos classificá-lo como:
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Q681354 Português

Hospitais do Amapá estariam sem ambulâncias por falta de pagamento

Servidores contam que transporte de pacientes foi interrompido.

Falta do serviço atinge HE, HCAL e PAI, em Macapá.

Ambulâncias que atendem a hospitais públicos estaduais do Amapá teriam sido retiradas por falta de pagamento do governo à empresa responsável pela locação dos veículos. A informação foi confirmada por funcionários que atuam na rede hospitalar. Em nota enviada, o governo informou que foi "surpreendido" com a atitude da empresa e que foi à Justiça para buscar o retorno dos veículos.

"No dia 10 de dezembro a Sesa foi surpreendida com a suspensão dos serviços sem prévio aviso. Imediatamente a secretaria entrou com pedido de liminar, uma vez que o atraso alegado extraoficialmente pela empresa não é superior a 90 dias do atual exercício financeiro, como prevê a Lei Geral de Licitações nº 8.666, para que o contratado interrompa os serviços", disse a nota, acrescentando que a Justiça deu 24 horas para a empresa voltar com as ambulâncias para as unidades.

A falta das ambulâncias estaria afetando os hospitais de Clínicas Alberto Lima (HCAL) e de Emergências (HE) e Pronto Atendimento Infantil (PAI), todos em Macapá. O G1 percorreu as unidades e constatou que não havia ambulâncias em nenhum dos prédios. No HCAL, a vaga destinada ao veículo estava ocupada por um carro particular.

De acordo com a enfermeira Sandra Pereira, de 49 anos, os funcionários receberam a informação de que o retorno das ambulâncias aconteceria somente mediante a efetuação dos pagamentos. “As ambulâncias foram todas retiradas. Não temos nenhuma no HCAL e nem no HE. Se o governo do estado não liberar o dinheiro para pagar as ambulâncias, elas vão continuar fora dos hospitais”, disse.

Um técnico em enfermagem do Hospital de Emergências, que preferiu manter a identidade em sigilo, relatou que a retirada dos veículos atinge diretamente o transporte de pacientes entre uma unidade e outra. “Os pacientes que quiserem fazer algum exame têm que ir em algum carro particular por conta própria. Se ele entra, não sai mais do hospital, se depender das ambulâncias”, comentou o funcionário do HE de Macapá. [...]

Motoristas das ambulâncias dizem que tiveram que ser remanejados para outros hospitais após o primeiro caso de retirada dos veículos. “As [ambulâncias] da UPA e da maternidade nunca mais voltaram. Nós fomos até transferidos para outros hospitais porque elas não retornaram”, contou um motorista, que pediu para manter a identidade em sigilo.

(g1.globo.com)

Analise as afirmações sobre o texto como um todo e, em seguida, assinale a alternativa correta.
I. O texto é jornalístico, o que se pode comprovar, inclusive, pela linguagem objetiva, direta e eminentemente denotativa. II. Segundo o texto, a responsabilidade pelo não pagamento das ambulâncias é exclusivamente da empresa Sesa. III. O problema que levou à paralisação das ambulâncias foi um tipo especial de greves, que se iniciou por conta da insatisfação dos funcionários da saúde em relação aos seus salários. IV. O termo “ambulâncias” entre colchetes no último parágrafo indica uma imprecisão semântica, que cria incoerência para o texto, o qual, por causa de seu uso, se tornou contraditório.
Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Ano: 2013 Banca: IF-MG Órgão: IF-MG Prova: IF-MG - 2013 - IF-MG - Auxiliar Administrativo |
Q680262 Português
No texto opinativo lido, encontramos várias interrogações, cujo principal objetivo é
Alternativas
Ano: 2013 Banca: IF-MG Órgão: IF-MG Prova: IF-MG - 2013 - IF-MG - Auxiliar Administrativo |
Q680256 Português
“É o que Adam Smith dizia e que já foi exaustivamente medido.” (linha 7) A referência a Adam Smith no texto foi feita para: 
Alternativas
Ano: 2013 Banca: IF-MG Órgão: IF-MG Prova: IF-MG - 2013 - IF-MG - Auxiliar Administrativo |
Q680255 Português
No texto opinativo, o locutor apresenta os fatos e elabora um juízo de valor sobre eles, configurando-se, desse modo, a subjetividade.
A alternativa em que há ausência de marcas de subjetividade do locutor é:
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Q678351 Português

Eu, na rua, com pressa, e o menino segurou no meu braço, falou qualquer coisa que não entendi. Fui logo dizendo que não tinha, certa de que ele estava pedindo dinheiro. Não estava. Queria saber a hora.

COLASANTI, M. Eu sei, mas não devia. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Em síntese, é correto afirmar que, no processo de comunicação entre as duas personagens, ocorreu

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Q678348 Português

[...] essa é a característica geral do país: camuflamos nosso mercenarismo com singelos diminutivos. O policial, para manter as aparências, nunca cobra um suborno, mas uma “cervejinha”. O fiscal da prefeitura leva uma “caixinha”. O político dá uma “azeitadinha”. Ninguém se corrompe de forma direta, metódica, profissional. A gente é impreciso e diletante até para se vender.

MAINARDI, D. Veja. São Paulo, 6 fev. 2006.

Pelas características do texto, trata-se

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Q677369 Português
Quem são nossos ídolos?
Claudio de Moura Castro

Eu estava na França nos idos dos anos 80. Ligando a televisão, ouvi por acaso uma entrevista com um jovem piloto de Fórmula 1. Foi-lhe perguntado em quem se inspirava como piloto iniciante. A resposta foi pronta: Ayrton Senna. O curioso é que nessa época Senna não havia ganho uma só corrida importante. Mas bastou ver o piloto brasileiro se preparando para uma corrida: era o primeiro a chegar no treino, o único a sempre fazer a pista a pé, o que mais trocava ideias com os mecânicos e o último a ir embora. Em outras palavras, sua dedicação, tenacidade, atenção aos detalhes eram tão descomunais que, aliadas a seu talento, teriam de levar ao sucesso.
Por que tal comentário teria hoje alguma importância?
Cada época tem seus ídolos, pois eles são a tradução de anseios, esperanças, sonhos e identidade cultural daquele momento. Mas, ao mesmo tempo, reforçam e ajudam a materializar esses modelos de pensar e agir.
Já faz muito tempo, Heleno de Freitas foi um grande ídolo do futebol. Segundo consta, jactava-se de tomar uma cachacinha antes do jogo, para aumentar a criatividade. Entrava em campo exibindo seu bigodinho e, após o gol, puxava o pente e corrigia o penteado. O ídolo era a genialidade pura do futebol-arte.
Mais tarde, Garrincha era a expressão do povo, com sua alegria e ingenuidade. Era o jogador cujo estilo brotava naturalmente. Era a espontaneidade, como pessoa e como jogo, e era facilmente amado pelos brasileiros, pois materializava as virtudes da criação genial.
Para o jogador "cavador", cabia não mais do que um prêmio de consola- ção. Até que veio Pelé. Genial, sim. Mas disciplinado, dedicado e totalmente comprometido a usar todas as energias para levar a cabo sua tarefa. E de atleta completo e brilhante passou a ser um cidadão exemplar.
É bem adiante que vem Ayrton Senna. Tinha talento, sem dúvida. Mas tinha mais do que isso. Tinha a obsessão da disciplina, do detalhe e da dedicação total e completa. Era o talento a serviço do método e da premeditação, que são muito mais críticos nesse desporto.
Há mais do que uma coincidência nessa evolução. Nossa escolha de ídolos evoluiu porque evoluímos. Nossos ídolos do passado refletiam nossa imaturidade. Era a época de Macunaíma. Era a apologia da genialidade pura. Só talento, pois esforço é careta. Admirávamos quem era talentoso por graça de Deus e desdenhávamos o sucesso originado do esforço. Amadurecemos. Cresceu o peso da razão nos ídolos. A emoção ingênua recuou. Hoje criamos espaço para os ídolos cujo êxito é, em grande medida, resultado da dedicação e da disciplina – como Pelé e Senna.
Mas há o outro lado da equação, vital para nossa juventude. Necessitamos de modelos que mostrem o caminho do sucesso por via do esforço e da dedicação. Tais ídolos trazem um ideário mais disciplinado e produtivo.
Nossa educação ainda valoriza o aluno genial, que não estuda – ou que, paradoxalmente, se sente na obrigação de estudar escondido e jactar-se de não fazê-lo. O cê-dê-efe é diminuído, menosprezado, é um pobre-diabo que só obtém bons resultados porque se mata de estudar. A vitória comemorada é a que deriva da improvisação, do golpe de mestre. E, nos casos mais tristes, até competência na cola é motivo de orgulho.
Parte do sucesso da educação japonesa e dos Tigres Asiáticos provém da crença de que todos podem obter bons resultados por via do esforço e da dedicação. Pelo ideário desses países, pobres e ricos podem ter sucesso, é só dar duro.
O êxito em nossa educação passa por uma evolução semelhante à que aconteceu nos desportos – da emoção para a razão. É preciso que o sucesso escolar passe a ser visto como resultado da disciplina, do paroxismo de dedica- ção, da premeditação e do método na consecução de objetivos.
A valorização da genialidade em estado puro é o atraso, nos desportos e na educação. O modelo para nossos estudantes deverá ser Ayrton Senna, o supremo cê-dê-efe de nosso esporte. Se em seu modelo se inspirarem, vejo bons augúrios para nossa educação.

Disponível em: http://veja.abril.com.br/idade/educacao/060601/ponto_de_vista.html. Acesso em: jul. 2016.
Em todos os trechos, a narradora inclui o leitor em suas reflexões, EXCETO em:
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Q676920 Português

Jogos Olímpicos Rio 2016 deixarão lições para a segurança corporativa

*Alejandro Raposo - 11 de Março de 2016 - 14h42

O projeto de segurança da informação desenvolvido para os Jogos Olímpicos Rio 2016 é, certamente, o mais complexo já implantado na América Latina nos últimos tempos. Primeiramente, porque tem um portfólio de produtos extremamente amplo, que de ve ser integrado a diversas tecnologias de diferentes marcas e aspectos. Em segundo lugar, pela sua visibilidade, já que atende o maior evento esportivo do mundo, com uma expectativa de 4,8 bilhões de espectadores, segundo seus organizadores.

Todos os projetos de segurança da informação abrangem basicamente três premissas: processos, soluções de segurança e pessoas. A diferença é que os Jogos Olímpicos Rio 2016 têm o tamanho de uma cidade inteligente. Para se ter uma ideia, o time envolvido nas operações será de 136,5 mil pessoas, entre funcionários diretos, indiretos e voluntários, cada um com um nível de permissão e uma dinâmica de trabalho diferentes. Além disso, será preciso atender milhares de atletas, profissionais de mídia e agentes de delegações que circularão durante o evento.

Como não poderia deixar de ser, a expectativa de ataques no País também é gigante, por isso, a preocupação com a segurança cibernética deve ser redobrada em todas as organizações do Brasil e não somente nas entidades envolvidas com a organização dos Jogos. O Internet Security ThreatReport 2015 (ISTR 2015), produzido pela Symantec, mostra uma média de quase um milhão de malwares criados por dia em todo o mundo, proporção que deve seguir crescendo exponencialmente, graças ao processo de sofisticação do cibercrime – com ataques cada vez mais direcionados e assertivos – e à aceleração da digitalização, especialmente na América Latina.

Dados do relatório A Nova Revolução Digital, feito pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), mostram que a penetração da Internet na região mais do que duplicou entre 2006 e 2014, com crescimento passando de 20,7% para 50,1% ao ano. O cenário é semelhante para dispositivos móveis. Entre 2010 e 2013, o número de celulares conectados à Internet na região aumentou, em média, 77% ao ano; em 2014, já somavam 200 milhões. Em 2020, esse número deve ultrapassar os 600 milhões, o que deixará a América Latina atrás somente da Ásia, de acordo com o documento A Economia Móvel - América Latina 2014, produzido pelo GroupeSpeciale Mobile Association (GSMA), entidade que reúne operadoras de telefonia móvel de todo o mundo. Esse crescimento traz, a reboque, um imenso número de novos usuários pouco habituados ao cenário digital, que são vítimas em potencial para ameaças virtuais, inclusive de ataques simples de engenharia social, como spam e alternativas rudimentares.

O aprendizado com esse projeto do Rio 2016, com certeza, levará ao apri moramento das práticas de mercado, pois as ações do Comitê Olímpico Internacional (COI) e do Comitê Organizador Rio 2016 na área de segurança da informação são extremamente bem formuladas, com técnicas e metodologias avançadas. Os processos ocorrem dentro de um padrão e uma sequência que devem ser respeitados, a fim de atingir o objetivo final sem grandes intempéries. Os diversos fabricantes fornecedores trabalham de forma totalmente integrada e com base em parceria mútua, pois a combinação perfeita das soluções determinará o resultado do projeto. Por fim, a criação do ambiente para a disputa dos jogos deve deixar legados para a cidade -sede sob todos os pontos de vista. O objetivo é muito claro: criar um evento no qual todos possam apreciar os jogos e uma estrutura que, de tão eficiente, ninguém veja.

*Vice-presidente de Vendas da Symantec para América Latina 


Disponível em: <http://computerworld.com.br/jogos-olimpicos-rio-2016-deixarao-licoes-para-seguranca-corporativa>.

Acesso em: 10 jun. 2016.[Adaptado]

O texto organiza-se a partir de uma tipologia predominantemente
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Q676889 Português
[ACORDO ORTOGRÁFICO] “Parabéns à CP Língua Portuguesa pela densa e elucidativa matéria sobre o Acordo Ortográfico. O histórico das mudanças ortográficas, feito por vocês, ajuda a compreender e melhor avaliar o significado das mudanças propostas agora. Cordial abraço.” Chico Viana Revista Conhecimento Prático Língua Portuguesa, n. 17. SP, Escala Educacional, p. 4.
Pelo suporte textual em que se apresenta, a carta acima está inserida no domínio discursivo
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Q676885 Português

O auxiliar administrativo é um profissional fundamental para o funcionamento de praticamente qualquer organização. Sua função é apoiar a rotina administrativa e as atividades de controle e gestão financeira das empresas, organizando o fluxo de correspondências, contas e documentos, operando equipamentos e programas necessários ao funcionamento do escritório, entre outras atividades.

Atenção ao detalhe, dinamismo, discrição, bom relacionamento, responsabilidade, confiabilidade, boa noção de administração do tempo, facilidade com números, bom humor e capacidade de lidar com pessoas (público interno e externo) são algumas das características buscadas em um bom auxiliar administrativo ou assistente administrativo. [...]

Disponível em: <http://www.guiadacarreira.com.br/salarios/quanto-ganha-um-auxiliar-administrativo/>.Acesso em: 29 jun. 2016


Ao observar a função comunicativa, o conteúdo e a composição textual, é correto afirmar que a tipologia desse fragmento é

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Q676884 Português
[...] Mas se ao quati fosse de súbito revelado o mistério de sua verdadeira natureza? Tremo ao pensar no fatal acaso que fizesse esse quati inesperadamente defrontar-se com outro quati, e nele reconhecer-se, ao pensar nesse instante em que ele ia sentir o mais feliz pudor que nos é dado: eu... nós... Bem sei, ele teria direito, quando soubesse, de massacrar o homem com o ódio pelo que de pior um ser pode fazer a outro ser – adulterar-lhe a essência a fim de usá-lo. Eu sou pelo bicho, tomo o partido das vítimas do amor ruim. Mas imploro ao quati que perdoe ao homem, e que o perdoe com muito amor. Antes de abandoná-lo, é claro. [...] 


                                                                                                                                      Disponível em: <http://claricelispector.blogspot.com.br/2008/02/um-amor-conquistado.html>.
                                                                                                                                                                                                                                                 Acesso em: 02 jul. 2016. 
                                              

Dadas as afirmativas sobre o fragmento textual,

I. Nesse fragmento, o quati está sendo personificado e isso, simbolicamente, pode representar um ser humano em crise de identidade, por viver forçadamente contra a sua natureza.

II. O uso da linguagem conotativa prevalece no texto, visto que o objetivo do narrador é contar uma história sobre o quati de tal forma que o leitor se identifique com a condição do bicho.

III. Os elementos: o personagem quati que participa dos fatos e a pessoa em que o narrador conta os fatos podem justificar o fragmento textual ser narrativo.

IV. Em: “... adulterar-lhe a essência a fim de usá-lo...” e “Antes de abandoná-lo, é claro”, os pronomes pessoais oblíquos, em destaque, nas duas ocorrências, fazem referência ao substantivo “homem”.

verifica-se que estão corretas apenas

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Q676880 Português

                                               1938 – Angico – Os caçadores de cangaceiros

Para despistar, os cangaceiros imitam ruídos e pegadas de bichos e usam falsas solas com o calcanhar no bico. Mas, quem sabe, sabe; e um bom rastreador reconhece os rumos do passo humano através dessa moribunda vegetação: pelo que vê, galhinho quebrado ou pedra fora do lugar, e pelo olfato. Os cangaceiros são loucos por perfume. Derramam no corpo litros de perfumes, e essa fraqueza os delata.

Perseguindo pegadas e aromas, os rastreadores chegam ao esconderijo do chefe Lampião; e atrás deles, a tropa. Os soldados se aproximam tanto, que escutam Lampião discutindo com sua mulher. Maria Bonita o amaldiçoa, enquanto fuma um cigarro atrás do outro, sentada numa pedra na entrada da gruta, e ele responde tristemente lá do fundo. Os soldados armam as metralhadoras e esperam a ordem de disparar.

Cai uma garoinha leve.

                                                   GALENO, Eduardo, O século do vento. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1988. 

Sobre a estrutura do tipo textual narrativo, o clímax da narrativa em “Os caçadores de cangaceiros” está no enunciado:

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Q676823 Português

                                                                               A linguagem da pele

    Não se pode negar que há algo de poético nos beijos jogados no ar. E uma praticidade imensa nas mensagens virtuais de carinho. Olhares transmitem mundos inteiros, concordo; já os sons (tanto palavras quanto músicas) inventam redes neurais em nossos cérebros, funcionando como verdadeiras portas de acesso à cultura, que nos permitem pertencer ao universo dos humanos. Mas é o toque que inaugura a existência. Desde muito cedo as experiências sensoriais criam laços fundamentais entre o eu e o outro – um vínculo estruturante e fundamental para o desenvolvimento físico e emocional. Traços de lembranças táteis, por vezes perdidos em emaranhados de memórias de um tempo anterior às palavras, tornam-se constituintes de representações.

    Psicólogos e psicanalistas tendem a pensar a linguagem como o primeiro organizador psíquico. No entanto, parece importante levar em conta o fato de que essa aquisição vem sempre alicerçada em experiências sensoriais anteriores – e, sob essa óptica, o toque ganha papel de destaque. São as marcas ancestrais que acenam com a possibilidade de aconchego e intimidade, organização. Uma linguagem sensorial que nos envolve e tinge nossos corpos de impressões. [...]

                  (Gláucia Leal, edição de novembro de 2015 de Mente e Cérebro. Fragmento.)

Para a construção do texto, pode-se afirmar que a autora
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Q676822 Português

                                                                        O abraço e a flor

                                         A campanha das enfermeiras e a necessidade diária de surpresa.


    Saí hoje cedo para caminhar com o objetivo de sempre: mexer o corpo, chacoalhar as ideias e ver a vida como ela é. A colheita não poderia ter sido melhor. Assim que dobrei a esquina, consegui minha dose diária de surpresa boa – tão necessária para mim quanto o sol de abril.

    Meninas de 20 e poucos anos exibiam um cartaz que anunciava abraços grátis. Achei que fosse mais uma ação promocional das construtoras de apartamento que, nos últimos meses, passaram a perturbar os moradores na porta de todas as padarias da região. [...]

    Algumas ações são nobres e humanitárias. Outras não passam de estratégias comerciais para promover sites, empresas ou palestras de autoajuda.

    No caso da enfermagem e da psicologia, a justificativa é a melhoria da qualidade de vida. Estudos demonstram que abraçar reduz os níveis de cortisol e norepinefrina, hormônios relacionados ao estresse crônico e à ocorrência de doenças cardíacas.

    O abraço também aumenta a produção de dopamina e serotonina (hormônios do prazer) e de oxitocina (o hormônio do afeto). Quanto mais oxitocina o cérebro libera, mais a pessoa quer ser tocada e menos estressada ela fica. É um círculo virtuoso: quanto mais abraçada ela é, mais ela deseja ser abraçada.

    Um estudo realizado no ano passado pela Universidade Médica de Viena demonstrou que o abraço pode mesmo reduzir o stress, o medo e a ansiedade. A oxitocina liberada contribui para a redução da pressão arterial, aumenta o bem-estar e favorece o desempenho da memória.

    No entanto, o neurofisiologista Jürgen Sandkühler, autor do trabalho, questiona o valor dos abraços recebidos de pessoas estranhas. A oxitocina é o hormônio produzido pela glândula pituitária, conhecido por favorecer o estabelecimento de laços afetivos entre pais e filhos e entre os casais.

    “O efeito do abraço sobre a produção de oxitocina só ocorre quando existe confiança mútua. Se o abraço não é desejado pelas duas pessoas, o efeito positivo se perde”, diz.

    Em resumo: as pessoas precisam estar na mesma sintonia. Acredito que isso seja perfeitamente possível entre estranhos. Não sei se o nível dos meus hormônios aumentou, mas a iniciativa das estudantes de enfermagem alegrou meu dia. Espero que elas não percam a ternura quando a realidade da profissão se apresentar.

    Como essas meninas, acredito que o bem-estar pode ser contagiante. Ao final de nosso breve encontro, uma delas me ofereceu uma flor feita com capricho e papel crepom.

    Resolvi testar o poder da flor. Durante uma hora caminharia com ela na mão e observaria a reação de quem cruzasse meu caminho. Será que alguém notaria alguma coisa fora do script? Será que um sorrisinho escaparia dos lábios? [...]

    Voltei para casa com uma supersafra de gentilezas. Nunca ouvi, numa única manhã, tanta gente me desejando bom dia, tanto motorista me dando passagem, tanta conversa, tanto olho no olho, tanto sorriso. O tênis, a roupa, o percurso eram os mesmos. O que mudou foi o abraço e a flor.

    Só um pedestre não viu nada. Bateu o portão de um prédio com fones enterrados no ouvido, óculos bem escuros, mochila estufada, ombros curvados para frente – aquele visual e aquele comportamento que são a marca do nosso tempo. Não do meu tempo, mas o de muita gente. Quase me atropelou, mas não notou minha presença. Muito menos a da flor.

(Cristiane Segatto – 12/04/2013. Disponível em: http://revistaepoca.globo.com//Saude-e-bem-estar/cristiane-segatto/noticia/2013/04/o-abraco-e-flor.html. Com Adaptações.) 

A citação do neurofisiologista Jürgen Sandkühler “O efeito do abraço sobre a produção de oxitocina só ocorre quando existe confiança mútua. Se o abraço não é desejado pelas duas pessoas, o efeito positivo se perde”. (8º§) é empregada, considerando-se a estrutura textual apresentada, como
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Q675796 Português

No que se refere à tipologia e aos sentidos do texto CB8A1AAA, julgue o item que se segue.

Dados os assuntos tratados nos três primeiros parágrafos do texto, as seguintes frases são adequadas, na sequência em que aparecem, para figurar como subtítulos desses parágrafos:

I conceito jurídico de audiências públicas;

II importância das audiências públicas;

III como deve ser feita a convocação do público a ser ouvido.

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Q675795 Português

No que se refere à tipologia e aos sentidos do texto CB8A1AAA, julgue o item que se segue.

O texto, predominantemente argumentativo, objetiva convencer o leitor de que decisões administrativas tomadas sem o recurso das audiências públicas carecem de legitimidade e transparência.

Alternativas
Q675030 Português

             

Analise as afirmações sobre o texto.

I. O texto é, primordialmente, expositivo.

II. No texto, prevalece a linguagem pessoal, com uso repetido da primeira pessoa do singular.

III. Os números apresentados no texto ajudam na apresentação de informações precisas e objetivas.

IV. Trata-se de narrador onisciente, já que ele não aparece explicitamente no texto.

V. O texto é exclusivamente descritivo.

Está correto o que se afirma em:

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Q674757 Português

Galveias é um lugarejo perdido no interior de Portugal onde vivem pouco mais de 1.000 pessoas. Lá, morrem mais velhos do que nascem crianças. O escritor José Luís Peixoto nasceu nessa freguesia, homenageada em seu novo livro.

Galveias, o romance, mistura grandes histórias, personagens admiráveis e um enredo misterioso. O resultado é um livro que reflete sobre a vida portuguesa no início dos anos 1980, quando a modernidade europeia arrasava um país pequeno, orgulhoso e apegado ao passado.

Em relação aos recursos coesivos responsáveis pela ligação dos sentidos no texto, assinale a afirmativa INCORRETA.

Alternativas
Q674756 Português

INSTRUÇÃO: Leia trecho do artigo Saúde, de Ruth de Aquino, e responda à questão.

      Quando brindamos, o primeiro voto é “saúde” – e não por acaso. Só depois vem “paz, amor”. Sem saúde, o resto não é possível. Por que, então, o Brasil é tão cruel com seus doentes? Crises na Saúde não são produzidas de um dia para outro. O caos nos hospitais do Rio de Janeiro é apenas a vitrine de um sistema falido e desumano [...].

      O Estado brasileiro nunca deu assistência médica digna à massa da população. Jamais transformou a Saúde em prioridade. No Brasil profundo, não é novidade a falta de médicos, leitos, remédios e equipamentos. [...]

      Os governos federal, estaduais e municipais empurram com a barriga, há mais tempo do que a nossa memória alcança, os péssimos índices de desenvolvimento humano no Brasil. E aí se incluem também educação, saneamento e transporte. A negligência se explica. Os políticos não usam hospital público, escola pública e transporte público. Eles enriquecem muito no poder. A vida real passa ao largo de quem manda.

                                                                                      (Revista ÉPOCA, ed. 917.)

Em todo esse trecho do artigo, está presente um tom firme de crítica. Sobre essa presença, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

( ) A primeira menção de crítica está na interrogativa Por que, então, o Brasil é tão cruel com seus doentes?, constante do primeiro parágrafo.

( ) Nos três parágrafos, a autora apresenta marcas linguísticas para expressar que a referida crise não acontece no Brasil há pouco tempo.

( ) A ideia de que a referida crise não é atual está no segundo parágrafo apenas, no trecho não é novidade a falta de médicos, leitos, remédios e equipamentos.

( ) No terceiro parágrafo, foi ampliado o alcance da crítica à crise brasileira que, antes, era citada somente na Saúde.

( ) A crítica no final do trecho volta-se aos políticos que, segundo a articulista, dedicam-se à vida real, posto que se enriquecem no poder.

Assinale a sequência correta.

Alternativas
Respostas
3061: A
3062: A
3063: D
3064: C
3065: E
3066: D
3067: B
3068: A
3069: D
3070: D
3071: C
3072: E
3073: B
3074: B
3075: D
3076: E
3077: E
3078: B
3079: D
3080: C