Questões de Concurso Sobre sintaxe em português

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Q3671962 Português

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.


Texto 01


A arte de viver



    Em 2024, o filme Dias Perfeitos, coprodução entre Japão e Alemanha, dirigido por Win Wenders, foi indicado ao Oscar. Com grande simplicidade e beleza, fala sobre a possibilidade de usarmos nosso tempo de forma tão adequada, tão humana, que pudéssemos chegar ao ponto de nos sentirmos no direito de dizer: essa hora, esse dia, essa semana foram perfeitos!

    Claro, a primeira forma mental que surge é: “A perfeição não existe!”, ou ainda: “Isso é relativo! O que é perfeito para você, pode não ser para mim!” e tantas outras frases de efeito desse tipo, que não dizem nada, mas que, à força de serem muito repetidas, parecem ganhar um status de realidade.

    Se faço um curso de desenho há uma semana e meu professor me pede para fazer um esboço, é lógico que ele possa dizer do meu trabalho: “Seu desenho é perfeito para um aluno de uma semana!”, assim como uma pequena luva é perfeita para a mão de uma criança de quatro anos.

    E, assim como uma planta que faz fotossíntese realiza seu ideal de planta e viabiliza a vida orgânica – uma vez que é base da cadeia alimentar –, um ser humano que se realiza ao atingir seu ideal de exercer valores humanos como bondade, justiça e fraternidade, ao alcançar um grau de sabedoria, viabiliza a vida de muita coisa à sua volta, inclusive da própria humanidade e da natureza como um todo. Dessa forma, são, ambos, seres que atingiram o grau de perfeição que a vida prevê para eles, e isso não é nada relativo!

    Podemos, então, imaginar que o tempo está repleto de convites à perfeição, desde a perfeita audição da melodia que o sabiá entoou nesta manhã até o perfeito sentimento de harmonia que ela produziu em mim, e assim sucessivamente. Mas isso apenas acontecerá com tal clareza se estivermos plenos, corpo, mente e alma juntos no momento presente, depositando o nosso melhor em tudo que passa pelas nossas mãos, pensamento e coração.

    Ao adotarmos essa prática, podemos atingir um estado de plenitude luminosa dentro de nós, vazia de ânsias e desejos, repleta de paz e perfeita serenidade. Esse estado interno nos permite ver a Deus até na fileira de formigas sobre o azulejo da nossa cozinha. Nesse fugaz momento, já não faz nenhum sentido para nós a voz daqueles que dizem que a vida não é sagrada. Como disse o psiquiatra Carl Jung em sua última entrevista dada à BBC de Londres: “Eu não trabalho com um sistema de crenças; eu não acredito em Deus, eu sei!”


Fonte: GALVÃO, Lúcia Helena. A arte de viver. Disponível em: https://vidasimples.co/colunista/a-arte-de-viver/. Acesso em: 17 set. 2025.

Em relação ao uso da preposição “a” usada antes da palavra “Deus”, na passagem “Esse estado interno nos permite ver a Deus até na fileira de formigas sobre o azulejo da nossa cozinha.”, é CORRETO afirmar que
Alternativas
Ano: 2025 Banca: Avança SP Órgão: Fundação de Saúde de Rio Claro - SP Provas: Avança SP - 2025 - Fundação de Saúde de Rio Claro - SP - Médico Especialista Auditor | Avança SP - 2025 - Fundação de Saúde de Rio Claro - SP - Médico Especialista Neuropediatra | Avança SP - 2025 - Fundação de Saúde de Rio Claro - SP - Médico Especialista Otorrinolaringologista | Avança SP - 2025 - Fundação de Saúde de Rio Claro - SP - Médico Especialista Pneumologista | Avança SP - 2025 - Fundação de Saúde de Rio Claro - SP - Médico Especialista Psiquiatra | Avança SP - 2025 - Fundação de Saúde de Rio Claro - SP - Médico Especialista Ultrassonografista | Avança SP - 2025 - Fundação de Saúde de Rio Claro - SP - Médico Plantonista Pediatra | Avança SP - 2025 - Fundação de Saúde de Rio Claro - SP - Médico Plantonista Psiquiatra | Avança SP - 2025 - Fundação de Saúde de Rio Claro - SP - Fonoaudiólogo | Avança SP - 2025 - Fundação de Saúde de Rio Claro - SP - Médico Especialista Cirurgião de Cabeça e Pescoço | Avança SP - 2025 - Fundação de Saúde de Rio Claro - SP - Médico Especialista Cardiologista | Avança SP - 2025 - Fundação de Saúde de Rio Claro - SP - Médico Especialista Endocrinologista | Avança SP - 2025 - Fundação de Saúde de Rio Claro - SP - Terapeuta Ocupacional | Avança SP - 2025 - Fundação de Saúde de Rio Claro - SP - Técnico em Segurança do Trabalho | Avança SP - 2025 - Fundação de Saúde de Rio Claro - SP - Médico Especialista Fisiatra | Avança SP - 2025 - Fundação de Saúde de Rio Claro - SP - Médico Especialista Gastroenterologista | Avança SP - 2025 - Fundação de Saúde de Rio Claro - SP - Médico Especialista Geriatra | Avança SP - 2025 - Fundação de Saúde de Rio Claro - SP - Médico Especialista Infectologista | Avança SP - 2025 - Fundação de Saúde de Rio Claro - SP - Médico Especialista Mastologista | Avança SP - 2025 - Fundação de Saúde de Rio Claro - SP - Médico Especialista Nefrologista | Avança SP - 2025 - Fundação de Saúde de Rio Claro - SP - Médico Especialista Neurologista |
Q3671832 Português
“As crianças devem ser acompanhadas com muito zelo _____ aprendam os valores necessários para uma boa sociedade, _____ isso certamente vai ser cobrado delas no futuro.”

Assinale a alternativa cujas palavras preenchem corretamente os espaços em branco no enunciado acima, na mesma ordem.
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Q3671612 Português
Em relação ao ensino da língua materna, assinale a alternativa que apresenta uma afirmação correta.
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Q3671606 Português
Assinale a alternativa cujo termo destacado indica uma circunstância de modo da ação, e não uma qualidade de algum ser.
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Q3670557 Português
A sentença em que se verifica um substantivo próprio como complemento verbal é: 
Alternativas
Q3670553 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.



Meu coração



    No fim, desculpe a literatura, é tudo entre nós e o nosso coração. Depois do dito e do feito, depois da paixão e da razão, depois da vida das células e da vida social e da vida cívica e das idas e das voltas, e da História e da biografia, e do que os outros fizeram conosco e nós fizemos com os outros, é tudo entre nós e ele. Segundos fora. Nós e ele. A única conversa que vale, a única intimidade que conta. O coração não tem nada a ver com nada, fora a sístole e a diástole e a sua fisiologia medíocre. Ele nem nos daria conversa, se não dependesse de nós, se não precisasse da embalagem, dos terminais e de alguém que cuide dele. Tudo que lhe atribuem, do mais romântico ao mais calhorda, é falso. Trata-se de um mero músculo, e de um músculo egoísta, que só quer saber da sua própria sobrevivência. Da qual, por uma cruel coincidência, depende a nossa.

    Fala-se do “time do coração”. Mentira. O coração não tem time. O coração não se interessa por futebol. Só hoje, por exemplo, o meu se deu conta de onde estava. Paris, Nantes, Marselha ou qualquer outra cidade, é tudo o mesmo para ele, desde que ele tenha um lugar seguro onde possa bater e cuidar da sua vidinha. Mas de repente ele se deu conta e pediu satisfações. Para onde eu o tinha trazido? Expliquei. A França, a Copa, o Brasil, os jogos, a beleza dos jogos...

    Meu coração não quis ouvir falar da beleza dos jogos. Ele não tem nenhum senso estético. Quis saber que história era aquela de morte súbita.

    — É uma maneira nova de decidir as partidas que acabam empatadas. Há uma prorrogação e quem marcar o primeiro gol ganha.

    Meu coração não quis acreditar.

    — Quer dizer que, se esse time pelo qual você torce, como é mesmo o nome?

    — Brasil.

    — Quer dizer que, se o Brasil empatar com algum outro time, tem prorrogação com morte súbita?

    — É... 

    — Você sabia disso quando me trouxe para cá?

    — Sabia.

    — Você deliberadamente me trouxe a um evento em que eu posso parar de repente, mesmo não tendo nada a ver com isso? Não era para ser um campeonato de futebol, um esporte, um divertimento, enfim, nada que me dissesse respeito?

    — Desculpe. Eu tentei substituí-lo pelo distanciamento crítico, mas...

    — Só me diz uma coisa. Se a prorrogação terminar sem que ninguém marque gol, o que acontece?

    — Aí decidem nos pênaltis.

    — Me leva pra casa. Me leva pra casa imediatamente. E pare de me envolver nos seus divertimentos. Você parece que não tem coração.

    — Mas nada disso vai acontecer com o Brasil. Prorrogação, pênaltis, nada disso.

    — Quase aconteceu contra a Dinamarca!

    — É, mas...

    — Me tira daqui!



VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Considere o seguinte excerto: “Da qual, por uma cruel coincidência, depende a nossa.” O pronome relativo empregado neste excerto retoma no texto o termo antecedente:
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Q3669380 Português
Assinale a alternativa em que a concordância está INCORRETA:
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Q3668664 Português

O que tem na escola


    Helena gosta muito de ir ___ escola diariamente. Lá, além de estudar bastante, ela brinca com seus colegas Felipe e Vitória.   

    O inspetor da escola é bastante sério e chama-se Nicolau. Ele ordena que todos os alunos se comportem dentro das classes.

    A diretora da escola onde Helena estuda é uma mulher alta e chama-se Denise. Ela pede para que todos os alunos cantem o hino nacional antes do início das aulas.

    A garota tem aula com duas professoras, uma que ensina educação física e uma outra que ensina as demais matérias.

    Quando Helena for para a próxima série ela terá um número maior de professores, pois também terá uma quantidade maior de matérias para aprender. Quando não está em horário de aula, a garota gosta de frequentar a biblioteca da escola. O bibliotecário chama-se Ivan e é uma pessoa bastante querida pelos alunos.

    O horário da merenda é um dos prediletos de Helena, pois são servidas refeições que ela e seus colegas consideram muito saborosas. Quando está de férias, Helena sente saudade de seus colegas e dos outros membros da escola. 


(Autor desconhecido. Disponível em: https://lingua.com/pt/portugues/leitura/escola/)  

Na oração "A diretora da escola onde Helena estuda é uma mulher alta e chama-se Denise", qual a função sintática do termo "mulher alta"? 
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Q3665654 Português
Analise a concordância dos verbos destacados nas assertivas que seguem:

I. Selton Melo é um dos artistas que atuaram em "Ainda estou aqui".
II. A maioria dos livros foi vendida no lançamento, portanto, teremos que imprimir mais exemplares.
III. No lançamento é quando ocorrem boa parte das vendas porque os leitores quer o livro autografado.
IV. Mais de um escritor teve suas obras esgotadas, mesmo o brasileiro ainda não sendo um exímio leitor.
V.Mais de um milhão de criadores de conteúdo compartilharam vídeos nas redes sociais nas últimas doze horas.

A concordância verbal está correta em:
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Q3665653 Português
Analise as assertivas que seguem quanto à regência dos verbos destacados e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__) Todos aqueles alimentos agroecológicos distribuídos entre as famílias empobrecidas procede da agricultura familiar.
(__) Os agricultores procederam ao plantio das sementes tão logo as chuvas cessaram e a terra foi preparada.
(__) Não havia outra alternativa a não ser apelar à decisão, porque ela era injusta.
(__) Sua sabedoria importou de mais confiança e respeito na comunidade.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Alternativas
Q3665647 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A pedra reiterada

Wilker Sousa

Poucos poemas causaram tanta celeuma na literatura brasileira quanto "No Meio do Caminho". Publicado originalmente nas páginas da Revista da Antropofagia, em 1928, e dois anos mais tarde em Alguma Poesia − livro de estreia de Drummond −, "o poeminha da pedra" incitou reações extremadas, tanto de enaltecimento quanto do mais ferino repúdio. A concisão, a coloquialidade e a repetição daqueles versos brancos eram a mais bem acabada realização dos ideais modernistas até então, o que despertou a admiração imediata dos expoentes do movimento: "Não pode haver dúvida: Carlos Drummond de Andrade é um dos grandes poetas do Brasil" (Manuel Bandeira); "O 'No Meio do Caminho' é formidável" (Mário de Andrade). Por outro lado, essas mesmas características incitaram a ira dos herdeiros do "lirismo comedido" de Bilac, entre eles o jornalista Godin da Fonseca: "O sr. Carlos Drummond é difícil. Por mais que esprema o cérebro, não sai nada. Vê uma pedra no meio do caminho (...) e fica repetindo a coisa feito papagaio".

Às críticas e aos comentários jocosos, Drummond mostrou-se primeiramente "seco e encalistrado", depois simplesmente se acostumou. Com o passar dos anos, em vez de ostentar as glórias literárias recebidas como forma de resposta, optou por um caminho mais criativo e irônico. Após quatro décadas da publicação do poema na Revista da Antropofagia, em 1968 o poeta trouxe à luz o livro Uma Pedra no Meio do Caminho − Biografia de um Poema, reunião de centenas de comentários acerca daqueles versos: "colecionei e publiquei tudo o que se escreveu sobre a pedra no caminho, pró e contra, (...) pois a essa altura a pedra havia assumido aspectos existenciais e filosóficos que nunca me passaram pela cabeça", explicou em entrevista. [...]

Ao topar com a pedra

[...]

"Li Drummond pela primeira vez aos 15 anos. A palavra que melhor define minha impressão não foi 'gostei'. Foram: impacto e atropelo. O que era aquilo?", revela Armando Freitas Filho. Reação semelhante teve Fernando Paixão, [...] "Se bem me lembro, [o primeiro contato com "No Meio do Caminho"] foi por meio de um livro escolar e a primeira reação foi de estranhamento. [...] Como se trata de um continente muito diverso do fazer poético, confesso, a pedra passou despercebida nesse momento." [...]

"Nunca me esquecerei desse acontecimento"

Por ocasião do lançamento de Alguma Poesia, em 1930, Murilo Mendes enviou uma carta a Drummond, na qual explicitava sua reação à leitura do "poeminha": "É o tipo de poema no meio da cabeça da gente. Nunca me esquecerei. Não sai". De fato. Lá se vão mais de 80 anos e a poesia brasileira permanece sob o impacto provocador da pedra, conforme explica Armando Freitas Filho: "Mesmo inconscientemente pagamos pedágio ao nosso poeta maior. Essa pedra, para sempre, é a minha Esfinge antes da Esfinge: não pergunta nada, mas me encara. Ou, então, é como a de Sísifo: missão e sina, acompanha minha vida, e minha poética".

A exemplo de Armando, na medida em que passou a conviver com a poesia de Drummond, Fernando Paixão fez o percurso do estranhamento à influência: "Sem querer, a pedra também se tornou um elemento recorrente em meus versos − gosto, sim, de interrogar a sua forma e (falta de) sentido. E também admiro a sua lição de concisão e minimalismo. Prova que é possível fazer boa poesia com poucas palavras". E, ao que parece, a lição drummondiana continuará a se impor como contraponto a toda poesia comedida, cuja perenidade se limita à data de publicação. [...]

(Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/a-pedra-reiterada/. Acesso em: 09 set. 2025. Adaptado.)
Analise as assertivas a seguir e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__) Em "Às críticas e aos comentários jocosos, Drummond mostrou-se primeiramente 'seco e encalistrado', depois simplesmente se acostumou", o advérbio "primeiramente", apesar do sufixo -mente, que lhe confere sentido de modo, estabelece uma relação sequencial e temporal, a qual é confirmada pelo advérbio "depois". Dentro do contexto, os dois são responsáveis pela articulação das ideias entre as orações e pelo efeito de sentido pretendido pelo autor: na ordem cronológica dos fatos, houve uma sequência de ações. Já o advérbio "simplesmente" indica uma maneira, um modo, modificando o verbo "acostumar-se".
(__) No primeiro parágrafo, o autor do texto afirma: "Por outro lado, essas mesmas características incitaram a ira dos herdeiros do 'lirismo comedido' de Bilac [...]". Um dos recursos para dar conexão entre as ideias é o uso das chamadas locuções ou expressões de transição, as quais permitem encadear de maneira coerente vários enunciados. Um exemplo dessas locuções é "por outro lado", a qual pressupõe, anteriormente e ainda que de modo subentendido, a locução "de um lado". As duas expressões (mesmo "de um lado" estando subentendida) estabelecem uma relação de oposição. Nesse excerto do primeiro parágrafo, "por outro lado" pode ser substituída por "sob outra perspectiva", mantendo o sentido construído pelo autor.
(__) Em "Com o passar dos anos, em vez de ostentar as glórias literárias recebidas como forma de resposta, optou por um caminho mais criativo e irônico", a expressão "em vez de", que significa "em lugar de", pode ser substituída por "ao invés de" porque, nesse contexto, não compromete o sentido.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Alternativas
Q3665645 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A pedra reiterada

Wilker Sousa

Poucos poemas causaram tanta celeuma na literatura brasileira quanto "No Meio do Caminho". Publicado originalmente nas páginas da Revista da Antropofagia, em 1928, e dois anos mais tarde em Alguma Poesia − livro de estreia de Drummond −, "o poeminha da pedra" incitou reações extremadas, tanto de enaltecimento quanto do mais ferino repúdio. A concisão, a coloquialidade e a repetição daqueles versos brancos eram a mais bem acabada realização dos ideais modernistas até então, o que despertou a admiração imediata dos expoentes do movimento: "Não pode haver dúvida: Carlos Drummond de Andrade é um dos grandes poetas do Brasil" (Manuel Bandeira); "O 'No Meio do Caminho' é formidável" (Mário de Andrade). Por outro lado, essas mesmas características incitaram a ira dos herdeiros do "lirismo comedido" de Bilac, entre eles o jornalista Godin da Fonseca: "O sr. Carlos Drummond é difícil. Por mais que esprema o cérebro, não sai nada. Vê uma pedra no meio do caminho (...) e fica repetindo a coisa feito papagaio".

Às críticas e aos comentários jocosos, Drummond mostrou-se primeiramente "seco e encalistrado", depois simplesmente se acostumou. Com o passar dos anos, em vez de ostentar as glórias literárias recebidas como forma de resposta, optou por um caminho mais criativo e irônico. Após quatro décadas da publicação do poema na Revista da Antropofagia, em 1968 o poeta trouxe à luz o livro Uma Pedra no Meio do Caminho − Biografia de um Poema, reunião de centenas de comentários acerca daqueles versos: "colecionei e publiquei tudo o que se escreveu sobre a pedra no caminho, pró e contra, (...) pois a essa altura a pedra havia assumido aspectos existenciais e filosóficos que nunca me passaram pela cabeça", explicou em entrevista. [...]

Ao topar com a pedra

[...]

"Li Drummond pela primeira vez aos 15 anos. A palavra que melhor define minha impressão não foi 'gostei'. Foram: impacto e atropelo. O que era aquilo?", revela Armando Freitas Filho. Reação semelhante teve Fernando Paixão, [...] "Se bem me lembro, [o primeiro contato com "No Meio do Caminho"] foi por meio de um livro escolar e a primeira reação foi de estranhamento. [...] Como se trata de um continente muito diverso do fazer poético, confesso, a pedra passou despercebida nesse momento." [...]

"Nunca me esquecerei desse acontecimento"

Por ocasião do lançamento de Alguma Poesia, em 1930, Murilo Mendes enviou uma carta a Drummond, na qual explicitava sua reação à leitura do "poeminha": "É o tipo de poema no meio da cabeça da gente. Nunca me esquecerei. Não sai". De fato. Lá se vão mais de 80 anos e a poesia brasileira permanece sob o impacto provocador da pedra, conforme explica Armando Freitas Filho: "Mesmo inconscientemente pagamos pedágio ao nosso poeta maior. Essa pedra, para sempre, é a minha Esfinge antes da Esfinge: não pergunta nada, mas me encara. Ou, então, é como a de Sísifo: missão e sina, acompanha minha vida, e minha poética".

A exemplo de Armando, na medida em que passou a conviver com a poesia de Drummond, Fernando Paixão fez o percurso do estranhamento à influência: "Sem querer, a pedra também se tornou um elemento recorrente em meus versos − gosto, sim, de interrogar a sua forma e (falta de) sentido. E também admiro a sua lição de concisão e minimalismo. Prova que é possível fazer boa poesia com poucas palavras". E, ao que parece, a lição drummondiana continuará a se impor como contraponto a toda poesia comedida, cuja perenidade se limita à data de publicação. [...]

(Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/a-pedra-reiterada/. Acesso em: 09 set. 2025. Adaptado.)
No excerto: "O sr. Carlos Drummond é difícil. Por mais que esprema o cérebro, não sai nada. Vê uma pedra no meio do caminho (...) e fica repetindo a coisa feito papagaio", a locução adverbial destacada estabelece uma relação entre as orações: a oração subordinada exprime um obstáculo (real ou suposto) que não impede, nem modifica a declaração da oração principal. No caso do exemplo, a locução ainda intensifica a ideia construída. Considerando a explicação e o excerto, a locução adverbial destacada estabelece uma relação: 
Alternativas
Q3664408 Português
Assinalar a alternativa em que os termos sublinhados são classificados como uma oração subordinada substantiva apositiva.
Alternativas
Q3664404 Português

    Na manhã de 1º de novembro de 1755, um terremoto com epicentro a cerca de 290 km da costa portuguesa atingiu Lisboa, a quarta maior cidade europeia, durante as celebrações do feriado cristão do Dia de Todos os Santos. Os efeitos e reverberações da catástrofe, amplamente divulgada e exaustivamente interpretada, abalaram a consciência europeia e se fizeram sentir muito além dos limites espaciais e temporais do desastre. O que parecia sólido desmanchou-se no ar.

    Após o primeiro abalo, às 9h30 da manhã de um domingo de sol, dois grandes choques sucederam-se em rápido intervalo e foram seguidos, cerca de meia-hora mais tarde, por um tsunami com ondas de até 12 metros que adentraram a foz do rio Tejo e cobriram o centro da capital. Atiçada pelo grande número de velas e candelabros acesos nas casas e igrejas, uma tempestade de fogo alastrou-se pela cidade; o incêndio durou seis dias e reduziu a cinzas o pouco que ainda restara, além de produzir uma nuvem de fumaça que bloqueou a luz solar.

    A tragédia de Lisboa foi o mais aterrador desastre natural pontual da Europa desde a erupção do Vesúvio em 79 d.C. “O demônio do terror”, declarou Goethe, “talvez nunca antes tivesse se espalhado pelo mundo com tal força e velocidade”. Mas o que tornou o terremoto de 1755 a primeira catástrofe natural moderna não foi apenas sua inusitada magnitude. Foram seus impactos e reverberações na história das ideias e nas políticas públicas. As controvérsias em torno da interpretação e do real sentido — o porquê e o para que — da tragédia, de um lado, e as respostas práticas por ela demandadas, de outro, produziram profundos abalos no pensamento religioso, filosófico e científico europeu e inauguraram uma nova época no modo como passamos a perceber e lidar com situações catastróficas.

    Geralmente, eventos catastróficos pontuam a trajetória humana desde os tempos imemoriais: a família de legendas em torno do dilúvio primordial que demarca as grandes eras da existência e inaugura um novo tempo — narrativa comum às mais diversas tradições culturais e religiões do oriente e ocidente — atesta a ubiquidade do tema desde a mais remota ancestralidade.



Fonte: Revista Brasileira. Adaptado.

Considerando-se a estruturação linguística do 2º parágrafo, avaliar se as afirmativas são certas (C) ou erradas (E) e assinalar a sequência correspondente.



( ) O termo “Tejo” exerce função sintática de aposto.


( ) As expressões “da capital” e “de fumaça” exercem, respectivamente, funções sintáticas de complemento nominal e adjunto adnominal.


( ) O termo “por um tsunami”, sintaticamente, é um objeto indireto da forma verbal “foram seguidos”.


( ) A expressão “pelo grande número de velas” funciona, sintaticamente, como agente da passiva. 

Alternativas
Q3662406 Português

Leia a tira a seguir.


Imagem associada para resolução da questão

Fonte: WILL. Dona Anésia. Disponível em: https://www.instagram.com/p/DMYrCzTyDaU/?img_index=3. Acesso em: 31 jul. 2025.



Observe que uma estrutura oracional se repete em toda a tira:


Tô ouvindo podcast enquanto lavo a louça. Pintando as unhas enquanto leio um livro. Passando roupa enquanto asso um bolo. Você não consegue fazer uma coisa enquanto faz outra? Agora mesmo estou descansando enquanto te julgo.


As orações em destaque se classificam como:

Alternativas
Q3662404 Português
Atira a seguir serve de referência para as questões 37 e 38.

Fonte: GONSALES, Fernando. Níquel Náusea. Disponível em: https://www.instagram.com/p/DJ_c9RROP8Z/?img_index=1. Acesso em: 31 jul. 2025.
No segundo quadrinho, no enunciado “Até as árvores ficam ansiosas com tanta propaganda”, o termo em destaque se classifica como um:
Alternativas
Q3662402 Português

Atira abaixo se refere à questão.


Fonte: GONSALES, Fernando. Níquel Náusea. Disponível em: https://www.instagram.com/p/DMxLZfjORNZ/?img_index=3. Acesso em: 31 jul. 2025.

Sobre a análise linguística do texto, É CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3662124 Português

Para responder à questão 23, considere a seguinte tirinha:



Imagem associada para resolução da questão




Assinale a locução conjuntiva que estabelece a relação de sentido na última fala do balão e no trecho que a antecede, no balão anterior.

Alternativas
Q3662026 Português

Analise a tirinha abaixo, de Armandinho, para responder à questão.


Disponível em: https://vitrinecatarina.wordpress.com/2013/11/12/tirinhas-doarmandinho/. Acesso em 15/04/2025. Adaptado.

Com base na norma-padrão da Língua Portuguesa, é correto afirmar que no terceiro quadrinho há um ERRO de
Alternativas
Q3662020 Português
Leia o texto abaixo para responder à questão.

A verdadeira história de Pio

        No princípio do ano, para amenizar o reinício das aulas, as crianças compraram um pinto na feira. Deram-lhe o nome de Pio. Todos que o antecederam tinham morrido, mas dessa vez residia no edifício uma senhora que entendia da sobrevivência de pinto de feira em apartamento perto do mar. Instruídas por ela, as crianças conseguiram manter acesa dentro de Pio a faísca da vida. Já de pequenino, mostrou-se pinto esquisito, achegado aos seres humanos e danado de andejo. Piava com monotonia os segundos todos do tempo, como se o chateasse a passagem das horas.
        Em mudança de casa, passou dois dias subindo e descendo a escada, piando, piando, entre as pernas dos carregadores portugueses. Seu prestígio cresceu com o episódio; era tratado como gente e se orgulhava disso, assumindo um ar à vontade e presumido de bípede empenado.
           Mas acabou me aborrecendo. Como as crianças tinham atingido a irremovível crise do cachorrinho, acabei cedendo, mas exigindo a extradição de Pio para a casa que o Zanine estava construindo na Barra da Tijuca.
          Meses depois, ao visitar o amigo, Pio já era quase um galo, branco e bonito, mas extravagante e presunçoso. Indiferente ao terreiro, preferia desfilar na sala e na varanda, misturando-se às pessoas, peito estufado, chamando atenção para uma figura que ele queria irresistível.
            Mais algum tempo, virou galo mesmo e aí não demorou a revelar os indícios neuróticos que o agitavam. Pio nunca tinha visto na vida outro ser galináceo. Acreditava-se o único ente de sua raça, superior e absoluto. Firmou-se na crença carismática, deu para agredir os homens. Como estes se defendessem com a ponta do sapato, mudou de tática, bicando-lhes à traição a barriga da perna. Só respeitava o próprio Zanine, a quem não tinha afeição, mas considerava com gratuidade um aliado no combate contra o mundo. Seguia o dono por todos os cantos, não como um cão humilde, mas com a imponência do chefe de gabinete acompanhando o ministro.
          Zanine, como aconteceu comigo, embora achasse graça na birutice de Pio, acabou saturado, dando o boboca de presente ao poeta Rubem Braga, que sempre foi um infalível receptador de aves desajustadas.
        Já se sabe, o Braga é um fazendeiro do ar, morando entre hortaliças e cajueiros num décimo terceiro andar de Ipanema.
        Insolente diante da natureza, Pio fez estragos na horta, desenterrou sementeiras, estraçalhou as couves, dando-se ainda à petulância de aborrecer, com relativo escândalo, a filha da cozinheira.
        Também o Braga, achando graça, foi complacente, impedindo que a cozinheira transformasse o doidinho em galo ao molho de cabidela. Mas acabou igualmente cheio, dando Pio ao hortelão português, dono de farto galinheiro no subúrbio. Antes, contudo, o galo foi colocado diante de um espelho, na esperança geral de que descobrisse o outro, o próximo, o irmão galináceo que ele devia amar como a si mesmo.
        Não quis saber de nada, persistindo na neurose: durante meio minuto encarou a imagem com estupefação, deu-lhe as costas e se foi, único de sua espécie, dono da pretensão que o inflava da crista sanguínea ao facho da cauda.
        Enfim chegou a hora do galinheiro, quando Pio passaria a viver uma vida normal dentro da comunidade, encontrando na força do amor a salvação. Pois o bestalhão, mal ingressou no harém, matou à bicadas duas galinhas sinceras. E o português o comeu.

Campos, Paulo Mendes et. al. Para gostar de ler: crônicas: volume 1. São Paulo: Editora Ática, 1994 (Adaptado).


Analise o trecho abaixo, retirado do texto, para responder à questão.

“Zanine, como aconteceu comigo, embora achasse graça na birutice de Pio, acabou saturado, dando o boboca de presente ao poeta Rubem Braga, que sempre foi um infalível receptador de aves desajustadas.”
De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa, a conjunção “embora”, em destaque acima, exprime ideia de
Alternativas
Respostas
10461: D
10462: A
10463: B
10464: C
10465: B
10466: C
10467: D
10468: A
10469: E
10470: B
10471: B
10472: C
10473: A
10474: C
10475: D
10476: A
10477: E
10478: D
10479: B
10480: D