Questões de Concurso
Sobre sintaxe em português
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Considere a função das expressões destacadas em cada frase abaixo:
“[...] Ela não é uma boa mãe, por isso não amamenta a criança com seu leite.” (linha 8) “E que as pessoas devem usar capacetes quando andam de bicicleta.” (linhas 3-4) “Eu acredito nos germes e em doenças infecciosas.” (linha 3) “Classificar opiniões desse tipo de moralismo geraria críticas, mas nomeá-las como uma defesa da “saúde” permite às pessoas fazer uma série de suposições sobre os outros [...]” (linhas 11-13)
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA das relações semânticas, de cima para baixo.
( ) Na norma padrão da língua escrita, a ênclise em “Permita-me começar dizendo que se alguém [...]” (linhas 1-2) é obrigatória. ( ) Substituindo “por isso” por todavia na frase “Ela não é uma boa mãe, por isso não amamenta a criança com seu leite.” (linha 8) o sentido se mantém inalterado. ( ) Na sequência “desenvolvesse um abdome afiado” (linhas 19-20) encontramos um verbo no presente do modo subjuntivo.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA, de cima para baixo.
Analise as ocorrências do elemento que nos períodos abaixo.
I. “Mas, por trás desse argumento, muita gente esconde um discurso preconceituoso que precisa ser combatido” (subtítulo) – O pronome relativo “que” sinaliza uma relação de subordinação.
II. “Permita-me começar dizendo que se alguém se sentir mal antes, durante ou depois de ler este artigo, deve buscar cuidados médicos.” (linhas 1-3) – O “que” está coordenando as sentenças.
III. “É extremamente necessário que médicos, formadores de opinião e políticos discutam os contextos equivocados em que a ideia de saúde vem sendo usada” (linhas 23-25) – O “que” destacado faz parte do complemento direto da frase “é extremamente necessário”.
Assinale a alternativa CORRETA.
Indique com (V) a(s) afirmativa(s) verdadeira(s) e com (F) a(s) falsa(s), de acordo com o Texto 2 e com a norma padrão escrita.
( ) A conjunção “portanto” (linha 16) poderia ser substituída, sem prejuízo ao sentido, pela conjunção entretanto.
( ) Em “permite às pessoas” (linha 13) o uso do acento indicativo de crase justifica-se pois o verbo permitir exige preposição.
( ) Na oração “[...] os contextos equivocados em que a ideia de saúde vem sendo usada.” (linhas 24-25), a preposição “em” poderia ser substituída por onde.
( ) Na oração “Classificar opiniões desse tipo de moralismo geraria críticas, mas nomeá-las como uma defesa da “saúde” [...] (linhas 11-12), o pronome “-las” refere-se a “críticas”.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA, de cima para baixo.
Texto 1

Indique com (V) a(s) afirmativa(s) verdadeira(s) e com (F) a(s) falsa(s), de acordo com o Texto 1 e com a norma padrão escrita.
( ) Se na oração “toda diferença que vemos entre raças, grupos étnicos, sexos e indivíduos provém” [...] (linhas 12-13) trocássemos “toda diferença” por as diferenças a grafia da forma verbal “provém” não precisaria ser alterada.
( ) Na oração “Tentamos distinguir entre força e direito e assim respeitar culturas que são diferentes da nossa.” (linhas 36-37) o uso de vírgulas antes e depois do vocábulo assim é opcional.
( ) O sujeito da oração principal de “Uma longa e crescente lista de conceitos que pareceriam naturais ao modo de pensar humano (emoções, parentesco, os sexos, doença, natureza, o mundo) passou então a ser vista como „inventada‟ ou „socialmente construída‟.” (Iinhas 7-10) é humano.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA, de cima para baixo.
Texto 1

Texto 1

Observe o excerto extraído do Texto 1.
“Mudando as experiências – reformando o modo de criar os filhos, a educação, a mídia e as recompensas sociais – podemos mudar a pessoa. Notas baixas, pobreza e comportamento antissocial podem ser melhorados; de fato, não fazê-lo é uma irresponsabilidade.” (linhas 14- 17)
Leia as afirmativas abaixo.
I. O trecho entre os travessões empregados no excerto serve para explicar melhor o que o autor considera por “experiências”.
II. O sujeito da frase “podemos mudar a pessoa” é classificado como indeterminado.
III. O pronome lo de “fazê-lo” recupera toda a ideia da frase “Notas baixas, pobreza e comportamento antissocial podem ser melhorados”.
IV. A frase que segue o ponto e vírgula não está subordinada à oração que o antecede.
Assinale a alternativa CORRETA.
Assinale a alternativa correta quanto à concordância nominal e verbal.
A concordância verbal e nominal está inteiramente correta na frase:
... metrópole de quase 20 milhões de habitantes que precisam de cerca de 80 litros de água tratada por pessoa ... (1o parágrafo)
O verbo que apresenta o mesmo tipo de complemento exigido pelo grifado acima está na frase:
COM BASE NA LEITURA DO TEXTO ABAIXO, ASSINALE A ÚNICA ALTERNATIVA QUE COMPLETA CORRETAMENTE AS QUESTÕES DE 1 A 9. ;
INFORMAÇÃO NÃO BASTA
Muitas vezes o jovem esquece ou abandona
tudo o que sabe em algum lugar da cabeça.
E isso o coloca cara a cara com o risco
1 Um ponto que une a atual geração de jovens é a grande quantidade de
2 informação a que ela é exposta desde muito cedo. O conhecimento está sempre ali, à
3 distância de poucos toques e tecladas dos dedos. O jovem aprende, de forma
4 surpreendente e precoce, a lidar com várias fontes de informação ao mesmo tempo.
5 Ele funciona como uma grande antena, sempre ligada, sempre captando. E faz tudo
6 isso muito bem.
7 O quarto de dormir virou uma espécie de quartel-general da informação. De
8 posse de controles remotos, botões, teclado e mouse, o mundo das notícias e das
9 novidades se abre para o jovem de hoje como os adultos, no passado, descascavam
10 uma banana. Ficou muito mais fácil ter o conhecimento.
11 Por outro lado, o que se vê é que muito pouco dessa informação é
12 aproveitada pelo jovem para a construção de um mundo melhor e mais seguro para
13 ele mesmo. Não que a informação não esteja ali, fincada de forma definitiva em seus
14 neurônios. Mas, muitas vezes, ela é esquecida ou propositadamente abandonada, ali
15 mesmo, dentro da cabeça. Do saber para o fazer, cria-se um abismo, diversas vezes,
16 intransponível. E essa distância pode colocar o jovem cara a cara com o risco. [...]
17 Como trabalhar a informação de maneira que ela seja acessada e utilizada na
18 hora em que for necessária? Se apenas a informação e a razão não parecem segurar
19 o ímpeto desafiador e imprudente do jovem, o que fazer? As apostas se voltam para o
20 impreciso e pantanoso mundo das emoções. Pode ser que aí repouse a chave para o
21 entendimento do que se passa. [...]
22 A informação traz o mundo da razão, o mundo das regras, o mundo do real
23 para a vida do jovem. Talvez em alguns momentos ele queira justamente esquecer
24 esse mundo real para viver em outro, mais livre, sem limites, mais lúdico, mais
25 emocional, onde possa fazer o que bem quiser. Dentro dessa percepção distorcida,
26 ele vê a informação como empecilho, como obstáculo, não como apoio e ajuda.
27 Nessa hora, ele entende que a informação atrapalha e, assim, desliga esse filtro e
28 deixa a vida exposta ao risco acontecer. [...]
Jairo Bouer
Psiquiatra e apresentador do programa
diário Ao Ponto, no Canal Futura
Disponível em:<http://veja.abril.com.br/especiais/jovens>
Em “o que se vê” (linha 11), a palavra destacada é uma
COM BASE NA LEITURA DO TEXTO ABAIXO, ASSINALE A ÚNICA ALTERNATIVA QUE COMPLETA CORRETAMENTE AS QUESTÕES DE 1 A 9. ;
INFORMAÇÃO NÃO BASTA
Muitas vezes o jovem esquece ou abandona
tudo o que sabe em algum lugar da cabeça.
E isso o coloca cara a cara com o risco
1 Um ponto que une a atual geração de jovens é a grande quantidade de
2 informação a que ela é exposta desde muito cedo. O conhecimento está sempre ali, à
3 distância de poucos toques e tecladas dos dedos. O jovem aprende, de forma
4 surpreendente e precoce, a lidar com várias fontes de informação ao mesmo tempo.
5 Ele funciona como uma grande antena, sempre ligada, sempre captando. E faz tudo
6 isso muito bem.
7 O quarto de dormir virou uma espécie de quartel-general da informação. De
8 posse de controles remotos, botões, teclado e mouse, o mundo das notícias e das
9 novidades se abre para o jovem de hoje como os adultos, no passado, descascavam
10 uma banana. Ficou muito mais fácil ter o conhecimento.
11 Por outro lado, o que se vê é que muito pouco dessa informação é
12 aproveitada pelo jovem para a construção de um mundo melhor e mais seguro para
13 ele mesmo. Não que a informação não esteja ali, fincada de forma definitiva em seus
14 neurônios. Mas, muitas vezes, ela é esquecida ou propositadamente abandonada, ali
15 mesmo, dentro da cabeça. Do saber para o fazer, cria-se um abismo, diversas vezes,
16 intransponível. E essa distância pode colocar o jovem cara a cara com o risco. [...]
17 Como trabalhar a informação de maneira que ela seja acessada e utilizada na
18 hora em que for necessária? Se apenas a informação e a razão não parecem segurar
19 o ímpeto desafiador e imprudente do jovem, o que fazer? As apostas se voltam para o
20 impreciso e pantanoso mundo das emoções. Pode ser que aí repouse a chave para o
21 entendimento do que se passa. [...]
22 A informação traz o mundo da razão, o mundo das regras, o mundo do real
23 para a vida do jovem. Talvez em alguns momentos ele queira justamente esquecer
24 esse mundo real para viver em outro, mais livre, sem limites, mais lúdico, mais
25 emocional, onde possa fazer o que bem quiser. Dentro dessa percepção distorcida,
26 ele vê a informação como empecilho, como obstáculo, não como apoio e ajuda.
27 Nessa hora, ele entende que a informação atrapalha e, assim, desliga esse filtro e
28 deixa a vida exposta ao risco acontecer. [...]
Jairo Bouer
Psiquiatra e apresentador do programa
diário Ao Ponto, no Canal Futura
Disponível em:<http://veja.abril.com.br/especiais/jovens>
Quanto aos fatos gramaticais da língua, é correto afirmar que
COM BASE NA LEITURA DO TEXTO ABAIXO, ASSINALE A ÚNICA ALTERNATIVA QUE COMPLETA CORRETAMENTE AS QUESTÕES DE 1 A 9. ;
INFORMAÇÃO NÃO BASTA
Muitas vezes o jovem esquece ou abandona
tudo o que sabe em algum lugar da cabeça.
E isso o coloca cara a cara com o risco
1 Um ponto que une a atual geração de jovens é a grande quantidade de
2 informação a que ela é exposta desde muito cedo. O conhecimento está sempre ali, à
3 distância de poucos toques e tecladas dos dedos. O jovem aprende, de forma
4 surpreendente e precoce, a lidar com várias fontes de informação ao mesmo tempo.
5 Ele funciona como uma grande antena, sempre ligada, sempre captando. E faz tudo
6 isso muito bem.
7 O quarto de dormir virou uma espécie de quartel-general da informação. De
8 posse de controles remotos, botões, teclado e mouse, o mundo das notícias e das
9 novidades se abre para o jovem de hoje como os adultos, no passado, descascavam
10 uma banana. Ficou muito mais fácil ter o conhecimento.
11 Por outro lado, o que se vê é que muito pouco dessa informação é
12 aproveitada pelo jovem para a construção de um mundo melhor e mais seguro para
13 ele mesmo. Não que a informação não esteja ali, fincada de forma definitiva em seus
14 neurônios. Mas, muitas vezes, ela é esquecida ou propositadamente abandonada, ali
15 mesmo, dentro da cabeça. Do saber para o fazer, cria-se um abismo, diversas vezes,
16 intransponível. E essa distância pode colocar o jovem cara a cara com o risco. [...]
17 Como trabalhar a informação de maneira que ela seja acessada e utilizada na
18 hora em que for necessária? Se apenas a informação e a razão não parecem segurar
19 o ímpeto desafiador e imprudente do jovem, o que fazer? As apostas se voltam para o
20 impreciso e pantanoso mundo das emoções. Pode ser que aí repouse a chave para o
21 entendimento do que se passa. [...]
22 A informação traz o mundo da razão, o mundo das regras, o mundo do real
23 para a vida do jovem. Talvez em alguns momentos ele queira justamente esquecer
24 esse mundo real para viver em outro, mais livre, sem limites, mais lúdico, mais
25 emocional, onde possa fazer o que bem quiser. Dentro dessa percepção distorcida,
26 ele vê a informação como empecilho, como obstáculo, não como apoio e ajuda.
27 Nessa hora, ele entende que a informação atrapalha e, assim, desliga esse filtro e
28 deixa a vida exposta ao risco acontecer. [...]
Jairo Bouer
Psiquiatra e apresentador do programa
diário Ao Ponto, no Canal Futura
Disponível em:<http://veja.abril.com.br/especiais/jovens>
Julgue as afirmações abaixo quanto às relações de sentido:
I. A conjunção “e” (linha 5) introduz uma conclusão.
II. O pronome “ela” (linha 2) é uma referência à “informação”.
III. O advérbio “aí” (linha 20) refere-se ao “mundo das emoções” (linha 20).
IV. A oração “Mas, muitas vezes, ela é esquecida ou propositadamente abandonada” (linha 14) poderia ser assim reescrita “entretanto, frequentemente, ela é deixada de lado ou intencionalmente abandonada”.
Está correto o que se afirma em
Texto 1 para as questões de 01 a 07.
Em “Saio da língua para entrar na história.”, existem dois verbos que não exigem complemento. Em qual das alternativas abaixo, os dois verbos possuem idêntica regência verbal?
Texto 1 para as questões de 01 a 07.
Em: “Não há mais lugar para mim.”, o verbo significa existir, sendo exemplo de verbo impessoal, mantendo-se na 3ª pessoa do singular. Em qual alternativa abaixo, a concordância verbal está INCORRETA?
A mão ativa o cérebro
A palavra escrita no papel está ameaçada de extinção pelo computador
- e isso pode não ser bom para o ensino
1 O hábito da escrita vem caindo em desuso
2 à medida que o computador se dissemina
3 O momento em que o homem começou a expressar-se por meio da escrita,
4 gravando caracteres em tabletas de argila há cerca de 5 000 anos, marca o fim da pré-
5 história e a pedra fundamental das civilizações tal como as conhecemos hoje. Mas a
6 maneira como desde então a humanidade vem perpetuando sua memória e
7 transmitindo conhecimento de uma geração para outra pode virar peça de museu. Na
8 semana passada, uma decisão tomada nos Estados Unidos veio reforçar essa ideia
9 que tanto atormenta os (cada vez mais raros) entusiastas do lápis e do papel. Em ato
10 inédito, o governo do estado de Indiana desobrigou as escolas de ensinar a escrita
11 cursiva (aquela em que as letras são emendadas umas nas outras) e recomendou que
12 elas passassem a dedicar-se mais à digitação em teclados de computador ‒ decisão
13 que deve ser acompanhada por outros quarenta estados seguidores do mesmo
14 currículo. Oficializa-se com isso algo que, na prática, já se percebe de forma
15 acentuada, inclusive no Brasil. Diz a VEJA o especialista americano Mark Warschauer,
16 professor da Universidade da Califórnia: “Ter destreza no computador tornou-se um
17 bem infinitamente mais valioso do que produzir uma boa letra”.
18 Ninguém de bom-senso discorda disso. Um conjunto recente de pesquisas na
19 área da neurociência, no entanto, sugere uma reflexão acerca dos efeitos
20 devastadores do computador sobre a tradição da escrita em papel. Por meio da
21 observação do cérebro de crianças e adultos, verificou-se de forma bastante clara que
22 a escrita de próprio punho provoca uma atividade significativamente mais intensa que
23 a da digitação na região dedicada ao processamento das informações armazenadas
24 na memória (o córtex pré-frontal), o que tem conexão direta com a elaboração e a
25 expressão de ideias. Está provado também que o ato de escrever desencadeia
26 ligações entre os neurônios naquela parte do cérebro que faz o reconhecimento visual
27 das palavras, contribuindo assim para a fluidez na leitura. Com a digitação, essa área
28 fica inativa. "Pelas habilidades que requer, o exercício da escrita manual é mais
29 sofisticado, por isso põe o cérebro para trabalhar com mais vigor", explica a
30 neurocientista Elvira Souza Lima, especialista em desenvolvimento humano. [...]
Luís Guilherme Barrucho Disponível em:<http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/mao-ativa-cerebro-635803.shtml>.
Acesso em: 29 ago. 2011
COM BASE NO TEXTO, ASSINALE A ÚNICA ALTERNATIVA QUE COMPLETA CORRETAMENTE AS QUESTÕES DE 01 A 10.
Quanto às noções de sintaxe, não é verdadeiro afirmar que
O tipo de texto é caracterizado pela natureza linguística de sua construção teórica, ou seja, por seus tempos verbais, aspectos lexicais e sintáticos e relações entre seus elementos. São tipos textuais que delimitam pessoalidade, EXCETO:
Texto II
Apelo
Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa da esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.
Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam. Ficava só, sem o perdão de sua presença, última luz na varanda, a todas as aflições do dia.
E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero da salada — meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolha? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.
TREVISAN, Dalton.Apelo.In:BOSI,Alfredo.org. O conto brasileiro contemporâneo. São Paulo, Cultrix,1975.p.190.
Em todas as alternativas abaixo, há uma relação de concordância verbal entre os termos destacados, EXCETO em
Texto II
Apelo
Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa da esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.
Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam. Ficava só, sem o perdão de sua presença, última luz na varanda, a todas as aflições do dia.
E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero da salada — meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolha? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.
TREVISAN, Dalton.Apelo.In:BOSI,Alfredo.org. O conto brasileiro contemporâneo. São Paulo, Cultrix,1975.p.190.
Na frase “... a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada”, pode-se afirmar que
