Questões de Concurso Comentadas sobre sintaxe em português

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Q864549 Português

A questão refere-se ao texto abaixo, de autoria de Glauco Mattoso. 


                                        O EUTANAZISTA

                                     Não podendo eliminar

                                    o resto da humanidade,

                                            suicidou-se.

(FREIRE, M. Os cem menores contos brasileiros do século. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2004)

Em qual das opções abaixo, o conectivo utilizado mais se ajusta ao desdobramento da oração subordinada reduzida de gerúndio no microconto de Glauco Mattoso?
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Q864547 Português

              

Ainda que, no Brasil, haja uma forte tendência ao emprego do verbo assistir (no sentido de “ver” ou “presenciar”) como transitivo direto, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, nessa acepção, o verbo assistir é transitivo indireto. Em relação à norma culta, sobre o quarto quadrinho da tira de Bill Watterson, pode-se afirmar que
Alternativas
Q863905 Português
Assinale a alternativa ERRADA quanto à conjugação verbal.
Alternativas
Q863901 Português

Assinale a alternativa que classifica corretamente o termo em destaque na frase.


Por todos era julgado o Paulo.

Alternativas
Q863900 Português
Quanto à concordância, assinale a alternativa ERRADA.
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Q855048 Português

“As abelhas [...] morrem com os pesticidas.” (linhas 32 e 33)


A expressão sublinhada nessa frase tem sentido de

Alternativas
Q855047 Português

“Os pássaros perderam o seu norte.” (linha 32)


A expressão sublinhada nessa frase pode ser corretamente analisada como

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Q853273 Português

      Eu me inteiro diariamente do que acontece nas principais rodovias do país, pois coleto material para pesquisa em andamento. Tenho observado que em véspera ou dia pós-feriado os acidentes aumentam, na medida em que as pessoas, fora de sua rotina, têm sua atenção dispersada.

      Lamento a má interpretação que se deu a alguns dados que publiquei recentemente sobre esse assunto, mas a atribuo a fala equivocada de um policial rodoviário. Encontrando-o de novo – conheço o trecho sob sua vigilância –, farei questão de esclarecer meu ponto de vista. Se ainda vir necessidade de maiores explicações, republicarei a matéria, acrescida, porém, de informações técnicas. 

Considerado o primeiro parágrafo e o padrão culto escrito, assinale a afirmação correta.
Alternativas
Q853269 Português

      A carta-testamento deixada por Getúlio Vargas no dia de sua morte, a 24 de agosto de 1954, vem a ser a peça retórica mais contundente que o então denominado “Pai dos Pobres” terá produzido durante toda a sua vida política. Contrapartida dramática da sua morte, seria ela a arma pela qual o polêmico e contraditório político iria tentar revolver a encenação de seus últimos dias.

      Postos assim, nesses termos, parecerá ao leitor que estou reduzindo os últimos dias de Vargas a uma simples manifestação histriônica. Em termos, sim. Mas não se trata de uma simplificação. A teatralidade a que esse fato remete tem um significado que transcende seu aparente artifício.

      Pensada na função, digamos, psicológica que aquela missiva poderia vir a ter sobre seus destinatários, ela não difere muito do que são, em sua grande maioria, as cartas dos suicidas. Resultado aparente de um esforço de explicitação das causas que teriam levado o autor ao ato definitivo, na verdade, ela tenta fazer cair sobre os agentes da morte o peso de seus próprios atos. É uma peça que, valendo-se desse processo de culpabilização, tenta dar um sentido e uma fecundidade ao autoaniquilamento (via de regra, o indivíduo que comete, junto com a própria morte, uma carta “aos que ficam”, deve acreditar no poder transfigurador de seu próprio ato). Pensando dessa forma, é que dá para admitir a aproximação entre esse tipo de suicídio e a cena teatral. A morte para o seu “sujeito” não é o fim, mas sim, é parte decisiva de uma vida que continua, e sobre a qual fatalmente seu ato incidirá. A vida continuará, mas será outra.

(Haquira Osakabe, A carta-testamento ou a cena final de Getúlio Vargas. In: Prezado senhor, prezada senhora: estudos sobre cartas. Org. Walnice Galvão, Nádia Battella Gotlib. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. p.373 e 374) 

É uma peça que, valendo-se desse processo de culpabilização, tenta dar um sentido e uma fecundidade ao autoaniquilamento (via de regra, o indivíduo que comete, junto com a própria morte, uma carta “aos que ficam”, deve acreditar no poder transfigurador de seu próprio ato).


No fragmento acima,

Alternativas
Q851067 Português

Pode o amor romântico, que representa na história social moderna o último refúgio do aconchego e da espontaneidade, da entrega altruísta e da suspensão das relações instrumentais, subsistir ...... comercialização capitalista dos espaços sociais e de lazer ...... os rituais inerentes ...... experiências amorosas são vivenciados?

(Adaptado de Sérgio Costa. NOVOS ESTUDOS CEBRAP n. 73, novembro de 2005 , p. 111-124)


Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na ordem dada:

Alternativas
Q851062 Português

      Na frente da câmara fotográfica, ninguém precisa nos dizer "Sorria!"; espontaneamente, simulamos grandes alegrias. Em regra, hoje, nas redes sociais, onde a maior parte das pessoas compartilham seus álbuns, os retratos parecem mostrar pessoas rivalizando para ver quem aparenta aproveitar melhor a vida.

      O hábito de sorrir nos retratos é recente. Os antigos retratos pintados pediam poses longas e repetidas, para as quais era mais fácil adotar uma expressão "natural". O mesmo vale para as primeiras fotos: os tempos de exposição eram longos demais. Outra explicação para o fato é que o retrato, até a terceira década do século 20, era uma ocasião rara e, por isso, um pouco solene.

      Mas resta que nossos antepassados, na hora de serem imortalizados, queriam deixar à posteridade uma imagem de seriedade e compostura, enquanto nós, na mesma hora, sentimos a necessidade de sorrir escancaradamente.

      É certo que o hábito de sorrir na fotografia se estabeleceu quando as câmaras fotográficas portáteis banalizaram o retrato. Mas é duvidoso que nossos sorrisos tenham sido inventados para essas câmaras. É mais provável que as câmaras tenham surgido para satisfazer a dupla necessidade de registrar (e mostrar aos outros) nossa suposta "felicidade" em duas circunstâncias que eram novas ou quase: a vida da família nuclear e o tempo de férias.

      De fato, o álbum de fotos das crianças e o das férias são os grandes repertórios do sorriso. No primeiro, as crianças devem mostrar a nós e ao mundo que elas preenchem sua missão: a de realizar (ou parecer realizar) nossos sonhos frustrados de felicidade. Nas fotos das férias, trata-se de provar que nós também (além das crianças) sabemos ser "felizes". Em suma, o sorriso é, hoje, o grande sinal exterior da capacidade de aproveitar a vida. É ele que deveria nos valer a admiração (e a inveja) dos outros.

      De uma época em que nossa maneira e nossa capacidade de enfrentar a vida eram resumidas por uma espécie de seriedade intensa, passamos a um momento em que saber viver coincide com saber sorrir. Nessa passagem, não há só uma mudança de expressão: no passado valorizava-se uma atenção focada e reflexiva, enquanto hoje parecemos valorizar a diversão.

      Ao longo do século 19, antes que o sorriso deturpasse os retratos, a "felicidade" e a alegria excessivas eram, aliás, sinais de que o retratado estava dilapidando seu tempo, incapaz de encarar a complexidade e a finitude da vida.

      Tudo isso seria uma nostalgia sem relevância, se, valorizando o sorriso, conseguíssemos tornar a dita felicidade prioritária em nossas vidas. Em tese, a valorização ajuda a alcançar o que é valorizado. Mas pesquisas mostram que, no caso da felicidade (mesmo que ninguém saiba o que ela é exatamente ou talvez por isso), acontece o contrário: valorizar a felicidade produz insatisfação e mesmo depressão. De que se trata? Decepção? Sentimento de inadequação? Um pouco disso tudo e, mais radicalmente, trata-se da sensação de que não temos competência para viver − apenas para fazer de conta. Como chegamos a isso?

                                (Adaptado de Contardo Calligaris. Folha de S. Paulo, 28/06/2012) 

Mas pesquisas mostram que, no caso da felicidade [...], acontece o contrário ...


O segmento em destaque exerce na frase acima a mesma função sintática que o segmento grifado em:

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Q851057 Português

                             Dialética da mudança


      Certamente porque não é fácil compreender certas questões, as pessoas tendem a aceitar algumas afirmações como verdades indiscutíveis e até mesmo a irritar-se quando alguém insiste em discuti-las. É natural que isso aconteça, quando mais não seja porque as certezas nos dão segurança e tranquilidade. Pô-las em questão equivale a tirar o chão de sob nossos pés.

      No passado distante, quando os valores religiosos se impunham à quase totalidade das pessoas, poucos eram os que os questionavam, mesmo porque, dependendo da ocasião, pagavam com a vida seu inconformismo. Com o desenvolvimento do pensamento objetivo e da ciência, aquelas certezas inquestionáveis passaram a segundo plano, dando lugar a um novo modo de lidar com elas e com os valores. Questioná-los, reavaliá-los, negá-los, propor mudanças às vezes radicais tornouse frequente e inevitável, dando-se início a uma nova época da sociedade humana. Introduziu-se o conceito não só de evolução como o de revolução.

      Naturalmente, essas mudanças não se deram do dia para a noite, nem tampouco se impuseram à maioria da sociedade. O que ocorreu foi um processo difícil e conflituado em que, pouco a pouco, a visão inovadora veio ganhando terreno e, mais do que isso, conquistando posições estratégicas, o que tornou possível influir na formação de novas gerações, menos resistentes a visões questionadoras.

      A certa altura desse processo, os defensores das mudanças acreditavam-se senhores de novas verdades, mais consistentes porque eram fundadas no conhecimento objetivo das leis que governam o mundo material e social. Em outras palavras, bastaria apresentar-se como inovador para estar certo. Será isso verdade? Os fatos demonstram que tanto pode ser sim como não.

      Mas também pode estar errado quem defende os valores consagrados e aceitos. Só que, em muitos casos, não há alternativa senão defendê-los. E sabem por quê? Pela simples razão de que toda sociedade é, por definição, conservadora, uma vez que, sem princípios e valores estabelecidos, seria impossível o convívio social. Uma comunidade cujos princípios e normas mudassem a cada dia seria caótica e, por isso mesmo, inviável.

(Transcrição de trechos do artigo de Ferreira Gullar. Folha de S. Paulo, E10 Ilustrada, 6 de maio de 2012) 

... no conhecimento objetivo das leis que governam o mundo material e social. (4°parágrafo)


A mesma relação entre verbo e complemento assinalada na frase acima se repete em:

Alternativas
Ano: 2012 Banca: UFU-MG Órgão: UFU-MG Prova: UFU-MG - 2012 - UFU-MG - Psicólogo Clínico |
Q847131 Português

      Mãe, noooosssa! Esse seu cabelo novo ficou lindo! Parece que você é, tipo, mais jovem!

      – Jura, minha filha? Obrigada!

      – Mas aí você vira de frente e aí a gente vê que, tipo, não é, né?

      Coisa linda da mamãe! Esse diálogo é real. Claro que achei graça, mas o fato de envelhecer já não é mais segredo para ninguém.

      Um belo dia, a vendedora da loja te pergunta: “A senhora quer pagar como?” Senhora? Como assim? Eu sempre fui a Marcinha! Agora eu sou a dona Márcia! Sim, o porteiro, o motorista de táxi, o jornaleiro, o garçom, o mundo inteiro resolveu ter um respeito comigo que eu não pedi!

      [...]

      Acho um perigo esconder a idade, podem fazer as contas para mais. E certos procedimentos para esticar o rosto podem ser um desastre, basta assistir ao Oscar para perceber que quase todas deram uma passadinha no dr. Ray antes da cerimônia. No desespero para rejuvelhecer, o excesso de plástica, botox e outros tratamentos estéticos simplesmente transformam essas mulheres em seres sem idade, sem rugas, mas sem juventude também.

      Não, não se envelhece aos poucos, é de um dia para o outro, você é apanhada de surpresa, o manequim é 38, mas a pele é 40. Estranho, muito estranho. Uma corrida na praia pode virar uma tarefa hercúlea. A minissaia é definitivamente aposentada, e se tem desejo que inventem um impossível biquíni de calça comprida ou uma água mineral que venha acoplada com um pé-de-cabra para que senhoras consigam abri-las com mais facilidade. Na academia de ginástica, sem dúvida, o que mais se exercita é a humildade. É melhor não olhar para o lado, pode ser fatal. Numa conversa, invariavelmente, aparece aquela frase: “Aquele ator... que fez aquele filme, o..., o..., daquele diretor, o...”, alguém mais jovem certamente vai lembrar. Duro também é voltar a pé para casa, crente que está abafando porque está fazendo um exercício a mais e no dia seguinte achar que o carro foi roubado na garagem do prédio, mas a verdade é que foi esquecido no estacionamento mais caro de Ipanema, 24 horas antes. Legal.

      Todas essas coisas acontecem realmente, mas o que há de mais intrigante é que, apesar das aparências, continuamos a viver todas as idades. A menina de 7 anos decepcionada por descobrir que Papai Noel não existe continua se decepcionando com pessoas que não são o que pareciam ser; a de 15 apreensiva com o primeiro amor está aqui; a de 20 vestida de abelha e com medo de esquecer as falas do personagem da estreia está intacta e presente em toda estreia; e a de 30 com vergonha das pernas finas está mais do que viva.

      O envelhecimento é uma vantagem e tanto, comparada à segunda opção. Mas cada vez mais me convenço de que não é só isso. O mais divertido é a farra de garotas dentro de mim. Viva elas!

                CABRITA, Márcia. Istoé, 23 mar 2012. Acesso em 23 mar 2012 . (Texto adaptado)

Os textos orais e escritos, que produzimos nas diversas situações de nosso dia a dia, estão repletos de elementos que têm a função de estabelecer relações de sentido entre as partes do texto.


A partir dessa afirmação, considere o enunciado abaixo.


[...] outros tratamentos estéticos simplesmente transformam essas mulheres em seres sem idade, sem rugas, mas sem juventude também.


O termo “mas”, em destaque no enunciado acima, estabelece entre o trecho à sua direita (“sem juventude também”) e todo o trecho que o antecede uma relação de sentido de

Alternativas
Q837296 Português

TEXTO 1 


                             O poder da língua


      A língua é o maior instrumento de interação do ser humano. Ela intercambia o ser humano com o resto do mundo. Embora existam várias línguas, todas elas interagem, e nenhuma pode ser exilada. Podemos exilar pessoas, povo, nação, mas a língua sempre vai existir. Até mesmo os mudos, que não se expressam através da boca, têm a sua língua. Por outro lado, a língua também é o maior instrumento de isolamento do ser humano. Se você não souber a língua do lugar onde vive, fica isolado, sem comunicação. Imigrantes sofrem com esse problema, quando vão para países onde nem sequer sabem como dar “bom-dia” na língua nativa, ficando isolados por um bom tempo. Sem a língua, não há comunicação. Sem comunicação, não há interação.

      A língua é, também, o maior instrumento de guerra do ser humano. É... a velha língua já arrumou grandes encrencas pela história. Já imaginou se Hitler não abrisse a boca para falar? Provavelmente mais de 50 milhões de pessoas não teriam morrido. E se o Presidente norteamericano Harry S. Truman não tivesse usado do poder da língua para autorizar o bombardeio atômico no Japão? É... a língua pode ser cruel, pode ferir, machucar, destruir e matar.

      Por outro lado, a língua é o maior instrumento de paz do ser humano. A mesma língua que mata pode transformar dor em felicidade, tristeza em alegria, perseguição em livramento. Não precisamos ir longe para pegar um exemplo de paz que a língua proporcionou: o poder da língua nas “Diretas Já!” proporcionou ao povo brasileiro um tempo de paz que havia mais de vinte anos o povo não gozava. E como Jesus Cristo passaria seus ensinamentos se não fosse pelo poder único e incomensurável da língua? A língua faz reviver pessoas, povos e nações.

      Então, a língua é um instrumento ambíguo do ser humano: ora ela mata, ora ela salva, ora machuca, ora cura. Por isso, devemos tomar muito cuidado com o que falamos, pois podemos, com uma palavra, destruir uma vida, ou até mesmo várias vidas. Mas podemos, também, com uma palavra, gerar alegria, paz e amor para muitas outras vidas.

Texto disponível em: http://cronicasvox.blogspot.com.br/2007/08/o-poder-da-lngua.html. Acesso em 09/05/2012. Adaptado.  

Assinale a alternativa em que a concordância verbal obedece às regras da norma culta.
Alternativas
Ano: 2012 Banca: IF-SP Órgão: IF-SP Prova: IF-SP - 2012 - IF-SP - Assistente Administrativo |
Q836179 Português
Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Ano: 2012 Banca: IF-SP Órgão: IF-SP Prova: IF-SP - 2012 - IF-SP - Assistente Administrativo |
Q836173 Português
Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Ano: 2012 Banca: IF-SP Órgão: IF-SP Prova: IF-SP - 2012 - IF-SP - Assistente Administrativo |
Q836153 Português
Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Ano: 2012 Banca: IF-SP Órgão: IF-SP Prova: IF-SP - 2012 - IF-SP - Assistente Administrativo |
Q836150 Português

Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas:


__________Senhoria está preocupado? (falando com a pessoa)

__________Excelência disse, através da imprensa, que não faltaria óleo de soja ao consumidor. (falando sobre a pessoa)

Vossa Senhoria está _____________. (dirigindo-se a um homem)

Sua Majestade ficou _____________. (falando de uma rainha)

Alternativas
Q832615 Português

                                  Você tem medo de quê?

      Vou direto ao ponto: estive em Paris. É um verdadeiro luxo, Paris. Não por causa do Louvre, da Place Vendôme ou da Champs-Élysées. Nem pelas mercadorias todas, lindas, chiques, caras, que nem penso em trazer para casa. Meu luxo é andar nas ruas, a qualquer hora da noite ou do dia, sozinha ou acompanhada, a pé, de ônibus ou de metrô (nunca de táxi), e não sentir medo de nada. Melhor: de ninguém. Meu luxo é enfrentar sem medo o corpo a corpo com a cidade, com a multidão.

      O artigo de luxo que eu traria de Paris para a vida no Brasil, se eu pudesse − artigo que não se globalizou, ao contrário, a cada dia fica mais raro e caro −, seria esse. O luxo de viver sem medo, o de circular na cidade sem temer o semelhante, sem que o fantasma de um encontro violento esteja sempre presente. Não escrevi “viver em uma sociedade sem violência”, já que a violência é parte integrante da vida social. Basta que a expectativa da violência não predomine sobre todas as outras; que a preocupação com a “segurança” não seja o critério principal para definir a qualidade da vida urbana.

      Mas eu conheço, eu vivi em uma cidade diferente desta em que vivo hoje. Essa cidade era São Paulo. Já fiz longas caminhadas a pé pelo centro, de madrugada. Não escrevo movida pelo saudosismo, mas pela esperança. Isso faz tão pouco tempo! Sei lá como os franceses conseguiram preservar seu raro luxo urbano. Talvez o valor do espaço público, entre eles, não tenha sido superado pelo dos privilégios privados. Talvez a lei se proponha, de fato, a valer para todos. Pode ser que a justiça funcione melhor. E que a sociedade não abra mão da aposta nos direitos. Pode ser que a violência necessária se exerça, prioritariamente, no campo da política e não no da criminalidade.

      Se for assim, acabo de mudar de ideia. Viver sem medo não é, não pode ser, um luxo. É básico; é o grau zero da vida em sociedade. Viver com medo é que é uma grande humilhação.

(Adaptado de Maria Rita Kehl. 18 crônicas e mais algumas. S.Paulo: Boitempo, 2011. p. 119-120)

... sem temer o semelhante ...


O verbo grifado acima tem o mesmo tipo de complemento que o verbo empregado em:

Alternativas
Q832613 Português

                                  Você tem medo de quê?

      Vou direto ao ponto: estive em Paris. É um verdadeiro luxo, Paris. Não por causa do Louvre, da Place Vendôme ou da Champs-Élysées. Nem pelas mercadorias todas, lindas, chiques, caras, que nem penso em trazer para casa. Meu luxo é andar nas ruas, a qualquer hora da noite ou do dia, sozinha ou acompanhada, a pé, de ônibus ou de metrô (nunca de táxi), e não sentir medo de nada. Melhor: de ninguém. Meu luxo é enfrentar sem medo o corpo a corpo com a cidade, com a multidão.

      O artigo de luxo que eu traria de Paris para a vida no Brasil, se eu pudesse − artigo que não se globalizou, ao contrário, a cada dia fica mais raro e caro −, seria esse. O luxo de viver sem medo, o de circular na cidade sem temer o semelhante, sem que o fantasma de um encontro violento esteja sempre presente. Não escrevi “viver em uma sociedade sem violência”, já que a violência é parte integrante da vida social. Basta que a expectativa da violência não predomine sobre todas as outras; que a preocupação com a “segurança” não seja o critério principal para definir a qualidade da vida urbana.

      Mas eu conheço, eu vivi em uma cidade diferente desta em que vivo hoje. Essa cidade era São Paulo. Já fiz longas caminhadas a pé pelo centro, de madrugada. Não escrevo movida pelo saudosismo, mas pela esperança. Isso faz tão pouco tempo! Sei lá como os franceses conseguiram preservar seu raro luxo urbano. Talvez o valor do espaço público, entre eles, não tenha sido superado pelo dos privilégios privados. Talvez a lei se proponha, de fato, a valer para todos. Pode ser que a justiça funcione melhor. E que a sociedade não abra mão da aposta nos direitos. Pode ser que a violência necessária se exerça, prioritariamente, no campo da política e não no da criminalidade.

      Se for assim, acabo de mudar de ideia. Viver sem medo não é, não pode ser, um luxo. É básico; é o grau zero da vida em sociedade. Viver com medo é que é uma grande humilhação.

(Adaptado de Maria Rita Kehl. 18 crônicas e mais algumas. S.Paulo: Boitempo, 2011. p. 119-120)

... já que a violência é parte integrante da vida social.


O segmento em destaque na frase acima exerce a mesma função sintática que o segmento grifado em:

Alternativas
Respostas
37601: C
37602: B
37603: D
37604: A
37605: B
37606: A
37607: C
37608: C
37609: C
37610: A
37611: D
37612: E
37613: A
37614: E
37615: C
37616: B
37617: D
37618: B
37619: E
37620: C