Questões de Concurso
Comentadas sobre sintaxe em português
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— Estou esperando!
— Não quero!
— Deixá-lo passar!
— Naufragou!
Eu vinha vindo com o frescor da manhã por aquele trecho da praia de Santa Luzia, tão suave e tão formoso, onde se amontoam as coisas lúgubres da cidade - a Santa Casa, o Necrotério, o serviço de enterramentos. [...] Dois olhavam com avidez os bondes que vinham da rua do Passeio; dois estavam totalmente voltados para o lado da Faculdade. Ao aparecer um bonde, um magrinho bradou:
— Largo!
Prestei atenção. Do tramway em movimento saltou um cavalheiro defronte do Necrotério.
[...]
A um tempo falavam todos, e o cavalheiro, coberto de luto, com o lenço empapado de suor e de lágrimas, murmurava, como se estivesse a receber pêsames:
— Muito obrigado! Muito obrigado!
Aproximei-me de um dos funcionários do serviço mortuário.
— Que espécie de gente é essa?
— Oh! não conhece”? São os urubus!
— Urubus?
— Sim, OS corvos... E o nome pelo qual são conhecidos aqui os agenciadores de coroas e fazendas para o luto. Não é muito numerosa a classe, mas que faro, que atividade!
Totalmente interessado, tive uma dessas exclamações de pasmo que lisonjeiam sempre os informantes e nada exprimem de definitivo. Ele sorriu, tossiu e falou. Foi prodigioso.
— Os agenciadores de coroas levantam-se de madrugada e compram todos os jornais para ver quais os homens importantes falecidos na véspera. Defunto pobre não precisa de luxo, e coroa é luxo. Logo que tomam as notas disparam para a casa do morto e propõem adiantar o que for necessário para o enterro, com a condição de se lhes comprarem as coroas. [...]. E os títulos dessas casas davam para um tratado de psicologia recreativa. Há os poéticos, os delicados, os floridos, os babosos, os fúnebres — Tributo da Saudade, Coroa de Violetas, Flor de Lis, Bogari, A Jardineira, Coroa de Rosas...
— Mas... e estes homens aqui?
— Estes homens, são os urubus de Santa Luzia, serviço especial e maçônico. Três ficam à entrada principal da Santa Casa. Quando avistam um tipo, brada o primeiro: estou esperando!
Se o tipo não tem casa de enterro: não quero! Deixá-lo passar. Se o homem vem de tilburi, correm até aqui a acompanhá-lo... Se o tilburi segue, bradam: naufragou! E voltam ao lugar donde não saíram os outros. E interessante ouvir-lhes o diálogo. Tu é que não correste! Conheço o homem; Antes fosse, era meu o negócio...
— Mas é horrível!
— É avida, meu caro.
[...]
Os urubus devem ter nome?
— Têm, são urubus urbanos. Vê o senhor aquele? E o Chico Basílio. Há cerca de trinta anos exerce a profissão. Está vendo aquele grupo? Encontra lã o Brasilino, o Caranguejo, o Bilu, o Espanhol da Saúde, o Mangonga. Os outros são o Joaquim, o Tatuí, o Paulino, o Cá e Lá, o Buriti, o Manduca...
[...]
Eu ouvia o meu informante um pouco melancólico. Que diabo! Por que urubus, naquele pedaço da cidade que cheira a cadáveres e a morte?
Não há terra onde prospere como nesta a flora dos sem-ofício e dos parasitas que não trabalham. Esses sujeitinhos vestem bem, dormem bem, chegam a ter opiniões, sistema moral, ideias políticas.
[...]
Despedi-me, comecei a andar devagar. Um dos urubus aproximou-se.
— Estiveram contando coisas a nosso respeito”?
— Não, absolutamente.
— Que se há de fazer? A comissão é tão pequena! Quando quiser uma coroa...
— Deus queira que não! —fiz assustado.
E apertei a mão do homem-urubu com um tremor de superstição e de susto.
RIO, João do. Os urubus. In: ANTELO, Raúl (Org). A alma encantadora do Rio. São Paulo: Companhia das Letras, 1977.
As frases de um texto organizam-se em torno de relações semânticas que lhes dão coesão e coerência. No caso da frase “AO APARECER UM BONDE, um magrinho bradou”, a oração em destaque apresenta a seguinte relação:
Fazer as contas e não assumir compromissos superiores à renda não é caretice, é uma necessidade
Os jovens estão se endividando. Segundo pesquisa da Associação Comercial de São Paulo, 67% dos inadimplentes têm menos de 35 anos e 24% têm entre 26 e 30 anos.
Mais do que um levantamento estatístico ou curiosidade, tais números expressam uma realidade preocupante: a falta de educação para o consumo. Sem isso, o jovem compra acima de suas possibilidades e talvez prossiga nesse desequilíbrio quando for mais velho.
Além disso, essas pessoas não estão se endividando para comprar bens tecnológicos como computadores ou aparelhos que aumentem o conforto e a segurança no lar. Nada disso. Torraram dinheiro com roupas e calçados. O terceiro item da lista também é uma advertência, por si só: empréstimo pessoal.
A agiotagem é um dos negócios que mais se desenvolvem nos municípios brasileiros, com a oferta de dinheiro fácil, a juros extorsivos, para ávidos consumidores, principalmente das classes C e D.
Dever desde os primeiros anos com carteira de trabalho assinada é uma péssima tendência para o futuro. Hábitos de poupança não são estimulados nem valorizados aqui.
É evidente que todos querem consumir. Não há crime algum nisso, até porque, sem compras, não há produção nem empregos.A economia fica estagnada e o país caminha para trás. Certamente não defendo tal comportamento.
Mas o consumismo desenfreado é péssimo para as pessoas e para o ambiente e indica um descontrole que pode, sem trocadilho, custar muito caro.
Há situações que precipitam a inclusão do consumidor em listas de devedores. Desemprego e despesas inesperadas, provocadas por doenças, são totalmente compreensíveis. Planejar as compras, contudo, poderia evitar a maioria dos casos de inadimplência.
Prestações que “caibam no bolso”, sem verificação do quanto se paga a mais por essa aparente facilidade; crédito rotativo dos cartões; e empréstimos em geral, inclusive os consignados, são alguns dos caminhos mais rápidos para estourar os orçamentos pessoais e familiares.
Falta, também, uma lei que proíba a concessão de crédito sem exigência de garantias. Porque não há milagre em finanças. Se uma empresa não exige comprovação de renda e bens que garantam o empréstimo, só há uma explicação plausível: ela compensa o risco de calote cobrando juros de agiota.
Agiotagem é crime e não deveria ser permitida.
Antes de chegar à faixa etária que tem mais devedores na pesquisa da ACSp, jovens frequentam escolas e universidades. São orientados sobre os riscos do consumo de drogas, do tabagismo e do alcoolismo e para a importância de preservar o ambiente. Muitas vezes, têm aulas sobre cidadania, política e grandes desafios mundiais, como a escassez de água e as guerras religiosas. Por que não recebem mais subsídios sobre consumo consciente, não somente com foco ambiental, mas também em relação à proteção de seus bolsos e à aplicação do Código de Defesa do Consumidor?
Também nessa área é tolice imaginar que as autoridades resolvam tudo. Não solucionam nem problemas gravíssimos como filas nos corredores dos hospitais públicos e transporte coletivo superlotado...
Os pais deveriam ajudar nesse processo educativo, mas, convenhamos, nem os adultos escapam do excesso de compras. Então, não é uma surpresa saber que os mais novos não conseguem pagar suas contas em dia.
Perder o crédito é um desastre para qualquer pessoa. Fecha as portas para a aquisição até de produtos fundamentais, totalmente necessários, como alimentos e medicamentos. Carimba os consumidores como devedores e isso tem repercussões em todos os segmentos da vida, inclusive o profissional.
Isso não pode, então, ser visto como mais uma tendência ou consequência da inclusão social. O papel aceita tudo. Fazer as contas e não assumir compromissos superiores à renda não é caretice. É uma das condições para um futuro melhor, sem sobressaltos, sem cobradores e sem insônia. Não desejamos novas gerações repletas de devedores.
Maria Inês Dolci. Folha de S.Paulo. São Paulo, 17 out. 2011. Folhainvest. © Folhapress.
Das afirmações seguintes:
I. No sétimo parágrafo, a autora introduz uma ideia oposta ao que ela disse sobre o consumo no parágrafo anterior.
II. De acordo com o texto, o consumo em excesso pode prejudicar as pessoas, mas eventualmente auxiliam o ambiente.
III. Os elementos coesivos “MAIS DO QUE” (2º parágrafo) e “ALÉM DISSO” (3º parágrafo) expressam uma mesma ideia, ou seja, de inclusão.
Não trate alunos de EJA como crianças Pessoas com mais de 15 anos - mesmo na condição de alunos - não são crianças crescidas. Da mesma forma que, no trabalho, um senhor de 50 anos não ouve do chefe “Vamos fazer um relatório bem bonitinho”, ele não deve vivenciar situações como essa na escola. O trato infantilizado é um dos motivos da evasão nas turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e nasce com a ideia equivocada de que se deve dar ao estudante, jovem ou adulto, o que ele não teve quando criança. Por causa disso, é preciso também mudar a abordagem e, muitas vezes, o conteúdo. Trabalhar com material didático infantil sem levar em conta as expectativas de aprendizagem e os conhecimentos prévios é um equívoco com a mesma raiz. A EJA tem de ser encarada como um atendimento específico, que pede um currículo próprio. Só assim o grupo vai aprender e tomar consciência do que está fazendo. Se o educador quiser abordar a origem do ser humano, deve tratar o tema de forma adulta, com respeito à diversidade religiosa - sem se desviar das propostas curriculares - e aprofundar a discussão científica, mais do que faria numa turma de crianças.
E, embora a necessidade de respeito à vivência prévia valha para todos os alunos, seja lá qual for a idade deles, no caso de jovens e adultos, essa é mais uma premissa fundamental. Cantigas e parlendas - usadas na alfabetização dos pequenos - podem ser substituídas por poesias, mais apropriadas para os leitores mais velhos.
http://revistaescola.abril.com.br/politicas-publicas/modalidades/ infantilizar-estudantes-eja-432129.shtml
Avalie o acerto das afirmativas feitas sobre o texto.
1. O trato infantilizado na EJA tem origem na ideia enganada de que o professor precisa suprir, em classes de jovem ou adulto, as carências de infância desses alunos. 2. O aprendizado de uma turma de EJA acontece a partir do momento em que recebe atendimento específico com um currículo próprio.
3. Determinados gêneros textuais são mais ou são menos adequados para o ensino na EJA.
4. Na expressão: “com respeito à diversidade religiosa”, a crase foi usada para marcar a contração de preposição e pronome.
5. A expressão sublinhada no texto é um aposto e, por isso, está isolada por vírgulas.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
Mesmo que a primeira demonstração da efetivação da lei antiterror possa ter sido com um grupo tido como amador, é preciso refletir que, se o amadorismo der certo, as consequências poderão ser de um ato profissional. A poucas horas da abertura dos jogos do Rio de Janeiro, o Brasil ainda digere as primeiras prisões com base na Lei Antiterrorismo. Estas também foram as primeiras detenções feitas no país por suspeita de ligação entre brasileiros e o grupo terrorista Estado Islâmico. Para entender a magnitude de tal episódio e a importância da lei antiterror é essencial compreender primeiro o que é um ato terrorista – quando um grupo utiliza a violência, o terror, para mostrar a sua ideologia, expor a sua causa. Para os terroristas, atitudes violentas valem o seu preço, pois o que se faz é moralmente aceitável e assim acreditam que se combate o grande inimigo. Para a lei brasileira o terrorismo consiste na prática, por um ou mais indivíduos, dos atos por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião e tem a finalidade de provocar terror social ou generalizado. É possível caracterizar atos de terrorismo pelo uso, transporte, guarda ou porte de explosivos, gases tóxicos, venenos, conteúdos químicos ou nucleares que possam causar danos ou promover destruição em massa. (fragmento) Débora Veneral – Gazeta do Povo (05/08/2016)
No excerto: Mesmo que a primeira demonstração da efetivação da lei antiterror possa ter sido com um grupo tido como amador, é preciso refletir que, se o amadorismo der certo, as consequências poderão ser de um ato profissional.
O termo em destaque é classificado como:
I - Marcos namora com Alice.
II - Carla prefere língua portuguesa do que língua inglesa.
III - André obedece ao aviso.
IV - Augusto desfruta de seu carro novo.
V - Maria aspira o talento de dirigir de modo satisfatório. Assinale a alternativa correta: