Questões de Concurso Comentadas sobre sintaxe em português

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Q813928 Português

                                 Grudados no Facebook

      Eu resistir o quanto pude, mas acabei sucumbindo no ano passado, por necessidade profissional e também para “conhecer o inimigo”, já que meus filhos inevitavelmente usariam a plataforma.

      Logo em um dos primeiros posts, uma provocação aos jovens chamada “Você quer mesmo ser cientista?”, descobri o poder do Facebook: através de compartilhamentos, foram centenas de curtidas em um dia só – e eu me descobrir grudada na tela, acompanhando as curtidas e os comentários que chegavam.

      Por que o Facebook tem o poder de transfixar o usuário em sua frente? Um grupo de neurocientistas alemães suspeitou que a resposta estivesse no retorno positivo que a plataforma oferece por meio das curtidas públicas aos posts de usuários.

      As curtidas servem como uma indicação reputação social do usuário, e ter boa reputação é algo valioso por aumentar a chance de ser alvo de boa vontade e cooperação dos outros.

      Mas nem sequer é preciso pensar a respeito para apreciar o valor da boa reputação: descobrir que gostam da gente ou receber outras formas de avaliação positiva são estímulos fortes para o estriado ventral, estrutura do sistema de recompensa do cérebro que nos premia com uma sensação de prazer quando algo positivo acontece. Mais tarde, a lembrança desse reforço positivo serve como uma motivação para repetir o que deu certo – e assim a causa de boa reputação se afirma.

      Os pesquisadores da Universidade Livre de Berlim examinaram a relação entre a intensidade de uso da plataforma e a sensibilidade do cérebro dos usuários a recompensas de dois tipos: monetárias e sociais.

      O resultado foi uma correlação clara entre a intensidade com que o estriado ventral de cada voluntário respondia a avaliações sociais positivas de boa reputação, na forma de adjetivos associados à sua pessoa, e a frequência de uso do Facebook por cada voluntário. A sensibilidade a retorno monetário não importa: aqueles que mais usam a plataforma são as pessoas que sentem mais prazer em ser avaliadas positivamente pelos outros.

      A descoberta explica por que o Facebook é um sistema tão poderoso quanto um videogame: justamente por que funciona como um videogame, onde você aperta alguns botões e descobre imediatamente, pelas opiniões dos outros, se o resultado foi positivo. Como esse é um videogame de adultos que se leva no bolso, é difícil resistir a “jogar” o tempo todo...

                    SUZANA HERCULANO-HOUZEL é neurocientista, professora da UFRJ

                                    e apresentadora do programa Cerebrando (cerebrando.net).

                                                                                      (Folha de S. Paulo, 01/04/2017.)

Na frase “(...) Mas nem sequer é preciso pensar a respeito para apreciar o valor da boa reputação: descobrir que gostam da gente ou receber outras formas de avaliação positivas são estímulos fortes para o estriado ventral(...)”, a conjunção em destaque pode ser substituída por outra de mesmo valor semântico em:
Alternativas
Q813925 Português

                                 Grudados no Facebook

      Eu resistir o quanto pude, mas acabei sucumbindo no ano passado, por necessidade profissional e também para “conhecer o inimigo”, já que meus filhos inevitavelmente usariam a plataforma.

      Logo em um dos primeiros posts, uma provocação aos jovens chamada “Você quer mesmo ser cientista?”, descobri o poder do Facebook: através de compartilhamentos, foram centenas de curtidas em um dia só – e eu me descobrir grudada na tela, acompanhando as curtidas e os comentários que chegavam.

      Por que o Facebook tem o poder de transfixar o usuário em sua frente? Um grupo de neurocientistas alemães suspeitou que a resposta estivesse no retorno positivo que a plataforma oferece por meio das curtidas públicas aos posts de usuários.

      As curtidas servem como uma indicação reputação social do usuário, e ter boa reputação é algo valioso por aumentar a chance de ser alvo de boa vontade e cooperação dos outros.

      Mas nem sequer é preciso pensar a respeito para apreciar o valor da boa reputação: descobrir que gostam da gente ou receber outras formas de avaliação positiva são estímulos fortes para o estriado ventral, estrutura do sistema de recompensa do cérebro que nos premia com uma sensação de prazer quando algo positivo acontece. Mais tarde, a lembrança desse reforço positivo serve como uma motivação para repetir o que deu certo – e assim a causa de boa reputação se afirma.

      Os pesquisadores da Universidade Livre de Berlim examinaram a relação entre a intensidade de uso da plataforma e a sensibilidade do cérebro dos usuários a recompensas de dois tipos: monetárias e sociais.

      O resultado foi uma correlação clara entre a intensidade com que o estriado ventral de cada voluntário respondia a avaliações sociais positivas de boa reputação, na forma de adjetivos associados à sua pessoa, e a frequência de uso do Facebook por cada voluntário. A sensibilidade a retorno monetário não importa: aqueles que mais usam a plataforma são as pessoas que sentem mais prazer em ser avaliadas positivamente pelos outros.

      A descoberta explica por que o Facebook é um sistema tão poderoso quanto um videogame: justamente por que funciona como um videogame, onde você aperta alguns botões e descobre imediatamente, pelas opiniões dos outros, se o resultado foi positivo. Como esse é um videogame de adultos que se leva no bolso, é difícil resistir a “jogar” o tempo todo...

                    SUZANA HERCULANO-HOUZEL é neurocientista, professora da UFRJ

                                    e apresentadora do programa Cerebrando (cerebrando.net).

                                                                                      (Folha de S. Paulo, 01/04/2017.)

Em “Um grupo de neurocientistas alemães suspeitou que a resposta estivesse no retorno positivo que a plataforma oferece por meio de curtidas...” o termo destacado corresponde a uma flexão denominada de:

Alternativas
Q813924 Português

                                 Grudados no Facebook

      Eu resistir o quanto pude, mas acabei sucumbindo no ano passado, por necessidade profissional e também para “conhecer o inimigo”, já que meus filhos inevitavelmente usariam a plataforma.

      Logo em um dos primeiros posts, uma provocação aos jovens chamada “Você quer mesmo ser cientista?”, descobri o poder do Facebook: através de compartilhamentos, foram centenas de curtidas em um dia só – e eu me descobrir grudada na tela, acompanhando as curtidas e os comentários que chegavam.

      Por que o Facebook tem o poder de transfixar o usuário em sua frente? Um grupo de neurocientistas alemães suspeitou que a resposta estivesse no retorno positivo que a plataforma oferece por meio das curtidas públicas aos posts de usuários.

      As curtidas servem como uma indicação reputação social do usuário, e ter boa reputação é algo valioso por aumentar a chance de ser alvo de boa vontade e cooperação dos outros.

      Mas nem sequer é preciso pensar a respeito para apreciar o valor da boa reputação: descobrir que gostam da gente ou receber outras formas de avaliação positiva são estímulos fortes para o estriado ventral, estrutura do sistema de recompensa do cérebro que nos premia com uma sensação de prazer quando algo positivo acontece. Mais tarde, a lembrança desse reforço positivo serve como uma motivação para repetir o que deu certo – e assim a causa de boa reputação se afirma.

      Os pesquisadores da Universidade Livre de Berlim examinaram a relação entre a intensidade de uso da plataforma e a sensibilidade do cérebro dos usuários a recompensas de dois tipos: monetárias e sociais.

      O resultado foi uma correlação clara entre a intensidade com que o estriado ventral de cada voluntário respondia a avaliações sociais positivas de boa reputação, na forma de adjetivos associados à sua pessoa, e a frequência de uso do Facebook por cada voluntário. A sensibilidade a retorno monetário não importa: aqueles que mais usam a plataforma são as pessoas que sentem mais prazer em ser avaliadas positivamente pelos outros.

      A descoberta explica por que o Facebook é um sistema tão poderoso quanto um videogame: justamente por que funciona como um videogame, onde você aperta alguns botões e descobre imediatamente, pelas opiniões dos outros, se o resultado foi positivo. Como esse é um videogame de adultos que se leva no bolso, é difícil resistir a “jogar” o tempo todo...

                    SUZANA HERCULANO-HOUZEL é neurocientista, professora da UFRJ

                                    e apresentadora do programa Cerebrando (cerebrando.net).

                                                                                      (Folha de S. Paulo, 01/04/2017.)

Considerando o fragmento abaixo:

“Eu resistir o quanto pude, mas acabei sucumbindo no ano passado, por necessidade profissional e também para “conhecer o inimigo”, já que meus filhos inevitavelmente usariam essa plataforma.”

A expressão coesiva destacada estabelece uma noção de:

Alternativas
Ano: 2017 Banca: AMAUC Órgão: FCEP Prova: AMAUC - 2017 - FCEP - Monitor Artístico |
Q813874 Português

Assinale a alternativa que apresenta as palavras que, na ordem dada, completam corretamente o excerto exposto: 


                                                   Inscrição na Areia

                                       O meu amor não ____________

                                               importância nenhuma.

                                                Não tem o peso nem

                                             de uma rosa de espuma!

                                      Desfolha-se___________________?

                                             Para quem se perfuma?

                                  O meu amor não ___________________

                                             importância nenhuma.

                                                      (Cecília Meireles) 

Alternativas
Q813836 Português
Leia o texto, de Adriana Lui, e observe a ilustração para responder à questão.

Fazer uma vaquinha

No século 20, o ato de juntar algumas pessoas para coletar um dinheirinho passou a ser conhecido como “fazer uma vaquinha” por causa do futebol. Nas décadas de 20 e 30, quase nenhum jogador ganhava salário – luxo só garantido aos atletas do Vasco da Gama.
Nesses tempos bicudos, muitas vezes a própria torcida reunia-se a fim de arrecadar, entre si, um prêmio para agraciar os craques, e a grana era paga de acordo com o resultado do time em campo.
Os valores dessas coletas associavam-se aos números do jogo do bicho, loteria criada nos fins do Império. Se arrecadassem 5 mil-réis, por exemplo, chamavam o prêmio de “um cachorro”, já que 5 é o número do cachorro no jogo. Dez mil-réis eram “um coelho”; quinze mil-réis, “um jacaré”; vinte mil, “um peru”.
Vinte e cinco mil, o prêmio máximo, era chamado de “uma vaca”. Nascia a expressão “fazer uma vaquinha”.

Assinale a alternativa em que a nova redação dada ao trecho – ... a grana era paga de acordo com o resultado do time em campo.– mantém o sentido original do texto e está de acordo com a norma-padrão de regência nominal.
Alternativas
Q813834 Português
Considere a charge de Ronaldo para responder à questão. Imagem associada para resolução da questão
Na frase dita pela personagem, a segunda oração “e ela começou a rir...” apresenta, em relação à primeira oração, ideia de
Alternativas
Q813833 Português
Os celulares _________ aplicativos que permitem __________ pessoas agir com independência em algumas situações, __________ uma consequência negativa pode ser o isolamento social, a ausência de contato humano. Para que a frase esteja correta, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, as lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, por:
Alternativas
Q813829 Português
Leia a crônica de Walcyr Carrasco para responder à questão.

Febre de fama
Há uma inflação de candidatos a astro e estrela. Toda família tem um aspirante aos holofotes. Desde que comecei a escrever para televisão, sou acossado por gênios indomáveis.
Dias desses, fui ouvir as mensagens do celular. Uma voz aflita de mulher:
– Preciso falar urgentemente com o senhor.
“É desgraça!”, assustei-me. Digitei o número.
– Quero trabalhar em novela – disse a voz.
Perguntei (já pensando em trucidar quem havia dado o número do meu celular) se tinha experiência como atriz. Não. Nem curso de interpretação. Apenas uma certeza inabalável de ter nascido para a telinha mágica. Com calma, tentei explicar que, antes de mais nada, era preciso estudar para ser atriz. Estudar? Ofendeu-se:
– Obrigada por ser tão grosseiro! e desligou o telefone.
Incrível também é a reação dos familiares. Conheci a mãe de uma moça que dança em um dos inúmeros conjuntos em que as integrantes rebolam em trajes mínimos. Bastante orgulhosa da pimpolha, a mãe revelou:
– Quando pequena ela queria ser professora, mas escolheu a carreira artística. Ainda bem!
Comentei, muito discreto:
– É... ela vai longe...
– Nem me fale. Daqui a pouco, vai estar numa novela!
Essa febre de fama me dá calafrios. Fico pensando na reação de grandes artistas como Marília Pêra, Tony Ramos, Juca de Oliveira diante desse vale-tudo, desse desejo insano por ser famoso a qualquer preço.
(Veja SP, 21.10.1998. Adaptado)

A expressão entre parênteses que substitui aquela destacada no trecho do texto, sem alterar o sentido original, está em:

Alternativas
Q813826 Português
Leia o texto de Adriana Gomes para responder à questão.

Tentação do imediato

É difícil definir o status de uma época quando ainda se está nela, mas certamente uma das características marcantes do momento atual é o imediatismo. Percebo a tendência de simplificação nos procedimentos e a opção pelas ações que oferecem vantagens imediatas e menores riscos, sem considerar as consequências futuras.
Esse comportamento pode ser resultante da dificuldade de se lidar com as frustrações geradas, basicamente, por três motivos: demora, contrariedade e conflito. Seus efeitos podem ser agressão, regressão e fuga.
Um experimento famoso feito na Universidade Stanford (EUA), no final dos anos 1960, testou a capacidade de crianças resistirem à atração da recompensa instantânea – e rendeu informações úteis sobre a força de vontade e a autodisciplina. Aquelas que resistiram tiveram mais sucesso na vida.
A atitude imediatista praticamente impacta todas as decisões, desde a vida pessoal à rotina das empresas, chegando até à condução do país. O que importa é o hoje e o agora!
Muitas vezes, o valor da durabilidade e da consistência – o longo prazo – parece uma história fantasiosa. Entretanto, a vida prática confirma que o investimento em educação de qualidade e a dedicação aos estudos, por exemplo, geram bons resultados futuros. Profissionais bem qualificados e competentes em suas áreas de atuação, ou seja, aqueles que se dedicaram, aprofundaram seus conhecimentos e os praticaram, costumam encontrar melhores opções na vida profissional.
É preciso, todavia, acreditar nessa equação e investir tempo e dinheiro para colher seus frutos.
Os atalhos são tentadores, mas seus resultados a longo prazo tendem a ser frustrantes.

(Folha de S.Paulo, 31.01.2016. Adaptado)
Os atalhos ____________ são tentadores, mas podem trazer resultados frustrantes. Atendendo à norma-padrão de regência verbal, a lacuna dessa frase deve ser preenchida com:
Alternativas
Q813825 Português
Leia o texto de Adriana Gomes para responder à questão.

Tentação do imediato

É difícil definir o status de uma época quando ainda se está nela, mas certamente uma das características marcantes do momento atual é o imediatismo. Percebo a tendência de simplificação nos procedimentos e a opção pelas ações que oferecem vantagens imediatas e menores riscos, sem considerar as consequências futuras.
Esse comportamento pode ser resultante da dificuldade de se lidar com as frustrações geradas, basicamente, por três motivos: demora, contrariedade e conflito. Seus efeitos podem ser agressão, regressão e fuga.
Um experimento famoso feito na Universidade Stanford (EUA), no final dos anos 1960, testou a capacidade de crianças resistirem à atração da recompensa instantânea – e rendeu informações úteis sobre a força de vontade e a autodisciplina. Aquelas que resistiram tiveram mais sucesso na vida.
A atitude imediatista praticamente impacta todas as decisões, desde a vida pessoal à rotina das empresas, chegando até à condução do país. O que importa é o hoje e o agora!
Muitas vezes, o valor da durabilidade e da consistência – o longo prazo – parece uma história fantasiosa. Entretanto, a vida prática confirma que o investimento em educação de qualidade e a dedicação aos estudos, por exemplo, geram bons resultados futuros. Profissionais bem qualificados e competentes em suas áreas de atuação, ou seja, aqueles que se dedicaram, aprofundaram seus conhecimentos e os praticaram, costumam encontrar melhores opções na vida profissional.
É preciso, todavia, acreditar nessa equação e investir tempo e dinheiro para colher seus frutos.
Os atalhos são tentadores, mas seus resultados a longo prazo tendem a ser frustrantes.

(Folha de S.Paulo, 31.01.2016. Adaptado)
Considere a frase elaborada a partir das ideias do texto. Se a pessoa ___________ nessa equação e investir tempo e dinheiro, poderá colher bons frutos. A lacuna dessa frase deve ser preenchida, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, com:
Alternativas
Q813824 Português
Leia o texto de Adriana Gomes para responder à questão.

Tentação do imediato

É difícil definir o status de uma época quando ainda se está nela, mas certamente uma das características marcantes do momento atual é o imediatismo. Percebo a tendência de simplificação nos procedimentos e a opção pelas ações que oferecem vantagens imediatas e menores riscos, sem considerar as consequências futuras.
Esse comportamento pode ser resultante da dificuldade de se lidar com as frustrações geradas, basicamente, por três motivos: demora, contrariedade e conflito. Seus efeitos podem ser agressão, regressão e fuga.
Um experimento famoso feito na Universidade Stanford (EUA), no final dos anos 1960, testou a capacidade de crianças resistirem à atração da recompensa instantânea – e rendeu informações úteis sobre a força de vontade e a autodisciplina. Aquelas que resistiram tiveram mais sucesso na vida.
A atitude imediatista praticamente impacta todas as decisões, desde a vida pessoal à rotina das empresas, chegando até à condução do país. O que importa é o hoje e o agora!
Muitas vezes, o valor da durabilidade e da consistência – o longo prazo – parece uma história fantasiosa. Entretanto, a vida prática confirma que o investimento em educação de qualidade e a dedicação aos estudos, por exemplo, geram bons resultados futuros. Profissionais bem qualificados e competentes em suas áreas de atuação, ou seja, aqueles que se dedicaram, aprofundaram seus conhecimentos e os praticaram, costumam encontrar melhores opções na vida profissional.
É preciso, todavia, acreditar nessa equação e investir tempo e dinheiro para colher seus frutos.
Os atalhos são tentadores, mas seus resultados a longo prazo tendem a ser frustrantes.

(Folha de S.Paulo, 31.01.2016. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a frase, formulada a partir das ideias do terceiro parágrafo, está correta quanto à concordância verbal e nominal estabelecida pela norma- -padrão da língua portuguesa.
Alternativas
Q813782 Português

TEXTO

                    VIAGEM AO FOCO DA FEBRE AMARELA

     Semanas antes do anúncio dos primeiros casos de febre amarela silvestre, em janeiro, a doença já assustava no Leste de Minas Gerais. Famílias de pequenos municípios choravam seus mortos e doentes em dezembro sem saber de que mal se tratava. Nunca tinham ouvido falar da doença na região. Macacos começaram a morrer meses antes. Após a zika, em 2015, e a chicungunha, em 2016, é o terceiro ano consecutivo sob o jugo de doenças transmitidas por mosquitos. Especialistas dizem que houve falha de vigilância sanitária e defendem vacinar a população de grandes cidades do Sudeste, principalmente Rio, Vitória e Belo Horizonte, para conter a propagação da doença.

(O Globo, 05/02/2017)

“Famílias de pequenos municípios choravam seus mortos e doentes em dezembro sem saber de que mal se tratava”. Se, em lugar de “mal”, escrevêssemos a forma “males”, a forma verbal “se tratava”:
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Q813137 Português
Identifique abaixo as frases corretas ( C ) e as erradas ( E ) em relação à concordância verbal ou nominal, de acordo com a norma culta. ( ) O narrador pulou longas páginas e capítulos. ( ) Era necessário a organização neste setor. ( ) As listas dos pedidos de material seguem anexas. ( ) Se houvessem mais pessoas honestas, não existiriam tantas brigas por justiça. ( ) Vão fazer dez dias que não saio de casa. ( ) Fui eu quem se responsabilizou pelas tarefas do setor. Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q813135 Português
Assinale a alternativa que está de acordo com a norma culta.
Alternativas
Q813133 Português
Leia o texto.
Açaí é bom, mas engorda.
Sabe aquele grupo de antocianinas que auxiliaria o corpo a expulsar as gordurinhas a mais? Ele também está presente no açaí, uma das frutas tipicamente brasileiras, riquíssima no pigmento. Mas, calma lá, você provavelmente já ouviu falar que açaí engorda. E é preciso botar isso em preto no branco. Ele é calórico porque possui um elevado teor de lipídios, justifica o pesquisador Evaldo Silva, da Universidade Federal do Pará. O que se deve ressaltar, no entanto, é que a fruta contém ácidos graxos insaturados, gorduras de perfil semelhante às do azeite de oliva. Ou seja, para o coração, consumido sem exagero, é um coquetel maravilhoso de gordura benéfica com antocianina. Numa tigela você também garante fibras e proteínas. Mas, se o ponteiro da balança já incomoda, o melhor é escolher outros ingredientes cheios do pigmento. Diogo Sponchiato/Editora Abril. Analise as afirmativas feitas sobre o texto. 1. O título é formado por duas orações coordenadas que estabelecem entre si uma relação de oposição. 2. O trecho sublinhado no texto ressalta características positivas do açaí. Para conseguir isso, o autor vale-se da conjunção coordenada “no entanto” que traz sentido de conclusão do que foi dito na frase imediatamente anterior.
3. A conjunção “no entanto” está posta entre vírgulas porque está deslocada no período.
4. Pela leitura do texto, conclui-se que seu autor indica açaí para todas as pessoas.
5. Pela leitura do texto, pode-se concluir – mesmo sendo leigo no assunto – que antocianinas é um pigmento.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
Alternativas
Q813128 Português
Leia o texto. Uma garotinha olha para a barriga da mãe grávida.
Porque você tem uma barriga tão grande, mamãe?
— É por que seu pai me deu um bebê.
A menina sai do quarto correndo e encontra o pai.
- Papai, é verdade que o senhor deu um bebê para a mamãe?
– Sim!
— Pois fique sabendo que ela o comeu! Fabrice Lelatge. 365 piadas- Para crianças a partir dos 7 anos. Barueri, SP. Girassol, 2006- adaptado.

Avalie as afirmativas feitas sobre o texto.
1. A frase sublinhada exerce uma relação de subordinação com a primeira, sendo dela o sujeito.
2. Os termos “mamãe” e “papai” no texto exercem a mesma função sintática; ambos classificam-se como vocativo (segunda e quinta linhas, respectivamente).
3. O termo “porque” e “por que”, destacados no texto, estão corretamente empregados.
4. A última oração do texto exerce a função de objeto direto do verbo que a antecede.
5. Em “seu pai me deu um bebê” temos um pronome pessoal do caso reto em ênclise.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
Alternativas
Q812920 Português

Comida: não deixe estragar  

1 Para evitar o desperdício de alimentos ou uma possível contaminação que afetaria a sua saúde, é preciso colocar em prática atitudes que começam na hora da compra e se estendem à forma como você armazena e prepara em casa. Aprenda!

2 Restos de comida no lixo prejudicam o bolso e o meio ambiente. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, 1,3 bilhão de toneladas de alimentos são jogados fora por ano. No Brasil, cada habitante produz 1 kg de lixo por dia, sendo 58% deste orgânico.

3 Para acabar com o desperdício, é preciso adotar certas medidas. Entre elas, planejar as compras com listas adequadas ao número de moradores da casa, cozinhar a quantidade certa e guardar as sobras na geladeira ou no freezer - organizando tudo de maneira correta, a fim de aumentar a conservação e a durabilidade dos produtos, além de prevenir doenças devido ao consumo de comidas estragadas.

4 O bom senso é excelente conselheiro para saber se os alimentos se apresentam em bom estado: olhe, cheire e prove. Mas cuidado: algumas alterações estão fora do alcance dos sentidos. A contaminação microbiana é a mais conhecida e perigosa. Muitas vezes invisível, não tem cheiro, nem sabor. É causada por bactérias, bolores e outros microrganismos que se desenvolvem nos alimentos e podem originar doenças. Os principais culpados são Salmonella, Listeria e Campylobacter. Todos afetam o funcionamento do aparelho digestivo e podem provocar vômitos e diarreias, entre outros sintomas.  

5 Quando os microrganismos, como o Clostridium botulinum e o estafilococos, produzem toxinas, podem surgir intoxicações alimentares com consequências mais graves: morte dos tecidos atingidos e paralisia dos músculos são exemplos. Porém vale destacar que nem sempre uma comida contaminada causa doenças: depende da quantidade de germes e da resistência da pessoa que está comendo.

6 Saiba, ainda, que as alterações físicas e químicas reduzem a qualidade do alimento: afetam o aspecto, a textura, o paladar e, às vezes, o valor nutritivo. Mas, em geral, não desencadeiam problemas de saúde. Essas alterações são provocadas, por exemplo, pela temperatura, pelo ar ou por enzimas, deixando, por exemplo, o mel cristalizado, a alface murcha ou a manteiga rançosa.

7 O bom é que essa degradação dos alimentos pode ser abreviada com boas práticas e temperaturas de conservação adequadas. Na cozinha, siga à risca as regras de higiene. Manipule os alimentos com as mãos e os utensílios limpos e não corte, por exemplo, o frango e os legumes sem lavar a faca, para evitar contaminação cruzada.

8 Cozinhe bem todos os pratos, para eliminar os microrganismos. As toxinas produzidas por alguns deles resistem ao calor e não há como eliminá-las. Caso a comida preparada sobre, espere esfriar e guarde na geladeira. Saiba que a temperatura sempre sobe quando colocamos novos alimentos dentro dela, mesmo que estejam à temperatura ambiente. Porém com comida quente a elevação é maior. Assim, além de pôr em risco a conservação do alimento, pode danificar o aparelho.

9 Na geladeira ou na despensa, uma boa dica é colocar os produtos com validade mais próxima na parte da frente. Dessa maneira, serão os primeiros a serem pegos na hora em que você quiser consumilos. Já o período de conservação depende do tipo de alimento. Em geral, os mais ácidos e secos resistem mais e, em muitos casos, não precisam de refrigeração. Os perecíveis - como carne, peixe, frutos do mar e bolos com recheio - devem ser guardados na geladeira e consumidos entre um e três dias. As sobras de refeições aguentam alguns dias, se forem bem cozidas e guardadas, no máximo a 4ºC.  

Texto adaptado de Revista Proteste Saúde, número 61, março 2017, p. 10-12.  

Assinale a alternativa que indica o sujeito em "Os perecíveis - como carne, peixe, frutos do mar e bolos com recheio - devem ser guardados na geladeira e consumidos entre um e três dias." (nono parágrafo).
Alternativas
Q812918 Português

Comida: não deixe estragar  

1 Para evitar o desperdício de alimentos ou uma possível contaminação que afetaria a sua saúde, é preciso colocar em prática atitudes que começam na hora da compra e se estendem à forma como você armazena e prepara em casa. Aprenda!

2 Restos de comida no lixo prejudicam o bolso e o meio ambiente. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, 1,3 bilhão de toneladas de alimentos são jogados fora por ano. No Brasil, cada habitante produz 1 kg de lixo por dia, sendo 58% deste orgânico.

3 Para acabar com o desperdício, é preciso adotar certas medidas. Entre elas, planejar as compras com listas adequadas ao número de moradores da casa, cozinhar a quantidade certa e guardar as sobras na geladeira ou no freezer - organizando tudo de maneira correta, a fim de aumentar a conservação e a durabilidade dos produtos, além de prevenir doenças devido ao consumo de comidas estragadas.

4 O bom senso é excelente conselheiro para saber se os alimentos se apresentam em bom estado: olhe, cheire e prove. Mas cuidado: algumas alterações estão fora do alcance dos sentidos. A contaminação microbiana é a mais conhecida e perigosa. Muitas vezes invisível, não tem cheiro, nem sabor. É causada por bactérias, bolores e outros microrganismos que se desenvolvem nos alimentos e podem originar doenças. Os principais culpados são Salmonella, Listeria e Campylobacter. Todos afetam o funcionamento do aparelho digestivo e podem provocar vômitos e diarreias, entre outros sintomas.  

5 Quando os microrganismos, como o Clostridium botulinum e o estafilococos, produzem toxinas, podem surgir intoxicações alimentares com consequências mais graves: morte dos tecidos atingidos e paralisia dos músculos são exemplos. Porém vale destacar que nem sempre uma comida contaminada causa doenças: depende da quantidade de germes e da resistência da pessoa que está comendo.

6 Saiba, ainda, que as alterações físicas e químicas reduzem a qualidade do alimento: afetam o aspecto, a textura, o paladar e, às vezes, o valor nutritivo. Mas, em geral, não desencadeiam problemas de saúde. Essas alterações são provocadas, por exemplo, pela temperatura, pelo ar ou por enzimas, deixando, por exemplo, o mel cristalizado, a alface murcha ou a manteiga rançosa.

7 O bom é que essa degradação dos alimentos pode ser abreviada com boas práticas e temperaturas de conservação adequadas. Na cozinha, siga à risca as regras de higiene. Manipule os alimentos com as mãos e os utensílios limpos e não corte, por exemplo, o frango e os legumes sem lavar a faca, para evitar contaminação cruzada.

8 Cozinhe bem todos os pratos, para eliminar os microrganismos. As toxinas produzidas por alguns deles resistem ao calor e não há como eliminá-las. Caso a comida preparada sobre, espere esfriar e guarde na geladeira. Saiba que a temperatura sempre sobe quando colocamos novos alimentos dentro dela, mesmo que estejam à temperatura ambiente. Porém com comida quente a elevação é maior. Assim, além de pôr em risco a conservação do alimento, pode danificar o aparelho.

9 Na geladeira ou na despensa, uma boa dica é colocar os produtos com validade mais próxima na parte da frente. Dessa maneira, serão os primeiros a serem pegos na hora em que você quiser consumilos. Já o período de conservação depende do tipo de alimento. Em geral, os mais ácidos e secos resistem mais e, em muitos casos, não precisam de refrigeração. Os perecíveis - como carne, peixe, frutos do mar e bolos com recheio - devem ser guardados na geladeira e consumidos entre um e três dias. As sobras de refeições aguentam alguns dias, se forem bem cozidas e guardadas, no máximo a 4ºC.  

Texto adaptado de Revista Proteste Saúde, número 61, março 2017, p. 10-12.  

Em “As sobras de refeições aguentam alguns dias, se forem bem cozidas e guardadas, no máximo a 4ºC.” (nono parágrafo), a conjunção em destaque introduz uma  
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Ano: 2017 Banca: UEM Órgão: UEM Prova: UEM - 2017 - UEM - Técnico Administrativo |
Q812839 Português

O exagero das festas infantis é uma ignorância peculiar do Brasil?

(Ivana Ebel)

1 Se tem uma coisa que eu nunca entendi no Brasil foi o exagero dos pais na hora de organizar uma festa de aniversário para as crianças. Isso é mesmo parte da nossa tradição cultural? O país tem uma verdadeira indústria em torno do que parece um desfile carnavalesco temático encerrado em qualquer dos salões de festa de Norte a Sul. Não, não me entenda mal: não sou contra celebrar a vida, festejar mais um ano. Mas chamar cem pessoas para um cenário emaranhado de figuras de isopor e balões porque o bebê está fazendo um aninho é de um exagero.

2 Quando cheguei aqui na Alemanha notei essa diferença antes mesmo de ter amigos com filhos. Nas lojas e supermercados, o setor das festinhas é bem pequeno. Velinhas, um ou dois brinquedinhos e deu. Pratos, copos, chapéus temáticos são raridade. As decoradoras de festas infantis morreriam de fome por aqui e os adultos gulosos pelos docinhos podem tirar o cavalinho da chuva.

3 Primeiro que os salgadinhos, docinhos e afins não existem. Alemães geralmente detestam brigadeiro: acham doce demais. Em algumas comunidades brasileiras aparecem pessoas que oferecem os serviços pela internet para mães brasileiras que querem fazer as festas como na terra natal, para espanto e choque dos alemães. Ninguém por aqui entende o motivo de tanta pompa e circunstância – e eu compartilho esse sentimento: por aqui se celebra muito mais o primeiro dia de aula de uma criança do que o fato de ela fazer mais um ano.

4 Os primeiros anos dos bebês alemães que vi por aqui foram festejados pelo pai, pela mãe e, em alguns casos, pelos avós. Um bolo na mesa marcou a data, mas a vida não mudou seu curso por causa disso. E é assim até quando a criança está maiorzinha e passa a ter relações de amizade no jardim. Só então a festinha passa a ser mais importante. Aos 4 anos, ela pode convidar quatro amiguinhos. Aos 5, cinco. O convite para a festa é específico: tem a hora em que os pais devem deixar os filhos na casa do aniversariante e a hora em que devem buscá-los.

5 Os pais dos convidados não ficam na festa. Geralmente a mesa é posta com bolo, salsichas (claro!) e salgados feitos em casa, não se bebe refrigerante e, depois de comer, as crianças participam de brincadeiras organizadas pela mãe anfitriã. Nessas brincadeiras existem pequenas prendas e no final todos ganham uma sacolinha de balas para levar para casa. Mas a festa não precisa ser necessariamente uma festa. Pode ser apenas um dia especial em que a criança comemora com os amigos em um programa que ela escolheu: ir ao cinema, ir a um parque fazer piquenique, um parque de diversões.

 6 Na escolinha, nada de frescura. A mãe leva um bolo ou muffins e algo salgado. Podem ser palitos de cenoura ou rodelas de pepino, por exemplo. Nada de decoração. O aniversariante usa uma coroa e é o rei da turma naquele dia. Geralmente se senta em uma cadeira em forma de troninho e é isso. A vida por aqui é muito, muito menos complicada. E menos consumista também.

7 Os casamentos seguem a mesma linha. Muita gente se casa apenas no civil, festeja no quintal de casa, faz fotos com amigos queridos em um parque e ninguém acha que por isso exista menos amor. Na verdade, confesso que a simplicidade da cerimônia me faz crer na cumplicidade do casal, mas isso é outro debate. Nunca fui uma moçoila casadeira mesmo.

8 Mas depois de alguns anos aqui começo a achar que uma coisa é o resultado da outra. Quando os pais transformam cada aniversário do filho em um show pirotécnico, o que sobra para eles na hora de festejar o que realmente importa na vida? Estamos constantemente preocupados em mostrar para o vizinho que a Pepa Pig da festa do nosso filho tem mais purpurina do que Elza do cenário do outro. No fundo, em vez de passarmos tempo de qualidade com quem amamos correndo por um parque ou cuidando do jardim, estamos mais preocupados em decidir o tema da próxima festa de isopor.

9 É na simplicidade de viver que os alemães e seu jeito austero nos fazem pensar no porquê de tanta complicação. Sem arcos de balões, eles dão de mil a zero na nossa pretensão de sermos calorosos, porque investimos mais nas aparências e convidamos dezenas de pessoas que nem gostamos tanto assim. Apostamos mais no cenário do que nas relações verdadeiras.

Texto adaptado de <http://www.pragmatismopolitico.com.br/2016/03/o-exagero-das-festas-infantis-e-uma-ignorancia-peculiar-do-brasil.html>.Acessado em 14 de março de 2016. 

Em "A mãe leva um bolo ou muffins e algo salgado." (sexto parágrafo), "A mãe" exerce a função sintática de
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Ano: 2017 Banca: UEM Órgão: UEM Prova: UEM - 2017 - UEM - Técnico Administrativo |
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O exagero das festas infantis é uma ignorância peculiar do Brasil?

(Ivana Ebel)

1 Se tem uma coisa que eu nunca entendi no Brasil foi o exagero dos pais na hora de organizar uma festa de aniversário para as crianças. Isso é mesmo parte da nossa tradição cultural? O país tem uma verdadeira indústria em torno do que parece um desfile carnavalesco temático encerrado em qualquer dos salões de festa de Norte a Sul. Não, não me entenda mal: não sou contra celebrar a vida, festejar mais um ano. Mas chamar cem pessoas para um cenário emaranhado de figuras de isopor e balões porque o bebê está fazendo um aninho é de um exagero.

2 Quando cheguei aqui na Alemanha notei essa diferença antes mesmo de ter amigos com filhos. Nas lojas e supermercados, o setor das festinhas é bem pequeno. Velinhas, um ou dois brinquedinhos e deu. Pratos, copos, chapéus temáticos são raridade. As decoradoras de festas infantis morreriam de fome por aqui e os adultos gulosos pelos docinhos podem tirar o cavalinho da chuva.

3 Primeiro que os salgadinhos, docinhos e afins não existem. Alemães geralmente detestam brigadeiro: acham doce demais. Em algumas comunidades brasileiras aparecem pessoas que oferecem os serviços pela internet para mães brasileiras que querem fazer as festas como na terra natal, para espanto e choque dos alemães. Ninguém por aqui entende o motivo de tanta pompa e circunstância – e eu compartilho esse sentimento: por aqui se celebra muito mais o primeiro dia de aula de uma criança do que o fato de ela fazer mais um ano.

4 Os primeiros anos dos bebês alemães que vi por aqui foram festejados pelo pai, pela mãe e, em alguns casos, pelos avós. Um bolo na mesa marcou a data, mas a vida não mudou seu curso por causa disso. E é assim até quando a criança está maiorzinha e passa a ter relações de amizade no jardim. Só então a festinha passa a ser mais importante. Aos 4 anos, ela pode convidar quatro amiguinhos. Aos 5, cinco. O convite para a festa é específico: tem a hora em que os pais devem deixar os filhos na casa do aniversariante e a hora em que devem buscá-los.

5 Os pais dos convidados não ficam na festa. Geralmente a mesa é posta com bolo, salsichas (claro!) e salgados feitos em casa, não se bebe refrigerante e, depois de comer, as crianças participam de brincadeiras organizadas pela mãe anfitriã. Nessas brincadeiras existem pequenas prendas e no final todos ganham uma sacolinha de balas para levar para casa. Mas a festa não precisa ser necessariamente uma festa. Pode ser apenas um dia especial em que a criança comemora com os amigos em um programa que ela escolheu: ir ao cinema, ir a um parque fazer piquenique, um parque de diversões.

 6 Na escolinha, nada de frescura. A mãe leva um bolo ou muffins e algo salgado. Podem ser palitos de cenoura ou rodelas de pepino, por exemplo. Nada de decoração. O aniversariante usa uma coroa e é o rei da turma naquele dia. Geralmente se senta em uma cadeira em forma de troninho e é isso. A vida por aqui é muito, muito menos complicada. E menos consumista também.

7 Os casamentos seguem a mesma linha. Muita gente se casa apenas no civil, festeja no quintal de casa, faz fotos com amigos queridos em um parque e ninguém acha que por isso exista menos amor. Na verdade, confesso que a simplicidade da cerimônia me faz crer na cumplicidade do casal, mas isso é outro debate. Nunca fui uma moçoila casadeira mesmo.

8 Mas depois de alguns anos aqui começo a achar que uma coisa é o resultado da outra. Quando os pais transformam cada aniversário do filho em um show pirotécnico, o que sobra para eles na hora de festejar o que realmente importa na vida? Estamos constantemente preocupados em mostrar para o vizinho que a Pepa Pig da festa do nosso filho tem mais purpurina do que Elza do cenário do outro. No fundo, em vez de passarmos tempo de qualidade com quem amamos correndo por um parque ou cuidando do jardim, estamos mais preocupados em decidir o tema da próxima festa de isopor.

9 É na simplicidade de viver que os alemães e seu jeito austero nos fazem pensar no porquê de tanta complicação. Sem arcos de balões, eles dão de mil a zero na nossa pretensão de sermos calorosos, porque investimos mais nas aparências e convidamos dezenas de pessoas que nem gostamos tanto assim. Apostamos mais no cenário do que nas relações verdadeiras.

Texto adaptado de <http://www.pragmatismopolitico.com.br/2016/03/o-exagero-das-festas-infantis-e-uma-ignorancia-peculiar-do-brasil.html>.Acessado em 14 de março de 2016. 

Em "Apostamos mais no cenário do que nas relações verdadeiras." (nono parágrafo), a expressão em destaque indica uma
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