Questões de Concurso Comentadas sobre sintaxe em português

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Q2135069 Português

TEXTO 2


A LINGUAGEM DAS ÁRVORES

    Segundo o dicionário, fala é a "faculdade que tem o homem de expressar verbalmente suas ideias, emoções e experiências": Visto dessa forma, apenas os humanos podem falar, pois esse conceito se limita à nossa espécie. No entanto, não seria interessante descobrir que as árvores também podem se expressar? Claro que elas não produzem sons, por isso não há nada que possam escutar. Os galhos rangem e estalam ao entrar em atrito uns com os outros, e as folhas farfalham, mas esses sons são causados pelo vento, não dependem de ações delas. Acontece que as árvores marcam sua presença de outra forma: por meio dos odores que exalam.

     Isso não é novidade para nós, seres humanos; afinal, usamos desodorantes e perfumes. E, mesmo que não usássemos, nosso odor transmite informações ao consciente e ao inconsciente de outras pessoas. Algumas parecem simplesmente não ter cheiro algum, enquanto outras usam o odor para atrair. Segundo a ciência, os feromônios do suor são fundamentais até para decidirmos quem será nosso parceiro, ou seja, com quem queremos ter filhos. Dessa forma, temos uma linguagem aromática secreta, que as árvores demonstraram também ter.

      Há cerca de 40 anos cientistas notaram algo interessante na savana da África. As girafas comem a folhagem da Acaciatortilis, uma espécie de acácia que não gosta nem um pouco disso. Para se livrar dos herbívoros, poucos minutos depois de as girafas aparecerem as acácias bombeiam toxinas para as folhas. As girafas sabem disso e partem para as árvores próximas. Mas não tão próximas: primeiro elas pulam vários exemplares e só voltam a comer depois de uns 100 metros. O motivo é surpreendente: as acácias atacadas exalam um gás de alerta (no caso, etileno) que sinaliza às outras ao redor que surgiu um perigo. Com isso, todos os indivíduos alertados se preparam de antemão e também liberam toxinas. As girafas conhecem a tática e por isso avançam savana adentro até encontrarem árvores desavisadas. Ou então trabalham contra o vento, já que é ele que carrega a mensagem aromática, buscando acácias que ainda não detectaram sua presença.  

      Isso também acontece em outras florestas. Sejam faias, abetos ou carvalhos, as árvores percebem os ataques sofridos. Dessa forma, quando uma lagarta morde com vontade, o tecido da folha danificada se altera e ela envia sinais elétricos, da mesma forma que acontece com o corpo humano. No entanto, esse impulso não se espalha em milissegundos, como no nosso caso, mas a apenas 1 centímetro por minuto. Por isso demora até uma hora para que a substância defensiva chegue às folhas e acabe com a refeição da praga. As árvores não são rápidas, e mesmo em perigo essa parece ser sua velocidade máxima.

       Apesar do ritmo lento, as partes individuais do corpo de uma árvore não funcionam isoladamente. Por exemplo, se as raízes estiverem em dificuldade, a informação se espalhará pela árvore, que liberará uma substância especial pelas folhas. Essa capacidade de produzir diferentes substâncias é outra característica das árvores que as ajuda a identificar quem está atacando.

      A saliva de cada espécie de inseto é única e pode ser tão bem classificada que as árvores são capazes de emitir substâncias que atraem predadores específicos desses insetos, que atacarão a praga e em consequência ajudarão as árvores. Os olmos e pinheiros, por exemplo, apelam a pequenas vespas que depositam seus ovos no corpo das lagartas que comem folhas. A larva da vespa se desenvolve no interior da praga, que é devorada pouco a pouco, de dentro para fora. Assim as árvores se livram de pragas inconvenientes e podem continuar crescendo livremente. A capacidade de identificar a saliva das pragas comprova outra habilidade das árvores: elas também devem ter uma espécie de paladar. [ ... ]

Fonte: Peter Wohlleben. A vida secreta das árvores (trad. de Petê Rissatti). Rio de Janeiro: Sextante, 2017. (Texto adaptado)

Assinale a opção em que o termo sublinhado denota uma noção de inclusão.
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Q2135059 Português

TEXTO 1 


MANIFESTO DA ÁRVORE

Jurandir Ferreira

     No fim de setembro as árvores ganham mais a atenção da gente e se tornam o assunto do mês, pois entra a primavera em cena e dificilmente se pensaria em uma primavera bem montada e bem aparelhada a não ser com dose certa de árvores. Pode-se pedir à mais capacitada imaginação um quadro de primavera no Himalaia ou no Saara, mas não se terá nada que preste. Esses lugares não dão primavera. Não são lugares dionisíacos onde se encontre o sorriso dos deuses aberto em folhagem, são lugares que não conhecem o milagre subterrâneo chamado raiz, nem o milagre aéreo chamado clorofila. Se todos amam, desejam e dão graças à primavera, que é a mais bela página da história natural, devem ter na maior conta e respeito as árvores, que são as heroínas e dão continuidade, substância e sentido a essa história.

     Falar em tais coisas seria de uma arquibocejante e esplendorosa chatice não fora o fato de estarmos trabalhando, no tronco de cada árvore cortada, para espicharmos sobre o mundo os Saaras e os Himalaias. E trabalhamos nisso desimpedidos, irresponsáveis, alegrões e até mesmo pensando fazer um serviço benemérito: Devia existir nos estatutos jurídicos um capítulo que tratasse especificamente dos crimes contra o mundo vegetal, das violências e agressões árvore corno agressões e violências indiretas à pessoa humana. Como não existe esse código civil ou esse código penal da árvore e ela por si mesma não trata de defender-se, imaginei sugerir a fundação de uma Sociedade Protetora da Arvore. Não se vai a ponto de considerar às árvores como os bois e os macacos sagrados da Índia, seres tabus e intocáveis. Está claro também que não se chega à ingenuidade de colocar na árvore a solução de todas as crises ambientais no mundo de hoje. Entretanto a resposta é óbvia quando o Terceiro informe ao Clube de Roma para uma Nova Ordem Internacional pergunta "de que modo o desflorestamento maciço causado pela necessidade de lenha, pelo excesso de pastagens, pela organização e pela exploração comercial da madeira irá afetar o nosso ambiente terrestre e finalmente a atmosfera e o clima de nosso planeta?". É necessário definir quando e como se estabelece o direito de violar a integridade delas.

     Proteger a árvore é proteger o homem. Este é um enunciado que deveria ser lido na camiseta dos jovens, no vidro dos automóveis e na bandeira nacional de todos os países. Ao inventar um sítio onde nossos dois avós viveriam uma vida perfeita, veio Deus com o Éden, que era cheio de árvores. Lembrete arcaico, mas em relação ao comportamento humano a palavra bíblica ainda alerta e ainda acerta. E, sem apelar para nenhuma outra sabedoria senão aquela ensinada pelo que acontece diante dos nossos olhos a cada hora, apressemo-nos em lutar pela árvore. A árvore é a mais perfeita obra de arte da natureza e o mais prodigioso aparelho vivo, depois do homem. Sem árvore não haverá água e sem H2O não existe vida.

     Uma cronista escreveu há alguns dias que um seu amigo falava num projeto de clube da árvore e o que o amigo falava era exatamente isso que ar está como o "Manifesto da Arvore", pronto a reunir-se a outros esforços no mesmo sentido. O problema da árvore não é um problema de aldeia, desta ou daquela aldeia, mas um problema do mundo, um problema implicado na sobrevivência e salvação da espécie. Fora ele de aldeia e não diria eu uma palavra, porque os problemas de aldeia já têm um grupo de sábios aldeões que deles cuidam com exclusividade e incomparável competência.

Fonte: FERREIRA, Jurandir. Da quieta substância dos dias. Rio de Janeiro: Instituto Moreira Salles, 1991. (Texto adaptado)

Leia com atenção os fragmentos que se seguem no que diz respeito ao acento indicativo de crase e à sua justificativa nos termos sublinhados.
I- "[ ... ] devem ter na maior conta e respeito as árvores, que são as heroínas e dão continuidade, substância e sentido a essa história." (§1) - A ausência de acento grave se justifica por se tratar de crase facultativa.
lI- "Se todos amam, desejam e dão graças à primavera, que é a mais bela página da história natural [ ... ]" (§1) - O acento indicativo de crase se justifica em razão de regência nominal.
IlI- "[ ... ] que tratasse especificamente dos crimes contra o mundo vegetal, das violências e agressões à árvore como agressões e violências indiretas à pessoa humana." (§2) - O uso do acento grave se justifica em virtude de uma situação de regência nominal.
IV- "Está claro também que não se chega à ingenuidade de colocar na árvore a solução de todas as crises ambientais no mundo de hoje." (§2) - O uso do acento grave se justifica por uma situação de regência verbal. 
Assinale â opção correta.
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Q2134926 Português
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Analise os termos sublinhados no período retirado do texto e marque a alternativa correta: Na “nova” praça construída, proibiam-se os encontros e as histórias seriam contadas e criadas sob o sol, por não haver bancos confortáveis para sentar-se à sombra e sem o Abrigo para parlamentar.
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Q2134925 Português
Marque a alternativa em que a concordância nominal está correta do ponto de vista da norma padrão.
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Q2134884 Português
Assinale a alternativa correta quanto ao uso da concordância nominal e verbal, do ponto de vista da norma padrão.
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Q2134883 Português
Assinale a alternativa em que se encontra a afirmação correta a respeito do seguinte período. "Aquela mulher era um desses espíritos insaciáveis que estão sempre a se propor questões, e se debruçam com uma curiosidade aflita sobre a natureza das coisas." (l. 21-22)
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Q2134882 Português
Classifique a função sintática de "satisfeito" na oração "...E ele na certa ficaria muito satisfeito..." (l. 55).
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Q2134878 Português
Marque a opção em que o verbo apresenta a mesma predicação do primeiro verbo do período: "...examinei com a maior atenção o objeto que ela me apresentava." (l. 4).
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Q2134818 Português
Leia o texto 1 para responder à questão.

Texto 1

Arte para quê: o papel da arte em nosso cotidiano

   Depois de constantes cortes no orçamento federal para fins de cultura nos últimos anos, desde museus sem dinheiro para manutenção e espetáculos sem ter como pagar funcionários, até livros de fotografia deixando de ser publicados, colocou-se em pauta uma questão polêmica: a arte é realmente importante em nossas vidas? Artistas decidiram protestar e reivindicar seus direitos, afirmando que há uma grande relevância da arte na vida das pessoas. Entretanto, na maioria dos casos, tais protestos são ignorados com a justificativa de que ela não é essencial.
     Quem defende essa ideia afirma que um país subdesenvolvido como o Brasil deve focar em produzir emprego e melhor qualidade de vida para sua população. Áreas de menor impacto direto nesses fatores, como a arte, não devem ser consideradas no orçamento, pois não são relevantes para todos.
   Esse discurso faz parecer que investimentos em arte e em outros programas sociais são equivalentes, mas a realidade é outra: orçamentos aprovados para cultura são irrisórios perto de programas como o Bolsa Família ou os voltados para a educação. Quem defende esse argumento demonstra um certo descaso geral pela arte no Brasil, e não só os governantes têm isso em mente. Segundo o pesquisador Sérgio Miguel Franco, doutor pelo Departamento de Sociologia da FFLCH-USP, nos dias atuais “há uma supervalorização econômica da arte no mercado, mas isso não necessariamente expressa uma valorização popular da arte.”
     A arte se valoriza a depender de seu contexto. Sérgio cita como exemplo a obra da dupla de grafiteiros “Os Gêmeos”, que começaram fazendo arte na rua e hoje têm obras hipervalorizadas no mercado. “Vale lembrar que a arte não é só valorização econômica, pois muitos artistas famosos nunca ganharam dinheiro com suas obras”, ele completa.
      O distanciamento entre o mercado da arte e a população não é de hoje, já que os museus e galerias não nasceram com intuito de levar arte ao povo, mas sim de concentrá-la em um só lugar. Hoje, como ainda há distanciamento entre o círculo artístico e a população, resta a pergunta: o que é considerado arte pelo público em geral? Sérgio responde: “A definição da arte relaciona-se sempre com seu contexto, de modo que cada contexto aprecia as artes de diferentes maneiras.”
        Sérgio destaca a rejeição atual da pichação, comparando com a que sofreram as artes plásticas modernistas. Ele afirma que, com o tempo, tais artes se tornaram muito mais aceitas em outros núcleos sociais, como é o caso da arquitetura moderna no bairro de Higienópolis, representante da elite econômica paulistana, que décadas atrás considerava o modernismo uma deformação da arte.
         Mesmo consumindo arte o tempo todo, muitos afirmam que a arte não está em suas vidas, talvez por ter uma ideia muito restrita do que ela representa. Além disso, há um movimento de valorização de estilos mais consolidados e antigos, enquanto os mais vanguardistas recebem duras críticas. Foi assim com o modernismo e é o que agora ocorre com o pós-modernismo.
         O público apreciador da arte, segundo Sérgio, é “variante de acordo com o meio em que está. O círculo artístico aprecia e considera uma arte que é diferente do resto da população. Mas quanto maior a recepção estética de uma obra, mais fácil é sua difusão por outros meios e maior a lucratividade para o artista”. A pichação, que hoje é valorizada na Europa, ainda não obteve apreço popular no Brasil, onde ela é feita. Muito por conta do contexto europeu, que aceita melhor do que nós artes de cunho político e de protesto. “Talvez no futuro essa arte seja mais valorizada em nosso país, pois de certa forma dialoga com o nosso tempo histórico”, completa.
          Discussões sobre a valorização econômica da arte se dão dentro dos círculos artísticos, longe de quem diz que “não entende nada do assunto”. Entretanto, as formas de arte mais acessíveis, como é o caso do cinema, se feitas de uma maneira a instigar o interesse por outros tipos de arte, podem atrair o público médio e fazê-lo buscar as artes consideradas “de museu”. Sérgio cita o filme sobre a vida de Van Gogh, Com Amor, Van Gogh (2017), que “é muito mais relevante e tem um público muito maior do que o da época em que ele produziu as suas obras, não conseguindo sequer um comprador fora da própria família.”
TOSCANO, Thomas. Disponível em: http://jornalismojunior.com.br/artepara-que-o-papel-da-arte-em-nosso-cotidiano/. Acesso em: 05 nov. 2022.
No primeiro parágrafo, o par de conectores desde / até auxiliam na construção da ideia de
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Q2134122 Português
Leia o Texto I, a seguir para responder a questão.

Texto I

A espiritualidade das pedras

Meu Deus, como ter um "eu" cansa! Os místicos têm razão. Não é necessário ser um "crente" para ver isso, basta ter algum senso de ridículo para ver o quão cansativo é satisfazer o "eu". E a modernidade é toda uma sinfonia (ou melhor, uma "diafonia", contrário da sinfonia) para este pequeno "eu" infantil.

Outro dia, contemplava pessoas num aeroporto embarcando para os EUA com malas vazias para poder comprar um monte de coisas lá. Que vergonha. É o tal do "eu" que faz isso. Ele precisa comprar, adquirir, sentir-se tendo vantagem em tudo. O "eu" sente um "frisson" num outlet baratinho em Miami. [...]

A filosofia inglesa tem uma expressão muito boa que é "wants", para se referir a nossas necessidades a serem satisfeitas. Poderíamos traduzir de modo livre por "quereres". O "eu" é um poço sem fundo de "wants". Isso me deprime um tanto.

Como dizia acima, a modernidade é toda feita para servir ao pequeno autoritário, o "eu": ele exige mais sucesso, mais autoestima, mais saúde, mais dinheiro, mais beleza, mais celulares, mais viagens, mais consumo, mais direitos, mais rapidez, mais eficiência, mais atenção, mais reconhecimento, mais equilíbrio, melhor alimentação, mais espiritualidade para que ele não se sinta um materialista grosseiro. [...]

Outra armadilha típica do mundinho do "eu" é a idolatria do desejo. A filosofia sempre problematizou o desejo como modo de escravidão, e isso nada tem a ver com a dita repressão cristã (que nem foi o cristianismo que inventou) do desejo. [...]

O "eu" falante inunda o mundo com seu ruído. O "eu" mais discreto tece um silêncio que desperta o interesse em conhecê-lo. Mas hoje vivemos num mundo da falação de si, como numa espécie de contínuo striptease da alma. O corpo nu é mais interessante do que a alma que se oferece. Por isso toda poesia sincera é ruim (Oscar Wilde). O "eu" deve agir como as mulheres quando fecham as pernas em sinal de pudor e vergonha.

A alta literatura espiritual, oriental ou ocidental, há muito compreende o ridículo do culto ao "eu". Uma leveza peculiar está presente em narrativas gregas (neoplatonismo), budistas (o "eu" como prisão) ou místicas (cristã, judaica ou islâmica).

Conceitos como "aniquilamento" (anéantissement, comum em textos franceses entre os séculos 14 e 17), "desprendimento" (abegescheidenheit, em alemão medieval) e "aphalé panta" (grego antigo) descrevem exatamente esse processo de superação da obsessão do "eu" por si mesmo.

A leveza nasce da sensação de que atender ao "eu" é uma prisão maior do que atender ao mundo, porque do "eu" nunca nos libertamos quando queremos servi-lo. Ele está em toda parte como um deus ressentido.

Por isso, um autor como Nikos Kazantzakis, em seu primoroso "Ascese", diz que apenas quando não queremos nada, quando não desejamos nada é que somos livres. Muito próximo dele, o filósofo epicurista André Comte-Sponville, no seu maior livro, "Tratado do Desespero e da Beatitude", defende o "des-espero" como superação de uma vida pautada por expectativas.

Entre as piores expectativas está a da vida eterna. Espero que ao final o descanso das pedras nos espere. Amém.

PONDÉ, Luiz Felipe. A espiritualidade das pedras. Folha de S. Paulo, São Paulo, 29 de julho de 2013. 
No sexto parágrafo, a palavra “mas” estabelece uma oposição que pode ser depreendida lexicalmente por meio do par
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Q2132156 Português
Ex-boxeador faz sucesso como designer de unhas
no ES: ‘Continuo na luta, agora de outro jeito’

Já faz alguns anos que Thomaz Edson trocou os ringues e a carreira como boxeador pelo salão de beleza.
Não foi um processo fácil: o capixaba, filho do vitorioso boxeador Touro Moreno e irmão dos medalhistas olímpicos Esquiva e Yamaguchi Falcão, precisou se afastar do esporte após uma séria lesão.
Em meio aos preparativos para competir nas Olímpiadas de 2012, em Londres, Thomaz estava participando do campeonato nacional de boxe, em São Paulo (SP), quando estourou o ligamento do ombro.
A lesão, ocorrida em 2010, o obrigou a “amarrar as luvas” e mudar os planos de vida.
Além dessa lesão, Thomaz sofreu outra contusão no mesmo local pouco depois, o que agravou o problema e tornou a recuperação do membro impossível. Assim, foi decretado o fim precoce da carreira como boxeador.
Pouco depois, ele passou a treinar o outro irmão, Yamaguchi Falcão, nos Estados Unidos, mas a rotina não prosperou.
Foi aí que Thomaz encontrou uma nova paixão transformada em profissão sem sequer precisar sair de casa. Ele descobriu que sua enteada, Julianna Alves, estava fazendo um curso de design de unhas, e também se interessou pelas aulas.
“Ela estava em um período de transição de maquiadora para designer de unhas. Enquanto ela estava aprendendo, eu acompanhei a evolução dela”, declarou o ex-pugilista. 
Aos poucos, ele foi tomando gosto pela nova profissão e resolveu apostar na nova carreira. Ao lado de Julianna, Thomaz foi se superando gradativamente e ganhando terreno nas redes sociais. 
Hoje, além do atendimento à clientela, ele faz sucesso na internet com fotos e vídeos criativos sobre sua rotina. Já as luvas dos tempos do boxe ainda são usadas, mas agora apenas por diversão. 

Incentivo contra o preconceito

Como era de se esperar, a nova fase de Thomaz veio cercada de preconceitos e velhos estereótipos que os profissionais da área de beleza precisam lidar todos os dias. 
Felizmente, entre uma crítica vazia e outra, ele recebe centenas de mensagens de apoio em resposta. E o melhor: hoje ganha muito mais do que na época em que era boxeador.
“Tem que ignorar as críticas. Só recebe críticas quem está fazendo algo. Hoje eu tenho parceria, apoio, dentro dessa profissão, que eu não tinha antes. Hoje eu recebo três vezes mais do que eu recebia no esporte. Minha família é totalmente orgulhosa de mim. Eu estou batalhando mesmo, procurando ser protagonista da minha caminhada. Continuo na luta, mas de outro jeito”, disse o designer de unhas. 

Disponível em: https://bityli.com/pMEkvR.
Acesso em: 18 abr. 2022 (adaptado).
Releia este trecho.
“[...] o capixaba, filho do vitorioso boxeador Touro Moreno e irmão dos medalhistas olímpicos Esquiva e Yamaguchi Falcão, precisou se afastar do esporte após uma séria lesão.”
O sujeito dessa oração é
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Q2131981 Português
Leia o título e o subtítulo de uma reportagem do jornal O Globo, de 2016. 
‘Vem, meteoro!’ é a expressão de 2016
Em ano que muitos gostariam de esquecer, pedido por fim (ou recomeço) do mundo ganha as redes e até os palcos
Disponível em: http://glo.bo/38Qauja.
Acesso em: 29 maio. 2022.
A palavra “meteoro”, nesse trecho, é
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Q2131974 Português

TEXTO I 


Um belo de um asteroide


Há mais de mil deles perto da Terra, esperando a hora de cair. Sim, os astrônomos estimam que existam mais ou menos 1.100 mil desses bólidos com 1 km de diâmetro passando rotineiramente pelas redondezas da Terra – todos com o potencial de causar uma catástrofe planetária. Astrônomos têm trabalhado duro para descobrir esses objetos – já foram encontrados cerca de 800. O Brasil também está engajado nessa busca, com um telescópio instalado em Pernambuco, cujo objetivo é justamente monitorar esses pedregulhos. E acompanhá-los é preciso, embora não muitos astrônomos façam esse esforço após a descoberta inicial.


“De todos os asteroides descobertos, 80% são perdidos logo em seguida”, afirma Daniela Lazzaro, pesquisadora do Observatório Nacional especializada em asteroides e líder do Projeto Impacto, que se dedica a descobri-los no céu. “Eles são monitorados por pouco tempo, uma órbita preliminar é calculada, vê-se que não vão se chocar com a Terra e depois eles são abandonados.” 


O problema é que o mundo dá voltas. Ou melhor, os mundos dão voltas. Enquanto giram ao redor do Sol, como são relativamente pequenos, os asteroides podem mudar de órbita e aí entrar em rota de colisão com a gente. Daniela trabalha na busca e na caracterização desses bólidos – para se certificar de que eles não vão mesmo trombar com a Terra. De toda forma, sempre há o risco de um objeto ser descoberto em cima da hora em rota de colisão – e não haver tempo para tomar alguma medida, como lançar uma bomba atômica que desvie a rota do objeto. 


Ser atingido por um asteroide, enfim, é um método testado e aprovado para o extermínio em massa, que o digam os dinossauros, extintos numa pancada com um pedregulho de 10 km de diâmetro 65 milhões de anos atrás. Se um episódio similar acontecesse hoje, seria o fim para nós também. O problema não é tanto o impacto em si, que é localizado, mas as consequências dele. Sobem trilhões de toneladas de poeira na atmosfera e a luz do Sol é bloqueada por meses. As plantas morrem. Sem o pasto, o que o boi vai comer? E, sem o gado, o que será das churrascarias rodízio? Você entendeu a ideia… A estimativa dos cientistas sobre a frequência de impactos realmente catastróficos varia bem – os intervalos podem ser largos (a cada 1 bilhão de anos) ou nem tanto (a cada 100 milhões de anos). Mas o que passa o recado de forma ainda mais clara vem lá de cima: vira e mexe, os astrônomos encontram um asteroide que passou ou passará raspando pela Terra. E é como no futebol. O sujeito chuta uma bola na trave, duas, três… Uma hora sai o gol.


Disponível em: https://bit.ly/3NJhmxu.

Acesso em: 29 maio. 2022 (adaptado).

Releia este trecho.


Se um episódio similar acontecesse hoje, seria o fim para nós também.” 


Devido à palavra destacada, a ideia prevalente nessa frase é de

Alternativas
Q2122136 Português

Julgue o item subsequente, relativo às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente.


No período “SE BEBER, NÃO DIRIJA!”, “BEBER” está empregado como verbo intransitivo, em cuja acepção está implícita a ideia de consumir bebida alcoólica.

Alternativas
Q2122123 Português
Texto 10A1-I

    A discussão sobre um gênero neutro na linguagem deriva do uso do gênero gramatical masculino para denotar homens e mulheres (Todos nessa sala de aula devem entregar o trabalho.) e do feminino específico (Clarice Lispector é incluída pela crítica especializada entre os principais autores brasileiros do século 20.).
     Na gramática, o uso do masculino genérico é visto como gênero não marcado, ou seja, usá-lo não dá a entender que todos os sujeitos sejam homens ou mulheres — ele é inespecífico. Por ser algo cotidiano, é difícil pensar nas implicações políticas de empregar o masculino genérico, mas o tema foi amplamente discutido por especialistas como uma forma de marcar a hierarquização de gêneros na sociedade, priorizando o homem e invisibilizando a mulher. O masculino genérico é chamado, inclusive, de falso neutro.
    Entretanto, essa abordagem não é unânime no campo da linguística. Para muitos estudiosos, a interpretação sexista do masculino genérico ignora as origens latinas da língua portuguesa.
     No latim havia três designações: feminina, masculina e neutra. As formas neutras de adjetivos e substantivos no latim acabaram absorvidas por palavras de gênero masculino. A única marcação de gênero no português é o feminino. O neutro estaria, portanto, junto ao masculino.
    O Brasil não é o único país onde a linguagem neutra é discutida. Alguns setores acadêmicos, instituições de ensino e ativistas estadunidenses já consideram usar pronome neutro para se referir a todos, em vez de recorrer à demarcação de gênero binário.
    Especialistas avaliam que a modificação gramatical em línguas latinas pode ser muito mais complexa e custosa do que no inglês ou no alemão, em que já está em uso o gênero neutro, porque as línguas anglo-saxônicas em si já oferecem essa opção.
     Segundo especialistas, esse tipo de inovação é mais fácil de ocorrer no inglês, em que, com exceção daquelas palavras herdadas do latim, como actor (ator) e actress (atriz), a flexão de gênero não altera os substantivos e adjetivos. No caso do português, essa transformação não depende apenas da alteração de um pronome, porque a flexão de gênero afeta todo o sintagma nominal. Assim, a flexão de gênero é demarcada pela vogal temática a ou o (como em pesquisadoras brasileiras) e(ou) por meio do artigo a ou o (como em a intérprete).
     Mesmo com os desafios morfológicos, linguistas afirmam que não é impossível pensar em proposições mais inclusivas, e que isso não necessariamente significa que haja uma tentativa de destruição do português. Segundo explicam esses especialistas, a história de uma língua sempre conta muito sobre a história de seus falantes, de modo que as coisas que falamos hoje em dia não brotaram da terra nem vieram prontas, mas dependem da nossa história como humanidade. Nesse sentido, as propostas já existentes seriam os primeiros passos nesse movimento, e não uma forma final a ser imposta a todos os falantes.  

 Internet: <https://tab.uol.com.br> (com adaptações).
No que se refere à concordância e à morfossintaxe de períodos simples e compostos no texto 10A1-I, julgue o item subsequente.

O primeiro período do quarto parágrafo é formado por uma oração sem sujeito, cujo verbo é transitivo direto. Caso se substituísse a forma verbal “havia” por existiam, a correção gramatical seria mantida e, nesse caso, a oração passaria a ser constituída por verbo intransitivo seguido do sujeito da oração.
Alternativas
Q2122120 Português
Texto 10A1-I

    A discussão sobre um gênero neutro na linguagem deriva do uso do gênero gramatical masculino para denotar homens e mulheres (Todos nessa sala de aula devem entregar o trabalho.) e do feminino específico (Clarice Lispector é incluída pela crítica especializada entre os principais autores brasileiros do século 20.).
     Na gramática, o uso do masculino genérico é visto como gênero não marcado, ou seja, usá-lo não dá a entender que todos os sujeitos sejam homens ou mulheres — ele é inespecífico. Por ser algo cotidiano, é difícil pensar nas implicações políticas de empregar o masculino genérico, mas o tema foi amplamente discutido por especialistas como uma forma de marcar a hierarquização de gêneros na sociedade, priorizando o homem e invisibilizando a mulher. O masculino genérico é chamado, inclusive, de falso neutro.
    Entretanto, essa abordagem não é unânime no campo da linguística. Para muitos estudiosos, a interpretação sexista do masculino genérico ignora as origens latinas da língua portuguesa.
     No latim havia três designações: feminina, masculina e neutra. As formas neutras de adjetivos e substantivos no latim acabaram absorvidas por palavras de gênero masculino. A única marcação de gênero no português é o feminino. O neutro estaria, portanto, junto ao masculino.
    O Brasil não é o único país onde a linguagem neutra é discutida. Alguns setores acadêmicos, instituições de ensino e ativistas estadunidenses já consideram usar pronome neutro para se referir a todos, em vez de recorrer à demarcação de gênero binário.
    Especialistas avaliam que a modificação gramatical em línguas latinas pode ser muito mais complexa e custosa do que no inglês ou no alemão, em que já está em uso o gênero neutro, porque as línguas anglo-saxônicas em si já oferecem essa opção.
     Segundo especialistas, esse tipo de inovação é mais fácil de ocorrer no inglês, em que, com exceção daquelas palavras herdadas do latim, como actor (ator) e actress (atriz), a flexão de gênero não altera os substantivos e adjetivos. No caso do português, essa transformação não depende apenas da alteração de um pronome, porque a flexão de gênero afeta todo o sintagma nominal. Assim, a flexão de gênero é demarcada pela vogal temática a ou o (como em pesquisadoras brasileiras) e(ou) por meio do artigo a ou o (como em a intérprete).
     Mesmo com os desafios morfológicos, linguistas afirmam que não é impossível pensar em proposições mais inclusivas, e que isso não necessariamente significa que haja uma tentativa de destruição do português. Segundo explicam esses especialistas, a história de uma língua sempre conta muito sobre a história de seus falantes, de modo que as coisas que falamos hoje em dia não brotaram da terra nem vieram prontas, mas dependem da nossa história como humanidade. Nesse sentido, as propostas já existentes seriam os primeiros passos nesse movimento, e não uma forma final a ser imposta a todos os falantes.  

 Internet: <https://tab.uol.com.br> (com adaptações).
No que se refere à concordância e à morfossintaxe de períodos simples e compostos no texto 10A1-I, julgue o item subsequente.
No trecho “a interpretação sexista do masculino genérico” (segundo período do terceiro parágrafo), os vocábulos “a” e “sexista” classificam-se, sintaticamente, como adjuntos adnominais do termo “interpretação”, e a expressão “do masculino genérico” classifica-se como complemento nominal desse mesmo termo.
Alternativas
Q2122119 Português
Texto 10A1-I

    A discussão sobre um gênero neutro na linguagem deriva do uso do gênero gramatical masculino para denotar homens e mulheres (Todos nessa sala de aula devem entregar o trabalho.) e do feminino específico (Clarice Lispector é incluída pela crítica especializada entre os principais autores brasileiros do século 20.).
     Na gramática, o uso do masculino genérico é visto como gênero não marcado, ou seja, usá-lo não dá a entender que todos os sujeitos sejam homens ou mulheres — ele é inespecífico. Por ser algo cotidiano, é difícil pensar nas implicações políticas de empregar o masculino genérico, mas o tema foi amplamente discutido por especialistas como uma forma de marcar a hierarquização de gêneros na sociedade, priorizando o homem e invisibilizando a mulher. O masculino genérico é chamado, inclusive, de falso neutro.
    Entretanto, essa abordagem não é unânime no campo da linguística. Para muitos estudiosos, a interpretação sexista do masculino genérico ignora as origens latinas da língua portuguesa.
     No latim havia três designações: feminina, masculina e neutra. As formas neutras de adjetivos e substantivos no latim acabaram absorvidas por palavras de gênero masculino. A única marcação de gênero no português é o feminino. O neutro estaria, portanto, junto ao masculino.
    O Brasil não é o único país onde a linguagem neutra é discutida. Alguns setores acadêmicos, instituições de ensino e ativistas estadunidenses já consideram usar pronome neutro para se referir a todos, em vez de recorrer à demarcação de gênero binário.
    Especialistas avaliam que a modificação gramatical em línguas latinas pode ser muito mais complexa e custosa do que no inglês ou no alemão, em que já está em uso o gênero neutro, porque as línguas anglo-saxônicas em si já oferecem essa opção.
     Segundo especialistas, esse tipo de inovação é mais fácil de ocorrer no inglês, em que, com exceção daquelas palavras herdadas do latim, como actor (ator) e actress (atriz), a flexão de gênero não altera os substantivos e adjetivos. No caso do português, essa transformação não depende apenas da alteração de um pronome, porque a flexão de gênero afeta todo o sintagma nominal. Assim, a flexão de gênero é demarcada pela vogal temática a ou o (como em pesquisadoras brasileiras) e(ou) por meio do artigo a ou o (como em a intérprete).
     Mesmo com os desafios morfológicos, linguistas afirmam que não é impossível pensar em proposições mais inclusivas, e que isso não necessariamente significa que haja uma tentativa de destruição do português. Segundo explicam esses especialistas, a história de uma língua sempre conta muito sobre a história de seus falantes, de modo que as coisas que falamos hoje em dia não brotaram da terra nem vieram prontas, mas dependem da nossa história como humanidade. Nesse sentido, as propostas já existentes seriam os primeiros passos nesse movimento, e não uma forma final a ser imposta a todos os falantes.  

 Internet: <https://tab.uol.com.br> (com adaptações).
No que se refere à concordância e à morfossintaxe de períodos simples e compostos no texto 10A1-I, julgue o item subsequente.
As orações presentes no trecho “priorizando o homem e invisibilizando a mulher” (segundo período do segundo parágrafo) são classificadas como subordinadas adjetivas explicativas reduzidas de gerúndio, e, em sua forma desenvolvida, poderiam ser reescritas, mantendo-se a correção gramatical, da seguinte forma: que priorizam o homem e invisibilizam a mulher. 
Alternativas
Q2122118 Português
Texto 10A1-I

    A discussão sobre um gênero neutro na linguagem deriva do uso do gênero gramatical masculino para denotar homens e mulheres (Todos nessa sala de aula devem entregar o trabalho.) e do feminino específico (Clarice Lispector é incluída pela crítica especializada entre os principais autores brasileiros do século 20.).
     Na gramática, o uso do masculino genérico é visto como gênero não marcado, ou seja, usá-lo não dá a entender que todos os sujeitos sejam homens ou mulheres — ele é inespecífico. Por ser algo cotidiano, é difícil pensar nas implicações políticas de empregar o masculino genérico, mas o tema foi amplamente discutido por especialistas como uma forma de marcar a hierarquização de gêneros na sociedade, priorizando o homem e invisibilizando a mulher. O masculino genérico é chamado, inclusive, de falso neutro.
    Entretanto, essa abordagem não é unânime no campo da linguística. Para muitos estudiosos, a interpretação sexista do masculino genérico ignora as origens latinas da língua portuguesa.
     No latim havia três designações: feminina, masculina e neutra. As formas neutras de adjetivos e substantivos no latim acabaram absorvidas por palavras de gênero masculino. A única marcação de gênero no português é o feminino. O neutro estaria, portanto, junto ao masculino.
    O Brasil não é o único país onde a linguagem neutra é discutida. Alguns setores acadêmicos, instituições de ensino e ativistas estadunidenses já consideram usar pronome neutro para se referir a todos, em vez de recorrer à demarcação de gênero binário.
    Especialistas avaliam que a modificação gramatical em línguas latinas pode ser muito mais complexa e custosa do que no inglês ou no alemão, em que já está em uso o gênero neutro, porque as línguas anglo-saxônicas em si já oferecem essa opção.
     Segundo especialistas, esse tipo de inovação é mais fácil de ocorrer no inglês, em que, com exceção daquelas palavras herdadas do latim, como actor (ator) e actress (atriz), a flexão de gênero não altera os substantivos e adjetivos. No caso do português, essa transformação não depende apenas da alteração de um pronome, porque a flexão de gênero afeta todo o sintagma nominal. Assim, a flexão de gênero é demarcada pela vogal temática a ou o (como em pesquisadoras brasileiras) e(ou) por meio do artigo a ou o (como em a intérprete).
     Mesmo com os desafios morfológicos, linguistas afirmam que não é impossível pensar em proposições mais inclusivas, e que isso não necessariamente significa que haja uma tentativa de destruição do português. Segundo explicam esses especialistas, a história de uma língua sempre conta muito sobre a história de seus falantes, de modo que as coisas que falamos hoje em dia não brotaram da terra nem vieram prontas, mas dependem da nossa história como humanidade. Nesse sentido, as propostas já existentes seriam os primeiros passos nesse movimento, e não uma forma final a ser imposta a todos os falantes.  

 Internet: <https://tab.uol.com.br> (com adaptações).
No que se refere à concordância e à morfossintaxe de períodos simples e compostos no texto 10A1-I, julgue o item subsequente.
Em “é difícil pensar nas implicações políticas de empregar o masculino genérico” (segundo período do segundo parágrafo), o trecho “pensar nas implicações políticas de empregar o masculino genérico” exerce a função sintática de sujeito da oração principal “é difícil”.
Alternativas
Q2122108 Português
Texto 10A1-I

    A discussão sobre um gênero neutro na linguagem deriva do uso do gênero gramatical masculino para denotar homens e mulheres (Todos nessa sala de aula devem entregar o trabalho.) e do feminino específico (Clarice Lispector é incluída pela crítica especializada entre os principais autores brasileiros do século 20.).
     Na gramática, o uso do masculino genérico é visto como gênero não marcado, ou seja, usá-lo não dá a entender que todos os sujeitos sejam homens ou mulheres — ele é inespecífico. Por ser algo cotidiano, é difícil pensar nas implicações políticas de empregar o masculino genérico, mas o tema foi amplamente discutido por especialistas como uma forma de marcar a hierarquização de gêneros na sociedade, priorizando o homem e invisibilizando a mulher. O masculino genérico é chamado, inclusive, de falso neutro.
    Entretanto, essa abordagem não é unânime no campo da linguística. Para muitos estudiosos, a interpretação sexista do masculino genérico ignora as origens latinas da língua portuguesa.
     No latim havia três designações: feminina, masculina e neutra. As formas neutras de adjetivos e substantivos no latim acabaram absorvidas por palavras de gênero masculino. A única marcação de gênero no português é o feminino. O neutro estaria, portanto, junto ao masculino.
    O Brasil não é o único país onde a linguagem neutra é discutida. Alguns setores acadêmicos, instituições de ensino e ativistas estadunidenses já consideram usar pronome neutro para se referir a todos, em vez de recorrer à demarcação de gênero binário.
    Especialistas avaliam que a modificação gramatical em línguas latinas pode ser muito mais complexa e custosa do que no inglês ou no alemão, em que já está em uso o gênero neutro, porque as línguas anglo-saxônicas em si já oferecem essa opção.
     Segundo especialistas, esse tipo de inovação é mais fácil de ocorrer no inglês, em que, com exceção daquelas palavras herdadas do latim, como actor (ator) e actress (atriz), a flexão de gênero não altera os substantivos e adjetivos. No caso do português, essa transformação não depende apenas da alteração de um pronome, porque a flexão de gênero afeta todo o sintagma nominal. Assim, a flexão de gênero é demarcada pela vogal temática a ou o (como em pesquisadoras brasileiras) e(ou) por meio do artigo a ou o (como em a intérprete).
     Mesmo com os desafios morfológicos, linguistas afirmam que não é impossível pensar em proposições mais inclusivas, e que isso não necessariamente significa que haja uma tentativa de destruição do português. Segundo explicam esses especialistas, a história de uma língua sempre conta muito sobre a história de seus falantes, de modo que as coisas que falamos hoje em dia não brotaram da terra nem vieram prontas, mas dependem da nossa história como humanidade. Nesse sentido, as propostas já existentes seriam os primeiros passos nesse movimento, e não uma forma final a ser imposta a todos os falantes.  

 Internet: <https://tab.uol.com.br> (com adaptações).

Acerca de aspectos linguísticos do texto 10A1-I, julgue o item que se segue.


Dadas as possibilidades de interpretação e de regência do verbo “pensar” (segundo período do segundo parágrafo), a coerência e a correção gramatical do texto seriam mantidas caso se retirasse a preposição em da contração “nas”, deixando-se, portanto, só o artigo definido feminino plural nesse caso.  


Alternativas
Q2120920 Português
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.

A inspeção sanitária se tornou fundamental em todas as ações relacionadas aos serviços de saúde por permitir a possibilidade de inferir a realidade in loco, identificar fontes potenciais de danos à saúde, com informações dos sistemas de monitoramento, numa estratégia de proteção ao cidadão. Entretanto, necessita-se requalificar essa tecnologia, com a modificação e melhoria de seus instrumentos, que atualmente são as normas e os roteiros de inspeção (LEITE apud SILVA, 2014)a . Os serviços de saúde vem agregando tecnologias mais recentes lançadas no mercado de saúde, acentuando a probabilidade de erros, exigindo da Vigilância Sanitária a “esperteza” necessária para o controle dos produtos, processos e serviços assistenciais realizados no seu ambiente (COSTA, 2014). A utilização de roteiros se trata de apenas uma recomendação do Manual de Procedimentos Técnicos em Vigilância Sanitária, portanto, a não obrigatoriedade do seu uso e a falta de roteiros que contemplem todas as atividades inspecionadas, não favorecem a padronização das ações (PEDREIRA; LIMA; BASTOS, 2005).

[...]

Disponível em: https://bityli.com/KtbymHMF.
Acesso em: 16 out. 2022 (adaptado).
Releia o trecho a seguir.
“Os serviços de saúde vem agregando tecnologias mais recentes lançadas no mercado de saúde [...].”
O erro presente nesse trecho é do âmbito da
Alternativas
Respostas
20441: A
20442: C
20443: D
20444: A
20445: B
20446: D
20447: C
20448: A
20449: D
20450: B
20451: A
20452: A
20453: A
20454: C
20455: C
20456: C
20457: E
20458: C
20459: C
20460: A