Questões de Concurso
Sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português
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A crise global tem seu papel nesse movimento – sem dinheiro, jovens deixam para depois o casamento, os filhos e o financiamento da casa própria. Em vez disso, alugam apartamento perto do trabalho, das compras e da diversão. Substituem a propriedade por serviços ou trocas. É uma geração que investe em si mesma. "O automóvel passou a ser identificado como um produto antigo – afinal seus pais e avós já tinham carro na garagem", diz Adriana Mariotti, professora da Faculdade de Economia e Administração da USP, pesquisadora de novas tecnologias da indústria automotiva. "Além disso, não tem o mesmo apelo tecnológico de smartphones e tablets e é considerado o vilão em questões ambientais."
Enquanto as economias avançadas veem o declínio da posse de bens materiais, em mercados emergentes, como o brasileiro, jovens que ascenderam à classe média entram no mercado de consumo e, pela primeira vez, podem comprar bens mais caros. O resultado é que, em outubro de 2012, o Brasil superou o Japão como o 3o mercado automobilístico do mundo, atrás de China e EUA.
(Adaptado de: Alexandre Versignasi, Maurício Horta, Rafael Quick e Davi Augusto. Superinteressante, dezembro de 2012, p. 66-68)
Texto I
Transporte integrado. A expressão transporte integrado aplica-se primeiramente ao transporte público. Envolve uma coordenação complexa, que liga os serviços de ônibus, trens, metrôs e trólebus, no intuito de estabelecer uma rede de transportes. Os trajetos e os horários precisam ser coordenados e o sistema de cobrança tarifária deve ser unificado. O intercâmbio satisfatório é essencial, de modo a permitir que os usuários façam as baldeações de maneira rápida e eficiente nas estações e paradas através da malha viária urbana. Os sistemas de transporte integrado oferecem solução para os graves problemas de deslocamento das massas humanas nas grandes cidades, minimizando os impactos representados pela poluição, pelo congestionamento e pelos acidentes de trânsito.
(Transcrito da Nova Enciclopédia Ilustrada Folha, Empresa Folha da Manhã S.A., v. 2, p. 956-957, 1996)
Texto II
O metrô é um meio de transporte de imensa importância por permitir rápida mobilidade a um grande número de usuários.
Seu caráter público eleva a sua seriedade e torna essencial que sua manutenção e serviço sejam realizados com prioridade.
Em São Paulo o metrô é responsabilidade do governo estadual, de quem devem ser cobrados suas tarifas e funcionamento. Sua operação se dá por meio da Companhia do Metropolitano de São Paulo. Apenas a Linha 4 (a amarela) é gerida por uma empresa privada, a Via Quatro, sob supervisão do governo estadual.
Por tratar-se de um transporte público, em que devem prevalecer os preceitos do coletivismo e do bem estar geral, há certas regras no uso do metrô, como a que recomenda ao usuário manter-se afastado das portas para facilitar embarque e desembarque, além de evitar acidentes.
(Adaptado de: www.guiadedireitos.org/index.php?option=com_ content&view=article&id=1277&Itemi...)
Texto I
Transporte integrado. A expressão transporte integrado aplica-se primeiramente ao transporte público. Envolve uma coordenação complexa, que liga os serviços de ônibus, trens, metrôs e trólebus, no intuito de estabelecer uma rede de transportes. Os trajetos e os horários precisam ser coordenados e o sistema de cobrança tarifária deve ser unificado. O intercâmbio satisfatório é essencial, de modo a permitir que os usuários façam as baldeações de maneira rápida e eficiente nas estações e paradas através da malha viária urbana. Os sistemas de transporte integrado oferecem solução para os graves problemas de deslocamento das massas humanas nas grandes cidades, minimizando os impactos representados pela poluição, pelo congestionamento e pelos acidentes de trânsito.
(Transcrito da Nova Enciclopédia Ilustrada Folha, Empresa Folha da Manhã S.A., v. 2, p. 956-957, 1996)
Texto II
O metrô é um meio de transporte de imensa importância por permitir rápida mobilidade a um grande número de usuários.
Seu caráter público eleva a sua seriedade e torna essencial que sua manutenção e serviço sejam realizados com prioridade.
Em São Paulo o metrô é responsabilidade do governo estadual, de quem devem ser cobrados suas tarifas e funcionamento. Sua operação se dá por meio da Companhia do Metropolitano de São Paulo. Apenas a Linha 4 (a amarela) é gerida por uma empresa privada, a Via Quatro, sob supervisão do governo estadual.
Por tratar-se de um transporte público, em que devem prevalecer os preceitos do coletivismo e do bem estar geral, há certas regras no uso do metrô, como a que recomenda ao usuário manter-se afastado das portas para facilitar embarque e desembarque, além de evitar acidentes.
(Adaptado de: www.guiadedireitos.org/index.php?option=com_ content&view=article&id=1277&Itemi...)
Também parece claro que os pedestres devem ter uma área específica para atravessar (as faixas), que os veículos precisam ter cintos de segurança e as vias tenham de ser sinalizadas.
Mas o trânsito que vemos hoje é justamente o resultado de avanços de uma legislação que chegou aos 100 anos.
A primeira legislação nacional de trânsito foi assinada em 1910, pelo então presidente Nilo Peçanha, e tinha o objetivo de traçar regras para o transporte de passageiros e de cargas.
Tudo isso em uma época em que os carros particulares eram raridade, assim como as ruas e avenidas. Por isso, um dos artigos previa justamente formas de concessão das vias para a iniciativa privada e como elas deveriam ser construídas.
Em 1928, uma nova legislação buscou colocar ordem no trânsito. Nessa época foi determinado o lado de circulação dos veículos e exigiu-se a instalação de placas com números para identificá-los – e as ruas ganharam sinalização.
Depois disso, houve quatro códigos de trânsito, o atual datado de 1997. A cada novo código, surgia a obrigação de novos equipamentos de segurança, como espelhos retrovisores e indicadores de direção (setas). No código de 1966 já estavam presentes o cinto de segurança e as faixas de pedestres. Até hoje, as autoridades lutam para que pedestres sejam respeitados nessas faixas.
(Adaptado de: Renato Machado. O Estado de S. Paulo, Cidades/Metrópole, C7, 20 de junho de 2010)
Também parece claro que os pedestres devem ter uma área específica para atravessar (as faixas), que os veículos precisam ter cintos de segurança e as vias tenham de ser sinalizadas.
Mas o trânsito que vemos hoje é justamente o resultado de avanços de uma legislação que chegou aos 100 anos.
A primeira legislação nacional de trânsito foi assinada em 1910, pelo então presidente Nilo Peçanha, e tinha o objetivo de traçar regras para o transporte de passageiros e de cargas.
Tudo isso em uma época em que os carros particulares eram raridade, assim como as ruas e avenidas. Por isso, um dos artigos previa justamente formas de concessão das vias para a iniciativa privada e como elas deveriam ser construídas.
Em 1928, uma nova legislação buscou colocar ordem no trânsito. Nessa época foi determinado o lado de circulação dos veículos e exigiu-se a instalação de placas com números para identificá-los – e as ruas ganharam sinalização.
Depois disso, houve quatro códigos de trânsito, o atual datado de 1997. A cada novo código, surgia a obrigação de novos equipamentos de segurança, como espelhos retrovisores e indicadores de direção (setas). No código de 1966 já estavam presentes o cinto de segurança e as faixas de pedestres. Até hoje, as autoridades lutam para que pedestres sejam respeitados nessas faixas.
(Adaptado de: Renato Machado. O Estado de S. Paulo, Cidades/Metrópole, C7, 20 de junho de 2010)
O consumo de proteína tem crescido rapidamente nos grandes países em desenvolvimento, principalmente na Índia e na China, mas, segundo o zoólogo escocês Hugh Grant, será possível suprir essa demanda. Ele diz que isso dependerá da redução do desperdício e também da modernização da agricultura nos países mais atrasados. Dependerá também dos avanços na biotecnologia, em duas frentes. A primeira é o melhoramento genético convencional por meio de cruzamentos das espécies existentes e da seleção de sementes mais produtivas.
A segunda é o desenvolvimento de sementes transgênicas, com variedades com mais nutrientes ou mais resistentes às secas, de modo a manter afastados das lavouras os predadores e as ervas daninhas.
(Adaptado de: Giuliano Guandalini. Veja, 21 de dezembro de 2011, p. 170-171)
A semelhança, apontada na frase acima, entre a chamada revolução verde e a nova revolução, está
O consumo de proteína tem crescido rapidamente nos grandes países em desenvolvimento, principalmente na Índia e na China, mas, segundo o zoólogo escocês Hugh Grant, será possível suprir essa demanda. Ele diz que isso dependerá da redução do desperdício e também da modernização da agricultura nos países mais atrasados. Dependerá também dos avanços na biotecnologia, em duas frentes. A primeira é o melhoramento genético convencional por meio de cruzamentos das espécies existentes e da seleção de sementes mais produtivas.
A segunda é o desenvolvimento de sementes transgênicas, com variedades com mais nutrientes ou mais resistentes às secas, de modo a manter afastados das lavouras os predadores e as ervas daninhas.
(Adaptado de: Giuliano Guandalini. Veja, 21 de dezembro de 2011, p. 170-171)
O consumo de proteína tem crescido rapidamente nos grandes países em desenvolvimento, principalmente na Índia e na China, mas, segundo o zoólogo escocês Hugh Grant, será possível suprir essa demanda. Ele diz que isso dependerá da redução do desperdício e também da modernização da agricultura nos países mais atrasados. Dependerá também dos avanços na biotecnologia, em duas frentes. A primeira é o melhoramento genético convencional por meio de cruzamentos das espécies existentes e da seleção de sementes mais produtivas.
A segunda é o desenvolvimento de sementes transgênicas, com variedades com mais nutrientes ou mais resistentes às secas, de modo a manter afastados das lavouras os predadores e as ervas daninhas.
(Adaptado de: Giuliano Guandalini. Veja, 21 de dezembro de 2011, p. 170-171)
O consumo de proteína tem crescido rapidamente nos grandes países em desenvolvimento, principalmente na Índia e na China, mas, segundo o zoólogo escocês Hugh Grant, será possível suprir essa demanda. Ele diz que isso dependerá da redução do desperdício e também da modernização da agricultura nos países mais atrasados. Dependerá também dos avanços na biotecnologia, em duas frentes. A primeira é o melhoramento genético convencional por meio de cruzamentos das espécies existentes e da seleção de sementes mais produtivas.
A segunda é o desenvolvimento de sementes transgênicas, com variedades com mais nutrientes ou mais resistentes às secas, de modo a manter afastados das lavouras os predadores e as ervas daninhas.
(Adaptado de: Giuliano Guandalini. Veja, 21 de dezembro de 2011, p. 170-171)
Os monstros fazem parte de todas as mitologias. Os havaianos acreditam em um homem com uma boca de tubarão nas costas. Os aborígines falam de uma criatura com corpo humano, cabeça de cobra e tentáculos de polvo. Entre os gregos, há relatos de gigantes canibais de um olho, do Minotauro, de uma serpente que usa cabeças de cachorros famintos como um cinto.
Não importam as diferenças de tamanho e forma. Os monstros têm uma característica em comum: eles comem pessoas. Expressam nossos medos de sermos destruídos, dilacerados, mastigados, engolidos e defecados. O destino humilhante daqueles que são comidos é expresso em um mito africano a respeito de uma ave gigante que engole um homem e, no dia seguinte, o expele. Além de significar a morte, este tipo de destino final nos diminui, nos tira qualquer ilusão de superioridade em relação aos outros animais.
Para os homens de milhões de anos atrás esta era uma realidade. Familiares, filhos, amigos eram desmembrados e devorados. Passamos muito tempo da nossa história mais como caça do que caçador. Tanto que até hoje estamos fisiologicamente programados para reagir a situações de estresse da mesma forma com que lidávamos com animais maiores – e famintos.
O arquétipo do monstro, tão recorrente em nossa história cultural, expressa e intensifica nosso medo ancestral dos predadores. A partir do momento em que criamos estes seres e os projetamos no reino da mitologia, nos tornamos capazes de lidar melhor com nossos medos. Em sua evolução no plano cultural, os monstros passaram a explicar a origem de outros elementos que nos assustam e colocam nossas vidas em risco, em especial fenômenos naturais como vulcões, furacões e tsunamis.
Mais que isso, esses seres fictícios nos permitiram lidar com a mudança de nossa situação neste planeta. Conforme nos tornamos predadores, passamos a incorporar os monstros como forma de autoafirmação. E, diante do imenso impacto que provocamos nos ecossistemas que tocamos, também de autocrítica. De certa forma, nos tornamos os monstros que temíamos. Isso provoca uma sensação dupla de poder e culpa.
Começamos com os dragões, os primeiros arquétipos de monstros que criamos, e chegamos ao Tubarão, de Steven Spielberg, e ao Alien, de Ridley Scott. Nessas tramas, o ser maligno precisa ser destruído no final, mesmo que para voltar de forma milagrosa no volume seguinte da franquia.
Precisamos dos monstros. Eles nos ajudam há milênios a manter nossa sanidade mental. É por isso que os mitos foram repetidos através dos séculos, alimentaram enredos literários e agora enchem salas de cinema. Não temos motivo nenhum para abrir mão deles.
(Paul A. Trout. Revista Galileu. Março de 2012, nº 248 I. Editora Globo.)
Os monstros fazem parte de todas as mitologias. Os havaianos acreditam em um homem com uma boca de tubarão nas costas. Os aborígines falam de uma criatura com corpo humano, cabeça de cobra e tentáculos de polvo. Entre os gregos, há relatos de gigantes canibais de um olho, do Minotauro, de uma serpente que usa cabeças de cachorros famintos como um cinto.
Não importam as diferenças de tamanho e forma. Os monstros têm uma característica em comum: eles comem pessoas. Expressam nossos medos de sermos destruídos, dilacerados, mastigados, engolidos e defecados. O destino humilhante daqueles que são comidos é expresso em um mito africano a respeito de uma ave gigante que engole um homem e, no dia seguinte, o expele. Além de significar a morte, este tipo de destino final nos diminui, nos tira qualquer ilusão de superioridade em relação aos outros animais.
Para os homens de milhões de anos atrás esta era uma realidade. Familiares, filhos, amigos eram desmembrados e devorados. Passamos muito tempo da nossa história mais como caça do que caçador. Tanto que até hoje estamos fisiologicamente programados para reagir a situações de estresse da mesma forma com que lidávamos com animais maiores – e famintos.
O arquétipo do monstro, tão recorrente em nossa história cultural, expressa e intensifica nosso medo ancestral dos predadores. A partir do momento em que criamos estes seres e os projetamos no reino da mitologia, nos tornamos capazes de lidar melhor com nossos medos. Em sua evolução no plano cultural, os monstros passaram a explicar a origem de outros elementos que nos assustam e colocam nossas vidas em risco, em especial fenômenos naturais como vulcões, furacões e tsunamis.
Mais que isso, esses seres fictícios nos permitiram lidar com a mudança de nossa situação neste planeta. Conforme nos tornamos predadores, passamos a incorporar os monstros como forma de autoafirmação. E, diante do imenso impacto que provocamos nos ecossistemas que tocamos, também de autocrítica. De certa forma, nos tornamos os monstros que temíamos. Isso provoca uma sensação dupla de poder e culpa.
Começamos com os dragões, os primeiros arquétipos de monstros que criamos, e chegamos ao Tubarão, de Steven Spielberg, e ao Alien, de Ridley Scott. Nessas tramas, o ser maligno precisa ser destruído no final, mesmo que para voltar de forma milagrosa no volume seguinte da franquia.
Precisamos dos monstros. Eles nos ajudam há milênios a manter nossa sanidade mental. É por isso que os mitos foram repetidos através dos séculos, alimentaram enredos literários e agora enchem salas de cinema. Não temos motivo nenhum para abrir mão deles.
(Paul A. Trout. Revista Galileu. Março de 2012, nº 248 I. Editora Globo.)
( )Projetamos nos monstros nossa mais atávica vontade de sermos poderosos.
( )Precisamos dos monstros para nos mantermos psicologicamente sãos e equilibrados.
( )Explicamos, através da existência dos monstros, as angústias e os medos que sentimos.
( )Precisamos dos monstros para elaborarmos de forma equilibrada os nossos medos. ( )Precisamos dos monstros para refletirmos sobre nossa postura no planeta que vivemos.
A sequência está correta em
Para atingir sua expressão fontana Miró precisava de esquecer os traços e as doutrinas que aprendera nos livros. Desejava atingir a pureza de não saber mais nada. Fazia um ritual para atingir essa pureza: ia ao fundo do quintal à busca de uma árvore.
E ali, ao pé da árvore, enterrava de vez tudo aquilo que havia aprendido nos livros. Depois depositava sobre o enterro uma nobre mijada florestal. Sobre o enterro nasciam borboletas, restos de insetos, cascas de cigarra etc. A partir dos restos Miró iniciava a sua engenharia de cores. Muitas vezes chegava a iluminuras a partir de um dejeto de mosca deixado na tela.
Sua expressão fontana se iniciava naquela mancha escura.
O escuro o iluminava.
(Manoel de Barros. Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010, p. 385)
No poema, o sentido de “expressão fontana” equivale, em linhas gerais,
“The Age of Insight" é um livro impressionante. Eric Kandel é um neurocientista de primeira. Já fora agraciado com o Prêmio Nobel de Medicina em 2000 por seus trabalhos sobre a fisiologia da memória. Mas, em vez de escrever sobre axônios e dendritos, preferiu debruçar-se sobre a arte, mais especificamente sobre o modernismo vienense, e o resultado é uma obra de fôlego, tanto do ponto de vista da estética como da ciência.
Kandel, ele próprio um vienense expatriado, fala com propriedade do ambiente cultural que reinava na capital austríaca na virada do século 20. Uma das teses do autor é a de que, assim como a física de Newton inspirou o iluminismo, a biologia de Darwin está na base do modernismo.
Kandel destrincha escritos de Sigmund Freud e Arthur Schnitzler e as pinturas de Gustav Klimt, Oskar Kokoschka e Egon Schiele, para mostrar como as ideias inicialmente surgidas na Escola Médica de Viena acabaram engendrando um movimento artístico cujas influências perduram até hoje - e não apenas na arte.
Freud e Schnitzler beberam dessa biologia médica para forjar as noções de inconsciente e sexualidade em seus contornos modernos. Klimt, Kokoschka e Schiele deram tradução pictórica a esses conceitos. Mas Kandel não se limita a contar essa história. Ele também escarafuncha nossos cérebros para revelar os mecanismos neuronais da visão e da percepção que esses pintores exploraram tão bem, ainda que não tivessem tanta clareza sobre seu funcionamento.
E que não temam os puristas. As análises de Kandel, apesar de recheadas de boa ciência, lembram mais escritos de grandes historiadores da arte como Gombrich e Panofsky do que as anódinas descrições técnicas dos periódicos científicos. Kandel consegue com felicidade juntar arte, história e ciência numa obra. É um daqueles raros livros que mostram que ciências e humanidades são perfeitamente conciliáveis.
(Hélio Schwartsman. Folha de S.Paulo, 06.10.2013)
“The Age of Insight" é um livro impressionante. Eric Kandel é um neurocientista de primeira. Já fora agraciado com o Prêmio Nobel de Medicina em 2000 por seus trabalhos sobre a fisiologia da memória. Mas, em vez de escrever sobre axônios e dendritos, preferiu debruçar-se sobre a arte, mais especificamente sobre o modernismo vienense, e o resultado é uma obra de fôlego, tanto do ponto de vista da estética como da ciência.
Kandel, ele próprio um vienense expatriado, fala com propriedade do ambiente cultural que reinava na capital austríaca na virada do século 20. Uma das teses do autor é a de que, assim como a física de Newton inspirou o iluminismo, a biologia de Darwin está na base do modernismo.
Kandel destrincha escritos de Sigmund Freud e Arthur Schnitzler e as pinturas de Gustav Klimt, Oskar Kokoschka e Egon Schiele, para mostrar como as ideias inicialmente surgidas na Escola Médica de Viena acabaram engendrando um movimento artístico cujas influências perduram até hoje - e não apenas na arte.
Freud e Schnitzler beberam dessa biologia médica para forjar as noções de inconsciente e sexualidade em seus contornos modernos. Klimt, Kokoschka e Schiele deram tradução pictórica a esses conceitos. Mas Kandel não se limita a contar essa história. Ele também escarafuncha nossos cérebros para revelar os mecanismos neuronais da visão e da percepção que esses pintores exploraram tão bem, ainda que não tivessem tanta clareza sobre seu funcionamento.
E que não temam os puristas. As análises de Kandel, apesar de recheadas de boa ciência, lembram mais escritos de grandes historiadores da arte como Gombrich e Panofsky do que as anódinas descrições técnicas dos periódicos científicos. Kandel consegue com felicidade juntar arte, história e ciência numa obra. É um daqueles raros livros que mostram que ciências e humanidades são perfeitamente conciliáveis.
(Hélio Schwartsman. Folha de S.Paulo, 06.10.2013)
