Questões de Concurso Sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português

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Q391431 Português
Coxinhas: uma nova geração de mauricinhos, ou apenas um novo nome para eles?

A cada tanto aparecem “novos” tipos. Não estou falando necessariamente sobre segmentos novos, daqueles que fazem época e mudam o modo de pensar, como os hippies, os punks e alguns outros grupos, que sintetizaram o comportamento de uma época, mudaram o modo de ser, de se vestir e de se comportar e foram incorporados de tal forma que, passadas décadas de seu surgimento, ainda são relevantes no modo de vida atual. Outros são menos expressivos, como, por exemplo, o metrossexual, que, apesar de não “mudarem o mundo”, passaram a ter maior compreensão sobre o “lado feminino” do homem e, por outro lado, deram origem a outras vertentes, o ubersexual - metro exagerado e, também, o retrossexual - a volta do macho, em contraponto à “frescura” do metrossexual.
Segue então a “novidade” atual: os coxinhas. Na minha opini- ão, apenas uma evolução dos “janotas”, almofadinhas, burgueses, mauricinhos e outras denominações em geral para um grupo de pessoas que normalmente tem dinheiro - ou aspira ter e se comporta como se já tivesse, e que incorpora os modismos dos “alternas”. O ponto alto da matéria, na minha opinião, é quando o entrevistado diz que “Agora tem uma marca que é a do coxinha que pensa que é descolado, que ainda está “no armário”, que é a Osklen”. Será que é isso mesmo?

ROBIC, André. Disponível em: . Acesso em: 13 mar. 2014. (Adaptado).

No texto, há constante emprego de aspas, com funções distintas. Ao destacarem os termos “novo” e “novidade”, as aspas produzem um efeito de sentido de
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Q391430 Português
Coxinhas: uma nova geração de mauricinhos, ou apenas um novo nome para eles?

A cada tanto aparecem “novos” tipos. Não estou falando necessariamente sobre segmentos novos, daqueles que fazem época e mudam o modo de pensar, como os hippies, os punks e alguns outros grupos, que sintetizaram o comportamento de uma época, mudaram o modo de ser, de se vestir e de se comportar e foram incorporados de tal forma que, passadas décadas de seu surgimento, ainda são relevantes no modo de vida atual. Outros são menos expressivos, como, por exemplo, o metrossexual, que, apesar de não “mudarem o mundo”, passaram a ter maior compreensão sobre o “lado feminino” do homem e, por outro lado, deram origem a outras vertentes, o ubersexual - metro exagerado e, também, o retrossexual - a volta do macho, em contraponto à “frescura” do metrossexual.
Segue então a “novidade” atual: os coxinhas. Na minha opini- ão, apenas uma evolução dos “janotas”, almofadinhas, burgueses, mauricinhos e outras denominações em geral para um grupo de pessoas que normalmente tem dinheiro - ou aspira ter e se comporta como se já tivesse, e que incorpora os modismos dos “alternas”. O ponto alto da matéria, na minha opinião, é quando o entrevistado diz que “Agora tem uma marca que é a do coxinha que pensa que é descolado, que ainda está “no armário”, que é a Osklen”. Será que é isso mesmo?

ROBIC, André. Disponível em: . Acesso em: 13 mar. 2014. (Adaptado).

O Texto 3 é um comentário de internet. A principal característica desse gênero textual são
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Q391429 Português
Coxinhas: uma nova geração de mauricinhos, ou apenas um novo nome para eles?

A cada tanto aparecem “novos” tipos. Não estou falando necessariamente sobre segmentos novos, daqueles que fazem época e mudam o modo de pensar, como os hippies, os punks e alguns outros grupos, que sintetizaram o comportamento de uma época, mudaram o modo de ser, de se vestir e de se comportar e foram incorporados de tal forma que, passadas décadas de seu surgimento, ainda são relevantes no modo de vida atual. Outros são menos expressivos, como, por exemplo, o metrossexual, que, apesar de não “mudarem o mundo”, passaram a ter maior compreensão sobre o “lado feminino” do homem e, por outro lado, deram origem a outras vertentes, o ubersexual - metro exagerado e, também, o retrossexual - a volta do macho, em contraponto à “frescura” do metrossexual.
Segue então a “novidade” atual: os coxinhas. Na minha opini- ão, apenas uma evolução dos “janotas”, almofadinhas, burgueses, mauricinhos e outras denominações em geral para um grupo de pessoas que normalmente tem dinheiro - ou aspira ter e se comporta como se já tivesse, e que incorpora os modismos dos “alternas”. O ponto alto da matéria, na minha opinião, é quando o entrevistado diz que “Agora tem uma marca que é a do coxinha que pensa que é descolado, que ainda está “no armário”, que é a Osklen”. Será que é isso mesmo?

ROBIC, André. Disponível em: . Acesso em: 13 mar. 2014. (Adaptado).

O projeto argumentativo do texto é construído e apresentado por meio de recursos linguísticos e ortográficos, em torno de um argumento nuclear, segundo o qual
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Q391428 Português
A quebra de expectativa, que produz o humor da tira, baseia-se na quebra do pressuposto que sustenta a fala de Mafalda. Esse pressuposto é o de que
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Q391427 Português
Na tira, a situação comunicativa estabelece uma relação hierárquica entre as personagens. O recurso linguístico que estabelece a relação hierárquica e define a situação comunicativa é a
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Q391426 Português
Dizem as paredes - 2

Em Buenos Aires, na ponte da Boca: Todos prometem e ninguém cumpre.
Vote em ninguém
.
Em Caracas, em tempos de crise, na entrada de um dos bairros mais pobres:
Bem-vinda, classe média.
Em Bogotá, pertinho da Universidade Nacional:
Deus vive. Embaixo, com outra letra:
Só por milagre.
E também em Bogotá:
Proletários de todos os países, uni-vos!
Embaixo, com outra letra:
( Último aviso.)

GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. Trad. Eric Nepomuceno. Porto Alegre: L&PM, 2002. p. 55.

As frases citadas no texto são construídas de forma injuntiva. Os elementos linguísticos combinados, responsáveis pela injunção no texto, são os
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Q391425 Português
Dizem as paredes - 2

Em Buenos Aires, na ponte da Boca: Todos prometem e ninguém cumpre.
Vote em ninguém
.
Em Caracas, em tempos de crise, na entrada de um dos bairros mais pobres:
Bem-vinda, classe média.
Em Bogotá, pertinho da Universidade Nacional:
Deus vive. Embaixo, com outra letra:
Só por milagre.
E também em Bogotá:
Proletários de todos os países, uni-vos!
Embaixo, com outra letra:
( Último aviso.)

GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. Trad. Eric Nepomuceno. Porto Alegre: L&PM, 2002. p. 55.

Nas frases “Em Caracas, em tempos de crise, na entrada de um dos bairros mais pobres:/ Bem-vinda, classe média”, o sentido de “crise” é entendido como o de “crise econômica”. O recurso linguístico que possibilita a recuperação desse sentido no texto é a
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Q391424 Português
Dizem as paredes - 2

Em Buenos Aires, na ponte da Boca: Todos prometem e ninguém cumpre.
Vote em ninguém
.
Em Caracas, em tempos de crise, na entrada de um dos bairros mais pobres:
Bem-vinda, classe média.
Em Bogotá, pertinho da Universidade Nacional:
Deus vive. Embaixo, com outra letra:
Só por milagre.
E também em Bogotá:
Proletários de todos os países, uni-vos!
Embaixo, com outra letra:
( Último aviso.)

GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. Trad. Eric Nepomuceno. Porto Alegre: L&PM, 2002. p. 55.

O efeito de sentido do texto é construído com base na composição do título. O título do texto faz referência
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Q391423 Português
Dizem as paredes - 2

Em Buenos Aires, na ponte da Boca: Todos prometem e ninguém cumpre.
Vote em ninguém
.
Em Caracas, em tempos de crise, na entrada de um dos bairros mais pobres:
Bem-vinda, classe média.
Em Bogotá, pertinho da Universidade Nacional:
Deus vive. Embaixo, com outra letra:
Só por milagre.
E também em Bogotá:
Proletários de todos os países, uni-vos!
Embaixo, com outra letra:
( Último aviso.)

GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. Trad. Eric Nepomuceno. Porto Alegre: L&PM, 2002. p. 55.

A estratégia de composição do texto é a compilação de várias frases independentes. Os recursos coesivos utilizados para garantir a unidade de sentido do texto são
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Q391387 Português
Analisando o comentário da noiva, é correto concluir que ela
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Q391384 Português
Observando a sequência em que as personagens aparecem, considere que essa situação ocorra entre um cliente, o dono da empresa e um funcionário.

imagem-002.jpg
Analisando-se a cena, é correto afirmar que o dono da empresa é um péssimo gestor, pois
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Q391382 Português

A pátria de ponteiros


       Numa demonstração de inequívoca coragem, Fritz pediu uma feijoada. Eu comentei que, aparentemente, ele não estava tendo dificuldades de adaptação. O alemão disse que não.
       Por conta do seu trabalho, viajava o mundo todo. A única coisa que lhe incomodava, no Brasil, era nunca saber quando as pessoas chegariam aos encontros. “O pessoa manda mensagem, diz ‘tô chegando!’, mas pessoa chega só quarenta minutos depois”. Então me fez a pergunta que só poderia vir de um compatriota de Emanuel Kant*: “Quando a brasileiro diz ‘tô chegando!’, em quanto tempo brasileiro chega?”
       Pensei em mentir, em dizer que uns atrasam, mas outros aparecem rapidinho. Achei, porém, que em nome de nossa dignidade - ali, naquela mesa, eu era a “pátria de ponteiros” - o melhor seria falar a verdade: “Fritz, é assim: quando o brasileiro diz ‘tô chegando!’ é porque, na real, ele tá saindo”. Tentei atenuar o assombro do alemão: veja, não é exatamente mentira, afinal, ao pôr o pé pra fora de casa dá-se início ao processo de chegada, assim como ao sair do útero se começa a caminhar para a cova. É só uma questão de perspectiva.
       “Mas e quando o pessoa diz ‘tô saindo!’?” Expliquei que as declarações do brasileiro, no que tange ao atraso, estão sempre uma etapa à frente da realidade. Se a pessoa diz que está chegando, é porque tá saindo, e se diz que tá saindo, é porque ainda precisa tomar banho, tirar a roupa da máquina e botar comida pro cachorro.
  Fritz ficou pensativo. “E o ‘cinco minutinhos’?”
       Já o “cinco minutinhos!” é um pouco mais vago. Pode significar tanto que o brasileiro está a cem metros do destino quanto a 27 quilômetros. Às vezes, cinco minutinhos demoram muito mais do que quinze, mais do que uma hora; há casos, até, em que a pessoa a cinco minutinhos jamais aparece.
       Fritz ficou olhando o chope, imaginando, talvez, na espuma branca, a tomografia multicolor desses cérebros tropicais. Senti que era o momento de mudar de assunto, de mostrar ressonâncias, digamos, mais magnéticas do nosso país. Chamei o garçom. “Chefe, a gente pediu uma feijoada, já faz um tempinho...” “Tá chegando, amigo, tá chegando!”  

(Antonio Prata. Folha de S.Paulo, 23.02.2014. Adaptado)

* Emanuel Kant: filósofo de origem alemã

Considerando o contexto, assinale a alternativa que apresenta, entre parênteses, um sentido oposto para a expressão em destaque.
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Q391381 Português

A pátria de ponteiros


       Numa demonstração de inequívoca coragem, Fritz pediu uma feijoada. Eu comentei que, aparentemente, ele não estava tendo dificuldades de adaptação. O alemão disse que não.
       Por conta do seu trabalho, viajava o mundo todo. A única coisa que lhe incomodava, no Brasil, era nunca saber quando as pessoas chegariam aos encontros. “O pessoa manda mensagem, diz ‘tô chegando!’, mas pessoa chega só quarenta minutos depois”. Então me fez a pergunta que só poderia vir de um compatriota de Emanuel Kant*: “Quando a brasileiro diz ‘tô chegando!’, em quanto tempo brasileiro chega?”
       Pensei em mentir, em dizer que uns atrasam, mas outros aparecem rapidinho. Achei, porém, que em nome de nossa dignidade - ali, naquela mesa, eu era a “pátria de ponteiros” - o melhor seria falar a verdade: “Fritz, é assim: quando o brasileiro diz ‘tô chegando!’ é porque, na real, ele tá saindo”. Tentei atenuar o assombro do alemão: veja, não é exatamente mentira, afinal, ao pôr o pé pra fora de casa dá-se início ao processo de chegada, assim como ao sair do útero se começa a caminhar para a cova. É só uma questão de perspectiva.
       “Mas e quando o pessoa diz ‘tô saindo!’?” Expliquei que as declarações do brasileiro, no que tange ao atraso, estão sempre uma etapa à frente da realidade. Se a pessoa diz que está chegando, é porque tá saindo, e se diz que tá saindo, é porque ainda precisa tomar banho, tirar a roupa da máquina e botar comida pro cachorro.
  Fritz ficou pensativo. “E o ‘cinco minutinhos’?”
       Já o “cinco minutinhos!” é um pouco mais vago. Pode significar tanto que o brasileiro está a cem metros do destino quanto a 27 quilômetros. Às vezes, cinco minutinhos demoram muito mais do que quinze, mais do que uma hora; há casos, até, em que a pessoa a cinco minutinhos jamais aparece.
       Fritz ficou olhando o chope, imaginando, talvez, na espuma branca, a tomografia multicolor desses cérebros tropicais. Senti que era o momento de mudar de assunto, de mostrar ressonâncias, digamos, mais magnéticas do nosso país. Chamei o garçom. “Chefe, a gente pediu uma feijoada, já faz um tempinho...” “Tá chegando, amigo, tá chegando!”  

(Antonio Prata. Folha de S.Paulo, 23.02.2014. Adaptado)

* Emanuel Kant: filósofo de origem alemã

Com base no último parágrafo e na sua relação com o texto, pode-se concluir corretamente que
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Q391380 Português

A pátria de ponteiros


       Numa demonstração de inequívoca coragem, Fritz pediu uma feijoada. Eu comentei que, aparentemente, ele não estava tendo dificuldades de adaptação. O alemão disse que não.
       Por conta do seu trabalho, viajava o mundo todo. A única coisa que lhe incomodava, no Brasil, era nunca saber quando as pessoas chegariam aos encontros. “O pessoa manda mensagem, diz ‘tô chegando!’, mas pessoa chega só quarenta minutos depois”. Então me fez a pergunta que só poderia vir de um compatriota de Emanuel Kant*: “Quando a brasileiro diz ‘tô chegando!’, em quanto tempo brasileiro chega?”
       Pensei em mentir, em dizer que uns atrasam, mas outros aparecem rapidinho. Achei, porém, que em nome de nossa dignidade - ali, naquela mesa, eu era a “pátria de ponteiros” - o melhor seria falar a verdade: “Fritz, é assim: quando o brasileiro diz ‘tô chegando!’ é porque, na real, ele tá saindo”. Tentei atenuar o assombro do alemão: veja, não é exatamente mentira, afinal, ao pôr o pé pra fora de casa dá-se início ao processo de chegada, assim como ao sair do útero se começa a caminhar para a cova. É só uma questão de perspectiva.
       “Mas e quando o pessoa diz ‘tô saindo!’?” Expliquei que as declarações do brasileiro, no que tange ao atraso, estão sempre uma etapa à frente da realidade. Se a pessoa diz que está chegando, é porque tá saindo, e se diz que tá saindo, é porque ainda precisa tomar banho, tirar a roupa da máquina e botar comida pro cachorro.
  Fritz ficou pensativo. “E o ‘cinco minutinhos’?”
       Já o “cinco minutinhos!” é um pouco mais vago. Pode significar tanto que o brasileiro está a cem metros do destino quanto a 27 quilômetros. Às vezes, cinco minutinhos demoram muito mais do que quinze, mais do que uma hora; há casos, até, em que a pessoa a cinco minutinhos jamais aparece.
       Fritz ficou olhando o chope, imaginando, talvez, na espuma branca, a tomografia multicolor desses cérebros tropicais. Senti que era o momento de mudar de assunto, de mostrar ressonâncias, digamos, mais magnéticas do nosso país. Chamei o garçom. “Chefe, a gente pediu uma feijoada, já faz um tempinho...” “Tá chegando, amigo, tá chegando!”  

(Antonio Prata. Folha de S.Paulo, 23.02.2014. Adaptado)

* Emanuel Kant: filósofo de origem alemã

De acordo com o texto, em seu diálogo com Fritz, o narrador.
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Q391379 Português
Na situação apresentada, o rapaz empregou a expressão – rolou um clima – em sentido
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Q391375 Português

A solidão do taxista

        Tive um tio taxista. Por incrível que pareça, de vez em quando, tio Fausto me levava para trabalhar junto com ele.
        Eram outros tempos. Eu tinha lá meus oito, nove anos e, quando o passageiro se surpreendia com a presença da menininha no banco de trás do carro, meu tio falava: “Se o senhor não se importa, vou levar minha sobrinha ao dentista, mas posso quebrar o galho e fazer sua corrida”.
        Ninguém se importava, ele nunca me levou ao dentista e ganhamos muitas histórias no fusquinha verde-água zanzando pelo Rio de Janeiro.
        Eu escutava as conversas, as notícias do rádio, dormia, acordava, ganhava balas dos passageiros e via a vida correndo pela janela. Era fã do meu tio e de seu jeito de flanar pela vida. Ele achava tudo divertido, adorava um bom papo.
        Meu tio me fez crer que uma das melhores profissões do mundo é taxista. Virei atriz. Mas, se há coisa de que gosto, é andar de táxi.        Sento no banco de trás, abro a janela e, mesmo quando não rola conversa, o simples fato de ficar sacolejando no trânsito olhando pela janela é para mim algo de extremo prazer. É um descanso sem igual.
        Acontece que comprei um iPhone e, pouco a pouco, fui pedindo licença a meu amigo taxista para um telefonema aqui, um e-mail acolá e passei a interromper meu precioso flanar nos táxis com coisas que acho que precisam ser feitas naquela hora.
        Em dias mais corridos, entro dizendo o destino entre uma fala e outra ao telefone, pago a corrida com o troço no ombro e saio do carro com meu tio balançando a cabeça lá em cima. Que desperdício!
        Meu celular me abriu infinitas janelas, mas me roubou a mais preciosa de todas. Nossos eletrônicos vão sorrateiramente nos roubando a plenitude, ou seja, a simples sensação de estar em um lugar, sem achar que deveria estar em outro.
        Penso no meu tio e imagino o quanto se divertiria ouvindo os absurdos que falamos ao celular ao ignorar o solitário taxista. Eles devem ter muitas histórias para contar quando chegam para jantar. Se as esposas não estiverem no Facebook...  
(Denise Fraga. Folha de S.Paulo, 12.06.2012. Adaptado)


Considere o trecho do primeiro parágrafo.

“Se o senhor não se importa, vou levar minha sobrinha ao dentista, mas posso quebrar o galho e fazer sua corrida”.

Esse trecho está corretamente reescrito e mantém o sentido do texto em:
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Q391374 Português

A solidão do taxista

        Tive um tio taxista. Por incrível que pareça, de vez em quando, tio Fausto me levava para trabalhar junto com ele.
        Eram outros tempos. Eu tinha lá meus oito, nove anos e, quando o passageiro se surpreendia com a presença da menininha no banco de trás do carro, meu tio falava: “Se o senhor não se importa, vou levar minha sobrinha ao dentista, mas posso quebrar o galho e fazer sua corrida”.
        Ninguém se importava, ele nunca me levou ao dentista e ganhamos muitas histórias no fusquinha verde-água zanzando pelo Rio de Janeiro.
        Eu escutava as conversas, as notícias do rádio, dormia, acordava, ganhava balas dos passageiros e via a vida correndo pela janela. Era fã do meu tio e de seu jeito de flanar pela vida. Ele achava tudo divertido, adorava um bom papo.
        Meu tio me fez crer que uma das melhores profissões do mundo é taxista. Virei atriz. Mas, se há coisa de que gosto, é andar de táxi.        Sento no banco de trás, abro a janela e, mesmo quando não rola conversa, o simples fato de ficar sacolejando no trânsito olhando pela janela é para mim algo de extremo prazer. É um descanso sem igual.
        Acontece que comprei um iPhone e, pouco a pouco, fui pedindo licença a meu amigo taxista para um telefonema aqui, um e-mail acolá e passei a interromper meu precioso flanar nos táxis com coisas que acho que precisam ser feitas naquela hora.
        Em dias mais corridos, entro dizendo o destino entre uma fala e outra ao telefone, pago a corrida com o troço no ombro e saio do carro com meu tio balançando a cabeça lá em cima. Que desperdício!
        Meu celular me abriu infinitas janelas, mas me roubou a mais preciosa de todas. Nossos eletrônicos vão sorrateiramente nos roubando a plenitude, ou seja, a simples sensação de estar em um lugar, sem achar que deveria estar em outro.
        Penso no meu tio e imagino o quanto se divertiria ouvindo os absurdos que falamos ao celular ao ignorar o solitário taxista. Eles devem ter muitas histórias para contar quando chegam para jantar. Se as esposas não estiverem no Facebook...  
(Denise Fraga. Folha de S.Paulo, 12.06.2012. Adaptado)


Nessa crônica, a autora faz uma reflexão a respeito
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Q391373 Português

A solidão do taxista

        Tive um tio taxista. Por incrível que pareça, de vez em quando, tio Fausto me levava para trabalhar junto com ele.
        Eram outros tempos. Eu tinha lá meus oito, nove anos e, quando o passageiro se surpreendia com a presença da menininha no banco de trás do carro, meu tio falava: “Se o senhor não se importa, vou levar minha sobrinha ao dentista, mas posso quebrar o galho e fazer sua corrida”.
        Ninguém se importava, ele nunca me levou ao dentista e ganhamos muitas histórias no fusquinha verde-água zanzando pelo Rio de Janeiro.
        Eu escutava as conversas, as notícias do rádio, dormia, acordava, ganhava balas dos passageiros e via a vida correndo pela janela. Era fã do meu tio e de seu jeito de flanar pela vida. Ele achava tudo divertido, adorava um bom papo.
        Meu tio me fez crer que uma das melhores profissões do mundo é taxista. Virei atriz. Mas, se há coisa de que gosto, é andar de táxi.        Sento no banco de trás, abro a janela e, mesmo quando não rola conversa, o simples fato de ficar sacolejando no trânsito olhando pela janela é para mim algo de extremo prazer. É um descanso sem igual.
        Acontece que comprei um iPhone e, pouco a pouco, fui pedindo licença a meu amigo taxista para um telefonema aqui, um e-mail acolá e passei a interromper meu precioso flanar nos táxis com coisas que acho que precisam ser feitas naquela hora.
        Em dias mais corridos, entro dizendo o destino entre uma fala e outra ao telefone, pago a corrida com o troço no ombro e saio do carro com meu tio balançando a cabeça lá em cima. Que desperdício!
        Meu celular me abriu infinitas janelas, mas me roubou a mais preciosa de todas. Nossos eletrônicos vão sorrateiramente nos roubando a plenitude, ou seja, a simples sensação de estar em um lugar, sem achar que deveria estar em outro.
        Penso no meu tio e imagino o quanto se divertiria ouvindo os absurdos que falamos ao celular ao ignorar o solitário taxista. Eles devem ter muitas histórias para contar quando chegam para jantar. Se as esposas não estiverem no Facebook...  
(Denise Fraga. Folha de S.Paulo, 12.06.2012. Adaptado)


De acordo com a leitura do texto, é correto afirmar que
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Q391277 Português

TEXTO - A JUSTIÇA
                       José Pacheco, Dicionário de valores

  Bento XVI diz que os cristãos não deverão respeitar leis injustas. Mas, num país que conta mais de um milhão de leis, a única lei que se cumpre sem exceção parece ser a da gravidade... Pois que se aja e se assuma resiliência, porque ainda há gente que se importa. Numa época de injustiças como a nossa, façamos a nossa parte, façamos luz sobre os males de que o mundo padece, para que sejam abertos rasgões de luz na cortina de escuridão que sobre ele caiu, e sob a qual prosperam ladrões e tiranos. Urge debelar o medo, esse disfarce usado quando se faz o que sempre se fez, como se nada de indigno tivesse acontecido.

  Diz-nos o dicionário que valor (do latim valore) é qualidade de quem pratica atos extraordinários e, eticamente, um princípio passível de orientar a ação humana. Se assim for, convirá seguir o preceito do Dalai Lama: “Precisamos ensinar, do jardim de infância até a Faculdade, que a moralidade é o caminho da felicidade. O sistema educacional moderno presta somente atenção ao desenvolvimento do cérebro e não o desenvolvimento moral”. Porque, se a escola não é o primeiro lugar para se educar o indivíduo, também não deverá ser o primeiro lugar para deseducá-lo; mas um lugar e tempo de aprendizagem de valores. Quando, no quadro de uma reorganização curricular, instituiu-se “uma hora semanal de Educação para a cidadania”, eu questionei os autores da proposta: por que razão não deveriam ser as restantes horas de “Educação na cidadania”? Quem nunca viu uma criança furando a fila de merenda? Quem nunca viu a família dessa criança jogando lixo na rua e entupindo os bueiros? Até que ponto a escola pode promover uma inútil acumulação cognitiva e se demitir da função de educar?

  Clamemos por justiça, onde quer que os nossos atos possam promovê-la, atenuando a crise da sua ausência. Leonardo Boff nos diz que a crise que nos afeta não é uma crise cíclica e que uma nova ordem mundial é necessária, um novo modo de habitar a Terra. E Alain Touraine lança um alerta: “ou a crise acelera a formação de uma nova sociedade, ou virá um tsunami que poderá arrasar tudo pela frente, pondo em perigo mortal a nossa própria existência no planeta”



O alerta final do texto recorre argumentativamente à seguinte estratégia:
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Q391276 Português

TEXTO - A JUSTIÇA
                       José Pacheco, Dicionário de valores

  Bento XVI diz que os cristãos não deverão respeitar leis injustas. Mas, num país que conta mais de um milhão de leis, a única lei que se cumpre sem exceção parece ser a da gravidade... Pois que se aja e se assuma resiliência, porque ainda há gente que se importa. Numa época de injustiças como a nossa, façamos a nossa parte, façamos luz sobre os males de que o mundo padece, para que sejam abertos rasgões de luz na cortina de escuridão que sobre ele caiu, e sob a qual prosperam ladrões e tiranos. Urge debelar o medo, esse disfarce usado quando se faz o que sempre se fez, como se nada de indigno tivesse acontecido.

  Diz-nos o dicionário que valor (do latim valore) é qualidade de quem pratica atos extraordinários e, eticamente, um princípio passível de orientar a ação humana. Se assim for, convirá seguir o preceito do Dalai Lama: “Precisamos ensinar, do jardim de infância até a Faculdade, que a moralidade é o caminho da felicidade. O sistema educacional moderno presta somente atenção ao desenvolvimento do cérebro e não o desenvolvimento moral”. Porque, se a escola não é o primeiro lugar para se educar o indivíduo, também não deverá ser o primeiro lugar para deseducá-lo; mas um lugar e tempo de aprendizagem de valores. Quando, no quadro de uma reorganização curricular, instituiu-se “uma hora semanal de Educação para a cidadania”, eu questionei os autores da proposta: por que razão não deveriam ser as restantes horas de “Educação na cidadania”? Quem nunca viu uma criança furando a fila de merenda? Quem nunca viu a família dessa criança jogando lixo na rua e entupindo os bueiros? Até que ponto a escola pode promover uma inútil acumulação cognitiva e se demitir da função de educar?

  Clamemos por justiça, onde quer que os nossos atos possam promovê-la, atenuando a crise da sua ausência. Leonardo Boff nos diz que a crise que nos afeta não é uma crise cíclica e que uma nova ordem mundial é necessária, um novo modo de habitar a Terra. E Alain Touraine lança um alerta: “ou a crise acelera a formação de uma nova sociedade, ou virá um tsunami que poderá arrasar tudo pela frente, pondo em perigo mortal a nossa própria existência no planeta”



Em todas as alternativas abaixo está presente o conectivo E; o segmento em que esse conectivo apresenta um valor não aditivo, como nos demais, é:
Alternativas
Respostas
14201: B
14202: A
14203: D
14204: D
14205: A
14206: B
14207: C
14208: A
14209: C
14210: E
14211: E
14212: B
14213: D
14214: C
14215: E
14216: D
14217: D
14218: E
14219: D
14220: C