Questões de Concurso Sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português

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Q4201179 Português
Leia o texto para responder a questão. 


A semente dentro de nós

     Estejamos ou não conscientes, podemos alcançar a plenitude durante a vida, porque nossa existência nos traz inúmeras oportunidades de nos aperfeiçoarmos como seres humanos. A vida oferece sabedoria com generosidade. Tudo nos ensina. Nem todos aprendem.

    A vida pede o mesmo que nos era exigido nas salas de aula: “Acorde!”, “Preste atenção!”. Mas prestar atenção não é algo simples. É necessário que não nos deixemos distrair por expectativas, experiências passadas, rótulos e máscaras. Não podemos tirar conclusões precipitadas e precisamos estar receptivos às surpresas. É importante saber que existe a semente de uma plenitude maior em cada um de nós.

    A sabedoria envolve uma mudança em nossa natureza básica, um aprofundamento na capacidade de compaixão, de benevolência, de perdão, de não ferir e de servir. Saber que há uma semente em cada um de nós traz uma mudança na forma de ver o mundo. Cada semente aguarda ansiosa até a expressão de sua natureza. Ela pode ser consciente em alguns ou estar profundamente enterrada em outros. Mas está sempre lá.

(Raquel Naomi Remen. As bençãos do meu avô.
Rio de Janeiro: Sextante:2022. Adaptado)
No trecho do 2o parágrafo − Não podemos tirar conclusões precipitadas e precisamos estar receptivos às surpresas. −, as palavras destacadas podem ser substituídas, na ordem em que se apresentam e sem alteração de sentido, por
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Q4197904 Português

Enquanto um mundo novo repleto de oportunidades se abre ao adolescente que vislumbra a fase adulta, é possível que aos seus responsáveis reste uma sensação oposta, de um mundo com menos brilho do que havia antes de os filhos crescerem. E não precisa nem que o tal ninho vazio se concretize — muitas vezes, a dor já começa antes.

A educadora e pesquisadora do comportamento adolescente Carolina Delboni diz que, para muitos pais, a sensação nessa fase da vida é de que perderam os filhos. “E, como os pais não sabem se relacionar com essa ‘perda’, muitas vezes eles acabam se relacionando pela raiva”, afirma. Com isso, a distância em casa só aumenta: adultos num canto, magoados, e os jovens no outro, se sentindo incompreendidos e buscando compreensão lá fora.

Também é papel dos pais, segundo Delboni, quebrar os estereótipos da adolescência — evitar cair na tentação, por exemplo, de acusar os filhos de serem lacônicos, de não saírem do quarto e do celular, ou de dizer que conversar com eles é impossível. “A gente tem o costume de rebater tudo o que vem do universo adolescente, de dizer que é coisa fútil, de chamar a música que eles gostam de ruim, de falar que o lugar que eles escolheram para ir passear não é o melhor etc. Sempre temos algo a dizer que mostra que eles deveriam estar fazendo diferente”, afirma a pesquisadora.

Para ela, este hábito “corta todos os vínculos” com o jovem. “O que isso vai acrescentar às relações? Nada. Não vai melhorar o vínculo, pelo contrário, e ainda não vai tirar ele dali do celular. Por outro lado, você já experimentou perguntar o que ele está vendo? Pode ser que ele não mostre, mas você fez uma pergunta, demonstrou interesse. Nesse cotidiano, estamos sempre querendo tirar o adolescente à força do seu lugar em vez de nos deslocarmos para o canto dele, sem reclamar”.

(Marcella Franco. Estamos sempre querendo tirar o adolescente à força do seu lugar, diz educadora. Folha de S. Paulo, 12.10.2023. Adaptado)

Considere o trecho.
“… acusar os filhos de serem lacônicos…” (3o parágrafo).
Assinale a alternativa que apresenta a palavra que corresponde a um sinônimo do termo destacado e que confere ao trecho um sentido figurado.
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Q4197899 Português
A partir da leitura da tira, é correto afirmar que seu humor deriva do fato de que
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Q4197564 Português

Leia o texto para responder à questão.


Auxiliar de transporte


    O Movimento Maio Amarelo está completando dez anos. Uma década de ousadia de convocar toda a sociedade a refletir sobre um tema que quase ninguém, até então, havia parado para pensar. Ousadia de querer mobilizar um País inteiro, que no início do movimento já passava de 200 milhões de habitantes. E de acreditar que uma ONG pudesse ser ouvida e acreditada na proposta de alertar a todos que a dura e cruel realidade de mortes e feridos diariamente no trânsito poderia mudar.


    Nascia, em 2014, o que hoje já é considerada a maior mobilização social em torno da causa segurança no trânsito. A maioria das pessoas se identifica com o propósito do movimento e sua missão de salvar vidas no trânsito. Essa identificação acontece porque a maioria dos brasileiros conhece ou teve algum familiar que sofreu um acidente, mas poucos cidadãos param para pensar em como poderiam ajudar a melhorar os índices, que continuam, como em 2014, estarrecedores: 88 pessoas morrem todo dia no Brasil.


    Alertamos muitos brasileiros que suas atitudes fazem toda a diferença para trazer mais segurança viária para toda a sociedade. Esse propósito foi facilmente incorporado, no início, pelos órgãos gestores, e, em seguida, por outras ONGs que também trabalhavam na conscientização do cidadão comum com o objetivo de que o Brasil saia do ranking dos países mais violentos no trânsito do mundo. Quando o cidadão se depara com os números de acidentes de trânsito no Brasil e entende que nenhuma guerra mata mais do que nosso trânsito, ele compreendeu a mensagem do Maio Amarelo: tenha atenção pela vida.


    Nesta celebração de dez anos, nosso desejo é que cada pessoa faça do mês de maio o ponto de partida para que péssimos hábitos sejam transformados, como se distrair no trânsito com o celular, não usar ou mesmo deixar de cobrar do outro o uso do cinto no banco traseiro e do passageiro, exceder os limites de velocidade, ou, ainda mais grave, beber álcool e dirigir. É urgente que se mudem comportamentos, para sermos exemplos de atenção pela vida!


(Embaixador Paulo Guimarães CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária. O Estado de S.Paulo, 26 de abril de 2023. Adaptado)

O termo em destaque em – Ousadia de querer mobilizar um País inteiro... – (1º parágrafo) tem como sinônimo, no contexto em que aparece:
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Q4194593 Português

Leia o texto para responder à questão.


    Em regra, idealizamos nossos profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicoterapeutas, a lista é longa). Quando os consultamos, levando-lhes nossas dores, depositamos neles toda nossa confiança, porque imaginamos, supomos que eles saibam sobre nós e nossos males exatamente o que é preciso para que eles possam nos curar. É bem possível que essa confiança seja excessiva, mas, mesmo em seu excesso, ela é útil para que um tratamento funcione.


    Acreditar no médico que nos prescreve um remédio não é tudo, claro; ainda é preciso que ele prescreva o remédio certo. Mas é bem provável que, para quem acredita em seu médico, aumentem as chances de que o remédio prescrito seja eficaz, de que o paciente não caia na percentagem estatística dos que (sempre existem) não obtêm efeito algum com o remédio.


    A importância da confiança para que os tratamentos funcionem vale provavelmente para todas as profissões da saúde. E vale mais ainda no caso da psicoterapia.


    Então, por que o psicoterapeuta não poderia esperar o tipo de vínculo duradouro e afetuoso que garante panetones, vinho e outros presentes nas festas? Porque nenhuma psicoterapia, seja ela qual for, deveria almejar a dependência do paciente. Transformar a confiança inicial numa eterna admiração e gratidão seria como substituir uma doença por um vício: você não tem mais pneumonia, mas tem uma necessidade visceral de tomar e venerar antibióticos. De fato, se a psicoterapia faz seu efeito, o paciente para de idealizar o terapeuta.


    Há terapeutas que, aparentemente, cultivam o amor, a admiração e a gratidão de seus pacientes acima de tudo. Eles parecem se importar mais com isso do que com a eficácia dos tratamentos. Ou seja, há terapeutas que escolheram a profissão com uma boa dose daquela vontade de ser amado e admirado, a mesma que talvez seja uma contraindicação para o exercício da profissão.


(Contardo Calligaris. Cartas a um jovem terapeuta: reflexões para psicoterapeutas, aspirantes e curiosos. Paidós, 2021)

Assinale a alternativa em que o vocábulo em destaque se refere à palavra ou expressão indicada entre parênteses.
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Q4194591 Português

Leia o texto para responder à questão.


    Em regra, idealizamos nossos profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicoterapeutas, a lista é longa). Quando os consultamos, levando-lhes nossas dores, depositamos neles toda nossa confiança, porque imaginamos, supomos que eles saibam sobre nós e nossos males exatamente o que é preciso para que eles possam nos curar. É bem possível que essa confiança seja excessiva, mas, mesmo em seu excesso, ela é útil para que um tratamento funcione.


    Acreditar no médico que nos prescreve um remédio não é tudo, claro; ainda é preciso que ele prescreva o remédio certo. Mas é bem provável que, para quem acredita em seu médico, aumentem as chances de que o remédio prescrito seja eficaz, de que o paciente não caia na percentagem estatística dos que (sempre existem) não obtêm efeito algum com o remédio.


    A importância da confiança para que os tratamentos funcionem vale provavelmente para todas as profissões da saúde. E vale mais ainda no caso da psicoterapia.


    Então, por que o psicoterapeuta não poderia esperar o tipo de vínculo duradouro e afetuoso que garante panetones, vinho e outros presentes nas festas? Porque nenhuma psicoterapia, seja ela qual for, deveria almejar a dependência do paciente. Transformar a confiança inicial numa eterna admiração e gratidão seria como substituir uma doença por um vício: você não tem mais pneumonia, mas tem uma necessidade visceral de tomar e venerar antibióticos. De fato, se a psicoterapia faz seu efeito, o paciente para de idealizar o terapeuta.


    Há terapeutas que, aparentemente, cultivam o amor, a admiração e a gratidão de seus pacientes acima de tudo. Eles parecem se importar mais com isso do que com a eficácia dos tratamentos. Ou seja, há terapeutas que escolheram a profissão com uma boa dose daquela vontade de ser amado e admirado, a mesma que talvez seja uma contraindicação para o exercício da profissão.


(Contardo Calligaris. Cartas a um jovem terapeuta: reflexões para psicoterapeutas, aspirantes e curiosos. Paidós, 2021)

No 4º parágrafo, o vocábulo ‘almejar’ tem como sinônimo, no contexto em que foi utilizado, a palavra
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Q4194588 Português

Leia a tira para responder à questão.


No 3º quadro, os vocábulos destacados expressam, respectivamente, os sentidos de
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Q4193617 Português

Leia a crônica para responder à questão.

 


Fiscais de barriga


    Confesso: nos últimos tempos engordei. Não, não virei uma bola de boliche, mas esses últimos quilos se concentraram na barriga. Todos eles. Tornei-me o alvo ideal para um tipo que virou uma praga na vida urbana. É o fiscal de barriga. Trata-se de uma criatura empenhada em contabilizar o peso alheio. Você se encontra com o tipo, ele abre um sorriso até as orelhas e tasca:


    – Engordou, hein?!


    Todo fofo sabe quando e quanto subiu de peso. Quem nunca observou uma pessoa volumosa aferindo os gramas numa balança de farmácia? Primeiro sobe, com expressão de esperança. Ao observar o marcador implacável, o rosto se contorce entre dúvida e desespero. Algumas tiram o casaco, como se um reles objeto pudesse pesar os 5 ou 10 quilos extras apontados. Suspira fundo e olha o marcador novamente. 


    Agora a expressão é de desconfiança, quando não de fúria:


    – Balança de farmácia não presta!!


    E sai à procura de outra.


    O fiscal de barriga só serve para acrescentar fel1 à vida dos outros. Conheço um, diretor de teatro, com a silhueta elegante como um balde. Deveria ficar quieto, mas mede o peso de cada um com olhos argutos2:


    – Quando fomos almoçar juntos, você estava bem mais magro.


    – Que é isso? Eu já estava gordinho – defendo-me.


    – Não, não... agora você está pior – contesta satisfeito.


    Na fofura e na magreza, sempre haverá um fiscal para comentar que, depois de se comportar como um inquisidor, dá a estocada final:


    – Só falo porque sou seu amigo.


    Que ninguém acredite na expressão de solidariedade. Torturar o próximo, eis seu maior prazer.


(Walcyr Carrasco. VEJA SP, 06.11.1996. Adaptado)



1 fel: amargura, azedume.


2 argutos: muito atentos.

Assinale a alternativa em que a palavra destacada no trecho foi empregada ironicamente no texto e deve ser compreendida em sentido oposto.
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Q4193441 Português
Leia o texto para responder à questão.

A caverna conectada

    Sócrates explicava: “Imagine que todos os homens vivam em um mundo escuro, fracamente iluminado pelos seus smartphones. Tudo o que sabem das formas vem pela luz das telas. É uma imensa caverna onde só podem contemplar seus aparelhos”.
    Glauco começava a conceber o ambiente. Pela luz dos aparelhos, passavam imagens refletidas, pequenos vídeos, dancinhas, notícias falsas e trends*. Os moradores da caverna nunca viram o mundo, apenas suas telas iluminadas. Eles foram sendo adestrados a usar o indicador e passar adiante, sem análise. Na caverna, as coisas só existem se postadas. “Que coisa terrível!”, comentava Glauco. “Que vida medonha essas pessoas levariam!” “Sim!”, disse o sábio calvo, “se eles pudessem conversar, não acha que, nomeando as sombras que veem, pensariam nomear seres reais?”. O discípulo consentiu.
    “Agora imagine, caro, se um deles decidisse desligar o aparelho e saísse para o mundo real. Seria um caminho árduo até lá fora. Em um primeiro instante, os olhos doeriam diante da luz real. Enfim, uma pessoa liberta veria o Sol do real e não mais mensagens com imagens (e um texto com emojis).” 
    O filósofo continuava a incentivar que Glauco navegasse na alegoria. “E se a pessoa que viu o mundo real voltasse para a caverna e começasse a dizer dos objetos concretos, mas não mais do critério do real dado por likes e seguidores? ‘Existe um mundo fora do algoritmo’, diria o ser iluminado. É possível comer sem fotografar e ver o mar sem postar. O que vemos são simulacros, representações. Há algo lá fora!”
    O jovem Glauco amou a história. Imaginou com o mestre que o ser “iluminado” pelo Sol real seria desacreditado pelos outros habitantes da funda caverna. Sofreria até violência real. Que aula Sócrates tinha dado! Ao se despedir, o rapaz foi até o orientador e pediu uma selfie. Queria publicar no horário que lhe ensinaram a ter mais visualizações. Saiu da casa feliz. “O post sobre a prisão das redes está bombando!”, comentou Glauco, impactado com a sabedoria filosófica daquela república. Melhorou a luz da foto, colocou uma música e pronto! Agora tinha esperança de viralizar nas redes!

(Leandro Karnal, O Estado de S.Paulo, 8 de julho de 2022.Adaptado)

*Trends: tendências.
Observe as passagens do texto:

... fracamente iluminado... (1º parágrafo)
... só podem contemplar... (1º parágrafo)
Enfim, uma pessoa liberta veria ... (3º parágrafo)
Ao se despedir, o rapaz foi até o orientador... (5º parágrafo)

As expressões destacadas expressam, correta e respectivamente, sentido de:
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Q4193298 Português
Leia o texto para responder à questão.

Alta demanda por produtos biodegradáveis

    Estudos mostram que a preocupação da população mundial com sustentabilidade é cada vez maior. Enquanto 86% dos consumidores querem a redução do desperdício de alimentos, 74% buscam consumir menos embalagens e 72% preferem as biodegradáveis.
    De acordo com Sandro A. Fernandes, da Associação Brasileira dos Agentes Digitais, o que define se uma embalagem é biodegradável é sua decomposição ocorrer naturalmente por meio da ação das bactérias, algas e fungos. Muitas embalagens convencionais, como as de plásticos, podem demorar até 450 anos para se decompor no ambiente, e as fraldas descartáveis – até 600 anos. “No caso dos biodegradáveis, com base em fibras, polpas vegetais e materiais naturais, esse tempo é reduzido a meses.”
    Uma preocupação, no entanto, é que os materiais biodegradáveis também possam ser decompostos no ambiente doméstico, ou seja, que não precisem, obrigatoriamente, de locais e condições especiais para que a decomposição ocorra. Pensando nisso, várias empresas colocaram seu time de inovação para trabalhar nesse processo e, hoje, a demanda por produtos biodegradáveis tem crescido vertiginosamente.


(Bianca Zanatta. O Estado de S.Paulo, 01.08.2021. Adaptado)
Na última frase do texto, as expressões “Pensando nisso” e “vertiginosamente” foram empregadas, respectivamente, para
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Q4193293 Português
Leia a crônica para responder à questão.

Fiscais de barriga

   Confesso: nos últimos tempos engordei. Não, não virei uma bola de boliche, mas esses últimos quilos se concentraram na barriga. Todos eles. Tornei-me o alvo ideal para um tipo que virou uma praga na vida urbana. É o fiscal de barriga. Trata-se de uma criatura empenhada em contabilizar o peso alheio. Você se encontra com o tipo, ele abre um sorriso até as orelhas e tasca:
    – Engordou, hein?!
  Todo fofo sabe quando e quanto subiu de peso. Quem nunca observou uma pessoa volumosa aferindo os gramas numa balança de farmácia? Primeiro sobe, com expressão de esperança. Ao observar o marcador implacável, o rosto se contorce entre dúvida e desespero. Algumas tiram o casaco, como se um reles objeto pudesse pesar os 5 ou 10 quilos extras apontados. Suspira fundo e olha o marcador novamente. Agora a expressão é de desconfiança, quando não de fúria:
    – Balança de farmácia não presta!!
    E sai à procura de outra.
    O fiscal de barriga só serve para acrescentar fel1 à vida dos outros. Conheço um, diretor de teatro, com a silhueta elegante como um balde. Deveria ficar quieto, mas mede o peso de cada um com olhos argutos2 :
    – Quando fomos almoçar juntos, você estava bem mais magro.
   – Que é isso? Eu já estava gordinho – defendo-me. – Não, não... agora você está pior – contesta satisfeito.
  Na fofura e na magreza, sempre haverá um fiscal para comentar que, depois de se comportar como um inquisidor, dá a estocada final:
    – Só falo porque sou seu amigo.
    Que ninguém acredite na expressão de solidariedade. Torturar o próximo, eis seu maior prazer.

(Walcyr Carrasco. VEJA SP, 06.11.1996. Adaptado)

1     fel: amargura, azedume.
2     argutos: muito atentos.
Considere os trechos do texto.

•  Trata-se de uma criatura empenhada em contabilizar o peso alheio. (1º parágrafo)
•  ... depois de se comportar como um inquisidor, dá a estocada final... (10º parágrafo)

As expressões destacadas têm, respectivamente, sentido equivalente a:
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Q4193200 Português

Leia o texto para responder à questão.


Meu pai


    Sempre que vejo um canário me lembro do meu pai. Cresci cercado por gaiolas, repleto de pássaros coloridos. Eu ajudava a dar alpiste e a encher os bebedouros de água. Acompanhava as fêmeas chocando os ovos. Era fantástico ver os filhostinhos piando. Minha mãe preparava uma papa de ração, que meu pai dava com colherzinha.

    Às vezes, eram tantos os cuidados que eu sentia ciúme. E se gostasse mais dos canários que de mim?

    Meu pai não foi dado a atenção de carinho. Talvez porque tenha sido criado num meio em que o homem não expressava os sentimentos. Talvez porque nunca recebi muito carinho do próprio pai. Saiu de casa aos 13 anos e foi morar com um irmão.

    Queria ter continuado os estudos, mas, casado e com filhos, não poderia seguir adiante.     

   Era ferroviário, telegrafista, uma profissão mal remunerada; porém a pobreza, em minha infância no interior, foi mais digna que a de hoje em dia.

    A duras penas, consegui batalhar por um projeto de vida para os filhos. Seu maior compromisso era nos fazer estudar. Todos os esforços da família eram orientados para nossa educação. Até a fuga dos canários causaria menos dor a meu pai que ver um filho repetir de ano.

    Aos 13 anos, já anunciei meu desejo de ser escritor e ganhei dele minha máquina de escrever: era um modelo primeiro simples, comprado em prestações a perder de vista. Nunca esquecereii a sensação de sentir o cheiro de tinta e a letra surgindo no papel!

    Ao longo da vida, tive a chance de sentir seu apoio várias vezes. Ele sempre força por nós.     

    Meu pai era um homem simples, mas teve grandeza.



(Walcyr Carrasco. VEJA SP, 2001. Adaptado)

Considere o trecho do texto.


• A duras penas, consegui batalhar por um projeto de vida para os filhos.


No texto, a expressão destacada significa:

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Q4183836 Português

O impulso por mais, melhor, mais novo, assim como o desejo de prazer, faz parte de nossa natureza. Quem se opõe a isso se torna infeliz, porque não é possível se insurgir contra a própria natureza. O segredo do prazer é conhecer as paixões e - em vez de lutar contra elas ou negá-las - controlá-las. O latim usa para tanto a bela palavra temperantia, que tão bonita porque não soa como refreamento ou disciplina, mas como arte da composição correta, utilizada, por exemplo, numa receita, em que a questão não é usar açúcar ou farinha, mas dispor das quantidades exatas, a fim de não estragar o todo. Para o cristão, a moderação é uma das virtudes cardinais; o budismo aconselha a moderação e a medicina também.


SCHONBURG, Alexander. SCHONBURG, Alexander. Rico sem dinheiro. São Paulo: Gente, 2007. p.138.


Assinale a alternativa em que há uma referência aos significados Assinale a alternativa em que há uma referência aos significados contidos no texto.

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Q4177960 Português
A ditadura do bom

        [...] A criação de uma ética para as novas conquistas genéticas que nos garanta “amar o nosso ruim como a nós mesmos” é prioritária no terceiro milênio. Imaginemos o que teria acontecido se nossos ancestrais primatas dispusessem da tecnologia para evitar o diferente e o “outro. Imaginemos se pudessem ter evitado o Homo sapiens como produto de algo que fosse identificado na época como um rompimento de padrões e um possível convite ao “mal”.

        O mundo da excelência e da competição tem que resgatar seu amor ao diferente, ao exótico, ao feito à mão, ao individualizado, ao não-perfeito, à surpresa, ao descontrole e ao imprevisível. Como poderemos tolerar os outros e amá-los, se não toleramos em nós o que é “outro”, o que está fora de padrão e de expectativas?

        Não há identidade sem o outro; não há bom sem o ruim; não há bem sem o mal. Essa é a maneira como o ser humano enxerga a tensão da vida. Qualquer tentativa  de engenharia que vise extirpar o “outro-ruim” corre o risco de inventar um “bom" monstruoso, que seja desagradável, horrendo e destrutivo. Com certeza o verbo dessa nova frase fundadora do futuro não seria mais o mesmo. Afinal amar é o sentimento capaz de apreciar o diferente. Só poderemos integrar nosso "ruim" a nós se pudermos processá-lo por meio do sentimento de amor.

        Num mundo só bom não há espaço para o humano. Entender isso é o grande desafio de nossa civilização. Mas sem dúvida  implica coisas muito difíceis, tais como amar ou acolher nosso "ruim". Em nossa fraqueza está nossa grandeza. É isso que chamamos de consciência humana - uma "terceira via" entre a ingenuidade animal e a ignorância da dominação. [...]

Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0211199909.htm>.
Acesso em: 29 jan.2023.
Assinale a alternativa que apresenta a correta análise quanto às noções semânticas da linguagem normativa.
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Q4169658 Português

Arte Longa, Vida Breve

Por Cláudia Laitano


(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2023/06/arte-longa-vida-breveclj20eyoj004r0151yd34rba7.html – texto adaptado especialmente para esta prova). 

Assinale a alternativa que apresenta a palavra que poderia substituir corretamente o vocábulo “porvir” (l. 21) sem causar alterações significativas ao sentido original do texto. Desconsidere alterações de gênero das palavras. 
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Q4167635 Português
Texto 2


Lágrimas para irmãos siameses


      Eram duas vezes dois irmãos siameses, nascidos um com o braço no braço do outro fundido. Se pareciam como uma folha e a seguinte. De nomes como assim: Osório e Irrisório. Cresceram os dois, um em consequência do outro. Recíprocos, simultâneos e simétricos. Ainda menininhos, o doutor advisou a mãe:

      ― Podemos separá-los agora, este é o momento conveniente.

      Separá-los. Por quê? Se Deus os queria carne com osso? Se davam bem, amiguíssimos, vizinhos, repartindo o tudo e o nada. Os pais, remediados, compraram um único relógio que ambos partilhavam no comum antebraço. Ao apertar a corrente do relógio, a mãe sentenciou:

   ― Assim, o tempo nunca lhes vai dividir.

    O tempo, esse mesmo, foi descaiando espelhos e os siameses começaram a engrossar a vista em saia e peito. Osório, sobretudo, era mais espevitado. Irrisório era mais metido em si, olhos caseiros. Osório, às duas por muitas, se apaixonou por Marineusa. Se adonzelou com ela, esfregando-se nela até gastar o umbigo. Havia, óbvio, o problema do mano que estava ali, mesmo ao braço de semear. Osório lhe pedia que fechasse olho, tapasse ouvido, alheasse sentido. Irrisório tranquilizava:

     ― Sou homem correcto, descanse mano ó.

      Irrisório, por voz de promessa, sossegava o irmão. O pai, sabedor da vida, sugeriu um encontro familiar. E disse assim:

     ― Vão chegar mulheres e amores. Melhor é vocês separarem-se!

      Mas eles negaram. Eram fiéis, como a canção: juntos para sempre. O pai manteve o mandamento. Porém, foi enfraquecendo perante a insistência dos gêmeos:

      ― Mas, pai, nós, assim alicateados, saímos baratos a Deus: precisamos só de um anjo da guarda.

      E o outro ainda reforçava:

     ― Como podemos separar? Se cada um da gente só tem uma mão?   

    ― É. Só os dois é que somos um.

    Todos riram, arrumado o assunto. Antes de se retirar, o pai ainda sacudiu uma resignação:

   ― Vão ver, o amor junta, o amor separa. (...)


In: COUTO, Mia. Contos do nascer da terra. Lisboa: Ed. Caminho, 1997. 
Qual expressão pode substituir as palavras sublinhadas sem perda de sentido no fragmento: “Separá-los. Por quê? Se Deus os queria carne com osso?”?  
Alternativas
Ano: 2023 Banca: FUNDEPES Órgão: Prefeitura de Penedo - AL Provas: FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Assistente Social | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Odontólogo Endodontista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Médico Generalista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Odontólogo Periodontista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Educação Física | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de História | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Língua Inglesa | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Psicólogo | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Terapeuta Ocupacional | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Médico Veterinário | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Turismólogo | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Geografia | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Nutricionista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Engenheiro em Segurança do Trabalho | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Farmacêutico | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Odontólogo | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Fisioterapeuta | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Fonoaudiólogo | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Biomédico | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Jornalista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Odontólogo Bucomaxilo Facial | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Enfermeiro | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Enfermeiro do Trabalho | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Engenheiro Civil | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Engenheiro de Pesca | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Matemática | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Língua Portuguesa | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Séries Iniciais 25h (Polivalente) |
Q4166664 Português
Barkilphedro continua furando

    Há uma coisa que sempre urge; essa coisa é a ingratidão.
    Barkilphedro não fugiu à regra.
    Tendo recebido tantos benfeitos de Josiane, naturalmente teve um único pensamento, vingar-se.
    Acrescentemos que Josiane era bela, alta, jovem, rica, poderosa, ilustre e que Barkilphedro era feio pequeno, velho, pobre, protegido, obscuro. Era, pois, preciso que se vingasse disso também.
    Quando se é pura noite, como perdoar tanta irradiação?
    Barkilphedro era um irlandês que renegara a Irlanda; má espécie.
    Barkilphedro tinha uma única coisa em seu favor: é que ele tinha uma enorme barriga.
    Uma grande barriga passa como sinal de bondade. Mas essa barriga se somava à hipocrisia de Barkilphedro. Pois aquele homem era extremamente mau.

HUGO, Victor. O homem que ri. Barueri, SP: Amarilys. p. 293.

Em todo esse trecho do romance, para caracterizar os seus personagens, o autor abusa de um efeito estilístico que, no estudo da semântica, denomina-se
Alternativas
Q4163584 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão subsequente.

TEXTO

Sem enfeite nenhum – Adaptado (Adélia Prado)

    A mãe era desse jeito: só ia em missa das cinco, por causa de os gatos no escuro serem pardos. Cinema, só uma vez, quando passou os Milagres do padre Antônio em Urucânia. Desde aí, falava sempre, excitada nos olhos, apressada no cacoete dela de enrolar um cacho de cabelo: se eu fosse lá, quem sabe?
    Sofria palpitação e tonteira, lembro dela caindo na beira do tanque, o vulto dobrado em arco, gente afobada em volta, cheiro de alcanfor. Quando comecei a empinar as blusas com o estufadinho dos peitos, o pai chegou pra almoçar, estudando terreno, e anunciou com a voz que fazia nessas ocasiões, meio saliente: companheiro meu tá vendendo um relogim que é uma gracinha, pulseirinha de crom', danado de bom pra do Carmo. Ela foi logo emendando: tristeza, relógio de pulso e vestido de bolér. Nem bolero ela falou direito de tanta antipatia. Foi água na fervura minha e do pai.
    Vivia repetindo que era graça de Deus se a gente fosse tudo pra um convento e várias vezes por dia era isto: meu Jesus, misericórdia! A senhora tá triste, mãe? eu falava. Não, tou só pedindo a Deus pra ter dó de nós.    
     Tinha muito medo da morte repentina e pra se livrar dela, fazia as nove primeiras sextas-feiras, emendadas. De defunto não tinha medo, só de gente viva, conforme dizia. Agora, da perdição eterna, tinha horror, pra ela e pros outros.
    Quando a Ricardina começou a morrer, no Beco atrás da nossa casa, ela me chamou com a voz alterada: vai lá, a Ricardina tá morrendo, coitada, que Deus perdoe ela, corre lá, quem sabe ainda dá tempo de chamar o padre, falava de arranco, querendo chorar, apavorada: que Deus perdoe ela, ficou falando sem coragem de aluir do lugar. 
    [...]
    Era a mulher mais difícil a mãe. Difícil, assim, de ser agradada. Gostava que eu tirasse só dez e primeiro lugar. Pra essas coisas não poupava, era pasta de primeira, caixa com doze lápis e uniforme mandado plissar. Acho mesmo que meia razão ela teve no caso do relógio, luxo bobo, pra quem só tinha um vestido de sair.
    Rodeava a gente estudar e um dia falou abrupto, por causa do esforço de vencer a vergonha: me dá seus lápis de cor. Foi falando e colorindo laranjado, uma rosa geométrica: cê põe muita força no lápis, se eu tivesse seu tempo, ninguém na escola me passava, inteligência não é estudar, por exemplo falar você em vez de cê, é tão mais bonito, é só acostumar. Quando o coração da gente dispara e a gente fala cortado, era desse jeito que tava a voz da mãe.
    Achava estudo a coisa mais fina e inteligente era mesmo, demais até, pensava com a maior rapidez. Gostava de ler de noite, em voz alta, com tia Santa, os livros da Pia Biblioteca, e de um não esqueci, pois ela insistia com gosto no titulo dele, em latim: Máguina pecatrís. Falava era antusiasmo e nunca tive coragem de corrigir, porque toda vez que tava muito alegre, feito naquela hora, desenhando, feito no dia de noite, o pai fazendo serão, ela falou: coitado, até essa hora no serviço pesado.
    Não estava gostando nem um pouquinho do desenho, mas nem que eu falava. Com tanta satisfação ela passava o lápis, que eu fiquei foi aflita, como sempre que uma coisa boa acontecia.
    [...]
   Dia ruim foi quando o pai entestou de dar um par de sapato pra ela. Foi três vezes na loja e ela botando defeito, achando o modelo jeca, a cor regalada, achando aquilo uma desgraça e que o pai tinha era umas bobagens. Foi até ele enfezar e arrebentar com o trem, de tanta raiva e mágoa.
    Mas sapato é sapato, pior foi com o crucifixo. O pai, voltando de cumprir promessa em Congonhas do Campo, trouxe de presente pra ela um crucifixo torneadinho, o cordão de pendurar, com bambolim nas pontas, a maior gracinha. Ela desembrulhou e falou assim: bonito, mas eu preferia mais se fosse uma cruz simples, sem enfeite nenhum.
   Morreu sem fazer trinta e cinco anos, da morte mais agoniada, encomendando com a maior coragem: a oração dos agonizantes, reza aí pra mim, gente.
    Fiquei hipnotizada, olhando a mãe. Já no caixão, tinha a cara severa de quem sente dor forte, igualzinho no dia que o João Antônio nasceu. Entrei no quarto querendo festejar e falei sem graça: a cara da senhora, parece que tá com raiva, mãe. 

    O Senhor te abençoe e te guarde, Volva a ti o Seu Rosto e se compadeça de ti, O Senhor te dê a Paz.

    Esta é a bênção de São Francisco, que foi abrandando o rosto dela, descansando, descansando, até como ficou, quase entusiasmado.

Era raiva não. Era marca de dor.

(Texto publicado em Prosa Reunida, Editora Siciliano: São Paulo, 1999, incluído por Ítalo Moriconi no livro “Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século”, Editora Objetiva, RJ. Fonte: http://contobrasileiro.com.br/sem-enfeitenenhum-conto-de-adelia-prado-2/)
No trecho: “Dia ruim foi quando o pai ENTESTOU de dar um par de sapato pra ela”, é possível substituir adequadamente, mantendo o sentido original, o termo destacado por
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Q4160605 Português
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        Consegue imaginar uma superfície bidimensional com apenas um lado? Esse estranho objeto que desafia o senso comum existe e é a fita de Möbius. Pode parecer absurdo, mas, se uma formiga caminhasse ao longo dessa fita, percorreria tanto a parte interna quanto a externa sem precisar saltar de um lado para outro. Não acredita? Siga o passo a passo em algum tutorial para montar a fita de Möbius, passe o dedo pela superfície dela e vai perceber que seu dedo vai voltar ao lugar de partida sem que seja preciso levantá-lo da fita.
   
        Esse objeto surpreendente foi descrito, de forma independente, porém no mesmo ano de 1858, por dois matemáticos alemães, August Ferdinand Möbius e Johann Benedict Listing. De fato, Listing descreveu a fita alguns meses antes de Möbius, mas sua pesquisa foi publicada apenas em 1861. Além disso, Möbius era um cientista de maior prestígio naquela época, e seu nome prevaleceu na história.
    
        Möbius e Listing foram pioneiros do campo da topologia, uma disciplina que estuda as propriedades dos objetos geométricos e suas características frente a forças que causam deformações, ou seja, como esses objetos podem ser torcidos, esticados, amassados e dobrados. O grande matemático Leonhard Euler foi o fundador da topologia, mas o estudo da fita de Möbius e suas curiosas características promoveu grandes avanços nessa área. As fitas de Möbius recebem uma classificação exclusiva na topologia, elas são objetos não-orientáveis. Explicando de forma simples, isso quer dizer que se desenharmos uma seta sobre ela, não podemos concluir se a seta está apontando para cima ou para baixo.
    
        Möbius era filho de um professor de dança, que faleceu quando o menino tinha apenas 3 anos. Sua mãe era descendente direta de Martinho Lutero e educou o futuro matemático em casa até os 13 anos. A partir daí, Möbius começou a frequentar a escola no famoso monastério de Pforta, na Saxônia. Desde cedo, demonstrou afinidade pela matemática, mas, como sua família o pressionava para que seguisse uma carreira no Direito, iniciou seus estudos nessa área na prestigiosa Universidade de Leipzig. Foi lá que conheceu o matemático e astrônomo Karl Mollweide, e não teve dúvidas: trocou seu curso de estudos para astronomia e matemática. Mollweide era um cientista brilhante e foi grande influência na carreira de Möbius. Após se formar, ainda teve a fortuna de trabalhar na Universidade de Göttingen com ninguém menos que Carl Friedrich Gauss, o “Príncipe da Matemática”.
    
        A carreira acadêmica de Möbius teve altos e baixos, em grande parte devido a sua timidez. Apesar de receber ofertas de instituições menos prestigiosas, ele almejava uma posição de professor titular na Universidade de Leipzig, mas as coisas não aconteceram como planejava. Ele não era visto como um orador talentoso, e suas palestras e cursos não atraíam muitos alunos. Apesar de trabalhar na Universidade de Leipzig desde 1816, ele foi nomeado professor titular apenas em 1844. Möbius também era astrônomo do Observatório de Leipzig, onde fez inúmeras contribuições para a astronomia, no ramo que estuda os movimentos dos corpos celestes. Por isso, o cientista tem seu nome associado a diversas contribuições na matemática, como a Fórmula de Inversão de Möbius e a Função de Möbius, mas sua mais famosa descoberta, a fita de Möbius foi feita enquanto trabalhava em um outro desafio proposto pela “Académie des Sciences” da França: sobre a teoria geométrica dos poliedros.
    
        Apesar de ser um matemático brilhante, a coincidência acerca da descoberta da fita ter sido feita por Möbius e Listing com apenas alguns meses de diferença pode não ter sido fruto do acaso. Os dois cientistas haviam sido alunos de Gauss, que por sua vez tinha o hábito de não publicar ou desenvolver todas as suas ideias. Em relação aos seus resultados, seu lema era Pauca sed matura (Poucos, mas maduros), ou seja, ele só publicava quando estava inteiramente satisfeito. Assim, uma grande parte dos seus trabalhos só foi descoberta após a sua morte. Muitos autores e historiadores atuais acreditam que a ideia original da fita veio de Gauss, e os dois cientistas desenvolveram o conceito.
    
        Hoje em dia as aplicações da fita de Möbius vão muito além do que Möbius e Listing poderiam ter imaginado. Esse conceito pode ser usado não só em esteiras de aeroportos mas também em escadas rolantes de shoppings, para garantir que o desgaste aconteça de maneira uniforme e aumente a vida útil do equipamento; em fitas magnéticas que permitem a gravação e reprodução contínua de áudio; fitas de impressora ou de máquinas de datilografar; em resistores que não geram interferência magnética; na pesquisa de supercondutores; em estruturas de grafeno para componentes de nanoeletrônica, etc. A topologia também já esteve presente em pesquisas agraciadas com o prêmio Nobel, sendo o mais recente o Nobel da Física em 2016, que descreveu novos estados da matéria, com implicações importantes para o desenvolvimento de supercondutores e superfluidos.
    
        Além das aplicações tecnológicas, essa estranha fita tem servido de inspiração para artistas, como o artista gráfico holandês M.C. Escher, com suas obras que desafiam nossa percepção. E para casais apaixonados, que veem a fita de Möbius como um símbolo do amor eterno, um caminho sem fim, que aparenta ter dois lados, mas só tem um.

LOBO, L. Como a fita de Möbius desafia o senso comum. In: Revista Ciência Hoje [CH 395]. Último acesso: 13 de junho de 2023. (Adaptado). Disponível em: .
“Após se formar, ainda teve a fortuna de trabalhar na Universidade de Göttingen com ninguém menos que Carl Friedrich Gauss”. O vocábulo destacado tem como antônimo o vocábulo:
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Q4160597 Português
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        Consegue imaginar uma superfície bidimensional com apenas um lado? Esse estranho objeto que desafia o senso comum existe e é a fita de Möbius. Pode parecer absurdo, mas, se uma formiga caminhasse ao longo dessa fita, percorreria tanto a parte interna quanto a externa sem precisar saltar de um lado para outro. Não acredita? Siga o passo a passo em algum tutorial para montar a fita de Möbius, passe o dedo pela superfície dela e vai perceber que seu dedo vai voltar ao lugar de partida sem que seja preciso levantá-lo da fita.
   
        Esse objeto surpreendente foi descrito, de forma independente, porém no mesmo ano de 1858, por dois matemáticos alemães, August Ferdinand Möbius e Johann Benedict Listing. De fato, Listing descreveu a fita alguns meses antes de Möbius, mas sua pesquisa foi publicada apenas em 1861. Além disso, Möbius era um cientista de maior prestígio naquela época, e seu nome prevaleceu na história.
    
        Möbius e Listing foram pioneiros do campo da topologia, uma disciplina que estuda as propriedades dos objetos geométricos e suas características frente a forças que causam deformações, ou seja, como esses objetos podem ser torcidos, esticados, amassados e dobrados. O grande matemático Leonhard Euler foi o fundador da topologia, mas o estudo da fita de Möbius e suas curiosas características promoveu grandes avanços nessa área. As fitas de Möbius recebem uma classificação exclusiva na topologia, elas são objetos não-orientáveis. Explicando de forma simples, isso quer dizer que se desenharmos uma seta sobre ela, não podemos concluir se a seta está apontando para cima ou para baixo.
    
        Möbius era filho de um professor de dança, que faleceu quando o menino tinha apenas 3 anos. Sua mãe era descendente direta de Martinho Lutero e educou o futuro matemático em casa até os 13 anos. A partir daí, Möbius começou a frequentar a escola no famoso monastério de Pforta, na Saxônia. Desde cedo, demonstrou afinidade pela matemática, mas, como sua família o pressionava para que seguisse uma carreira no Direito, iniciou seus estudos nessa área na prestigiosa Universidade de Leipzig. Foi lá que conheceu o matemático e astrônomo Karl Mollweide, e não teve dúvidas: trocou seu curso de estudos para astronomia e matemática. Mollweide era um cientista brilhante e foi grande influência na carreira de Möbius. Após se formar, ainda teve a fortuna de trabalhar na Universidade de Göttingen com ninguém menos que Carl Friedrich Gauss, o “Príncipe da Matemática”.
    
        A carreira acadêmica de Möbius teve altos e baixos, em grande parte devido a sua timidez. Apesar de receber ofertas de instituições menos prestigiosas, ele almejava uma posição de professor titular na Universidade de Leipzig, mas as coisas não aconteceram como planejava. Ele não era visto como um orador talentoso, e suas palestras e cursos não atraíam muitos alunos. Apesar de trabalhar na Universidade de Leipzig desde 1816, ele foi nomeado professor titular apenas em 1844. Möbius também era astrônomo do Observatório de Leipzig, onde fez inúmeras contribuições para a astronomia, no ramo que estuda os movimentos dos corpos celestes. Por isso, o cientista tem seu nome associado a diversas contribuições na matemática, como a Fórmula de Inversão de Möbius e a Função de Möbius, mas sua mais famosa descoberta, a fita de Möbius foi feita enquanto trabalhava em um outro desafio proposto pela “Académie des Sciences” da França: sobre a teoria geométrica dos poliedros.
    
        Apesar de ser um matemático brilhante, a coincidência acerca da descoberta da fita ter sido feita por Möbius e Listing com apenas alguns meses de diferença pode não ter sido fruto do acaso. Os dois cientistas haviam sido alunos de Gauss, que por sua vez tinha o hábito de não publicar ou desenvolver todas as suas ideias. Em relação aos seus resultados, seu lema era Pauca sed matura (Poucos, mas maduros), ou seja, ele só publicava quando estava inteiramente satisfeito. Assim, uma grande parte dos seus trabalhos só foi descoberta após a sua morte. Muitos autores e historiadores atuais acreditam que a ideia original da fita veio de Gauss, e os dois cientistas desenvolveram o conceito.
    
        Hoje em dia as aplicações da fita de Möbius vão muito além do que Möbius e Listing poderiam ter imaginado. Esse conceito pode ser usado não só em esteiras de aeroportos mas também em escadas rolantes de shoppings, para garantir que o desgaste aconteça de maneira uniforme e aumente a vida útil do equipamento; em fitas magnéticas que permitem a gravação e reprodução contínua de áudio; fitas de impressora ou de máquinas de datilografar; em resistores que não geram interferência magnética; na pesquisa de supercondutores; em estruturas de grafeno para componentes de nanoeletrônica, etc. A topologia também já esteve presente em pesquisas agraciadas com o prêmio Nobel, sendo o mais recente o Nobel da Física em 2016, que descreveu novos estados da matéria, com implicações importantes para o desenvolvimento de supercondutores e superfluidos.
    
        Além das aplicações tecnológicas, essa estranha fita tem servido de inspiração para artistas, como o artista gráfico holandês M.C. Escher, com suas obras que desafiam nossa percepção. E para casais apaixonados, que veem a fita de Möbius como um símbolo do amor eterno, um caminho sem fim, que aparenta ter dois lados, mas só tem um.

LOBO, L. Como a fita de Möbius desafia o senso comum. In: Revista Ciência Hoje [CH 395]. Último acesso: 13 de junho de 2023. (Adaptado). Disponível em: .
“Apesar de receber ofertas de instituições menos prestigiosas, ele almejava uma posição de professor titular na Universidade de Leipzig”.
A palavra destacada no trecho acima pode ser substituída, sem prejuízo semântico, por:
Alternativas
Respostas
3581: E
3582: C
3583: E
3584: E
3585: A
3586: C
3587: C
3588: D
3589: C
3590: A
3591: A
3592: B
3593: B
3594: E
3595: B
3596: A
3597: B
3598: C
3599: D
3600: C