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Questões de Concurso Comentadas sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 13.818 questões

Q4159109 Português
Leia o texto abaixo para responder à questão.


17 de julho


    Domingo. Um dia maravilhoso. O céu azul sem nuvem. O Sol está tepido. Deixei o leito as 6,30. Fui buscar agua. Fiz café. Tendo só um pedaço de pão e 3 cruzeiros. Dei um pedaço a cada um, puis feijão no fogo que ganhei ontem do Centro Espirita da Rua Vergueiro 103. Fui lavar minhas roupas. Quando retornei do rio o feijão estava cosido. Os filhos pediram pão. Dei os 3 cruzeiros ao João José para ir comprar pão. Hoje é a Nair Mathias quem começou impricar com os meus filhos. A Silvia e o esposo já iniciaram o espetaculo ao ar livre. Ele está lhe espancando. E eu estou revoltada com o que as crianças presenciam. Ouvem palavras de baixo calão. Oh! se eu pudesse mudar daqui para um nucleo mais decente.

    Fui na D. Florela pedir um dente de alho. E fui na D. Analia. E recebi o que esperava:

    — Não tenho!

    Fui torcer as minhas roupas. A D. Aparecida perguntou-me:

    — A senhora está gravida?

    — Não senhora — respondi gentilmente.

    E lhe chinguei interiormente. Se estou gravida não é de sua conta. Tenho pavor destas mulheres da favela. Tudo quer saber! A lingua delas é como os pés de galinha. Tudo espalha. Está circulando rumor que eu estou gravida! E eu, não sabia!

   Saí a noite, e fui catar papel. Quando eu passava perto do campo do São Paulo, varias pessoas saiam do campo. Todas brancas, só um preto. E o preto começou insultar-me:

    — Vai catar papel, minha tia? Olha o buraco, minha tia.

   Eu estava indisposta. Com vontade de deitar. Mas, prossegui. Encontrei varias pessoas amigas e parava para falar. Quando eu subia a Avenida Tiradentes encontrei umas senhoras. Uma perguntou-me:

    — Sarou as pernas?

    Depois que operei, fiquei boa, graças a Deus. E até pude dançar no Carnaval, com minha fantasia de penas. Quem operou-me foi o Dr. José Torres Netto. Bom médico. E falamos de politicos. Quando uma senhora perguntou-me o que acho do Carlos Lacerda, respondi concientemente:

   — Muito inteligente. Mas não tem iducação. É um politico de cortiço. Que gosta de intriga. Um agitador.

    Uma senhora disse que foi pena! A bala que pegou o major podia acertar no Carlos Lacerda.

    — Mas o seu dia… chegará — comentou outra.

   Varias pessoas afluiram-se. Eu, era o alvo das atenções. Fiquei apreensiva, porque eu estava catando papel, andrajosa (…) Depois, não mais quiz falar com ninguem, porque precisava catar papel. Precisava de dinheiro. Eu não tinha dinheiro em casa para comprar pão. Trabalhei até as 11,30. Quando cheguei em casa era 24 horas. Esquentei comida, dei para a Vera Eunice, jantei e deitei-me. Quando despertei, os raios solares penetrava pelas frestas do barracão.


Jesus, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo, 1960. Adaptado. 
Considere o trecho abaixo, retirado do texto.

    “Varias pessoas afluiram-se. Eu, era o alvo das atenções. Fiquei apreensiva, porque eu estava catando papel, andrajosa (…) Depois, não mais quiz falar com ninguem, porque precisava catar papel.”

Assinale a alternativa que apresenta um sinônimo da palavra em destaque.
Alternativas
Q4158793 Português
Uma vela para Dario


   Dario vem apressado, guarda-chuva no braço esquerdo. Assim que dobra a esquina, diminui o passo até parar, encosta-se a uma parede. Por ela escorrega, senta-se na calçada, ainda úmida de chuva. Descansa na pedra o cachimbo.

   Dois ou trés passantes à sua volta indagam se não está bem. Dario abre a boca, move os lábios, não se ouve resposta. O senhor gordo, de branco, diz que deve sofrer de ataque.

   Ele reclina-se mais um pouco, estendido na calçada, e o cachimbo apagou. O rapaz de bigode pede aos outros se afastem e o deixem respirar. Abre-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe tiram os sapatos, Dario rouqueja feio, bolhas de espumа surgem no canto da boca.

   Cada pessoa que chega ergue-se na ponta dos pés, não o pode ver. Os moradores da rua conversam de uma porta a outra, as crianças de pijama acodem à janela. O senhor gordo repete que Dario sentou-se na calçada, soprando a fumaça do cachimbo, encostava o guarda-chuva na parede. Mas não se vê guarda-chuva ou cachimbo ao seu lado.

   A velhinha de cabeça grisalha grita que ele está morrendo. Um grupo o arrasta para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, protesta o motorista: quem pagará a corrida? Concordam chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede - não tem os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.

    Alguém informa da farmácia na outra rua. Não carregam Dario além da esquina; a farmácia no fim do quarteirão e, além do mais, muito peso. É largado na porta de uma peixaria. Enxame de moscas lhe cobrem o rosto, sem que faça um gesto para espantá-las.

    Ocupado o café próximo pelas pessoas que apreciam o incidente e, agora, comendo e bebendo, gozam as delícias da noite. Dario em sossego e torto no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso.

   Um terceiro sugere lhe examinem os papéis, retirados - com vários objetos - de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficam sabendo do nome, idade, sinal de nascença. O endereço na carteira é de outra cidade.

     Registra-se correria de uns duzentos curiosos que, a essa hora, ocupam toda a rua e as calçadas: é a polícia. O carro negro investe a multidão. Várias pessoas tropeçam no corpo de Dario, pisoteado dezessete vezes.

     O guarda aproxima-se do cadáver, não pode identificá-lo - os bolsos vazios. Resta na mão esquerda a aliança de ouro, que ele próprio - quando vivo - só destacava molhando no sabonete A polícia decide chamar o rabecão.

     A última boca repete - Ele morreu, ele morreu. E a gente começa a se dispersar. Dario levou duas horas para morrer, ninguém acreditava estivesse no fim. Agora, aos que alcançam vé-lo, todo o ar de um defunto.

     Um senhor piedoso dobra o paletó de Dario para lhe apoiar a cabeça. Cruza as mãos no peito. Não consegue fechar olho nem boca, onde a espuma sumiu. Apenas um homem morto e a multidão se espalha, as mesas do café ficam vazias. Na janela alguns moradores com almofadas para descansar os cotovelos.

     Um menino de cor e descalço vem com uma vela, que acende ao lado do cadáver. Parece morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.

     Fecham-se uma a uma as janelas. Três horas depois, lá está Dario à espera do rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó. E o dedo sem a aliança. O toco de vela apaga-se às primeiras gotas da chuva, que volta a cair.


(Adaptado de: TREVISAN, Dalton. 33 contos escolhidos. Rio de Janeiro: Record, 2005)
Simbolizam a morte de Dario todas as seguintes expressões: 
Alternativas
Q4158790 Português
    As ruas abertas à livre circulação de pessoas e veículos representam uma das imagens mais vivas da cidade moderna. Apesar de as cidades ocidentais incorporarem várias e até contraditórias versões da modernidade, há um grande consenso a respeito de quais são os elementos básicos da experiência moderna de vida pública urbana: a primazia e a abertura de ruas; a circulação livre; os encontros impessoais e anônimos de pedestres; o uso público e espontâneo das ruas e praças; e a presença de pessoas de diferentes grupos sociais passeando e observando os outros que passam, olhando vitrines, fazendo compras, sentando nos cafés, participando de manifestações políticas, apropriando as ruas para seus festivais e comemorações, ou usando os espaços especialmente designados para o lazer das massas. Esses elementos são associados à vida moderna em cidades capitalistas pelo menos desde a reforma de Paris promovida pelo barão de Haussmann na segunda metade do século XIХ.

   No cerne da concepção de vida pública urbana incorporada na Paris moderna estavam as noções de que o espaço da cidade é aberto para ser usado e usufruído por qualquer um e de que a sociedade de consumo que ele abriga poderia tornar-se acessível a todos. É claro que esse nunca foi exatamente o caso, em Paris ou em qualquer outro lugar.

   As cidades modernas foram sempre marcadas por desigualdades sociais e segregação espacial e nunca deixaram de ser apropriadas de formas bastante diferentes por diversos grupos, dependendo de sua posição social e de seu poder. No entanto, a despeito das persistentes desigualdades e injustiças sociais, as cidades ocidentais modernas sempre mantiveram vários sinais de abertura, sobretudo no que diz respeito à circulação e ao consumo. Esses sinais contribuíram para manter o valor positivo associado à ideia de um espaço público aberto, acessível a todos e a qualquer um. As cidades modernas têm servido de cenário para todo tipo de manifestação política. Na verdade, a promessa de incorporação à sociedade moderna incluía não só a cidade e o consumo, mas tambéma ordem politica. As imagens da cidade moderna são análogas àquelas da ordem liberal-democrática, consolidadaa partir da ficção do contrato social entre pessoas livres e iguais e que moldou a esfera política moderna. Essa ficção, tão radical quanto aquela da cidade aberta, ajudou a destruir a ordem social estamental que a precedeu. No entanto, foi só depois de muitas lutas que as definições de quem poderia serconsiderado "livre e igual"foram pouco a pouco expandidas. Tanto a cidade aberta e sem exclusões quanto a ordem política incorporando todos os cidadãos como iguais nunca existiram, mas seus ideais fundadores e suas promessas de incorporação mantiveram seu poder por pelo menos dois séculos, dando forma a experiências de cidadania e de vida urbana e legitimando as ações de vários grupos excluldos em suas reivindicações por incorporação.


(Adaptado de: CALDEIRA, Teresa Pires do Rio. Cidade de muros: crime, segregação e cidadania em São Paulo. São Paulo: Editora 34; Edusp, 2011, pp 302 a 305) 
As ruas abertas à livre circulação de pessoas e veículos representam uma das imagens mais vivas da cidade moderna. Apesar de as cidades ocidentais incorporarem várias e até contraditórias versões da modernidade, há um grande consenso a respeito de quais são os elementos básicos da experiência moderna de vida pública urbana [...].
No trecho acima, indicam juízos de valor os seguintes termos:
Alternativas
Q4156553 Português
Atenção: Leia o texto a seguir para responder à questão.


    Volta e meia aparece alguém declarando que não gosta de arte contemporânea. Assim, na lata, sem maiores especificações. Normalmente, nesses casos, o contemporâneo entra como uma espécie de estilo tardio; não se gosta da arte contemporânea, mas sim do impressionismo, por exemplo. O que sobressai aí é uma percepção (uma irritação) de que a partir de algum momento na história teria se perdido o foco, e qualquer gesto, por mais arbitrário que pareça, passou a poder reivindicar legitimidade artística. Nostalgias à parte, multiplicaram-se as formas de arte e diversificaram-se as genealogias poéticas.


(Adaptado de: OSORIO, Luiz Camillo. Arte contemporânea brasileira. In: Agenda Brasileira: temas de uma sociedade em mudança (org. André Botelho e Lilia Moritz Schwarcz). Companhia das Letras) 
O verbo sublinhado (reivindicar) no texto pode ser substituído, sem prejuízo para o seu sentido, por:
Alternativas
Q4156550 Português
Atenção: Leia o texto a seguir para responder à questão.


    Em uma era em que a tecnologia é onipresente em todas as esferas da vida, seu papel na Educação tornou-se ainda mais crucial. No entanto, apesar dos benefícios evidentes, muitas escolas no Brasil enfrentam desafios significativos quando se trata de integrar efetivamente a tecnologia na sala de aula.

    A utilização de tecnologia na escola proporciona inúmeras vantagens. Ela pode tornar o aprendizado mais dinâmico, acessível e personalizado, de modo que os alunos explorem conceitos de forma interativa e engajadora. Além disso, ferramentas digitais podem ampliar o acesso a recursos educacionais, permitindo que alunos e professores explorem informações além dos limites físicos da sala de aula. 

    Todavia, a realidade em muitas escolas brasileiras é bem diferente. A falta de recursos financeiros é um dos principais obstáculos para a implementação eficaz da tecnologia na educação. Muitas escolas não possuem infraestrutura adequada, como computadores e acesso à internet de qualidade, dificultando o uso pleno das ferramentas digitais.

    Além disso, a falta de capacitação dos professores para utilizara tecnologia de forma eficaz também é um desafio significativo. A formação adequada é essencial para que os educadores possam integrar a tecnologia de maneira eficiente em seu currículo e prática pedagógica.

    Outra questão crucial é a disparidade no acesso à tecnologia entre as diferentes regiões do país. Enquanto em áreas urbanas os recursos podem ser mais abundantes, em regiões rurais e periféricas o acesso à internet pode ser limitado ou inexistente, criando uma divisão digital que aprofunda as desigualdades educacionais.

    Diante destes desafios, é fundamental que o governo, as instituições educacionais e a sociedade como um todo trabalhem em conjunto para superar as barreiras à utilização da tecnologia na escola. Isso inclui investimentos em infraestrutura tecnológica, programas de capacitação para professores e políticas públicas que promovam o acesso equitativo à tecnologia em todas as regiões do país. 


(Disponível em: www.fadc.org.br/noticias/tecnologia-e-educacao. Adaptado)
A palavra "Todavia" (início do 3º parágrafo) introduz, no contexto, uma
Alternativas
Q4156086 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



O amor é uma rocha sedimentar



Sobre as camadas invisíveis do coração


-



Outro dia, peguei uma pedra nas mãos. Era uma dessas comuns. Bem ordinária, para falar a verdade. Passei o dedo pelas faixas de cores, notei espessuras variadas. As listrinhas imediatamente lembraram à pequena Cíntia que amava Ciências na quinta série que aquela devia ser uma rocha sedimentar.


Desde cedo, amei descobrir que as rochas sedimentares são como grandes livros de histórias. Por serem feitas de deposições lentas de poeira, areia, matéria orgânica e restos de outras rochas, armazenam e preservam vestígios de vidas que passaram por ali. É como se o tempo tivesse decidido botar nelas sua própria caligrafia.


Já reparou que algumas emoções pedem da gente esse tempo rabiscado com intenção? Um tipo de assentamento, uma acomodação lenta e gradativa, sabe? O amor, por exemplo. Fiquei pensando no amor como uma rocha sedimentar.


Não falo apenas do amor romântico das propagandas de margarina que cristalizaram padrões inatingíveis e limitados do que aprendemos sobre o amor. Também não me refiro àquele sentimento inflamado de urgências que confundimos com amor e mais parece fogo de palha. Falo menos ainda daquele conformismo morno batizado de amor, mas que tem como sobrenome a desesperança de encontrar algo melhor a esta altura da vida... (Que vida?)


Penso no amor como algo que se forma devagar, pela acumulação de pequenos gestos intencionais, atravessando o tempo e as intempéries. Aquela emoção que às vezes leva eras para se transformar em algo sólido. Que _______ de camadas e mais camadas de escolhas que _______ sua singularidade.


Não amei meus filhos a primeira vez que os vi. Aqueles bebês com cheirinho inesquecível me _______ um misto de medo e ternura. Impotência e encantamento. Desespero e coragem em estado bruto. Mas o amor... ah, o amor foi se desenhando nas madrugadas.


Nos pequenos sorrisos que já não eram mais reflexos inatos, e sim manifestações de excitação pela descoberta do mundo. Nos choros – os deles e principalmente os meus. No acelerar do coração ao vê-los se lambuzar com uma manga docinha pela primeira vez, como fazia meu pai, até as últimas vezes... No alívio daquele cocô que chega como um prêmio depois de uma semana de constipação. O amor é movimento e participar dele ativamente é um pré-requisito.


A escritora Bell Hooks ensina que o amor não é apenas um sentimento, mas uma ação, escolha e compromisso de nutrir o crescimento espiritual próprio e do outro. Isso cabe no amor entre mãe e filhos, cabe na paternidade, no amor romântico, no amor entre irmãos, entre amigos, entre quaisquer pessoas... Amar alguém é integrar um processo de formação. Lembrando que os vestígios de todos os envolvidos estarão presentes. 

No trecho "Era uma dessas comuns. Bem ordinária, para falar a verdade.", o vocábulo destacado pode ser substituído, sem prejuízo do sentido, por:
Alternativas
Q4156045 Português

PRODUTORES DO MERCOSUL CRITICAM FALTA DE DIÁLOGO COM UE


    Para mais de trinta entidades que formam o Grupo de Países Produtores do Sul (GPS), a União Europeia (UE) corre o risco de se isolar do continente americano. A rede, que agrega associações e empresários do setor na Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, afirma que o bloco quer impor políticas discriminatórias e que geram novas barreiras.


    "Historicamente, temos tido um problema de diálogo com a União Europeia. Eles decidem regras importantes do jogo não em negociação, mas por conta própria", critica Marcelo Regúnaga, coordenador-geral GPS e ex-secretário da Agricultura da Argentina.


    As críticas mais recentes se baseiam nas exigências do Pacto Ecológico Europeu, o Green Deal. A estratégia para guiar o velho continente rumo a uma economia neutra em carbono, na prática, também determina o que é ou não sustentável – e isso se aplica aos parceiros que vendem produtos para o bloco.


    "Fizeram um decreto de como deve ser a exportação para a Europa e de como se deve demonstrar determinados parâmetros. Mas não houve nenhuma oportunidade de diálogo de demonstrar o que é viável, o que é racional e o que não é", justifica Francisco Lezama, coordenador do GPS no Uruguai.


    Por conta disso, o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia corre o risco de não ser ratificado, caso a Europa permaneça inflexível, avalia Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). "O Green Deal tem falhas, e não somos só nós que dizemos. Uma das maiores é que eles não consideram a realidade nossa de produção, que é de clima tropical", exemplifica.


    Ingo Plöger, empresário que acompanha há décadas a negociação do acordo e atualmente está na vice-presidência da Abag, ressalta que a UE é um importante provedor de conceitos mundiais, de regulamentações, mas que sua atual estratégia pode provocar um isolamento. "É um bloco, um continente estratégico, não podemos reduzir sua importância. Mas esta inflexibilidade pode levar a um afastamento efetivo da Europa do continente americano", opina.


    Representantes europeus no Brasil alertam para o risco de a UE perder a janela de oportunidade. "Entendemos que o acordo entre a União Europeia e o Mercosul trará benefícios para ambos os lados e significará, principalmente para a Europa, uma diversificação de sua cadeira de fornecedores", pontua Barbara Konner, vice-presidente da Câmara Brasil-Alemanha em São Paulo (AHK São Paulo), mencionando as mudanças no cenário geopolítico agravado pelo ataque russo à Ucrânia.


    Negociado ao longo de vinte anos, o acordo entre Mercosul, formado por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela – atualmente suspensa – e os 27 países da União Europeia foi assinado em 2019. A partir daquele ano, o Brasil do então presidente Jair Bolsonaro ganharia fama internacional pelas elevadas taxas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado, o que criou um impasse para a ratificação do acordo com os europeus.


    Em março, já sob administração de Luiz Inácio Lula da Silva, que assumiu a presidência do Mercosul, o bloco recebeu uma carta da UE pedindo novas garantias de que os sul-americanos não destruiriam o meio ambiente para turbinar as trocas comerciais.


    Analistas apontam que o agronegócio é o setor que mais deve se beneficiar com o acordo. Em 2022, o Brasil foi o principal vendedor de produtos do setor para UE – soja, café e carne foram os mais comercializados. Para o Mercosul, por outro lado, a Europa ficou menos interessante nas últimas décadas. A China se transformou no principal destino das exportações do bloco, com 29% de participação.


    Para Lezama, a potência asiática oferece algo a mais que os europeus: escuta. "Nós conseguimos discutir o estabelecimento de padrões com chineses. Um exemplo foi o padrão para contaminação de sorgo-de-alepo na soja. Foi uma discussão difícil, mas conversamos e chegamos a um ‘final feliz'", pontua Lezama.


    O sorgo-de-alepo, ou capim-massambará, é uma planta invasora que afeta cultivos como o de soja e milho. No Brasil, um novo protocolo fitossanitário foi implantado em 2022 para atender as demandas de exportação de milho para o mercado chinês.


    A preocupação ambiental e facilidade para fechar, ou não, alguns negócios marcam diferenças importantes entre europeus e chineses, pontua Leandro Consentino, professor de Ciência Política e Relações Internacionais no Insper. "Na China, há uma predisposição maior de se fazer negócio por vários motivos. Não só porque há uma necessidade maior das nossas commodities. Há uma institucionalidade mais baixa de proteção ao meio ambiente também", comenta.


     Na análise do especialista, a falta de uma sociedade civil organizada no país governado por uma ditadura precisa ser considerada. "Na Europa, até por conta da pressão da sociedade civil, é mais difícil que o bloco tenha quaisquer parceiros que não atendam essas características mais duras de proteção ambiental", pondera Cosentino.


     Alguns interesses, por outro lado, podem se camuflar neste cenário, pondera o pesquisador. "Vale mencionar que há uma boa dose de protecionismo por parte do agronegócio europeu que também influencia a negociação com o Mercosul", adiciona.


    Para Charles Pennaforte, coordenador do Laboratório de Geopolítica, Relações Internacionais e Movimentos Antissistêmicos da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), é preciso ter cautela com as assimetrias do acordo e algumas previsões muito otimistas. "Não é possível que o impacto seja mensurado desta maneira, não dá pra prever todas as variáveis porque não se trata de um processo linear. No cômputo geral, a UE vai ser a maior beneficiada", analisa.


     Depois dos anos de "afluxo do antiambientalismo" do governo Bolsonaro, como define Pennaforte, o atual presidente brasileiro parece empenhado em reverter a situação, diz o pesquisador. A queda na taxa de desmatamento da Amazônia e o retorno de compromissos na área enviam sinais positivos ao mundo.


    Entre os produtores rurais, a esperança de que Lula resolvesse o impasse provocado pelas políticas da UE com rapidez está se enfraquecendo, opina Plöger. "Isso pode estar sendo provocado em parte às posições ambíguas de Lula frente ao confronto entre Rússia e Ucrânia, que é uma questão importante para os europeus", analisa.


    Segundo Plöger, os produtores reunidos na Abag estariam dispostos a contribuir com a meta de acabar com o desmatamento ilegal e adotar medidas conjugadas que visem a redução das mudanças climáticas. Para convencer as partes envolvidas nas negociações do acordo comercial, o GPS tem trabalhado com representantes do Mercosul na finalização de um documento mais detalhado que será entregue à União Europeia.


    Carlos Rittl, diretor de políticas públicas para florestas e mudanças climáticas da Wildlife Conservation Society que acompanhou de perto as negociações, avalia que as críticas feitas pelo agronegócio brasileiro vêm também do incômodo do setor em relação às adequações ambientais necessárias. 


    "É um acordo de longo prazo. Por mais que haja compromisso muito forte, e o presidente atual sempre fala do compromisso ambiental nos fóruns internacionais e o trabalho da Marina Silva já está entregando resultado, o acordo tem efeito no longo prazo. Se houver mudança do governo, o acordo tem que assegurar que ele mesmo não sirva de incentivo para quem está desmatando", argumenta Rittl. 


Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/produtores-do-mercosul-criticam-falta-de-diálogo-com-ue/a-66914687/ . Adaptado. Acesso em: 10 de junho de 2026.

Em “o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia corre o risco de não ser ratificado”, o termo destacado significa: 
Alternativas
Q4156042 Português

PRODUTORES DO MERCOSUL CRITICAM FALTA DE DIÁLOGO COM UE


    Para mais de trinta entidades que formam o Grupo de Países Produtores do Sul (GPS), a União Europeia (UE) corre o risco de se isolar do continente americano. A rede, que agrega associações e empresários do setor na Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, afirma que o bloco quer impor políticas discriminatórias e que geram novas barreiras.


    "Historicamente, temos tido um problema de diálogo com a União Europeia. Eles decidem regras importantes do jogo não em negociação, mas por conta própria", critica Marcelo Regúnaga, coordenador-geral GPS e ex-secretário da Agricultura da Argentina.


    As críticas mais recentes se baseiam nas exigências do Pacto Ecológico Europeu, o Green Deal. A estratégia para guiar o velho continente rumo a uma economia neutra em carbono, na prática, também determina o que é ou não sustentável – e isso se aplica aos parceiros que vendem produtos para o bloco.


    "Fizeram um decreto de como deve ser a exportação para a Europa e de como se deve demonstrar determinados parâmetros. Mas não houve nenhuma oportunidade de diálogo de demonstrar o que é viável, o que é racional e o que não é", justifica Francisco Lezama, coordenador do GPS no Uruguai.


    Por conta disso, o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia corre o risco de não ser ratificado, caso a Europa permaneça inflexível, avalia Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). "O Green Deal tem falhas, e não somos só nós que dizemos. Uma das maiores é que eles não consideram a realidade nossa de produção, que é de clima tropical", exemplifica.


    Ingo Plöger, empresário que acompanha há décadas a negociação do acordo e atualmente está na vice-presidência da Abag, ressalta que a UE é um importante provedor de conceitos mundiais, de regulamentações, mas que sua atual estratégia pode provocar um isolamento. "É um bloco, um continente estratégico, não podemos reduzir sua importância. Mas esta inflexibilidade pode levar a um afastamento efetivo da Europa do continente americano", opina.


    Representantes europeus no Brasil alertam para o risco de a UE perder a janela de oportunidade. "Entendemos que o acordo entre a União Europeia e o Mercosul trará benefícios para ambos os lados e significará, principalmente para a Europa, uma diversificação de sua cadeira de fornecedores", pontua Barbara Konner, vice-presidente da Câmara Brasil-Alemanha em São Paulo (AHK São Paulo), mencionando as mudanças no cenário geopolítico agravado pelo ataque russo à Ucrânia.


    Negociado ao longo de vinte anos, o acordo entre Mercosul, formado por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela – atualmente suspensa – e os 27 países da União Europeia foi assinado em 2019. A partir daquele ano, o Brasil do então presidente Jair Bolsonaro ganharia fama internacional pelas elevadas taxas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado, o que criou um impasse para a ratificação do acordo com os europeus.


    Em março, já sob administração de Luiz Inácio Lula da Silva, que assumiu a presidência do Mercosul, o bloco recebeu uma carta da UE pedindo novas garantias de que os sul-americanos não destruiriam o meio ambiente para turbinar as trocas comerciais.


    Analistas apontam que o agronegócio é o setor que mais deve se beneficiar com o acordo. Em 2022, o Brasil foi o principal vendedor de produtos do setor para UE – soja, café e carne foram os mais comercializados. Para o Mercosul, por outro lado, a Europa ficou menos interessante nas últimas décadas. A China se transformou no principal destino das exportações do bloco, com 29% de participação.


    Para Lezama, a potência asiática oferece algo a mais que os europeus: escuta. "Nós conseguimos discutir o estabelecimento de padrões com chineses. Um exemplo foi o padrão para contaminação de sorgo-de-alepo na soja. Foi uma discussão difícil, mas conversamos e chegamos a um ‘final feliz'", pontua Lezama.


    O sorgo-de-alepo, ou capim-massambará, é uma planta invasora que afeta cultivos como o de soja e milho. No Brasil, um novo protocolo fitossanitário foi implantado em 2022 para atender as demandas de exportação de milho para o mercado chinês.


    A preocupação ambiental e facilidade para fechar, ou não, alguns negócios marcam diferenças importantes entre europeus e chineses, pontua Leandro Consentino, professor de Ciência Política e Relações Internacionais no Insper. "Na China, há uma predisposição maior de se fazer negócio por vários motivos. Não só porque há uma necessidade maior das nossas commodities. Há uma institucionalidade mais baixa de proteção ao meio ambiente também", comenta.


     Na análise do especialista, a falta de uma sociedade civil organizada no país governado por uma ditadura precisa ser considerada. "Na Europa, até por conta da pressão da sociedade civil, é mais difícil que o bloco tenha quaisquer parceiros que não atendam essas características mais duras de proteção ambiental", pondera Cosentino.


     Alguns interesses, por outro lado, podem se camuflar neste cenário, pondera o pesquisador. "Vale mencionar que há uma boa dose de protecionismo por parte do agronegócio europeu que também influencia a negociação com o Mercosul", adiciona.


    Para Charles Pennaforte, coordenador do Laboratório de Geopolítica, Relações Internacionais e Movimentos Antissistêmicos da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), é preciso ter cautela com as assimetrias do acordo e algumas previsões muito otimistas. "Não é possível que o impacto seja mensurado desta maneira, não dá pra prever todas as variáveis porque não se trata de um processo linear. No cômputo geral, a UE vai ser a maior beneficiada", analisa.


     Depois dos anos de "afluxo do antiambientalismo" do governo Bolsonaro, como define Pennaforte, o atual presidente brasileiro parece empenhado em reverter a situação, diz o pesquisador. A queda na taxa de desmatamento da Amazônia e o retorno de compromissos na área enviam sinais positivos ao mundo.


    Entre os produtores rurais, a esperança de que Lula resolvesse o impasse provocado pelas políticas da UE com rapidez está se enfraquecendo, opina Plöger. "Isso pode estar sendo provocado em parte às posições ambíguas de Lula frente ao confronto entre Rússia e Ucrânia, que é uma questão importante para os europeus", analisa.


    Segundo Plöger, os produtores reunidos na Abag estariam dispostos a contribuir com a meta de acabar com o desmatamento ilegal e adotar medidas conjugadas que visem a redução das mudanças climáticas. Para convencer as partes envolvidas nas negociações do acordo comercial, o GPS tem trabalhado com representantes do Mercosul na finalização de um documento mais detalhado que será entregue à União Europeia.


    Carlos Rittl, diretor de políticas públicas para florestas e mudanças climáticas da Wildlife Conservation Society que acompanhou de perto as negociações, avalia que as críticas feitas pelo agronegócio brasileiro vêm também do incômodo do setor em relação às adequações ambientais necessárias. 


    "É um acordo de longo prazo. Por mais que haja compromisso muito forte, e o presidente atual sempre fala do compromisso ambiental nos fóruns internacionais e o trabalho da Marina Silva já está entregando resultado, o acordo tem efeito no longo prazo. Se houver mudança do governo, o acordo tem que assegurar que ele mesmo não sirva de incentivo para quem está desmatando", argumenta Rittl. 


Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/produtores-do-mercosul-criticam-falta-de-diálogo-com-ue/a-66914687/ . Adaptado. Acesso em: 10 de junho de 2026.

Em “é preciso ter cautela com as assimetrias do acordo e algumas previsões muito otimistas”, o termo destacado pode ser substituído CORRETAMENTE por: 

Alternativas
Q4156032 Português

Leia o texto IV e responda à questão.

Texto IV

Espelho do tempo: envelhecemos microscopicamente e nos perguntamos se perdemos o frescor

Assista a um telejornal, distraída, quando apareceu na tela o depoimento de um coroa que eu não conhecia, mas, por algum motivo, a imagem me atraiu. Ao ler o nome dele nos créditos, pensei: já conheci um cara com este nome... Peral... Não pode ser. Caramba, é ele. Um amigo que sumiu de vez do meu radar. Pertencemos à mesma turma de praia quando tínhamos 20 anos. Lembro que ele surfava, tinha um jipe e era um gozador nato. E agora estava ali, sisudo na tela da tevê, de terno e gravata, com a pele acinzentada, um fiapo de cabelo, um senhor - da minha idade.

No espelho do banheiro, nosso rosto é o mesmo todo dia. Envelhecemos microscopicamente. De terça para quarta, nenhuma diferença. Até que você encontra na rua uma ex-colega de faculdade ou se depara na tevê com alguém que já fez parte da sua juventude e se pergunta: será que eu também perdi o frescor? Eles se perguntam a mesma coisa quando te veem.

O espelho do banheiro não conta a verdade pelo simples fato de que ignoramos o que é visto toda hora. Já fotografias antigas são espelhos retroversos, demarcam com precisão as diferenças entre o antes e o agora. Outro dia, mostrei para minha filha uma foto de nós duas em 1992; eu a segurava em meu colo. Ela ficou impactada: “Era uma criança.” “Claro, você tinha um aninho.” “Estou falando de ti, mãe”.

É uma questão de perspectiva. Para os bebês, os pais são Matusaléns. No entanto, naquela foto, eu tinha menos idade do que ela tem hoje - éramos não uma, mas duas crianças. Um dia, ela me verá com o rosto completamente craquelado, miúda, corcunda pelo peso dos anos transcorridos, e o susto será outro: serei um espelho do seu futuro. Será obrigada a encarar a velhice que, gostemos ou não, está sempre em nossos calcanhares.

O tempo tem rosto, o tempo tem mãos, o tempo tem voz - e nada disso permanece o mesmo. As superfícies espelhadas reproduzem uma imagem de aparente, visto que, de hoje para amanhã, não se nota alteração. Mas quando encontro minhas amigas a intervalos de tempo, sou atravessada pela verdade óbvia de que não somos mais as meninas do pátio do colégio.

O que me consola é que estes espelhos vivos (a feição atual de nossos velhos afetos) trazem tanto, mas como boas notícias. Em vez de sofrer pelo que está arruinado, busco em cada rosto o sorriso moleque de antigamente, o olhar ainda curioso, a eternidade que mora nos detalhes. Aquele amigo que apareceu na tevê, tão concentrado em sua declaração em frente às câmeras, talvez tenha deixado escapar um filete de irreverência em meio aos verbos empolados que usava, e foi isso que me fez reconhecê-lo. Mesmo o mais implacável dos espelhos reflete algo em nós que não muda.

(MEDEIROS, Martha. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/elaimartha-medeiros/coluna/2025/11/espelhodo-tempo-envelhecemos-miscroscopicamente-e-nos-perguntamos-seperdemos-o-frescor.ghtml> - Texto adaptado.)

Ao longo do texto, a autora utiliza-se de variada seleção vocabular para fazer menção ao entrevistado, o que gera um subentendido. Assinale a opção em que tal subentendido é evidenciado.  
Alternativas
Q4156024 Português

Leia o texto IV e responda à questão.

Texto IV

Espelho do tempo: envelhecemos microscopicamente e nos perguntamos se perdemos o frescor

Assista a um telejornal, distraída, quando apareceu na tela o depoimento de um coroa que eu não conhecia, mas, por algum motivo, a imagem me atraiu. Ao ler o nome dele nos créditos, pensei: já conheci um cara com este nome... Peral... Não pode ser. Caramba, é ele. Um amigo que sumiu de vez do meu radar. Pertencemos à mesma turma de praia quando tínhamos 20 anos. Lembro que ele surfava, tinha um jipe e era um gozador nato. E agora estava ali, sisudo na tela da tevê, de terno e gravata, com a pele acinzentada, um fiapo de cabelo, um senhor - da minha idade.

No espelho do banheiro, nosso rosto é o mesmo todo dia. Envelhecemos microscopicamente. De terça para quarta, nenhuma diferença. Até que você encontra na rua uma ex-colega de faculdade ou se depara na tevê com alguém que já fez parte da sua juventude e se pergunta: será que eu também perdi o frescor? Eles se perguntam a mesma coisa quando te veem.

O espelho do banheiro não conta a verdade pelo simples fato de que ignoramos o que é visto toda hora. Já fotografias antigas são espelhos retroversos, demarcam com precisão as diferenças entre o antes e o agora. Outro dia, mostrei para minha filha uma foto de nós duas em 1992; eu a segurava em meu colo. Ela ficou impactada: “Era uma criança.” “Claro, você tinha um aninho.” “Estou falando de ti, mãe”.

É uma questão de perspectiva. Para os bebês, os pais são Matusaléns. No entanto, naquela foto, eu tinha menos idade do que ela tem hoje - éramos não uma, mas duas crianças. Um dia, ela me verá com o rosto completamente craquelado, miúda, corcunda pelo peso dos anos transcorridos, e o susto será outro: serei um espelho do seu futuro. Será obrigada a encarar a velhice que, gostemos ou não, está sempre em nossos calcanhares.

O tempo tem rosto, o tempo tem mãos, o tempo tem voz - e nada disso permanece o mesmo. As superfícies espelhadas reproduzem uma imagem de aparente, visto que, de hoje para amanhã, não se nota alteração. Mas quando encontro minhas amigas a intervalos de tempo, sou atravessada pela verdade óbvia de que não somos mais as meninas do pátio do colégio.

O que me consola é que estes espelhos vivos (a feição atual de nossos velhos afetos) trazem tanto, mas como boas notícias. Em vez de sofrer pelo que está arruinado, busco em cada rosto o sorriso moleque de antigamente, o olhar ainda curioso, a eternidade que mora nos detalhes. Aquele amigo que apareceu na tevê, tão concentrado em sua declaração em frente às câmeras, talvez tenha deixado escapar um filete de irreverência em meio aos verbos empolados que usava, e foi isso que me fez reconhecê-lo. Mesmo o mais implacável dos espelhos reflete algo em nós que não muda.

(MEDEIROS, Martha. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/elaimartha-medeiros/coluna/2025/11/espelhodo-tempo-envelhecemos-miscroscopicamente-e-nos-perguntamos-seperdemos-o-frescor.ghtml> - Texto adaptado.)

Assinale a opção em que o valor semântico dos termos em destaque está correto.  
Alternativas
Q4156002 Português

Leia o texto e responda à questão.

Texto I

'Quer adressar?', me perguntou a moça

Dicas para acessar o português moderno e não dar a resposta errada a uma boa proposta

De início, não entendi o verbo cravado no coração da frase e, usando o envelhecer a meu favor, fingindo perda de audição pela idade avançada, pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse.

O cenário era a loja chique de um shopping no Leblon, onde eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso que, sem carro, eu não podia levar naquele momento. Foram necessárias três repetições da frase até que - como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui - a ficha caiu:

“Eu posso adressar o produto amanhã cedo para a sua casa?”, era o que perguntava a moça, fazendo-se finalmente entender.

Os neologismos participam da língua, inputam em alguns casos a solução onde antes havia um gap de comunicação. “Adressar’, metabolizado do inglês to address, era endereçar a paciência para um lugar muito distante de qualquer necessidade, mas entendi o approach. A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping. Bastava me remeter (se quisesse falar um português bonito), me despachar (se gostasse de mostrar a chiadeira do sotaque carioca) ou simplesmente me entregar a compra - verbos que seriam imediatamente compreensíveis por qualquer idoso - amanhã cedo. Ri por dentro.

A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, rogar na de Luís de Camões, na de Ana Martins Marques, e - como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas - tirar prazer disso. Para manter o emprego, equilibro num parágrafo as ordens do manual de redação - exibindo às vezes uma mesóclise de polainas - e já no parágrafo seguinte caio de boca - com o piercing no lábio inferior - no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina. Nada a ver com os rigores de um professor de português. O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado.

Ela adora uma novidade, mas não é boba. Já enfrentou o gerundismo, o “a nível de”, o prefeito que proibiu usar “sale” nas vitrines, o “atravessamento”, o ministro que traduzia para o tupi-guarani as expressões que chegavam ao gabinete em inglês. Na onda do mundo digital, é natural reciclar palavras que acessem, que resetem, que escaneiem ou zapeiem o novo cotidiano agora online. Algumas logo desaparecem debaixo da risada geral (estartar, por exemplo), outras seguirão, numa nice, para os jobs do dia a dia.

Eu printo, tu printas, quem nunca? Na semana passada, uma amiga me telefonou para contar a última do vocabulário em seu escritório. Na reunião da manhã, o diretor executivo exultava de felicidade, e fez um speech dizendo que “o resultado do benchmark draivou a melhoria do processo” - isso mesmo, no sentido de “to drive” do inglês, o benchmark guiou, dirigiu com sucesso os negócios do escritório. O resto foi o de sempre, e tome deadline, upscaling, asap, trade marketing e foco no cliente.

A propósito. Preciso dizer que quando eu, cliente, finalmente entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de “adressar” a compra, eu aquiesci jovial - e me fiz up to date:

“Sim, por favor, adressa, sim”.

(SANTOS, Joaquim Ferreira dos. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/cultura/joaquim-ferreira-dos-santos/coluna/2025/10/quer-adressar-me-perguntou-a-moca.ghtml>.

No contexto da crônica, qual a ideia expressa pelo termo “mesóclise de polainas” (§5º)? 
Alternativas
Q4156000 Português

Leia o texto e responda à questão.

Texto I

'Quer adressar?', me perguntou a moça

Dicas para acessar o português moderno e não dar a resposta errada a uma boa proposta

De início, não entendi o verbo cravado no coração da frase e, usando o envelhecer a meu favor, fingindo perda de audição pela idade avançada, pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse.

O cenário era a loja chique de um shopping no Leblon, onde eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso que, sem carro, eu não podia levar naquele momento. Foram necessárias três repetições da frase até que - como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui - a ficha caiu:

“Eu posso adressar o produto amanhã cedo para a sua casa?”, era o que perguntava a moça, fazendo-se finalmente entender.

Os neologismos participam da língua, inputam em alguns casos a solução onde antes havia um gap de comunicação. “Adressar’, metabolizado do inglês to address, era endereçar a paciência para um lugar muito distante de qualquer necessidade, mas entendi o approach. A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping. Bastava me remeter (se quisesse falar um português bonito), me despachar (se gostasse de mostrar a chiadeira do sotaque carioca) ou simplesmente me entregar a compra - verbos que seriam imediatamente compreensíveis por qualquer idoso - amanhã cedo. Ri por dentro.

A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, rogar na de Luís de Camões, na de Ana Martins Marques, e - como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas - tirar prazer disso. Para manter o emprego, equilibro num parágrafo as ordens do manual de redação - exibindo às vezes uma mesóclise de polainas - e já no parágrafo seguinte caio de boca - com o piercing no lábio inferior - no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina. Nada a ver com os rigores de um professor de português. O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado.

Ela adora uma novidade, mas não é boba. Já enfrentou o gerundismo, o “a nível de”, o prefeito que proibiu usar “sale” nas vitrines, o “atravessamento”, o ministro que traduzia para o tupi-guarani as expressões que chegavam ao gabinete em inglês. Na onda do mundo digital, é natural reciclar palavras que acessem, que resetem, que escaneiem ou zapeiem o novo cotidiano agora online. Algumas logo desaparecem debaixo da risada geral (estartar, por exemplo), outras seguirão, numa nice, para os jobs do dia a dia.

Eu printo, tu printas, quem nunca? Na semana passada, uma amiga me telefonou para contar a última do vocabulário em seu escritório. Na reunião da manhã, o diretor executivo exultava de felicidade, e fez um speech dizendo que “o resultado do benchmark draivou a melhoria do processo” - isso mesmo, no sentido de “to drive” do inglês, o benchmark guiou, dirigiu com sucesso os negócios do escritório. O resto foi o de sempre, e tome deadline, upscaling, asap, trade marketing e foco no cliente.

A propósito. Preciso dizer que quando eu, cliente, finalmente entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de “adressar” a compra, eu aquiesci jovial - e me fiz up to date:

“Sim, por favor, adressa, sim”.

(SANTOS, Joaquim Ferreira dos. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/cultura/joaquim-ferreira-dos-santos/coluna/2025/10/quer-adressar-me-perguntou-a-moca.ghtml>.

“Quando uma língua recebe palavras de outra, submete-as imediatamente, adapta-as à sua estrutura. O mesmo fenômeno pode ser verificado quando se criam palavras novas: elas seguem regras velhas. Os estrangeirismos e os neologismos são provas evidentes da força de uma língua, e não um descalabro.”
POSSENTI, Sírio. Disponível em: <https://cienciahoje.org.br/coluna/certas-palavras> - Acesso em 25 fev. 2026.
Em que opção o excerto destacado do texto de Joaquim Ferreira dos Santos ratifica as ideias defendidas por Possenti? 
Alternativas
Q4155998 Português

Leia o texto e responda à questão.

Texto I

'Quer adressar?', me perguntou a moça

Dicas para acessar o português moderno e não dar a resposta errada a uma boa proposta

De início, não entendi o verbo cravado no coração da frase e, usando o envelhecer a meu favor, fingindo perda de audição pela idade avançada, pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse.

O cenário era a loja chique de um shopping no Leblon, onde eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso que, sem carro, eu não podia levar naquele momento. Foram necessárias três repetições da frase até que - como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui - a ficha caiu:

“Eu posso adressar o produto amanhã cedo para a sua casa?”, era o que perguntava a moça, fazendo-se finalmente entender.

Os neologismos participam da língua, inputam em alguns casos a solução onde antes havia um gap de comunicação. “Adressar’, metabolizado do inglês to address, era endereçar a paciência para um lugar muito distante de qualquer necessidade, mas entendi o approach. A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping. Bastava me remeter (se quisesse falar um português bonito), me despachar (se gostasse de mostrar a chiadeira do sotaque carioca) ou simplesmente me entregar a compra - verbos que seriam imediatamente compreensíveis por qualquer idoso - amanhã cedo. Ri por dentro.

A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, rogar na de Luís de Camões, na de Ana Martins Marques, e - como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas - tirar prazer disso. Para manter o emprego, equilibro num parágrafo as ordens do manual de redação - exibindo às vezes uma mesóclise de polainas - e já no parágrafo seguinte caio de boca - com o piercing no lábio inferior - no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina. Nada a ver com os rigores de um professor de português. O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado.

Ela adora uma novidade, mas não é boba. Já enfrentou o gerundismo, o “a nível de”, o prefeito que proibiu usar “sale” nas vitrines, o “atravessamento”, o ministro que traduzia para o tupi-guarani as expressões que chegavam ao gabinete em inglês. Na onda do mundo digital, é natural reciclar palavras que acessem, que resetem, que escaneiem ou zapeiem o novo cotidiano agora online. Algumas logo desaparecem debaixo da risada geral (estartar, por exemplo), outras seguirão, numa nice, para os jobs do dia a dia.

Eu printo, tu printas, quem nunca? Na semana passada, uma amiga me telefonou para contar a última do vocabulário em seu escritório. Na reunião da manhã, o diretor executivo exultava de felicidade, e fez um speech dizendo que “o resultado do benchmark draivou a melhoria do processo” - isso mesmo, no sentido de “to drive” do inglês, o benchmark guiou, dirigiu com sucesso os negócios do escritório. O resto foi o de sempre, e tome deadline, upscaling, asap, trade marketing e foco no cliente.

A propósito. Preciso dizer que quando eu, cliente, finalmente entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de “adressar” a compra, eu aquiesci jovial - e me fiz up to date:

“Sim, por favor, adressa, sim”.

(SANTOS, Joaquim Ferreira dos. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/cultura/joaquim-ferreira-dos-santos/coluna/2025/10/quer-adressar-me-perguntou-a-moca.ghtml>.

Em que opção as ideias expressas NÃO encontram respaldo no texto?  
Alternativas
Q4155997 Português

Leia o texto e responda à questão.

Texto I

'Quer adressar?', me perguntou a moça

Dicas para acessar o português moderno e não dar a resposta errada a uma boa proposta

De início, não entendi o verbo cravado no coração da frase e, usando o envelhecer a meu favor, fingindo perda de audição pela idade avançada, pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse.

O cenário era a loja chique de um shopping no Leblon, onde eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso que, sem carro, eu não podia levar naquele momento. Foram necessárias três repetições da frase até que - como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui - a ficha caiu:

“Eu posso adressar o produto amanhã cedo para a sua casa?”, era o que perguntava a moça, fazendo-se finalmente entender.

Os neologismos participam da língua, inputam em alguns casos a solução onde antes havia um gap de comunicação. “Adressar’, metabolizado do inglês to address, era endereçar a paciência para um lugar muito distante de qualquer necessidade, mas entendi o approach. A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping. Bastava me remeter (se quisesse falar um português bonito), me despachar (se gostasse de mostrar a chiadeira do sotaque carioca) ou simplesmente me entregar a compra - verbos que seriam imediatamente compreensíveis por qualquer idoso - amanhã cedo. Ri por dentro.

A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, rogar na de Luís de Camões, na de Ana Martins Marques, e - como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas - tirar prazer disso. Para manter o emprego, equilibro num parágrafo as ordens do manual de redação - exibindo às vezes uma mesóclise de polainas - e já no parágrafo seguinte caio de boca - com o piercing no lábio inferior - no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina. Nada a ver com os rigores de um professor de português. O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado.

Ela adora uma novidade, mas não é boba. Já enfrentou o gerundismo, o “a nível de”, o prefeito que proibiu usar “sale” nas vitrines, o “atravessamento”, o ministro que traduzia para o tupi-guarani as expressões que chegavam ao gabinete em inglês. Na onda do mundo digital, é natural reciclar palavras que acessem, que resetem, que escaneiem ou zapeiem o novo cotidiano agora online. Algumas logo desaparecem debaixo da risada geral (estartar, por exemplo), outras seguirão, numa nice, para os jobs do dia a dia.

Eu printo, tu printas, quem nunca? Na semana passada, uma amiga me telefonou para contar a última do vocabulário em seu escritório. Na reunião da manhã, o diretor executivo exultava de felicidade, e fez um speech dizendo que “o resultado do benchmark draivou a melhoria do processo” - isso mesmo, no sentido de “to drive” do inglês, o benchmark guiou, dirigiu com sucesso os negócios do escritório. O resto foi o de sempre, e tome deadline, upscaling, asap, trade marketing e foco no cliente.

A propósito. Preciso dizer que quando eu, cliente, finalmente entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de “adressar” a compra, eu aquiesci jovial - e me fiz up to date:

“Sim, por favor, adressa, sim”.

(SANTOS, Joaquim Ferreira dos. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/cultura/joaquim-ferreira-dos-santos/coluna/2025/10/quer-adressar-me-perguntou-a-moca.ghtml>.

Em que opção a análise do termo destacado está correta?  
Alternativas
Q4155293 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto a seguir.


Uma vela para Dario


     Dario vem apressado, guarda-chuva no braço esquerdo. Assim que dobra a esquina, diminui o passo até parar, encosta-se a uma parede. Por ela escorrega, senta-se na calçada, ainda úmida de chuva. Descansa na pedra o cachimbo.

    Dois ou três passantes à sua volta indagam se não está bem. Dario abre a boca, move os lábios, não se ouve resposta. O senhor gordo, de branco, diz que deve sofrer de ataque.

   Ele reclina-se mais um pouco, estendido na calçada, e o cachimbo apagou. O rapaz de bigode pede aos outros se afastem e o deixem respirar. Abre-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe tiram os sapatos, Dario rouqueja feio, bolhas de espuma surgem no canto da boca.

    Cada pessoa que chega ergue-se na ponta dos pés, não o pode ver. Os moradores da rua conversam de uma porta a outra, as crianças de pijama acodem à janela. O senhor gordo repete que Dario sentou-se na calçada, soprando a fumaça do cachimbo, encostava o guarda-chuva na parede. Mas não se v guarda-chuva ou cachimbo ao seu lado.

    A velhinha de cabeça grisalha grita que ele está morrendo. Um grupo o arrasta para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, protesta o motorista: quem pagará a corrida? Concordam chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede - não tem os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.

    Alguém informa da farmácia na outra rua. Não carregam Dario além da esquina; a farmácia no fim do quarteirão e, além do mais, muito peso. É largado na porta de uma peixaria. Enxame de moscas lhe cobrem o rosto, sem que faça um gesto para espantá-las.

   Ocupado o café próximo pelas pessoas que apreciam o incidente e, agora, comendo e bebendo, gozam as delícias da noite. Dario em sossego e torto no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso.

   Um terceiro sugere lhe examinem os papéis, retirados - com vários objetos - de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficam sabendo do nome, idade, sinal de nascença. O endereço na carteira é de outra cidade.

    Registra-se correria de uns duzentos curiosos que, a essa hora, ocupam toda a rua e as calçadas: é a polícia. O carro negro investe a multidão. Várias pessoas tropeçam no corpo de Dario, pisoteado dezessete vezes.

    O guarda aproxima-se do cadáver, não pode identificá-lo - os bolsos vazios. Resta na mão esquerda a aliança de ouro, que ele próprio - quando vivo - só destacava molhando no sabonete. A polícia decide chamar o rabecão.

   A última boca repete - Ele morreu, ele morreu. E a gente começa a se dispersar. Dario levou duas horas para morrer, ninguém acreditava estivesse no fim. Agora, aos que alcançam vê-lo, todo o ar de um defunto.

   Um senhor piedoso dobra o paletó de Dario para lhe apoiar a cabeça. Cruza as mãos no peito. Não consegue fechar olho nem boca, onde a espuma sumiu. Apenas um homem morto e a multidão se espalha, as mesas do café ficam vazias. Na janela alguns moradores com almofadas para descansar os cotovelos.

    Um menino de cor e descalço vem com uma vela, que acende ao lado do cadáver. Parece morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.

    Fecham-se uma a uma as janelas. Três horas depois, lá está Dario à espera do rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó. E o dedo sem a aliança. O toco de vela apaga-se às primeiras gotas da chuva, que volta a cair.


(Adaptado de: TREVISAN, Dalton. 33 contos escolhidos. Rio de Janeiro: Record, 2005)
Simbolizam a morte de Dario todas as seguintes expressões:
Alternativas
Q4153953 Português
Ministério da Saúde anuncia quase R$ 12 milhões para o enfrentamento da doença de Chagas em municípios


    O Ministério da Saúde anunciou, no Dia Mundial da Doença de Chagas, o investimento de quase R$ 12 milhões para o fortalecimento das ações de vigilância e controle da doença de Chagas em 17 estados do país. Com o repasse, o Governo do Brasil reforça o compromisso de manter o país avançando no controle da doença. O recurso fortalece a capacidade de atuação contínua em 155 municípios prioritários, apoiando ações essenciais como captura e monitoramento de vetores, vigilância e resposta rápida a focos. 

    “Não podemos esquecer que se trata de uma doença relevante, que já ultrapassou fronteiras e hoje também está presente no sul dos Estados Unidos, o que amplia a preocupação em nível global. Felizmente, o Brasil tem avançado de forma consistente no enfrentamento da doença. Houve um aumento de 130% na testagem para Chagas, fortalecendo a detecção precoce e ampliando as oportunidades de cuidado oportuno para a população”, afirmou o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

    Durante a 18ª edição da Expoepi, em Brasília, um dos principais eventos de vigilância em saúde do país, foram reconhecidos os municípios de Anápolis e Goiânia, em Goiás, com selo bronze de boas práticas para eliminação da transmissão vertical da doença. A programação da mostra inclui apresentação de pesquisas, iniciativas de vigilância e experiências bem-sucedidas nos territórios. O evento também conta com uma exposição dedicada à doença de Chagas, com conteúdos educativos sobre prevenção, diagnóstico e tratamento voltados a profissionais de saúde e à população.

    “A doença de Chagas ainda representa um desafio importante para a saúde pública, especialmente em áreas com maior vulnerabilidade social e presença de vetores. Estamos direcionando recursos com base em critérios técnicos, o que permite maior efetividade das ações e impacto direto na redução da transmissão. Nosso compromisso é ampliar o diagnóstico, garantir o tratamento oportuno e avançar de forma consistente na eliminação da doença como problema de saúde pública no Brasil”, afirmou a Secretária de Vigilância em Saúde e Meio Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão.

    A seleção foi baseada em critérios técnicos que consideram a interação dos insetos vetores com o ambiente e vulnerabilidade social, com prioridade para municípios classificados como de risco “muito alto” em índice composto (presença de vetores e condições socioambientais) e localidades com registro recente do vetor Triatoma infestans. Também foram considerados municípios com alta prioridade e de muito alta prioridade, para a forma crônica da doença de Chagas, concentrados principalmente nas regiões Nordeste e Sudeste. 

    O Ministério da Saúde, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), também anunciou a fase 2 do projeto “Selênio como tratamento na cardiopatia crônica da doença de Chagas (STCC-2)”, que busca avaliar a eficácia e a segurança do mineral como estratégia terapêutica complementar para pacientes com cardiopatia chagásica crônica. 

    A expectativa é que a pesquisa gere evidências científicas mais robustas e representativas em diferentes perfis de pacientes. Os resultados poderão subsidiar a avaliação de tecnologias à base de selênio – substância com ação antioxidante e anti-inflamatória – para proteção cardiovascular, além de apoiar sua possível incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS).

    Para a Secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, os avanços científicos são essenciais para ampliar as opções terapêuticas e garantir o cuidado em tempo oportuno no SUS. “A doença de Chagas ainda afeta muitas famílias brasileiras, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade. Por isso, investir em pesquisas nessa área é também um compromisso com a equidade e com a promoção de um cuidado mais digno e acessível para todos”, destacou.

    O Brasil tem ampliado o enfrentamento à doença de Chagas com mais diagnóstico, vigilância e assistência. Entre 2023 e 2025, a distribuição de testes e medicamentos cresceu mais de 130%, aumentando a detecção e o tratamento. As ações ganham ainda mais relevância durante a mobilização pelo Dia Mundial da Doença de Chagas, com foco no cuidado integral e na prevenção.

    Entre os avanços estão a retomada do benznidazol pediátrico, a ampliação de especialistas no SUS e o reforço da vigilância com recursos para municípios. O país também prepara a certificação inédita de cidades pela eliminação da transmissão vertical da doença.

    Nesse contexto, o Programa Brasil Saudável busca eliminar a doença como problema de saúde pública até 2030, com foco na redução das transmissões vetorial, oral e vertical, além do diagnóstico precoce e tratamento gratuito pelo SUS. A iniciativa integra ações de 14 ministérios, prioriza populações vulneráveis e reconhece a doença como socialmente determinada, ainda presente em cerca de 1,2 milhão de brasileiros.

    O cenário epidemiológico reforça a urgência das medidas: em 2024, foram registrados 3.750 óbitos, com maior concentração no Sudeste. No mesmo período, houve 520 casos agudos, principalmente no Norte, com destaque para o Pará. Em 2025, dados preliminares indicam 627 casos agudos (97% no Norte) e 8.106 casos crônicos, concentrados em Minas Gerais, Bahia e Goiás, evidenciando a persistência da doença em áreas endêmicas.


(Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/. Acesso em: abril de 2026. Adaptado.)
Quanto ao emprego semântico do termo destacado no fragmento “Os resultados poderão subsidiar a avaliação de tecnologias à base de selênio [...], além de apoiar sua possível incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS).” (7º§), é correto afirmar que: 
Alternativas
Q4153951 Português
Ministério da Saúde anuncia quase R$ 12 milhões para o enfrentamento da doença de Chagas em municípios


    O Ministério da Saúde anunciou, no Dia Mundial da Doença de Chagas, o investimento de quase R$ 12 milhões para o fortalecimento das ações de vigilância e controle da doença de Chagas em 17 estados do país. Com o repasse, o Governo do Brasil reforça o compromisso de manter o país avançando no controle da doença. O recurso fortalece a capacidade de atuação contínua em 155 municípios prioritários, apoiando ações essenciais como captura e monitoramento de vetores, vigilância e resposta rápida a focos. 

    “Não podemos esquecer que se trata de uma doença relevante, que já ultrapassou fronteiras e hoje também está presente no sul dos Estados Unidos, o que amplia a preocupação em nível global. Felizmente, o Brasil tem avançado de forma consistente no enfrentamento da doença. Houve um aumento de 130% na testagem para Chagas, fortalecendo a detecção precoce e ampliando as oportunidades de cuidado oportuno para a população”, afirmou o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

    Durante a 18ª edição da Expoepi, em Brasília, um dos principais eventos de vigilância em saúde do país, foram reconhecidos os municípios de Anápolis e Goiânia, em Goiás, com selo bronze de boas práticas para eliminação da transmissão vertical da doença. A programação da mostra inclui apresentação de pesquisas, iniciativas de vigilância e experiências bem-sucedidas nos territórios. O evento também conta com uma exposição dedicada à doença de Chagas, com conteúdos educativos sobre prevenção, diagnóstico e tratamento voltados a profissionais de saúde e à população.

    “A doença de Chagas ainda representa um desafio importante para a saúde pública, especialmente em áreas com maior vulnerabilidade social e presença de vetores. Estamos direcionando recursos com base em critérios técnicos, o que permite maior efetividade das ações e impacto direto na redução da transmissão. Nosso compromisso é ampliar o diagnóstico, garantir o tratamento oportuno e avançar de forma consistente na eliminação da doença como problema de saúde pública no Brasil”, afirmou a Secretária de Vigilância em Saúde e Meio Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão.

    A seleção foi baseada em critérios técnicos que consideram a interação dos insetos vetores com o ambiente e vulnerabilidade social, com prioridade para municípios classificados como de risco “muito alto” em índice composto (presença de vetores e condições socioambientais) e localidades com registro recente do vetor Triatoma infestans. Também foram considerados municípios com alta prioridade e de muito alta prioridade, para a forma crônica da doença de Chagas, concentrados principalmente nas regiões Nordeste e Sudeste. 

    O Ministério da Saúde, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), também anunciou a fase 2 do projeto “Selênio como tratamento na cardiopatia crônica da doença de Chagas (STCC-2)”, que busca avaliar a eficácia e a segurança do mineral como estratégia terapêutica complementar para pacientes com cardiopatia chagásica crônica. 

    A expectativa é que a pesquisa gere evidências científicas mais robustas e representativas em diferentes perfis de pacientes. Os resultados poderão subsidiar a avaliação de tecnologias à base de selênio – substância com ação antioxidante e anti-inflamatória – para proteção cardiovascular, além de apoiar sua possível incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS).

    Para a Secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, os avanços científicos são essenciais para ampliar as opções terapêuticas e garantir o cuidado em tempo oportuno no SUS. “A doença de Chagas ainda afeta muitas famílias brasileiras, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade. Por isso, investir em pesquisas nessa área é também um compromisso com a equidade e com a promoção de um cuidado mais digno e acessível para todos”, destacou.

    O Brasil tem ampliado o enfrentamento à doença de Chagas com mais diagnóstico, vigilância e assistência. Entre 2023 e 2025, a distribuição de testes e medicamentos cresceu mais de 130%, aumentando a detecção e o tratamento. As ações ganham ainda mais relevância durante a mobilização pelo Dia Mundial da Doença de Chagas, com foco no cuidado integral e na prevenção.

    Entre os avanços estão a retomada do benznidazol pediátrico, a ampliação de especialistas no SUS e o reforço da vigilância com recursos para municípios. O país também prepara a certificação inédita de cidades pela eliminação da transmissão vertical da doença.

    Nesse contexto, o Programa Brasil Saudável busca eliminar a doença como problema de saúde pública até 2030, com foco na redução das transmissões vetorial, oral e vertical, além do diagnóstico precoce e tratamento gratuito pelo SUS. A iniciativa integra ações de 14 ministérios, prioriza populações vulneráveis e reconhece a doença como socialmente determinada, ainda presente em cerca de 1,2 milhão de brasileiros.

    O cenário epidemiológico reforça a urgência das medidas: em 2024, foram registrados 3.750 óbitos, com maior concentração no Sudeste. No mesmo período, houve 520 casos agudos, principalmente no Norte, com destaque para o Pará. Em 2025, dados preliminares indicam 627 casos agudos (97% no Norte) e 8.106 casos crônicos, concentrados em Minas Gerais, Bahia e Goiás, evidenciando a persistência da doença em áreas endêmicas.


(Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/. Acesso em: abril de 2026. Adaptado.)
No trecho “Os resultados poderão subsidiar a avaliação de tecnologias à base de selênio [...]” (7º§), “subsidiar” tem sentido de:
Alternativas
Q4153949 Português
Ministério da Saúde anuncia quase R$ 12 milhões para o enfrentamento da doença de Chagas em municípios


    O Ministério da Saúde anunciou, no Dia Mundial da Doença de Chagas, o investimento de quase R$ 12 milhões para o fortalecimento das ações de vigilância e controle da doença de Chagas em 17 estados do país. Com o repasse, o Governo do Brasil reforça o compromisso de manter o país avançando no controle da doença. O recurso fortalece a capacidade de atuação contínua em 155 municípios prioritários, apoiando ações essenciais como captura e monitoramento de vetores, vigilância e resposta rápida a focos. 

    “Não podemos esquecer que se trata de uma doença relevante, que já ultrapassou fronteiras e hoje também está presente no sul dos Estados Unidos, o que amplia a preocupação em nível global. Felizmente, o Brasil tem avançado de forma consistente no enfrentamento da doença. Houve um aumento de 130% na testagem para Chagas, fortalecendo a detecção precoce e ampliando as oportunidades de cuidado oportuno para a população”, afirmou o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

    Durante a 18ª edição da Expoepi, em Brasília, um dos principais eventos de vigilância em saúde do país, foram reconhecidos os municípios de Anápolis e Goiânia, em Goiás, com selo bronze de boas práticas para eliminação da transmissão vertical da doença. A programação da mostra inclui apresentação de pesquisas, iniciativas de vigilância e experiências bem-sucedidas nos territórios. O evento também conta com uma exposição dedicada à doença de Chagas, com conteúdos educativos sobre prevenção, diagnóstico e tratamento voltados a profissionais de saúde e à população.

    “A doença de Chagas ainda representa um desafio importante para a saúde pública, especialmente em áreas com maior vulnerabilidade social e presença de vetores. Estamos direcionando recursos com base em critérios técnicos, o que permite maior efetividade das ações e impacto direto na redução da transmissão. Nosso compromisso é ampliar o diagnóstico, garantir o tratamento oportuno e avançar de forma consistente na eliminação da doença como problema de saúde pública no Brasil”, afirmou a Secretária de Vigilância em Saúde e Meio Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão.

    A seleção foi baseada em critérios técnicos que consideram a interação dos insetos vetores com o ambiente e vulnerabilidade social, com prioridade para municípios classificados como de risco “muito alto” em índice composto (presença de vetores e condições socioambientais) e localidades com registro recente do vetor Triatoma infestans. Também foram considerados municípios com alta prioridade e de muito alta prioridade, para a forma crônica da doença de Chagas, concentrados principalmente nas regiões Nordeste e Sudeste. 

    O Ministério da Saúde, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), também anunciou a fase 2 do projeto “Selênio como tratamento na cardiopatia crônica da doença de Chagas (STCC-2)”, que busca avaliar a eficácia e a segurança do mineral como estratégia terapêutica complementar para pacientes com cardiopatia chagásica crônica. 

    A expectativa é que a pesquisa gere evidências científicas mais robustas e representativas em diferentes perfis de pacientes. Os resultados poderão subsidiar a avaliação de tecnologias à base de selênio – substância com ação antioxidante e anti-inflamatória – para proteção cardiovascular, além de apoiar sua possível incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS).

    Para a Secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, os avanços científicos são essenciais para ampliar as opções terapêuticas e garantir o cuidado em tempo oportuno no SUS. “A doença de Chagas ainda afeta muitas famílias brasileiras, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade. Por isso, investir em pesquisas nessa área é também um compromisso com a equidade e com a promoção de um cuidado mais digno e acessível para todos”, destacou.

    O Brasil tem ampliado o enfrentamento à doença de Chagas com mais diagnóstico, vigilância e assistência. Entre 2023 e 2025, a distribuição de testes e medicamentos cresceu mais de 130%, aumentando a detecção e o tratamento. As ações ganham ainda mais relevância durante a mobilização pelo Dia Mundial da Doença de Chagas, com foco no cuidado integral e na prevenção.

    Entre os avanços estão a retomada do benznidazol pediátrico, a ampliação de especialistas no SUS e o reforço da vigilância com recursos para municípios. O país também prepara a certificação inédita de cidades pela eliminação da transmissão vertical da doença.

    Nesse contexto, o Programa Brasil Saudável busca eliminar a doença como problema de saúde pública até 2030, com foco na redução das transmissões vetorial, oral e vertical, além do diagnóstico precoce e tratamento gratuito pelo SUS. A iniciativa integra ações de 14 ministérios, prioriza populações vulneráveis e reconhece a doença como socialmente determinada, ainda presente em cerca de 1,2 milhão de brasileiros.

    O cenário epidemiológico reforça a urgência das medidas: em 2024, foram registrados 3.750 óbitos, com maior concentração no Sudeste. No mesmo período, houve 520 casos agudos, principalmente no Norte, com destaque para o Pará. Em 2025, dados preliminares indicam 627 casos agudos (97% no Norte) e 8.106 casos crônicos, concentrados em Minas Gerais, Bahia e Goiás, evidenciando a persistência da doença em áreas endêmicas.


(Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/. Acesso em: abril de 2026. Adaptado.)
No trecho “‘Por isso, investir em pesquisas nessa área é também um compromisso com a equidade e com a promoção de um cuidado mais digno e acessível para todos’, destacou.” (8º§), considerando o contexto, o vocábulo destacado pode ser substituído, sem prejuízo semântico, por: 
Alternativas
Q4148538 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.



Programa federal destina R$ 360 milhões a pequenas empresas inovadoras


    O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) lançaram, no Rio de Janeiro, o Programa Tecnova 2026/2027. A iniciativa oferece R$ 360 milhões para pequenas empresas do país desenvolverem produtos, serviços e processos inovadores. Os recursos são da Finep e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

    É a quarta edição do programa, que desta vez planeja contratar até 713 empresas com faturamento anual de até R$ 16 milhões. O total de recursos investidos pode chegar a R$ 588 milhões se forem consideradas as contrapartidas estaduais. A operacionalização dessa quantia ficará sob responsabilidade de agentes estaduais, como as fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), entre outros. Uma vez contemplados, terão até 60 meses para execução do projeto.


    A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou o alcance nacional da iniciativa. Pela primeira vez, o programa contempla todas as 27 unidades da federação.


    “O Programa Tecnova atua na descentralização da inovação para garantir que os recursos cheguem a todas as regiões do país. O apoio às micro e pequenas empresas contribui para o fortalecimento tecnológico nacional e para geração de empregos qualificados”, disse Luciana.


    O presidente da Finep, Luiz Inácio Elias, explicou o modelo de cooperação com as unidades federativas.


    “Trabalhamos em conjunto com os agentes estaduais para operacionalizar a subvenção econômica e modernizar o setor produtivo nas diferentes regiões. É no espaço entre produção do conhecimento e sua incorporação à economia e à sociedade que programas como o Tecnova assumem um papel significativo e estratégico”, destacou Elias.


Fonte :https://agenciabrasil.ebc.com.b/economia / noticia /2026-

06/programa-destina-r-360-milhoes-pequenas-empresas-inovadoras

(adaptado)

No trecho O Programa Tecnova atua na descentralização da inovação, a palavra sublinhada indica que os recursos do projeto serão:
Alternativas
Q4148537 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.



Programa federal destina R$ 360 milhões a pequenas empresas inovadoras


    O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) lançaram, no Rio de Janeiro, o Programa Tecnova 2026/2027. A iniciativa oferece R$ 360 milhões para pequenas empresas do país desenvolverem produtos, serviços e processos inovadores. Os recursos são da Finep e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

    É a quarta edição do programa, que desta vez planeja contratar até 713 empresas com faturamento anual de até R$ 16 milhões. O total de recursos investidos pode chegar a R$ 588 milhões se forem consideradas as contrapartidas estaduais. A operacionalização dessa quantia ficará sob responsabilidade de agentes estaduais, como as fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), entre outros. Uma vez contemplados, terão até 60 meses para execução do projeto.


    A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou o alcance nacional da iniciativa. Pela primeira vez, o programa contempla todas as 27 unidades da federação.


    “O Programa Tecnova atua na descentralização da inovação para garantir que os recursos cheguem a todas as regiões do país. O apoio às micro e pequenas empresas contribui para o fortalecimento tecnológico nacional e para geração de empregos qualificados”, disse Luciana.


    O presidente da Finep, Luiz Inácio Elias, explicou o modelo de cooperação com as unidades federativas.


    “Trabalhamos em conjunto com os agentes estaduais para operacionalizar a subvenção econômica e modernizar o setor produtivo nas diferentes regiões. É no espaço entre produção do conhecimento e sua incorporação à economia e à sociedade que programas como o Tecnova assumem um papel significativo e estratégico”, destacou Elias.


Fonte :https://agenciabrasil.ebc.com.b/economia / noticia /2026-

06/programa-destina-r-360-milhoes-pequenas-empresas-inovadoras

(adaptado)

No trecho "...para garantir que os recursos cheguem a todas as regiões do país," a palavra sublinhada possui o mesmo sentido de:
Alternativas
Respostas
141: D
142: E
143: A
144: E
145: B
146: C
147: A
148: C
149: A
150: C
151: D
152: E
153: B
154: C
155: E
156: D
157: A
158: B
159: B
160: C