Questões de Concurso
Sobre redação - reescritura de texto em português
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Com base nas ideias, no vocabulário e nas estruturas linguísticas do texto, julgue o item.
A forma verbal “há” (linha 24) poderia, sem prejudicar
a correção gramatical do texto, ser substituída por
existem, da seguinte forma: assim como existe prós,
existe contras.
Se se substituísse a palavra “conversa” pela palavra “diálogo”, a expressão sublinhada seria alterada para:
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, àmedida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café́correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
(COLASANTI, Marina. Eu sei, mas não devia. Crônica nº 157, Jornal do
Brasil. Revista de Domingo. Em: 24/09/1972.)
Assinale a opção em que a reescritura é mais adequada do que a forma original.
"Contrariamente ao que ocorria outrora, a excelência hoje não se afirma pela duração; a preeminência sobre grande número de competidores e concorrentes se afirma rapidamente e tem pouca duração."
Para evitar a repetição da palavra sublinhada, o autor do texto apelou para a seguinte estratégia:
"A inteligência é o farol que nos guia, mas é a vontade que nos faz caminhar".
Sobre os componentes estruturais dessa frase, é correto afirmar que:
A omissão da vírgula que se segue à oração “Sendo assim” (linha 24) manteria a correção gramatical do texto.
A substituição do advérbio “decerto” (linha 18) por possivelmente manteria a correção gramatical do texto, mas não o sentido original.
O trecho “se porventura existissem diferenças salariais entre trabalhadores igualmente produtivos” (linhas 14 e 15) poderia ser reescrito, com manutenção das ideias e da correção gramatical do texto, da seguinte forma: se fosse o caso de haverem diferenças salariais entre trabalhadores igualmente produtivos.
A substituição da forma verbal “criando” (linha 20) por e cria manteria a correção gramatical e os sentidos do texto.
O período “Enquanto os homens, especialmente os mais jovens, estão mais vulneráveis ao aliciamento e à exploração do seu trabalho em troca de alimentos, celulares, álcool ou parte da produção, as mulheres raramente são integradas desse modo no ciclo econômico do garimpo ilegal” (linhas de 4 a 9) poderia ser reescrito, mantendo‑se a correção gramatical e o sentido original do texto, da seguinte forma: Os homens – os mais jovens, em especial – estão mais vulneráveis ao aliciamento e à exploração do seu trabalho em troca de alimentos, celulares, álcool ou parte da produção, ao passo que as mulheres dificilmente são integradas no ciclo econômico do garimpo ilegal da mesma maneira.
Leia a tira para responder à questão

(Fernando Gonsales. Níquel Náusea: um tigre, dois tigres, três tigres. São Paulo: Devir, 2009)

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