Questões de Concurso Sobre redação - reescritura de texto em português

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Q2797955 Português

Instrução: As questões de números 01 a 08 referem-se ao texto abaixo.


O mito da felicidade


  1. A resposta de qualquer pai ou mãe, indagado sobre o que deseja para os filhos, está sempre
  2. na ponta da língua: “só quero que sejam felizes”. A frase não deixa dúvidas de que, numa
  3. sociedade moderna, livre de muitas das restrições morais e culturais do passado, a felicidade é
  4. vista como a maior realização de um indivíduo. Até governos nacionais __________ na obrigação
  5. de fazer algo a respeito. Neste ano, a China e o Reino Unido anunciaram a intenção de medir o
  6. grau de felicidade de seus habitantes. Os governantes, espera-se, querem o melhor para seu
  7. país, assim como os pais querem o melhor para seus filhos. Mas a ambição de sempre colocar
  8. um sorriso no rosto pode ter um efeito contrário. A pressão por ser feliz, condição nada fácil de
  9. ser definida, pode acabar reduzindo as chances de as pessoas viverem bem.
  10. O americano Martin Seligman, considerado o mestre da psicologia positiva, depois de estudar
  11. a busca da felicidade por mais de 20 anos, afirma ser tolice elegê-la como a única ambição na
  12. vida. Ex-presidente da Associação Americana de Psicologia, professor da Universidade da
  13. Pensilvânia, pai de sete filhos e avô pela quarta vez, Seligman reviu suas teorias e concluiu que
  14. é preciso relativizar a importância das emoções positivas. “Perseguir apenas a felicidade é
  15. enganoso”, diz Seligman. Segundo ele, a felicidade pode tornar a vida um pouco mais agradável.
  16. E só. Em seu lugar, o ser humano deveria buscar um objetivo mais simples e fácil de ser
  17. contemplado: o bem-estar.
  18. A ideia de que a vida é mais do que a busca de sensações positivas não é nova. Ao escrever
  19. que a felicidade é o motivo por trás de todas as razões humanas, Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.)
  20. não defendia viver apenas em busca de emoções positivas e prazeres. Para o filósofo grego, ser
  21. feliz era praticar a virtude. Mesmo Thomas Jefferson, que __________ a felicidade a um direito
  22. na Declaração de Independência dos Estados Unidos, em 1776, não defendia ser feliz acima de
  23. qualquer coisa, como queremos hoje. No livro A democracia na América, Alexis de Tocqueville
  24. afirma que, para Jefferson, a felicidade envolvia conter desejos para obter objetivos de longo
  25. prazo, ou seja, o que muitos afobados de hoje resistem em fazer.
  26. A noção de que a felicidade é um objetivo tangível – e não um horizonte que norteia nossas
  27. ações – só se tornou dominante na sociedade moderna. Sua base vem do Iluminismo, que colocou
  28. o indivíduo – e suas necessidades – no centro das preocupações humanas. É dessa época a teoria
  29. utilitarista, que defendia a busca da maior quantidade de felicidade para o maior número de
  30. pessoas. Para o jurista e filósofo inglês Jeremy Bentham, a felicidade era a vitória do prazer sobre
  31. a dor. A partir do século XVIII, começou a ganhar força a ideia de que temos de evitar as
  32. sensações negativas. O principal problema dessa filosofia de vida é basear-se em princípios muito
  33. frágeis e efêmeros: as emoções. “Os sentimentos positivos e negativos não podem ser entendidos
  34. como fins em si mesmos”, afirma a pesquisadora norueguesa Ragnhild Bang Nes. “As emoções
  35. negativas, embora desagradáveis, podem servir de alerta para o indivíduo de que há um problema
  36. que precisa ser resolvido ou prepará-lo para experiências futuras”, diz ela.
  37. Uma pesquisa inédita encomendada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo
  38. (FIESP) revelou que 61% dos entrevistados acreditam que sua felicidade depende de si mesmos.
  39. A opinião é corroborada por estudos científicos, que mostram que a personalidade é o que mais
  40. influencia a felicidade. Já com relação ao dinheiro, seu efeito positivo parece estar ligado ao
  41. aumento do contato social. Para os estudiosos, “o dinheiro tem uma relação positiva com a
  42. felicidade, mas esta é pequena diante de fatores não monetários, como as relações sociais”.


Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,EMI236742-15228,00.html – Texto adaptado especialmente para esta prova.

Considere as seguintes possibilidades de substituição de elementos do texto:


I. ‘sobre’ (l. 30) por ‘em oposição’.

II. ‘dinheiro’ (l. 40) por ‘riqueza’.

III. ‘aumento’ (l. 41) por ‘expansão’.

IV. ‘diante de’ (l. 42) por ‘se comparada’.


Quais delas criam condições para o emprego de à (sinal indicador de crase)?

Alternativas
Q2794538 Português

A uberização da vida

1 A tecnologia e o trabalho vivem, nos últimos séculos, uma relação pontuada por uma série

2 de episódios surpreendentes, quase sempre marcados pelo conflito.

3 Desde o início da era industrial, no século XVIII, os operários de fábricas são assombrados

4 pelo espectro de sua substituição por máquinas. Naquela época, havia boatos, na Inglaterra, sobre

5 o lendário general Ned Ludd, que incitava a invasão das tecelagens e a destruição das máquinas

6 para conter o desemprego em massa.

7 Nunca saberemos ao certo se Ned Ludd realmente existiu. Contudo, o termo ludismo

8 passou a ser incorporado pela literatura sociológica e filosófica como designando a revolta contra

9 a tecnologia. Nas últimas décadas já se fala até em neoludismo, um movimento radical que

10 defende a reversão da humanidade para um estado pré-tecnológico.

11 É provável que ocorra algo semelhante a uma revolta ludita hoje em dia, se algumas

12 promessas da tecnologia se concretizarem. Uma delas é a substituição dos motoristas

13 profissionais pelo piloto automático do Google. Se isso ocorrer, presenciaremos a maior onda de

14 desemprego dos últimos séculos, o fantasma, dessa vez, seria a inteligência artificial.

15 No entanto, já existe uma outra revolução em curso, que chega liderada pelo aumento

16 crescente dos aplicativos. Além de nos disponibilizar serviços no esquema 24/7 (24 horas por

17 dia, sete dias da semana), a internet começa, agora, a preencher nichos de tempo livre com

18 trabalho. Chamo a esse fenômeno de uberização.

19 Frequentemente, o Uber é um aplicativo associado com a substituição dos táxis nas

20 grandes cidades, mas é muito mais do que isso. Inicialmente, o projeto do Uber era organizar

21 caronas solidárias nas grandes cidades. No entanto, alguns empresários perceberam que

22 poderiam aproveitar o fato de que, hoje em dia, praticamente todas as pessoas dirigem carros e

23 que, se essa força de trabalho fosse aproveitada e organizada por um aplicativo, os motoristas

24 amadores poderiam, praticamente, assumir o mercado preenchido pelos táxis, bastando, para

25 isso, fazer "bicos" em horas vagas.

26 Em pouco tempo, o Uber se tornou uma daquelas empresas arquibilionárias do vale do

27 silício, cujo endereço é apenas alguma caixa-postal de algum paraíso fiscal caribenho. Com ele,

28 vieram outros aplicativos para preencher com trabalho as horas vagas de muitas outras atividades

29 profissionais. A advogada que está com poucos clientes pode compensar essa situação se souber

30 fazer maquiagem. Há um aplicativo para chamá-la nas vésperas de eventos. Ela não precisa ser

31 uma maquiadora profissional e, por isso, sabe-se que ela cobrará a metade do preço. Se você tem

32 uma moto, pode maximizar seu uso fazendo entregas aos sábados em vez de deixá-la ociosa na

33 garagem do seu prédio. Todo mundo está disposto a fazer "bicos", e todo mundo, também fica

34 feliz quando pode pagar menos por um serviço.

35 A uberização é o trabalho em migalhas. Ela começa com a profissionalização do

36 amadorismo, pois todos podemos ser motoristas, jardineiros ou entregadores nas horas vagas.

37 Contudo, o inverso, ou seja, o rebaixamento de profissionais a amadores, já está acontecendo.

38 Muitos profissionais qualificados estão se inscrevendo em aplicativos que os selecionam para

39 prestar serviços a preços reduzidos em determinados horários ou dias da semana. É possível que,

40 em pouco tempo, o trabalho qualificado se torne parte do precariado.

41 Ainda é difícil prever os resultados da uberização do trabalho. A relação contínua entre

42 empregados e patrões tenderá a desaparecer, sobretudo no setor de serviços. A babá de seu

43 filho, quando você for ao cinema com sua esposa, será escalada por um aplicativo e,

44 dificilmente, será a mesma pessoa em todas as ocasiões. Não haverá mais o taxista de confiança

45 ou o garçom que te reconhece sempre que você entra em um determinado restaurante.

46 Com a uberização, a liberdade e a coação se tornam coincidentes, pois todos se tornarão

47 patrões de si mesmos. A dialética senhor-escravo, tão cara aos hegelianos e a seus herdeiros

48 marxistas, desaparecerá. Pois todos seremos sempre ao mesmo tempo senhores e escravos.

49 Exploraremos a nós mesmos de forma implacável.

50 A demarcação entre tempo livre por oposição ao horário de trabalho será ainda mais

51 diluída. Todos se sentirão culpados por tirar uma soneca após o almoço de domingo em vez de

52 aproveitar o tempo fazendo uma corrida de táxi para alguém que precisa ir ao aeroporto para

53 viajar, provavelmente, a trabalho.

54 Na Antiguidade, os gregos desprezavam o trabalho. No mundo cristão, sobretudo com a

55 reforma protestante, ele passou a ser associado com dignidade. Não ter emprego, não ter trabalho

56 passou a corroer a autoestima de muitas pessoas. O homem contemporâneo ainda associa

57 trabalho com dignidade, embora, paradoxalmente, esteja aceitando trabalhos cada vez mais

58 indignos para sobreviver.

59 O sociólogo sul-coreano Byung-Chul Han aponta, no seu livro A sociedade do cansaço

60 (Vozes, 2015), que não é por acaso que enfrentamos uma pandemia de depressão. De um lado, há

61 metas inatingíveis, e de outro, apenas oferta de trabalho precário.

62 A precariedade da vida tende a se tornar um padrão. As novas gerações já sabem que o

63 sonho da estabilidade ficou para trás. Como trabalhadores efêmeros e também consumidores

64 efêmeros, a ideia de uma vida melhor no futuro, como resultado de uma carreira, tende a

65 desaparecer.

A uberização da vida, João Teixeira. FILOSOFIA, Ciência & Vida, Ano IX, nº 120, p.60/61.

Ao se reescrever a oração “os operários de fábricas são assombrados pelo espectro de sua substituição por máquinas” (L.3/4), transpondo-a para a voz ativa, tem-se:

Alternativas
Q2794095 Português

Considere a seguinte estrofe, extraída do poema épico Os Lusíadas, escrito por Luís de Camões no século XVI, e responda às questões de 01 a 05:


“A lei tenho daquele, a cujo império

Obedece o visível e invisível;

Aquele que criou todo o Hemisfério,

Tudo o que sente, e todo o insensível;

Que padeceu desonra e vitupério,

Sofrendo morte injusta e insofrível,

E que do Céu à Terra, enfim desceu,

Por subir os mortais da Terra ao Céu”.

No quinto verso da estrofe em questão, o poeta emprega a palavra “vitupério”. Assinale a alternativa que contempla um sinônimo desse termo.

Alternativas
Q2792450 Português

Leia o texto abaixo e responda às questões de 1 à 6:


Dois velhinhos

Dalton Trevisan


Dois pobres inválidos, bem velhinhos, esquecidos numa cela de asilo.

Ao lado da janela, retorcendo os aleijões e esticando a cabeça, apenas um podia olhar lá fora.

Junto à porta, no fundo da cama, o outro espiava a parede úmida, o crucifixo negro, as moscas no fio de luz. Com inveja, perguntava o que acontecia. Deslumbrado, anunciava o primeiro:

— Um cachorro ergue a perninha no poste.

Mais tarde:

— Uma menina de vestido branco pulando corda.

Ou ainda:

— Agora é um enterro de luxo.

Sem nada ver, o amigo remordia-se no seu canto. O mais velho acabou morrendo, para alegria do segundo, instalado afinal debaixo da janela.

Não dormiu, antegozando a manhã. Bem desconfiava que o outro não revelava tudo.

Cochilou um instante — era dia. Sentou-se na cama, com dores espichou o pescoço: entre os muros em ruína, ali no beco, um monte de lixo.


TREVISAN, D. Mistérios de Curitiba. Rio de Janeiro: Editora Record, 1979, pág. 110.

A partir da leitura da citação abaixo, assinale a alternativa que substitui a palavra destacada de modo adequado.


Bem desconfiava que o outro não revelava tudo.

Alternativas
Q2792330 Português

Leia o texto abaixo e responda às questões de 1 à 6:


Dois velhinhos

Dalton Trevisan


Dois pobres inválidos, bem velhinhos, esquecidos numa cela de asilo.

Ao lado da janela, retorcendo os aleijões e esticando a cabeça, apenas um podia olhar lá fora.

Junto à porta, no fundo da cama, o outro espiava a parede úmida, o crucifixo negro, as moscas no fio de luz. Com inveja, perguntava o que acontecia. Deslumbrado, anunciava o primeiro:

— Um cachorro ergue a perninha no poste.

Mais tarde:

— Uma menina de vestido branco pulando corda.

Ou ainda:

— Agora é um enterro de luxo.

Sem nada ver, o amigo remordia-se no seu canto. O mais velho acabou morrendo, para alegria do segundo, instalado afinal debaixo da janela.

Não dormiu, antegozando a manhã. Bem desconfiava que o outro não revelava tudo.

Cochilou um instante — era dia. Sentou-se na cama, com dores espichou o pescoço: entre os muros em ruína, ali no beco, um monte de lixo.


TREVISAN, D. Mistérios de Curitiba. Rio de Janeiro: Editora Record, 1979, pág. 110.

Analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta.


I. O texto discute o tratamento de dois idosos, vivendo sozinhos em um asilo;

II. A menina é sinônimo da alegria, representada pela cor clara de sua roupa e da ação de brincar;

III. O Beco representa um lugar calmo e tranquilo, justamente pela ação apresentada pelo velhinho, de dentro do quarto.

Alternativas
Q2791912 Português

TEXTO PARA AS QUESTÕES DE 01 A 04

-

A situação fiscal dos Estados é mais delicada do que seus próprios governos faziam parecer. Dados divulgados nesta quinta-feira, 20, pelo Tesouro Nacional revelam que o rombo da Previdência estadual é na verdade R$ 18 bilhões maior do que o informado pelos governos regionais. Eles estão descumprindo limites previstos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para gastos com pessoal. Em meio a esse quadro, o Tesouro rebaixou as notas de classificação de 10 Estados, e agora apenas 14 unidades da federação estão aptas a receber garantias da União para novos empréstimos.

O boletim do Ministério da Fazenda evidencia a “maquiagem” feita pelos governos estaduais em suas contas. No caso da Previdência, os Estados declararam um custo de R$ 59,119 bilhões no ano passado. Mas a metodologia do Programa de Reestruturação e Ajuste Fiscal (PAF), calculado pelo Tesouro e que utiliza informações de execução orçamentária dos Estados, aponta um déficit maior, de R$ 77,072 bilhões em 2015.

Mais da metade dessa diferença - R$ 10 bilhões - foi encontrada nas contas do Rio, Estado que está em moratória e que entre 2009 e 2015 aumentou em 70% as despesas com pessoal, das quais mais da metade com o pagamento dos servidores inativos. O Rio informou que o déficit da Previdência dos seus servidores no ano passado foi de apenas R$ 542,09 milhões, mas o Tesouro detectou um rombo de R$ 10,84 bilhões.

Além do Rio, as maiores diferenças foram encontradas nas contas dos Estados que enfrentam maiores dificuldades financeiras, como Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O governo mineiro apresentou um déficit de R$ 10,06 bilhões, mas para o Tesouro é de R$ 13,90 bilhões. Já o governo gaúcho informou que seu déficit era de R$ 7,59 bilhões, ante um rombo de R$ 8,97 bilhões encontrado pelos técnicos do Tesouro. Em Goiás, a diferença chega a quase R$ 500 milhões.

O boletim ainda mostra que oito Estados estão fora dos limites da LRF para pagamento de despesas com pessoal pelo critério do Tesouro - a lei prevê um máximo de 60% da Receita Corrente Líquida (RCL). Pelo critério dos próprios governos estaduais, apenas dois estariam desenquadrados.

A situação do Rio é uma das que chamam a atenção. O Estado aponta que suas despesas com pessoal estão em 41,77% da RCL, ou seja, bem abaixo do porcentual estabelecido pela lei. Mas o quadro detectado pelos técnicos do Tesouro mostra que a relação já chega a 62,84%. Já o governo de Minas Gerais, que tem a maior parcela comprometida com pessoal (78%) segundo o Tesouro, alega, no entanto, que essa despesa responde por apenas 57,33%.

A discrepância acontece porque muitos Estados criam exceções à classificação, abrindo brechas para que o número apresentado seja mais benigno.

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http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,alivio-com-

renegociacao-da-divida-dos-estados-deve-ser-temporario-diz-tesouro,10000083329 - Acessado em 21/10/2016

No segundo parágrafo do texto, podemos substituir a palavra entre aspas por qual palavra abaixo sem alterar o sentido do texto?

Alternativas
Q2787992 Português

Aponte a alternativa em que a frase abaixo não foi reescrita com o mesmo valor semântico.


O ancião manteve-se ereto todo o tempo.

Alternativas
Q2785003 Português

Leia o texto a seguir e, com base nele, responda às questões de 01 a 20.


É Páscoa! Conheça a história de escravos que penaram pelo chocolate


§ 1 A Páscoa, como todos sabemos, é o dia em que celebramos o surgimento do primeiro espécime ovíparo de coelho que metaboliza cenoura em chocolate. E como o coelho escolheu as crianças para serem, com ele, protagonistas desta data, recontarei aqui uma historieta.

§ 2 Uma ação de fiscalização de trabalhadores do governo federal libertou, há alguns anos, 150 pessoas em Placas (PA), dentre elas mais de 30 crianças. Atuavam na colheita do cacau.

§ 3 O grupo estava sujeito a condições humilhantes de habitação, alimentação e higiene. De acordo com o Ministério do Trabalho no estado, a maior parte das crianças estava doente, com leishmaniose ou úlcera de Bauru. Elas eram levadas ao trabalho para aumentar a remuneração, se sujeitando a todo tipo de situação.

§ 4 Uma das crianças havia perdido a visão ao cair de cara em um toco de árvore.

§ 5 Eles já começavam o serviço devendo aos empregadores por terem que pagar equipamentos de trabalho e bens de necessidade básica. De acordo com as informações colhidas pelos fiscais, quem não cumpria as determinações dos patrões era ameaçado de morte.

§ 6 Parte da indústria de alimentação – que ajuda o Coelho na sua tarefa pascal e compra não só cacau, mas também outras matérias-primas de setores que vêm sendo envolvidos em trabalho escravo e trabalho infantil contemporâneo – não demonstra lá muita energia para garantir o controle e a transparência de suas cadeias produtivas. Dentro e fora do Brasil.

§ 7 Há muitas formas de se controlar a qualidade da própria cadeia produtiva, tanto que em alguns setores isso já acontece. Tivemos avanços consideráveis na produção de soja, de algodão, de frutas até da pecuária bovina – recordista histórica em número de casos de trabalho escravo. Mas adotar esse comportamento significa investir uma boa grana para mudar processos. E quem quer investir grana em algo que quase ninguém se importa?

§ 8 Afinal de contas, o que é realmente fundamental para você: que uma criança não tenha perdido um olho na colheita de cacau para fazer um ovo de chocolate ou que o ovo não venha com um brinquedinho repetido?

§ 9 O consumidor não pode ser culpado porque ele não tem informação, claro. Mas, convenhamos: para que sair da ignorância? É um lugar tão quentinho, não é mesmo?

§ 10 Mudança é possível até porque ninguém quer ficar sem chocolate, que é bom. E ninguém quer gerar desemprego na indústria ou na agricultura. Tanto que temos experiências de cultivo inclusivo de cacau orgânico, feito por pequenos produtores, como aqueles do Projeto de Desenvolvimento Sustentável “Esperança'', em Anapu – pelo qual viveu e morreu a irmã Dorothy Stang.

§ 11 Mas mudança mata. Dorothy, como sabemos, suicidou-se com seis tiros, no corpo e na cabeça, em um local ermo, apenas para incriminar honestos fazendeiros da região avessos à mudança.

§ 12 Não me lembro quando deixei de ter fé no divino. Mas ainda guardo um pouco de fé no mundano, talvez por teimosia de gostar de gente, talvez só de birra com o meteoro que um dia virá dar reset no planeta. Então, me pergunto: se houvesse valores morais envolvidos na Páscoa, como liberdade e renascimento, a reflexão sobre o mundo estaria no centro do dia de hoje? Reflexão, não culpa – pois culpa é algo pegajoso e fedorento que não leva a lugar algum.

§13 Mas como não há, então viva o coelho.


(SAKAMOTO, Leonardo. É Páscoa! Conheça a história de escravos que penaram pelo chocolate. Disponível em: <http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2016/03/27/e-pascoa-conheca-a-historia-de-escravos-que-penaram-pelo-chocolate>. Acesso em: 04 abr. 2016. Adaptado.)

“Mas adotar esse comportamento significa investir uma boa grana para mudar processos.” (§ 7)


No fragmento acima, a palavra sublinhada pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, por:

Alternativas
Q2784987 Português

Leia o texto a seguir e, com base nele, responda às questões de 01 a 20.


É Páscoa! Conheça a história de escravos que penaram pelo chocolate


§ 1 A Páscoa, como todos sabemos, é o dia em que celebramos o surgimento do primeiro espécime ovíparo de coelho que metaboliza cenoura em chocolate. E como o coelho escolheu as crianças para serem, com ele, protagonistas desta data, recontarei aqui uma historieta.

§ 2 Uma ação de fiscalização de trabalhadores do governo federal libertou, há alguns anos, 150 pessoas em Placas (PA), dentre elas mais de 30 crianças. Atuavam na colheita do cacau.

§ 3 O grupo estava sujeito a condições humilhantes de habitação, alimentação e higiene. De acordo com o Ministério do Trabalho no estado, a maior parte das crianças estava doente, com leishmaniose ou úlcera de Bauru. Elas eram levadas ao trabalho para aumentar a remuneração, se sujeitando a todo tipo de situação.

§ 4 Uma das crianças havia perdido a visão ao cair de cara em um toco de árvore.

§ 5 Eles já começavam o serviço devendo aos empregadores por terem que pagar equipamentos de trabalho e bens de necessidade básica. De acordo com as informações colhidas pelos fiscais, quem não cumpria as determinações dos patrões era ameaçado de morte.

§ 6 Parte da indústria de alimentação – que ajuda o Coelho na sua tarefa pascal e compra não só cacau, mas também outras matérias-primas de setores que vêm sendo envolvidos em trabalho escravo e trabalho infantil contemporâneo – não demonstra lá muita energia para garantir o controle e a transparência de suas cadeias produtivas. Dentro e fora do Brasil.

§ 7 Há muitas formas de se controlar a qualidade da própria cadeia produtiva, tanto que em alguns setores isso já acontece. Tivemos avanços consideráveis na produção de soja, de algodão, de frutas até da pecuária bovina – recordista histórica em número de casos de trabalho escravo. Mas adotar esse comportamento significa investir uma boa grana para mudar processos. E quem quer investir grana em algo que quase ninguém se importa?

§ 8 Afinal de contas, o que é realmente fundamental para você: que uma criança não tenha perdido um olho na colheita de cacau para fazer um ovo de chocolate ou que o ovo não venha com um brinquedinho repetido?

§ 9 O consumidor não pode ser culpado porque ele não tem informação, claro. Mas, convenhamos: para que sair da ignorância? É um lugar tão quentinho, não é mesmo?

§ 10 Mudança é possível até porque ninguém quer ficar sem chocolate, que é bom. E ninguém quer gerar desemprego na indústria ou na agricultura. Tanto que temos experiências de cultivo inclusivo de cacau orgânico, feito por pequenos produtores, como aqueles do Projeto de Desenvolvimento Sustentável “Esperança'', em Anapu – pelo qual viveu e morreu a irmã Dorothy Stang.

§ 11 Mas mudança mata. Dorothy, como sabemos, suicidou-se com seis tiros, no corpo e na cabeça, em um local ermo, apenas para incriminar honestos fazendeiros da região avessos à mudança.

§ 12 Não me lembro quando deixei de ter fé no divino. Mas ainda guardo um pouco de fé no mundano, talvez por teimosia de gostar de gente, talvez só de birra com o meteoro que um dia virá dar reset no planeta. Então, me pergunto: se houvesse valores morais envolvidos na Páscoa, como liberdade e renascimento, a reflexão sobre o mundo estaria no centro do dia de hoje? Reflexão, não culpa – pois culpa é algo pegajoso e fedorento que não leva a lugar algum.

§13 Mas como não há, então viva o coelho.


(SAKAMOTO, Leonardo. É Páscoa! Conheça a história de escravos que penaram pelo chocolate. Disponível em: <http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2016/03/27/e-pascoa-conheca-a-historia-de-escravos-que-penaram-pelo-chocolate>. Acesso em: 04 abr. 2016. Adaptado.)

"E como o coelho escolheu as crianças para serem, com ele, protagonistas desta data, recontarei aqui uma historieta.” (§ 1)


A alternativa que reescreve, sem alteração de sentido, o trecho sublinhado na passagem acima é:

Alternativas
Q2782236 Português

Atenção: Para responder às questões de números 1 a 10, considere o texto abaixo.


Criadores e legados


Dando alguns como aceitável que a nossa vida possa ser considerada um absurdo, já que ela existe para culminar na morte, parece-lhes ainda mais absurda quando se considera o caso dos grandes criadores, dos artistas, dos pensadores. Eles empregam tanta energia e tempo para reconhecer, formular e articular linguagens e ideias, tanto esforço para criar ou desafiar teorias e correntes do pensamento, é-lhes sempre tão custoso edificar qualquer coisa a partir da solidez de uma base e com vistas a alguma projeção no espaço e no tempo – que a morte parece surgir como o mais injusto e absurdo desmoronamento para quem justamente mais se aplicou na engenharia de toda uma vida.

Por outro lado, pode-se ponderar melhor: se o legado é grande, e não morre tão cedo, a desaparição de quem o construiu em nada reduz a atualização de sentido do que foi deixado. O criador não testemunhará o desfrute, mas quem recolher seu legado reconhecerá nele a força de um sujeito, de uma autoria confortadora para quantos que se beneficiam da obra deixada, e que dela assim compartilham. Sem sombra de rancor, uma sonata de Beethoven modula-se no dedilhar de uma sucessão de pianistas e por gerações de ouvintes, a cada vez que é interpretada e renovada. Na onda ecoante, no papel, no celuloide, no marfim, no mármore, no barro, no metal, na voz das palavras, é o tempo da vida e da arte, não o da morte, que se celebra no Feito.

O legado teimoso das obras consumadas parece contar com o fundamento mesmo da morte para reafirmar a cada dia o tempo que lhes é próprio. Essa é a sua riqueza e o seu desafio. Sempre alguém poderá dizer, na voz do poeta Manuel Bandeira: “ tenho o fogo das constelações extintas há milênios”, ecoando tanto uma verdade da astrofísica como a poesia imensa do nosso grande lírico.

(Justino de Azevedo, inédito)

É preciso corrigir a redação da seguinte frase, cuja clareza está prejudicada:

Alternativas
Q2779077 Português

A afirmação: “Diante das provas colhidas durante a instrução processual é forçoso o reconhecimento da legítima defesa” poderá ser reescrita, sem que perca o sentido, da seguinte forma:

Alternativas
Q2776654 Português

Leia os textos 2, 3 e 4 para responder às questões de 08 a 10.


TEXTO 2


Receita de se olhar no espelho


Roseana Murray


“Se olhe de frente

De lado

De costas

De cabeça para baixo

5 Pinte o espelho

De azul dourado vermelho

Faça caretas ria sorria

Feche os olhos abra os olhos

E se veja sempre surpresa

10 Quem é você?”


Disponível em: <http://poemandopq.pensamentosvalemouro.com.br/2012/02/receita-de-se-olhar-noespelho.html>. Acesso em 11 nov. 2016



TEXTO 3


Quem é você?


Detonautas

[...]

A gente acha como se por um milagre

Deus, no auge da bondade, fosse um

dia interceder

Enquanto esse dia não chega, a

05 gente vai aceitando

E esperando alguma coisa acontecer

Mas

Quem é você?

Quem é você?

10 Me diz

Quem é você?

Quem é você?

O teu avô que trabalhou a vida inteira

Dia e noite, noite e dia, até se

15 aposentar

Recebe agora uma miséria de salário

Fica 10 horas na fila esperando e não

pode reclamar [...]

Disponível em:

<https://www.vagalume.com.br/detonautasroque-clube/quem-e-voce.html>. Acesso em 12

nov. 2016


TEXTO 4


Noite dos Mascarados


Chico Buarque


Quem é você, adivinha se gosta de mim

Hoje os dois mascarados procuram os seus

namorados perguntando assim

Quem é você, diga logo que eu quero saber

05 o seu jogo

Que eu quero morrer no seu bloco, que eu

quero me arder no seu fogo

[...]

Mas é carnaval, não me diga mais quem é

10 você

Amanhã tudo volta ao normal, deixa a festa

acabar, deixa o barco correr

Deixa o dia raiar que hoje eu sou da maneira

que vo...cê me quer

15 O que você pedir eu lhe dou, seja você

quem for

Seja o que Deus quiser


Disponível em: <https://www.vagalume.com.br/chicobuarque/noite-dos-mascarados.html>. Acesso em: 12 nov. 2016

Tomando por base os excertos apresentados nos textos 3 e 4, analise as especificidades da linguagem e o valor semântico das palavras e expressões apresentadas nas assertivas a seguir, indicando com V as verdadeiras e com F as falsas.


( ) No texto 3, a forma verbal “ esperando” (linha 6) está no particípio.

( ) No texto 3, a forma verbal “fosse” (linha 2) está empregada no modo imperativo.

( ) No texto 3, o vocábulo “ auge” (linha 2) poderia, sem prejuízo semântico, ser substituído por “apogeu”.

( ) No texto 3, a expressão “interceder” (linha 3) poderia, sem prejuízo semântico, ser substituída por “advogar”.

( ) No texto 4, a forma verbal “perguntando” (linha 3) poderia, sem prejuízo para a coerência do texto, ser substituída pela forma verbal “indagando”.


A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é

Alternativas
Q2776141 Português

Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 ao 10.


Irrigação por gotejamento economiza água na Paraíba

Após quase desistir da agricultura por causa da seca, uma família de São José de Piranhas, no Sertão paraibano, aplicou um novo método de irrigação. Trata-se do modelo de irrigação por gotejamento, que economiza água, aumenta o ganho financeiro e abre mais vagas de trabalho para população.
No modelo de irrigação por gotejamento, só é liberada a quantidade de água necessária. A plantação é irrigada duas vezes por dia durante uma hora e meia em cada vez. Além disso, também é usada a técnica de fertirrigação, que é quando o adubo e a água chegam ao mesmo momento na planta, otimizando o processo, uma economia de cerca de 50% de água em relação ao antigo sistema usado.
Além dos donos da propriedade, mais 15 famílias se beneficiam do local com a geração de empregos. "Desde quando a gente começou com esse trabalho de irrigação vem aparecendo serviço. Enquanto tiver água, tem trabalho", comemora o agricultor José Venaldo.

http://g1.globo.com/pb/ 13/01/2016

“Além disso, também é usada a técnica de fertirrigação.” A palavra que substitui técnica sem alterar o sentido do texto é:

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Q2775455 Português

INSTRUÇÃO: Leia o texto I, a seguir, para responder às questões de 1 a 10.


Texto I


Esqueça o medo: a tecnologia transformou a odontologia


“Ter essa tecnologia em mãos é fundamental para que o profissional possa se concentrar no paciente e na realização dos procedimentos com perfeição”, explica o dentista Sergio Correia, especialista em Dentística Restauradora e Periodontia


Quase 15% dos brasileiros não visitaram um dentista por ter medo, seja dos barulhos feitos pelas turbinas ou mesmo da agulha usada para anestesias. Trata-se da segunda razão mais citada para não procurar um profissional da Odontologia, conforme uma pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO), com dados de 2014. O medo supera até mesmo a falta de tempo e de recursos financeiros, perdendo apenas para a resposta “não tenho necessidade”.

Embora o medo esteja entre as principais razões para evitar as consultas, a evolução da tecnologia tornou mais seguros, simples e indolores os procedimentos realizados na Odontologia, até mesmo os mais complexos. Já existem equipamentos modernos e de alta tecnologia, que permitem oferecer mais precisão nos tratamentos e conforto ao paciente, tanto durante a consulta quanto no pós-operatório.

“Cada vez mais, os tratamentos e procedimentos usados visam aumentar a eficiência para se tornarem minimamente invasivos. Em outras palavras, oferece-se um tratamento mais seguro, com uma recuperação mais rápida e com mais conforto durante o procedimento”, explica o dentista Sergio Correia, especialista em Dentística Restauradora e Periodontia, que atende em sua clínica, em Curitiba.

Entre os equipamentos usados para oferecer mais conforto, encontram-se o The Wand, uma anestesia eletrônica, responsável por controlar o fluxo do anestésico aplicado, reduzindo o incômodo e os efeitos colaterais; o CVDentus, um sistema que usa o movimento ultrassônico para remover materiais dentários de forma minimamente invasiva – técnica muito aplicada nos preparos das facetas de porcelana por serem menos traumáticos.

A evolução está até mesmo na cadeira de atendimento, totalmente controlada por Ipad e conta com diversos itens para a segurança e conforto, como câmera intraoral, esteira de massagem, seringa com água aquecida e kit multimídia. “Ter essa tecnologia em mãos é fundamental para que o profissional possa se concentrar no paciente e na realização dos procedimentos com perfeição”, explica Correia, que também atua como professor da Associação Brasileira de Odontologia Seção Paraná.

[...]


DINO. Esqueça o medo: a tecnologia transformou a Odontologia. Exame.com. Disponível em: <http://migre.me/vobP6>. Acesso em: 22 ago. 2016 [Fragmento] (Adaptação).

INSTRUÇÃO: Releia o trecho a seguir, para responder às questões 4 e 5.


“Embora o medo esteja entre as principais razões para evitar as consultas, a evolução da tecnologia tornou mais seguros, simples e indolores os procedimentos realizados na Odontologia, até mesmo os mais complexos.”


Assinale a alternativa cuja substituição da palavra destacada não altera o sentido original do trecho.

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Q2774844 Português

A falsa liberdade e a Síndrome do “TER DE”


Lya Luft


Essa é uma manifestação típica do nosso tempo, contagiosa e difícil de curar porque se alimenta da nossa fragilidade, do quanto somos impressionáveis, e da força do espírito de rebanho que nos condiciona a seguir os outros. Eu tenho de fazer o que se espera de mim. Tenho de ambicionar esses bens, esse status, esse modo de viver – ou serei diferente, e estarei fora.

Temos muito mais opções agora do que alguns anos atrás, as possibilidades que se abrem são incríveis, mas escolher é difícil: temos de realizar tantas coisas, são tantos os compromissos, que nos falta o tempo para uma análise tranquila, uma decisão sensata, um prazer saboreado.

A gente tem de ser, como escrevi tantas vezes, belo, jovem, desejado, bom de cama (e de computador). Ou a gente tem de ser o pior, o mais relaxado, ou o mais drogado, o chefe da gangue, a mais sedutora, a mais produzida. Outra possibilidade é ter de ser o melhor pai, o melhor chefe, a melhor mãe, a melhor aluna; seja o que for, temos de estar entre os melhores, fingindo não ter falhas nem limitações. Ninguém pode se contentar em ser como pode: temos de ser muito mais que isso, temos de fazer o impossível, o desnecessário, até o absurdo, o que não nos agrada – ou estamos fora.

A gente tem de rir dos outros, rebaixar ou denegrir nem que seja o mais simples parceiro de trabalho ou o colega de escola com alguma deficiência ou dificuldade maior. A gente tem de aproveitar o mais que puder, e isso muitos pais incutem nos filhos: case tarde, aproveite antes! (O que significa isso?) [...]

A propaganda nos atordoa: temos de ser grandes bebedores (daquela marca de bebida, naturalmente), comprar o carro mais incrível, obter empréstimos com menores juros, fazer a viagem maravilhosa, ter a pele perfeita, mostrar os músculos mais fortes, usar o mais moderno celular, ir ao resort mais sofisticado.

Até no luto temos de assumir novas posturas: sofrer vai ficando fora de moda. Contrariando a mais elementar psicologia, mal perdemos uma pessoa amada, todos nos instigam a passar por cima. “Não chore, reaja”, é o que mais ouvimos. “Limpe a mesa dele, tire tudo do armário dela, troque os móveis, roupas de cama, mude de casa.” Tristeza e recolhimento ofendem nossa paisagem de papelão colorido. Saímos do velório e esperam que se vá depressa pegar a maquilagem, correr para a academia, tomar o antidepressivo, depressa, depressa, pois os outros não aguentam mais, quem quer saber da minha dor?

O “ter de” nos faz correr por aí com algemas nos tornozelos, mas talvez a gente só quisesse ser um pouco mais tranquilo, mais enraizado, mais amado, com algum tempo para curtir as coisas pequenas e refletir. Porém temos de estar à frente, ainda que na fila do SUS.

Se pensar bem, verei que não preciso ser magro nem atlético nem um modelo de funcionário, não preciso ter muito dinheiro ou conhecer Paris, não preciso nem mesmo ser importante ou bem-sucedido. Precisaria, sim, ser um sujeito decente, encontrar alguma harmonia comigo mesmo, com os outros, e com a natureza na qual fervilha a vida e a morte é apaziguadora.

Em lugar disso, porém, abraçamos a frustração, e com ela a culpa.

A culpa, disse um personagem de um filme, “é como uma mochila cheia de tijolos. Você carrega de um lado para o outro, até o fim da vida. Só tem um jeito: jogá-la fora”. Mas ela tem raízes fundas em religiões e crenças, em ditames da família, numa educação pelo excessivo controle ou na deseducação pela indiferença, na competitividade no trabalho e na pressão de nosso grupo, que cobra coisas demais. [...]

Nessa rede de complexidades, seria bom resistir à máquina da propaganda e buscar a simplicidade, não sucumbir ao impulso da manada que corre cegamente em frente. Com sorte, vamos até enganar o tempo sendo sempre jovens, sendo quem sabe imortais com nariz diminuto, boca ginecológica e olhar fatigado num rosto inexpressivo. Não nos faltam recursos: a medicina, a farmácia, a academia, a ilusão, nos estendem ofertas que incluem músculos artificiais, novos peitos, pele de porcelana, e grandes espelhos, espelho, espelho meu. Mas a gente nem sabe direito onde está se metendo, e toca a correr porque ainda não vimos tudo, não fizemos nem a metade, quase nada entendemos. Somos eternos devedores.

Ordens aqui e ali, alguém sopra as falas, outro desenha os gestos, vai sair tudo bem: nada depressivo nem negativo, tudo tem de parecer uma festa, noite de estreia com adrenalina e aplausos ao final.


Disponível em: http://www.contioutra.com/a-falsa-liberdade-e-a-sindrome-do-ter-de-lya-

luft/#ixzz4HMEDzQMU Acesso em 14 ago. 2016 (Adaptado)

O articulador sintático pode ser substituído adequadamente pela palavra ou expressão indicada entre parênteses, EXCETO em:

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Q2773173 Português

Leia o texto VI para responder às questões 11 a 14.



Texto VI


ANTIGAMENTE – Carlos Drummond de Andrade

1 Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e

2 eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam

3 anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os

4 janotas, mesmo não sendo rapagões, faziam-lhes pé-

5 de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses

6 debaixo do balaio. E se levantam tábua, o remédio era

7 tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia.

8 As pessoas, quando corriam, antigamente, era para

9 tirar o pai da forca. Algumas jogavam verde para colher

10 maduro, e sabiam com quantos paus se faz uma canoa.

11 O que não impedia que, nesse entrementes, esse ou

12 aquele embarcasse em canoa furada. Encontravam

13 alguém que lhes passasse a manta e azulava, dando às

14 de vila-diogo. Os mais idosos, depois da janta, faziam o

15 quilo, saindo para tomar a fresca; e também tomava

16 cautela de não apanhar sereno. Os mais jovens iam ao

17 animatógrafo, e mais tarde ao cinematógrafo,

18 chupando balas de alteia. Ou sonhavam em andar de

19 aeroplano; os quais, de pouco siso, se metiam em

20 camisas de onze varas; não admira que dessem com os

21 burros n’água. (...)

.

Glossário:

Janotas = elegantes, bem vestidos

Pé-de-alferes = namorador

Debaixo do balaio = esconder

Levantam tábua = levar um fora

Para evitar repetições, o pronome “Algumas” (na linha 9) substituiu o substantivo:

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Q2769316 Português

Leia o texto para responder às questões de números 01 a 05.


Economizar é ser sustentável


Mesmo tendo condições financeiras suficientes para extravagâncias consumistas, hoje é urgente pensar no meio ambiente e no uso consciente dos recursos naturais. Existem várias maneiras de economizar, evitando o desperdício.

Pode-se trocar lâmpadas incandescentes pelas econômicas, usar máquina de lavar roupas no volume máximo ou passar as roupas da semana de uma só vez.

Além disso, evitar usar a mangueira como “vassoura hidráulica”, não deixar torneiras pingando, trocar a descarga do banheiro por uma que consuma menor quantidade de água, fechar a torneira enquanto se escovam os dentes ou se lava a louça e coletar água da chuva para reaproveitamento também são medidas suficientes.

Na hora das compras, para adquirir somente o necessário, é importante evitar levar crianças, nunca ir com fome e levar sempre a lista de compras.

São muitas as dicas para economizar e ainda ajudar o planeta. Quanto menos se produzir lixo e se consumirem os recursos naturais, melhor para todos. Geralmente, necessitamos de muito menos do que pensamos.


(Revista Cidade Nova. no 6, jun de 2015. Adaptado)

No trecho – Mesmo tendo condições financeiras suficientes para extravagâncias…–, a palavra destacada pode ser substituída, sem alteração de sentido, por

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Q2765559 Português

Festa íntima


Nem todos têm a fortuna de comemorar o décimo aniversário de seu automóvel. Os que têm não se podem furtar ao prazer de uma festa íntima, com recordações amáveis e o elogio do aniversariante.

O nosso encontro deu-se numa pequena e adorável cidade da Holanda. Pela avenida principal, vejo-lhe ainda as árvores, o vento que descia os degraus dourados do sol. Muitos adolescentes a caminho da escola. Um ritmo de alegria matinal, simples e comunicativo.

O automóvel resplandecia na perfeição intacta da sua recente fabricação. O vendedor fitava-o com orgulho, amava-o com um amor de especialista, grave e sincero. Nós o amávamos timidamente, ainda, contemplando-lhe linhas, esmaltes, metais, forro... – mas o vendedor proclamava, acima de tudo, a excelência da máquina. Era um homem sensível e engenhoso. Até nos queria vender um dispositivo especial que fazia descer uma leve cortina d’água para lavar o vidro da frente.

Partimos emocionados. O vendedor dizia-nos adeus com bondade. Recomendava-nos certo óleo, moderação na rodagem... E quando nos voltamos, na derradeira despedida, continuava a acompanhar o carro com olhos de pai despedindo-se de um filho.

Ele aprendeu a rodar pela terra da Holanda, e seu padrinho foi um holandês. Entre as nuvens de bicicletas daquelas encantadoras cidades, sua presença era um pouco escandalosa. [...]

Em cada posto de gasolina, todos o vinham observar por dentro e por fora. Os entendidos em máquinas caíam em êxtase. Era um assombro, o que viam e o que adivinhavam.

E assim foi ele vivendo a sua infância pelos campos floridos da Bélgica, fazendo levantar os olhos aos belos cavalos brancos que pasciam; e conheceu os castelos do Loire e a luz formosa do sul da França; e deslumbrou as donzelinhas espanholas que passavam pela tarde, abraçadas e risonhas, e deslizou pelas estradas de Portugal. [...]

E assim chegou ao Brasil, viu as paisagens cariocas, fluminenses, mineiras e paulistas. Talvez estranhasse, às vezes, o clima (ah! os patrões obrigam a tanto)!

Mas logo as distâncias o seduziam e atirava-se por elas feliz e leve como se fosse voar.

Carro tão sensato jamais houve: não cometeu nunca a menor infração e até se desvia a temo para que os outros não as cometam. Com o tempo, tem tido suas pequenas crises: mas os mecânicos continuam a amá-lo tanto quanto seu vendedor, e tratam-no com o carinho de um médico devotado por um paciente precioso.

E eis que agora cumpre dez anos. E jamais nos ocorreria trocá-lo por outro mais novo, fosse qual fosse a atração do modelo. Nós o amamos como a uma pessoa viva, a um amigo fiel, a um companheiro impecável. Faz parte da família. Vence todos os obstáculos das estradas e das ruas, resiste a todas as gasolinas; quando enguiça é porque as adversidades são enormes. Outros, quebravam-se. Ele pára, espera que o ajudem, e logo recupera seu alento, sua coragem, sua vontade de bem servir. Mesmo entre as criaturas humanas, poucos se lhe podem comparar.

Eis porque festejamos com ternura este aniversário. Que lhe podemos oferecer de presente? Uma boa lubrificação, um bom passeio por uma bela estrada, ao longo da qual se possa expandir seu coração trabalhador. E buzinaremos a nossa alegria por onde passarmos, celebrando as suas virtudes e proclamando-lhe a nossa gratidão.


(MEIRELES, Cecília – Inéditos, 1968 – Literatura Comentada – Ed. Abril.)

Em “E assim foi ele vivendo a sua infância pelos campos floridos da Bélgica.” (7º§), a correção semântica é preservada substituindo-se o termo destacado por

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Q2764729 Português

Leia o texto para responder às questões de números 02 a 07.


Numa cidade de 12 milhões de habitantes, como São Paulo, não há de ser simples a logística para distribuir remédios gratuitos às farmácias estatais e garantir o acesso tempestivo a quem deles depende.

Falhas pontuais acontecem. Cabe ao poder público saná-las de pronto e por elas desculpar-se, sem recorrer a pretextos burocráticos para explicar a inoperância. Eles não têm como minorar o desconforto do doente que fica sem medicamento a que tem direito.


(Folha de S.Paulo, 03.07.2016)

Assinale a alternativa em que a passagem “Falhas pontuais acontecem. Cabe ao poder público saná-las de pronto e por elas desculpar-se...” (2o parágrafo) está corretamente reescrita, de acordo com a norma-padrão.

Alternativas
Q2764728 Português

Leia o texto para responder às questões de números 02 a 07.


Numa cidade de 12 milhões de habitantes, como São Paulo, não há de ser simples a logística para distribuir remédios gratuitos às farmácias estatais e garantir o acesso tempestivo a quem deles depende.

Falhas pontuais acontecem. Cabe ao poder público saná-las de pronto e por elas desculpar-se, sem recorrer a pretextos burocráticos para explicar a inoperância. Eles não têm como minorar o desconforto do doente que fica sem medicamento a que tem direito.


(Folha de S.Paulo, 03.07.2016)

Considerando o uso do acento indicativo da crase em conformidade com a norma-padrão, assinale a alternativa em que as passagens “e garantir o acesso tempestivo a quem deles depende” (1o parágrafo) e “que fica sem medicamento a que tem direito” (2o parágrafo) estão corretamente reescritas.

Alternativas
Respostas
5021: C
5022: C
5023: B
5024: D
5025: B
5026: A
5027: D
5028: D
5029: A
5030: E
5031: B
5032: D
5033: D
5034: A
5035: B
5036: B
5037: C
5038: C
5039: D
5040: A