Questões de Concurso Sobre português

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Q3850399 Português
Assinale a alternativa redigida em conformidade com a norma-padrão de concordância verbal.
Alternativas
Q3850158 Português
Cuidar de quem cuida


    Responder a uma pergunta várias vezes, lidar com uma crise de agressividade e insistir para que o ente querido se alimente ou tome banho. Esses são alguns dos desafios enfrentados por brasileiros que assumem a tarefa de cuidar de um familiar idoso com demência. Na sua maioria, são mulheres, mas há também homens, filhos e filhas ou netos e netas, que se dedicam àqueles que precisam de ajuda, compreensão e afeto.

    Não raro, o peso dessa rotina implica angústia, estresse e depressão, com o adoecimento de toda a família. Para atenuar esse sofrimento, o Ministério da Saúde traz a boa notícia de que está desenvolvendo um protocolo de terapia em parceria com o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São Paulo. Batizado de Estratégias para Cuidadores em Demência (Escada), o projeto-piloto é uma adaptação do protocolo britânico Start. Ou seja, foi testado e aprovado.

    O Hospital Oswaldo Cruz treina agentes comunitários que replicam o protocolo junto dos cuidadores, que passam por oito sessões, com suporte psicológico, nas quais aprendem técnicas de manejo do estresse. O projeto está em andamento em Vitória (ES), Manaus (AM), Chapecó (SC), Teresina (PI), Cuiabá (MT), Guarapuava (PR) e Benevides (PA).

    Os cuidadores são estimulados a refletir sobre o que é a demência e como a sobrecarga do cuidado pode impactar a sua saúde; a reconhecer os padrões de comportamento do idoso e o seu próprio comportamento para evitar gatilhos e reações negativas ou impulsivas; a fortalecer a comunicação com a pessoa com demência e com outros membros da família; a evitar a solidão; a resgatar pequenos prazeres; e a planejar o futuro. Não menos importante, há técnicas de relaxamento, com exercícios de respiração, meditação e alongamento.

    O autocuidado, enfim, entrou na agenda do Sistema Único de Saúde (SUS). Já não era sem tempo, haja vista que, segundo o Relatório Nacional sobre a Demência: Epidemiologia, (Re)Conhecimento e Projeções Futuras, divulgado pelo Ministério da Saúde em setembro do ano passado, 8,5% da população com 60 anos ou mais convive com a demência. São nada menos do que 1,8 milhão de brasileiros idosos nessa condição. Para piorar, projetam-se 5,7 milhões de pessoas com demência na terceira idade até 2050.

    Tais números mostram que o projeto Escada é mais do que bem-vindo. Com o avanço da expectativa de vida do brasileiro, essa é uma política pública necessária. Oxalá seu teste seja um sucesso e, em breve, essa iniciativa seja replicada por todo o SUS, em todo o país. Só assim serão garantidas saúde mental e qualidade de vida àqueles que cuidam dos seus e precisam cuidar de si mesmos.


(Editorial, Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao, 02.11.2025. Adaptado)
Sem prejuízo ao sentido do texto, na passagem do 2o parágrafo “Não raro, o peso dessa rotina implica angústia, estresse e depressão, com o adoecimento de toda a família. Para atenuar esse sofrimento, o Ministério da Saúde traz a boa notícia de que está desenvolvendo um protocolo de terapia…”, as expressões podem ser substituídas, correta e respectivamente, por:
Alternativas
Q3849998 Português
Cuidar de quem cuida


    Responder a uma pergunta várias vezes, lidar com uma crise de agressividade e insistir para que o ente querido se alimente ou tome banho. Esses são alguns dos desafios enfrentados por brasileiros que assumem a tarefa de cuidar de um familiar idoso com demência. Na sua maioria, são mulheres, mas há também homens, filhos e filhas ou netos e netas, que se dedicam àqueles que precisam de ajuda, compreensão e afeto.

    Não raro, o peso dessa rotina implica angústia, estresse e depressão, com o adoecimento de toda a família. Para atenuar esse sofrimento, o Ministério da Saúde traz a boa notícia de que está desenvolvendo um protocolo de terapia em parceria com o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São Paulo. Batizado de Estratégias para Cuidadores em Demência (Escada), o projeto-piloto é uma adaptação do protocolo britânico Start. Ou seja, foi testado e aprovado.

    O Hospital Oswaldo Cruz treina agentes comunitários que replicam o protocolo junto dos cuidadores, que passam por oito sessões, com suporte psicológico, nas quais aprendem técnicas de manejo do estresse. O projeto está em andamento em Vitória (ES), Manaus (AM), Chapecó (SC), Teresina (PI), Cuiabá (MT), Guarapuava (PR) e Benevides (PA).

    Os cuidadores são estimulados a refletir sobre o que é a demência e como a sobrecarga do cuidado pode impactar a sua saúde; a reconhecer os padrões de comportamento do idoso e o seu próprio comportamento para evitar gatilhos e reações negativas ou impulsivas; a fortalecer a comunicação com a pessoa com demência e com outros membros da família; a evitar a solidão; a resgatar pequenos prazeres; e a planejar o futuro. Não menos importante, há técnicas de relaxamento, com exercícios de respiração, meditação e alongamento.

    O autocuidado, enfim, entrou na agenda do Sistema Único de Saúde (SUS). Já não era sem tempo, haja vista que, segundo o Relatório Nacional sobre a Demência: Epidemiologia, (Re)Conhecimento e Projeções Futuras, divulgado pelo Ministério da Saúde em setembro do ano passado, 8,5% da população com 60 anos ou mais convive com a demência. São nada menos do que 1,8 milhão de brasileiros idosos nessa condição. Para piorar, projetam-se 5,7 milhões de pessoas com demência na terceira idade até 2050.

    Tais números mostram que o projeto Escada é mais do que bem-vindo. Com o avanço da expectativa de vida do brasileiro, essa é uma política pública necessária. Oxalá seu teste seja um sucesso e, em breve, essa iniciativa seja replicada por todo o SUS, em todo o país. Só assim serão garantidas saúde mental e qualidade de vida àqueles que cuidam dos seus e precisam cuidar de si mesmos.


(Editorial, Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao, 02.11.2025. Adaptado)
Sem prejuízo ao sentido do texto, na passagem do 2o parágrafo “Não raro, o peso dessa rotina implica angústia, estresse e depressão, com o adoecimento de toda a família. Para atenuar esse sofrimento, o Ministério da Saúde traz a boa notícia de que está desenvolvendo um protocolo de terapia…”, as expressões podem ser substituídas, correta e respectivamente, por:
Alternativas
Q3849830 Português
Assinale a alternativa cuja frase se encontra correta em relação à concordância verbal.
Alternativas
Q3849829 Português
Assinale a alternativa que apresenta uma oração com um verbo de ligação, estabelecendo um elo entre o sujeito e seu predicativo.
Alternativas
Q3849828 Português
Assinale a alternativa cuja frase se encontra totalmente correta em relação ao emprego do acento grave indicador de crase.
Alternativas
Q3849827 Português
Assinale a alternativa em que todas as palavras atendem corretamente às normas de grafia vigentes em Língua Portuguesa.
Alternativas
Q3849826 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Um grande passo para a humanidade

    Para os meninos de hoje, as viagens do ônibus espacial são rotina e dizem muito pouco, quando não passam desapercebidas, porque não têm mais emoção e se sucedem com frequência, como se fizessem eternamente parte do dia a dia humano.

    Mas, quando eu era criança, a conquista do espaço implicava emoções fortes. De repente, Flash Gordon deixava de ser ficção para se materializar nos foguetes russos e americanos que subiam aos céus, levando primeiro cachorros, como a Laica, e depois homens, para dar a volta do planeta em órbitas fantásticas onde aparecíamos aos seus olhos pintados de azuis.

    (...)

   De repente, ainda que seguindo os passos de um cronograma lógico e rigoroso, estávamos na lua, com tudo de mítico e lúdico que esse voo tinha.

    Num dia de julho o homem rompeu a cadeia que o prendia à Terra desde o começo da nossa história; dali para a frente a nova fronteira seria os confins do espaço.

    O planeta parou para assistir pela televisão ao pouso do módulo lunar na superfície da lua.

     Meu Deus do céu, assistir pela televisão o homem andar na lua!

    Não bastava o feito fantástico, a capacidade intelectual e a coragem envolvidas, ainda por cima, nós, míseros mortais espalhados pela superfície do nosso planeta menor, tínhamos a chance de ver, ao vivo, pelas telas das televisões ligadas nos 4 cantos da Terra, a história ser feita, no momento em que a história era feita; na marca maravilhosa gravada para sempre – como um padrão real plantado no cosmos – da pegada da sola da bota de um homem na superfície da lua.

MENDONÇA, Antonio Penteado. Um grande passo para a humanidade. Crônicas da cidade. Disponível em.
“Num dia de julho o homem rompeu a cadeia que o prendia à Terra desde o começo da nossa história”
A palavra destacada no trecho acima é sinônima de:
Alternativas
Q3849825 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Um grande passo para a humanidade

    Para os meninos de hoje, as viagens do ônibus espacial são rotina e dizem muito pouco, quando não passam desapercebidas, porque não têm mais emoção e se sucedem com frequência, como se fizessem eternamente parte do dia a dia humano.

    Mas, quando eu era criança, a conquista do espaço implicava emoções fortes. De repente, Flash Gordon deixava de ser ficção para se materializar nos foguetes russos e americanos que subiam aos céus, levando primeiro cachorros, como a Laica, e depois homens, para dar a volta do planeta em órbitas fantásticas onde aparecíamos aos seus olhos pintados de azuis.

    (...)

   De repente, ainda que seguindo os passos de um cronograma lógico e rigoroso, estávamos na lua, com tudo de mítico e lúdico que esse voo tinha.

    Num dia de julho o homem rompeu a cadeia que o prendia à Terra desde o começo da nossa história; dali para a frente a nova fronteira seria os confins do espaço.

    O planeta parou para assistir pela televisão ao pouso do módulo lunar na superfície da lua.

     Meu Deus do céu, assistir pela televisão o homem andar na lua!

    Não bastava o feito fantástico, a capacidade intelectual e a coragem envolvidas, ainda por cima, nós, míseros mortais espalhados pela superfície do nosso planeta menor, tínhamos a chance de ver, ao vivo, pelas telas das televisões ligadas nos 4 cantos da Terra, a história ser feita, no momento em que a história era feita; na marca maravilhosa gravada para sempre – como um padrão real plantado no cosmos – da pegada da sola da bota de um homem na superfície da lua.

MENDONÇA, Antonio Penteado. Um grande passo para a humanidade. Crônicas da cidade. Disponível em.
O autor do texto “Um grande passo para a humanidade” apresenta as ideias na forma de:
Alternativas
Q3849732 Português
O pronome de tratamento é fundamental na comunicação oficial. A concordância de gênero dos adjetivos e pronomes possessivos com o pronome de tratamento exige atenção específica na redação. Assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q3849703 Português
Assinale a alternativa em que o termo destacado é um pronome. 
Alternativas
Q3849702 Português
Marque a alternativa em que a palavra destacada está ortograficamente correta. 
Alternativas
Q3849701 Português
Analise a concordância nas frases abaixo e assinale a alternativa INCORRETA. 
Alternativas
Q3849700 Português
Assinale a alternativa que apresenta uso correto da crase: 
Alternativas
Q3849699 Português
Assinale a alternativa em que a colocação pronominal está correta. 
Alternativas
Q3849698 Português
Considere o trecho abaixo:
“Divirto-me pensando no que encontraremos; sei que quando chegarmos será como se eu já tivesse visto tudo (...): a rua vazia, as portas do banco escancaradas, o cofre vazio.”
(SCLIAR, Moacyr. Piquenique. In: Histórias da Terra Trêmula. São Paulo: Vertente, 1977. p. 24- 26).

Assinale a alternativa que indica qual a classe gramatical a que pertencem os termos “vazia” e “escancaradas” destacadas acima. 
Alternativas
Q3849697 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Flor-de-maio

       Entre tantas notícias do jornal — o crime do Sacopã, o disco voador em Bagé, a nova droga antituberculosa, o andaime que caiu, o homem que matou outro com machado e com foice, o possível aumento do pão, a angústia dos Barnabés — há uma pequenina nota de três linhas, que nem todos os jornais publicaram.

       Não vem do gabinete do prefeito para explicar a falta d'água, nem do Ministério da Guerra para insinuar que o país está em paz. Não conta incidentes de fronteira nem desastre de avião. É assinada pelo senhor diretor do Jardim Botânico, e nos informa gravemente que a partir do dia 27 vale a pena visitar o Jardim, porque a planta chamada "flor-de-maio" está, efetivamente, em flor.

       Meu primeiro movimento, ao ler esse delicado convite, foi deixar a mesa da redação e me dirigir ao Jardim Botânico, contemplar a flor e cumprimentar a administração do horto pelo feliz evento. Mas havia ainda muita coisa para ler e escrever, telefonemas a dar, providências a tomar.

       Agora, já desce a noite, e as plantas em flor devem ser vistas pela manhã ou à tarde, quando há sol — ou mesmo quando a chuva as despenca e elas soluçam no vento, e choram gotas e flores no chão.

       Suspiro e digo comigo mesmo — que amanhã acordarei cedo e irei. Digo, mas não acredito, ou pelo menos desconfio que esse impulso que tive ao ler a notícia ficará no que foi — um impulso de fazer uma coisa boa e simples, que se perde no meio da pressa e da inquietação dos minutos que voam. Qualquer uma destas tardes é possível que me dê vontade real, imperiosa, de ir ao Jardim Botânico, mas então será tarde, não haverá mais "flor-de-maio", e então pensarei que é preciso esperar a vinda de outro outono, e no outro outono posso estar em outra cidade em que não haja outono em maio, e sem outono em maio não sei se em alguma cidade haverá essa "flor-de-maio".

       No fundo, a minha secreta esperança é de que estas linhas sejam lidas por alguém — uma pessoa melhor do que eu, alguma criatura correta e simples que tire desta crônica a sua única substância, a informação precisa e preciosa: do dia 27 em diante as "flores-de-maio" do Jardim Botânico estão gloriosamente em flor. E que utilize essa informação saindo de casa e indo diretamente ao Jardim Botânico ver a "flor-demaio" — talvez com a mulher e as crianças, talvez com a namorada, talvez só.

       Ir só, no fim da tarde, ver a "flor-de-maio"; aproveitar a única notícia boa de um dia inteiro de jornal, fazer a coisa mais bela e emocionante de um dia inteiro da cidade imensa. Se entre vós houver essa criatura, e ela souber por mim a notícia, e for, então eu vos direi que nem tudo está perdido, e que vale a pena viver entre tantos sacopãs de paixões desgraçadas e tantas COFAPs de preços irritantes; que a humanidade possivelmente ainda poderá ser salva, e que às vezes ainda vale a pena escrever uma crônica.


BRAGA, Rubem. Flor-de-Maio. In: A Borboleta Amarela. 2. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1956. p. 261-262.
Assinale a alternativa que contém um trecho do texto em que há sentido figurado. 
Alternativas
Q3849696 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Flor-de-maio

       Entre tantas notícias do jornal — o crime do Sacopã, o disco voador em Bagé, a nova droga antituberculosa, o andaime que caiu, o homem que matou outro com machado e com foice, o possível aumento do pão, a angústia dos Barnabés — há uma pequenina nota de três linhas, que nem todos os jornais publicaram.

       Não vem do gabinete do prefeito para explicar a falta d'água, nem do Ministério da Guerra para insinuar que o país está em paz. Não conta incidentes de fronteira nem desastre de avião. É assinada pelo senhor diretor do Jardim Botânico, e nos informa gravemente que a partir do dia 27 vale a pena visitar o Jardim, porque a planta chamada "flor-de-maio" está, efetivamente, em flor.

       Meu primeiro movimento, ao ler esse delicado convite, foi deixar a mesa da redação e me dirigir ao Jardim Botânico, contemplar a flor e cumprimentar a administração do horto pelo feliz evento. Mas havia ainda muita coisa para ler e escrever, telefonemas a dar, providências a tomar.

       Agora, já desce a noite, e as plantas em flor devem ser vistas pela manhã ou à tarde, quando há sol — ou mesmo quando a chuva as despenca e elas soluçam no vento, e choram gotas e flores no chão.

       Suspiro e digo comigo mesmo — que amanhã acordarei cedo e irei. Digo, mas não acredito, ou pelo menos desconfio que esse impulso que tive ao ler a notícia ficará no que foi — um impulso de fazer uma coisa boa e simples, que se perde no meio da pressa e da inquietação dos minutos que voam. Qualquer uma destas tardes é possível que me dê vontade real, imperiosa, de ir ao Jardim Botânico, mas então será tarde, não haverá mais "flor-de-maio", e então pensarei que é preciso esperar a vinda de outro outono, e no outro outono posso estar em outra cidade em que não haja outono em maio, e sem outono em maio não sei se em alguma cidade haverá essa "flor-de-maio".

       No fundo, a minha secreta esperança é de que estas linhas sejam lidas por alguém — uma pessoa melhor do que eu, alguma criatura correta e simples que tire desta crônica a sua única substância, a informação precisa e preciosa: do dia 27 em diante as "flores-de-maio" do Jardim Botânico estão gloriosamente em flor. E que utilize essa informação saindo de casa e indo diretamente ao Jardim Botânico ver a "flor-demaio" — talvez com a mulher e as crianças, talvez com a namorada, talvez só.

       Ir só, no fim da tarde, ver a "flor-de-maio"; aproveitar a única notícia boa de um dia inteiro de jornal, fazer a coisa mais bela e emocionante de um dia inteiro da cidade imensa. Se entre vós houver essa criatura, e ela souber por mim a notícia, e for, então eu vos direi que nem tudo está perdido, e que vale a pena viver entre tantos sacopãs de paixões desgraçadas e tantas COFAPs de preços irritantes; que a humanidade possivelmente ainda poderá ser salva, e que às vezes ainda vale a pena escrever uma crônica.


BRAGA, Rubem. Flor-de-Maio. In: A Borboleta Amarela. 2. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1956. p. 261-262.
Leia o trecho a seguir:
Digo, mas não acredito, ou pelo menos desconfio que esse impulso que tive ao ler a notícia ficará no que foi — um impulso de fazer uma coisa boa e simples, que se perde no meio da pressa e da inquietação dos minutos que voam.

O travessão utilizado no trecho, pode ser corretamente substituído por qual sinal de pontuação? Assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q3849695 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Flor-de-maio

       Entre tantas notícias do jornal — o crime do Sacopã, o disco voador em Bagé, a nova droga antituberculosa, o andaime que caiu, o homem que matou outro com machado e com foice, o possível aumento do pão, a angústia dos Barnabés — há uma pequenina nota de três linhas, que nem todos os jornais publicaram.

       Não vem do gabinete do prefeito para explicar a falta d'água, nem do Ministério da Guerra para insinuar que o país está em paz. Não conta incidentes de fronteira nem desastre de avião. É assinada pelo senhor diretor do Jardim Botânico, e nos informa gravemente que a partir do dia 27 vale a pena visitar o Jardim, porque a planta chamada "flor-de-maio" está, efetivamente, em flor.

       Meu primeiro movimento, ao ler esse delicado convite, foi deixar a mesa da redação e me dirigir ao Jardim Botânico, contemplar a flor e cumprimentar a administração do horto pelo feliz evento. Mas havia ainda muita coisa para ler e escrever, telefonemas a dar, providências a tomar.

       Agora, já desce a noite, e as plantas em flor devem ser vistas pela manhã ou à tarde, quando há sol — ou mesmo quando a chuva as despenca e elas soluçam no vento, e choram gotas e flores no chão.

       Suspiro e digo comigo mesmo — que amanhã acordarei cedo e irei. Digo, mas não acredito, ou pelo menos desconfio que esse impulso que tive ao ler a notícia ficará no que foi — um impulso de fazer uma coisa boa e simples, que se perde no meio da pressa e da inquietação dos minutos que voam. Qualquer uma destas tardes é possível que me dê vontade real, imperiosa, de ir ao Jardim Botânico, mas então será tarde, não haverá mais "flor-de-maio", e então pensarei que é preciso esperar a vinda de outro outono, e no outro outono posso estar em outra cidade em que não haja outono em maio, e sem outono em maio não sei se em alguma cidade haverá essa "flor-de-maio".

       No fundo, a minha secreta esperança é de que estas linhas sejam lidas por alguém — uma pessoa melhor do que eu, alguma criatura correta e simples que tire desta crônica a sua única substância, a informação precisa e preciosa: do dia 27 em diante as "flores-de-maio" do Jardim Botânico estão gloriosamente em flor. E que utilize essa informação saindo de casa e indo diretamente ao Jardim Botânico ver a "flor-demaio" — talvez com a mulher e as crianças, talvez com a namorada, talvez só.

       Ir só, no fim da tarde, ver a "flor-de-maio"; aproveitar a única notícia boa de um dia inteiro de jornal, fazer a coisa mais bela e emocionante de um dia inteiro da cidade imensa. Se entre vós houver essa criatura, e ela souber por mim a notícia, e for, então eu vos direi que nem tudo está perdido, e que vale a pena viver entre tantos sacopãs de paixões desgraçadas e tantas COFAPs de preços irritantes; que a humanidade possivelmente ainda poderá ser salva, e que às vezes ainda vale a pena escrever uma crônica.


BRAGA, Rubem. Flor-de-Maio. In: A Borboleta Amarela. 2. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1956. p. 261-262.
No texto, o narrador em primeira pessoa fala sobre uma nota de três linhas no jornal sobre a florada da flor-de-maio. A partir da leitura do texto, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q3849694 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Flor-de-maio

       Entre tantas notícias do jornal — o crime do Sacopã, o disco voador em Bagé, a nova droga antituberculosa, o andaime que caiu, o homem que matou outro com machado e com foice, o possível aumento do pão, a angústia dos Barnabés — há uma pequenina nota de três linhas, que nem todos os jornais publicaram.

       Não vem do gabinete do prefeito para explicar a falta d'água, nem do Ministério da Guerra para insinuar que o país está em paz. Não conta incidentes de fronteira nem desastre de avião. É assinada pelo senhor diretor do Jardim Botânico, e nos informa gravemente que a partir do dia 27 vale a pena visitar o Jardim, porque a planta chamada "flor-de-maio" está, efetivamente, em flor.

       Meu primeiro movimento, ao ler esse delicado convite, foi deixar a mesa da redação e me dirigir ao Jardim Botânico, contemplar a flor e cumprimentar a administração do horto pelo feliz evento. Mas havia ainda muita coisa para ler e escrever, telefonemas a dar, providências a tomar.

       Agora, já desce a noite, e as plantas em flor devem ser vistas pela manhã ou à tarde, quando há sol — ou mesmo quando a chuva as despenca e elas soluçam no vento, e choram gotas e flores no chão.

       Suspiro e digo comigo mesmo — que amanhã acordarei cedo e irei. Digo, mas não acredito, ou pelo menos desconfio que esse impulso que tive ao ler a notícia ficará no que foi — um impulso de fazer uma coisa boa e simples, que se perde no meio da pressa e da inquietação dos minutos que voam. Qualquer uma destas tardes é possível que me dê vontade real, imperiosa, de ir ao Jardim Botânico, mas então será tarde, não haverá mais "flor-de-maio", e então pensarei que é preciso esperar a vinda de outro outono, e no outro outono posso estar em outra cidade em que não haja outono em maio, e sem outono em maio não sei se em alguma cidade haverá essa "flor-de-maio".

       No fundo, a minha secreta esperança é de que estas linhas sejam lidas por alguém — uma pessoa melhor do que eu, alguma criatura correta e simples que tire desta crônica a sua única substância, a informação precisa e preciosa: do dia 27 em diante as "flores-de-maio" do Jardim Botânico estão gloriosamente em flor. E que utilize essa informação saindo de casa e indo diretamente ao Jardim Botânico ver a "flor-demaio" — talvez com a mulher e as crianças, talvez com a namorada, talvez só.

       Ir só, no fim da tarde, ver a "flor-de-maio"; aproveitar a única notícia boa de um dia inteiro de jornal, fazer a coisa mais bela e emocionante de um dia inteiro da cidade imensa. Se entre vós houver essa criatura, e ela souber por mim a notícia, e for, então eu vos direi que nem tudo está perdido, e que vale a pena viver entre tantos sacopãs de paixões desgraçadas e tantas COFAPs de preços irritantes; que a humanidade possivelmente ainda poderá ser salva, e que às vezes ainda vale a pena escrever uma crônica.


BRAGA, Rubem. Flor-de-Maio. In: A Borboleta Amarela. 2. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1956. p. 261-262.
Qual das alternativas a seguir é um sinônimo para o termo “imperiosa”, no trecho “Qualquer uma destas tardes é possível que me dê vontade real, imperiosa, de ir ao Jardim Botânico, mas então será tarde (...).”? 
Alternativas
Respostas
19841: D
19842: C
19843: E
19844: C
19845: A
19846: C
19847: B
19848: D
19849: E
19850: E
19851: E
19852: B
19853: D
19854: B
19855: E
19856: A
19857: C
19858: A
19859: D
19860: C