Questões de Concurso Sobre português
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A forma pronominal 'la', empregada em ênclise, está em conformidade com as regras de colocação pronominal. Agora, analise a colocação dos pronomes oblíquos nas frases a seguir:
I. Devo considerar-lhe como melhor aluno.
II. Haver-me-iam oferecido um bom emprego.
III. Eu tenho lhe falado a verdade, mesmo sem você acreditar.
IV. Espero não encontrá-lo na festa.
V. Espero encontrá-lo em breve.
Após analisar as afirmativas quanto à colocação pronominal, assinale a alternativa que apresenta apenas as proposições CORRETAS.
Alguns verbos exigem preposição para introduzir seus complementos, como ocorre com o verbo 'basear' na frase acima. Analise, a seguir, o emprego das preposições após os verbos destacados.
I. O comportamento dele implicou em desprezo por parte dos demais.
II. Mariana namora com Marcos há mais de dois anos.
III. Fui na cidade de Espoo, na Finlândia, no inverno de 2025.
IV. Em que pese o engarrafamento, chegamos a tempo.
V. Socorremo-nos dos amigos nas dificuldades.
Após a análise, identifique a alternativa CORRETA que apresenta as frases com o uso adequado da preposição.
No trecho, o verbo 'chegar' encontra-se no singular, em concordância com o pronome 'nenhum'. Com base nas regras de concordância da norma-padrão, julgue as afirmativas a seguir acerca de outros casos de concordância.
I. Na frase "Apenas 3% dos países falam a língua inglesa", a concordância está adequada, pois, em construções com expressões percentuais, é comum que o verbo concorde com o termo preposicionado que especifica a referência numérica, isto é, 'dos países'. Todavia, também é possível a concordância com o número existente. Assim, no contexto, o verbo também pode permanecer no singular em 'chegou'.
II. Na frase 'Em seguida, a equipe realizou uma análise sobre quais países falam a língua inglesa, a concordância está adequada, pois, em construções com expressões que indicam coletivo que não estejam acompanhadas de expressões no plural, o verbo deve ficar no singular, o que justifica o emprego da forma verbal 'realizou'.
III. Na frase 'Os pesquisadores disseram que a descoberta sobre as melhores cidades do mundo podem levar a terapias inovadoras voltadas à promoção do bem-estar e à melhoria da qualidade de vida', observa-se concordância adequada.
IV. Com pronomes como 'que' e 'quem', pode ocorrer as seguintes formas de concordância adequada: 'Não gastava ele as horas que lhe sobravam' e 'São eles quem marca a data da prova'.
Após análise, assinale apenas as proposições CORRETAS.
Considerando a distinção entre fato e hipótese na construção do texto, analise as assertivas a seguir:
I. A afirmação de que o leitor “nem sempre poderia imaginar o pesadelo” vivenciado pelos escritores ao “alinhavar” um texto constitui uma hipótese do autor sobre a percepção e o estado mental do público.
II. O relato sobre Rubem Braga ter publicado uma crônica de autoria de Carlos Drummond de Andrade, originalmente impressa em um jornal de Belo Horizonte, é apresentado como um fato que sustenta a argumentação.
III. A caracterização da crônica de Antônio Maria como “impecável” e a de Paulo Mendes Campos como “deliciosa” são tratadas como fatos linguísticos objetivos, independentes do juízo de valor do narrador.
IV. A sugestão de que o leitor “se regale” com a criatividade de Braga ao buscar a história por conta própria configura uma hipótese ou projeção do autor sobre o efeito que a leitura causará.
Quais estão corretas?

Lembrei de Nós
João Gomes - (part. Mestrinho e Jota.pê)
Quando o Sol vai, você vem
Pra competir com as estrelas
Do seu amor, sou refém
Você é minha certeza
Hoje eu lembrei de nós
Embaixo dos lençóis
Viajando sem sair do quarto
Sonhando acordado
Você é meu norte
Minha sorte, não me deixe
Me deixa mais forte
A razão do meu corre
Você me envolve
Você me resolve
Você é meu norte
Minha sorte, não me deixe
Me deixa mais forte
A razão dos meus corres
Você me envolve (você me envolve)
Você me resolve (vai)
CARNEIRO, Kaique; COMPOSITOR, Kinho; COMPOSITOR, Luizinho; LUCAS, Rian. Lembrei de nós. Intérprete: João Gomes; Mestrinho e Jota.pê. In: Dominguinho. 2025. Disponível em: https://bfan.link/dominguinho. Acesso em: 01 fev. 2026.
TEXTO PARA A QUESTÃO
Insensivelmente, ele parou para verificar quem o chamava. De dentro da taverna, com passo apressado, veio ao seu encontro uma negra suja, carapinha desgrenhada, com um caco de pente atravessado no alto da cabeça, calçando umas remendadas chinelas de tapete. Estava meio embriagada. Cassi espantou-se com aquele conhecimento; fazendo um ar de contrariedade, perguntou amuado:
- Que é que você quer?
A negra, bamboleando, pôs as mãos nas cadeiras e fez com olhar de desafio:
- Então, você não me conhece mais, “seu canaia”? Então você não “si” lembra da Inês, aquela crioulinha que sua mãe criou e você...
Lembrou-se, então, Cassi, de quem se tratava. Era a sua primeira vítima, que sua mãe, sem nenhuma consideração, tinha expulsado de casa em adiantado estado de gravidez. Reconhecendo-a e se lembrando disso, Cassi quis fugir. A rapariga pegou-o pelo braço:
- Não fuja, não, "seu" patife! Você tem que "ouvi" uma "pouca" mas de "sustança".
A esse tempo, já os frequentadores habituais do lugar tinham acorrido das tascas e hospedarias e formavam roda, em torno dos dois. Havia homens e mulheres, que perguntavam:
- O que há, Inês?
- O que te fez esse moço?
Cassi estava atarantado no meio daquelas caras antipáticas de sujeitos afeitos a brigas e assassinatos. Quis falar:
- Eu não conheço essa mulher. Juro...
- "Muié", não! - fez a tal Inês, gingando. - Quando você "mi" fazia "festa", "mi" beijava e "mi" abraçava, eu não era "muié", era outra coisa, seu "cosa" ruim!
Um negro esguio, de olhar afoito, com um ar decidido de capoeira, interveio:
- Mas, Inês, quem é afi nal esse moço?
- É o "home qui mi" fez mal; que "mi" desonrou, "mi pois" nesta "disgraça".
- Eu! - exclamou Cassi.
- Sim! Você "memo", "seu" caradura! "Mi alembro" bem... Foi até no quarto de sua mãe...
Estava arrumando a casa.
Uma outra mulher, mas esta branca, com uns lindos cabelos castanhos, em que se viam lêndeas, comentou:- É sempre assim. Esses "nhonhôs gostosos" desgraçam a gente, deixam a gente com o filho e vão-se. A mulher que se fomente... Malvados!
Cassi ouvia tudo isso sem saber que alvitre tornar. Estava amarelo e olhava, por baixo das pálpebras, todas as faces daquele ajuntamento. Esperava a polícia, um socorro qualquer. A preta continuava:
- Você sabe onde "tá" teu "fio"? "Tá" na detenção, fique você sabendo. "Si" meteu com ladrão, é "pivete" e foi “pra chacr’a". Eis aí que você fez, "seu marvado", "home mardiçoado". Pior do que você só aquela galinha-d'angola de "tua" mãe, "seu" sem-vergonha!
BARRETO, L. Clara dos Anjos. Belo Horizonte: Autêntica, 2023. p.150-151.
TEXTO PARA A QUESTÃO
Insensivelmente, ele parou para verificar quem o chamava. De dentro da taverna, com passo apressado, veio ao seu encontro uma negra suja, carapinha desgrenhada, com um caco de pente atravessado no alto da cabeça, calçando umas remendadas chinelas de tapete. Estava meio embriagada. Cassi espantou-se com aquele conhecimento; fazendo um ar de contrariedade, perguntou amuado:
- Que é que você quer?
A negra, bamboleando, pôs as mãos nas cadeiras e fez com olhar de desafio:
- Então, você não me conhece mais, “seu canaia”? Então você não “si” lembra da Inês, aquela crioulinha que sua mãe criou e você...
Lembrou-se, então, Cassi, de quem se tratava. Era a sua primeira vítima, que sua mãe, sem nenhuma consideração, tinha expulsado de casa em adiantado estado de gravidez. Reconhecendo-a e se lembrando disso, Cassi quis fugir. A rapariga pegou-o pelo braço:
- Não fuja, não, "seu" patife! Você tem que "ouvi" uma "pouca" mas de "sustança".
A esse tempo, já os frequentadores habituais do lugar tinham acorrido das tascas e hospedarias e formavam roda, em torno dos dois. Havia homens e mulheres, que perguntavam:
- O que há, Inês?
- O que te fez esse moço?
Cassi estava atarantado no meio daquelas caras antipáticas de sujeitos afeitos a brigas e assassinatos. Quis falar:
- Eu não conheço essa mulher. Juro...
- "Muié", não! - fez a tal Inês, gingando. - Quando você "mi" fazia "festa", "mi" beijava e "mi" abraçava, eu não era "muié", era outra coisa, seu "cosa" ruim!
Um negro esguio, de olhar afoito, com um ar decidido de capoeira, interveio:
- Mas, Inês, quem é afi nal esse moço?
- É o "home qui mi" fez mal; que "mi" desonrou, "mi pois" nesta "disgraça".
- Eu! - exclamou Cassi.
- Sim! Você "memo", "seu" caradura! "Mi alembro" bem... Foi até no quarto de sua mãe...
Estava arrumando a casa.
Uma outra mulher, mas esta branca, com uns lindos cabelos castanhos, em que se viam lêndeas, comentou:- É sempre assim. Esses "nhonhôs gostosos" desgraçam a gente, deixam a gente com o filho e vão-se. A mulher que se fomente... Malvados!
Cassi ouvia tudo isso sem saber que alvitre tornar. Estava amarelo e olhava, por baixo das pálpebras, todas as faces daquele ajuntamento. Esperava a polícia, um socorro qualquer. A preta continuava:
- Você sabe onde "tá" teu "fio"? "Tá" na detenção, fique você sabendo. "Si" meteu com ladrão, é "pivete" e foi “pra chacr’a". Eis aí que você fez, "seu marvado", "home mardiçoado". Pior do que você só aquela galinha-d'angola de "tua" mãe, "seu" sem-vergonha!
BARRETO, L. Clara dos Anjos. Belo Horizonte: Autêntica, 2023. p.150-151.
