O texto a seguir refere-se ao trecho de uma
fala de Ataliba Castilho, linguista brasileiro, que
concedeu uma entrevista a Carlos Fioravante.
O r caipira tem 500 anos?
Ninguém sabe ao certo. Uns dizem que índios do Vale do Paraíba teriam esse r, mas a explicação só
vale se se provar que essa tribo se estendeu sobre
São Paulo e foi com os bandeirantes para o interior.
Outros fonólogos acham que o r caipira é um traço
que não se desenvolveu na fonologia portuguesa,
mas poderia ter surgido naturalmente, como uma
consequência do sistema fonológico, e não do
contato com os índios. Sistema fonológico quer
dizer sistema de sons. Sempre existem tendências
para combinações de sons que explicam essas
mudanças. Uma tendência do português brasileiro
é a forma de tratar os sons sibilantes, é o que faz
a diferença entre nós, paulistas, e os moradores
do Rio de Janeiro, do Sul e do Nordeste. De onde
veio o s chiado, como em “ach criançach”? Foi
uma tendência palatizar o som sibilante. Agora
essa mudança deu outro passo, porque a vogal
em contexto palatal está se ditongando, como em
“aichs pessoaisch”.
FIORAVANTI, C. Ataliba Teixeira de Castilho: o linguista
libertário. Entrevistado: Ataliba Teixeira de Castilho. Pesquisa
Fapesp, São Paulo, n.259, set 2017. Disponível em: https://
revistapesquisa.fapesp.br/ataliba-teixeira-de-castilho-o-linguista-libertario/. Acesso em: 30 jan. 2026.
Ao longo da entrevista, o linguista reflete sobre as
variações linguísticas e seus diferentes aspectos.
Ao se referir à diferença entre sons sibilantes
falados entre paulistas, moradores do Rio, do Sul
e do Nordeste, Castilho demonstra que:
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