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Questões de Concurso Sobre português

Foram encontradas 250.864 questões

Q4135143 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Os ombros suportam o mundo. 


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.

Tempo de absoluta depuração.

Tempo em que não se diz mais: meu amor.

Porque o amor resultou inútil.

E os olhos não choram.

E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

E o coração está seco.



Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

És todo certeza, já não sabes sofrer.

E nada esperas de teus amigos.



Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?

Teus ombros suportam o mundo

e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios

provam apenas que a vida prossegue

e nem todos se libertaram ainda.



Alguns, achando bárbaro o espetáculo,

prefeririam (os delicados) morrer.

Chegou um tempo em que não adianta morrer.

Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.

A vida apenas, sem mistificação. 


Carlos Drummond de Andrade (1985).





Analise os versos a seguir.

"E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco."

Com base nos recursos expressivos empregados no fragmento, analise as assertivas a seguir.

I. Em "os olhos não choram", ocorre aliteração, uma vez que "olhos" representam o ser humano e sua capacidade de expressar emoções.
II. O trecho "o coração está seco" apresenta metáfora, sugerindo ausência de sentimentos e endurecimento emocional.
III. A repetição da conjunção "E" no início dos versos caracteriza anáfora, produzindo efeito de intensificação e continuidade.
IV. Em "as mãos tecem apenas o rude trabalho", há eufemismo, pois o trabalho é apresentado de maneira suavizada.

Está CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q4135141 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Os ombros suportam o mundo. 


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.

Tempo de absoluta depuração.

Tempo em que não se diz mais: meu amor.

Porque o amor resultou inútil.

E os olhos não choram.

E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

E o coração está seco.



Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

És todo certeza, já não sabes sofrer.

E nada esperas de teus amigos.



Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?

Teus ombros suportam o mundo

e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios

provam apenas que a vida prossegue

e nem todos se libertaram ainda.



Alguns, achando bárbaro o espetáculo,

prefeririam (os delicados) morrer.

Chegou um tempo em que não adianta morrer.

Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.

A vida apenas, sem mistificação. 


Carlos Drummond de Andrade (1985).





Analise o trecho a seguir.

"As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue"

Sobre o uso das vírgulas nesse fragmento, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4135140 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Os ombros suportam o mundo. 


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.

Tempo de absoluta depuração.

Tempo em que não se diz mais: meu amor.

Porque o amor resultou inútil.

E os olhos não choram.

E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

E o coração está seco.



Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

És todo certeza, já não sabes sofrer.

E nada esperas de teus amigos.



Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?

Teus ombros suportam o mundo

e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios

provam apenas que a vida prossegue

e nem todos se libertaram ainda.



Alguns, achando bárbaro o espetáculo,

prefeririam (os delicados) morrer.

Chegou um tempo em que não adianta morrer.

Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.

A vida apenas, sem mistificação. 


Carlos Drummond de Andrade (1985).





No verso "Tempo de absoluta depuração", a palavra "depuração" assume, no contexto do poema, sentido de:
Alternativas
Q4135139 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Os ombros suportam o mundo. 


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.

Tempo de absoluta depuração.

Tempo em que não se diz mais: meu amor.

Porque o amor resultou inútil.

E os olhos não choram.

E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

E o coração está seco.



Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

És todo certeza, já não sabes sofrer.

E nada esperas de teus amigos.



Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?

Teus ombros suportam o mundo

e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios

provam apenas que a vida prossegue

e nem todos se libertaram ainda.



Alguns, achando bárbaro o espetáculo,

prefeririam (os delicados) morrer.

Chegou um tempo em que não adianta morrer.

Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.

A vida apenas, sem mistificação. 


Carlos Drummond de Andrade (1985).





Acerca do poema de Carlos Drummond de Andrade, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4134760 Português
Leia o Texto 5 para responder à questão.

Texto 5

No contexto da comunidade surda, a literatura em Línguas de Sinais (LS) não apenas dinamiza, preserva e enriquece a língua, mas também reforça a identidade visual e cultural. Nesse sentido, já é reconhecido [...] que a literatura em Libras se destaca por sua riqueza expressiva, combinando elementos estéticos e linguísticos em uma perspectiva visual que pode envolver professores e estudantes. Compreende-se, portanto, que a característica visual da literatura em LS pode estimular ainda mais o entendimento e a apreciação dos aspectos estéticos e culturais no processo de aprendizado e desenvolvimento da LS.

ARAÚJO, K. S.; FARIA, J. G. A poesia visual sinalizada no ensino da Libras e sua literatura como língua adicional. Revista Horizontes de Linguística Aplicada, ano 24, n. 1, AG10. 2025. p. 2. [Adaptado].
Segundo o texto de Araújo e Faria (2025), o papel da característica visual da literatura em Línguas de Sinais no processo de aprendizagem e desenvolvimento da LS é 
Alternativas
Q4134747 Português
Leia o Texto 4 para responder à questão

Texto 4

Ser surdo é uma questão de vida. Não se trata de uma deficiência, mas de uma experiência visual que significa a utilização da visão, (em substituição total a audição), como meio de comunicação. Desta experiência visual, surge a cultura surda representada pela língua de sinais, pelo modo diferente de ser, de expressar, de conhecer o mundo, de entrar nas artes, no conhecimento científico e acadêmico.

PERLIN, G; MIRANDA, W. Surdos: o narrar e a política. Ponto de Vista, Florianópolis, n.05, p. 217-226, 2003, p. 218.
De acordo com o texto, a experiência de ser surdo se caracteriza por
Alternativas
Q4134633 Português
As figuras de linguagem são recursos que ampliam o sentido literal das palavras, permitindo a produção de efeitos expressivos. Elas podem se manifestar de diferentes formas, contribuindo para a expressividade da linguagem em diversos contextos. Com base nas diferentes figuras de linguagem, relacione as colunas a seguir.
Coluna 1
1.Catacrese 
2.Metonímia
3.Pleonasmo
4.Hipérbole

Coluna 2
(__)Devolva o Neruda que você tomou e nunca leu.
(__)Não gostava de caldo quente.
(__)Ó mar salgado, quanto do teu sal, são lágrimas de Portugal.
(__)Quando tomei a picada da injeção, eu não senti absolutamente nada.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência numérica que preenche corretamente os itens acima.
Alternativas
Q4134632 Português
O anfitrião recebeu os convidados com um abundante banquete, como se a fartura da mesa pudesse compensar os anos de ausência.
Com base no significado que a palavra adquire no contexto, analise a reescrita em que o adjetivo 'abundante' não foi substituído adequadamente por um sinônimo. 
Alternativas
Q4134628 Português
A colocação pronominal diz respeito ao posicionamento sintático dos pronomes oblíquos átonos em relação ao verbo que os rege, fenômeno que se manifesta em três possibilidades — próclise, mesóclise e ênclise —, cada qual condicionada por fatores linguísticos específicos, como a presença de palavras atrativas, a natureza do verbo e o registro de linguagem empregado. Considerando o emprego de acordo com a norma-padrão, identifique a alternativa incorreta. 
Alternativas
Q4134626 Português
Considerando os processos de leitura e compreensão, bem como a produção textual, analise as afirmativas a seguir:
I.A prática diária da leitura contribui para que o aluno desenvolva maior fluência e capacidade de interpretação, uma vez que a constância é apontada como fator determinante para a melhoria do desempenho leitor.
II.Coesão e coerência operam em planos analíticos distintos: a coesão diz respeito aos mecanismos linguísticos de superfície que estabelecem relações entre os elementos do texto, ao passo que a coerência se refere à continuidade de sentido construída cognitivamente pelo leitor, podendo um texto prescindir de coesão formal e ainda assim ser coerente.
III.Segundo Ferreiro e Teberosky, o hábito de leitura torna-se pedagogicamente produtivo a partir do momento em que o estudante consolida o domínio do código alfabético, pois somente então o contato sistemático com textos gera avanços cognitivos mensuráveis.
IV.Koch & Travaglia estabelecem que a coerência textual, por depender de fatores cognitivos e contextuais, pressupõe minimamente a presença de algum recurso coesivo, seja de ordem referencial, seja de ordem sequencial, pois sem tal ancoragem linguística o leitor não dispõe de pistas formais suficientes para construir a continuidade de sentido.

Assinale a alternativa que apresenta as afirmativas corretas.
Alternativas
Q4134625 Português
Eles tinham saído de véspera, de manhã, da canoa. Eram duas horas da tarde. Cordulina, que vinha quase cambaleando, sentou-se numa pedra e falou, numa voz quebrada e penosa:

-Chico, eu não posso mais... Acho até que vou morrer. Dá-me aquela zoeira na cabeça!

Chico Bento olhou dolorosamente a mulher. O cabelo em falripas sujas, como que gasto, acabado, caía, por cima do rosto, envesgando os olhos, roçando a boca. A pele, empretecida como uma casca, pregueava nos braços e nos peitos, que o casaco e a camisa rasgada descobriam. (...)

No colo da mulher, o Duquinha, também era só osso e pele, levava, com um gemido abafado, a mãozinha imunda, os dedos ressequidos, aos pobres olhos doentes. E com outra tateava o peito da mãe, mas num movimento tão fraco e tão triste que era mais uma tentativa do que um gesto. Lentamente o vaqueiro voltou as costas; cabisbaixo, o Pedro o seguiu.

E foram andando à toa, devagarinho, costeando a margem da caatinga. 

 Quinze' de Rachel de Queiróz)

https://canal.cecierj.edu.br/012016/c5e34a6d5f7ebf426484725dfe84cd8 2.pd 
Considerando o trecho de 'O Quinze' de Rachel de Queiroz e os efeitos de sentido, norma padrão e variedades linguísticas, analise as afirmativas a seguir e identifique a incorreta.
Alternativas
Q4134623 Português
Eles tinham saído de véspera, de manhã, da canoa. Eram duas horas da tarde. Cordulina, que vinha quase cambaleando, sentou-se numa pedra e falou, numa voz quebrada e penosa:

-Chico, eu não posso mais... Acho até que vou morrer. Dá-me aquela zoeira na cabeça!

Chico Bento olhou dolorosamente a mulher. O cabelo em falripas sujas, como que gasto, acabado, caía, por cima do rosto, envesgando os olhos, roçando a boca. A pele, empretecida como uma casca, pregueava nos braços e nos peitos, que o casaco e a camisa rasgada descobriam. (...)

No colo da mulher, o Duquinha, também era só osso e pele, levava, com um gemido abafado, a mãozinha imunda, os dedos ressequidos, aos pobres olhos doentes. E com outra tateava o peito da mãe, mas num movimento tão fraco e tão triste que era mais uma tentativa do que um gesto. Lentamente o vaqueiro voltou as costas; cabisbaixo, o Pedro o seguiu.

E foram andando à toa, devagarinho, costeando a margem da caatinga. 

 Quinze' de Rachel de Queiróz)

https://canal.cecierj.edu.br/012016/c5e34a6d5f7ebf426484725dfe84cd8 2.pd 
"A pele, empretecida como uma casca, pregueava nos braços e nos peitos, que o casaco e a camisa rasgada descobriam."
Considerando a fonologia e o processo de formação de palavras, marque com V as afirmativas verdadeiras ou com F as falsas.
(__)O vocábulo 'empretecida' é formado pelo mesmo processo de formação de 'imperceptível', embora os prefixos apresentem valores semânticos opostos entre si.
(__)O vocábulo 'pregueava' apresenta duas letras que representam um único fonema consonantal, assim como o vocábulo 'tranquilo', em que a sequência 'qu' antes de vogal anterior também corresponde a um único fonema, evidenciando que a relação entre letra e fonema no português não é sempre biunívoca.
(__)O vocábulo 'descobriam' apresenta prefixo, assim como o verbo 'preparar', em que aquele indica ação contrária ao sentido do verbo de base, enquanto este situa a ação em momento anterior à sua realização.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência que preenche corretamente os itens acima.
Alternativas
Q4134622 Português
Desigualdade social é o principal obstáculo à qualidade da educação no país.

A educação básica brasileira registrou avanços significativos nas últimas décadas, mas continua marcada por desigualdades profundas e por um descompasso entre o modelo de ensino e as transformações tecnológicas e sociais contemporâneas.

 A avaliação é do pesquisador Ivan Siqueira, professor titular de Interdisciplinaridade da UFBA (Universidade Federal da Bahia), durante a 2ª Conferência FAPESP 2026 − "Educação Básica no Brasil: Desafios e Oportunidades".

Segundo o conferencista, o país ampliou o acesso à escola desde a Constituição de 1988, mas ainda enfrenta dificuldades para garantir qualidade compatível com os investimentos realizados. "Há muita evidência de que avançamos. Mas, quando consideramos os níveis de desigualdade, entendemos que ainda precisamos fazer muito, muito, muito mais", ressaltou.

Um dos pontos centrais da apresentação foi a distinção entre princípios e critérios na definição das políticas públicas. Para Siqueira, a legislação brasileira possui diretrizes acertadas, mas carece de mecanismos objetivos de implementação. O pesquisador analisou especificamente o artigo 205 da Constituição da República Federativa do Brasil, que estabelece: "A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho".

"O maior problema do artigo 205 é ser ele uma declaração de princípio e não o estabelecimento de um critério. E o princípio não é binário: você pode dizer que está indo em determinada direção, mesmo sem nunca chegar lá", explicou. "Precisamos transformar princípios em critérios, porque critérios são objetivos e permitem cobrança."

Essa lacuna, segundo ele, afeta diretamente a governança educacional, especialmente em municípios com baixa capacidade administrativa. "Grande parte da educação básica está nas mãos das prefeituras, que têm menos recursos e menos estrutura, justamente na fase mais importante do desenvolvimento humano", disse.

O professor criticou também a formação de professores no país. Segundo ele, o sistema permite que docentes sejam formados sem experiência prática em escolas. "O Brasil autoriza a formação de pessoas que nunca pisaram em uma sala de aula. Isso não acontece em áreas como medicina", ponderou. Outro problema apontado foi a fragmentação curricular. "É ilusório imaginar que um aluno consiga aprender 13 disciplinas diferentes com menos de quatro horas de aula por dia", sublinhou. Para ele, o modelo pressupõe uma escola em tempo integral, que ainda não é realidade na maior parte do país.

Siqueira destacou que as tecnologias digitais introduziram uma mudança estrutural no processo de aprendizagem, afetando atenção, linguagem e formas de interação. "O modelo tradicional de aula expositiva está morto. Ele não serve mais para os estudantes que temos hoje", resumiu. Conforme o pesquisador, os estudantes têm dificuldade crescente de concentração e organização do pensamento: "Hoje é muito difícil manter um aluno focado por dez minutos. Para escrever, ele precisa pensar — e não está exercitando isso".

Ele relatou ainda o aumento de fenômenos como desinformação, dependência de redes sociais e problemas de saúde mental. "Na UFBA, 70% dos estudantes de medicina relatam problemas de saúde mental. Na psicologia, o percentual é ainda maior: 80%. Tanto que os professores, meus colegas, dizem que o pessoal vem para a psicologia para se tratar", contou.

A IA (inteligência artificial) foi apresentada como um dos principais vetores de transformação da educação e do mercado de trabalho. Siqueira citou demissões recentes no setor financeiro para ilustrar o impacto da adoção das novas tecnologias digitais. "Nos últimos quatro meses, os quatro maiores bancos norte-americanos demitiram 15 mil funcionários, enquanto obtinham mais de US$ 1 bilhão de lucro. Uma pessoa com IA faz o trabalho de dez. E isso muda completamente o mercado", enfatizou.

Ao mesmo tempo, ele destacou aplicações positivas no sistema educacional. "Modelos baseados na BNCC [Base Nacional Comum Curricular] conseguem gerar planos de aula adaptados para diferentes perfis de estudantes, reduzindo enormemente o trabalho do professor", disse. A BNCC é o documento normativo que define o que todos os estudantes brasileiros têm o direito de aprender ao longo da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio).

Além disso, a incorporação das novas tecnologias digitais favorece o acesso a conteúdos de qualidade, a formação de comunidades de aprendizagem e a possibilidade de integrar o currículo às realidades locais, como em comunidades indígenas e quilombolas, ampliando o potencial de uma educação mais contextualizada, colaborativa e alinhada às demandas contemporâneas.

Mas há vários gargalos a serem ultrapassados. Entre eles, o modelo de avaliação. Siqueira argumentou que exames como o do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) estão defasados e não capturam competências essenciais. E defendeu a incorporação de habilidades como pensamento crítico, metacognição e resolução de problemas complexos. "O estudante precisa saber mobilizar conhecimentos em situações reais. Não basta repetir conteúdo", disse.


https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/desigualdade-social-e-o-princip al-obstaculo-a-qualidade-da-educacao-no-pais/
"Nos últimos quatro meses, os quatro maiores bancos norte-americanos demitiram 15 mil funcionários, enquanto obtinham mais de US$ 1 bilhão de lucro."
O vocábulo 'norte-americano' é grafado com hífen em conformidade com regra específica. Com base nas demais regras de emprego do hífen, preencha as lacunas com palavras corretamente grafadas, com ou sem hífen.
I.O pesquisador descreveu o personagem como um líder___ , marcado por sucessivas derrotas políticas.
II.O movimento___ busca valorizar identidades culturais e históricas do continente em contextos contemporâneos.
III.A___ foi um marco histórico que ampliou o conhecimento geográfico e as rotas comerciais.
IV.O___ participou ativamente do programa, enviando perguntas ao vivo durante a transmissão.

Assinale a alternativa que apresenta as palavras que preenchem, correta e respectivamente, as lacunas propostas.
Alternativas
Q4134621 Português
Desigualdade social é o principal obstáculo à qualidade da educação no país.

A educação básica brasileira registrou avanços significativos nas últimas décadas, mas continua marcada por desigualdades profundas e por um descompasso entre o modelo de ensino e as transformações tecnológicas e sociais contemporâneas.

 A avaliação é do pesquisador Ivan Siqueira, professor titular de Interdisciplinaridade da UFBA (Universidade Federal da Bahia), durante a 2ª Conferência FAPESP 2026 − "Educação Básica no Brasil: Desafios e Oportunidades".

Segundo o conferencista, o país ampliou o acesso à escola desde a Constituição de 1988, mas ainda enfrenta dificuldades para garantir qualidade compatível com os investimentos realizados. "Há muita evidência de que avançamos. Mas, quando consideramos os níveis de desigualdade, entendemos que ainda precisamos fazer muito, muito, muito mais", ressaltou.

Um dos pontos centrais da apresentação foi a distinção entre princípios e critérios na definição das políticas públicas. Para Siqueira, a legislação brasileira possui diretrizes acertadas, mas carece de mecanismos objetivos de implementação. O pesquisador analisou especificamente o artigo 205 da Constituição da República Federativa do Brasil, que estabelece: "A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho".

"O maior problema do artigo 205 é ser ele uma declaração de princípio e não o estabelecimento de um critério. E o princípio não é binário: você pode dizer que está indo em determinada direção, mesmo sem nunca chegar lá", explicou. "Precisamos transformar princípios em critérios, porque critérios são objetivos e permitem cobrança."

Essa lacuna, segundo ele, afeta diretamente a governança educacional, especialmente em municípios com baixa capacidade administrativa. "Grande parte da educação básica está nas mãos das prefeituras, que têm menos recursos e menos estrutura, justamente na fase mais importante do desenvolvimento humano", disse.

O professor criticou também a formação de professores no país. Segundo ele, o sistema permite que docentes sejam formados sem experiência prática em escolas. "O Brasil autoriza a formação de pessoas que nunca pisaram em uma sala de aula. Isso não acontece em áreas como medicina", ponderou. Outro problema apontado foi a fragmentação curricular. "É ilusório imaginar que um aluno consiga aprender 13 disciplinas diferentes com menos de quatro horas de aula por dia", sublinhou. Para ele, o modelo pressupõe uma escola em tempo integral, que ainda não é realidade na maior parte do país.

Siqueira destacou que as tecnologias digitais introduziram uma mudança estrutural no processo de aprendizagem, afetando atenção, linguagem e formas de interação. "O modelo tradicional de aula expositiva está morto. Ele não serve mais para os estudantes que temos hoje", resumiu. Conforme o pesquisador, os estudantes têm dificuldade crescente de concentração e organização do pensamento: "Hoje é muito difícil manter um aluno focado por dez minutos. Para escrever, ele precisa pensar — e não está exercitando isso".

Ele relatou ainda o aumento de fenômenos como desinformação, dependência de redes sociais e problemas de saúde mental. "Na UFBA, 70% dos estudantes de medicina relatam problemas de saúde mental. Na psicologia, o percentual é ainda maior: 80%. Tanto que os professores, meus colegas, dizem que o pessoal vem para a psicologia para se tratar", contou.

A IA (inteligência artificial) foi apresentada como um dos principais vetores de transformação da educação e do mercado de trabalho. Siqueira citou demissões recentes no setor financeiro para ilustrar o impacto da adoção das novas tecnologias digitais. "Nos últimos quatro meses, os quatro maiores bancos norte-americanos demitiram 15 mil funcionários, enquanto obtinham mais de US$ 1 bilhão de lucro. Uma pessoa com IA faz o trabalho de dez. E isso muda completamente o mercado", enfatizou.

Ao mesmo tempo, ele destacou aplicações positivas no sistema educacional. "Modelos baseados na BNCC [Base Nacional Comum Curricular] conseguem gerar planos de aula adaptados para diferentes perfis de estudantes, reduzindo enormemente o trabalho do professor", disse. A BNCC é o documento normativo que define o que todos os estudantes brasileiros têm o direito de aprender ao longo da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio).

Além disso, a incorporação das novas tecnologias digitais favorece o acesso a conteúdos de qualidade, a formação de comunidades de aprendizagem e a possibilidade de integrar o currículo às realidades locais, como em comunidades indígenas e quilombolas, ampliando o potencial de uma educação mais contextualizada, colaborativa e alinhada às demandas contemporâneas.

Mas há vários gargalos a serem ultrapassados. Entre eles, o modelo de avaliação. Siqueira argumentou que exames como o do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) estão defasados e não capturam competências essenciais. E defendeu a incorporação de habilidades como pensamento crítico, metacognição e resolução de problemas complexos. "O estudante precisa saber mobilizar conhecimentos em situações reais. Não basta repetir conteúdo", disse.


https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/desigualdade-social-e-o-princip al-obstaculo-a-qualidade-da-educacao-no-pais/
"Na UFBA, 70% dos estudantes de medicina relatam problemas de saúde mental."
Analise as seguintes asserções e a relação proposta entre elas, tendo por referência a concordância verbal.
I.No trecho, o verbo 'relatar' está flexionado corretamente no plural.
Porque:
II.Nas expressões de porcentagem, a concordância verbal pode ocorrer, indiferentemente, tanto no singular quanto no plural.

Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4134619 Português
Desigualdade social é o principal obstáculo à qualidade da educação no país.

A educação básica brasileira registrou avanços significativos nas últimas décadas, mas continua marcada por desigualdades profundas e por um descompasso entre o modelo de ensino e as transformações tecnológicas e sociais contemporâneas.

 A avaliação é do pesquisador Ivan Siqueira, professor titular de Interdisciplinaridade da UFBA (Universidade Federal da Bahia), durante a 2ª Conferência FAPESP 2026 − "Educação Básica no Brasil: Desafios e Oportunidades".

Segundo o conferencista, o país ampliou o acesso à escola desde a Constituição de 1988, mas ainda enfrenta dificuldades para garantir qualidade compatível com os investimentos realizados. "Há muita evidência de que avançamos. Mas, quando consideramos os níveis de desigualdade, entendemos que ainda precisamos fazer muito, muito, muito mais", ressaltou.

Um dos pontos centrais da apresentação foi a distinção entre princípios e critérios na definição das políticas públicas. Para Siqueira, a legislação brasileira possui diretrizes acertadas, mas carece de mecanismos objetivos de implementação. O pesquisador analisou especificamente o artigo 205 da Constituição da República Federativa do Brasil, que estabelece: "A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho".

"O maior problema do artigo 205 é ser ele uma declaração de princípio e não o estabelecimento de um critério. E o princípio não é binário: você pode dizer que está indo em determinada direção, mesmo sem nunca chegar lá", explicou. "Precisamos transformar princípios em critérios, porque critérios são objetivos e permitem cobrança."

Essa lacuna, segundo ele, afeta diretamente a governança educacional, especialmente em municípios com baixa capacidade administrativa. "Grande parte da educação básica está nas mãos das prefeituras, que têm menos recursos e menos estrutura, justamente na fase mais importante do desenvolvimento humano", disse.

O professor criticou também a formação de professores no país. Segundo ele, o sistema permite que docentes sejam formados sem experiência prática em escolas. "O Brasil autoriza a formação de pessoas que nunca pisaram em uma sala de aula. Isso não acontece em áreas como medicina", ponderou. Outro problema apontado foi a fragmentação curricular. "É ilusório imaginar que um aluno consiga aprender 13 disciplinas diferentes com menos de quatro horas de aula por dia", sublinhou. Para ele, o modelo pressupõe uma escola em tempo integral, que ainda não é realidade na maior parte do país.

Siqueira destacou que as tecnologias digitais introduziram uma mudança estrutural no processo de aprendizagem, afetando atenção, linguagem e formas de interação. "O modelo tradicional de aula expositiva está morto. Ele não serve mais para os estudantes que temos hoje", resumiu. Conforme o pesquisador, os estudantes têm dificuldade crescente de concentração e organização do pensamento: "Hoje é muito difícil manter um aluno focado por dez minutos. Para escrever, ele precisa pensar — e não está exercitando isso".

Ele relatou ainda o aumento de fenômenos como desinformação, dependência de redes sociais e problemas de saúde mental. "Na UFBA, 70% dos estudantes de medicina relatam problemas de saúde mental. Na psicologia, o percentual é ainda maior: 80%. Tanto que os professores, meus colegas, dizem que o pessoal vem para a psicologia para se tratar", contou.

A IA (inteligência artificial) foi apresentada como um dos principais vetores de transformação da educação e do mercado de trabalho. Siqueira citou demissões recentes no setor financeiro para ilustrar o impacto da adoção das novas tecnologias digitais. "Nos últimos quatro meses, os quatro maiores bancos norte-americanos demitiram 15 mil funcionários, enquanto obtinham mais de US$ 1 bilhão de lucro. Uma pessoa com IA faz o trabalho de dez. E isso muda completamente o mercado", enfatizou.

Ao mesmo tempo, ele destacou aplicações positivas no sistema educacional. "Modelos baseados na BNCC [Base Nacional Comum Curricular] conseguem gerar planos de aula adaptados para diferentes perfis de estudantes, reduzindo enormemente o trabalho do professor", disse. A BNCC é o documento normativo que define o que todos os estudantes brasileiros têm o direito de aprender ao longo da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio).

Além disso, a incorporação das novas tecnologias digitais favorece o acesso a conteúdos de qualidade, a formação de comunidades de aprendizagem e a possibilidade de integrar o currículo às realidades locais, como em comunidades indígenas e quilombolas, ampliando o potencial de uma educação mais contextualizada, colaborativa e alinhada às demandas contemporâneas.

Mas há vários gargalos a serem ultrapassados. Entre eles, o modelo de avaliação. Siqueira argumentou que exames como o do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) estão defasados e não capturam competências essenciais. E defendeu a incorporação de habilidades como pensamento crítico, metacognição e resolução de problemas complexos. "O estudante precisa saber mobilizar conhecimentos em situações reais. Não basta repetir conteúdo", disse.


https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/desigualdade-social-e-o-princip al-obstaculo-a-qualidade-da-educacao-no-pais/
"Para escrever, ele precisa pensar — e não está exercitando isso."
Com base no processo de formação do período acima, bem como das características de orações subordinadas e coordenadas, marque V para as verdadeiras e F para as falsas:
(__)No período, a conjunção 'e', embora formalmente classificada como coordenativa aditiva, assume valor semântico adversativo, podendo ser substituída por 'mas' sem prejuízo de sentido.
(__)Nas orações coordenadas, há relativa autonomia sintática, como na frase 'As plantas estão secando porque não tem chovido', em que a segunda oração justifica, esclarece ou explica a primeira.
(__)As orações subordinadas não têm autonomia sintática e dependem de uma oração principal para completar o sentido. É o que ocorre em 'Para escrever', que é uma oração subordinada adverbial final, pois a preposição 'para' indica finalidade e liga essa oração à principal 'ele precisa pensar'.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência que preenche corretamente os itens acima, de cima para baixo.
Alternativas
Q4134618 Português
Desigualdade social é o principal obstáculo à qualidade da educação no país.

A educação básica brasileira registrou avanços significativos nas últimas décadas, mas continua marcada por desigualdades profundas e por um descompasso entre o modelo de ensino e as transformações tecnológicas e sociais contemporâneas.

 A avaliação é do pesquisador Ivan Siqueira, professor titular de Interdisciplinaridade da UFBA (Universidade Federal da Bahia), durante a 2ª Conferência FAPESP 2026 − "Educação Básica no Brasil: Desafios e Oportunidades".

Segundo o conferencista, o país ampliou o acesso à escola desde a Constituição de 1988, mas ainda enfrenta dificuldades para garantir qualidade compatível com os investimentos realizados. "Há muita evidência de que avançamos. Mas, quando consideramos os níveis de desigualdade, entendemos que ainda precisamos fazer muito, muito, muito mais", ressaltou.

Um dos pontos centrais da apresentação foi a distinção entre princípios e critérios na definição das políticas públicas. Para Siqueira, a legislação brasileira possui diretrizes acertadas, mas carece de mecanismos objetivos de implementação. O pesquisador analisou especificamente o artigo 205 da Constituição da República Federativa do Brasil, que estabelece: "A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho".

"O maior problema do artigo 205 é ser ele uma declaração de princípio e não o estabelecimento de um critério. E o princípio não é binário: você pode dizer que está indo em determinada direção, mesmo sem nunca chegar lá", explicou. "Precisamos transformar princípios em critérios, porque critérios são objetivos e permitem cobrança."

Essa lacuna, segundo ele, afeta diretamente a governança educacional, especialmente em municípios com baixa capacidade administrativa. "Grande parte da educação básica está nas mãos das prefeituras, que têm menos recursos e menos estrutura, justamente na fase mais importante do desenvolvimento humano", disse.

O professor criticou também a formação de professores no país. Segundo ele, o sistema permite que docentes sejam formados sem experiência prática em escolas. "O Brasil autoriza a formação de pessoas que nunca pisaram em uma sala de aula. Isso não acontece em áreas como medicina", ponderou. Outro problema apontado foi a fragmentação curricular. "É ilusório imaginar que um aluno consiga aprender 13 disciplinas diferentes com menos de quatro horas de aula por dia", sublinhou. Para ele, o modelo pressupõe uma escola em tempo integral, que ainda não é realidade na maior parte do país.

Siqueira destacou que as tecnologias digitais introduziram uma mudança estrutural no processo de aprendizagem, afetando atenção, linguagem e formas de interação. "O modelo tradicional de aula expositiva está morto. Ele não serve mais para os estudantes que temos hoje", resumiu. Conforme o pesquisador, os estudantes têm dificuldade crescente de concentração e organização do pensamento: "Hoje é muito difícil manter um aluno focado por dez minutos. Para escrever, ele precisa pensar — e não está exercitando isso".

Ele relatou ainda o aumento de fenômenos como desinformação, dependência de redes sociais e problemas de saúde mental. "Na UFBA, 70% dos estudantes de medicina relatam problemas de saúde mental. Na psicologia, o percentual é ainda maior: 80%. Tanto que os professores, meus colegas, dizem que o pessoal vem para a psicologia para se tratar", contou.

A IA (inteligência artificial) foi apresentada como um dos principais vetores de transformação da educação e do mercado de trabalho. Siqueira citou demissões recentes no setor financeiro para ilustrar o impacto da adoção das novas tecnologias digitais. "Nos últimos quatro meses, os quatro maiores bancos norte-americanos demitiram 15 mil funcionários, enquanto obtinham mais de US$ 1 bilhão de lucro. Uma pessoa com IA faz o trabalho de dez. E isso muda completamente o mercado", enfatizou.

Ao mesmo tempo, ele destacou aplicações positivas no sistema educacional. "Modelos baseados na BNCC [Base Nacional Comum Curricular] conseguem gerar planos de aula adaptados para diferentes perfis de estudantes, reduzindo enormemente o trabalho do professor", disse. A BNCC é o documento normativo que define o que todos os estudantes brasileiros têm o direito de aprender ao longo da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio).

Além disso, a incorporação das novas tecnologias digitais favorece o acesso a conteúdos de qualidade, a formação de comunidades de aprendizagem e a possibilidade de integrar o currículo às realidades locais, como em comunidades indígenas e quilombolas, ampliando o potencial de uma educação mais contextualizada, colaborativa e alinhada às demandas contemporâneas.

Mas há vários gargalos a serem ultrapassados. Entre eles, o modelo de avaliação. Siqueira argumentou que exames como o do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) estão defasados e não capturam competências essenciais. E defendeu a incorporação de habilidades como pensamento crítico, metacognição e resolução de problemas complexos. "O estudante precisa saber mobilizar conhecimentos em situações reais. Não basta repetir conteúdo", disse.


https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/desigualdade-social-e-o-princip al-obstaculo-a-qualidade-da-educacao-no-pais/
"Há muita evidência de que avançamos. Mas, quando consideramos os níveis de desigualdade, entendemos que ainda precisamos fazer muito, muito, muito mais."
Com base na análise sintática, identifique a alternativa incorreta.
Alternativas
Q4134617 Português
Desigualdade social é o principal obstáculo à qualidade da educação no país.

A educação básica brasileira registrou avanços significativos nas últimas décadas, mas continua marcada por desigualdades profundas e por um descompasso entre o modelo de ensino e as transformações tecnológicas e sociais contemporâneas.

 A avaliação é do pesquisador Ivan Siqueira, professor titular de Interdisciplinaridade da UFBA (Universidade Federal da Bahia), durante a 2ª Conferência FAPESP 2026 − "Educação Básica no Brasil: Desafios e Oportunidades".

Segundo o conferencista, o país ampliou o acesso à escola desde a Constituição de 1988, mas ainda enfrenta dificuldades para garantir qualidade compatível com os investimentos realizados. "Há muita evidência de que avançamos. Mas, quando consideramos os níveis de desigualdade, entendemos que ainda precisamos fazer muito, muito, muito mais", ressaltou.

Um dos pontos centrais da apresentação foi a distinção entre princípios e critérios na definição das políticas públicas. Para Siqueira, a legislação brasileira possui diretrizes acertadas, mas carece de mecanismos objetivos de implementação. O pesquisador analisou especificamente o artigo 205 da Constituição da República Federativa do Brasil, que estabelece: "A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho".

"O maior problema do artigo 205 é ser ele uma declaração de princípio e não o estabelecimento de um critério. E o princípio não é binário: você pode dizer que está indo em determinada direção, mesmo sem nunca chegar lá", explicou. "Precisamos transformar princípios em critérios, porque critérios são objetivos e permitem cobrança."

Essa lacuna, segundo ele, afeta diretamente a governança educacional, especialmente em municípios com baixa capacidade administrativa. "Grande parte da educação básica está nas mãos das prefeituras, que têm menos recursos e menos estrutura, justamente na fase mais importante do desenvolvimento humano", disse.

O professor criticou também a formação de professores no país. Segundo ele, o sistema permite que docentes sejam formados sem experiência prática em escolas. "O Brasil autoriza a formação de pessoas que nunca pisaram em uma sala de aula. Isso não acontece em áreas como medicina", ponderou. Outro problema apontado foi a fragmentação curricular. "É ilusório imaginar que um aluno consiga aprender 13 disciplinas diferentes com menos de quatro horas de aula por dia", sublinhou. Para ele, o modelo pressupõe uma escola em tempo integral, que ainda não é realidade na maior parte do país.

Siqueira destacou que as tecnologias digitais introduziram uma mudança estrutural no processo de aprendizagem, afetando atenção, linguagem e formas de interação. "O modelo tradicional de aula expositiva está morto. Ele não serve mais para os estudantes que temos hoje", resumiu. Conforme o pesquisador, os estudantes têm dificuldade crescente de concentração e organização do pensamento: "Hoje é muito difícil manter um aluno focado por dez minutos. Para escrever, ele precisa pensar — e não está exercitando isso".

Ele relatou ainda o aumento de fenômenos como desinformação, dependência de redes sociais e problemas de saúde mental. "Na UFBA, 70% dos estudantes de medicina relatam problemas de saúde mental. Na psicologia, o percentual é ainda maior: 80%. Tanto que os professores, meus colegas, dizem que o pessoal vem para a psicologia para se tratar", contou.

A IA (inteligência artificial) foi apresentada como um dos principais vetores de transformação da educação e do mercado de trabalho. Siqueira citou demissões recentes no setor financeiro para ilustrar o impacto da adoção das novas tecnologias digitais. "Nos últimos quatro meses, os quatro maiores bancos norte-americanos demitiram 15 mil funcionários, enquanto obtinham mais de US$ 1 bilhão de lucro. Uma pessoa com IA faz o trabalho de dez. E isso muda completamente o mercado", enfatizou.

Ao mesmo tempo, ele destacou aplicações positivas no sistema educacional. "Modelos baseados na BNCC [Base Nacional Comum Curricular] conseguem gerar planos de aula adaptados para diferentes perfis de estudantes, reduzindo enormemente o trabalho do professor", disse. A BNCC é o documento normativo que define o que todos os estudantes brasileiros têm o direito de aprender ao longo da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio).

Além disso, a incorporação das novas tecnologias digitais favorece o acesso a conteúdos de qualidade, a formação de comunidades de aprendizagem e a possibilidade de integrar o currículo às realidades locais, como em comunidades indígenas e quilombolas, ampliando o potencial de uma educação mais contextualizada, colaborativa e alinhada às demandas contemporâneas.

Mas há vários gargalos a serem ultrapassados. Entre eles, o modelo de avaliação. Siqueira argumentou que exames como o do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) estão defasados e não capturam competências essenciais. E defendeu a incorporação de habilidades como pensamento crítico, metacognição e resolução de problemas complexos. "O estudante precisa saber mobilizar conhecimentos em situações reais. Não basta repetir conteúdo", disse.


https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/desigualdade-social-e-o-princip al-obstaculo-a-qualidade-da-educacao-no-pais/
"Grande parte da educação básica está nas mãos das prefeituras, que têm menos recursos e menos estrutura, justamente na fase mais importante do desenvolvimento humano", disse. Segundo o conferencista, o país ampliou o acesso à escola desde a Constituição de 1988, mas ainda enfrenta dificuldades para garantir qualidade compatível com os investimentos realizados.
Com base nas regras de acentuação, especialmente nas alterações promovidas pelo Novo Acordo Ortográfico, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
(__)O acento gráfico nem sempre obedece apenas a critérios fonológicos; em certos casos, sua função é essencialmente distintiva. É o que ocorre com "têm" em relação à forma da terceira pessoa do singular, pois o acento é o único elemento responsável por distinguir o singular do plural.
(__)Diferentemente de 'têm', que manteve sua acentuação intacta, o verbo 'averiguar' teve sua grafia alterada pelo Novo Acordo Ortográfico. A forma 'averigúo' deixou de ser admitida, passando-se a reconhecer as grafias 'averiguo' ou 'averíguo', de acordo com a tonicidade do falante.
(__)O trecho apresenta duas palavras cuja acentuação gráfica se justifica por serem oxítonas terminadas em ditongo nasal, e uma terceira palavra acentuada em razão de sua condição de oxítona terminada em vogal 'a'.
(__)Assim como 'básica', que recebe acento gráfico em razão de sua classificação como proparoxítono, o vocábulo 'récorde' também pode ser acentuado quando realizado com tonicidade na antepenúltima sílaba; todavia, admite igualmente a forma 'recorde', sem acento, quando pronunciado como paroxítono, evidenciando a coexistência de duas realizações prosódicas para o mesmo vocábulo.

Assinale a alternativa que preenche corretamente os itens acima, de cima para baixo.
Alternativas
Q4134616 Português
Desigualdade social é o principal obstáculo à qualidade da educação no país.

A educação básica brasileira registrou avanços significativos nas últimas décadas, mas continua marcada por desigualdades profundas e por um descompasso entre o modelo de ensino e as transformações tecnológicas e sociais contemporâneas.

 A avaliação é do pesquisador Ivan Siqueira, professor titular de Interdisciplinaridade da UFBA (Universidade Federal da Bahia), durante a 2ª Conferência FAPESP 2026 − "Educação Básica no Brasil: Desafios e Oportunidades".

Segundo o conferencista, o país ampliou o acesso à escola desde a Constituição de 1988, mas ainda enfrenta dificuldades para garantir qualidade compatível com os investimentos realizados. "Há muita evidência de que avançamos. Mas, quando consideramos os níveis de desigualdade, entendemos que ainda precisamos fazer muito, muito, muito mais", ressaltou.

Um dos pontos centrais da apresentação foi a distinção entre princípios e critérios na definição das políticas públicas. Para Siqueira, a legislação brasileira possui diretrizes acertadas, mas carece de mecanismos objetivos de implementação. O pesquisador analisou especificamente o artigo 205 da Constituição da República Federativa do Brasil, que estabelece: "A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho".

"O maior problema do artigo 205 é ser ele uma declaração de princípio e não o estabelecimento de um critério. E o princípio não é binário: você pode dizer que está indo em determinada direção, mesmo sem nunca chegar lá", explicou. "Precisamos transformar princípios em critérios, porque critérios são objetivos e permitem cobrança."

Essa lacuna, segundo ele, afeta diretamente a governança educacional, especialmente em municípios com baixa capacidade administrativa. "Grande parte da educação básica está nas mãos das prefeituras, que têm menos recursos e menos estrutura, justamente na fase mais importante do desenvolvimento humano", disse.

O professor criticou também a formação de professores no país. Segundo ele, o sistema permite que docentes sejam formados sem experiência prática em escolas. "O Brasil autoriza a formação de pessoas que nunca pisaram em uma sala de aula. Isso não acontece em áreas como medicina", ponderou. Outro problema apontado foi a fragmentação curricular. "É ilusório imaginar que um aluno consiga aprender 13 disciplinas diferentes com menos de quatro horas de aula por dia", sublinhou. Para ele, o modelo pressupõe uma escola em tempo integral, que ainda não é realidade na maior parte do país.

Siqueira destacou que as tecnologias digitais introduziram uma mudança estrutural no processo de aprendizagem, afetando atenção, linguagem e formas de interação. "O modelo tradicional de aula expositiva está morto. Ele não serve mais para os estudantes que temos hoje", resumiu. Conforme o pesquisador, os estudantes têm dificuldade crescente de concentração e organização do pensamento: "Hoje é muito difícil manter um aluno focado por dez minutos. Para escrever, ele precisa pensar — e não está exercitando isso".

Ele relatou ainda o aumento de fenômenos como desinformação, dependência de redes sociais e problemas de saúde mental. "Na UFBA, 70% dos estudantes de medicina relatam problemas de saúde mental. Na psicologia, o percentual é ainda maior: 80%. Tanto que os professores, meus colegas, dizem que o pessoal vem para a psicologia para se tratar", contou.

A IA (inteligência artificial) foi apresentada como um dos principais vetores de transformação da educação e do mercado de trabalho. Siqueira citou demissões recentes no setor financeiro para ilustrar o impacto da adoção das novas tecnologias digitais. "Nos últimos quatro meses, os quatro maiores bancos norte-americanos demitiram 15 mil funcionários, enquanto obtinham mais de US$ 1 bilhão de lucro. Uma pessoa com IA faz o trabalho de dez. E isso muda completamente o mercado", enfatizou.

Ao mesmo tempo, ele destacou aplicações positivas no sistema educacional. "Modelos baseados na BNCC [Base Nacional Comum Curricular] conseguem gerar planos de aula adaptados para diferentes perfis de estudantes, reduzindo enormemente o trabalho do professor", disse. A BNCC é o documento normativo que define o que todos os estudantes brasileiros têm o direito de aprender ao longo da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio).

Além disso, a incorporação das novas tecnologias digitais favorece o acesso a conteúdos de qualidade, a formação de comunidades de aprendizagem e a possibilidade de integrar o currículo às realidades locais, como em comunidades indígenas e quilombolas, ampliando o potencial de uma educação mais contextualizada, colaborativa e alinhada às demandas contemporâneas.

Mas há vários gargalos a serem ultrapassados. Entre eles, o modelo de avaliação. Siqueira argumentou que exames como o do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) estão defasados e não capturam competências essenciais. E defendeu a incorporação de habilidades como pensamento crítico, metacognição e resolução de problemas complexos. "O estudante precisa saber mobilizar conhecimentos em situações reais. Não basta repetir conteúdo", disse.


https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/desigualdade-social-e-o-princip al-obstaculo-a-qualidade-da-educacao-no-pais/
"Além disso, a incorporação das novas tecnologias digitais favorece o acesso a conteúdos de qualidade, a formação de comunidades de aprendizagem e a possibilidade de integrar o currículo às realidades locais, como em comunidades indígenas e quilombolas, ampliando o potencial de uma educação mais contextualizada, colaborativa e alinhada às demandas contemporâneas."
Com base nas classes de palavras dos vocábulos empregados no trecho, analise as afirmativas e identifique a incorreta.
Alternativas
Q4134615 Português
Desigualdade social é o principal obstáculo à qualidade da educação no país.

A educação básica brasileira registrou avanços significativos nas últimas décadas, mas continua marcada por desigualdades profundas e por um descompasso entre o modelo de ensino e as transformações tecnológicas e sociais contemporâneas.

 A avaliação é do pesquisador Ivan Siqueira, professor titular de Interdisciplinaridade da UFBA (Universidade Federal da Bahia), durante a 2ª Conferência FAPESP 2026 − "Educação Básica no Brasil: Desafios e Oportunidades".

Segundo o conferencista, o país ampliou o acesso à escola desde a Constituição de 1988, mas ainda enfrenta dificuldades para garantir qualidade compatível com os investimentos realizados. "Há muita evidência de que avançamos. Mas, quando consideramos os níveis de desigualdade, entendemos que ainda precisamos fazer muito, muito, muito mais", ressaltou.

Um dos pontos centrais da apresentação foi a distinção entre princípios e critérios na definição das políticas públicas. Para Siqueira, a legislação brasileira possui diretrizes acertadas, mas carece de mecanismos objetivos de implementação. O pesquisador analisou especificamente o artigo 205 da Constituição da República Federativa do Brasil, que estabelece: "A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho".

"O maior problema do artigo 205 é ser ele uma declaração de princípio e não o estabelecimento de um critério. E o princípio não é binário: você pode dizer que está indo em determinada direção, mesmo sem nunca chegar lá", explicou. "Precisamos transformar princípios em critérios, porque critérios são objetivos e permitem cobrança."

Essa lacuna, segundo ele, afeta diretamente a governança educacional, especialmente em municípios com baixa capacidade administrativa. "Grande parte da educação básica está nas mãos das prefeituras, que têm menos recursos e menos estrutura, justamente na fase mais importante do desenvolvimento humano", disse.

O professor criticou também a formação de professores no país. Segundo ele, o sistema permite que docentes sejam formados sem experiência prática em escolas. "O Brasil autoriza a formação de pessoas que nunca pisaram em uma sala de aula. Isso não acontece em áreas como medicina", ponderou. Outro problema apontado foi a fragmentação curricular. "É ilusório imaginar que um aluno consiga aprender 13 disciplinas diferentes com menos de quatro horas de aula por dia", sublinhou. Para ele, o modelo pressupõe uma escola em tempo integral, que ainda não é realidade na maior parte do país.

Siqueira destacou que as tecnologias digitais introduziram uma mudança estrutural no processo de aprendizagem, afetando atenção, linguagem e formas de interação. "O modelo tradicional de aula expositiva está morto. Ele não serve mais para os estudantes que temos hoje", resumiu. Conforme o pesquisador, os estudantes têm dificuldade crescente de concentração e organização do pensamento: "Hoje é muito difícil manter um aluno focado por dez minutos. Para escrever, ele precisa pensar — e não está exercitando isso".

Ele relatou ainda o aumento de fenômenos como desinformação, dependência de redes sociais e problemas de saúde mental. "Na UFBA, 70% dos estudantes de medicina relatam problemas de saúde mental. Na psicologia, o percentual é ainda maior: 80%. Tanto que os professores, meus colegas, dizem que o pessoal vem para a psicologia para se tratar", contou.

A IA (inteligência artificial) foi apresentada como um dos principais vetores de transformação da educação e do mercado de trabalho. Siqueira citou demissões recentes no setor financeiro para ilustrar o impacto da adoção das novas tecnologias digitais. "Nos últimos quatro meses, os quatro maiores bancos norte-americanos demitiram 15 mil funcionários, enquanto obtinham mais de US$ 1 bilhão de lucro. Uma pessoa com IA faz o trabalho de dez. E isso muda completamente o mercado", enfatizou.

Ao mesmo tempo, ele destacou aplicações positivas no sistema educacional. "Modelos baseados na BNCC [Base Nacional Comum Curricular] conseguem gerar planos de aula adaptados para diferentes perfis de estudantes, reduzindo enormemente o trabalho do professor", disse. A BNCC é o documento normativo que define o que todos os estudantes brasileiros têm o direito de aprender ao longo da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio).

Além disso, a incorporação das novas tecnologias digitais favorece o acesso a conteúdos de qualidade, a formação de comunidades de aprendizagem e a possibilidade de integrar o currículo às realidades locais, como em comunidades indígenas e quilombolas, ampliando o potencial de uma educação mais contextualizada, colaborativa e alinhada às demandas contemporâneas.

Mas há vários gargalos a serem ultrapassados. Entre eles, o modelo de avaliação. Siqueira argumentou que exames como o do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) estão defasados e não capturam competências essenciais. E defendeu a incorporação de habilidades como pensamento crítico, metacognição e resolução de problemas complexos. "O estudante precisa saber mobilizar conhecimentos em situações reais. Não basta repetir conteúdo", disse.


https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/desigualdade-social-e-o-princip al-obstaculo-a-qualidade-da-educacao-no-pais/
"Segundo o conferencista, o país ampliou o acesso à escola desde a Constituição de 1988, mas ainda enfrenta dificuldades para garantir qualidade compatível com os investimentos realizados."
Considerando o processo de formação do período acima, analise a afirmativa incorreta.
Alternativas
Q4134614 Português
Desigualdade social é o principal obstáculo à qualidade da educação no país.

A educação básica brasileira registrou avanços significativos nas últimas décadas, mas continua marcada por desigualdades profundas e por um descompasso entre o modelo de ensino e as transformações tecnológicas e sociais contemporâneas.

 A avaliação é do pesquisador Ivan Siqueira, professor titular de Interdisciplinaridade da UFBA (Universidade Federal da Bahia), durante a 2ª Conferência FAPESP 2026 − "Educação Básica no Brasil: Desafios e Oportunidades".

Segundo o conferencista, o país ampliou o acesso à escola desde a Constituição de 1988, mas ainda enfrenta dificuldades para garantir qualidade compatível com os investimentos realizados. "Há muita evidência de que avançamos. Mas, quando consideramos os níveis de desigualdade, entendemos que ainda precisamos fazer muito, muito, muito mais", ressaltou.

Um dos pontos centrais da apresentação foi a distinção entre princípios e critérios na definição das políticas públicas. Para Siqueira, a legislação brasileira possui diretrizes acertadas, mas carece de mecanismos objetivos de implementação. O pesquisador analisou especificamente o artigo 205 da Constituição da República Federativa do Brasil, que estabelece: "A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho".

"O maior problema do artigo 205 é ser ele uma declaração de princípio e não o estabelecimento de um critério. E o princípio não é binário: você pode dizer que está indo em determinada direção, mesmo sem nunca chegar lá", explicou. "Precisamos transformar princípios em critérios, porque critérios são objetivos e permitem cobrança."

Essa lacuna, segundo ele, afeta diretamente a governança educacional, especialmente em municípios com baixa capacidade administrativa. "Grande parte da educação básica está nas mãos das prefeituras, que têm menos recursos e menos estrutura, justamente na fase mais importante do desenvolvimento humano", disse.

O professor criticou também a formação de professores no país. Segundo ele, o sistema permite que docentes sejam formados sem experiência prática em escolas. "O Brasil autoriza a formação de pessoas que nunca pisaram em uma sala de aula. Isso não acontece em áreas como medicina", ponderou. Outro problema apontado foi a fragmentação curricular. "É ilusório imaginar que um aluno consiga aprender 13 disciplinas diferentes com menos de quatro horas de aula por dia", sublinhou. Para ele, o modelo pressupõe uma escola em tempo integral, que ainda não é realidade na maior parte do país.

Siqueira destacou que as tecnologias digitais introduziram uma mudança estrutural no processo de aprendizagem, afetando atenção, linguagem e formas de interação. "O modelo tradicional de aula expositiva está morto. Ele não serve mais para os estudantes que temos hoje", resumiu. Conforme o pesquisador, os estudantes têm dificuldade crescente de concentração e organização do pensamento: "Hoje é muito difícil manter um aluno focado por dez minutos. Para escrever, ele precisa pensar — e não está exercitando isso".

Ele relatou ainda o aumento de fenômenos como desinformação, dependência de redes sociais e problemas de saúde mental. "Na UFBA, 70% dos estudantes de medicina relatam problemas de saúde mental. Na psicologia, o percentual é ainda maior: 80%. Tanto que os professores, meus colegas, dizem que o pessoal vem para a psicologia para se tratar", contou.

A IA (inteligência artificial) foi apresentada como um dos principais vetores de transformação da educação e do mercado de trabalho. Siqueira citou demissões recentes no setor financeiro para ilustrar o impacto da adoção das novas tecnologias digitais. "Nos últimos quatro meses, os quatro maiores bancos norte-americanos demitiram 15 mil funcionários, enquanto obtinham mais de US$ 1 bilhão de lucro. Uma pessoa com IA faz o trabalho de dez. E isso muda completamente o mercado", enfatizou.

Ao mesmo tempo, ele destacou aplicações positivas no sistema educacional. "Modelos baseados na BNCC [Base Nacional Comum Curricular] conseguem gerar planos de aula adaptados para diferentes perfis de estudantes, reduzindo enormemente o trabalho do professor", disse. A BNCC é o documento normativo que define o que todos os estudantes brasileiros têm o direito de aprender ao longo da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio).

Além disso, a incorporação das novas tecnologias digitais favorece o acesso a conteúdos de qualidade, a formação de comunidades de aprendizagem e a possibilidade de integrar o currículo às realidades locais, como em comunidades indígenas e quilombolas, ampliando o potencial de uma educação mais contextualizada, colaborativa e alinhada às demandas contemporâneas.

Mas há vários gargalos a serem ultrapassados. Entre eles, o modelo de avaliação. Siqueira argumentou que exames como o do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) estão defasados e não capturam competências essenciais. E defendeu a incorporação de habilidades como pensamento crítico, metacognição e resolução de problemas complexos. "O estudante precisa saber mobilizar conhecimentos em situações reais. Não basta repetir conteúdo", disse.


https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/desigualdade-social-e-o-princip al-obstaculo-a-qualidade-da-educacao-no-pais/
"Desigualdade social é o principal obstáculo à qualidade da educação no país."
A separação silábica consiste na divisão das palavras em sílabas, indicada, quando necessário, pelo uso do hífen. Em 'país', por exemplo, a divisão adequada é 'pa-ís'. Com base nas regras de separação silábica e de translineação, analise as afirmativas a seguir e assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Respostas
4821: B
4822: A
4823: E
4824: D
4825: C
4826: A
4827: A
4828: A
4829: A
4830: D
4831: B
4832: C
4833: B
4834: A
4835: A
4836: A
4837: B
4838: C
4839: D
4840: C