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Q3480302 Português
Tijolos da Mesopotâmia revelam anomalia antiga no campo magnético da Terra

Cruzando dados do campo magnético do planeta com inscrições em blocos de argila, cientistas confirmaram a existência de um fenômeno ocorrido h· 3 mil anos.

O campo magnético da Terra não foi sempre o mesmo. O polo Norte e o polo Sul já trocaram de lugar algumas vezes ao longo das eras geológicas. Além disso, sua intensidade aumenta e diminui com o tempo, às vezes de maneira desigual. Essas mudanças deixam cicatrizes químicas em certos minerais, que se tornam boas pistas para investigar o passado da magnetosfera. Átomos de ferro presentes, por exemplo, podem ter se alinhado ao campo em um certo ponto do passado, e então permanecido travados nessa posição – o que os torna uma janela para um instante exato da história do planeta. Uma pesquisa publicada recentemente no periódico especializado Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) investigou essas cicatrizes em minerais um tanto especiais: grãos de Óxido de ferro presentes em 32 tijolos fabricados na Mesopotâmia há mais de 3 mil anos. Como esses blocos de argila têm inscrições indicando o nome do déspota que governava o território na época de sua fabricação, torna-se possível cruzar o dado histórico com o químico, o que torna a datação extremamente precisa.

O estudo confirma a existência de um fenômeno chamado “anomalia geomagnética da Idade do Ferro no Levante”. Entre 1050 e 550 a.C., o campo magnético da Terra era estranhamente forte na região do Levante (os arredores de Iraque, Jordânia, Síria e Israel), por razıes ainda misteriosas. Evidências dessa anomalia já haviam sido detectadas em lugares distantes, mas dados vindos do próprio Oriente Médio eram escassos.

Arqueomagnetismo

Um mapeamento cada vez mais detalhado das mudanças no campo magnético da Terra com o passar das eras dá aos arqueólogos uma ferramenta cada vez melhor para datar artefatos antigos. “Muitas vezes dependemos de métodos de datação, como radiocarbono, para ter uma noção da cronologia na antiga Mesopotâmia. No entanto, alguns dos vestígios culturais mais comuns, como tijolos e cerâmicas, não podem ser facilmente datados porque não contém material orgânico [ou seja, material com ·tomos de carbono]”, diz Mark Altaweel, coautor do artigo, em declaração â imprensa. “Este trabalho agora ajuda a criar uma importante base que permite que outros se beneficiem da datação absoluta usando o arqueomagnetismo.” Em sua fala, Altaweel se refere ao método de datação mais comum da arqueologia, em que os pesquisadores descobrem quando um objeto foi fabricado (ou, no caso de um ser vivo, quando ele viveu) pela taxa a que ·tomos de carbono radioativos presentes nessa coisa se desmancham em outros átomos, mais estáveis. Grosso modo, quanto mais antigo o item, menos carbono radioativo haverá nele. A equipe espera que a área de pesquisa incipiente do arqueomagnetismo – a busca por assinaturas do campo magnético da Terra em artefatos arqueológicos –, aumente a precisão com que conhecemos história desse escudo invisível que circunda o planeta (e, de quebra, que melhore nossa capacidade de datar o passado da nossa própria espécie).

Revista Superinteressante. Adaptado. (Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/tijolos-damesopotamia-revelam-anomalia-antiga-no-campomagnetico-da-terra)
Considere o excerto: “Átomos de ferro presentes, por exemplo, podem ter se alinhado ao campo em um certo ponto do passado, e então permanecido travados nessa posição – o que os torna uma janela para um instante exato da história do planeta.” No contexto apresentado, o elemento que substitui e retoma a expressão “átomos de ferro presentes” é:
Alternativas
Q3480301 Português
Tijolos da Mesopotâmia revelam anomalia antiga no campo magnético da Terra

Cruzando dados do campo magnético do planeta com inscrições em blocos de argila, cientistas confirmaram a existência de um fenômeno ocorrido h· 3 mil anos.

O campo magnético da Terra não foi sempre o mesmo. O polo Norte e o polo Sul já trocaram de lugar algumas vezes ao longo das eras geológicas. Além disso, sua intensidade aumenta e diminui com o tempo, às vezes de maneira desigual. Essas mudanças deixam cicatrizes químicas em certos minerais, que se tornam boas pistas para investigar o passado da magnetosfera. Átomos de ferro presentes, por exemplo, podem ter se alinhado ao campo em um certo ponto do passado, e então permanecido travados nessa posição – o que os torna uma janela para um instante exato da história do planeta. Uma pesquisa publicada recentemente no periódico especializado Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) investigou essas cicatrizes em minerais um tanto especiais: grãos de Óxido de ferro presentes em 32 tijolos fabricados na Mesopotâmia há mais de 3 mil anos. Como esses blocos de argila têm inscrições indicando o nome do déspota que governava o território na época de sua fabricação, torna-se possível cruzar o dado histórico com o químico, o que torna a datação extremamente precisa.

O estudo confirma a existência de um fenômeno chamado “anomalia geomagnética da Idade do Ferro no Levante”. Entre 1050 e 550 a.C., o campo magnético da Terra era estranhamente forte na região do Levante (os arredores de Iraque, Jordânia, Síria e Israel), por razıes ainda misteriosas. Evidências dessa anomalia já haviam sido detectadas em lugares distantes, mas dados vindos do próprio Oriente Médio eram escassos.

Arqueomagnetismo

Um mapeamento cada vez mais detalhado das mudanças no campo magnético da Terra com o passar das eras dá aos arqueólogos uma ferramenta cada vez melhor para datar artefatos antigos. “Muitas vezes dependemos de métodos de datação, como radiocarbono, para ter uma noção da cronologia na antiga Mesopotâmia. No entanto, alguns dos vestígios culturais mais comuns, como tijolos e cerâmicas, não podem ser facilmente datados porque não contém material orgânico [ou seja, material com ·tomos de carbono]”, diz Mark Altaweel, coautor do artigo, em declaração â imprensa. “Este trabalho agora ajuda a criar uma importante base que permite que outros se beneficiem da datação absoluta usando o arqueomagnetismo.” Em sua fala, Altaweel se refere ao método de datação mais comum da arqueologia, em que os pesquisadores descobrem quando um objeto foi fabricado (ou, no caso de um ser vivo, quando ele viveu) pela taxa a que ·tomos de carbono radioativos presentes nessa coisa se desmancham em outros átomos, mais estáveis. Grosso modo, quanto mais antigo o item, menos carbono radioativo haverá nele. A equipe espera que a área de pesquisa incipiente do arqueomagnetismo – a busca por assinaturas do campo magnético da Terra em artefatos arqueológicos –, aumente a precisão com que conhecemos história desse escudo invisível que circunda o planeta (e, de quebra, que melhore nossa capacidade de datar o passado da nossa própria espécie).

Revista Superinteressante. Adaptado. (Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/tijolos-damesopotamia-revelam-anomalia-antiga-no-campomagnetico-da-terra)
De acordo com o texto, a dificuldade em datar artefatos antigos pelo método tradicional de radiocarbono decorre de: 
Alternativas
Q3479970 Português
Assinale a alternativa em que a frase está redigida em conformidade com a norma-padrão de regência verbal.
Alternativas
Q3479969 Português
Assinale a alternativa redigida em conformidade com a norma-padrão de emprego da vírgula e de concordância verbal.
Alternativas
Q3479968 Português
Leia o texto para responder a questão.

        Entre outros inocentes prazeres ocasionais, tenho o de disputar objetos arcaicos em leilões. Minha última aquisição, no Leilão de Colecionismo de Alberto Youle, foi um apito inglês, de bronze, com bolinha de cortiça, marca Acme Thunderer, do tipo usado no passado pelos juízes de futebol – com argola para a cordinha com que o penduravam ao pescoço. Suas Senhorias hoje usam vulgares apitos de plástico acoplados a uma espécie de dedal, talvez mais fácil de levar à boca, mas sem o mesmo charme.

        O Acme, inventado em 1870 pelo inglês Joseph Hudson, foi o pai de todos os apitos. Seu primeiro comprador foi a polícia de Londres, o que bastou para que ele ganhasse o mundo. Outros fabricantes entraram no mercado com apitos de material menos nobre e, talvez por isso, o Acme nunca tenha sido superado. O modelo Thunderer, criado em 1927, logo se tornou o favorito dos árbitros dos vários esportes.

        O Thunderer foi também uma arma dos Aliados na 2a Guerra, tanto que sua fábrica em Birmingham foi alvo de pesados bombardeios alemães – os nazistas precisavam destruí-la, para evitar que ele continuasse apitando o início das grandes invasões. É claro que não conseguiram, vide o papel do Thunderer no desembarque na Normandia. O Thunderer seguiu invicto no pós-Guerra, agora em sua maioria no pescoço dos juízes.

        Pelo estado, meu exemplar parece dos anos 50. Aposto que veio do futebol inglês porque, ao levá-lo à orelha, posso ouvir os ecos de seus trilos em gramados britânicos. Deve ter feito rolar a bola em incontáveis Arsenal x Manchester United, apitado faltas sobre o meia Billy Wright e anulado gols do craque Tommy Charlton. Se foi isso, que carreira!

        Meu apito já parece há muito aposentado. Mas vou ficar atento neste Carnaval. Um de seus netos pode estar na boca do mestre de bateria de uma escola de samba.

(Ruy Castro. https://www1.folha.uol.com.br/ colunas/ruycastro/2024/02/apito-de-bronze.shtml. 08.02.2024. Adaptado)
No trecho do 4º parágrafo – “Aposto que veio do futebol inglês porque, ao levá-lo à orelha, posso ouvir os ecos de seus trilos em gramados britânicos” –, a expressão destacada pode ser corretamente substituída por: 
Alternativas
Q3479967 Português
Leia o texto para responder a questão.

        Entre outros inocentes prazeres ocasionais, tenho o de disputar objetos arcaicos em leilões. Minha última aquisição, no Leilão de Colecionismo de Alberto Youle, foi um apito inglês, de bronze, com bolinha de cortiça, marca Acme Thunderer, do tipo usado no passado pelos juízes de futebol – com argola para a cordinha com que o penduravam ao pescoço. Suas Senhorias hoje usam vulgares apitos de plástico acoplados a uma espécie de dedal, talvez mais fácil de levar à boca, mas sem o mesmo charme.

        O Acme, inventado em 1870 pelo inglês Joseph Hudson, foi o pai de todos os apitos. Seu primeiro comprador foi a polícia de Londres, o que bastou para que ele ganhasse o mundo. Outros fabricantes entraram no mercado com apitos de material menos nobre e, talvez por isso, o Acme nunca tenha sido superado. O modelo Thunderer, criado em 1927, logo se tornou o favorito dos árbitros dos vários esportes.

        O Thunderer foi também uma arma dos Aliados na 2a Guerra, tanto que sua fábrica em Birmingham foi alvo de pesados bombardeios alemães – os nazistas precisavam destruí-la, para evitar que ele continuasse apitando o início das grandes invasões. É claro que não conseguiram, vide o papel do Thunderer no desembarque na Normandia. O Thunderer seguiu invicto no pós-Guerra, agora em sua maioria no pescoço dos juízes.

        Pelo estado, meu exemplar parece dos anos 50. Aposto que veio do futebol inglês porque, ao levá-lo à orelha, posso ouvir os ecos de seus trilos em gramados britânicos. Deve ter feito rolar a bola em incontáveis Arsenal x Manchester United, apitado faltas sobre o meia Billy Wright e anulado gols do craque Tommy Charlton. Se foi isso, que carreira!

        Meu apito já parece há muito aposentado. Mas vou ficar atento neste Carnaval. Um de seus netos pode estar na boca do mestre de bateria de uma escola de samba.

(Ruy Castro. https://www1.folha.uol.com.br/ colunas/ruycastro/2024/02/apito-de-bronze.shtml. 08.02.2024. Adaptado)
Foi empregado em sentido figurado o vocábulo destacado em: 
Alternativas
Q3479966 Português
Leia o texto para responder a questão.

        Entre outros inocentes prazeres ocasionais, tenho o de disputar objetos arcaicos em leilões. Minha última aquisição, no Leilão de Colecionismo de Alberto Youle, foi um apito inglês, de bronze, com bolinha de cortiça, marca Acme Thunderer, do tipo usado no passado pelos juízes de futebol – com argola para a cordinha com que o penduravam ao pescoço. Suas Senhorias hoje usam vulgares apitos de plástico acoplados a uma espécie de dedal, talvez mais fácil de levar à boca, mas sem o mesmo charme.

        O Acme, inventado em 1870 pelo inglês Joseph Hudson, foi o pai de todos os apitos. Seu primeiro comprador foi a polícia de Londres, o que bastou para que ele ganhasse o mundo. Outros fabricantes entraram no mercado com apitos de material menos nobre e, talvez por isso, o Acme nunca tenha sido superado. O modelo Thunderer, criado em 1927, logo se tornou o favorito dos árbitros dos vários esportes.

        O Thunderer foi também uma arma dos Aliados na 2a Guerra, tanto que sua fábrica em Birmingham foi alvo de pesados bombardeios alemães – os nazistas precisavam destruí-la, para evitar que ele continuasse apitando o início das grandes invasões. É claro que não conseguiram, vide o papel do Thunderer no desembarque na Normandia. O Thunderer seguiu invicto no pós-Guerra, agora em sua maioria no pescoço dos juízes.

        Pelo estado, meu exemplar parece dos anos 50. Aposto que veio do futebol inglês porque, ao levá-lo à orelha, posso ouvir os ecos de seus trilos em gramados britânicos. Deve ter feito rolar a bola em incontáveis Arsenal x Manchester United, apitado faltas sobre o meia Billy Wright e anulado gols do craque Tommy Charlton. Se foi isso, que carreira!

        Meu apito já parece há muito aposentado. Mas vou ficar atento neste Carnaval. Um de seus netos pode estar na boca do mestre de bateria de uma escola de samba.

(Ruy Castro. https://www1.folha.uol.com.br/ colunas/ruycastro/2024/02/apito-de-bronze.shtml. 08.02.2024. Adaptado)
A expressão “Suas Senhorias” (1º parágrafo) refere-se aos 
Alternativas
Q3479965 Português
Leia o texto para responder a questão.

        Entre outros inocentes prazeres ocasionais, tenho o de disputar objetos arcaicos em leilões. Minha última aquisição, no Leilão de Colecionismo de Alberto Youle, foi um apito inglês, de bronze, com bolinha de cortiça, marca Acme Thunderer, do tipo usado no passado pelos juízes de futebol – com argola para a cordinha com que o penduravam ao pescoço. Suas Senhorias hoje usam vulgares apitos de plástico acoplados a uma espécie de dedal, talvez mais fácil de levar à boca, mas sem o mesmo charme.

        O Acme, inventado em 1870 pelo inglês Joseph Hudson, foi o pai de todos os apitos. Seu primeiro comprador foi a polícia de Londres, o que bastou para que ele ganhasse o mundo. Outros fabricantes entraram no mercado com apitos de material menos nobre e, talvez por isso, o Acme nunca tenha sido superado. O modelo Thunderer, criado em 1927, logo se tornou o favorito dos árbitros dos vários esportes.

        O Thunderer foi também uma arma dos Aliados na 2a Guerra, tanto que sua fábrica em Birmingham foi alvo de pesados bombardeios alemães – os nazistas precisavam destruí-la, para evitar que ele continuasse apitando o início das grandes invasões. É claro que não conseguiram, vide o papel do Thunderer no desembarque na Normandia. O Thunderer seguiu invicto no pós-Guerra, agora em sua maioria no pescoço dos juízes.

        Pelo estado, meu exemplar parece dos anos 50. Aposto que veio do futebol inglês porque, ao levá-lo à orelha, posso ouvir os ecos de seus trilos em gramados britânicos. Deve ter feito rolar a bola em incontáveis Arsenal x Manchester United, apitado faltas sobre o meia Billy Wright e anulado gols do craque Tommy Charlton. Se foi isso, que carreira!

        Meu apito já parece há muito aposentado. Mas vou ficar atento neste Carnaval. Um de seus netos pode estar na boca do mestre de bateria de uma escola de samba.

(Ruy Castro. https://www1.folha.uol.com.br/ colunas/ruycastro/2024/02/apito-de-bronze.shtml. 08.02.2024. Adaptado)
O exemplar do apito da marca Acme adquirido em leilão pelo autor 
Alternativas
Q3479964 Português
Leia o texto para responder a questão.

        Entre outros inocentes prazeres ocasionais, tenho o de disputar objetos arcaicos em leilões. Minha última aquisição, no Leilão de Colecionismo de Alberto Youle, foi um apito inglês, de bronze, com bolinha de cortiça, marca Acme Thunderer, do tipo usado no passado pelos juízes de futebol – com argola para a cordinha com que o penduravam ao pescoço. Suas Senhorias hoje usam vulgares apitos de plástico acoplados a uma espécie de dedal, talvez mais fácil de levar à boca, mas sem o mesmo charme.

        O Acme, inventado em 1870 pelo inglês Joseph Hudson, foi o pai de todos os apitos. Seu primeiro comprador foi a polícia de Londres, o que bastou para que ele ganhasse o mundo. Outros fabricantes entraram no mercado com apitos de material menos nobre e, talvez por isso, o Acme nunca tenha sido superado. O modelo Thunderer, criado em 1927, logo se tornou o favorito dos árbitros dos vários esportes.

        O Thunderer foi também uma arma dos Aliados na 2a Guerra, tanto que sua fábrica em Birmingham foi alvo de pesados bombardeios alemães – os nazistas precisavam destruí-la, para evitar que ele continuasse apitando o início das grandes invasões. É claro que não conseguiram, vide o papel do Thunderer no desembarque na Normandia. O Thunderer seguiu invicto no pós-Guerra, agora em sua maioria no pescoço dos juízes.

        Pelo estado, meu exemplar parece dos anos 50. Aposto que veio do futebol inglês porque, ao levá-lo à orelha, posso ouvir os ecos de seus trilos em gramados britânicos. Deve ter feito rolar a bola em incontáveis Arsenal x Manchester United, apitado faltas sobre o meia Billy Wright e anulado gols do craque Tommy Charlton. Se foi isso, que carreira!

        Meu apito já parece há muito aposentado. Mas vou ficar atento neste Carnaval. Um de seus netos pode estar na boca do mestre de bateria de uma escola de samba.

(Ruy Castro. https://www1.folha.uol.com.br/ colunas/ruycastro/2024/02/apito-de-bronze.shtml. 08.02.2024. Adaptado)
É correto afirmar que o autor
Alternativas
Q3479963 Português
Leia o texto para responder a questão.

        A Revolução Industrial propiciou à humanidade a realização de feitos notáveis: do aumento geral da oferta de bens até a ida à Lua. Esse mesmo desenvolvimento é responsável pelo desequilíbrio do ecossistema da Terra.

        Durante bilhões de anos, o planeta passou por diversas transformações radicais, algumas levando a extinções em massa. A diferença é que, agora, são ações humanas que vêm afetando o meio ambiente em grande velocidade, e a mudança climática é o sintoma mais contundente desse processo.

        O observatório Copernicus, da Agência Espacial Europeia, confirmou o que a população mundial sentiu na pele: 2023 foi o ano mais quente desde o início da série histórica de medições, em 1850. A média global foi de 14,98 ºC, o que representa 0,17 ºC a mais do que o recorde anterior, de 2016.

        No Brasil, 2023 foi o ano mais quente desde 1961, início da série histórica do Instituto Nacional de Meteorologia. A temperatura média foi de 24,92 ºC, superando a média histórica em 0,69 ºC. O país viveu eventos climáticos extremos, como seca inédita na Amazônia, tempestades e enchentes no sul, e seguidas ondas de calor.

        O El Niño, que aquece as águas dos oceanos, contribui para a alta mundial dos termômetros, mas as temperaturas dos oceanos já haviam atingido recordes em abril, e o fenômeno teve início em julho.

        A responsável pelas anomalias de temperatura é a emissão de gases que provocam o efeito estufa, notadamente aqueles oriundos da queima de combustíveis fósseis, responsáveis por 75% das emissões. O mecanismo é velho conhecido, mas até agora pouco foi feito para acabar com a dependência de petróleo, carvão e gás natural.

(https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2024/01/o-ano-mais-quente.shtml. 09.01.2024. Adaptado)
Considere os trechos:
… são ações humanas que vêm afetando o meio ambiente em grande velocidade… (2º parágrafo)
… as temperaturas dos oceanoshaviam atingido recordes em abril… (5º parágrafo)
A expressão e o vocábulo destacados apresentam, correta e respectivamente, circunstâncias de 
Alternativas
Q3479962 Português
Leia o texto para responder a questão.

        A Revolução Industrial propiciou à humanidade a realização de feitos notáveis: do aumento geral da oferta de bens até a ida à Lua. Esse mesmo desenvolvimento é responsável pelo desequilíbrio do ecossistema da Terra.

        Durante bilhões de anos, o planeta passou por diversas transformações radicais, algumas levando a extinções em massa. A diferença é que, agora, são ações humanas que vêm afetando o meio ambiente em grande velocidade, e a mudança climática é o sintoma mais contundente desse processo.

        O observatório Copernicus, da Agência Espacial Europeia, confirmou o que a população mundial sentiu na pele: 2023 foi o ano mais quente desde o início da série histórica de medições, em 1850. A média global foi de 14,98 ºC, o que representa 0,17 ºC a mais do que o recorde anterior, de 2016.

        No Brasil, 2023 foi o ano mais quente desde 1961, início da série histórica do Instituto Nacional de Meteorologia. A temperatura média foi de 24,92 ºC, superando a média histórica em 0,69 ºC. O país viveu eventos climáticos extremos, como seca inédita na Amazônia, tempestades e enchentes no sul, e seguidas ondas de calor.

        O El Niño, que aquece as águas dos oceanos, contribui para a alta mundial dos termômetros, mas as temperaturas dos oceanos já haviam atingido recordes em abril, e o fenômeno teve início em julho.

        A responsável pelas anomalias de temperatura é a emissão de gases que provocam o efeito estufa, notadamente aqueles oriundos da queima de combustíveis fósseis, responsáveis por 75% das emissões. O mecanismo é velho conhecido, mas até agora pouco foi feito para acabar com a dependência de petróleo, carvão e gás natural.

(https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2024/01/o-ano-mais-quente.shtml. 09.01.2024. Adaptado)
No trecho do 6º parágrafo – “A responsável pelas anomalias de temperatura é a emissão de gases que provocam o efeito estufa, notadamente aqueles oriundos da queima de combustíveis fósseis” –, os vocábulos em destaque apresentam, no contexto em que foram empregados, correta e respectivamente, os sinônimos: 
Alternativas
Q3479961 Português
Leia o texto para responder a questão.

        A Revolução Industrial propiciou à humanidade a realização de feitos notáveis: do aumento geral da oferta de bens até a ida à Lua. Esse mesmo desenvolvimento é responsável pelo desequilíbrio do ecossistema da Terra.

        Durante bilhões de anos, o planeta passou por diversas transformações radicais, algumas levando a extinções em massa. A diferença é que, agora, são ações humanas que vêm afetando o meio ambiente em grande velocidade, e a mudança climática é o sintoma mais contundente desse processo.

        O observatório Copernicus, da Agência Espacial Europeia, confirmou o que a população mundial sentiu na pele: 2023 foi o ano mais quente desde o início da série histórica de medições, em 1850. A média global foi de 14,98 ºC, o que representa 0,17 ºC a mais do que o recorde anterior, de 2016.

        No Brasil, 2023 foi o ano mais quente desde 1961, início da série histórica do Instituto Nacional de Meteorologia. A temperatura média foi de 24,92 ºC, superando a média histórica em 0,69 ºC. O país viveu eventos climáticos extremos, como seca inédita na Amazônia, tempestades e enchentes no sul, e seguidas ondas de calor.

        O El Niño, que aquece as águas dos oceanos, contribui para a alta mundial dos termômetros, mas as temperaturas dos oceanos já haviam atingido recordes em abril, e o fenômeno teve início em julho.

        A responsável pelas anomalias de temperatura é a emissão de gases que provocam o efeito estufa, notadamente aqueles oriundos da queima de combustíveis fósseis, responsáveis por 75% das emissões. O mecanismo é velho conhecido, mas até agora pouco foi feito para acabar com a dependência de petróleo, carvão e gás natural.

(https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2024/01/o-ano-mais-quente.shtml. 09.01.2024. Adaptado)
De acordo com o texto, é correto afirmar que
Alternativas
Q3479930 Português
Está em conformidade com a norma-padrão de concordância e de regência verbal e nominal a frase:
Alternativas
Q3479929 Português
Leia o texto para responder a questão.

Histórias de médico em formação

        Os plantonistas conhecem esta situação. No meio da noite, alguém bate insistentemente à porta: depressa, doutor, é um caso urgente. E aí é preciso saltar da cama e vestir-se precipitadamente e lavar o rosto com a esperança de que a água fria restaure a capacidade de raciocínio embotada pelo sono, e então sair e encontrar na maca um baleado, um esfaqueado, uma mulher que se retorce em dores, uma criança que mal respira. A urgência é mais que uma forma de atendimento, é um modo de viver estressante, frenético, onde a rotina mencionada nos livros jamais existe.

        É raro o médico que não tenha passado por um serviço de urgência. Quando eu era estudante de medicina, fazia-se, por meio de um concurso público, um estágio de dois anos. Fui designado para um posto na Grande Porto Alegre. Antes mesmo de entrar na escala de plantões, resolvi ir até lá para conhecer o lugar. Era uma casinha velha e acanhada, cheia de gente, que estava esperando desde a madrugada. Procurei o médico-chefe e perguntei quem estava de plantão. Tu, foi a pronta resposta, e este foi o meu batismo de fogo no serviço de urgência.

         Além dos pacientes que vinham ao local, era preciso responder a dezenas de chamados em domicílio. A ambulância era velha e quebrada, de modo que estávamos sempre atrasados, para grande angústia e irritação das pessoas que chamavam. Uma tarde, depois de atender a numerosos desses chamados, regressei ao posto, exausto. O funcionário me esperava na porta, alarmado: alguém tinha se afogado no rio, deveríamos ir lá imediatamente. Voltei para a ambulância e nos dirigimos para o local.

        Uma multidão se concentrava ali, em torno a um corpo na margem. Bastou-me um olhar para verificar que o homem estava morto há horas, quem sabe há dias. A ressuscitação ali era apenas pró-forma, mas eu procederia como tinham me ensinado: massagem cardíaca e respiração boca a boca. Junto ao grupo estava um cabo, acompanhado de um soldado. Eu disse ao militar que faria a massagem e pedi o seu auxílio para a respiração boca a boca. O homem olhou-me, horrorizado, mas teve presença de espírito: mandou o soldado fazer o que eu havia lhe pedido. O soldado não tinha em quem mandar, de modo que não lhe restava outro remédio senão obedecer. Perguntou somente se podia usar o lenço para evitar um contato direto. Eu disse que sim. Quem se oporia, além do morto?

        Fizemos a rápida encenação, depois partimos.

(Moacyr Scliar. Território da emoção. Companhia das Letras, 2013. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a expressão destacada pode ser substituída pelo que está entre colchetes, mantendo-se a norma-padrão de colocação pronominal.
Alternativas
Q3479928 Português
Leia o texto para responder a questão.

Histórias de médico em formação

        Os plantonistas conhecem esta situação. No meio da noite, alguém bate insistentemente à porta: depressa, doutor, é um caso urgente. E aí é preciso saltar da cama e vestir-se precipitadamente e lavar o rosto com a esperança de que a água fria restaure a capacidade de raciocínio embotada pelo sono, e então sair e encontrar na maca um baleado, um esfaqueado, uma mulher que se retorce em dores, uma criança que mal respira. A urgência é mais que uma forma de atendimento, é um modo de viver estressante, frenético, onde a rotina mencionada nos livros jamais existe.

        É raro o médico que não tenha passado por um serviço de urgência. Quando eu era estudante de medicina, fazia-se, por meio de um concurso público, um estágio de dois anos. Fui designado para um posto na Grande Porto Alegre. Antes mesmo de entrar na escala de plantões, resolvi ir até lá para conhecer o lugar. Era uma casinha velha e acanhada, cheia de gente, que estava esperando desde a madrugada. Procurei o médico-chefe e perguntei quem estava de plantão. Tu, foi a pronta resposta, e este foi o meu batismo de fogo no serviço de urgência.

         Além dos pacientes que vinham ao local, era preciso responder a dezenas de chamados em domicílio. A ambulância era velha e quebrada, de modo que estávamos sempre atrasados, para grande angústia e irritação das pessoas que chamavam. Uma tarde, depois de atender a numerosos desses chamados, regressei ao posto, exausto. O funcionário me esperava na porta, alarmado: alguém tinha se afogado no rio, deveríamos ir lá imediatamente. Voltei para a ambulância e nos dirigimos para o local.

        Uma multidão se concentrava ali, em torno a um corpo na margem. Bastou-me um olhar para verificar que o homem estava morto há horas, quem sabe há dias. A ressuscitação ali era apenas pró-forma, mas eu procederia como tinham me ensinado: massagem cardíaca e respiração boca a boca. Junto ao grupo estava um cabo, acompanhado de um soldado. Eu disse ao militar que faria a massagem e pedi o seu auxílio para a respiração boca a boca. O homem olhou-me, horrorizado, mas teve presença de espírito: mandou o soldado fazer o que eu havia lhe pedido. O soldado não tinha em quem mandar, de modo que não lhe restava outro remédio senão obedecer. Perguntou somente se podia usar o lenço para evitar um contato direto. Eu disse que sim. Quem se oporia, além do morto?

        Fizemos a rápida encenação, depois partimos.

(Moacyr Scliar. Território da emoção. Companhia das Letras, 2013. Adaptado)
Entre colchetes, apresenta-se forma verbal correspondente ao que está destacado em:
Alternativas
Q3479927 Português
Leia o texto para responder a questão.

Histórias de médico em formação

        Os plantonistas conhecem esta situação. No meio da noite, alguém bate insistentemente à porta: depressa, doutor, é um caso urgente. E aí é preciso saltar da cama e vestir-se precipitadamente e lavar o rosto com a esperança de que a água fria restaure a capacidade de raciocínio embotada pelo sono, e então sair e encontrar na maca um baleado, um esfaqueado, uma mulher que se retorce em dores, uma criança que mal respira. A urgência é mais que uma forma de atendimento, é um modo de viver estressante, frenético, onde a rotina mencionada nos livros jamais existe.

        É raro o médico que não tenha passado por um serviço de urgência. Quando eu era estudante de medicina, fazia-se, por meio de um concurso público, um estágio de dois anos. Fui designado para um posto na Grande Porto Alegre. Antes mesmo de entrar na escala de plantões, resolvi ir até lá para conhecer o lugar. Era uma casinha velha e acanhada, cheia de gente, que estava esperando desde a madrugada. Procurei o médico-chefe e perguntei quem estava de plantão. Tu, foi a pronta resposta, e este foi o meu batismo de fogo no serviço de urgência.

         Além dos pacientes que vinham ao local, era preciso responder a dezenas de chamados em domicílio. A ambulância era velha e quebrada, de modo que estávamos sempre atrasados, para grande angústia e irritação das pessoas que chamavam. Uma tarde, depois de atender a numerosos desses chamados, regressei ao posto, exausto. O funcionário me esperava na porta, alarmado: alguém tinha se afogado no rio, deveríamos ir lá imediatamente. Voltei para a ambulância e nos dirigimos para o local.

        Uma multidão se concentrava ali, em torno a um corpo na margem. Bastou-me um olhar para verificar que o homem estava morto há horas, quem sabe há dias. A ressuscitação ali era apenas pró-forma, mas eu procederia como tinham me ensinado: massagem cardíaca e respiração boca a boca. Junto ao grupo estava um cabo, acompanhado de um soldado. Eu disse ao militar que faria a massagem e pedi o seu auxílio para a respiração boca a boca. O homem olhou-me, horrorizado, mas teve presença de espírito: mandou o soldado fazer o que eu havia lhe pedido. O soldado não tinha em quem mandar, de modo que não lhe restava outro remédio senão obedecer. Perguntou somente se podia usar o lenço para evitar um contato direto. Eu disse que sim. Quem se oporia, além do morto?

        Fizemos a rápida encenação, depois partimos.

(Moacyr Scliar. Território da emoção. Companhia das Letras, 2013. Adaptado)
No trecho “Quando eu era estudante de medicina, fazia- -se, por meio de um concurso público, um estágio de dois anos” (2º parágrafo), o vocábulo e a expressão destacados podem ser substituídos, correta e respectivamente, por: 
Alternativas
Q3479926 Português
Leia o texto para responder a questão.

Histórias de médico em formação

        Os plantonistas conhecem esta situação. No meio da noite, alguém bate insistentemente à porta: depressa, doutor, é um caso urgente. E aí é preciso saltar da cama e vestir-se precipitadamente e lavar o rosto com a esperança de que a água fria restaure a capacidade de raciocínio embotada pelo sono, e então sair e encontrar na maca um baleado, um esfaqueado, uma mulher que se retorce em dores, uma criança que mal respira. A urgência é mais que uma forma de atendimento, é um modo de viver estressante, frenético, onde a rotina mencionada nos livros jamais existe.

        É raro o médico que não tenha passado por um serviço de urgência. Quando eu era estudante de medicina, fazia-se, por meio de um concurso público, um estágio de dois anos. Fui designado para um posto na Grande Porto Alegre. Antes mesmo de entrar na escala de plantões, resolvi ir até lá para conhecer o lugar. Era uma casinha velha e acanhada, cheia de gente, que estava esperando desde a madrugada. Procurei o médico-chefe e perguntei quem estava de plantão. Tu, foi a pronta resposta, e este foi o meu batismo de fogo no serviço de urgência.

         Além dos pacientes que vinham ao local, era preciso responder a dezenas de chamados em domicílio. A ambulância era velha e quebrada, de modo que estávamos sempre atrasados, para grande angústia e irritação das pessoas que chamavam. Uma tarde, depois de atender a numerosos desses chamados, regressei ao posto, exausto. O funcionário me esperava na porta, alarmado: alguém tinha se afogado no rio, deveríamos ir lá imediatamente. Voltei para a ambulância e nos dirigimos para o local.

        Uma multidão se concentrava ali, em torno a um corpo na margem. Bastou-me um olhar para verificar que o homem estava morto há horas, quem sabe há dias. A ressuscitação ali era apenas pró-forma, mas eu procederia como tinham me ensinado: massagem cardíaca e respiração boca a boca. Junto ao grupo estava um cabo, acompanhado de um soldado. Eu disse ao militar que faria a massagem e pedi o seu auxílio para a respiração boca a boca. O homem olhou-me, horrorizado, mas teve presença de espírito: mandou o soldado fazer o que eu havia lhe pedido. O soldado não tinha em quem mandar, de modo que não lhe restava outro remédio senão obedecer. Perguntou somente se podia usar o lenço para evitar um contato direto. Eu disse que sim. Quem se oporia, além do morto?

        Fizemos a rápida encenação, depois partimos.

(Moacyr Scliar. Território da emoção. Companhia das Letras, 2013. Adaptado)
No trecho “O soldado não tinha em quem mandar, de modo que não lhe restava outro remédio senão obedecer” (4º parágrafo), o vocábulo destacado foi empregado com a função de
Alternativas
Q3479925 Português
Leia o texto para responder a questão.

Histórias de médico em formação

        Os plantonistas conhecem esta situação. No meio da noite, alguém bate insistentemente à porta: depressa, doutor, é um caso urgente. E aí é preciso saltar da cama e vestir-se precipitadamente e lavar o rosto com a esperança de que a água fria restaure a capacidade de raciocínio embotada pelo sono, e então sair e encontrar na maca um baleado, um esfaqueado, uma mulher que se retorce em dores, uma criança que mal respira. A urgência é mais que uma forma de atendimento, é um modo de viver estressante, frenético, onde a rotina mencionada nos livros jamais existe.

        É raro o médico que não tenha passado por um serviço de urgência. Quando eu era estudante de medicina, fazia-se, por meio de um concurso público, um estágio de dois anos. Fui designado para um posto na Grande Porto Alegre. Antes mesmo de entrar na escala de plantões, resolvi ir até lá para conhecer o lugar. Era uma casinha velha e acanhada, cheia de gente, que estava esperando desde a madrugada. Procurei o médico-chefe e perguntei quem estava de plantão. Tu, foi a pronta resposta, e este foi o meu batismo de fogo no serviço de urgência.

         Além dos pacientes que vinham ao local, era preciso responder a dezenas de chamados em domicílio. A ambulância era velha e quebrada, de modo que estávamos sempre atrasados, para grande angústia e irritação das pessoas que chamavam. Uma tarde, depois de atender a numerosos desses chamados, regressei ao posto, exausto. O funcionário me esperava na porta, alarmado: alguém tinha se afogado no rio, deveríamos ir lá imediatamente. Voltei para a ambulância e nos dirigimos para o local.

        Uma multidão se concentrava ali, em torno a um corpo na margem. Bastou-me um olhar para verificar que o homem estava morto há horas, quem sabe há dias. A ressuscitação ali era apenas pró-forma, mas eu procederia como tinham me ensinado: massagem cardíaca e respiração boca a boca. Junto ao grupo estava um cabo, acompanhado de um soldado. Eu disse ao militar que faria a massagem e pedi o seu auxílio para a respiração boca a boca. O homem olhou-me, horrorizado, mas teve presença de espírito: mandou o soldado fazer o que eu havia lhe pedido. O soldado não tinha em quem mandar, de modo que não lhe restava outro remédio senão obedecer. Perguntou somente se podia usar o lenço para evitar um contato direto. Eu disse que sim. Quem se oporia, além do morto?

        Fizemos a rápida encenação, depois partimos.

(Moacyr Scliar. Território da emoção. Companhia das Letras, 2013. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a expressão destacada pode ser grafada entre aspas, segundo os empregos previstos desse sinal de pontuação. 
Alternativas
Q3479924 Português
Leia o texto para responder a questão.

Histórias de médico em formação

        Os plantonistas conhecem esta situação. No meio da noite, alguém bate insistentemente à porta: depressa, doutor, é um caso urgente. E aí é preciso saltar da cama e vestir-se precipitadamente e lavar o rosto com a esperança de que a água fria restaure a capacidade de raciocínio embotada pelo sono, e então sair e encontrar na maca um baleado, um esfaqueado, uma mulher que se retorce em dores, uma criança que mal respira. A urgência é mais que uma forma de atendimento, é um modo de viver estressante, frenético, onde a rotina mencionada nos livros jamais existe.

        É raro o médico que não tenha passado por um serviço de urgência. Quando eu era estudante de medicina, fazia-se, por meio de um concurso público, um estágio de dois anos. Fui designado para um posto na Grande Porto Alegre. Antes mesmo de entrar na escala de plantões, resolvi ir até lá para conhecer o lugar. Era uma casinha velha e acanhada, cheia de gente, que estava esperando desde a madrugada. Procurei o médico-chefe e perguntei quem estava de plantão. Tu, foi a pronta resposta, e este foi o meu batismo de fogo no serviço de urgência.

         Além dos pacientes que vinham ao local, era preciso responder a dezenas de chamados em domicílio. A ambulância era velha e quebrada, de modo que estávamos sempre atrasados, para grande angústia e irritação das pessoas que chamavam. Uma tarde, depois de atender a numerosos desses chamados, regressei ao posto, exausto. O funcionário me esperava na porta, alarmado: alguém tinha se afogado no rio, deveríamos ir lá imediatamente. Voltei para a ambulância e nos dirigimos para o local.

        Uma multidão se concentrava ali, em torno a um corpo na margem. Bastou-me um olhar para verificar que o homem estava morto há horas, quem sabe há dias. A ressuscitação ali era apenas pró-forma, mas eu procederia como tinham me ensinado: massagem cardíaca e respiração boca a boca. Junto ao grupo estava um cabo, acompanhado de um soldado. Eu disse ao militar que faria a massagem e pedi o seu auxílio para a respiração boca a boca. O homem olhou-me, horrorizado, mas teve presença de espírito: mandou o soldado fazer o que eu havia lhe pedido. O soldado não tinha em quem mandar, de modo que não lhe restava outro remédio senão obedecer. Perguntou somente se podia usar o lenço para evitar um contato direto. Eu disse que sim. Quem se oporia, além do morto?

        Fizemos a rápida encenação, depois partimos.

(Moacyr Scliar. Território da emoção. Companhia das Letras, 2013. Adaptado)
Assinale a alternativa em que se faz afirmação correta em relação ao acontecimento narrado pelo autor.
Alternativas
Q3479923 Português
Leia o texto para responder a questão.

Histórias de médico em formação

        Os plantonistas conhecem esta situação. No meio da noite, alguém bate insistentemente à porta: depressa, doutor, é um caso urgente. E aí é preciso saltar da cama e vestir-se precipitadamente e lavar o rosto com a esperança de que a água fria restaure a capacidade de raciocínio embotada pelo sono, e então sair e encontrar na maca um baleado, um esfaqueado, uma mulher que se retorce em dores, uma criança que mal respira. A urgência é mais que uma forma de atendimento, é um modo de viver estressante, frenético, onde a rotina mencionada nos livros jamais existe.

        É raro o médico que não tenha passado por um serviço de urgência. Quando eu era estudante de medicina, fazia-se, por meio de um concurso público, um estágio de dois anos. Fui designado para um posto na Grande Porto Alegre. Antes mesmo de entrar na escala de plantões, resolvi ir até lá para conhecer o lugar. Era uma casinha velha e acanhada, cheia de gente, que estava esperando desde a madrugada. Procurei o médico-chefe e perguntei quem estava de plantão. Tu, foi a pronta resposta, e este foi o meu batismo de fogo no serviço de urgência.

         Além dos pacientes que vinham ao local, era preciso responder a dezenas de chamados em domicílio. A ambulância era velha e quebrada, de modo que estávamos sempre atrasados, para grande angústia e irritação das pessoas que chamavam. Uma tarde, depois de atender a numerosos desses chamados, regressei ao posto, exausto. O funcionário me esperava na porta, alarmado: alguém tinha se afogado no rio, deveríamos ir lá imediatamente. Voltei para a ambulância e nos dirigimos para o local.

        Uma multidão se concentrava ali, em torno a um corpo na margem. Bastou-me um olhar para verificar que o homem estava morto há horas, quem sabe há dias. A ressuscitação ali era apenas pró-forma, mas eu procederia como tinham me ensinado: massagem cardíaca e respiração boca a boca. Junto ao grupo estava um cabo, acompanhado de um soldado. Eu disse ao militar que faria a massagem e pedi o seu auxílio para a respiração boca a boca. O homem olhou-me, horrorizado, mas teve presença de espírito: mandou o soldado fazer o que eu havia lhe pedido. O soldado não tinha em quem mandar, de modo que não lhe restava outro remédio senão obedecer. Perguntou somente se podia usar o lenço para evitar um contato direto. Eu disse que sim. Quem se oporia, além do morto?

        Fizemos a rápida encenação, depois partimos.

(Moacyr Scliar. Território da emoção. Companhia das Letras, 2013. Adaptado)
Quanto às considerações do autor sobre a formação e a rotina do médico, é correto afirmar que
Alternativas
Respostas
48001: A
48002: D
48003: B
48004: C
48005: A
48006: B
48007: C
48008: E
48009: B
48010: E
48011: D
48012: A
48013: D
48014: B
48015: D
48016: C
48017: B
48018: A
48019: B
48020: D