Questões de Concurso Sobre português

Foram encontradas 255.369 questões

Q3704061 Português
Morre o apresentador Paulo Soares, o ‘Amigão’, aos 63 anos em São Paulo


    O jornalista esportivo Paulo Soares, conhecido como “Amigão”, morreu nesta segunda-feira (29), em São Paulo, aos 63 anos. Ele estava internado havia cinco meses no Hospital Sírio-Libanês em razão de problemas na coluna e faleceu nas primeiras horas do dia por falência de múltiplos órgãos, segundo nota divulgada pelos canais ESPN, onde trabalhava.

    Com mais de quatro décadas de carreira, Soares se tornou um dos rostos mais marcantes do jornalismo esportivo brasileiro. Natural de Araras, no interior paulista, começou a trabalhar em 1978, ainda adolescente, na Rádio Clube Ararense.

    Na Rádio Record, recebeu de Osvaldo Pascoal o apelido que o acompanharia por toda a vida: “amigão da galera”, pela forma calorosa com que se relacionava com colegas e ouvintes. Trabalhou ainda na Rádio Globo e na Rádio Bandeirantes, além de passagens pela TV Gazeta, Record, Cultura e SBT.

    A partir de 1995, consolidou-se na ESPN, onde narrou competições importantes e, em 2000, foi escolhido pelo diretor José Trajano para liderar a versão brasileira do programa SportsCenter. No comando da atração, formou uma dupla inesquecível com o jornalista Antero Greco, que se tornou célebre pelas transmissões madrugada adentro e pelas gargalhadas compartilhadas ao vivo.

    O último programa da dupla foi ao ar em março de 2022, em razão da pandemia e de problemas de saúde de ambos. Antero Greco morreu em 2023, e agora Paulo Soares também se despede, deixando um legado de irreverência, profissionalismo e paixão pelo jornalismo esportivo.


O último programa da dupla foi ao ar em março de 2022, em razão da pandemia e de problemas de saúde de ambos. Antero Greco morreu em 2023, e agora Paulo Soares também se despede, deixando um legado de irreverência, profissionalismo e paixão pelo jornalismo esportivo.


Fonte: https://cbn.globo.com/esporte/noticia/2025/09/29/morre-o-apresentador-paulo-soares-oamigao-aos-63-anos-em-sao-paulo.ghtml
Assinale a alternativa que apresente o tempo verbal da forma em destaque no período: Natural de Araras, no interior paulista, começou a trabalhar em 1978, ainda adolescente, na Rádio Clube Ararense.
Alternativas
Q3704060 Português
Morre o apresentador Paulo Soares, o ‘Amigão’, aos 63 anos em São Paulo


    O jornalista esportivo Paulo Soares, conhecido como “Amigão”, morreu nesta segunda-feira (29), em São Paulo, aos 63 anos. Ele estava internado havia cinco meses no Hospital Sírio-Libanês em razão de problemas na coluna e faleceu nas primeiras horas do dia por falência de múltiplos órgãos, segundo nota divulgada pelos canais ESPN, onde trabalhava.

    Com mais de quatro décadas de carreira, Soares se tornou um dos rostos mais marcantes do jornalismo esportivo brasileiro. Natural de Araras, no interior paulista, começou a trabalhar em 1978, ainda adolescente, na Rádio Clube Ararense.

    Na Rádio Record, recebeu de Osvaldo Pascoal o apelido que o acompanharia por toda a vida: “amigão da galera”, pela forma calorosa com que se relacionava com colegas e ouvintes. Trabalhou ainda na Rádio Globo e na Rádio Bandeirantes, além de passagens pela TV Gazeta, Record, Cultura e SBT.

    A partir de 1995, consolidou-se na ESPN, onde narrou competições importantes e, em 2000, foi escolhido pelo diretor José Trajano para liderar a versão brasileira do programa SportsCenter. No comando da atração, formou uma dupla inesquecível com o jornalista Antero Greco, que se tornou célebre pelas transmissões madrugada adentro e pelas gargalhadas compartilhadas ao vivo.

    O último programa da dupla foi ao ar em março de 2022, em razão da pandemia e de problemas de saúde de ambos. Antero Greco morreu em 2023, e agora Paulo Soares também se despede, deixando um legado de irreverência, profissionalismo e paixão pelo jornalismo esportivo.


O último programa da dupla foi ao ar em março de 2022, em razão da pandemia e de problemas de saúde de ambos. Antero Greco morreu em 2023, e agora Paulo Soares também se despede, deixando um legado de irreverência, profissionalismo e paixão pelo jornalismo esportivo.


Fonte: https://cbn.globo.com/esporte/noticia/2025/09/29/morre-o-apresentador-paulo-soares-oamigao-aos-63-anos-em-sao-paulo.ghtml
Assinale a alternativa que apresente um sinônimo adequado, no contexto do texto, para o termo em destaque no período: Com mais de quatro décadas de carreira, Soares se tornou um dos rostos mais marcantes do jornalismo esportivo brasileiro.
Alternativas
Q3704059 Português
Morre o apresentador Paulo Soares, o ‘Amigão’, aos 63 anos em São Paulo


    O jornalista esportivo Paulo Soares, conhecido como “Amigão”, morreu nesta segunda-feira (29), em São Paulo, aos 63 anos. Ele estava internado havia cinco meses no Hospital Sírio-Libanês em razão de problemas na coluna e faleceu nas primeiras horas do dia por falência de múltiplos órgãos, segundo nota divulgada pelos canais ESPN, onde trabalhava.

    Com mais de quatro décadas de carreira, Soares se tornou um dos rostos mais marcantes do jornalismo esportivo brasileiro. Natural de Araras, no interior paulista, começou a trabalhar em 1978, ainda adolescente, na Rádio Clube Ararense.

    Na Rádio Record, recebeu de Osvaldo Pascoal o apelido que o acompanharia por toda a vida: “amigão da galera”, pela forma calorosa com que se relacionava com colegas e ouvintes. Trabalhou ainda na Rádio Globo e na Rádio Bandeirantes, além de passagens pela TV Gazeta, Record, Cultura e SBT.

    A partir de 1995, consolidou-se na ESPN, onde narrou competições importantes e, em 2000, foi escolhido pelo diretor José Trajano para liderar a versão brasileira do programa SportsCenter. No comando da atração, formou uma dupla inesquecível com o jornalista Antero Greco, que se tornou célebre pelas transmissões madrugada adentro e pelas gargalhadas compartilhadas ao vivo.

    O último programa da dupla foi ao ar em março de 2022, em razão da pandemia e de problemas de saúde de ambos. Antero Greco morreu em 2023, e agora Paulo Soares também se despede, deixando um legado de irreverência, profissionalismo e paixão pelo jornalismo esportivo.


O último programa da dupla foi ao ar em março de 2022, em razão da pandemia e de problemas de saúde de ambos. Antero Greco morreu em 2023, e agora Paulo Soares também se despede, deixando um legado de irreverência, profissionalismo e paixão pelo jornalismo esportivo.


Fonte: https://cbn.globo.com/esporte/noticia/2025/09/29/morre-o-apresentador-paulo-soares-oamigao-aos-63-anos-em-sao-paulo.ghtml
As palavras interior e calorosa têm, respectivamente: 
Alternativas
Q3704058 Português
Morre o apresentador Paulo Soares, o ‘Amigão’, aos 63 anos em São Paulo


    O jornalista esportivo Paulo Soares, conhecido como “Amigão”, morreu nesta segunda-feira (29), em São Paulo, aos 63 anos. Ele estava internado havia cinco meses no Hospital Sírio-Libanês em razão de problemas na coluna e faleceu nas primeiras horas do dia por falência de múltiplos órgãos, segundo nota divulgada pelos canais ESPN, onde trabalhava.

    Com mais de quatro décadas de carreira, Soares se tornou um dos rostos mais marcantes do jornalismo esportivo brasileiro. Natural de Araras, no interior paulista, começou a trabalhar em 1978, ainda adolescente, na Rádio Clube Ararense.

    Na Rádio Record, recebeu de Osvaldo Pascoal o apelido que o acompanharia por toda a vida: “amigão da galera”, pela forma calorosa com que se relacionava com colegas e ouvintes. Trabalhou ainda na Rádio Globo e na Rádio Bandeirantes, além de passagens pela TV Gazeta, Record, Cultura e SBT.

    A partir de 1995, consolidou-se na ESPN, onde narrou competições importantes e, em 2000, foi escolhido pelo diretor José Trajano para liderar a versão brasileira do programa SportsCenter. No comando da atração, formou uma dupla inesquecível com o jornalista Antero Greco, que se tornou célebre pelas transmissões madrugada adentro e pelas gargalhadas compartilhadas ao vivo.

    O último programa da dupla foi ao ar em março de 2022, em razão da pandemia e de problemas de saúde de ambos. Antero Greco morreu em 2023, e agora Paulo Soares também se despede, deixando um legado de irreverência, profissionalismo e paixão pelo jornalismo esportivo.


O último programa da dupla foi ao ar em março de 2022, em razão da pandemia e de problemas de saúde de ambos. Antero Greco morreu em 2023, e agora Paulo Soares também se despede, deixando um legado de irreverência, profissionalismo e paixão pelo jornalismo esportivo.


Fonte: https://cbn.globo.com/esporte/noticia/2025/09/29/morre-o-apresentador-paulo-soares-oamigao-aos-63-anos-em-sao-paulo.ghtml
Assinale a alternativa que apresente o referente no texto do termo em destaque no período: Ele estava internado havia cinco meses no Hospital Sírio-Libanês em razão de problemas na coluna e faleceu nas primeiras horas do dia por falência de múltiplos órgãos, segundo nota divulgada pelos canais ESPN, onde trabalhava.
Alternativas
Q3704002 Português
Nova morte por possível intoxicação por metanol é registrada em São Bernardo, diz secretário de Saúde


    O secretário de Saúde de São Bernardo do Campo, Jean Gorinchteyn, confirmou em entrevista à CBN São Paulo mais uma morte por possível intoxicação por bebidas alcoólicas adulteradas com metanol. A vítima, um homem de 45 anos, morreu em casa durante a madrugada desta quarta-feira (1º), após apresentar sintomas característicos da contaminação. 

    “Ele evoluiu com sintomas muito específicos: dores abdominais, dor de cabeça intensa, confusão mental... e faleceu ainda em casa, mesmo com o atendimento do SAMU”, relatou o secretário. Com esse novo caso, sobe para seis o número de mortes no estado de São Paulo ligadas ao consumo de bebidas possivelmente adulteradas.

    O secretário destacou que o paciente não procurou atendimento médico antes de morrer e que isso pode estar relacionado à alta concentração da substância na bebida consumida. A vítima ainda não foi incluída nos números oficiais da Secretaria Estadual de Saúde, pois o caso está em processo de notificação e aguarda confirmação toxicológica. “Estamos aguardando os resultados do Instituto Médico Legal. Se confirmada a presença de metanol, deixa de ser um caso suspeito para se tornar um quadro clínico definido”. 

    O secretário ainda alertou a população sobre os sintomas que devem servir de alerta para procurar atendimento imediatamente. Segundo ele, há sinais importantes que diferenciam intoxicação por metanol de uma simples ressaca. “Náusea, vômito, dor de cabeça... tudo bem, pode ser ressaca. Mas quando aparece dor abdominal forte, tipo cólica, é diferente. Isso já acende o sinal de alerta”, explicou. “A orientação é não procurar as unidades básicas de saúde, que são consultórios. Vá direto para a UPA ou para o Hospital de Urgência e Emergência, onde centralizamos os atendimentos”.

    Além de São Bernardo, há registros de casos suspeitos em São Paulo e uma investigação em andamento em Limeira. Ao todo, o estado contabiliza 22 notificações até o momento. 


Fonte: https://cbn.globo.com/programas/cbn-sao-paulo/entrevista/2025/10/01/nova-morte-porpossivel-intoxicacao-por-metanol-e-registrada-em-sao-bernardo-diz-secretario-de-saude.ghtml
Assinale a alternativa que apresente, respectivamente, a função sintática exercida pelos termos em destaque no período: Ao todo, o estado contabiliza 22 notificações até o momento. 
Alternativas
Q3704001 Português
Nova morte por possível intoxicação por metanol é registrada em São Bernardo, diz secretário de Saúde


    O secretário de Saúde de São Bernardo do Campo, Jean Gorinchteyn, confirmou em entrevista à CBN São Paulo mais uma morte por possível intoxicação por bebidas alcoólicas adulteradas com metanol. A vítima, um homem de 45 anos, morreu em casa durante a madrugada desta quarta-feira (1º), após apresentar sintomas característicos da contaminação. 

    “Ele evoluiu com sintomas muito específicos: dores abdominais, dor de cabeça intensa, confusão mental... e faleceu ainda em casa, mesmo com o atendimento do SAMU”, relatou o secretário. Com esse novo caso, sobe para seis o número de mortes no estado de São Paulo ligadas ao consumo de bebidas possivelmente adulteradas.

    O secretário destacou que o paciente não procurou atendimento médico antes de morrer e que isso pode estar relacionado à alta concentração da substância na bebida consumida. A vítima ainda não foi incluída nos números oficiais da Secretaria Estadual de Saúde, pois o caso está em processo de notificação e aguarda confirmação toxicológica. “Estamos aguardando os resultados do Instituto Médico Legal. Se confirmada a presença de metanol, deixa de ser um caso suspeito para se tornar um quadro clínico definido”. 

    O secretário ainda alertou a população sobre os sintomas que devem servir de alerta para procurar atendimento imediatamente. Segundo ele, há sinais importantes que diferenciam intoxicação por metanol de uma simples ressaca. “Náusea, vômito, dor de cabeça... tudo bem, pode ser ressaca. Mas quando aparece dor abdominal forte, tipo cólica, é diferente. Isso já acende o sinal de alerta”, explicou. “A orientação é não procurar as unidades básicas de saúde, que são consultórios. Vá direto para a UPA ou para o Hospital de Urgência e Emergência, onde centralizamos os atendimentos”.

    Além de São Bernardo, há registros de casos suspeitos em São Paulo e uma investigação em andamento em Limeira. Ao todo, o estado contabiliza 22 notificações até o momento. 


Fonte: https://cbn.globo.com/programas/cbn-sao-paulo/entrevista/2025/10/01/nova-morte-porpossivel-intoxicacao-por-metanol-e-registrada-em-sao-bernardo-diz-secretario-de-saude.ghtml
Assinale a alternativa correta considerando a classe gramatical dos termos em destaque no período, respectivamente: O secretário ainda alertou a população sobre os sintomas que devem servir de alerta para procurar atendimento imediatamente. 
Alternativas
Q3704000 Português
Nova morte por possível intoxicação por metanol é registrada em São Bernardo, diz secretário de Saúde


    O secretário de Saúde de São Bernardo do Campo, Jean Gorinchteyn, confirmou em entrevista à CBN São Paulo mais uma morte por possível intoxicação por bebidas alcoólicas adulteradas com metanol. A vítima, um homem de 45 anos, morreu em casa durante a madrugada desta quarta-feira (1º), após apresentar sintomas característicos da contaminação. 

    “Ele evoluiu com sintomas muito específicos: dores abdominais, dor de cabeça intensa, confusão mental... e faleceu ainda em casa, mesmo com o atendimento do SAMU”, relatou o secretário. Com esse novo caso, sobe para seis o número de mortes no estado de São Paulo ligadas ao consumo de bebidas possivelmente adulteradas.

    O secretário destacou que o paciente não procurou atendimento médico antes de morrer e que isso pode estar relacionado à alta concentração da substância na bebida consumida. A vítima ainda não foi incluída nos números oficiais da Secretaria Estadual de Saúde, pois o caso está em processo de notificação e aguarda confirmação toxicológica. “Estamos aguardando os resultados do Instituto Médico Legal. Se confirmada a presença de metanol, deixa de ser um caso suspeito para se tornar um quadro clínico definido”. 

    O secretário ainda alertou a população sobre os sintomas que devem servir de alerta para procurar atendimento imediatamente. Segundo ele, há sinais importantes que diferenciam intoxicação por metanol de uma simples ressaca. “Náusea, vômito, dor de cabeça... tudo bem, pode ser ressaca. Mas quando aparece dor abdominal forte, tipo cólica, é diferente. Isso já acende o sinal de alerta”, explicou. “A orientação é não procurar as unidades básicas de saúde, que são consultórios. Vá direto para a UPA ou para o Hospital de Urgência e Emergência, onde centralizamos os atendimentos”.

    Além de São Bernardo, há registros de casos suspeitos em São Paulo e uma investigação em andamento em Limeira. Ao todo, o estado contabiliza 22 notificações até o momento. 


Fonte: https://cbn.globo.com/programas/cbn-sao-paulo/entrevista/2025/10/01/nova-morte-porpossivel-intoxicacao-por-metanol-e-registrada-em-sao-bernardo-diz-secretario-de-saude.ghtml
Assinale a alternativa na qual as duas palavras são acentuadas pela mesma regra:
Alternativas
Q3703999 Português
Nova morte por possível intoxicação por metanol é registrada em São Bernardo, diz secretário de Saúde


    O secretário de Saúde de São Bernardo do Campo, Jean Gorinchteyn, confirmou em entrevista à CBN São Paulo mais uma morte por possível intoxicação por bebidas alcoólicas adulteradas com metanol. A vítima, um homem de 45 anos, morreu em casa durante a madrugada desta quarta-feira (1º), após apresentar sintomas característicos da contaminação. 

    “Ele evoluiu com sintomas muito específicos: dores abdominais, dor de cabeça intensa, confusão mental... e faleceu ainda em casa, mesmo com o atendimento do SAMU”, relatou o secretário. Com esse novo caso, sobe para seis o número de mortes no estado de São Paulo ligadas ao consumo de bebidas possivelmente adulteradas.

    O secretário destacou que o paciente não procurou atendimento médico antes de morrer e que isso pode estar relacionado à alta concentração da substância na bebida consumida. A vítima ainda não foi incluída nos números oficiais da Secretaria Estadual de Saúde, pois o caso está em processo de notificação e aguarda confirmação toxicológica. “Estamos aguardando os resultados do Instituto Médico Legal. Se confirmada a presença de metanol, deixa de ser um caso suspeito para se tornar um quadro clínico definido”. 

    O secretário ainda alertou a população sobre os sintomas que devem servir de alerta para procurar atendimento imediatamente. Segundo ele, há sinais importantes que diferenciam intoxicação por metanol de uma simples ressaca. “Náusea, vômito, dor de cabeça... tudo bem, pode ser ressaca. Mas quando aparece dor abdominal forte, tipo cólica, é diferente. Isso já acende o sinal de alerta”, explicou. “A orientação é não procurar as unidades básicas de saúde, que são consultórios. Vá direto para a UPA ou para o Hospital de Urgência e Emergência, onde centralizamos os atendimentos”.

    Além de São Bernardo, há registros de casos suspeitos em São Paulo e uma investigação em andamento em Limeira. Ao todo, o estado contabiliza 22 notificações até o momento. 


Fonte: https://cbn.globo.com/programas/cbn-sao-paulo/entrevista/2025/10/01/nova-morte-porpossivel-intoxicacao-por-metanol-e-registrada-em-sao-bernardo-diz-secretario-de-saude.ghtml
Assinale a alternativa na qual as duas palavras apresentem dígrafos: 
Alternativas
Q3703998 Português
Nova morte por possível intoxicação por metanol é registrada em São Bernardo, diz secretário de Saúde


    O secretário de Saúde de São Bernardo do Campo, Jean Gorinchteyn, confirmou em entrevista à CBN São Paulo mais uma morte por possível intoxicação por bebidas alcoólicas adulteradas com metanol. A vítima, um homem de 45 anos, morreu em casa durante a madrugada desta quarta-feira (1º), após apresentar sintomas característicos da contaminação. 

    “Ele evoluiu com sintomas muito específicos: dores abdominais, dor de cabeça intensa, confusão mental... e faleceu ainda em casa, mesmo com o atendimento do SAMU”, relatou o secretário. Com esse novo caso, sobe para seis o número de mortes no estado de São Paulo ligadas ao consumo de bebidas possivelmente adulteradas.

    O secretário destacou que o paciente não procurou atendimento médico antes de morrer e que isso pode estar relacionado à alta concentração da substância na bebida consumida. A vítima ainda não foi incluída nos números oficiais da Secretaria Estadual de Saúde, pois o caso está em processo de notificação e aguarda confirmação toxicológica. “Estamos aguardando os resultados do Instituto Médico Legal. Se confirmada a presença de metanol, deixa de ser um caso suspeito para se tornar um quadro clínico definido”. 

    O secretário ainda alertou a população sobre os sintomas que devem servir de alerta para procurar atendimento imediatamente. Segundo ele, há sinais importantes que diferenciam intoxicação por metanol de uma simples ressaca. “Náusea, vômito, dor de cabeça... tudo bem, pode ser ressaca. Mas quando aparece dor abdominal forte, tipo cólica, é diferente. Isso já acende o sinal de alerta”, explicou. “A orientação é não procurar as unidades básicas de saúde, que são consultórios. Vá direto para a UPA ou para o Hospital de Urgência e Emergência, onde centralizamos os atendimentos”.

    Além de São Bernardo, há registros de casos suspeitos em São Paulo e uma investigação em andamento em Limeira. Ao todo, o estado contabiliza 22 notificações até o momento. 


Fonte: https://cbn.globo.com/programas/cbn-sao-paulo/entrevista/2025/10/01/nova-morte-porpossivel-intoxicacao-por-metanol-e-registrada-em-sao-bernardo-diz-secretario-de-saude.ghtml
Assinale a alternativa que apresente trecho que possa substituir os termos em destaque no período, mantendo o sentido original: “Se confirmada a presença de metanol, deixa de ser um caso suspeito para se tornar um quadro clínico definido”.
Alternativas
Q3703901 Português
Texto CG2A2-II


   Lembremos que a concepção moderna dos direitos do homem nasce contra a violência ou os privilégios, contra os preconceitos que sustentam todas as formas de violência, sejam elas físicas, psíquicas, raciais, de gênero ou religiosas. Segundo a concepção moderna dos direitos, os homens são portadores de direitos por natureza (direito natural) e por efeito da lei positiva (direito civil), instituída pelos próprios homens. Essa diferença dos direitos é de grande envergadura porque lhes permite compreender uma prática política inexistente antes da modernidade e que se explicita, significativamente, em ocasiões muito precisas: a prática da declaração dos direitos.

   A prática de declarar direitos significa, em primeiro lugar, que não é um fato óbvio para todos os seres humanos que eles são portadores de direitos e, por outro, que não é um fato óbvio que tais direitos devam ser reconhecidos por todos. Em outras palavras, a existência da divisão social (por exemplo, os grandes e o povo, em Maquiavel; as classes sociais, em Marx) permite supor que alguns possuem direitos e outros, não. A declaração de direitos inscreve os direitos na sociedade e na política, afirma sua origem social e política e se apresenta como objeto que pede o reconhecimento de todos, exigindo o consentimento social e político de todos. Esse reconhecimento e esse consentimento dão aos direitos a condição e a dimensão de direitos universais.

   A prática política da declaração de direitos ocorre em ocasiões muito precisas. De fato, algumas declarações de direito ocorrem em situações revolucionárias, isto é, naqueles momentos em que o Baixo da sociedade se rebela contra o Alto e não mais reconhece a ordem vigente injusta: na Revolução Inglesa de 1640; na Independência dos Estados Unidos; na Revolução Francesa de 1789; na Revolução Russa de 1917. Também encontramos a declaração de direitos no período posterior à Segunda Guerra Mundial, isto é, ao fenômeno do totalitarismo nazista e fascista, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Dessa maneira, os direitos dos homens se tornaram uma questão sociopolítica comprovada pelo fato de que as declarações dos direitos ocorrem nos momentos de profunda transformação social e política, quando os sujeitos sociopolíticos têm consciência de que estão criando uma sociedade nova ou defendendo a sociedade existente contra a ameaça de sua extinção. Não por acaso, portanto, no caso do Brasil, a luta pelos direitos humanos ganhou força social e política no combate à ditadura implantada em 1964 e aprofundada em 1969, com o Ato Institucional n.º 5.


Marilena Chaui. In: RIDH. Bauru, v. 10, n. 2, p. 13-26, jul./dez. 2022 (com adaptações). 
Assinale a opção correta em relação a aspectos linguísticos do texto CG2A2-II.  
Alternativas
Q3703900 Português
Texto CG2A2-II


   Lembremos que a concepção moderna dos direitos do homem nasce contra a violência ou os privilégios, contra os preconceitos que sustentam todas as formas de violência, sejam elas físicas, psíquicas, raciais, de gênero ou religiosas. Segundo a concepção moderna dos direitos, os homens são portadores de direitos por natureza (direito natural) e por efeito da lei positiva (direito civil), instituída pelos próprios homens. Essa diferença dos direitos é de grande envergadura porque lhes permite compreender uma prática política inexistente antes da modernidade e que se explicita, significativamente, em ocasiões muito precisas: a prática da declaração dos direitos.

   A prática de declarar direitos significa, em primeiro lugar, que não é um fato óbvio para todos os seres humanos que eles são portadores de direitos e, por outro, que não é um fato óbvio que tais direitos devam ser reconhecidos por todos. Em outras palavras, a existência da divisão social (por exemplo, os grandes e o povo, em Maquiavel; as classes sociais, em Marx) permite supor que alguns possuem direitos e outros, não. A declaração de direitos inscreve os direitos na sociedade e na política, afirma sua origem social e política e se apresenta como objeto que pede o reconhecimento de todos, exigindo o consentimento social e político de todos. Esse reconhecimento e esse consentimento dão aos direitos a condição e a dimensão de direitos universais.

   A prática política da declaração de direitos ocorre em ocasiões muito precisas. De fato, algumas declarações de direito ocorrem em situações revolucionárias, isto é, naqueles momentos em que o Baixo da sociedade se rebela contra o Alto e não mais reconhece a ordem vigente injusta: na Revolução Inglesa de 1640; na Independência dos Estados Unidos; na Revolução Francesa de 1789; na Revolução Russa de 1917. Também encontramos a declaração de direitos no período posterior à Segunda Guerra Mundial, isto é, ao fenômeno do totalitarismo nazista e fascista, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Dessa maneira, os direitos dos homens se tornaram uma questão sociopolítica comprovada pelo fato de que as declarações dos direitos ocorrem nos momentos de profunda transformação social e política, quando os sujeitos sociopolíticos têm consciência de que estão criando uma sociedade nova ou defendendo a sociedade existente contra a ameaça de sua extinção. Não por acaso, portanto, no caso do Brasil, a luta pelos direitos humanos ganhou força social e política no combate à ditadura implantada em 1964 e aprofundada em 1969, com o Ato Institucional n.º 5.


Marilena Chaui. In: RIDH. Bauru, v. 10, n. 2, p. 13-26, jul./dez. 2022 (com adaptações). 
Ainda considerando os aspectos linguísticos do texto CG2A2-II, assinale a opção correta.  
Alternativas
Q3703899 Português
Texto CG2A2-II


   Lembremos que a concepção moderna dos direitos do homem nasce contra a violência ou os privilégios, contra os preconceitos que sustentam todas as formas de violência, sejam elas físicas, psíquicas, raciais, de gênero ou religiosas. Segundo a concepção moderna dos direitos, os homens são portadores de direitos por natureza (direito natural) e por efeito da lei positiva (direito civil), instituída pelos próprios homens. Essa diferença dos direitos é de grande envergadura porque lhes permite compreender uma prática política inexistente antes da modernidade e que se explicita, significativamente, em ocasiões muito precisas: a prática da declaração dos direitos.

   A prática de declarar direitos significa, em primeiro lugar, que não é um fato óbvio para todos os seres humanos que eles são portadores de direitos e, por outro, que não é um fato óbvio que tais direitos devam ser reconhecidos por todos. Em outras palavras, a existência da divisão social (por exemplo, os grandes e o povo, em Maquiavel; as classes sociais, em Marx) permite supor que alguns possuem direitos e outros, não. A declaração de direitos inscreve os direitos na sociedade e na política, afirma sua origem social e política e se apresenta como objeto que pede o reconhecimento de todos, exigindo o consentimento social e político de todos. Esse reconhecimento e esse consentimento dão aos direitos a condição e a dimensão de direitos universais.

   A prática política da declaração de direitos ocorre em ocasiões muito precisas. De fato, algumas declarações de direito ocorrem em situações revolucionárias, isto é, naqueles momentos em que o Baixo da sociedade se rebela contra o Alto e não mais reconhece a ordem vigente injusta: na Revolução Inglesa de 1640; na Independência dos Estados Unidos; na Revolução Francesa de 1789; na Revolução Russa de 1917. Também encontramos a declaração de direitos no período posterior à Segunda Guerra Mundial, isto é, ao fenômeno do totalitarismo nazista e fascista, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Dessa maneira, os direitos dos homens se tornaram uma questão sociopolítica comprovada pelo fato de que as declarações dos direitos ocorrem nos momentos de profunda transformação social e política, quando os sujeitos sociopolíticos têm consciência de que estão criando uma sociedade nova ou defendendo a sociedade existente contra a ameaça de sua extinção. Não por acaso, portanto, no caso do Brasil, a luta pelos direitos humanos ganhou força social e política no combate à ditadura implantada em 1964 e aprofundada em 1969, com o Ato Institucional n.º 5.


Marilena Chaui. In: RIDH. Bauru, v. 10, n. 2, p. 13-26, jul./dez. 2022 (com adaptações). 
Assinale a opção correta no que diz respeito a aspectos linguísticos do texto CG2A2-II.  
Alternativas
Q3703898 Português
Texto CG2A2-II


   Lembremos que a concepção moderna dos direitos do homem nasce contra a violência ou os privilégios, contra os preconceitos que sustentam todas as formas de violência, sejam elas físicas, psíquicas, raciais, de gênero ou religiosas. Segundo a concepção moderna dos direitos, os homens são portadores de direitos por natureza (direito natural) e por efeito da lei positiva (direito civil), instituída pelos próprios homens. Essa diferença dos direitos é de grande envergadura porque lhes permite compreender uma prática política inexistente antes da modernidade e que se explicita, significativamente, em ocasiões muito precisas: a prática da declaração dos direitos.

   A prática de declarar direitos significa, em primeiro lugar, que não é um fato óbvio para todos os seres humanos que eles são portadores de direitos e, por outro, que não é um fato óbvio que tais direitos devam ser reconhecidos por todos. Em outras palavras, a existência da divisão social (por exemplo, os grandes e o povo, em Maquiavel; as classes sociais, em Marx) permite supor que alguns possuem direitos e outros, não. A declaração de direitos inscreve os direitos na sociedade e na política, afirma sua origem social e política e se apresenta como objeto que pede o reconhecimento de todos, exigindo o consentimento social e político de todos. Esse reconhecimento e esse consentimento dão aos direitos a condição e a dimensão de direitos universais.

   A prática política da declaração de direitos ocorre em ocasiões muito precisas. De fato, algumas declarações de direito ocorrem em situações revolucionárias, isto é, naqueles momentos em que o Baixo da sociedade se rebela contra o Alto e não mais reconhece a ordem vigente injusta: na Revolução Inglesa de 1640; na Independência dos Estados Unidos; na Revolução Francesa de 1789; na Revolução Russa de 1917. Também encontramos a declaração de direitos no período posterior à Segunda Guerra Mundial, isto é, ao fenômeno do totalitarismo nazista e fascista, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Dessa maneira, os direitos dos homens se tornaram uma questão sociopolítica comprovada pelo fato de que as declarações dos direitos ocorrem nos momentos de profunda transformação social e política, quando os sujeitos sociopolíticos têm consciência de que estão criando uma sociedade nova ou defendendo a sociedade existente contra a ameaça de sua extinção. Não por acaso, portanto, no caso do Brasil, a luta pelos direitos humanos ganhou força social e política no combate à ditadura implantada em 1964 e aprofundada em 1969, com o Ato Institucional n.º 5.


Marilena Chaui. In: RIDH. Bauru, v. 10, n. 2, p. 13-26, jul./dez. 2022 (com adaptações). 
No que se refere à pontuação, seria mantida a correção gramatical do texto CG2A2-II caso se inserisse vírgula imediatamente depois do vocábulo 
Alternativas
Q3703897 Português
Texto CG2A2-II


   Lembremos que a concepção moderna dos direitos do homem nasce contra a violência ou os privilégios, contra os preconceitos que sustentam todas as formas de violência, sejam elas físicas, psíquicas, raciais, de gênero ou religiosas. Segundo a concepção moderna dos direitos, os homens são portadores de direitos por natureza (direito natural) e por efeito da lei positiva (direito civil), instituída pelos próprios homens. Essa diferença dos direitos é de grande envergadura porque lhes permite compreender uma prática política inexistente antes da modernidade e que se explicita, significativamente, em ocasiões muito precisas: a prática da declaração dos direitos.

   A prática de declarar direitos significa, em primeiro lugar, que não é um fato óbvio para todos os seres humanos que eles são portadores de direitos e, por outro, que não é um fato óbvio que tais direitos devam ser reconhecidos por todos. Em outras palavras, a existência da divisão social (por exemplo, os grandes e o povo, em Maquiavel; as classes sociais, em Marx) permite supor que alguns possuem direitos e outros, não. A declaração de direitos inscreve os direitos na sociedade e na política, afirma sua origem social e política e se apresenta como objeto que pede o reconhecimento de todos, exigindo o consentimento social e político de todos. Esse reconhecimento e esse consentimento dão aos direitos a condição e a dimensão de direitos universais.

   A prática política da declaração de direitos ocorre em ocasiões muito precisas. De fato, algumas declarações de direito ocorrem em situações revolucionárias, isto é, naqueles momentos em que o Baixo da sociedade se rebela contra o Alto e não mais reconhece a ordem vigente injusta: na Revolução Inglesa de 1640; na Independência dos Estados Unidos; na Revolução Francesa de 1789; na Revolução Russa de 1917. Também encontramos a declaração de direitos no período posterior à Segunda Guerra Mundial, isto é, ao fenômeno do totalitarismo nazista e fascista, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Dessa maneira, os direitos dos homens se tornaram uma questão sociopolítica comprovada pelo fato de que as declarações dos direitos ocorrem nos momentos de profunda transformação social e política, quando os sujeitos sociopolíticos têm consciência de que estão criando uma sociedade nova ou defendendo a sociedade existente contra a ameaça de sua extinção. Não por acaso, portanto, no caso do Brasil, a luta pelos direitos humanos ganhou força social e política no combate à ditadura implantada em 1964 e aprofundada em 1969, com o Ato Institucional n.º 5.


Marilena Chaui. In: RIDH. Bauru, v. 10, n. 2, p. 13-26, jul./dez. 2022 (com adaptações). 
Assinale a opção em que é apresentada proposta de reescrita gramaticalmente correta e coerente para o primeiro período do texto CG2A2-II. 
Alternativas
Q3703896 Português
Texto CG2A2-I


     BONS DIAS!

    Eu pertenço a uma família de profetas, après-coup, post factum, depois do gato morto, ou como melhor nome tenha em holandês. Por isso digo, juro se necessário for, que toda a história desta lei de 13 de maio estava por mim prevista, tanto que na segunda-feira, antes mesmo dos debates, tratei de alforriar um molecote que tinha seus dezoito anos, mais ou menos. Alforriá-lo era nada; entendi que, perdido por mil, perdido por mil e quinhentos, e dei um jantar.

   Neste jantar, a que meus amigos deram o nome de banquete, em falta de outro melhor, reuni umas cinco pessoas, conquanto as notícias dissessem trinta e três (anos de Cristo), no intuito de lhe dar um aspecto simbólico.

   No golpe do meio (coupe do milieu, mas eu prefiro falar a minha língua) levantei-me eu com a taça de champanha e declarei que, acompanhando as ideias pregadas por Cristo, há dezoito séculos, restituía a liberdade ao meu escravo Pancrácio; que entendia que a nação inteira devia acompanhar as mesmas ideias e imitar o meu exemplo; finalmente, que a liberdade era um dom de Deus que os homens não podiam roubar sem pecado.

   Pancrácio, que estava à espreita, entrou na sala, como um furacão, e veio abraçar-me os pés. Um dos meus amigos (creio que ainda meu sobrinho) pegou de outra taça e pediu à ilustre assembleia que correspondesse ao ato que acabava de publicar brindando ao primeiro dos cariocas. Ouvi cabisbaixo: fiz outro discurso agradecendo, e entreguei a carta ao molecote. Todos os lenços comovidos apanharam as lágrimas de admiração. Caí na cadeira e não vi mais nada. De noite, recebi muitos cartões. Creio que estão pintando o meu retrato, e suponho que a óleo.

   No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe com rara franqueza:

   — Tu és livre, podes ir para onde quiseres. Aqui tens casa amiga, já conhecida, e tens mais um ordenado, um ordenado que...

   — Oh! meu senhô, fico.

  — Um ordenado pequeno, mas que há de crescer. Tudo cresce neste mundo: tu cresceste imensamente. Quando nasceste eras um pirralho deste tamanho; hoje estás mais alto que eu. Deixa ver; olha, és mais alto quatro dedos...

   — Artura não qué dizê nada, não, senhô...

   — Pequeno ordenado, repito, uns seis mil-réis: mas é de grão em grão que a galinha enche o seu papo. Tu vales muito mais que uma galinha.

   — Justamente. Pois seis mil-réis. No fim de um ano, se andares bem, conta com oito. Oito ou sete.

   Pancrácio aceitou tudo: aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título que lhe dei. Ele continuava livre, eu de mau humor; eram dois estados naturais, quase divinos.

   Tudo compreendeu o meu bom Pancrácio: daí para cá, tenho-lhe despedido alguns pontapés, um ou outro puxão de orelhas, e chamo-lhe besta quando lhe não chamo filho do diabo; cousas todas que ele recebe humildemente, e (Deus me perdoe!) creio que até alegre.

   O meu plano está feito; quero ser deputado, e, na circular que mandarei aos meus eleitores, direi que, antes, muito antes de abolição legal, já eu em casa, na modéstia da família, libertava um escravo, ato que comoveu a toda a gente que dele teve notícia; que esse escravo, tendo aprendido a ler, escrever e contar, (simples suposição) é então professor de filosofia no Rio das Cobras; que os homens puros, grandes e verdadeiramente políticos, não são os que obedecem à lei, mas os que se antecipam a ela, dizendo ao escravo: és livre, antes que o digam os poderes públicos, sempre retardatários, trôpegos e incapazes de restaurar a justiça na terra, para satisfação do céu.

   Boas noites!


Machado de Assis. 19 maio de 1888. In: Obra Completa. Vol III. 3.ª ed. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1973, p. 489 – 491 (com adaptações).  
Em relação ao texto CG2A2-I, assinale a opção correta.  
Alternativas
Q3703895 Português
Texto CG2A2-I


     BONS DIAS!

    Eu pertenço a uma família de profetas, après-coup, post factum, depois do gato morto, ou como melhor nome tenha em holandês. Por isso digo, juro se necessário for, que toda a história desta lei de 13 de maio estava por mim prevista, tanto que na segunda-feira, antes mesmo dos debates, tratei de alforriar um molecote que tinha seus dezoito anos, mais ou menos. Alforriá-lo era nada; entendi que, perdido por mil, perdido por mil e quinhentos, e dei um jantar.

   Neste jantar, a que meus amigos deram o nome de banquete, em falta de outro melhor, reuni umas cinco pessoas, conquanto as notícias dissessem trinta e três (anos de Cristo), no intuito de lhe dar um aspecto simbólico.

   No golpe do meio (coupe do milieu, mas eu prefiro falar a minha língua) levantei-me eu com a taça de champanha e declarei que, acompanhando as ideias pregadas por Cristo, há dezoito séculos, restituía a liberdade ao meu escravo Pancrácio; que entendia que a nação inteira devia acompanhar as mesmas ideias e imitar o meu exemplo; finalmente, que a liberdade era um dom de Deus que os homens não podiam roubar sem pecado.

   Pancrácio, que estava à espreita, entrou na sala, como um furacão, e veio abraçar-me os pés. Um dos meus amigos (creio que ainda meu sobrinho) pegou de outra taça e pediu à ilustre assembleia que correspondesse ao ato que acabava de publicar brindando ao primeiro dos cariocas. Ouvi cabisbaixo: fiz outro discurso agradecendo, e entreguei a carta ao molecote. Todos os lenços comovidos apanharam as lágrimas de admiração. Caí na cadeira e não vi mais nada. De noite, recebi muitos cartões. Creio que estão pintando o meu retrato, e suponho que a óleo.

   No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe com rara franqueza:

   — Tu és livre, podes ir para onde quiseres. Aqui tens casa amiga, já conhecida, e tens mais um ordenado, um ordenado que...

   — Oh! meu senhô, fico.

  — Um ordenado pequeno, mas que há de crescer. Tudo cresce neste mundo: tu cresceste imensamente. Quando nasceste eras um pirralho deste tamanho; hoje estás mais alto que eu. Deixa ver; olha, és mais alto quatro dedos...

   — Artura não qué dizê nada, não, senhô...

   — Pequeno ordenado, repito, uns seis mil-réis: mas é de grão em grão que a galinha enche o seu papo. Tu vales muito mais que uma galinha.

   — Justamente. Pois seis mil-réis. No fim de um ano, se andares bem, conta com oito. Oito ou sete.

   Pancrácio aceitou tudo: aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título que lhe dei. Ele continuava livre, eu de mau humor; eram dois estados naturais, quase divinos.

   Tudo compreendeu o meu bom Pancrácio: daí para cá, tenho-lhe despedido alguns pontapés, um ou outro puxão de orelhas, e chamo-lhe besta quando lhe não chamo filho do diabo; cousas todas que ele recebe humildemente, e (Deus me perdoe!) creio que até alegre.

   O meu plano está feito; quero ser deputado, e, na circular que mandarei aos meus eleitores, direi que, antes, muito antes de abolição legal, já eu em casa, na modéstia da família, libertava um escravo, ato que comoveu a toda a gente que dele teve notícia; que esse escravo, tendo aprendido a ler, escrever e contar, (simples suposição) é então professor de filosofia no Rio das Cobras; que os homens puros, grandes e verdadeiramente políticos, não são os que obedecem à lei, mas os que se antecipam a ela, dizendo ao escravo: és livre, antes que o digam os poderes públicos, sempre retardatários, trôpegos e incapazes de restaurar a justiça na terra, para satisfação do céu.

   Boas noites!


Machado de Assis. 19 maio de 1888. In: Obra Completa. Vol III. 3.ª ed. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1973, p. 489 – 491 (com adaptações).  
No que concerne a aspectos linguísticos do penúltimo parágrafo do texto CG2A2-I, assinale a opção correta. 
Alternativas
Q3703894 Português
Texto CG2A2-I


     BONS DIAS!

    Eu pertenço a uma família de profetas, après-coup, post factum, depois do gato morto, ou como melhor nome tenha em holandês. Por isso digo, juro se necessário for, que toda a história desta lei de 13 de maio estava por mim prevista, tanto que na segunda-feira, antes mesmo dos debates, tratei de alforriar um molecote que tinha seus dezoito anos, mais ou menos. Alforriá-lo era nada; entendi que, perdido por mil, perdido por mil e quinhentos, e dei um jantar.

   Neste jantar, a que meus amigos deram o nome de banquete, em falta de outro melhor, reuni umas cinco pessoas, conquanto as notícias dissessem trinta e três (anos de Cristo), no intuito de lhe dar um aspecto simbólico.

   No golpe do meio (coupe do milieu, mas eu prefiro falar a minha língua) levantei-me eu com a taça de champanha e declarei que, acompanhando as ideias pregadas por Cristo, há dezoito séculos, restituía a liberdade ao meu escravo Pancrácio; que entendia que a nação inteira devia acompanhar as mesmas ideias e imitar o meu exemplo; finalmente, que a liberdade era um dom de Deus que os homens não podiam roubar sem pecado.

   Pancrácio, que estava à espreita, entrou na sala, como um furacão, e veio abraçar-me os pés. Um dos meus amigos (creio que ainda meu sobrinho) pegou de outra taça e pediu à ilustre assembleia que correspondesse ao ato que acabava de publicar brindando ao primeiro dos cariocas. Ouvi cabisbaixo: fiz outro discurso agradecendo, e entreguei a carta ao molecote. Todos os lenços comovidos apanharam as lágrimas de admiração. Caí na cadeira e não vi mais nada. De noite, recebi muitos cartões. Creio que estão pintando o meu retrato, e suponho que a óleo.

   No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe com rara franqueza:

   — Tu és livre, podes ir para onde quiseres. Aqui tens casa amiga, já conhecida, e tens mais um ordenado, um ordenado que...

   — Oh! meu senhô, fico.

  — Um ordenado pequeno, mas que há de crescer. Tudo cresce neste mundo: tu cresceste imensamente. Quando nasceste eras um pirralho deste tamanho; hoje estás mais alto que eu. Deixa ver; olha, és mais alto quatro dedos...

   — Artura não qué dizê nada, não, senhô...

   — Pequeno ordenado, repito, uns seis mil-réis: mas é de grão em grão que a galinha enche o seu papo. Tu vales muito mais que uma galinha.

   — Justamente. Pois seis mil-réis. No fim de um ano, se andares bem, conta com oito. Oito ou sete.

   Pancrácio aceitou tudo: aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título que lhe dei. Ele continuava livre, eu de mau humor; eram dois estados naturais, quase divinos.

   Tudo compreendeu o meu bom Pancrácio: daí para cá, tenho-lhe despedido alguns pontapés, um ou outro puxão de orelhas, e chamo-lhe besta quando lhe não chamo filho do diabo; cousas todas que ele recebe humildemente, e (Deus me perdoe!) creio que até alegre.

   O meu plano está feito; quero ser deputado, e, na circular que mandarei aos meus eleitores, direi que, antes, muito antes de abolição legal, já eu em casa, na modéstia da família, libertava um escravo, ato que comoveu a toda a gente que dele teve notícia; que esse escravo, tendo aprendido a ler, escrever e contar, (simples suposição) é então professor de filosofia no Rio das Cobras; que os homens puros, grandes e verdadeiramente políticos, não são os que obedecem à lei, mas os que se antecipam a ela, dizendo ao escravo: és livre, antes que o digam os poderes públicos, sempre retardatários, trôpegos e incapazes de restaurar a justiça na terra, para satisfação do céu.

   Boas noites!


Machado de Assis. 19 maio de 1888. In: Obra Completa. Vol III. 3.ª ed. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1973, p. 489 – 491 (com adaptações).  
Assinale a opção correta no que se refere aos aspectos linguísticos do seguinte trecho do texto CG2A2-I: “Pancrácio aceitou tudo: aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade.”  
Alternativas
Q3703893 Português
Texto CG2A2-I


     BONS DIAS!

    Eu pertenço a uma família de profetas, après-coup, post factum, depois do gato morto, ou como melhor nome tenha em holandês. Por isso digo, juro se necessário for, que toda a história desta lei de 13 de maio estava por mim prevista, tanto que na segunda-feira, antes mesmo dos debates, tratei de alforriar um molecote que tinha seus dezoito anos, mais ou menos. Alforriá-lo era nada; entendi que, perdido por mil, perdido por mil e quinhentos, e dei um jantar.

   Neste jantar, a que meus amigos deram o nome de banquete, em falta de outro melhor, reuni umas cinco pessoas, conquanto as notícias dissessem trinta e três (anos de Cristo), no intuito de lhe dar um aspecto simbólico.

   No golpe do meio (coupe do milieu, mas eu prefiro falar a minha língua) levantei-me eu com a taça de champanha e declarei que, acompanhando as ideias pregadas por Cristo, há dezoito séculos, restituía a liberdade ao meu escravo Pancrácio; que entendia que a nação inteira devia acompanhar as mesmas ideias e imitar o meu exemplo; finalmente, que a liberdade era um dom de Deus que os homens não podiam roubar sem pecado.

   Pancrácio, que estava à espreita, entrou na sala, como um furacão, e veio abraçar-me os pés. Um dos meus amigos (creio que ainda meu sobrinho) pegou de outra taça e pediu à ilustre assembleia que correspondesse ao ato que acabava de publicar brindando ao primeiro dos cariocas. Ouvi cabisbaixo: fiz outro discurso agradecendo, e entreguei a carta ao molecote. Todos os lenços comovidos apanharam as lágrimas de admiração. Caí na cadeira e não vi mais nada. De noite, recebi muitos cartões. Creio que estão pintando o meu retrato, e suponho que a óleo.

   No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe com rara franqueza:

   — Tu és livre, podes ir para onde quiseres. Aqui tens casa amiga, já conhecida, e tens mais um ordenado, um ordenado que...

   — Oh! meu senhô, fico.

  — Um ordenado pequeno, mas que há de crescer. Tudo cresce neste mundo: tu cresceste imensamente. Quando nasceste eras um pirralho deste tamanho; hoje estás mais alto que eu. Deixa ver; olha, és mais alto quatro dedos...

   — Artura não qué dizê nada, não, senhô...

   — Pequeno ordenado, repito, uns seis mil-réis: mas é de grão em grão que a galinha enche o seu papo. Tu vales muito mais que uma galinha.

   — Justamente. Pois seis mil-réis. No fim de um ano, se andares bem, conta com oito. Oito ou sete.

   Pancrácio aceitou tudo: aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título que lhe dei. Ele continuava livre, eu de mau humor; eram dois estados naturais, quase divinos.

   Tudo compreendeu o meu bom Pancrácio: daí para cá, tenho-lhe despedido alguns pontapés, um ou outro puxão de orelhas, e chamo-lhe besta quando lhe não chamo filho do diabo; cousas todas que ele recebe humildemente, e (Deus me perdoe!) creio que até alegre.

   O meu plano está feito; quero ser deputado, e, na circular que mandarei aos meus eleitores, direi que, antes, muito antes de abolição legal, já eu em casa, na modéstia da família, libertava um escravo, ato que comoveu a toda a gente que dele teve notícia; que esse escravo, tendo aprendido a ler, escrever e contar, (simples suposição) é então professor de filosofia no Rio das Cobras; que os homens puros, grandes e verdadeiramente políticos, não são os que obedecem à lei, mas os que se antecipam a ela, dizendo ao escravo: és livre, antes que o digam os poderes públicos, sempre retardatários, trôpegos e incapazes de restaurar a justiça na terra, para satisfação do céu.

   Boas noites!


Machado de Assis. 19 maio de 1888. In: Obra Completa. Vol III. 3.ª ed. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1973, p. 489 – 491 (com adaptações).  
Assinale a opção correta em relação a aspectos linguísticos do segmento “e declarei que, acompanhando as ideias pregadas por Cristo, há dezoito séculos, restituía a liberdade ao meu escravo Pancrácio; que entendia que a nação inteira devia acompanhar as mesmas ideias e imitar o meu exemplo; finalmente, que a liberdade era um dom de Deus que os homens não podiam roubar sem pecado”, no quarto parágrafo do texto CG2A2-I.  
Alternativas
Q3703892 Português
Texto CG2A2-I


     BONS DIAS!

    Eu pertenço a uma família de profetas, après-coup, post factum, depois do gato morto, ou como melhor nome tenha em holandês. Por isso digo, juro se necessário for, que toda a história desta lei de 13 de maio estava por mim prevista, tanto que na segunda-feira, antes mesmo dos debates, tratei de alforriar um molecote que tinha seus dezoito anos, mais ou menos. Alforriá-lo era nada; entendi que, perdido por mil, perdido por mil e quinhentos, e dei um jantar.

   Neste jantar, a que meus amigos deram o nome de banquete, em falta de outro melhor, reuni umas cinco pessoas, conquanto as notícias dissessem trinta e três (anos de Cristo), no intuito de lhe dar um aspecto simbólico.

   No golpe do meio (coupe do milieu, mas eu prefiro falar a minha língua) levantei-me eu com a taça de champanha e declarei que, acompanhando as ideias pregadas por Cristo, há dezoito séculos, restituía a liberdade ao meu escravo Pancrácio; que entendia que a nação inteira devia acompanhar as mesmas ideias e imitar o meu exemplo; finalmente, que a liberdade era um dom de Deus que os homens não podiam roubar sem pecado.

   Pancrácio, que estava à espreita, entrou na sala, como um furacão, e veio abraçar-me os pés. Um dos meus amigos (creio que ainda meu sobrinho) pegou de outra taça e pediu à ilustre assembleia que correspondesse ao ato que acabava de publicar brindando ao primeiro dos cariocas. Ouvi cabisbaixo: fiz outro discurso agradecendo, e entreguei a carta ao molecote. Todos os lenços comovidos apanharam as lágrimas de admiração. Caí na cadeira e não vi mais nada. De noite, recebi muitos cartões. Creio que estão pintando o meu retrato, e suponho que a óleo.

   No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe com rara franqueza:

   — Tu és livre, podes ir para onde quiseres. Aqui tens casa amiga, já conhecida, e tens mais um ordenado, um ordenado que...

   — Oh! meu senhô, fico.

  — Um ordenado pequeno, mas que há de crescer. Tudo cresce neste mundo: tu cresceste imensamente. Quando nasceste eras um pirralho deste tamanho; hoje estás mais alto que eu. Deixa ver; olha, és mais alto quatro dedos...

   — Artura não qué dizê nada, não, senhô...

   — Pequeno ordenado, repito, uns seis mil-réis: mas é de grão em grão que a galinha enche o seu papo. Tu vales muito mais que uma galinha.

   — Justamente. Pois seis mil-réis. No fim de um ano, se andares bem, conta com oito. Oito ou sete.

   Pancrácio aceitou tudo: aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título que lhe dei. Ele continuava livre, eu de mau humor; eram dois estados naturais, quase divinos.

   Tudo compreendeu o meu bom Pancrácio: daí para cá, tenho-lhe despedido alguns pontapés, um ou outro puxão de orelhas, e chamo-lhe besta quando lhe não chamo filho do diabo; cousas todas que ele recebe humildemente, e (Deus me perdoe!) creio que até alegre.

   O meu plano está feito; quero ser deputado, e, na circular que mandarei aos meus eleitores, direi que, antes, muito antes de abolição legal, já eu em casa, na modéstia da família, libertava um escravo, ato que comoveu a toda a gente que dele teve notícia; que esse escravo, tendo aprendido a ler, escrever e contar, (simples suposição) é então professor de filosofia no Rio das Cobras; que os homens puros, grandes e verdadeiramente políticos, não são os que obedecem à lei, mas os que se antecipam a ela, dizendo ao escravo: és livre, antes que o digam os poderes públicos, sempre retardatários, trôpegos e incapazes de restaurar a justiça na terra, para satisfação do céu.

   Boas noites!


Machado de Assis. 19 maio de 1888. In: Obra Completa. Vol III. 3.ª ed. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1973, p. 489 – 491 (com adaptações).  
Ainda a respeito do terceiro parágrafo do texto CG2A2-I, assinale a opção correta. 
Alternativas
Q3703891 Português
Texto CG2A2-I


     BONS DIAS!

    Eu pertenço a uma família de profetas, après-coup, post factum, depois do gato morto, ou como melhor nome tenha em holandês. Por isso digo, juro se necessário for, que toda a história desta lei de 13 de maio estava por mim prevista, tanto que na segunda-feira, antes mesmo dos debates, tratei de alforriar um molecote que tinha seus dezoito anos, mais ou menos. Alforriá-lo era nada; entendi que, perdido por mil, perdido por mil e quinhentos, e dei um jantar.

   Neste jantar, a que meus amigos deram o nome de banquete, em falta de outro melhor, reuni umas cinco pessoas, conquanto as notícias dissessem trinta e três (anos de Cristo), no intuito de lhe dar um aspecto simbólico.

   No golpe do meio (coupe do milieu, mas eu prefiro falar a minha língua) levantei-me eu com a taça de champanha e declarei que, acompanhando as ideias pregadas por Cristo, há dezoito séculos, restituía a liberdade ao meu escravo Pancrácio; que entendia que a nação inteira devia acompanhar as mesmas ideias e imitar o meu exemplo; finalmente, que a liberdade era um dom de Deus que os homens não podiam roubar sem pecado.

   Pancrácio, que estava à espreita, entrou na sala, como um furacão, e veio abraçar-me os pés. Um dos meus amigos (creio que ainda meu sobrinho) pegou de outra taça e pediu à ilustre assembleia que correspondesse ao ato que acabava de publicar brindando ao primeiro dos cariocas. Ouvi cabisbaixo: fiz outro discurso agradecendo, e entreguei a carta ao molecote. Todos os lenços comovidos apanharam as lágrimas de admiração. Caí na cadeira e não vi mais nada. De noite, recebi muitos cartões. Creio que estão pintando o meu retrato, e suponho que a óleo.

   No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe com rara franqueza:

   — Tu és livre, podes ir para onde quiseres. Aqui tens casa amiga, já conhecida, e tens mais um ordenado, um ordenado que...

   — Oh! meu senhô, fico.

  — Um ordenado pequeno, mas que há de crescer. Tudo cresce neste mundo: tu cresceste imensamente. Quando nasceste eras um pirralho deste tamanho; hoje estás mais alto que eu. Deixa ver; olha, és mais alto quatro dedos...

   — Artura não qué dizê nada, não, senhô...

   — Pequeno ordenado, repito, uns seis mil-réis: mas é de grão em grão que a galinha enche o seu papo. Tu vales muito mais que uma galinha.

   — Justamente. Pois seis mil-réis. No fim de um ano, se andares bem, conta com oito. Oito ou sete.

   Pancrácio aceitou tudo: aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título que lhe dei. Ele continuava livre, eu de mau humor; eram dois estados naturais, quase divinos.

   Tudo compreendeu o meu bom Pancrácio: daí para cá, tenho-lhe despedido alguns pontapés, um ou outro puxão de orelhas, e chamo-lhe besta quando lhe não chamo filho do diabo; cousas todas que ele recebe humildemente, e (Deus me perdoe!) creio que até alegre.

   O meu plano está feito; quero ser deputado, e, na circular que mandarei aos meus eleitores, direi que, antes, muito antes de abolição legal, já eu em casa, na modéstia da família, libertava um escravo, ato que comoveu a toda a gente que dele teve notícia; que esse escravo, tendo aprendido a ler, escrever e contar, (simples suposição) é então professor de filosofia no Rio das Cobras; que os homens puros, grandes e verdadeiramente políticos, não são os que obedecem à lei, mas os que se antecipam a ela, dizendo ao escravo: és livre, antes que o digam os poderes públicos, sempre retardatários, trôpegos e incapazes de restaurar a justiça na terra, para satisfação do céu.

   Boas noites!


Machado de Assis. 19 maio de 1888. In: Obra Completa. Vol III. 3.ª ed. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1973, p. 489 – 491 (com adaptações).  
Considerando aspectos gramaticais, semânticos e de natureza narrativa do texto CG2A2-I, assinale a opção correta em relação ao seu terceiro parágrafo.  
Alternativas
Respostas
31941: D
31942: C
31943: A
31944: B
31945: C
31946: A
31947: B
31948: D
31949: B
31950: B
31951: C
31952: B
31953: D
31954: E
31955: A
31956: B
31957: D
31958: D
31959: A
31960: D