Questões de Concurso Comentadas sobre português

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Q3964066 Português

Não sou igual a você


Topar de cara com realidades e ideologias diferentes da sua é algo estranho para qualquer pessoa. Nem sempre pode ser bom, mas sempre trará algum benefício. Crescer com as divergências, poder conhecer e aceitar diferentes formas de pensamento, ideologias e costumes é um grande desafio para o ser humano.


Saber que ao seu lado tem uma pessoa que pensa diferente de você e faz coisas que você não faz e vive outras realidades que nada tem a ver com a sua desperta emoções inesperadas em qualquer pessoa. Pode ser alegria, raiva, tristeza, amor etc. Não é possível prever como receberemos uma diferente forma de viver.


O que vale a pena quando o seu grupo entra em choque com outro grupo? Brigar, discutir, partir para a agressão − isso é fácil. Difícil mesmo é aceitar a ideia do outro e saber que, assim como você, o outro tem seus costumes, suas crenças e comportamentos e que ele vai defendê-los, assim como você defende os seus. Difícil é viver em paz com o vizinho totalmente diferente de você.


Se todos fossem iguais, a vida seria muito sem graça. Olhar para o lado e não ver nada diferente seria muito ruim. É um desafio para o ser humano conviver pacificamente com as diferentes formas de viver. Será que você consegue?


CASTRO, Kika. Manifesto a favor do direito de divergir. 6 abr. 2013. Disponível em: https://kikacastro.com.br/2013/04/06/manifesto-a-favor-do-direito-de-div ergir/ . Acesso em: 18 fev. 2026.

Considerando a regência do verbo "prever" no enunciado apresentado, analise o comportamento sintático do verbo e o valor da oração que o complementa, levando em conta sua transitividade e sua relação com o conteúdo semântico expresso, e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3964064 Português

Não sou igual a você


Topar de cara com realidades e ideologias diferentes da sua é algo estranho para qualquer pessoa. Nem sempre pode ser bom, mas sempre trará algum benefício. Crescer com as divergências, poder conhecer e aceitar diferentes formas de pensamento, ideologias e costumes é um grande desafio para o ser humano.


Saber que ao seu lado tem uma pessoa que pensa diferente de você e faz coisas que você não faz e vive outras realidades que nada tem a ver com a sua desperta emoções inesperadas em qualquer pessoa. Pode ser alegria, raiva, tristeza, amor etc. Não é possível prever como receberemos uma diferente forma de viver.


O que vale a pena quando o seu grupo entra em choque com outro grupo? Brigar, discutir, partir para a agressão − isso é fácil. Difícil mesmo é aceitar a ideia do outro e saber que, assim como você, o outro tem seus costumes, suas crenças e comportamentos e que ele vai defendê-los, assim como você defende os seus. Difícil é viver em paz com o vizinho totalmente diferente de você.


Se todos fossem iguais, a vida seria muito sem graça. Olhar para o lado e não ver nada diferente seria muito ruim. É um desafio para o ser humano conviver pacificamente com as diferentes formas de viver. Será que você consegue?


CASTRO, Kika. Manifesto a favor do direito de divergir. 6 abr. 2013. Disponível em: https://kikacastro.com.br/2013/04/06/manifesto-a-favor-do-direito-de-div ergir/ . Acesso em: 18 fev. 2026.

Com base no funcionamento sintático e semântico do período "Topar de cara com realidades e ideologias diferentes da sua é algo estranho para qualquer pessoa", analise a estrutura da oração, a relação entre seus termos e o valor atribuído ao predicado em torno da expressão "é algo estranho", considerando o comportamento verbal e nominal do enunciado, e assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q3964063 Português

Não sou igual a você


Topar de cara com realidades e ideologias diferentes da sua é algo estranho para qualquer pessoa. Nem sempre pode ser bom, mas sempre trará algum benefício. Crescer com as divergências, poder conhecer e aceitar diferentes formas de pensamento, ideologias e costumes é um grande desafio para o ser humano.


Saber que ao seu lado tem uma pessoa que pensa diferente de você e faz coisas que você não faz e vive outras realidades que nada tem a ver com a sua desperta emoções inesperadas em qualquer pessoa. Pode ser alegria, raiva, tristeza, amor etc. Não é possível prever como receberemos uma diferente forma de viver.


O que vale a pena quando o seu grupo entra em choque com outro grupo? Brigar, discutir, partir para a agressão − isso é fácil. Difícil mesmo é aceitar a ideia do outro e saber que, assim como você, o outro tem seus costumes, suas crenças e comportamentos e que ele vai defendê-los, assim como você defende os seus. Difícil é viver em paz com o vizinho totalmente diferente de você.


Se todos fossem iguais, a vida seria muito sem graça. Olhar para o lado e não ver nada diferente seria muito ruim. É um desafio para o ser humano conviver pacificamente com as diferentes formas de viver. Será que você consegue?


CASTRO, Kika. Manifesto a favor do direito de divergir. 6 abr. 2013. Disponível em: https://kikacastro.com.br/2013/04/06/manifesto-a-favor-do-direito-de-div ergir/ . Acesso em: 18 fev. 2026.

Considerando a tipologia e o gênero textual que caracterizam o texto apresentado, analise a forma de organização discursiva, a finalidade comunicativa predominante e os recursos linguísticos mobilizados pelo autor na construção do sentido, e assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q3964011 Português

A correção faz parte da boa escrita.


Assinale a frase que exemplifica o correto emprego gramatical da língua.

Alternativas
Q3964009 Português
Um motivo de imprecisão ocorre quando há uma troca indevida entre parônimos ou homônimos, como a que ocorre, com a palavra sublinhada, no seguinte caso: 
Alternativas
Q3964008 Português
As frases a seguir mostram imprecisão pelo emprego de uma palavra de conteúdo geral (destacada).
Assinale a frase em que a substituição dessa palavra por uma palavra mais específica é feita de forma adequada.
Alternativas
Q3964007 Português
As frases a seguir mostram uma palavra sublinhada no plural. Assinale a única frase em que essa forma pluralizada está correta
Alternativas
Q3964006 Português
As frases a seguir mostram expressões populares bastante utilizadas na língua falada.
Assinale a opção em que a expressão sublinhada foi corretamente substituída por uma expressão formal equivalente. 
Alternativas
Q3964005 Português
Observe o diálogo abaixo, entre um mecânico de automóveis e um cliente já conhecido:
— Opa! Como é que tá? — Opa! Tudo bem seu Cloves? — Tudo bem. E o carro? — Dei uma olhada... o barulho embaixo é do escapamento... tá furado... o barulho na frente é da junta do motor... precisa trocar... também é bom trocar o limpador de para-brisas... tá velho... e aí... — E a embreagem? — Já consertei... Essa mancha é de alguma coisa que deixaram cair e não sai... Já esfreguei pra burro! — Puxa!
Assinale a opção em que há uma característica da língua falada erradamente exemplificada.
Alternativas
Q3963955 Português
A questão se refere ao texto a seguir:


Eletrizante, nova série expõe a crueldade da sobrecarga mental de mães


  Nova sensação das redes sociais, a série "All Her Fault" ("É Tudo Culpa Dela" numa tradução literal), disponível no Prime Video, é uma história bem elaborada e com reviravoltas surpreendentes que fazem o espectador ansiar pelo próximo episódio.

  A série, entretanto, não é apenas um ótimo produto de entretenimento. Além de hipnotizar o público, a produção tem a qualidade de esmiuçar, ainda que de maneira discreta, uma questão que vem sendo muito debatida nos últimos anos e que, muitas vezes, é subestimada: a sobrecarga mental das mulheres.

   Todo o conflito é disparado quando a empresária Marissa não checa se o número que lhe enviou uma mensagem de texto realmente pertence a Jenny, mãe de um dos colegas de escola de seu filho, Milo. Essa desatenção faz com que ela caia numa armadilha e tenha o filho sequestrado pela babá que trabalhava para Jenny, que, por sua vez, começa a ser questionada por não ter investigado com mais profundidade o histórico da profissional que contratou.

   A partir do sequestro de Milo, Marissa e Jenny são alvo de cobranças, insinuações e julgamentos precipitados, que desconsideram o excesso de responsabilidades que elas possuem e a falta de participação de seus respectivos maridos nas decisões relativas à família. Tudo recai sobre as costas de Marissa e Jenny, que não são vistas como vítimas da situação, mas como parte do problema.

   Essa dimensão humana das personagens, que é muito bem explorada, torna “É Tudo Culpa Dela” ainda mais angustiante. A minissérie mostra que mães estão sempre a um passo de vivenciarem um filme de terror e que, para isso, nem precisam ter os filhos sequestrados. Basta não darem conta das expectativas alheias ou não agirem como os outros esperam que elas se comportem.


(Autoria de Ricky Hiraoka. Texto adaptado. Disponível em: https://www.uol.com.br/splash/colunas/rickyhiraoka/2026/01/16/all-her-fault.htm?cmpid=copiaecola Acesso em 16 jan. 2026)
A palavra “sobrecarga”, empregada no texto para caracterizar a experiência das personagens femininas, é formada por:
Alternativas
Q3963954 Português
A questão se refere ao texto a seguir:


Eletrizante, nova série expõe a crueldade da sobrecarga mental de mães


  Nova sensação das redes sociais, a série "All Her Fault" ("É Tudo Culpa Dela" numa tradução literal), disponível no Prime Video, é uma história bem elaborada e com reviravoltas surpreendentes que fazem o espectador ansiar pelo próximo episódio.

  A série, entretanto, não é apenas um ótimo produto de entretenimento. Além de hipnotizar o público, a produção tem a qualidade de esmiuçar, ainda que de maneira discreta, uma questão que vem sendo muito debatida nos últimos anos e que, muitas vezes, é subestimada: a sobrecarga mental das mulheres.

   Todo o conflito é disparado quando a empresária Marissa não checa se o número que lhe enviou uma mensagem de texto realmente pertence a Jenny, mãe de um dos colegas de escola de seu filho, Milo. Essa desatenção faz com que ela caia numa armadilha e tenha o filho sequestrado pela babá que trabalhava para Jenny, que, por sua vez, começa a ser questionada por não ter investigado com mais profundidade o histórico da profissional que contratou.

   A partir do sequestro de Milo, Marissa e Jenny são alvo de cobranças, insinuações e julgamentos precipitados, que desconsideram o excesso de responsabilidades que elas possuem e a falta de participação de seus respectivos maridos nas decisões relativas à família. Tudo recai sobre as costas de Marissa e Jenny, que não são vistas como vítimas da situação, mas como parte do problema.

   Essa dimensão humana das personagens, que é muito bem explorada, torna “É Tudo Culpa Dela” ainda mais angustiante. A minissérie mostra que mães estão sempre a um passo de vivenciarem um filme de terror e que, para isso, nem precisam ter os filhos sequestrados. Basta não darem conta das expectativas alheias ou não agirem como os outros esperam que elas se comportem.


(Autoria de Ricky Hiraoka. Texto adaptado. Disponível em: https://www.uol.com.br/splash/colunas/rickyhiraoka/2026/01/16/all-her-fault.htm?cmpid=copiaecola Acesso em 16 jan. 2026)
O texto apresentado, ao analisar a série All Her Fault (É Tudo Culpa Dela), caracteriza-se predominantemente como um texto do gênero: 
Alternativas
Q3963953 Português
A questão se refere ao texto a seguir:


Eletrizante, nova série expõe a crueldade da sobrecarga mental de mães


  Nova sensação das redes sociais, a série "All Her Fault" ("É Tudo Culpa Dela" numa tradução literal), disponível no Prime Video, é uma história bem elaborada e com reviravoltas surpreendentes que fazem o espectador ansiar pelo próximo episódio.

  A série, entretanto, não é apenas um ótimo produto de entretenimento. Além de hipnotizar o público, a produção tem a qualidade de esmiuçar, ainda que de maneira discreta, uma questão que vem sendo muito debatida nos últimos anos e que, muitas vezes, é subestimada: a sobrecarga mental das mulheres.

   Todo o conflito é disparado quando a empresária Marissa não checa se o número que lhe enviou uma mensagem de texto realmente pertence a Jenny, mãe de um dos colegas de escola de seu filho, Milo. Essa desatenção faz com que ela caia numa armadilha e tenha o filho sequestrado pela babá que trabalhava para Jenny, que, por sua vez, começa a ser questionada por não ter investigado com mais profundidade o histórico da profissional que contratou.

   A partir do sequestro de Milo, Marissa e Jenny são alvo de cobranças, insinuações e julgamentos precipitados, que desconsideram o excesso de responsabilidades que elas possuem e a falta de participação de seus respectivos maridos nas decisões relativas à família. Tudo recai sobre as costas de Marissa e Jenny, que não são vistas como vítimas da situação, mas como parte do problema.

   Essa dimensão humana das personagens, que é muito bem explorada, torna “É Tudo Culpa Dela” ainda mais angustiante. A minissérie mostra que mães estão sempre a um passo de vivenciarem um filme de terror e que, para isso, nem precisam ter os filhos sequestrados. Basta não darem conta das expectativas alheias ou não agirem como os outros esperam que elas se comportem.


(Autoria de Ricky Hiraoka. Texto adaptado. Disponível em: https://www.uol.com.br/splash/colunas/rickyhiraoka/2026/01/16/all-her-fault.htm?cmpid=copiaecola Acesso em 16 jan. 2026)
Com base na leitura do texto, analise as afirmações a seguir:

I. O texto sustenta que a série constrói seu conflito central a partir de um erro pontual de Marissa, mas amplia essa situação para discutir a sobrecarga mental enfrentada pelas mulheres.
II. As reações sociais ao sequestro de Milo revelam julgamentos que ignoram a desigual divisão de responsabilidades familiares entre homens e mulheres.
III. O texto defende que as personagens femininas são retratadas como vítimas da situação, recebendo compreensão e empatia por parte da sociedade representada na série.

Assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q3963951 Português

A questão se refere ao texto a seguir.


Bem-estar nas escolas: desafios estruturais e caminhos para fortalecer estudantes e educadores



   As escolas ocupam um papel central no desenvolvimento integral de crianças e adolescentes. Mais do que espaços de aprendizagem acadêmica, são ambientes de convivência, construção de vínculos e ampliação de repertórios sociais e emocionais. Quando o bem-estar está presente, estudantes se engajam mais, permanecem na escola e aprendem melhor. 

   Durante muito tempo, a saúde mental e o bem-estar foram tratados como temas secundários nas políticas educacionais. Nos últimos anos, o avanço das evidências científicas tem reforçado que aprendizagem, bem-estar físico e saúde mental caminham juntos. Ambientes seguros, relações de cuidado e práticas pedagógicas intencionais estão diretamente associados ao engajamento escolar e ao enfrentamento da evasão, um dos grandes desafios da educação pública brasileira.

   Estudos recentes ajudam a dimensionar esse desafio. Em 2025, uma pesquisa conduzida pelo Instituto Educbank, em parceria com o Great Place to Study, mostrou que 57% dos estudantes não percebem a escola ou seus professores como atentos ao seu bem-estar. Apenas cerca de 20% afirmaram se sentir acolhidos no ambiente escolar. 

  Outro fator que passou a influenciar diretamente o clima escolar é o uso de celulares. A regulamentação nacional, em vigor desde 2024, ao restringir o uso dos aparelhos em sala de aula a fins pedagógicos, contribuiu para melhorias na atenção, na participação dos estudantes e na redução de conflitos. A medida também estimulou debates sobre cidadania digital, equilíbrio no uso de telas e práticas pedagógicas mais intencionais.

  Nos últimos anos, políticas públicas têm incorporado o bem-estar, a saúde mental e o desenvolvimento socioemocional aos currículos escolares. Esse movimento representa um avanço importante. No entanto, a simples inclusão do tema nos documentos oficiais não garante mudanças sustentáveis, especialmente em redes públicas marcadas por desigualdades estruturais. 

  Sem investimento consistente na formação continuada de educadores e em condições institucionais que apoiem o trabalho pedagógico, iniciativas voltadas ao bem-estar tendem a permanecer no plano normativo. Evidências mostram que escolas que fortalecem relações colaborativas, gestão participativa e práticas de cuidado apresentam melhores resultados de aprendizagem e maior engajamento da comunidade escolar.

   Avançar exige compreender o bem-estar como uma construção coletiva, incluindo ações voltadas para o suporte de professores. Isso envolve fortalecer políticas públicas integradas, investir na formação continuada, ampliar equipes multiprofissionais, criar espaços reais de escuta nas escolas e promover práticas pedagógicas que enfrentem as causas do bullying e da evasão escolar, com atenção especial à promoção da equidade racial.

  A aprovação da Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares, em 2024, representa um marco importante ao reconhecer a saúde mental como parte do direito à educação. O desafio agora está na implementação efetiva dessa política nos estados e municípios, transformando marcos legais em ações concretas. 

   Nesse contexto, redes públicas de ensino, em articulação com organizações da sociedade civil, têm demonstrado avanços relevantes. A Coalizão para Educação Integral para Adolescentes, por exemplo, reúne governos e organizações em torno da promoção de ambientes escolares mais seguros, do fortalecimento da educação integral e do enfrentamento das desigualdades raciais.

  Fortalecer o bem-estar nas escolas é tratá-lo como um eixo estruturante das políticas educacionais, integrado à formação docente, à gestão escolar e à promoção da equidade. Esse é um esforço coletivo, que exige colaboração entre poder público, organizações da sociedade civil e lideranças educacionais comprometidas com uma escola que acolha, engaje e garanta o desenvolvimento integral de todas as pessoas.


(Texto adaptado Disponível em: https://fundacaolemann.org.br/noticias/bem-estar-nasescolas/ Acesso em 20 jan. 2026)
Considere o trecho:

“Ambientes seguros, relações de cuidado e práticas pedagógicas intencionais estão diretamente associados ao engajamento escolar e ao enfrentamento da evasão.”

No trecho, as palavras “seguros”, “pedagógicas” e “diretamente” pertencem, respectivamente, às classes gramaticais:
Alternativas
Q3963950 Português

A questão se refere ao texto a seguir.


Bem-estar nas escolas: desafios estruturais e caminhos para fortalecer estudantes e educadores



   As escolas ocupam um papel central no desenvolvimento integral de crianças e adolescentes. Mais do que espaços de aprendizagem acadêmica, são ambientes de convivência, construção de vínculos e ampliação de repertórios sociais e emocionais. Quando o bem-estar está presente, estudantes se engajam mais, permanecem na escola e aprendem melhor. 

   Durante muito tempo, a saúde mental e o bem-estar foram tratados como temas secundários nas políticas educacionais. Nos últimos anos, o avanço das evidências científicas tem reforçado que aprendizagem, bem-estar físico e saúde mental caminham juntos. Ambientes seguros, relações de cuidado e práticas pedagógicas intencionais estão diretamente associados ao engajamento escolar e ao enfrentamento da evasão, um dos grandes desafios da educação pública brasileira.

   Estudos recentes ajudam a dimensionar esse desafio. Em 2025, uma pesquisa conduzida pelo Instituto Educbank, em parceria com o Great Place to Study, mostrou que 57% dos estudantes não percebem a escola ou seus professores como atentos ao seu bem-estar. Apenas cerca de 20% afirmaram se sentir acolhidos no ambiente escolar. 

  Outro fator que passou a influenciar diretamente o clima escolar é o uso de celulares. A regulamentação nacional, em vigor desde 2024, ao restringir o uso dos aparelhos em sala de aula a fins pedagógicos, contribuiu para melhorias na atenção, na participação dos estudantes e na redução de conflitos. A medida também estimulou debates sobre cidadania digital, equilíbrio no uso de telas e práticas pedagógicas mais intencionais.

  Nos últimos anos, políticas públicas têm incorporado o bem-estar, a saúde mental e o desenvolvimento socioemocional aos currículos escolares. Esse movimento representa um avanço importante. No entanto, a simples inclusão do tema nos documentos oficiais não garante mudanças sustentáveis, especialmente em redes públicas marcadas por desigualdades estruturais. 

  Sem investimento consistente na formação continuada de educadores e em condições institucionais que apoiem o trabalho pedagógico, iniciativas voltadas ao bem-estar tendem a permanecer no plano normativo. Evidências mostram que escolas que fortalecem relações colaborativas, gestão participativa e práticas de cuidado apresentam melhores resultados de aprendizagem e maior engajamento da comunidade escolar.

   Avançar exige compreender o bem-estar como uma construção coletiva, incluindo ações voltadas para o suporte de professores. Isso envolve fortalecer políticas públicas integradas, investir na formação continuada, ampliar equipes multiprofissionais, criar espaços reais de escuta nas escolas e promover práticas pedagógicas que enfrentem as causas do bullying e da evasão escolar, com atenção especial à promoção da equidade racial.

  A aprovação da Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares, em 2024, representa um marco importante ao reconhecer a saúde mental como parte do direito à educação. O desafio agora está na implementação efetiva dessa política nos estados e municípios, transformando marcos legais em ações concretas. 

   Nesse contexto, redes públicas de ensino, em articulação com organizações da sociedade civil, têm demonstrado avanços relevantes. A Coalizão para Educação Integral para Adolescentes, por exemplo, reúne governos e organizações em torno da promoção de ambientes escolares mais seguros, do fortalecimento da educação integral e do enfrentamento das desigualdades raciais.

  Fortalecer o bem-estar nas escolas é tratá-lo como um eixo estruturante das políticas educacionais, integrado à formação docente, à gestão escolar e à promoção da equidade. Esse é um esforço coletivo, que exige colaboração entre poder público, organizações da sociedade civil e lideranças educacionais comprometidas com uma escola que acolha, engaje e garanta o desenvolvimento integral de todas as pessoas.


(Texto adaptado Disponível em: https://fundacaolemann.org.br/noticias/bem-estar-nasescolas/ Acesso em 20 jan. 2026)
Considere o período “Situações de violência e discriminação racial, que afetam de forma desproporcional estudantes negros, comprometem o bem-estar, ampliam o estresse e fragilizam a permanência escolar.”

A oração destacada classifica-se como:
Alternativas
Q3963949 Português

A questão se refere ao texto a seguir.


Bem-estar nas escolas: desafios estruturais e caminhos para fortalecer estudantes e educadores



   As escolas ocupam um papel central no desenvolvimento integral de crianças e adolescentes. Mais do que espaços de aprendizagem acadêmica, são ambientes de convivência, construção de vínculos e ampliação de repertórios sociais e emocionais. Quando o bem-estar está presente, estudantes se engajam mais, permanecem na escola e aprendem melhor. 

   Durante muito tempo, a saúde mental e o bem-estar foram tratados como temas secundários nas políticas educacionais. Nos últimos anos, o avanço das evidências científicas tem reforçado que aprendizagem, bem-estar físico e saúde mental caminham juntos. Ambientes seguros, relações de cuidado e práticas pedagógicas intencionais estão diretamente associados ao engajamento escolar e ao enfrentamento da evasão, um dos grandes desafios da educação pública brasileira.

   Estudos recentes ajudam a dimensionar esse desafio. Em 2025, uma pesquisa conduzida pelo Instituto Educbank, em parceria com o Great Place to Study, mostrou que 57% dos estudantes não percebem a escola ou seus professores como atentos ao seu bem-estar. Apenas cerca de 20% afirmaram se sentir acolhidos no ambiente escolar. 

  Outro fator que passou a influenciar diretamente o clima escolar é o uso de celulares. A regulamentação nacional, em vigor desde 2024, ao restringir o uso dos aparelhos em sala de aula a fins pedagógicos, contribuiu para melhorias na atenção, na participação dos estudantes e na redução de conflitos. A medida também estimulou debates sobre cidadania digital, equilíbrio no uso de telas e práticas pedagógicas mais intencionais.

  Nos últimos anos, políticas públicas têm incorporado o bem-estar, a saúde mental e o desenvolvimento socioemocional aos currículos escolares. Esse movimento representa um avanço importante. No entanto, a simples inclusão do tema nos documentos oficiais não garante mudanças sustentáveis, especialmente em redes públicas marcadas por desigualdades estruturais. 

  Sem investimento consistente na formação continuada de educadores e em condições institucionais que apoiem o trabalho pedagógico, iniciativas voltadas ao bem-estar tendem a permanecer no plano normativo. Evidências mostram que escolas que fortalecem relações colaborativas, gestão participativa e práticas de cuidado apresentam melhores resultados de aprendizagem e maior engajamento da comunidade escolar.

   Avançar exige compreender o bem-estar como uma construção coletiva, incluindo ações voltadas para o suporte de professores. Isso envolve fortalecer políticas públicas integradas, investir na formação continuada, ampliar equipes multiprofissionais, criar espaços reais de escuta nas escolas e promover práticas pedagógicas que enfrentem as causas do bullying e da evasão escolar, com atenção especial à promoção da equidade racial.

  A aprovação da Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares, em 2024, representa um marco importante ao reconhecer a saúde mental como parte do direito à educação. O desafio agora está na implementação efetiva dessa política nos estados e municípios, transformando marcos legais em ações concretas. 

   Nesse contexto, redes públicas de ensino, em articulação com organizações da sociedade civil, têm demonstrado avanços relevantes. A Coalizão para Educação Integral para Adolescentes, por exemplo, reúne governos e organizações em torno da promoção de ambientes escolares mais seguros, do fortalecimento da educação integral e do enfrentamento das desigualdades raciais.

  Fortalecer o bem-estar nas escolas é tratá-lo como um eixo estruturante das políticas educacionais, integrado à formação docente, à gestão escolar e à promoção da equidade. Esse é um esforço coletivo, que exige colaboração entre poder público, organizações da sociedade civil e lideranças educacionais comprometidas com uma escola que acolha, engaje e garanta o desenvolvimento integral de todas as pessoas.


(Texto adaptado Disponível em: https://fundacaolemann.org.br/noticias/bem-estar-nasescolas/ Acesso em 20 jan. 2026)
No trecho “Fortalecer o bem-estar nas escolas é tratá-lo como um eixo estruturante das políticas educacionais”, o emprego do pronome “lo” em “tratá-lo” contribui para: 
Alternativas
Q3963948 Português

A questão se refere ao texto a seguir.


Bem-estar nas escolas: desafios estruturais e caminhos para fortalecer estudantes e educadores



   As escolas ocupam um papel central no desenvolvimento integral de crianças e adolescentes. Mais do que espaços de aprendizagem acadêmica, são ambientes de convivência, construção de vínculos e ampliação de repertórios sociais e emocionais. Quando o bem-estar está presente, estudantes se engajam mais, permanecem na escola e aprendem melhor. 

   Durante muito tempo, a saúde mental e o bem-estar foram tratados como temas secundários nas políticas educacionais. Nos últimos anos, o avanço das evidências científicas tem reforçado que aprendizagem, bem-estar físico e saúde mental caminham juntos. Ambientes seguros, relações de cuidado e práticas pedagógicas intencionais estão diretamente associados ao engajamento escolar e ao enfrentamento da evasão, um dos grandes desafios da educação pública brasileira.

   Estudos recentes ajudam a dimensionar esse desafio. Em 2025, uma pesquisa conduzida pelo Instituto Educbank, em parceria com o Great Place to Study, mostrou que 57% dos estudantes não percebem a escola ou seus professores como atentos ao seu bem-estar. Apenas cerca de 20% afirmaram se sentir acolhidos no ambiente escolar. 

  Outro fator que passou a influenciar diretamente o clima escolar é o uso de celulares. A regulamentação nacional, em vigor desde 2024, ao restringir o uso dos aparelhos em sala de aula a fins pedagógicos, contribuiu para melhorias na atenção, na participação dos estudantes e na redução de conflitos. A medida também estimulou debates sobre cidadania digital, equilíbrio no uso de telas e práticas pedagógicas mais intencionais.

  Nos últimos anos, políticas públicas têm incorporado o bem-estar, a saúde mental e o desenvolvimento socioemocional aos currículos escolares. Esse movimento representa um avanço importante. No entanto, a simples inclusão do tema nos documentos oficiais não garante mudanças sustentáveis, especialmente em redes públicas marcadas por desigualdades estruturais. 

  Sem investimento consistente na formação continuada de educadores e em condições institucionais que apoiem o trabalho pedagógico, iniciativas voltadas ao bem-estar tendem a permanecer no plano normativo. Evidências mostram que escolas que fortalecem relações colaborativas, gestão participativa e práticas de cuidado apresentam melhores resultados de aprendizagem e maior engajamento da comunidade escolar.

   Avançar exige compreender o bem-estar como uma construção coletiva, incluindo ações voltadas para o suporte de professores. Isso envolve fortalecer políticas públicas integradas, investir na formação continuada, ampliar equipes multiprofissionais, criar espaços reais de escuta nas escolas e promover práticas pedagógicas que enfrentem as causas do bullying e da evasão escolar, com atenção especial à promoção da equidade racial.

  A aprovação da Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares, em 2024, representa um marco importante ao reconhecer a saúde mental como parte do direito à educação. O desafio agora está na implementação efetiva dessa política nos estados e municípios, transformando marcos legais em ações concretas. 

   Nesse contexto, redes públicas de ensino, em articulação com organizações da sociedade civil, têm demonstrado avanços relevantes. A Coalizão para Educação Integral para Adolescentes, por exemplo, reúne governos e organizações em torno da promoção de ambientes escolares mais seguros, do fortalecimento da educação integral e do enfrentamento das desigualdades raciais.

  Fortalecer o bem-estar nas escolas é tratá-lo como um eixo estruturante das políticas educacionais, integrado à formação docente, à gestão escolar e à promoção da equidade. Esse é um esforço coletivo, que exige colaboração entre poder público, organizações da sociedade civil e lideranças educacionais comprometidas com uma escola que acolha, engaje e garanta o desenvolvimento integral de todas as pessoas.


(Texto adaptado Disponível em: https://fundacaolemann.org.br/noticias/bem-estar-nasescolas/ Acesso em 20 jan. 2026)
Analise as afirmações a seguir, à luz do texto:

I. Os dados estatísticos apresentados cumprem função argumentativa, pois dimensionam o problema do bem-estar escolar e sustentam a crítica às políticas educacionais tradicionais.
II. O texto indica que a simples inclusão do tema da saúde mental nos currículos é suficiente para produzir mudanças estruturais nas escolas públicas.
III. A referência à Política Nacional de Atenção Psicossocial e à Coalizão para Educação Integral sugere que o avanço na promoção do bem-estar escolar depende da articulação entre Estado e sociedade civil.

Assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q3963878 Português
A partida

    Hoje, revendo minhas atitudes quando vim embora, reconheço que mudei bastante. Verifico também que estava aflito e que havia um fundo de mágoa ou desespero em minha impaciência. Eu queria deixar minha casa, minha avó e seus cuidados. Estava farto de chegar a horas certas, de ouvir reclamações; de ser vigiado, contemplado, querido. Sim, também a afeição de minha avó incomodava-me. Era quase palpável, quase como um objeto, uma túnica, um paletó justo que eu não pudesse despir.

    Ela vivia a comprar-me remédios, a censurar minha falta de modos, a olhar-me, a repetir conselhos que eu já sabia de cor. Era boa demais, intoleravelmente boa e amorosa e justa.

    Na véspera da viagem, enquanto eu a ajudava a arrumar as coisas na maleta, pensava que no dia seguinte estaria livre e imaginava o amplo mundo no qual iria desafogar-me: passeios, domingos sem missa, trabalho em vez de livros, pessoas nas praias, caras novas. Como tudo era fascinante! Que viesse logo. Que as horas corressem e eu me encontrasse imediatamente na posse de todos esses bens que me aguardavam. Que as horas voassem, voassem!

    Percebi que minha avó não me olhava. A princípio, achei inexplicável que ela fizesse isso, pois costumava fitar-me, longamente, com uma ternura que incomodava. Tive raiva do que me parecia um capricho e, como represália, fui para a cama.

    Deixei a luz acesa. Sentia não sei que prazer em contar as vigas do teto, em olhar para a lâmpada. Desejava que nenhuma dessas coisas me afetasse e irritava-me por começar a entender que não conseguiria afastar-me delas sem emoção.

    Minha avó fechara a maleta e agora se movia, devagar, calada, fiel ao seu hábito de fazer arrumações tardias. A quietude da casa parecia triste e ficava mais nítida com os poucos ruídos aos quais me fixava: manso arrastar de chinelos, cuidadoso abrir e lento fechar de gavetas, o tique-taque do relógio, tilintar de talheres, de xícaras.

    Passava de meia-noite quando a velha cama gemeu: minha avó levantava-se. Abriu de leve a porta de seu quarto, sempre de leve entrou no meu, veio chegando e ficou de pé junto a mim. Com que finalidade? – perguntava eu. Cobrir-me ainda? Repetir-me conselhos? Ouvi-a então soluçar e quase fui sacudido por um acesso de raiva. Ela estava olhando para mim e chorando como se eu fosse um cadáver – pensei. Mas eu não me parecia em nada com um morto, senão no estar deitado. Estava vivo, bem vivo, não ia morrer. Sentia-me a ponto de gritar. Que me deixasse em paz e fosse chorar longe, na sala, na cozinha, no quintal, mas longe de mim. Eu não estava morto. Afinal, ela beijou-me a fronte e se afastou, abafando os soluços. Eu crispei as mãos nas grades de ferro da cama, sobre as quais apoiei a testa ardente. E adormeci.

    Acordei pela madrugada. A princípio com tranquilidade, e logo com obstinação, quis novamente dormir. Inútil, o sono esgotara-se. Com precaução, acendi um fósforo: passava das três. Restavam-me, portanto, menos de duas horas, pois o trem chegaria às cinco. Veio-me então o desejo de não passar nem uma hora mais naquela casa. Partir, sem dizer nada, deixar quanto antes minhas cadeias de disciplina e de amor.

    Não sei por que motivo, retardei ainda a partida. Andei pela casa, cabisbaixo, à procura de objetos imaginários enquanto ela me seguia, abrigada em sua coberta. Eu sabia que desejava beijar-me, prender-se a mim, e à simples ideia desses gestos, estremeci. Como seria se, na hora do adeus, ela chorasse?

    Enfim, beijei sua mão, bati-lhe de leve na cabeça. Creio mesmo que lhe surpreendi um gesto de aproximação, decerto na esperança de um abraço final. Esquivei-me, apanhei a maleta e, ao fazê-lo, lancei um rápido olhar para a mesa (cuidadosamente posta para dois, com a humilde louça dos grandes dias e a velha toalha branca, bordada, que só se usava em nossos aniversários).

(LINS, Osman. Os gestos. São Paulo: Melhoramentos, 1957.)
No excerto “Restavam-me, portanto, menos de duas horas, pois o trem chegaria às cinco.” (8º§), a expressão destacada pode ser substituída, sem alteração de sentido, por:
Alternativas
Q3963877 Português
A partida

    Hoje, revendo minhas atitudes quando vim embora, reconheço que mudei bastante. Verifico também que estava aflito e que havia um fundo de mágoa ou desespero em minha impaciência. Eu queria deixar minha casa, minha avó e seus cuidados. Estava farto de chegar a horas certas, de ouvir reclamações; de ser vigiado, contemplado, querido. Sim, também a afeição de minha avó incomodava-me. Era quase palpável, quase como um objeto, uma túnica, um paletó justo que eu não pudesse despir.

    Ela vivia a comprar-me remédios, a censurar minha falta de modos, a olhar-me, a repetir conselhos que eu já sabia de cor. Era boa demais, intoleravelmente boa e amorosa e justa.

    Na véspera da viagem, enquanto eu a ajudava a arrumar as coisas na maleta, pensava que no dia seguinte estaria livre e imaginava o amplo mundo no qual iria desafogar-me: passeios, domingos sem missa, trabalho em vez de livros, pessoas nas praias, caras novas. Como tudo era fascinante! Que viesse logo. Que as horas corressem e eu me encontrasse imediatamente na posse de todos esses bens que me aguardavam. Que as horas voassem, voassem!

    Percebi que minha avó não me olhava. A princípio, achei inexplicável que ela fizesse isso, pois costumava fitar-me, longamente, com uma ternura que incomodava. Tive raiva do que me parecia um capricho e, como represália, fui para a cama.

    Deixei a luz acesa. Sentia não sei que prazer em contar as vigas do teto, em olhar para a lâmpada. Desejava que nenhuma dessas coisas me afetasse e irritava-me por começar a entender que não conseguiria afastar-me delas sem emoção.

    Minha avó fechara a maleta e agora se movia, devagar, calada, fiel ao seu hábito de fazer arrumações tardias. A quietude da casa parecia triste e ficava mais nítida com os poucos ruídos aos quais me fixava: manso arrastar de chinelos, cuidadoso abrir e lento fechar de gavetas, o tique-taque do relógio, tilintar de talheres, de xícaras.

    Passava de meia-noite quando a velha cama gemeu: minha avó levantava-se. Abriu de leve a porta de seu quarto, sempre de leve entrou no meu, veio chegando e ficou de pé junto a mim. Com que finalidade? – perguntava eu. Cobrir-me ainda? Repetir-me conselhos? Ouvi-a então soluçar e quase fui sacudido por um acesso de raiva. Ela estava olhando para mim e chorando como se eu fosse um cadáver – pensei. Mas eu não me parecia em nada com um morto, senão no estar deitado. Estava vivo, bem vivo, não ia morrer. Sentia-me a ponto de gritar. Que me deixasse em paz e fosse chorar longe, na sala, na cozinha, no quintal, mas longe de mim. Eu não estava morto. Afinal, ela beijou-me a fronte e se afastou, abafando os soluços. Eu crispei as mãos nas grades de ferro da cama, sobre as quais apoiei a testa ardente. E adormeci.

    Acordei pela madrugada. A princípio com tranquilidade, e logo com obstinação, quis novamente dormir. Inútil, o sono esgotara-se. Com precaução, acendi um fósforo: passava das três. Restavam-me, portanto, menos de duas horas, pois o trem chegaria às cinco. Veio-me então o desejo de não passar nem uma hora mais naquela casa. Partir, sem dizer nada, deixar quanto antes minhas cadeias de disciplina e de amor.

    Não sei por que motivo, retardei ainda a partida. Andei pela casa, cabisbaixo, à procura de objetos imaginários enquanto ela me seguia, abrigada em sua coberta. Eu sabia que desejava beijar-me, prender-se a mim, e à simples ideia desses gestos, estremeci. Como seria se, na hora do adeus, ela chorasse?

    Enfim, beijei sua mão, bati-lhe de leve na cabeça. Creio mesmo que lhe surpreendi um gesto de aproximação, decerto na esperança de um abraço final. Esquivei-me, apanhei a maleta e, ao fazê-lo, lancei um rápido olhar para a mesa (cuidadosamente posta para dois, com a humilde louça dos grandes dias e a velha toalha branca, bordada, que só se usava em nossos aniversários).

(LINS, Osman. Os gestos. São Paulo: Melhoramentos, 1957.)
Em relação aos aspectos da construção do texto, analise as considerações a seguir e assinale a afirmativa INCORRETA.
Alternativas
Q3963876 Português
A partida

    Hoje, revendo minhas atitudes quando vim embora, reconheço que mudei bastante. Verifico também que estava aflito e que havia um fundo de mágoa ou desespero em minha impaciência. Eu queria deixar minha casa, minha avó e seus cuidados. Estava farto de chegar a horas certas, de ouvir reclamações; de ser vigiado, contemplado, querido. Sim, também a afeição de minha avó incomodava-me. Era quase palpável, quase como um objeto, uma túnica, um paletó justo que eu não pudesse despir.

    Ela vivia a comprar-me remédios, a censurar minha falta de modos, a olhar-me, a repetir conselhos que eu já sabia de cor. Era boa demais, intoleravelmente boa e amorosa e justa.

    Na véspera da viagem, enquanto eu a ajudava a arrumar as coisas na maleta, pensava que no dia seguinte estaria livre e imaginava o amplo mundo no qual iria desafogar-me: passeios, domingos sem missa, trabalho em vez de livros, pessoas nas praias, caras novas. Como tudo era fascinante! Que viesse logo. Que as horas corressem e eu me encontrasse imediatamente na posse de todos esses bens que me aguardavam. Que as horas voassem, voassem!

    Percebi que minha avó não me olhava. A princípio, achei inexplicável que ela fizesse isso, pois costumava fitar-me, longamente, com uma ternura que incomodava. Tive raiva do que me parecia um capricho e, como represália, fui para a cama.

    Deixei a luz acesa. Sentia não sei que prazer em contar as vigas do teto, em olhar para a lâmpada. Desejava que nenhuma dessas coisas me afetasse e irritava-me por começar a entender que não conseguiria afastar-me delas sem emoção.

    Minha avó fechara a maleta e agora se movia, devagar, calada, fiel ao seu hábito de fazer arrumações tardias. A quietude da casa parecia triste e ficava mais nítida com os poucos ruídos aos quais me fixava: manso arrastar de chinelos, cuidadoso abrir e lento fechar de gavetas, o tique-taque do relógio, tilintar de talheres, de xícaras.

    Passava de meia-noite quando a velha cama gemeu: minha avó levantava-se. Abriu de leve a porta de seu quarto, sempre de leve entrou no meu, veio chegando e ficou de pé junto a mim. Com que finalidade? – perguntava eu. Cobrir-me ainda? Repetir-me conselhos? Ouvi-a então soluçar e quase fui sacudido por um acesso de raiva. Ela estava olhando para mim e chorando como se eu fosse um cadáver – pensei. Mas eu não me parecia em nada com um morto, senão no estar deitado. Estava vivo, bem vivo, não ia morrer. Sentia-me a ponto de gritar. Que me deixasse em paz e fosse chorar longe, na sala, na cozinha, no quintal, mas longe de mim. Eu não estava morto. Afinal, ela beijou-me a fronte e se afastou, abafando os soluços. Eu crispei as mãos nas grades de ferro da cama, sobre as quais apoiei a testa ardente. E adormeci.

    Acordei pela madrugada. A princípio com tranquilidade, e logo com obstinação, quis novamente dormir. Inútil, o sono esgotara-se. Com precaução, acendi um fósforo: passava das três. Restavam-me, portanto, menos de duas horas, pois o trem chegaria às cinco. Veio-me então o desejo de não passar nem uma hora mais naquela casa. Partir, sem dizer nada, deixar quanto antes minhas cadeias de disciplina e de amor.

    Não sei por que motivo, retardei ainda a partida. Andei pela casa, cabisbaixo, à procura de objetos imaginários enquanto ela me seguia, abrigada em sua coberta. Eu sabia que desejava beijar-me, prender-se a mim, e à simples ideia desses gestos, estremeci. Como seria se, na hora do adeus, ela chorasse?

    Enfim, beijei sua mão, bati-lhe de leve na cabeça. Creio mesmo que lhe surpreendi um gesto de aproximação, decerto na esperança de um abraço final. Esquivei-me, apanhei a maleta e, ao fazê-lo, lancei um rápido olhar para a mesa (cuidadosamente posta para dois, com a humilde louça dos grandes dias e a velha toalha branca, bordada, que só se usava em nossos aniversários).

(LINS, Osman. Os gestos. São Paulo: Melhoramentos, 1957.)
O conto de Osman Lins é temático, pois possui uma conotação, uma atmosfera específica que une os seus elementos. O texto favorece análises, interpretações e avaliações evidentes para diversos casos particulares. Nesse contexto, depreende-se que o objetivo textual é:
Alternativas
Q3963875 Português
A partida

    Hoje, revendo minhas atitudes quando vim embora, reconheço que mudei bastante. Verifico também que estava aflito e que havia um fundo de mágoa ou desespero em minha impaciência. Eu queria deixar minha casa, minha avó e seus cuidados. Estava farto de chegar a horas certas, de ouvir reclamações; de ser vigiado, contemplado, querido. Sim, também a afeição de minha avó incomodava-me. Era quase palpável, quase como um objeto, uma túnica, um paletó justo que eu não pudesse despir.

    Ela vivia a comprar-me remédios, a censurar minha falta de modos, a olhar-me, a repetir conselhos que eu já sabia de cor. Era boa demais, intoleravelmente boa e amorosa e justa.

    Na véspera da viagem, enquanto eu a ajudava a arrumar as coisas na maleta, pensava que no dia seguinte estaria livre e imaginava o amplo mundo no qual iria desafogar-me: passeios, domingos sem missa, trabalho em vez de livros, pessoas nas praias, caras novas. Como tudo era fascinante! Que viesse logo. Que as horas corressem e eu me encontrasse imediatamente na posse de todos esses bens que me aguardavam. Que as horas voassem, voassem!

    Percebi que minha avó não me olhava. A princípio, achei inexplicável que ela fizesse isso, pois costumava fitar-me, longamente, com uma ternura que incomodava. Tive raiva do que me parecia um capricho e, como represália, fui para a cama.

    Deixei a luz acesa. Sentia não sei que prazer em contar as vigas do teto, em olhar para a lâmpada. Desejava que nenhuma dessas coisas me afetasse e irritava-me por começar a entender que não conseguiria afastar-me delas sem emoção.

    Minha avó fechara a maleta e agora se movia, devagar, calada, fiel ao seu hábito de fazer arrumações tardias. A quietude da casa parecia triste e ficava mais nítida com os poucos ruídos aos quais me fixava: manso arrastar de chinelos, cuidadoso abrir e lento fechar de gavetas, o tique-taque do relógio, tilintar de talheres, de xícaras.

    Passava de meia-noite quando a velha cama gemeu: minha avó levantava-se. Abriu de leve a porta de seu quarto, sempre de leve entrou no meu, veio chegando e ficou de pé junto a mim. Com que finalidade? – perguntava eu. Cobrir-me ainda? Repetir-me conselhos? Ouvi-a então soluçar e quase fui sacudido por um acesso de raiva. Ela estava olhando para mim e chorando como se eu fosse um cadáver – pensei. Mas eu não me parecia em nada com um morto, senão no estar deitado. Estava vivo, bem vivo, não ia morrer. Sentia-me a ponto de gritar. Que me deixasse em paz e fosse chorar longe, na sala, na cozinha, no quintal, mas longe de mim. Eu não estava morto. Afinal, ela beijou-me a fronte e se afastou, abafando os soluços. Eu crispei as mãos nas grades de ferro da cama, sobre as quais apoiei a testa ardente. E adormeci.

    Acordei pela madrugada. A princípio com tranquilidade, e logo com obstinação, quis novamente dormir. Inútil, o sono esgotara-se. Com precaução, acendi um fósforo: passava das três. Restavam-me, portanto, menos de duas horas, pois o trem chegaria às cinco. Veio-me então o desejo de não passar nem uma hora mais naquela casa. Partir, sem dizer nada, deixar quanto antes minhas cadeias de disciplina e de amor.

    Não sei por que motivo, retardei ainda a partida. Andei pela casa, cabisbaixo, à procura de objetos imaginários enquanto ela me seguia, abrigada em sua coberta. Eu sabia que desejava beijar-me, prender-se a mim, e à simples ideia desses gestos, estremeci. Como seria se, na hora do adeus, ela chorasse?

    Enfim, beijei sua mão, bati-lhe de leve na cabeça. Creio mesmo que lhe surpreendi um gesto de aproximação, decerto na esperança de um abraço final. Esquivei-me, apanhei a maleta e, ao fazê-lo, lancei um rápido olhar para a mesa (cuidadosamente posta para dois, com a humilde louça dos grandes dias e a velha toalha branca, bordada, que só se usava em nossos aniversários).

(LINS, Osman. Os gestos. São Paulo: Melhoramentos, 1957.)
O conto de Osman Lins, antologizado entre os melhores escritores do país, enfatiza a transição para a vida adulta e o custo emocional da liberdade. Sobre o texto, que evidencia um fato passado marcante na vida do narrador – o dia em que antecede a sua saída da casa em que vivia em companhia da avó, é possível inferir que:
Alternativas
Respostas
3641: A
3642: B
3643: D
3644: A
3645: D
3646: B
3647: D
3648: B
3649: E
3650: C
3651: D
3652: B
3653: A
3654: A
3655: D
3656: C
3657: D
3658: A
3659: B
3660: C