Questões de Concurso Sobre pronomes pessoais oblíquos em português

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Q2369015 Português
Texto 4


Ser idoso no trânsito

Valdevino de Souza


Estou acordado na cama desde as três horas da madrugada. Agora escuto o assobio dos automóveis passando na Anhanguera, já é hora de levantar. Ligo o rádio que comprei na Santa Efigênia. Modifiquei a frequência para ouvir a previsão do tempo direto do Aeroporto, eles erram menos. Vejo na TV como está o trânsito na zona Oeste. O dia será promissor. Sol aberto e trânsito tranquilo nesta quarta-feira.

[...]

Hoje seria tão bom se pudesse fazer minha caminhada num lugar diferente. Quem sabe o Parque da Água Branca... Rever amigos e quem sabe antigos conhecidos do bairro em que morei logo que me casei.

De moletom, camisa manga curta, documentos no bolso, tênis e boné, ligo o velho Fusca - ainda em boa forma - e tiro a neblina com uma canequinha que meu netinho costumava usar quando pequeno aqui em casa. Abro os portões. Cumprimento o Sr. Wilson que põe o lixo na calçada.

— Já vai, Sr. Souza? - ele cumprimenta. Pego os óculos no porta-luvas. Olho pelo retrovisor para a frase que colei no vidro traseiro do Fusca: 'IDOSO Á BORDO'. Fecho os olhos por um instante. Ainda tem sereno!

[...]

Em mais dez minutos... Já estou na Francisco Matarazzo! Vejo o Shopping com suas pracinhas... Quem sabe à tardinha. Recordo-me que toda essa área pertenceu a uma única família, muito rica, numa época anterior a minha. Ainda estão de pé alguns dos tijolos dessa história. Penso: ‘O que deixei pra recordarem da minha história? Não sou rico, nem construí. Criei meus filhos de modo honesto. Trabalhei em muito escritório. Vi a cidade crescer...’

O Parque está logo adiante. Nem parece que sou um idoso no trânsito de São Paulo.

Opá! O sinal fechou.

O Sol já está à mostra. Fecho os olhos por um instante. Acordo com o bater de uma caneta no vidro do meu carro. Epa! Acho que cochilei. Que pena! Parece que eu estava apenas sonhando na garagem de novo... Ou não.

Vejo um rapaz bem-disposto sorrindo pra mim. É o meu neto que trabalha no CET me dizendo que o farol vai abrir.

Puxa! Por um instante quase acreditei que minha mente ainda corria mais rápido do que meu velho Fusca.

— Não esquece que hoje tem consulta, Vô! Ele me dá um novo adesivo, para colar no vidro da frente: 'Este vovô é rastreado pelo CET'. Com um neto assim, quem não consegue ser um idoso no trânsito de São Paulo! 



http://www.cetsp.com.br/consultas/educacao/a-historiado-premio-cet-de-educacao-de-transito/2a-edicao2010/terceira-idade-%E2%80%93-cronica.aspx
Eles sabem que tenho o meu ritmo. “ “Vejo um rapaz bem-disposto sorrindo pra mim.” “Recordo-me que toda essa área pertenceu a uma única família...”

Os pronomes em destaque em cada um dos trechos são classificados respectivamente como: 
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Q2368842 Português
COP28 desiste de eliminar combustíveis fósseis e propõe transição



1 Nesta quarta-feira (13), os quase 200 países que participam da 28ª sessão da Conferência das Partes (COP28) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (Unfccc) anunciaram a aprovação do texto final do encontro. No documento, é proposta a “transição energética” para a redução do uso de combustíveis fósseis, mas a palavra “eliminação” foi descartada.


2 Dessa forma, o texto da COP28 apela à "transição dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos, de forma justa, ordenada e equitativa, acelerando a ação nesta década crítica, com o objetivo de alcançar a neutralidade de carbono em 2050, de acordo com recomendações científicas”.


3 Com isso, a expectativa é limitar o aumento da temperatura a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, como propõe o Acordo de Paris.


4 Durante a fase de negociações em Dubai, nos Emirados Árabes, um dos debates mais intensos envolveu a possibilidade do texto final da COP28 ter como objetivo a “eliminação progressiva” dos combustíveis fósseis, sendo que estes são os principais responsáveis pelas alterações climáticas do planeta devido à geração dos gases de efeito estufa. Entre eles, estão o petróleo e o carvão mineral.


5 Para os ambientalistas, a conclusão da COP28 pode ter sido aquém das expectativas por esperarem medidas mais enérgicas. Por outro lado, este continua a ser um acordo histórico, já que é a primeira vez em que a maioria dos países concorda com a importância de promover a transição energética, reduzindo a dependência dos combustíveis fósseis.


6 Nas redes sociais, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, comemorou o acordo histórico viabilizado pela COP28.


7 “Pela primeira vez, há um reconhecimento da necessidade de abandonar os combustíveis fósseis — depois de muitos anos em que a discussão dessa questão esteve impedida”, afirmou.


8 "A ciência nos diz que é impossível limitar o aquecimento global a 1,5 °C sem eliminar gradualmente todos os combustíveis fósseis dentro de um prazo compatível com esse limite. O fato foi reconhecido por uma coligação crescente e diversificada de países", acrescentou Guterres.


9 "Quer você goste ou não, a eliminação dos combustíveis fósseis é inevitável. Esperamos que não seja tarde demais”, completou o secretário-geral da ONU.


10 Vale lembrar que o Brasil sediará a COP30, em 2025. O encontro deve ocorrer em Belém, no Pará. A expectativa é que diferentes ações para mitigar o aquecimento do planeta já tenham sido adotadas em prol da transição energética.



Extraído de: https://canaltech.com.br/meio-ambiente/cop28-desiste-de-eliminar-combustiveis-fosseis-e-propoe-transicao-273049/ Fonte:
The Guardian e Agência Brasil (RTP)

No trecho “A ciência nos diz que é impossível limitar o aquecimento global...” (9°parágrafo), o pronome oblíquo foi empregado no modo de próclise. Considerando as regras de colocação pronominal, assinale a opção na qual a próclise tenha sido empregada incorretamente:
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Q2368807 Português
A maior tartarugada…


         A maior tartarugada da América do Sul não houve. Mas durante dois meses foi um acontecimento entre um grupo de sibaritas fim de semana que frequenta à tarde um bar do centro.
         A tartaruga sonhava em câmera lenta na areia cálida das margens de um igarapé amazonense, sonhava com o mundo melhor de daqui a 200 anos, quando a pegaram e lhe torceram o destino.
       Foi encaixotada, baloiçou na correnteza de um rio em uma igara frágil, tomou um avião em Belém, voou sobre as nuvens, como suas antepassadas lendárias, não para a festa do céu, mas para a panela de um coronel amigo meu.
       No bar, não se falava em outra coisa. Era uma soberba tartaruga, volumosa, da raça mais nobre e saborosa. Durante vários dias discutiu-se a melhor maneira de assassiná-la, prepará-la, cozinhá-la e comê-la. Entre os convidados do coronel, havia gente do norte, sequiosa de repetir um prato, e gente do sul e de Minas, que aguardava com alguma ansiedade o momento de prová-lo.
       A tartaruga desceu no aeroporto Santos Dumont, onde o coronel e dois íntimos dele foram levar as boas-vindas ao delicioso quelônio, seguindo para a residência do primeiro, no Leblon. Aí, ela passou a esperar a morte com um estoicismo estúpido. Alguns dos futuros convivas foram visitá-la pessoalmente e voltaram encantados: “É uma tartaruga genial”!
       A data do banquete foi marcada. Depois adiada. O que foi? O que houve? Ela anda meio triste, explicava o coronel consternado. Saudades da pátria, disse um paraense. Pressentimento da morte, arriscou um sujeito romântico.
       A verdade é que a tartaruga não ia lá muito bem das pernas. Mergulhara em um quietismo exagerado, mesmo para um animal de sua espécie, recusava delicadamente qualquer alimento, espichava o pescocinho mecânico, contemplava com desalento o mundo exterior, e voltava à solidão inexpugnável de sua carapaça.
         Nunca se vira no mundo tartaruga tão introspectiva.
       Chamou-se às pressas um veterinário. Este chegou, de óculos, com sua ciência também subjetiva, olhou a tartaruga nos olhos, como se lhe perguntasse discretamente a idade, virou-a de barriga para cima, auscultou-a, redigindo depois, em silêncio, uma receita.
        – Pode-se fazer alguma coisa por ela, doutor? – perguntou o coronel, pálido, mas disposto a saber toda a verdade.
       – Sinto dizer que ela vai muito mal – respondeu em tom frio o veterinário. – Sofre de arteriosclerose. Deve ser uma tartaruga em idade muito avançada. Suas túnicas arteriais devem estar duras como pedras.
        – Bonito! – exclamou o coronel.
     – Como?! – interrogou o veterinário, achando que o dono da cliente aludira às palavras técnicas empregadas por ele.
      – É que eu ia fazer um big almoço dela... Agora o que vou dizer ao pessoal? Em um sábado pela manhã, a tartaruga entrou lentamente em pane e morreu. Teve um enterro comum de bicho morto. Mas no bar houve um momento de condolência, quando soubemos da infausta notícia.  


(Paulo Mendes Campos. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/. Acesso em: 18/11/2023.) 

Releia o trecho: “[...] olhou a tartaruga nos olhos, como se lhe perguntasse discretamente a idade, virou-a de barriga para cima, auscultou-a, redigindo depois, em silêncio, uma receita.” (9º§). A presença do pronome oblíquo átono “a” é observada. Podemos afirmar que ele faz referência  
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Ano: 2024 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: CTI Provas: CESPE / CEBRASPE - 2024 - CTI - Pesquisador Associado I - Especialidade: Tecnologias Habilitadoras - Área de Atuação: Micro e Nanotecnologia | CESPE / CEBRASPE - 2024 - CTI - Tecnologista Pleno 2 - I - Especialidade: Indústria 4.0 e Governo Digital - Área de Atuação: Sistemas Ciberfísicos e Cidades Inteligentes | CESPE / CEBRASPE - 2024 - CTI - Tecnologista Júnior - I - Especialidade: Inovação e Gestão de Infraestrutura e P&D - Área de Atuação: Desenvolvimento Tecnológico e Apoio à Gestão de Projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação e Parque Tecnológico | CESPE / CEBRASPE - 2024 - CTI - Tecnologista Júnior - I - Especialidade: Inovação e Gestão de Infraestrutura de P&D - Área de Atuação: Desenvolvimento Tecnológico Voltado à Infraestrutura de Pesquisa e Parque Tecnológico | CESPE / CEBRASPE - 2024 - CTI - Tecnologista Júnior - I - Especialidade: Inovação e Gestão de Infraestrutura de P&D - Área de Atuação: Desenvolvimento Tecnológico Voltado à Infraestrutura de Tecnologia da Informação e Comunicação | CESPE / CEBRASPE - 2024 - CTI - Pesquisador Associado I - Especialidade: Saúde Avançada - Área de Atuação: Manufatura Aditiva, Simulação Computacional e Processamento de Imagens Aplicados à Saúde | CESPE / CEBRASPE - 2024 - CTI - Pesquisador Associado I - Especialidade: Saúde Avançada - Área de Atuação: Biossensores e Biofabricação | CESPE / CEBRASPE - 2024 - CTI - Tecnologista Pleno 2 - I - Especialidade: Tecnologias Habilitadoras - Área de Atuação: Nanotecnologia e Materiais Avançados Aplicados A Fotônica ou Energia | CESPE / CEBRASPE - 2024 - CTI - Tecnologista Pleno 2 - I - Especialidade: Tecnologias Habilitadoras - Área de Atuação: Inteligência Artificial e Ciências de Dados |
Q2364340 Português
Texto CG1A1


        Alguns problemas éticos com a inteligência artificial (IA) não são específicos dela. Por exemplo, existem paralelos com outras tecnologias de automação. Considere os robôs industriais que são programados e não são considerados IA, mas que, no entanto, acarretam consequências sociais quando levam ao desemprego. Não só isso, alguns dos problemas da IA estão relacionados às tecnologias com as quais ela está conectada, como mídias sociais e Internet, que, quando combinadas com a IA, nos apresentam novos desafios. É o caso das plataformas de mídia social que usam IA para saber mais sobre seus usuários, o que gera preocupações com a privacidade.

         Essa ligação com outras tecnologias também significa que muitas vezes a IA não é visível. Isso é assim em primeiro lugar porque já se tornou uma parte arraigada de nossa vida cotidiana. A IA é frequentemente anunciada em aplicativos novos e espetaculares. Mas não devemos nos esquecer da IA que já alimenta plataformas de mídia social, mecanismos de busca e outras mídias e tecnologias que se tornaram parte de nossa experiência cotidiana. A IA está em todo lugar. A linha entre a IA propriamente dita e outras formas de tecnologia pode ser confusa, tornando-se a IA invisível: se os sistemas de IA estão incorporados à tecnologia, tendemos a não os notar. E, se sabemos que há IA envolvida, é difícil dizer se é a IA que cria o problema ou o impacto, ou se é a outra tecnologia conectada à IA.

          Em certo sentido, não há IA em si: a IA sempre depende de outras tecnologias e está inserida em práticas e procedimentos científicos e tecnológicos mais amplos. Embora ela também levante problemas éticos próprios e específicos, qualquer ética da IA deve estar conectada à ética mais geral das tecnologias de informação e comunicação digital, ética computacional, e assim por diante.


Mark Coeckelberg, Ética na inteligência artificial. São Paulo: Ubu Editora, 2023, p. 78 (com adaptações).

Acerca de aspectos linguísticos do texto CG1A1, julgue o seguinte item.



No segmento “tendemos a não os notar” (penúltimo período do segundo parágrafo), a anteposição da forma pronominal “os” ao verbo “notar” é obrigatória, não sendo admitida a ênclise pronominal, em razão do emprego do vocábulo “não”.  

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Q2357479 Português
Observe as frases abaixo, analisando a colocação dos pronomes oblíquos:

I. Quando lembro-me de você, fico feliz. II. Não me diga que a prova de Língua Portuguesa é hoje! III. Em demorando-se a pagar, a duplicata irá a juízo. IV. O pai esperava-a no aeroporto. V. Vê-la-ia ao menos uma vez, após a briga?

ASSINALE A OPÇÃO CORRETA:
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Q2353834 Português
LETRAMENTO ALGORÍTMICO: ENFRENTANDO A SOCIEDADE DA CAIXA PRETA


Mariana Ochs


         Nos últimos anos, avançamos bastante no entendimento da necessidade urgente de construir a autonomia dos jovens para que atuem nos ambientes informacionais da sociedade com segurança, ética e responsabilidade. Cada vez mais presente nas normas educacionais, na legislação e em diversos esforços da sociedade civil, a educação midiática apresenta-se como forma mais eficaz e sustentável de lidarmos com desinformação, boatos, discursos de ódio, propaganda e outros fenômenos que podem violar direitos e até desestabilizar a democracia.
       Mas, além dos conteúdos que circulam nas mídias, há, também, a parte mais opaca dos ecossistemas de comunicação: os algoritmos que, sujeitos a lógicas e interesses comerciais, personalizam o que vemos a ponto de nos expor a recortes seletivos da realidade, direcionando comportamentos, moldando nossas opiniões de maneira sutil e, por vezes, prejudicial. Esses algoritmos muitas vezes priorizam e reforçam engajamento com conteúdo enviesados, ofensivos ou violentos, podendo, inclusive, empurrar determinados indivíduos mais suscetíveis para ambientes  — e ações —  extremistas.
       Com os ambientes digitais mediando cada vez mais a nossa visão de mundo, enfrentar esses desafios exige olharmos não só para as habilidades de acessar e avaliar mensagens mas também, e cada vez mais, educar os jovens para perceber o funcionamento e os efeitos do próprio ambiente tecnológico. Em tempos de inteligência artificial, em que perguntas humanas podem encontrar respostas incorretas ou enviesadas criadas por sistemas preditivos, a computação precisa urgentemente entrar na pauta da educação midiática.
     No entanto, deve ser explorada de forma crítica, para entendermos os seus impactos sobre a justiça social e a democracia — e não apenas como ferramenta de trabalho em uma sociedade digital. A esse novo campo, que expande os limites da educação para a informação e oferece uma ponte entre a computação e a educação midiática, chamamos de "letramento algorítmico crítico".
       Hoje vivemos o crescimento exponencial da automação baseada em dados — tecnologias chamadas de algorítmicas ou de inteligência artificial capazes de fazer previsões e tomar decisões a partir dos dados que as alimentam. Esses sistemas operam de forma silenciosa e quase onipresente na vida contemporânea, impactando desde a escolha do vídeo que vai ser apresentado a uma criança no YouTube até o sistema que vai regular sua oferta de emprego ou de crédito quando crescer. É o que vem sendo chamado de "sociedade da caixa preta”. Segundo o pesquisador australiano Neil Selwin, nesse modelo, decisões automatizadas, geralmente invisíveis para o usuário comum, moldam seu acesso a direitos, serviços e informação.
        Na prática, a educação midiática pode desenvolver as habilidades necessárias para que os jovens sejam capazes de perceber, questionar e influenciar o comportamento dos sistemas tecnológicos. Crianças e jovens devem ser levados a explorar as formas de funcionamento dos algoritmos que moldam os resultados de nossas buscas na internet; podem questionar a ética dos sistemas de previsão e recomendação, ou ainda o design por trás das interfaces das redes sociais que utilizam, incluindo os chamados "dark patterns", que manipulam nossas decisões. Devem estar atentos a dinâmicas que promovem imagens inalcançáveis ou vulnerabilizam determinados grupos. Precisam perceber e questionar exclusões ou vieses refletidos na produção das IAs generativas. Sobretudo, devem entender os mecanismos de engajamento e de atenção que favorecem conteúdos que segregam, ofendem e desestabilizam as comunidades.
       Em suma, educar para as novas dinâmicas sociotécnicas implica reconhecer que as tecnologias não são neutras e incorporam valores daqueles que as criam ou programam; que seus efeitos são ecológicos, impactando e redefinindo relações sociais e econômicas; e que, agindo sobre sociedades desiguais, podem amplificar exponencialmente as injustiças sociais e a exclusão.
     Nesse novo ambiente, a educação midiática deve ir além de construir as habilidades de acessar, avaliar e criar mensagens, examinando autoria, propósito e contexto; deve abranger também uma compreensão mais profunda da dinâmica complexa, e muitas vezes oculta, entre os indivíduos, as mídias e os sistemas tecnológicos que moldam nosso mundo. Sem a capacidade de identificar e agir sobre esses sistemas, nos tornamos vulneráveis aos efeitos desestabilizadores da desinformação e da polarização, que ameaçam as instituições e a própria paz social, e ao potencial excludente das IAs. É preciso abrir a caixa preta.


Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/>. Acesso em: 09 nov. 2023. (texto adaptado)
Em suma, educar para as novas dinâmicas sociotécnicas implica reconhecer que as tecnologias não são neutras e incorporam valores daqueles que as criam ou programam; que seus efeitos são ecológicos, impactando e redefinindo relações sociais e econômicas; e que, agindo sobre sociedades desiguais, podem amplificar exponencialmente as injustiças sociais e a exclusão.

A expressão “as tecnologias” é retomada por
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Q2352855 Português
Texto 1


O médico e o monstro


    Avental branco, pincenê vermelho, bigodes azuis, ei-lo, grave, aplicando sobre o peito descoberto duma criancinha um estetoscópio, e depois a injeção que a enfermeira lhe passa. O avental na verdade é uma camisa de homem adulto a bater-lhe pelos joelhos; os bigodes foram pintados por sua irmã, a enfermeira; a criancinha é uma boneca de olhos cerúleos, mas já meio careca, que atende pelo nome de Rosinha; os instrumentos para exame e cirurgia saem duma caixinha de brinquedos. Ela, seis anos e meio; o doutor tem cinco. 

    O médico segura o microscópio, focaliza-o dentro da boca de Rosinha, pede uma colher, manda a paciente dizer aaá. Rosinha diz aaá pelos lábios da enfermeira. O médico apanha o pincenê, que escorreu de seu nariz, rabisca uma receita. Novos clientes desfilam pela clínica: uma baiana de acarajé, um urso muito resfriado, porque só gostava de neve, um cachorro atropelado por lotação, outras bonecas de vários tamanhos, um Papai Noel, uma bola de borracha e até mesmo o pai e a mãe do médico e da enfermeira.

    De repente, o médico diz que está com sede e corre para a cozinha, apertando o pincenê contra o rosto. A mãe se aproveita disso para dar um beijo violento no seu amor de filho e também para preparar-lhe um copázio de vitaminas: tomate, cenoura, maçã, banana, limão, laranja e aveia. O famoso pediatra, com um esgar colérico, recusa a formidável droga. A terrível mistura é sorvida com dificuldade e repugnância, seus olhos se alteram nas órbitas, um engasgo devolve o restinho. A operação durou um quarto de hora. A mãe recolhe o copo vazio com a alegria da vitória e aplica no menino uma palmadinha carinhosa, revidada com a ameaça dum chute. Já estamos a essa altura, como não podia deixar de ser, presenciando a metamorfose do médico em monstro.

    Ao passar zunindo pela sala, o pincenê e o avental são atirados sobre o tapete com um gesto desabrido. Do antigo médico resta um lindo bigode azul. De máscara preta e espada, Mr. Hyde penetra no quarto, onde a doce enfermeira continua a brincar, e desfaz com uma espadeirada todo o consultório: microscópio, estetoscópio, remédios, seringa, termômetro, tesoura, gaze, esparadrapo, bonecas, tudo se derrama pelo chão. A enfermeira dá um grito de horror e começa a chorar nervosamente. 

    Ainda sob o efeito das vitaminas, preso na solidão escura do mal, desatento a qualquer autoridade materna ou paterna, com o diabo no corpo, o monstro vai espalhando terror a seu redor: é a televisão ligada ao máximo, é o divã massacrado sob os seus pés, é uma corneta indo tinir no ouvido da cozinheira, um vaso quebrado, uma cortina que se despenca, um grito, um uivo, um rugido animal, é o doce derramado, a torneira inundando o banheiro, a revista nova dilacerada, é, enfim, o flagelo à solta no sexto andar dum apartamento carioca.

    Subitamente, o monstro se acalma. Suado e ofegante, senta-se sobre os joelhos do pai, pedindo com doçura que conte uma história ou lhe compre um carneirinho de verdade. E a paz e a ternura de novo abrem suas asas num lar ameaçado pelas forças do mal.

Disponível em: https://contobrasileiro.com.br/o-medico-eo-monstro-cronica-de-paulo-mendes-campos/. Acesso em 02 de nov. 2023 (adaptado) 
Com base no texto “O médico e o monstro”, analise as afirmativas a seguir:

I. Em: “Avental branco, pincenê vermelho, bigodes azuis, ei-lo, grave, aplicando sobre o peito descoberto duma criancinha um estetoscópio, e depois a injeção que a enfermeira lhe passa.”, os termos destacados são pronomes pessoais oblíquos átonos. 
II. Em: “os bigodes foram pintados por sua irmã, a enfermeira; a criancinha é uma boneca de olhos cerúleos, mas já meio careca”, o termo destacado poderia ser substituído por meia uma vez que meio está acompanhando um adjetivo feminino, podendo ser flexionado para o gênero feminino. 

Marque a alternativa correta: 
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Q2349023 Português
Na varanda 


   Já faz parte do anedotário lírico brasileiro aquele episódio (autêntico) de Murilo Mendes caminhando por uma rua, nem sei mais se de Minas ou do Rio. De repente vê uma moça debruçada na janela. Há tanto que não presenciava cena semelhante, comum no interior e em tempos idos, mas praticamente extinta na vida urbana, que, invocado e cheio de entusiasmo, ajoelhou-se e começou a exclamar aos berros, gesticulando com excitação:

   – Mulher na janela, que beleza! Mulher na janela, meus parabéns!

  A moça deve ter fugido assustada, provavelmente sem entender o que aquele homem alto e ossudo saudava com tamanha efusão. Como explicar-lhe que, com certeiro instinto, Murilo identificara e estava fixando para sempre, da maneira espontânea e exuberante que lhe era própria, um flagrante poético perfeito, o milagre que ela própria, sem perceber, corporizava? Moça que, em plena cidade e infensa à agitação a seu redor, dispunha ainda de lazer e prazer para pôr-se à janela e contemplar a rua, os transeuntes, a tarde, as nuvens. Mulher na janela...

  Pois a mim também, há pouco, me foi concedido o privilégio de captar um momento desses, tão impregnados de passado que dir-se-iam irreais nos dias de hoje – coisa de outra civilização. Eram quase duas horas de uma quarta-feira e buscávamos, meu amigo e eu, um lugar tranquilo para almoçar. Apesar do mau tempo, ou por causa dele, todos os restaurantes do Leblon, com mesinhas na calçada, estavam repletos. Numa esquina de Ipanema encontramos um, semivazio, onde se costuma comer uma boa massa, e para lá nos dirigimos às carreiras, impulsionados pela fome e pela chuva. De repente, estacamos diante de um sobradinho, desses que vão se tornando raridade no Rio. Não fizemos o menor comentário, mas ali permanecemos alguns minutos, imóveis, perplexos, enquanto a água ia caindo. A casa estava rodeada por um mínimo jardim e tinha à frente um alpendre também pequenino, protegido da chuva. Nele, um casal de velhinhos conversava. 

  – Velhinhos na varanda! – gritei dentro de mim mesma, deslumbrada. – Que coisa mais linda, velhinhos na varanda! Os dois nem repararam em nossa presença curiosa, ou, se o fizeram, acharam-na corriqueira. Talvez estivessem acostumados a despertar a atenção dos que passavam, pois, ao vê-los, tive imediatamente a certeza de que sentar-se na varanda à hora da sesta era um ritual que ambos executavam regularmente. As cadeiras eram de vime, colocadas uma ao lado da outra; não havia mesa entre elas, só vasos com plantas e flores pelos cantos. Junto à porta aberta, um capacho. Os dois se olhavam, falavam sem pressa, quase sem gestos, e sorriam de leve. Tudo muito devagar, como se nada urgisse, e aquele colóquio, diante da chuva, tivesse a importância natural das coisas mais simples.

  Velhinhos na varanda.... Nem eram assim tão velhos – meu amigo e eu comentamos depois. O diminutivo surgia instintivamente, como demonstração de ternura, e me lembrei do que outro poeta, o Bandeira, explicava a respeito do Aleijadinho, cujo apelido refletia apenas a solidariedade e o carinho que a doença daquele mulato robusto e de boa altura despertava no povo da Vila Rica. Velhos na varanda – não, isso não expressa o que vimos. Eram um velhinho e uma velhinha, numa varanda de Ipanema (ou seria em Mariana?), conversando tranquilamente depois do almoço. Como não confiar na vida, depois desse flash apenas entrevisto, mas tão bonito, tão comovedor, que imediatamente se cristalizou em nós? Em janeiro de 1980, quando a cidade se desequilibra entre a inflação e a violência, quando o mundo assiste, aflito e impotente, aos desvarios que ameaçam dilacerá-lo, quando...

  Um casal de velhinhos se senta na varanda, num começo de tarde chuvosa, e conversa. Sobre quê? Sobre tudo, sobre nada – não interessa. Estão sentados e conversam. Ela nem sequer faz algum trabalho manual, uma blusinha de crochê para a neta, um paninho para colocar debaixo da fruteira da sala; ele não tem nenhum jornal ou livro no colo. Estão ali exclusivamente para conversar um com o outro. Olham a rua distraidamente. O fundamental são eles mesmos, conversando (pouco), sentados nas cadeiras de vime, num dia de semana como qualquer outro.

   É, nem tudo está perdido, pelo contrário, se ainda resta gente que pode e quer cultivar essas delicadas flores do espírito, comentando isso e aquilo, o namoro da empregada, a nova receita de bolo, o último capítulo da novela, o preço da alcatra – esquecida de tudo que é triste e feio e ruim, de tudo que não cabe naquele alpendre úmido. Velhinhos na varanda...

   Enquanto almoçamos, fico imaginando que não há de faltar muito para cumprirem as bodas de ouro; que os filhos se casaram; que devem reunir-se todos no sobrado, para o ajantarado de domingo, gente madura, jovens, meninos, bebês e babás, em torno dos dois velhinhos. Talvez tenham perdido uma filha ainda adolescente, vítima de alguma doença estranha que os médicos não souberam diagnosticar. Talvez tenham feito uma longa viagem à Europa depois que ele se aposentou, ou passado uma temporada nos Estados Unidos quando o caçula esteve completando o PhD. Talvez nada disso. Fico imaginando, mas nenhuma dessas histórias me seduz. Gostei mesmo é do que vi: o casal de velhinhos conversando na varanda.

  Comemos quase em silêncio, meu amigo e eu, sem reparar se a massa estava gostosa. À saída passamos diante do sobradinho, em cujo alpendre não havia mais ninguém.


(Coleção Melhores Crônicas: Maria Julieta Drummond de Andrade. Seleção e prefácio de Marcos Pasche. Global, 2012, pp.187-190. Publicada no livroUm buquê de alcachofras, 1980.)
Os pronomes constituem uma classe de palavras cuja função majoritária é substituir e/ou retomar significados léxicos anteriormente abordados em um texto, ou mesmo fazer referência a eles. Um equívoco comum é considerar que esses significados léxicos aos quais os pronomes se referem sejam apenas substantivos. Um exemplo que comprova o contrário se dá no trecho “Os dois nem repararam em nossa presença curiosa, ou, se fizeram, acharam-na corriqueira.” (6º§), uma vez que, nesse caso, o pronome oblíquo sublinhado substitui:
Alternativas
Q2346638 Português
Assinale a opção que apresenta a frase em que o emprego do pronome sublinhado está inadequado
Alternativas
Q4135087 Português

Leia o texto para responder à questão.


Projeto musical faz shows secretos em SP



    “É muito raro isso aqui”, diz a cantora Marina Melo em frente a um público de cerca de cem pessoas em São Paulo. “Um monte de gente sentada no chão, sem saber exatamente o que vai escutar, disposta a ficar em silêncio e a ouvir”.

    O espaço do palco é delimitado apenas por um tapete e um pedestal de microfone com luzinhas enroladas. A localização é um estúdio na zona oeste da capital, mas poderia ser qualquer outro canto — isso ajuda a resumir o Tranquilo, projeto musical mineiro que desembarcou em São Paulo e acontece nas noites de segunda-feira, mas nunca no mesmo lugar.

    Funciona assim: aos domingos, o perfil no Instagram do Tranquilo publica uma enquete. Quem responde recebe por mensagem a localização e os detalhes dos shows marcados para o dia seguinte. A escalação de artistas – sempre representantes da música independente e autoral – só é liberada na segunda-feira e o lineup1 não se repete.

    O projeto começou no quintal da casa do músico Thales Silva, que se sentia sem horizontes após lançar um álbum e não conseguir fazer o trabalho circular. “O artista independente não consegue furar algumas bolhas porque existem panelas que não se abrem. É como se você tivesse que expandir seu público sem ter oportunidades”, ele afirma. “Então eu criei o evento pensando nesses artistas que têm qualidade, mas que, se não acharem um palco, vão ficar eternamente parados.”

    Durante as apresentações, em formato de pocket show2 e que elegem a diversidade como prioridade, o público recebe a letra de algumas composições. A localização escondida também gera curiosidade. Neste ano, o público chegou a 1200 pessoas em Belo Horizonte.

    Além de estimular a cena musical independente, o projeto se tornou uma espécie de celeiro de novos artistas com o momento “Olho no Olho”, que encerra as noites de shows com pessoas da plateia mostrando canções próprias.



(Laura Lewer. https://guia.folha.uol.com.br/shows/2023/03/ conheca-o-tranquilo-projeto-musical-que-faz-shows-quase-secretosem-sp.shtml. Publicado em 17.03.2023. Adaptado.)



1 lineup: lista, sequência.

2 pocket show: apresentação de curta duração.

Considere as frases elaboradas com base no texto.



•  Muitos artistas têm um trabalho de alto nível, mas precisam de uma plateia para _____________.       .


•  Distribuem-se letras das canções aos presentes para que estes _____________ e interajam com os cantores durante os shows.


•  Quanto à escalação dos artistas, o Tranquilo somente _______________ às segundas-feiras.



De acordo com a norma-padrão de emprego dos pronomes, as lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, por:

Alternativas
Q4112526 Português
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas das frases a seguir, observando o correto emprego de pronomes.
- Favor, dê-me ______ copo que está na sua mão. - Pegue ______ cadeira aqui e leve-a para outro lugar. - Para ______, trabalhar na prefeitura é muito bom. - Esse não é um serviço para ______ fazer. - Não crie mais problemas para ______ ter que resolver.
Alternativas
Q4112416 Português
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas das frases a seguir, observando o correto emprego de pronomes.
- Favor, dê-me ______ copo que está na sua mão. - Pegue ______ cadeira aqui e leve-a para outro lugar. - Para ______, trabalhar na prefeitura é muito bom. - Esse não é um serviço para ______ fazer. - Não crie mais problemas para ______ ter que resolver.
Alternativas
Q4112131 Português
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas, observando a grafia das palavras e o emprego correto de crase, pronomes e acentuação, no seguinte texto humorístico, denominado “a mensagem inesperada”.
Um casal decidiu passar férias numa praia do Caribe, no mesmo hotel onde passaram a lua de mel ____ 20 anos. Por problemas de trabalho, a mulher não ______ viajar com seu marido, mas iria na semana seguinte.
Quando o marido chegou, foi para seu quarto do hotel e viu que havia um computador com ____ internet. Imediatamente, decidiu enviar um e-mail ____ esposa, mas errou uma letra no endereço e não percebeu que a mensagem foi enviada ____ outra pessoa.
O e-mail foi recebido por uma viúva que acabara de chegar do enterro do seu marido. Ao entrar na casa, o filho da pobre viúva _________ desmaiada perto do computador, em cuja na tela se podia ler:
"Querida esposa, cheguei bem. Imagino que você esteja surpresa ao receber notícias minhas por e-mail, mas agora aqui tem computador e eu posso usar o quanto quiser. Acabei de chegar e vi que está tudo preparado para sua chegada na semana que vem. Um beijo do seu marido”. 
Alternativas
Q4112076 Português
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas das frases a seguir, observando o correto emprego de pronomes.
- Favor, dê-me ______ copo que está na sua mão. - Pegue ______ cadeira aqui e leve-a para outro lugar. - Para ______, trabalhar na prefeitura é muito bom. - Esse não é um serviço para ______ fazer. - Não crie mais problemas para ______ ter que resolver. 
Alternativas
Q4110996 Português

Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas das frases a seguir, observando o correto emprego de pronomes.


- Favor, dê-me ______ copo que está na sua mão.


- Pegue ______  cadeira aqui e leve-a para outro lugar.


- Para ______ , trabalhar na prefeitura é muito bom.


- Esse não é um serviço para ______ fazer.


- Não crie mais problemas para ______  ter que resolver.

Alternativas
Q4110994 Português
Assinale a alternativa que apresenta o plural CORRETO da frase, deixando a palavra prefeitura no singular: "O capitão trouxe o troféu e irá expô-lo na prefeitura"
Alternativas
Q4110810 Português

Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas das frases a seguir, observando o correto emprego de pronomes.


- Favor, dê-me ______ copo que está na sua mão.


- Pegue ______  cadeira aqui e leve-a para outro lugar.


- Para ______ , trabalhar na prefeitura é muito bom.


- Esse não é um serviço para ______ fazer.


- Não crie mais problemas para ______  ter que resolver.

Alternativas
Q4106966 Português

Esse estilo de vida mais sedentário afeta nossas habilidades de equilíbrio - e isso tem um custo.



Na frase em questão, encontram-se pronomes, respectivamente:

Alternativas
Q4106796 Português

Esse estilo de vida mais sedentário afeta nossas habilidades de equilíbrio - e isso tem um custo.



Na frase em questão, encontram-se pronomes, respectivamente:

Alternativas
Q4050918 Português

Papos


— Me disseram...

— Disseram-me.

— Hein?

— O correto é “disseram-me”. Não “me disseram”.

— Eu falo como quero. E te digo mais... Ou é “digo-te”?

— O quê?

— Digo-te que você...

— O “te” e o “você” não combinam.

— Lhe digo?

— Também não. O que você ia me dizer?

— Que você está sendo grosseiro, pedante e chato. E que eu vou te partir a cara. Lhe partir a cara. Partir a sua cara. Como é que se diz?

— Partir-te a cara.

— Pois é. Parti-la hei de, se você não parar de me corrigir. Ou corrigir-me.

— É para o seu bem.

— Dispenso as suas correções. Vê se esquece-me. Falo como bem entender. Mais uma correção e eu...

— O quê?

— O mato.

— Que mato?

— Mato-o. Mato-lhe. Mato você. Matar-lhe-ei-te. Ouviu bem?

— Eu só estava querendo…

— Pois esqueça-o e pára-te. Pronome no lugar certo é elitismo!

— Se você prefere falar errado...

— Falo como todo mundo fala. O importante é me entenderem. Ou entenderem-me?

— No caso... não sei.

— Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?

— Esquece.

— Não. Como “esquece”? Você prefere falar errado? E o certo é “esquece” ou “esqueça”? Ilumine-me. Me diga. Ensines-lo-me, vamos.

— Depende.

— Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinar-me-lo-ias se o soubesses, mas não sabes-o.

— Está bem, está bem. Desculpe. Fale como quiser.

— Agradeço-lhe a permissão para falar errado que me dás. Mas não posso mais dizer-lo-te o que dizer-te-ia.

— Por quê?

— Porque, com todo este papo, esqueci-lo.



Luis Fernando Verissimo. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

Assinale a alternativa que apresenta a sentença com ortografia incorreta. 
Alternativas
Respostas
321: B
322: C
323: D
324: E
325: B
326: C
327: B
328: D
329: E
330: B
331: D
332: D
333: A
334: D
335: D
336: C
337: D
338: B
339: C
340: B