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Questões de Concurso Comentadas sobre pronomes indefinidos em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 313 questões

Q4219714 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


‘Acham que alguém da minha idade deve estar recolhido em casa. Não vou ser assim nunca’, diz Ney Matogrosso

Mônica Bergamo / Victória Cócolo

Em 2025 houve a estreia do filme sobre sua biografia, “Homem com H”, turnês e o projeto musical Tiny Desk. Aos 84 anos, de onde vem a energia para abraçar tantos projetos?

Eu também não sei. Na verdade, estou bem cansado. Estou louco para chegar o fim do ano para descansar. Vão ser miniférias — isso até o ano novo, em que eu vou cantar com o Gil no Rio de Janeiro. Depois, tem show marcado de janeiro até julho.

O corpo é um elemento muito presente no seu trabalho. O que você faz para se cuidar?

Faço ginástica diariamente quando estou no Rio de Janeiro, na minha casa. Não faço no hotel porque tem que vestir o modelito. Gosto de fazer exercício do jeito que estiver, só de shorts.

Com qual dos projetos você se divertiu mais neste ano?

Eu gostei de tudo, mas demanda energia. Todos os projetos me interessavam muito, então eu me envolvi mesmo. Por exemplo: com o filme ‘Homem com H’, eu li 12 roteiros, acompanhei três dias de gravação, com filmagens de 12 horas. Eu tenho prazer trabalhando.

Sobre o filme, como foi se ver projetado numa tela de cinema? É estranho? 

Muito estranho. Mas o Jesuíta Barbosa [protagonista de “Homem com H”] é muito bom, um ator maravilhoso. Tinha horas em que, vendo o filme, eu pensava: será que eles pegaram um pedaço de mim de verdade e colocaram no filme?

Você declarou que o filme foi um marco e que antes podia sair na rua, mas agora é abordado o tempo todo. Como tem sido essa experiência?

Eu sempre andei na rua, aqui no Leblon, estão todos acostumados. Mas, subitamente, agora vem falar comigo gente que nunca teria se aproximado. Ontem [quarta, dia 10] eu saí e, quando estava voltando, veio um casal de adolescentes. Um devia ter uns 15 anos, a namorada uns 14. Vieram me pedir uma foto e, enquanto isso, estava passando um casal de senhores que disse: “Vocês têm muito bom gosto”. Eu achei tudo muito engraçado. Eu lá, parado no meio da rua fazendo foto, e o casal passando e falando dos meninos. Foi ótimo. 

E qual é a sua relação com a finitude e a morte? Você pensa sobre a morte?

Normal. Eu aceito. Estou convivendo com isso: minha mãe está com 103 anos, não se levanta mais da cama, e eu estou vendo que é isso que vai acontecer com ela — e tenho que aceitar a minha morte também. Eu não sou paranoico, não sou grilado com a realidade da vida.

Você canta algumas músicas da Rita Lee no seu show. Isso te faz se sentir mais perto dela, especialmente agora que ela se foi?

Acho que sim. Para mim, é um prazer enorme cantar a Rita. Nós éramos o mesmo lado da moeda. Nosso jeito de ver o mundo era muito parecido.

Tem alguma música do seu repertório que mudou de sentido ao longo dos anos?

“Sangue Latino”. Quando lancei, era uma música normal. Com o passar do tempo, ela significa cada vez mais para mim. Parece que eu já estava falando de mim mesmo. Naquela época, eu não tinha meus mortos, meus caminhos tortos, agora eu tenho.


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/autores/victoriacocolo.shtml. Acesso em: 25 maio 2026. 
Assinale a alternativa que analisa corretamente a palavra destacada no excerto. 
Alternativas
Q4177288 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.



Sentir-se ocupado atende a uma demanda de culpa comum


    O fato ocorreu. Uma aluna de um curso livre reclamou que tivera uma massagem pela manhã, minha palestra sobre arte depois do almoço e, ainda, enfrentaria um jantar com amigas à noite. Fazia ar de cansada. Um dia com três compromissos! Eu soltei uma ironia: “Não sei como a senhora aguenta”. Ela sorriu e leu como solidariedade minha frase. Mais tarde, pensei que minha resposta era filha de uma inveja ressentida. Eu ministrava 64 aulas por semana, inclusive aos sábados à tarde. Tinha de prepará-las e deslocar-me pela cidade. Se me oferecessem uma jornada com massagem matinal, lindas imagens numa sala climatizada à tarde e comida de forma abundante à noite, eu teria um dia livre e feliz. A senhora, em questão, sentia genuíno esgotamento. 


    Cansaço é relativo. Diz respeito às potências do sujeito e dos seus hábitos. Quem dá 64 aulas por semana olha para alguém que leciona 30 como um quase vagabundo. Existem especificidades também: há pessoas que vão ao supermercado e entram em coma, logo em seguida. O curioso não parece estar na variedade infinita do gênero humano, todavia no fato de que quase todo mundo se considera muito ocupado. 


    Meu pai trabalhou bastante. Houve um momento em que ele cursava Direito em Porto Alegre, lecionava latim, português em escolas maristas e era vereador em São Leopoldo (RS). Estudava nos ônibus. Emagrecia devido ao esforço. Depois, já com o título jurídico, atendia até a noite. Dizia a todos: “Minha agenda é por minuto”. Era verdade pelas audiências, viagens, consultas e compromissos. Passaram-se os anos, ele se concentrou apenas no escritório, abandonou o magistério e a política. Casal tradicional, ele nada fazia no nosso lar. Minha mãe providenciava tudo. Nos últimos dez anos da sua existência, deixou de advogar e entrou no merecido descanso. Curiosidade: a expressão “minha agenda é por minuto” permaneceu. Aos 75 anos, seus compromissos eram ler jornais, alimentar-se, ir à missa e jogar xadrez. O dia se esgarçava, lânguido. Sua consciência de homem atarefado sobreviveu. Morreu tranquilo, sem grandes atividades. Entrou na eternidade, com os minutos contados e agenda imaginária repleta. A família adotou com ironia o lema paterno: repetimos “minha agenda é por minuto” para lembrar nosso amado pai e a relatividade da fala. 


    Sentir-se ocupado atende a uma demanda de culpa comum. Temos a dificuldade que a aristocracia superou há séculos: existir sem compromissos. Melhor – a nobreza entende como agenda o que a classe trabalhadora imagina ser lazer. 


    Volto à minha simpática aluna, paulista quatrocentona. Cada atividade implica preparar-se, vestir-se, ocupar a mente e enfrentar um novo ambiente. Eu entendo como compromisso de fato o que gera dinheiro. Não nasci duque. Um jantar está em escaninho diferente no cérebro. Para ela e para a Condessa Viúva da série Downton Abbey (feita pela genial Maggie Smith), emerge a dúvida: o que é um fim de semana? Todos os dias são tomados de jantares, eventos, aulas. Interessante: se alguém desejar marcar algo para a próxima semana, ela responderá como o mais ocupado dos pediatras de um posto do SUS: “Não posso!” Agenda é uma concepção psíquica e cultural.


    Exagero? Você já se encontrou com alguém que assume o ócio, afirma que nada faz e diz que possui o tempo todo livre? Deve ser alguém raro... Tente marcar um teatro para hoje à noite. Todos dirão que é muito em cima da hora, mesmo não tendo quaisquer compromissos no horizonte. Quase todos nos consideramos extremamente ocupados. E ainda ficamos ao celular nos elevadores para deixar claro ao mundo que a vida nos absorve por completo.


    Sim, eu sei, querida leitora e estimado leitor, vocês têm muitos afazeres. Quem trabalha fora enfrenta o caos do mundo. Quem fica em casa descobre uma rotina de Penélope, a rainha da Ítaca que tinha de tecer todo dia e desfazer à noite o realizado. Uma casa é um buraco negro de tempo. Apesar disso, já pararam para pensar que sempre alegamos mais ocupações do que, de fato, temos? Identifico um discurso que nem sempre se casa com o real. É considerado chique no mundo da glamourização do cansaço (denunciada por Byung-Chul Han) andar rápido e consultar o celular como se nele houvesse os códigos das armas nucleares. Sim, somos atarefados. A pergunta: por que aumentamos ainda mais nossa ocupação? Do que nos defendemos quando encarnamos a figura do ser sem tempo para coisa alguma?


    Convidei no fim da tarde um casal querido para um happy hour. Meu amigo respondeu: “Com prazer, desde que você não nos considere fáceis”. Aparentemente, ter tempo para a felicidade pode ser visto com desconfiança, pois a pessoa poderá ser classificada como “fácil”. Acredite: existe gente que, podendo, aceita um convite no dia e permite-se a alegria sem medo do julgamento. Tenho esperança em gente fácil. Os difíceis podem ter problemas cardíacos bem mais cedo... Boa semana para ocupados e para felizes. 


Autor: Leandro Karnal - Estadão (adaptado). 

No período “Quem trabalha fora enfrenta o caos do mundo. Quem fica em casa descobre uma rotina de Penélope”, o termo quem desempenha papel relevante na organização sintática e na generalização do argumento. Sobre esse emprego, analise as assertivas: 
I. Em ambas as ocorrências, quem funciona como pronome relativo indefinido, introduzindo orações de valor substantivo que assumem função de sujeito das formas verbais “enfrenta” e “descobre”. 
II. Em ambas as ocorrências, quem funciona como conjunção integrante, pois introduz orações que completam o sentido dos verbos “enfrenta” e “descobre”.
Das assertivas, pode-se afirmar que:
Alternativas
Q4147033 Português

Macacos de Gibraltar encontram maneira de "evitar dores de barriga"


No Rochedo de Gibraltar, um local repleto de turistas, uma das cenas mais comuns são macacos pedindo comida - e às vezes roubando guloseimas doces e salgadas de visitantes desavisados. Cientistas agora documentaram um comportamento incomum entre esses macacos que pode ajudá-los a evitar dores de barriga causadas por toda essa comida não saudável.


Os pesquisadores afirmaram que observaram os macacos comendo terra com mais frequência, um comportamento que, segundo eles, pode ajudar os animais a evitar problemas estomacais causados pelo consumo de lanches humanos. Eles descobriram que o consumo de terra era mais comum em grupos de macacos que consumiam mais alimentos oferecidos por turistas, incluindo chocolate, batatas fritas e sorvete, itens ricos em açúcar, gordura e laticínios, e pobres em fibras.


"Propomos a ideia de que a comida humana, por não ser adaptada à sua dieta natural, desencadeia problemas estomacais e, potencialmente, perturbações no microbioma, cujos efeitos negativos são atenuados pelos componentes do solo", disse Sylvain Lemoine, antropólogo biológico da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e principal autor do estudo publicado na quarta-feira na revista Scientific Reports.


Se comparado a algo presente nos seres humanos, o ato de comer solo "provavelmente age como um antiácido", disse Lemoine, acrescentando que mais pesquisas são necessárias para entender seus efeitos sobre as bactérias intestinais.


Os pesquisadores monitoraram macacos-de-gibraltar que vivem em Gibraltar, um território britânico no extremo sul da Espanha, entre agosto de 2022 e abril de 2024. Os macacos − cerca de 230 animais distribuídos em oito grupos − constituem a única população de macacos em vida livre na Europa.


Os macacos vivem em contato próximo com as hordas de turistas que visitam o local. Os turistas frequentemente alimentam os macacos — ou têm seus lanches roubados — apesar de os animais também receberem frutas, verduras e sementes em plataformas de alimentação designadas e administradas pelas autoridades locais.


Acredita-se que os macacos-de-gibraltar, originários do Norte da África, chegaram a Gibraltar durante o domínio mouro medieval. Mais tarde, tornaram-se um símbolo do controle britânico, após a lenda contar que ajudaram a alertar as tropas sobre um ataque surpresa no século XVIII.


Sua população diminuiu durante a Segunda Guerra Mundial, o que levou o líder britânico Winston Churchill a ordenar o envio de reforços símios do Marrocos e da Argélia − animais dos quais se acredita que a maioria dos macacos atuais descendem.


O consumo deliberado de solo, giz ou argila é chamado de geofagia. É observado em muitas espécies animais, incluindo primatas como chimpanzés, lêmures e outros macacos.


https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/macacos-de-gibraltar-encontrammaneira-de-evitar-dores-de-barriga/-adaptado


"Uma ferramenta que alguns animais usam para descobrir se vale a pena correr o risco é a aprendizagem social, que eles realizam observando ou interagindo com outros animais ou com seus pertences." 

Com base nas classes de palavras dos vocábulos utilizados no trecho, marque com V as afirmativas verdadeiras ou com F as falsas.


(__)O vocábulo 'alguns' é pronome indefinido que exerce função de adjunto adnominal, determinando o substantivo 'animais' de forma imprecisa, ao indicar quantidade não especificada dentro de um conjunto maior.

(__)O vocábulo 'risco' funciona como substantivo, empregado em seu sentido denotativo e mais usual. Trata-se de uma palavra polissêmica, que pode assumir diferentes valores conforme o contexto, como indicar 'corte sem profundidade'.

(__)O vocábulo 'ou' atua como conjunção coordenativa alternativa em ambas as ocorrências, indicando em cada caso exclusão entre as opções apresentadas, de modo que apenas uma delas pode ocorrer simultaneamente.

(__)Os vocábulos 'observando' e "interagindo" são formas nominais do verbo no gerúndio, indicando o modo pelo qual os animais realizam a aprendizagem social. 


Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo. 

Alternativas
Ano: 2026 Banca: CIAAR Órgão: CIAAR Prova: CIAAR - 2026 - CIAAR - Farmácia Bioquímica |
Q4141783 Português

Leia a oração abaixo.



Os que aqui se deparam desejam ser selecionados.



O termo destacado é um:

Alternativas
Q4129569 Português

São Paulo é a cidade mais feliz da América Latina; confira ranking


    São Paulo é a cidade mais feliz da América Latina, segundo o ranking Happy City Index 2026. A capital paulista ficou na 161ª posição entre 251 cidades do mundo. Do Brasil, apenas outras duas localidades apareceram: Curitiba (197ª) e Belo Horizonte (219ª).


    Esta foi a sexta edição do Índice de Cidades Felizes, divulgado em março no Parlamento do Reino Unido, em Londres. O estudo é baseado em 64 indicadores, distribuídos em seis grupos temáticos: cidadãos, governança, meio ambiente, economia, saúde e mobilidade. Os indicadores medem as condições de qualidade de vida e de bem-estar urbano.


    No ranking, São Paulo ficou na frente de cidades como Dubai, Hong Kong, Boston, Marselha, Nápoles e Nova York, para citar algumas. Outros países da América Latina com presença relevante no ranking foram a Argentina, com três cidades, e o México, com duas. 


Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/viagemegastronomia/viagem/sao-paulo-e-a-cidade-mais-feliz da-america-latina-confira-ranking/ 

Assinale a alternativa cuja letra s no final represente o plural da palavra: 
Alternativas
Q4129561 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Saudade (Rachel de Queiróz)

Conversávamos sobre saudade. E de repente me apercebi de que não tenho saudade de nada. Isso independente de qualquer recordação de felicidade ou de tristeza, de tempo mais feliz, menos feliz. Saudades de nada. Nem da infância querida, nem sequer das borboletas azuis, Casimiro. Nem mesmo de quem morreu. De quem morreu sinto é a falta, o prejuízo da perda, a ausência. A vontade da presença, mas não no passado, e sim a presença atual. Saudade será isso? Queria tê-los aqui, agora. Voltar atrás? Acho que não, nem com eles.

A vida é uma coisa que tem que passar, uma obrigação de que é preciso dar conta. Uma dívida que se vai pagando todos os meses, todos os dias. Parece loucura lamentar o tempo em que se devia muito mais.

Queria ter palavras boas, eficientes, para explicar como é isso de não ter saudades; fazer sentir que estou exprimindo um sentimento real, a humilde, a nua verdade. Você insinua a suspeita de que talvez seja isso uma atitude. Meu Deus, acha-me capaz de atitudes, pensa que eu me rebaixaria a isso? Pois então eu lhe digo que essa capacidade de morrer de saudades, creio que ela só afeta a quem não cresceu direito; feito uma cobra que se sentisse melhor na pele antiga, não se acomodasse nunca à pele nova. Mas nós, como é que vamos ter saudades de um trapo velho que não nos cabe mais?

Fala que saudade é sensação de perda. Pois é. E eu lhe digo que, pessoalmente, não sinto que perdi nada. Gastei, gastei tempo, emoções, corpo e alma. E gastar não é perder, é usar até consumir.

E não pense que estou a lhe sugerir tragédias. Tirando a média, não tive quinhão por demais pior que o dos outros. Houve muito pedaço duro, mas a vida é assim mesmo, a uns traz os seus golpes mais cedo e a outros mais tarde; no fim, iguala a todos.

Infância sem lágrimas, amada, protegida. Mocidade, mas a mocidade já é de si uma etapa infeliz. Coração inquieto que não sabe o que quer, ou quer demais. Qual será, nesta vida, o jovem satisfeito? Um jovem pode nos fazer confidências de exaltação, de embriaguez; de felicidade, nunca. Mocidade é a quadra dramática por excelência, o período dos conflitos, dos ajustamentos penosos, dos desajustamentos trágicos. A idade dos suicídios, dos desenganos e por isso mesmo dos grandes heroísmos. É o tempo em que a gente quer ser dono do mundo, e ao mesmo tempo sente que sobra nesse mesmo mundo. A idade em que se descobre a solidão irremediável de todos os viventes. Em que se pesam os valores do mundo por uma balança emocional, com medidas baralhadas; um quilo às vezes vale menos do que uma grama; e por essas medidas pode-se descobrir a diferença metafísica que há entre uma arroba de chumbo e uma arroba de plumas.

Nem sei mesmo como, entre as inúmeras mentiras do mundo, se consegue manter essa mentira maior de todas: a suposta felicidade dos moços. Por mim, sempre tive pena deles, da sua angústia e do seu desamparo. Enquanto esta idade madura a que chegamos você e eu, é o tempo da estabilidade e das batalhas ganhas. Já pouco se exige, já pouco se espera. E mesmo quando se exige muito, só se espera o possível. Se as surpresas são poucas, poucos também os desenganos. A gente vai se aferrando a hábitos, a pessoas e objetos. Aí, um dos piores tormentos dos jovens é justamente o desapego das coisas, essa instabilidade do querer, a sede do que é novo, o tédio do possuído.

E depois há o capítulo da morte, sempre presente em todas as idades. Com a diferença de que a morte é a amante dos moços e a companheira dos velhos. Para os jovens ela é abismo e paixão. Para nós, foi se tornando pouco a pouco uma velha amiga, a se anunciar devagarinho: o cabelo branco, a preguiça, a ruga no rosto, a vista fraca, os achaques. Velha amiga que vem de viagem e de cada porto nos manda um postal, para indicar que já embarcou.

Não, meu bem, não tenho saudades. Nem sequer do primeiro dia em que nos vimos, daqueles primeiros e atormentados dias de insegurança e deslumbramento. Considero uma benção e um privilégio esse passado que ficou para atrás de nós, vencido. Afinal, já andamos bastante caminho, temos direito ao sossego, a esta desambição, esta paz. Vivemos, não foi? Fizemos muito. E nem por isso deixamos de ainda ter muito o que fazer. A velhice que vai chegar com as suas doenças e trabalhos. E ainda virá a grande crise da morte em que um de nós, necessariamente, terá que ajudar o outro. Espero que aquele que ficar só, embora triste, se sinta tranquilo, na segurança de que a sua vez não tarda. Que aí, só lhe resta a pagar a última prestação.

https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/9127/saudade
"Velha amiga que vem de viagem e de cada porto nos manda um postal, para indicar que já embarcou." Considerando as classes de palavras, analise as afirmativas a seguir:

I. O vocábulo 'que', nas duas ocorrências, pertence à mesma classe gramatical, exercendo idêntica função sintática.
II. O termo 'nos' classifica-se como pronome pessoal oblíquo átono, exercendo função de objeto indireto.
III. A palavra 'cada' atua como pronome indefinido, determinando o substantivo 'porto' com valor distributivo.
IV. O termo 'velha' é um adjetivo que, caso seja posposto ao substantivo a que se refere, alterará seu valor semântico, assim como ocorrerá na frase 'Ele é um simples professor'.

Assinale a alternativa que apresenta as proposições corretas.
Alternativas
Q4075523 Português
A seta ornamental


    Toda cidade abriga personagens fixos. Há o filósofo de fila de padaria, o especialista em clima que prevê chuva olhando para o joelho e o cidadão que trata vaga de estacionamento como herança de família. No trânsito, porém, existe uma figura especialmente notável: o motorista que usa a seta como item de decoração.

     Ele não desconhece a existência do dispositivo. Seria até injusto acusá-lo disso. Sabe onde a alavanca fica, já a viu de perto e, em algum momento remoto da formação como condutor, ouviu dizer que ela serve para indicar ao outro o que se pretende fazer. O problema nunca foi falta de informação. Foi excesso de autoconfiança. Esse motorista acredita, com a serenidade dos mal orientados, que seu carro transmite pensamento.

     Ele vira à direita como quem muda de assunto no meio da frase. Sem aviso, sem transição, sem a menor cerimônia. O veículo atrás que descubra, por dedução, vocação profética ou reflexo de sobrevivência, qual será o próximo movimento daquela alma apressada. A seta, nesse universo mental, não é ferramenta. É adereço. Uma joia discreta instalada ao lado do volante para compor o acabamento interno, como quem diz: “sim, o automóvel veio completo”.

  O mais curioso é que esse mesmo motorista costuma se indignar profundamente quando os outros não adivinham suas intenções. Fecha a cara, buzina, gesticula, olha pelo retrovisor com a decepção de um artista incompreendido. Na cabeça dele, o erro nunca está na omissão do aviso. Está na falha geral da humanidade em perceber sinais que não foram dados. É quase uma doutrina: se eu pensei, os demais deveriam ter sentido.

     Há também o motorista seletivo, primo próximo desse tipo principal. Ele usa a seta apenas em ocasiões solenes, como quem retira uma louça fina do armário em dia de visita. Num retorno importante, talvez. Numa conversão diante de uma viatura, quem sabe. Fora disso, considera exagero. Para entrar bruscamente na frente do outro, basta coragem. Para sair de uma vaga sem prevenir ninguém, basta fé. E assim a rua vai sendo administrada por impulsos, palpites e pequenos sustos.

    Seria engraçado, e de certo modo é, se não revelasse algo maior. No fundo, a seta esquecida não é apenas uma distração mecânica. Ela denuncia uma visão particular do mundo. Quem não avisa o próprio movimento costuma agir como se o espaço comum lhe pertencesse em regime de exclusividade. Os demais aparecem como obstáculos móveis, figurantes inconvenientes de um roteiro no qual ele se imagina protagonista. A pressa vira argumento moral. A imprudência, um detalhe operacional. 

     Mas o trânsito, essa instituição onde desconhecidos negociam a paz a cada esquina, não funciona por telepatia. Funciona por pacto. E pacto exige sinais claros, previsibilidade mínima e uma dose de respeito que não custa combustível. Acionar a seta é um gesto pequeno, quase ridículo de tão simples. Justamente por isso ele tem valor. Não pede talento, riqueza nem genialidade. Pede apenas a aceitação civilizada de que o outro não foi colocado na via pública para suportar surpresas produzidas pela nossa pressa.

       Talvez esteja aí a lição, escondida sob o humor cotidiano. A seta não serve só para indicar para onde o carro vai. Ela revela de maneira discreta para onde vai o senso de coletividade de quem dirige. No trânsito e fora dele, muita confusão começa quando alguém acha desnecessário avisar, explicar ou considerar o impacto do próprio gesto. Ser adulto, afinal, talvez seja isso: parar de exigir que o mundo adivinhe nossas intenções e começar a sinalizá-las com clareza. Até porque, na vida como na avenida, quem transforma aviso em ornamento costuma chamar de azar o problema que ele mesmo fabricou.


Fonte: Banca Elaboradora 
No trecho “os demais aparecem como obstáculos móveis”, a expressão “os demais” classifica-se corretamente como: 
Alternativas
Q4062086 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Como os conservantes na sua comida afetam as importantes bactérias do intestino


Dentro do corpo humano, existe uma comunidade complexa formada por trilhões de microrganismos que influenciam diversos aspectos da saúde. Esse conjunto é conhecido como microbiota intestinal. A diversidade dessas bactérias pode ser comparada a um ecossistema natural: quanto maior a variedade de microrganismos, maior tende a ser a capacidade de equilíbrio do organismo diante de perturbações.

Estudos indicam que uma microbiota variada exerce papel importante no bem-estar geral. Ela participa de processos ligados ao metabolismo, ao funcionamento do cérebro, à qualidade do sono e ao controle de inflamações. Pessoas com menor diversidade bacteriana apresentam maior tendência a distúrbios intestinais, inflamações e problemas relacionados ao descanso. Por outro lado, uma microbiota mais diversa é frequentemente associada a melhores condições de saúde.

Esse conjunto de microrganismos funciona como um verdadeiro ecossistema interno e é comparado a um órgão adicional do corpo humano. Entretanto, evidências recentes indicam que alguns hábitos alimentares interferem nesse equilíbrio. Entre os fatores mais investigados está o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, que alteram a composição das bactérias intestinais.

Uma das explicações para esse efeito está na presença de aditivos utilizados pela indústria para conservar alimentos, modificar a textura ou intensificar o sabor. Ao observar rótulos de produtos industrializados, é comum encontrar substâncias como emulsificantes, corantes e adoçantes artificiais. Esses componentes mantêm a aparência e o prazo de validade dos produtos, permitindo, por exemplo, que pães permaneçam macios por mais tempo ou que sorvetes tenham textura cremosa.

Entre esses aditivos, os emulsificantes são particularmente frequentes. Eles permitem a mistura de substâncias que normalmente não se combinariam, como água e óleo, além de contribuírem para a estabilidade de diversos alimentos industrializados. Pesquisas identificaram milhares de produtos alimentícios contendo esse tipo de substância, o que demonstra sua ampla presença na alimentação cotidiana.

Apesar de sua utilidade tecnológica, estudos indicam que alguns emulsificantes interferem na microbiota intestinal. Pesquisas associam essas substâncias a problemas como doenças inflamatórias intestinais, síndrome do intestino irritável e alguns tipos de câncer do sistema digestório. Experimentos realizados com animais mostram que determinadas doses de emulsificantes alteram o comportamento das bactérias intestinais, aproximando-as da parede do intestino e favorecendo processos inflamatórios.

Em condições normais, existe uma camada de muco que protege a parede intestinal e mantém as bactérias a uma distância segura. Quando esse equilíbrio é alterado e os microrganismos atravessam essa barreira protetora, surgem inflamações persistentes. Estudos com seres humanos também indicam possíveis associações entre o consumo frequente desses aditivos e doenças metabólicas.

Pesquisas realizadas com grandes grupos de adultos observaram que indivíduos mais expostos a emulsificantes apresentaram maior risco de desenvolver diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer. Embora esses resultados indiquem relações estatísticas e não causalidade direta, análises laboratoriais sugerem que certos emulsificantes reduzem a quantidade de bactérias consideradas benéficas.

Investigações clínicas também indicam que a redução do consumo desses aditivos traz benefícios para pessoas com doenças intestinais inflamatórias. Em experimentos controlados, indivíduos que adotaram dietas com menor presença de emulsificantes apresentaram maior probabilidade de melhora dos sintomas.

Além dos aditivos, o próprio grau de processamento dos alimentos também influenciam a saúde intestinal. Pesquisas compararam dietas com valores nutricionais semelhantes, mas com diferentes níveis de processamento. Participantes que consumiram alimentos frescos e minimamente processados apresentaram maior diversidade de bactérias intestinais, enquanto aqueles cuja alimentação incluía mais produtos ultraprocessados demonstraram menor diversidade microbiana e maior ocorrência de desconfortos digestivos.

De modo geral, uma orientação simples é priorizar alimentos frescos e minimamente processados. Essa escolha tende a beneficiar não apenas o organismo humano, mas também a comunidade de microrganismos que vive no intestino e desempenha papel essencial para a manutenção da saúde.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c5yr5002dg6o.adaptado.
Pesquisas associam essas substâncias a problemas como doenças inflamatórias intestinais, síndrome do intestino irritável e alguns tipos de câncer do sistema digestório.

Considerando a classificação morfológica das palavras presentes no trecho, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4052552 Português
Leia as sentenças a seguir e analise as expressões destacadas, atentando para o termo ao qual cada uma se refere. Em seguida, associe a segunda coluna de acordo com a primeira, relacionando as classes gramaticais às expressões destacadas:
Primeira coluna: classes gramaticais
1.Adjetivo (locução)
2.Advérbio
3.Pronome indefinido
Segunda coluna: expressões
(__)Fale com os demais antes de tomar qualquer decisão.
(__)Que pessoa legal, ela acolhe demais!
(__)Como há candidatos de mais e poucas vagas, o processo de seleção será mais longo.
(__)Vírgulas de mais atrapalham a coesão textual.
(__)Fuja de pessoas que falam demais e ouvem de menos.
(__)Trouxe as demais para devolver. Não precisarei dessas fotografias.

Assinale a alternativa que indica a correta associação entre as colunas:
Alternativas
Q4042754 Português

TEXTO 1



Em tempos de fórmulas, roteiros e dicas demais sobre como conquistar alguém, vou na direção contrária e evito qualquer coisa que pregue joguinhos, métodos baseados em frieza e desinteresse, chá de sumiço e essa baboseira toda.


Sou dos que simplificam tudo, mesmo as relações humanas sendo tão complexas.


Digo com todas as letras o que sinto.


Demonstro com todas as atitudes necessárias.


Mostro, comprovo, deixo completamente entendido.


Vai soar emocionado demais? Não ligo.


Vai parecer que sou fraco e vão tentar se aproveitar do que sinto?


Amadureci o bastante para saber identificar sinais e me proteger.


Vão fugir de mim, porque, hoje em dia, muita gente não sabe lidar com essa coragem? Livramento meu.


Ou vivo algo bacana, ou me poupo de viver algo que não vai me trazer o que mereço.


Ser fiel àquilo que sou é sempre um excelente jeito de resolver as coisas. Recomendo.


Fernandes, Victor. Pra você que é emocionado. São Paulo: Planeta do Brasil, 2024. 

No período “Demonstro com todas as atitudes necessárias.”, as palavras “todas”, “atitudes” e “necessárias” são, respectivamente:
Alternativas
Q3952876 Português
Telescópios mais potentes estão sendo construídos para olhar mais longe e com mais detalhes. (5º parágrafo)
Na frase acima, a palavra “mais” é empregada três vezes, possuindo diferentes classificações gramaticais, que são, respectivamente: 
Alternativas
Q4238188 Português

Leia o texto para responder a questão.


Especialista em relações internacionais analisa vitória de

Trump na eleição presidencial dos EUA e diz que tom das

relações diplomáticas com o Brasil ainda não é claro

Por Renato Coelho



    O político Republicano Donald Trump venceu a eleição presidencial dos Estados Unidos, ocorrida na terça feira (5/11/2024), ao conquistar a maioria dos 538 votos no Colégio Eleitoral e derrotar a candidata democrata, a vice-presidente Kamala Harris. A vitória foi anunciada a partir de projeções da imprensa norte-americana. Até a manhã desta sexta-feira (8), o número de votos no Colégio Eleitoral alcançado por Trump chegava a 301 delegados, e o de Harris, 226.


    Trump venceu em mais da metade dos 50 estados do país, inclusive entre estados-pêndulo, grupo que inclui Carolina do Norte, Geórgia, Pensilvânia e Wisconsin. A apuração dos votos continua. Aos 78 anos, ele chega para seu segundo e último mandato na Casa Branca. Nos EUA, diferentemente do Brasil, a Constituição dos EUA impede que uma pessoa assuma a presidência por mais de duas vezes, mesmo que não consecutivas. Essa regra foi estabelecida na 22ª emenda, promulgada em 1951, depois de o democrata Franklin D. Roosevelt cumprir 4 mandatos consecutivos (1933-1945). Primeiro presidente eleito condenado judicialmente


    A vitória traz o bilionário de volta à cadeira presidencial após ter protagonizado um mandato repleto de polêmicas e escândalos (2016-2020). Ele também será o primeiro presidente na história do país a assumir o cargo após receber uma condenação judicial. Em junho, ele foi condenado por 34 acusações de irregularidades cometidas envolvendo pagamentos para silenciar a ex-atriz pornô Stormy Daniel antes das eleições de 2016. Trump ainda enfrenta outros processos judiciais, incluindo um por incitar a invasão ao Capitólio em 2020, acontecimento que marcou o fim do seu mandato.


    Apoiado pela ala mais conservadora do Partido Republicano e por figuras controversas como o bilionário Elon Musk (dono da rede social X, da Tesla e da SpaceX), Trump conduziu sua campanha apostando em um discurso agressivo contra a imigração e martelando os problemas econômicos que os EUA enfrentaram nos últimos anos.


    Na véspera da eleição, o republicano voltou a mencionar uma possível fraude eleitoral, o que suscitou temores de que não reconheceria o resultado em caso de derrota, como fez em 2020 após ser derrotado por Joe Biden.


    Em 13 de julho, Trump sobreviveu a uma tentativa de assassinato durante um comício na cidade de Butler, no estado da Pensilvânia. Ele ficou ferido na orelha direita, ao ser alvejado por tiros disparados por um homem que estava em um terraço. Após algumas semanas, ele retornou a Butler para um grande comício ao lado de Musk.


    Neusa Maria Pereira Bojikian, especialista em política econômica e internacional dos EUA, doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas ligado ao IPPRI – Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais da Unesp e pesquisadora e integrante Coordenação do INCT-INEU, analisa o cenário político dos EUA e os fatores que culminaram na vitória de Donald Trump.


    “Ë preciso destacar que, além da vitória de Trump, os Republicanos também ganharam o controle do Senado. Por enquanto, a Câmara ainda não tem a liderança definida, mas há a possibilidade de que isso também venha a acontecer. De forma geral, Trump venceu graças a uma combinação de fatores estratégicos e contextuais. Ele fez uma campanha muito bem feita, a partir de uma operação política mais disciplinada e mais organizada do que as campanhas dele do passado. Ele usou um tom apelativo ao projetar cenários econômicos e imigratórios catastróficos. E atacou Kamala, depreciando sua capacidade de administrar o país. Ele acionou a alavanca do medo, e fez uma campanha no corpo a corpo para arrastar os eleitores às urnas. Também apoiou-se no uso muito intenso das mídias sociais, aproveitando-se de seus apoiadores, em especial o Elon Musk, e de grupos engajados”, analisa.


    Neusa ressalta também a virada do eleitorado latino, que mostrou uma maior tendência de apoio aos Republicanos. “Essa mudança de padrão revela a importância de não tratar esse grupo demográfico como monolítico. Trump conseguiu reconhecer as complexidades e as variações internas e, portanto, a necessidade de customizar mais as campanhas. A essa nova tendência de crescimento junto aos latinos se somou à perda de apoio da classe trabalhadora aos Democratas. E o senador Bernie Sanders, que é independente, mas apoiou Harris e o Partido Democrata, já tinha chamado a atenção para isso. Ele criticou os Democratas, dizendo que não estavam em sintonia com as aspirações da maioria dos cidadãos. Ele disse que não seria nenhuma surpresa se o Partido Democrata, que abandonou a classe trabalhadora, viesse a descobrir que a classe trabalhadora também o abandonou. Isso acabou se concretizando”, diz. [...]


Adaptado de https://jornal.unesp.br/2024/11/08/especialista-em-relacoes-

internacionais-analisa-vitoria-de-trump-na-eleicao-presidencial-dos-eua-e-diz-

que-tom-das-relacoes-diplomaticas-com-o-brasil-ainda-nao-e-claro/

Assinale a alternativa que apresenta um artigo indefinido.
Alternativas
Q4233142 Português

A lua semeava crisântemos


    Recordo, sem nenhuma saudade, o tempo que passei redigindo anúncios. O leitor comum não pode imaginar que um pequeno anúncio é tão trabalhoso como um soneto.


    Foram os americanos que fixaram as normas do anúncio comercial. E essas normas funcionam. O redator tem de respeitar estes e aqueles princípios, tocar nestes e naqueles pontos. São regras fáceis de decorar e difíceis de aplicar. Claro que vale muito "bolar" alguma novidade para atrair ou prender o leitor, mas isto dentro de certos limites. O publicitário tem de examinar a frase depois de escrita, pesar sua força, limpá-la de todo o supérfluo, imaginar o efeito psicológico que ela poderá ter. Deve estudar todos os elementos de que pode lançar mão para convencer o leitor, pensar em tudo que lhe vai sugerir, despertar nele a vontade de comprar, apelando para o seu senso de economia, ou de conforto, ou sua vaidade, ou seu desejo de êxito social ou amoroso. E para isso, de acordo com o produto ou serviço que pretende vender, deve atender a mil pequenas circunstâncias, meditar sobre o estado psicológico do tipo de pessoa a que se dirige, nível social, sexo, idade, situação financeira, problemas, enfim uma interminável chateação.


    Bons escritores brasileiros fizeram publicidade: basta citar Bilac e Alvaro Moreyra; mas não viviam disso. O primeiro verdadeiro profissional que eu conheci foi Orígenes Lessa, lá por 1933. Ele acabara de publicar Não há de ser nada, crônicas sobre o movimento de 1932, de que participara: trabalhava, se não me engano, na Thompson, e era casado com a mulher mais bonita de S. Paulo e provavelmente da América do Sul, chamada Elsie (Pinheiro) Lessa, essa mesma que ainda hoje escreve de vez em quando no O Globo. Vem daí, talvez, o prestígio que aos meus olhos sempre tiveram os homens de publicidade; além do mais, Orígenes falava inglês, coisa rara naquele tempo.


    Hoje os grandes homens da publicidade nada têm com a literatura, e talvez mesmo a olhem com um certo desprezo condescendente. São figuras de alta prosa, que em geral nem usam nomes, mas apenas iniciais de misteriosos triunviratos — este é o P da GMP, aquele é o J da NRJ, assim por diante. Cavalheiros eminentes e ricos, jorges amados sem literatura, profetas de nosso capitalismo frenético.


    Mas voltemos ao escritor comum que faz publicidade. Valerá de alguma coisa o treino publicitário com toda a sua minuciosa disciplina? Não lhe será esse “serviço militar” útil para desenvolver o senso de economia verbal, precisão, clareza? “Não”, me diz um deles, “emburra”. A menos que na hora de folga ele jogue tudo aquilo fora e se entregue à literatura mais solta, escrevendo coisas assim: “A lua de agosto semeava crisântemos e bicicletas verdes no abril de teu sonho de mariposa tonta…”


BRAGA, R. A lua semeava crisântemos. In: FILHO, D. P (Org.) Um cartão de Paris. Record, 1997, pp. 57-59. Disponível em: <https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/16246/a-lua-semeava-crisantemos>.

O trecho a seguir que apresenta pronome indefinido
Alternativas
Q4202252 Português

Leia os versos de Cecília Meireles para responder à questão.



Quando meu rosto contemplo,

o espelho se despedaça:

por ver como passa o tempo

e o meu desgosto não passa.

Amargo campo da vida,

quem te semeou com dureza,

que os que não se matam de ira

morrem de pura tristeza?



(Cecília Meireles. Canções.

Em: Alfredo Bosi, História concisa da Literatura Brasileira, 1997)

Nos versos “que os que não se matam de ira / morrem de pura tristeza?”, os termos destacados expressam, correta e respectivamente, os sentidos
Alternativas
Q4202241 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão:



    No exemplo a seguir, dois conhecidos conversam sobre o serviço de ônibus da cidade:


   L1 – mas como ∅ tá demorando hoje… hein?


  L2 – só: … e quando ∅ chega… ainda vem todo sujo… fedorento…


  L1 – isso sem falar no preço… que sobe todo mês… sem nenhuma vantagem prá gente…


(Ataliba T. de Castilho.

A Língua falada no Ensino de Português, 1998. Adaptado)

No contexto da conversa, o termo “gente”, presente na fala de L1, está empregado com valor
Alternativas
Q4111062 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


As tempestades sempre passam


As tempestades, vêm, caem, destroem e passam. Sempre passam. Umas demoras mais, outras são quase tão rápidas quanto a queda de um raio, mas, passam. Passam como o vento passa, como as marés se repetem, sempre outras em seu movimento de subir e descer. Passam como o ciclo das mulheres, como o corpo que se abre, como a vida que nasce de dentro do ventre e ilumina este mundo no primeiro choro saudando a luz.


As tempestades passam e deixam no céu a transparência que me fala de outros mundos, de outras dimensões, de momentos esquecidos que precisam ser resgatados, e de outros não vividos, que se perdem na distância, além de qualquer possibilidade, até mesmo para o sonho.


As tempestades passam e dão lugar a um sol mais limpo e mais brilhante, que faz mais alegre o dia, para dar lugar a uma lua que, se estiver cheia é uma ode impressa no céu, mas que, se estiver crescente, é um soneto, e é o momento mais terno e mais suave de todos os que a natureza dá.


Pouca coisa se compara à noite depois duma tempestade. Pouca coisa tem mais poesia do que o céu limpo mudando de cor, até atingir o azul profundo, onde a lua se deita, como uma cimitarra de ouro, apontando os rumos e as rotas das vidas de cada um de nós.


A lua depois da chuva é poesia pura, é o encontro da alma com o eterno, do atávico com o futuro, como se todos fossemos um único corpo, e o universo não se fragmentasse em estrelas e cometas rodeados de planetas, onde, algumas vezes, a vida se faz, sem explicação capaz de nos explicar, mas real como cada um de nós, como cada corpo e cada pensamento.


A lua depois da tempestade é a chegada da vida na terra molhada, na semente carregada pelo vento, no encontro da luz com as águas escuras onde ela reflete os sonhos de Deus, antes de criar o paraíso.


MENDONÇA, Antonio Penteado. As tempestades sempre passam. Crônicas da Cidade, 28 nov. 2021. Disponível em: https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2021/11/28/as-tempestades-s empre-passam/ . Acesso em: 16 nov. 2025.
No período "Umas demoram mais, outras são quase tão rápidas quanto a queda de um raio, mas, passam", diversas classes gramaticais são mobilizadas para estruturar sentidos específicos. Com base na análise morfossintática e semântica da oração, assinale a alternativa correta quanto à classificação das palavras destacadas em seu contexto de uso.
Alternativas
Q4098432 Português
TEXTO

CAMPEONATO DE FUTEBOL

Então era um destes dias ensolarados de domingo e meu sobrinho batia bola contra a parede, que voltava até ele conforme a velocidade dos seus pés. Lembramos da sua viagem para Bento Gonçalves quando participou de um campeonato de futebol. A Copa Inovação Gaúcha de Futebol edição 2017, 14º fase classificatória.

Seu time havia disputado uma partida antes e perdido: Esporte Clube Cruzeiro 0x1 Clube Esportivo, na cidade de Cachoeirinha RS. Nesse jogo, o campo estava com muita água, porém, não havia barro. Com as dificuldades em campo, acabaram tomando um gol no segundo tempo. A adolescência é como um campeonato de futebol. Há momentos cansativos e momentos de glória. Começamos a nos interessar pelas pessoas, umas vêm e quando outras se vão, sofremos o gol. Então, parece que tudo está acabado, mas é apenas o começo. Em seguida, bola em campo e tudo recomeça na expectativa de virar o placar.

A viagem a Bento Gonçalves tornou-se prazerosa, com a vista de muitos arvoredos no trajeto. A zoeira dos guris dentro ônibus, as risadas, músicas e batidas nos bancos. Conhecida como a capital brasileira da uva e do vinho, o que lembra o nome do estádio: Parque Esportivo Montanha dos Vinhedos. Naquele estádio profissional, de grama boa, a motivação para jogar estava estampada no semblante dos jovens jogadores.

Na partida de Bento Gonçalves, apesar de ganharem: Clube Cruzeiro 3x0 Clube Esportivo, o time do meu sobrinho não levantou a taça. Mas a alegria do primeiro gol de cabeça, outro de pênalti e o último que desviou o goleiro, mostrou a eles a importância de entender a vida e quem faz o jogo. Ele é feito por nós. O medo de enfrentar algo novo é semelhante ao que acontece antes da partida. O friozinho na barriga. Alguns vão te criticar e outros te exaltar, o mesmo acontece com a torcida no estádio, que xinga e aplaude. Seus amigos são como “volantes capitães”, enfrentarão os adversários com dribles, toques e passes, correndo pelo campo e até enfrentarão o árbitro se for preciso. É correto afirmar que os verdadeiros estarão sempre ao seu lado. Existem situações em nossa vida que chegam para nos derrubar em campo com suas faltas. Precisamos driblá-las e, se não conseguirmos e tivermos que cair, nos levantaremos mais fortes e sempre com o pensamento em frente, aprendendo e progredindo enquanto pessoas.

Cristiane Luz
Disponível em:
<https://www.editorametamorfose.com.br/textos/7518/cronicacampeonato-de-futebol>. Acesso em: 15 de Setembro de 2025.
Identifique a classe de palavras da frase “Alguns vão te criticar e outros te exaltar”. 
Alternativas
Q4095526 Português
Assinale a alternativa em que a troca da expressão destacada pela forma apresentada entre parênteses altera o significado básico original da frase.
Alternativas
Q3407038 Português
Bebê reborn, polêmica real: quando o afeto encena o inanimado

(Tauane Paula Gehm, doutora em psicologia)


Após um vídeo seu viralizar na internet, Yasmim Becker, de 17 anos, acabou no centro de uma onda de ataques virtuais. Nele, a jovem narra o que descreveu como “um dos dias mais corridos e assustadores” de sua vida, quando precisou levar seu filho, Bento, “às pressas” ao hospital porque ele não estava se sentindo bem. Acontece que Bento não era uma criança — nem um pet —, mas um boneco inanimado: um bebê reborn, modelo hiper-realista com aparência idêntica à de um recém-nascido. Tudo não passou de uma encenação. Yasmim é colecionadora desses bonecos e costuma gravar vídeos fictícios voltados ao público infantil.

Coleções exóticas não são novidade: há quem junte desde objetos banais até os mais extravagantes. Certa vez, soube de um rapaz que colecionava fotos 3×4 de desconhecidos. Curioso, no mínimo. O episódio de Yasmim serve como pano de fundo para casos ainda mais absurdos envolvendo os famigerados bebês reborn. A advogada Suzana Ferreira contou ter sido procurada para defender o “direito à guarda” de um desses bonecos após o fim de um relacionamento. “A mãe ficou muito nervosa e me acusou de ‘intolerância materna’ por eu ter recusado o caso”, relatou. Esse é apenas um dos muitos relatos que circulam pela internet, fundindo invenção com realidade e despertando indignação e incredulidade.

O que ninguém parece conseguir explicar é o nível de insensatez que tudo isso alcançou — tanto por parte daqueles que tratam um objeto inanimado como um ser humano, quanto daqueles que reagem a isso com ódio. A fronteira entre fantasia e realidade está cada vez mais diluída. Criamos versões editadas de nós mesmos nas redes, montamos cenários para exibir afetos, performamos relações.

O bebê reborn surge como símbolo extremo de um fenômeno bastante familiar: um afeto cuidadosamente encenado para parecer real, que só se sustenta porque pode ser controlado e exibido. Um afeto esteticamente agradável, limpo, sereno — e, ao mesmo tempo, sem risco, sem contradição, sem frustração. O quanto temos investido emocionalmente em simulacros? E o quanto, nesse desejo por relações absolutamente controláveis, revelamos uma carência profunda numa sociedade perdida em seus vínculos reais?

O bebê reborn está ali. Parado. Imóvel. E ainda assim é cuidado como se fosse real. Não responde. Não sente. Não cresce. E talvez seja justamente por isso que tanta gente o escolhe. Não por loucura, mas por uma tentativa de encenar o cuidado em um tempo em que as relações reais parecem, para muitos, assustadoras ou distantes demais. Ou talvez como forma de produzir o olhar e o interesse do outro — ainda que digital —, aquele que carrega, mesmo que ilusoriamente, a promessa de uma relação verdadeira.


(in: https://saude.abril.com.br/, com adaptações)
Nas alternativas abaixo, há uma palavra destacada e sua classificação morfológica. Assinale a alternativa com a classificação INCORRETA.
Alternativas
Q3298690 Português

Brasileiros já podem solicitar autorização de viagem para o Reino Unido


Por Julia Buckley






(Disponível em: www.cnnbrasil.com.br/viagemegastronomia/viagem/brasileiros-ja-podem-solicitar-autorizacaode-viagem-para-reino-unido-veja-como/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa em que todos os termos retirados do texto são pronomes.
Alternativas
Respostas
1: A
2: B
3: C
4: C
5: E
6: D
7: A
8: D
9: B
10: D
11: A
12: B
13: A
14: B
15: C
16: A
17: D
18: C
19: E
20: E