Questões de Concurso Sobre problemas da língua culta em português

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Q777540 Português
Texto para responder à questão.

Preto é cor, negro é raça

  O refrão de uma marchinha carnavalesca, de amplo domínio público, oferece uma pista interessante para a compreensão do critério objetivo que a sociedade brasileira emprega para a classificação racial das pessoas: “O teu cabelo não nega, mulata, porque és mulata na cor; mas como a cor não pega, mulata, mulata eu quero o teu amor”.
  Escrita por Lamartine Babo para o Carnaval de 1932, a marchinha realça a ambiguidade das relações raciais, ao mesmo tempo em que ilustra a opção nacional pela aparência, pelo fenótipo. Honesto e preconceituoso em sua definição de negro, Lamartine contribui mais para o debate sobre classificação racial do que muitos doutores.
  Com efeito, ao contrário do que pensa o presidente eleito, bem como certos acadêmicos, os cientistas pouco podem fazer nesta seara, além de, em regra, exibirem seus próprios preconceitos ou seu compromisso racial com a manutenção das coisas como elas estão.
  Primeiro porque, como se sabe, raça é conceito científico inaplicável à espécie humana, de modo que o vocábulo raça adquire relevância na semântica e na vida apenas naquelas sociedades em que a cor da pele, o fenótipo dos indivíduos, é relevante para a distribuição de direitos e oportunidades.
  Segundo, porque as pessoas não nascem negras ou brancas; enfim, não nascem “racializadas”. É a experiência da vida em sociedade que as torna negras ou brancas.
   “Todos sabem como se tratam os pretos”, assevera Caetano Veloso na canção “Haiti”.
  Em sendo um fenômeno relacional, a classificação racial dos indivíduos repousa menos em qualquer postulado científico e mais nas regras que regem as relações, intersubjetivas, econômicas e políticas no passado e no presente.
 Negro e branco designam, portanto, categorias essencialmente políticas: é negro quem é tratado socialmente como negro, independentemente de tonalidade cromática. É branco aquele indivíduo que, no cotidiano, nas estatísticas e nos indicadores sociais, abocanha privilégios materiais e simbólicos resultantes do possível mérito de ser branco. Esse sistema funciona perfeitamente bem no Brasil desde tempos imemoriais.
  A título de exemplo, desde a primeira metade do século passado, a Lei das Estatísticas Criminais prevê a classificação racial de vítimas e acusados por meio do critério da cor. Emprega-se aqui a técnica da heteroclassificação, visto que ao escrivão de polícia compete classificar, o que é criticado pela demografia, que entende ser mais recomendável, do ângulo ético e metodológico, a autoclassificação.
   Há um outro banco de dados no qual o método empregado é o da autoclassificação: o Cadastro Nacional de Identificação Civil, feito com base na ficha de identificação civil, a partir da qual é emitida a cédula de identidade, o popular RG. Tratase de uma ficha que pode ser adquirida em qualquer papelaria, cujo formulário, inspirado no aludido Decreto-Lei das Estatísticas Criminais, contém a rubrica “cútis”, neologismo empregado para designar cor da pele. Assim, todas as pessoas portadoras de RG possuem em suas fichas de identificação civil a informação sobre sua cor, lançada, em regra, por elas próprias.
  Vê-se, pois, que o Cadastro Nacional de Identificação Civil oferece uma referência objetiva e disponível para o suposto problema da classificação racial: qualquer indivíduo cuja ficha de identificação civil, dele próprio ou de seus ascendentes (mãe ou pai), indicar cor diversa de branca, amarela ou indígena, terá direito a reivindicar acesso a políticas de promoção da igualdade racial e estará habilitado para registrar seu filho ou filha como preto/negro.
  Fora dos domínios de uma solução pragmática, o procedimento de classificação racial, que durante cinco séculos funcionou na mais perfeita harmonia, corre o risco de se tornar, agora, um terrífico dilema, insolúvel, poderoso o bastante para paralisar o debate sobre políticas de promoção da igualdade racial.
  No passado nunca ninguém teve dúvidas sobre se éramos negros. Quiçá no futuro possamos ser apenas seres humanos.
SILVA JÚNIOR, Hédio. Preto é cor, negro é raça. Folha de S.Paulo, São Paulo, 21 dez. 2002. Opinião, p.A3.

No fragmento “os cientistas pouco podem fazer nesta seara, além de, em regra, exibirem seus próprios preconceitos ou seu compromisso racial com a manutenção das coisas como elas estão.” há evidente equívoco na(o):
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Q776001 Português
LÍNGUAS MUDAM

Por Sírio Possenti. Adaptado de:
Acesso em 13 jan 2017.

Que as línguas mudam é um fato indiscutível. O que interessa aos estudiosos é verificar o que muda, em que lugares uma língua muda, a velocidade e as razões da mudança.
Desde a década de 1960, um fator foi associado sistematicamente à mudança: a variação. Isso quer dizer que, antes que haja mudança de uma forma a outra, há um período de variação, quando as duas (ou mais) ocorrem – inicialmente em espaços ou com falantes diferentes. Aos poucos, a forma nova vai sendo empregada por todos; depois, a antiga desaparece. [...].
Os sociolinguistas, eventualmente, fazem testes para verificar se um caso de variação é ou não candidato à mudança. O teste simula a passagem do tempo verificando qual é a forma adotada pelos falantes mais velhos e pelos mais jovens. Por exemplo: se os mais velhos escrevem ou dizem sistematicamente “para fazer uma tese é preciso que...” e os mais jovens, “para se fazer uma tese...”, este é um indício de que o infinitivo sem sujeito, nesta posição, tende a desaparecer com o desaparecimento dos falantes mais idosos (e “para se fazer” será a forma única, pelo menos durante um tempo).
De vez em quando, há discussões sobre certos casos. Dois exemplos: o pronome ‘cujo’ e a segunda pessoa do plural dos verbos (‘jogai’ etc.). Minha avaliação (bastante informal) é que ‘cujo’ desapareceu. O que quer dizer “desapareceu”? Que não se emprega mais? Não! Quer dizer que não é mais de emprego corrente; só aparece em algumas circunstâncias – tipicamente, em textos muito formais (em geral de autores idosos). E, claro, em textos antigos.
Que apareça em textos antigos é uma evidência de que a forma era / foi empregada. Que apareça cada vez menos é um indício de que tende a desaparecer. Com um detalhe: desaparecer não quer dizer não aparecer nunca mais em lugar nenhum. Quer dizer não ser de uso corrente. Para fazer uma comparação, ‘cujo’ é como a gravata borboleta: só usamos esse item em certas cerimônias, ou seu uso é uma idiossincrasia [...].
Outro caso é a segunda pessoa do plural, em qualquer tempo ou modo. Recentemente, um colunista defendeu a tese de que a forma está viva. Seu argumento: aparece em cartazes de torcedores em estádios de futebol, especialmente do Corinthians, no apelo “jogai por nós”. Mesmo que este seja um fato, a conclusão é fraca. A forma é inspirada numa ladainha de Nossa Senhora, toda muito solene, muito mais do que formal. E é bem antiga, traduzida do latim. [...] A cada invocação, os fiéis respondem “rogai por nós”. “Jogai por nós” é uma fórmula inspirada em outra fórmula, típica desta oração.
Para que se possa sustentar que a segunda pessoa do plural não desapareceu, seria necessário que seu uso fosse regular. Que, por exemplo, os corintianos também gritassem “Recuai, Wendel”, “Não erreis estas bolas fáceis, Vagner Love”, “Tite, fazei Malcolm treinar finalizações” e, quando chateados, gritassem “Como sois burro!”. Espero que nenhum colunista sustente que isso ocorre...
[...] O caso “jogai” me faz lembrar outro, da mesma natureza, de certa forma. Se há um fato consensual em português (do Brasil) é que não se diz naturalmente “ele o/a viu, vou fazê-la sair”. Estas formas pronominais objetivas diretas de terceira pessoa são verdadeiros arcaísmos. Só são parcialmente aprendidas na escola. Os alunos começam a empregá-las depois de alguns anos, um pouco por pressão, um pouco porque se dão conta de que cabem em textos mais monitorados. Mas essas formas nunca aparecem na fala deles (e são muitíssimo raras também na fala de pessoas cultas, como as que aparecem em debates na TV).
Curiosamente, uma das formas de manifestar chateação, com perdão da expressão, é “p*** que o pariu”! Aqui, o pronome oblíquo aparece! Entretanto, ninguém vai dizer que esse é um argumento para sustentar que o pronome oblíquo está vivo. Se disser...
Sírio Possenti
Departamento de Linguística - Universidade Estadual de Campinas
Assinale a resposta correta sobre o resultado da combinação dos verbos com os pronomes: fizeram + a; fez + o; mostramos + nos; fizemos + lhes.
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Q775127 Português
Acerca do uso adequado dos “porquês”, assinale a única alternativa INCORRETA:
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Ano: 2017 Banca: IF-PE Órgão: IF-PE Prova: IF-PE - 2017 - IF-PE - Revisor de Texto |
Q773048 Português
Leia o TEXTO 16 para responder à questão.

TEXTO 16


A pergunta de Miguelito: “Mas por que é preciso desperdiçar a vida que a gente ganha trabalhando para ganhar a vida?” (TEXTO 16) emprega adequadamente a locução “por que”. Assinale a alternativa que também apresenta o uso CORRETO do porquê.
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Q772514 Português

Dadas as orações:

I - Alguém pode explicar porque eles saíram tão cedo?

II - Por que você chegou a essa hora?

III - A mãe não gostou da “nora” por que esta ficou implicando com seu filho.

A alternativa correta quanto ao uso das palavras em destaque é:

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Q772299 Português

Considerando o uso dos porquês, faça a associação correta:


1 – Por que

2 – Por quê

3 – Porque

4 – Porquê


( ) Não terminei o trabalho ________ passei mal

( ) Ela não quis ir ao clube _______?

( ) __________ você não me contou isso antes?

( ) Logo imagino o ______ de toda esta alegria!


Assinale a alternativa com a respectiva sequência: 

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Q769194 Português

Complete as sentenças com as formas verbais corretas ao contexto e a norma culta padrão:

1. Antigamente..................poucos moradores na cidade.

2. Já ..........muitos anos que não se ouvia essa música.

3. .................dias que não a via mais.

Respeitando a ordem em que as frases aparecem, temos:

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Q769176 Português

Complete as sentenças:

1. Falamos.........................dos problemas de nossa cidade.

2. O ônibus parou..........................trinta centímetros da ponte.

3. O trabalhador parou.........................meia hora.

4. Corremos....................dez quilômetros para chegar no vilarejo.

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Q769147 Português
Com referência às palavras “mas” (conjunção), “más” (adjetivo) e “mais” (advérbio), assinale a alternativa incorreta:
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Q769087 Português
Assinale a alternativa onde a grafia do porquê está incorreta:
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Q767171 Português

No Manual de Redação Oficial da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, lê-se:

A escolha das palavras e das estruturas determina, portanto, a expressão do pensamento e garante a inteligibilidade da mensagem. Assim, é inadmissível que a Redação Oficial apresente incorreções, coloquialismos, gírias, expressões regionais e “burocratês”, tipo de linguagem administrativa, constituída de formas arcaicas, inadequadas ao contexto contemporâneo.

Considerando essas recomendações quanto ao que é admissível na Redação Oficial, há INCORREÇÃO na seguinte frase

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Q767160 Português

Texto: Mais poder digital

Quem tem mais de 40 anos deve lembrar que acessar um computador não era tarefa fácil nos anos 80. Nos primeiros modelos de computadores pessoais que chegaram ao Brasil, a tela escura do monitor era inundada por letrinhas verdes e muitos códigos. Para muitos parecia assustador. Para mim, a descoberta de um universo fascinante. A curiosidade e o desejo de desvendar esse novo mundo me levaram ao aprendizado da programação, que definiu a minha vida profissional e pessoal.

A mudança foi grande, e hoje o acesso à internet abrange 77% dos jovens brasileiros de 10 a 17 anos, dos quais 83% usam a rede via seus celulares inteligentes, segundo o Cetic.br (2014). Com apenas um toque, fazemos ligações, tiramos fotos e gravamos vídeos, além de navegarmos por informações e serviços em todo o mundo.

Mas um estudo recente do Banco Mundial revela que, apesar de o acesso a novas tecnologias ter alcançado 40% da população global, nem sempre isso é sinônimo de desenvolvimento: em muitos países, persistem problemas impedindo a inclusão, a eficiência e a inovação. Para que os benefícios cheguem a todas as camadas sociais, o relatório recomenda investimento em educação e ensino das tecnologias de informação e comunicação, o que merece atenção urgente dos governos e da sociedade brasileira.

A inclusão digital deixou de ser nosso principal desafio, como era em 1995, quando fundei o CDI (Comitê para Democratização de Informática) para levar computadores a comunidades do Rio. Evoluímos nosso propósito para o empoderamento digital, usando a tecnologia como algo transformador, potencializando a autonomia, a criatividade e a colaboração para resolver problemas sociais. Isso é possível.

Quando os jovens percebem que podem migrar de usuários a criadores de tecnologia, eles também descobrem um imenso potencial para reprogramar suas realidades. Blog que denuncia o acúmulo de lixo na comunidade, app que promove apoio a pacientes de câncer ou compartilha eventos culturais gratuitos são algumas ideias que surgem dessas mentes inquietas, grandes talentos e protagonistas das mudanças que querem ver no mundo.

Dominar ferramentas tecnológicas e a lógica da programação é habilidade cada vez mais necessária para pensar em soluções que vão revolucionar nossa relação com o mundo. Aprender a programar pode ser muito divertido porque é um trabalho feito coletivamente, colaborativo, criativo e desafiador.

Quando eu aprendi a programar, conheci uma nova linguagem, a linguagem dos sistemas e dos aplicativos (app). Habilidade que já é responsável por melhorar a empregabilidade e o rendimento escolar, além de abrir portas para o universo do empreendedorismo.

Empoderadas digitalmente, as novas gerações têm a chance de protagonizar imensas transformações. Em rede, podem tornar sua realidade melhor e mais positiva. Precisamos fomentar as possibilidades de ação e criação, usando a tecnologia para acessar oportunidades de trabalho, estudo e empreendedorismo. Com isso, poderemos reprogramar e redefinir todo o nosso sistema.

Rodrigo Baggio. O Globo, 01/09/2016, p. 17. Adaptado. Disponível em: http://oglobo.globo.com/opiniao/mais-poder-digital- 20029560 

Com isso, poderemos reprogramar e redefinir todo o nosso sistema.” A última frase se inicia com um coloquialismo, apropriado ao gênero e ao suporte do texto, que seria, entretanto, inadequado em situação de grande formalidade. A seguinte frase está de acordo com os critérios de correção, clareza, precisão e adequação na construção do texto formal escrito:
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Q766366 Português
Assinale a alternativa que preenche, respectivamente, as lacunas da frase, conforme a norma-padrão da língua. _______________anos, estudiosos________ acerca da contribuição que o conhecimento dos buracos negros pode trazer_____________ nossas vidas.
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Q2824704 Português

Todas as alternativas estão corretas quanto à ortografia, exceto:

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Q2814031 Português

Assinale a afirmativa que apresenta ERRO de grafia.

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Q2811408 Português

Apenas uma das frases a seguir está totalmente CORRETA quanto à ortografia. Assinale-a.

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Q2808159 Português

Para responder às questões de 1 a 5, leia o texto abaixo.


Nova lei permite transporte de animais em ônibus em

Florianópolis


Gatos e cachorros de até dez quilos poderão ser

transportados.


O prefeito de Florianópolis, Cesar Souza Junior, (*) o Projeto de Lei Complementar que permite o transporte de animais domésticos de pequeno porte nas linhas de ônibus municipais. A medida já está valendo desde a (**).

De acordo com a lei, é permitido o transporte de cães e gatos com até dez quilos. Cada usuário pode levar até dois bichinhos por viagem. A fiscalização fica a cargo dos cobradores de cada ônibus.

A medida é válida em todas as linhas que circulam no território de Florianópolis, tanto as convencionais, quanto executivas, desde que os animais cumpram as exigências da lei.

Segundo o vereador Tiago Silva, autor do projeto, a medida assegura um direito que é dos animais e dos próprios donos.

"Eu fui procurado no meu gabinete para debater essa questão em uma audiência pública. Muitos donos de animais não têm carro e assim não conseguem levar seus bichinhos ao veterinário, por exemplo. Acho que a medida contribui muito para a causa de direitos dos animais", afirma.

Ainda segundo o vereador, a lei é pioneira em Santa Catarina e as ideias da proposta foram baseadas nas Câmaras das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, onde o transporte já é permitido.

Condições

Para o deslocamento, os animais deverão ser colocados em caixas de transporte apropriadas durante a sua permanência no veículo, devendo ser colocados em local definido pela empresa e que ofereça condições de proteção e conforto.

Além disso, para ter o direito, o proprietário deve apresentar atestado de veterinário indicando as boas condições de saúde do animal, emitido no período de 15 dias antes da data da viagem.

A carteira de vacinação atualizada também será exigida e nela deverá constar, no mínimo, as vacinas antirrábica e polivalente.

(g1.globo.com)

As palavras que completam adequadamente as lacunas marcadas com (*) e (**), considerando o sentido do texto e a ortografia oficial, são, respectivamente:

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Q2804640 Português

Depois do sol

Cecília Meireles

Fez-se noite com tal mistério,

Tão sem rumor, tão devagar,

Que o crepúsculo é como um luar

Iluminando um cemitério...

Tudo imóvel... Serenidades...

Que tristeza, nos sonhos meus!

E quanto choro e quanto adeus

Neste mar de infelicidades!

Oh! Paisagens minhas de antanho...

Velhas, velhas... Nem vivem mais...

— As nuvens passam desiguais,

Com sonolência de rebanho . . .

Seres e coisas vão-se embora...

E, na auréola triste do luar,

Anda a lua, tão devagar,

Que parece Nossa Senhora

Pelos silêncios a sonhar...

Segundo as regras da nova ortografia, está incorreto:

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Q2800823 Português

Milton e o concorrente

Milton ainda não abriu sua loja, mas o concorrente já abriu a dele; e já está anunciando, já está vendendo, já está liquidando a preços abaixo do custo. Milton ainda está na cama, ao lado da amante, desta mulher ilegítima , que nem bonita é, nem simpática; o concorrente já está de pé, alerta, atrás do balcão. A esposa – fiel companheira de tantos anos – está ao seu lado, alerta também. Mílton ainda não fez o desjejum (desjejum? Um cigarro, um copo de vinho, isto é desjejum?) – o concorrente já tomou suco de laranja, já comeu ovo, torrada, queijo, já sorveu uma grande xícara de café com leite. Já está nutrido.

Milton ainda está nu, o concorrente já se apresenta elegantemente vestido. Milton mal abriu os olhos, o concorrente já abriu os jornais da manhã, já está a par das cotações da bolsa e das tendências do mercado. Milton ainda não disse uma palavra, o concorrente já falou com clientes, com figurões da política, com o fiscal amigo, com os fornecedores. Milton ainda está no subúrbio; o concorrente, vencendo todos os problemas de trânsito, já chegou ao centro da cidade, já está solidamente instalado no seu prédio próprio. Milton ainda não sabe se o dia é chuvoso, ou de sol, o concorrente já está seguramente informado de que vão subir os preços dos artigos de couro. Milton ainda não viu os filhos (sem falar da esposa, de quem está separado); o concorrente já criou as filhas, já as formou em Direito e Química, já as casou, já tem netos.

Milton ainda não começou a viver.

O concorrente já está sentido uma dor no peito, já está caindo sobre o balcão, já está estertorando, os olhos arregalados – já está morrendo, enfim.


Moacyr Scliar

De acordo com a ortografia oficial, assinale a alternativa em que a frase está corretamente grafada.

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Q2797960 Português

Instrução: As questões de números 01 a 08 referem-se ao texto abaixo.


O mito da felicidade


  1. A resposta de qualquer pai ou mãe, indagado sobre o que deseja para os filhos, está sempre
  2. na ponta da língua: “só quero que sejam felizes”. A frase não deixa dúvidas de que, numa
  3. sociedade moderna, livre de muitas das restrições morais e culturais do passado, a felicidade é
  4. vista como a maior realização de um indivíduo. Até governos nacionais __________ na obrigação
  5. de fazer algo a respeito. Neste ano, a China e o Reino Unido anunciaram a intenção de medir o
  6. grau de felicidade de seus habitantes. Os governantes, espera-se, querem o melhor para seu
  7. país, assim como os pais querem o melhor para seus filhos. Mas a ambição de sempre colocar
  8. um sorriso no rosto pode ter um efeito contrário. A pressão por ser feliz, condição nada fácil de
  9. ser definida, pode acabar reduzindo as chances de as pessoas viverem bem.
  10. O americano Martin Seligman, considerado o mestre da psicologia positiva, depois de estudar
  11. a busca da felicidade por mais de 20 anos, afirma ser tolice elegê-la como a única ambição na
  12. vida. Ex-presidente da Associação Americana de Psicologia, professor da Universidade da
  13. Pensilvânia, pai de sete filhos e avô pela quarta vez, Seligman reviu suas teorias e concluiu que
  14. é preciso relativizar a importância das emoções positivas. “Perseguir apenas a felicidade é
  15. enganoso”, diz Seligman. Segundo ele, a felicidade pode tornar a vida um pouco mais agradável.
  16. E só. Em seu lugar, o ser humano deveria buscar um objetivo mais simples e fácil de ser
  17. contemplado: o bem-estar.
  18. A ideia de que a vida é mais do que a busca de sensações positivas não é nova. Ao escrever
  19. que a felicidade é o motivo por trás de todas as razões humanas, Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.)
  20. não defendia viver apenas em busca de emoções positivas e prazeres. Para o filósofo grego, ser
  21. feliz era praticar a virtude. Mesmo Thomas Jefferson, que __________ a felicidade a um direito
  22. na Declaração de Independência dos Estados Unidos, em 1776, não defendia ser feliz acima de
  23. qualquer coisa, como queremos hoje. No livro A democracia na América, Alexis de Tocqueville
  24. afirma que, para Jefferson, a felicidade envolvia conter desejos para obter objetivos de longo
  25. prazo, ou seja, o que muitos afobados de hoje resistem em fazer.
  26. A noção de que a felicidade é um objetivo tangível – e não um horizonte que norteia nossas
  27. ações – só se tornou dominante na sociedade moderna. Sua base vem do Iluminismo, que colocou
  28. o indivíduo – e suas necessidades – no centro das preocupações humanas. É dessa época a teoria
  29. utilitarista, que defendia a busca da maior quantidade de felicidade para o maior número de
  30. pessoas. Para o jurista e filósofo inglês Jeremy Bentham, a felicidade era a vitória do prazer sobre
  31. a dor. A partir do século XVIII, começou a ganhar força a ideia de que temos de evitar as
  32. sensações negativas. O principal problema dessa filosofia de vida é basear-se em princípios muito
  33. frágeis e efêmeros: as emoções. “Os sentimentos positivos e negativos não podem ser entendidos
  34. como fins em si mesmos”, afirma a pesquisadora norueguesa Ragnhild Bang Nes. “As emoções
  35. negativas, embora desagradáveis, podem servir de alerta para o indivíduo de que há um problema
  36. que precisa ser resolvido ou prepará-lo para experiências futuras”, diz ela.
  37. Uma pesquisa inédita encomendada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo
  38. (FIESP) revelou que 61% dos entrevistados acreditam que sua felicidade depende de si mesmos.
  39. A opinião é corroborada por estudos científicos, que mostram que a personalidade é o que mais
  40. influencia a felicidade. Já com relação ao dinheiro, seu efeito positivo parece estar ligado ao
  41. aumento do contato social. Para os estudiosos, “o dinheiro tem uma relação positiva com a
  42. felicidade, mas esta é pequena diante de fatores não monetários, como as relações sociais”.


Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,EMI236742-15228,00.html – Texto adaptado especialmente para esta prova.

Assinale a alternativa em que a grafia das palavras obedece às mesmas regras de acentuação encontradas, respectivamente, em agradável, princípios, país e científicos.

Alternativas
Respostas
3381: C
3382: C
3383: A
3384: B
3385: B
3386: A
3387: E
3388: C
3389: A
3390: A
3391: D
3392: C
3393: B
3394: D
3395: C
3396: C
3397: D
3398: A
3399: A
3400: A