Questões de Concurso Sobre problemas da língua culta em português

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Q1042253 Português

                                  [Os nomes e os lugares]


      É sempre perigoso usar termos geográficos no discurso histórico. É preciso ter muita cautela, pois a cartografia dá um ar de espúria objetividade a termos que, com frequência, talvez geralmente, pertencem à política, ao reino dos programas, mais que à realidade. Historiadores e diplomatas sabem com que frequência a ideologia e a política se fazem passar por fatos. Rios, representados nos mapas por linhas claras, são transformados não apenas em fronteiras entre países, mas fronteiras “naturais”. Demarcações linguísticas justificam fronteiras estatais.

      A própria escolha dos nomes nos mapas costuma criar para os cartógrafos a necessidade de tomar decisões políticas. Como devem chamar lugares ou características geográficas que já têm vários nomes, ou aqueles cujos nomes foram mudados oficialmente? Se for oferecida uma lista alternativa, que nomes são indicados como principais? Se os nomes mudaram, por quanto tempo devem os nomes antigos ser lembrados?

(HOBSBAWM, Eric. Tempos fraturados. Trad. Berilo Vargas. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 109)

Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto:
Alternativas
Q1042201 Português

      Sempre pensei que ser um cidadão do mundo era o melhor que podia acontecer a uma pessoa, e continuo pensando assim. Que as fronteiras são a fonte dos piores preconceitos, que elas criam inimizades entre os povos e provocam as estúpidas guerras. E que, por isso, é preciso tentar afiná-las pouco a pouco, até que desapareçam totalmente. Isso está ocorrendo, sem dúvida, e essa é uma das boas coisas da globalização, embora haja também algumas ruins, como o aumento, até extremos vertiginosos, da desigualdade econômica entre as pessoas.

      Mas é verdade que a língua primeira, aquela em que você aprende a dar nome à família e às coisas deste mundo, é uma verdadeira pátria, que depois, com a correria da vida moderna, às vezes vai se perdendo, confundindo-se com outras. E isso é provavelmente a prova mais difícil que os imigrantes têm de enfrentar, essa maré humana que cresce a cada dia, à medida que se amplia o abismo entre os países prósperos e os miseráveis, a de aprender a viver em outra língua, isto é, em outra maneira de entender o mundo e expressar a experiência, as crenças, as pequenas e grandes circunstâncias da vida cotidiana.

(Adaptado de: LLOSA, Mario Vargas. O regresso à Grécia. Disponível em: https://brasil.elpais.com)

Está clara e correta esta frase escrita a partir do texto:
Alternativas
Q1041914 Português

    As grandes metrópoles brasileiras são marcadas por profundas desigualdades que se expressam em uma distribuição muito desequilibrada das condições de moradia, saúde, mobilidade e em outros aspectos. Em uma mesma cidade, é possível encontrar bairros cujo índice de desenvolvimento se assemelha aos de países mais desenvolvidos, enquanto outros se comparam a países marcados por fragilidades sociais. Isso faz com que o bairro ou a região em que a pessoa vive influencie nas suas oportunidades de ser atendido por um bom hospital, obter um bom emprego ou frequentar uma boa escola, determinando suas chances de ascender socialmente.

      Interessados nesse último ponto, procuramos verificar como a distribuição desigual das oportunidades escolares no espaço urbano influencia as decisões escolares das famílias, favorecendo-as ou desfavorecendo-as, de acordo com a posição que viviam no território. Para isso, estudamos duas regiões de Belo Horizonte que se diferenciavam no perfil social de seus moradores, bem como em relação à distribuição de oportunidades sociais. Procuramos entender então como a desigualdade urbana influencia os percursos escolares.

      Apesar de a sociologia da educação no Brasil contar com muitos estudos dedicados aos efeitos da renda, escolaridade, ou mesmo das características das escolas, que influenciam as desigualdades escolares, poucos estudos nacionais investigaram especialmente o peso dos fatores urbanos sobre a escolarização, o que nos motivou a oferecer subsídios para compreender como o espaço urbano é relevante para entender as trajetórias escolares dos estudantes.

(Gustavo Bruno de Paula e Maria Alice Nogueira. Como a desigualdade urbana influencia percursos escolares. www.nexojornal.com.br, 15.05.2019. Adaptado) 

Em um hipotético texto ao editor da notícia, assinale a alternativa que, correta e respectivamente, preenche as lacunas de parte de um requerimento:


Il.mo sr. editor do jornal digital Nexo,


Como conselheiro tutelar do município de Sorocaba, _________ respeitosamente por meio deste solicitar ___________ informações ________ dos critérios de seleção dos trabalhos que figuram na seção Acadêmico do jornal. O intuito de tal solicitação é o de compreender o enfoque dado pelo jornal a temas sociais, __________ utilizar essa informação para um levantamento sobre a divulgação científica de trabalhos que tratem dos direitos da criança e do adolescente. Nestes termos, ______ deferimento.

Alternativas
Q1041354 Português
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo.

Somos animais sociais. Em estado selvagem, só conseguimos sobreviver se estivermos em grupo. Por isso, nossos antepassados hominídeos desenvolveram um profundo senso de comunidade, que está impresso em nosso DNA. “A evolução selecionou genes que favoreciam o prazer da companhia e produziam inquietude quando se estava sozinho”, afirma um neurocientista da Universidade de Chicago. Tanto que, até a Idade Média, as salas das casas eram usadas para tudo: cozinhar, comer, receber convidados, fazer negócios e, à noite, dormir. Mas a Revolução Industrial mudou tudo. “A casa se transformou num refúgio da individualidade”, diz José Machado Pais, da Universidade de Lisboa. Isso pode ser notado no próprio nome que damos ao tipo mais comum de residência encontrado nas grandes cidades modernas: “apartamento”, que significa “separação”.

(Adaptado de: GARATTONI, B. e LACERDA, R. Revista Superinteressante. Edição 407, setembro de 2019) 
Está correta a redação do seguinte comentário:
Alternativas
Q1041347 Português
Na palavra “amor I algo tão ambíguo, tão sugestivo, que tanto fala  II recordação e III esperança, que mesmo  IV mais fraca inteligência e o mais frio coração percebem algo do cintilar desse termo.
(Adaptado de: Friedrich Nietzsche. 100 aforismos sobre o amor e a morte. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p.23)
Em conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa, as lacunas I, II, III e IV do texto devem ser preenchidas, respectivamente, por:
Alternativas
Q1040853 Português

Costuma ser consenso entre autoridades, sociedades e instituições públicas que o Brasil não cuida bem de sua cultura nem da sua história. _______  . O incêndio que devastou o Museu Nacional em setembro de 2018 é uma prova desse comportamento _________ . O incidente reduziu _________ cinzas os mais de 200 anos de história da instituição, que ainda caminha lentamente rumo _________ sua reabertura. Na semana passada, _______ algumas obras. O museu ganhou uma cobertura temporária azul de material metálico e houve a liberação de cerca de R$ 900 mil do Ministério da Educação (MEC) para reconstrução da fachada. Mas a burocracia ainda atravanca sua reconstrução. Embora __________ outros recursos anunciados, não há prazo para que esse dinheiro seja liberado e aplicado.

(Guilherme Sette, “O que será do Museu Nacional”. IstoÉ, 19.06.2019. Adaptado)

De acordo com a norma-padrão e o sentido do texto, as lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, com:
Alternativas
Q1040851 Português

                   

Em conformidade com a norma-padrão, as passagens “... me ajuda a empurrar o carro pra calçada.”, “Nós só vamos mover ele uns três metros.” e “A mamãe vai ficar até feliz porque a gente não incomodou ela.”, organizadas em um enunciado único, assumem a seguinte redação:
Alternativas
Q1040324 Português
Texto CB1A1-I 



Cada uma das opções a seguir apresenta uma proposta de reescrita que altera o seguinte trecho do texto CB1A1-I: “o que permite imaginar a possibilidade de resolver grande número de problemas materiais do homem, quem sabe, inclusive, o da alimentação” (l. 5 a 7). Assinale a opção em que a proposta apresentada mantém a correção e os sentidos originais do texto.
Alternativas
Q1039148 Português
Assinale a frase que está em conformidade com as normas da língua escrita padrão.
Alternativas
Q1037788 Português

Texto para a questão.



Estariam mantidas a correção gramatical e a coerência do texto caso se substituísse
Alternativas
Q1037519 Português
Assinale a frase correta quanto às normas da língua escrita padrão.
Alternativas
Ano: 2019 Banca: IBADE Órgão: IBGE Prova: IBADE - 2019 - IBGE - Recenseador |
Q1037109 Português
Assinale a opção em que o verbo destacado foi corretamente flexionado.
Alternativas
Ano: 2019 Banca: IBADE Órgão: IBGE Prova: IBADE - 2019 - IBGE - Recenseador |
Q1037097 Português
Empresa alfabetiza auxiliares de limpeza em vez de demiti-los por não saberem ler

Nátaly Bonato é community manager da WeWork Paulista, um espaço de trabalho compartilhado, na Avenida Paulista, em São Paulo. Para resolver problemas de limpeza da unidade, Nátaly imaginou que um relatório seria o suficiente.
O relatório deveria ser preenchido pelos funcionários da limpeza todos os dias dizendo se a sala do cronograma tinha sido limpa e, caso não, colocar um comentário explicando o porquê.
“O relatório demorou uma semana para chegar e, quando veio, o banheiro virou um caos. Não entendi nada, nos reunimos e a descoberta foi que 50% do time (terceirizado) era iletrado”, escreveu Nátaly no Facebook.
Em vez de trocar a equipe [o que infelizmente é uma prática bastante recorrente], Nátaly teve uma ideia muito melhor: procurar nas escolas que fazem parte da WeWork alguém que pudesse alfabetizar os auxiliares de limpeza. Foi assim que ela conheceu a pedagoga Dani Araujo, da MasterTech, que topou o desafio.
“As pessoas não são descartáveis. Eu não queria que alguém passasse pela minha vida sem ter o meu melhor, sem que eu pudesse tentar. Então, eu não queria que eles saíssem daqui um dia e continuassem tendo aquelas profissões porque eles não tinham escolha”, disse Nátaly em entrevista ao Razões para Acreditar.
As aulas aconteciam às terças e quintas-feiras, no horário de almoço, e duravam 1 hora e meia. “Foi ousado participar desse projeto. Não tinha experiência com letramento para adultos. Vibrei e chorei com cada conquista que fazíamos juntos, me sinto privilegiada pelo aprendizado que eles me proporcionaram”, afirmou a pedagoga, que continuou dando as aulas mesmo depois de se desligar da MasterTech.
Cinco meses depois, Irene, Neuraci e ‘Madruga’ já conseguiam escrever uma carta. Para celebrar essa conquista, Nátaly e seu time organizaram uma formatura surpresa. “Na hora que eu vi eles vindo de beca, eu comecei a desfalecer de chorar e não só eu! Todo mundo. A gente fez na área comum da WeWork”, lembra Nátaly. “Foi muito incrível mesmo. Acho que é a melhor experiência da minha vida”.
E eles tiveram inclusive “formatura” com direito à beca e tudo!
Por Redação. Disponível em:
https://razoesparaacreditar.com.08/01/2018. Acesso em 05/07/2019


A palavra destacada no trecho “colocar um comentário explicando o PORQUÊ” pode assumir grafias diferentes, dependendo do contexto. Assinale a única opção em que a palavra destacada foi corretamente grafada.
Alternativas
Q1037040 Português

      Em entrevista, na sede de sua empresa em Campinas (SP), o empresário César Gon fala sobre os desafios que as empresas do século XX enfrentam no século XXI.

      As empresas do século XX precisam se adaptar ao ambiente digital?

      Não dá para competir no mundo moderno sem que o software e a informação sejam o coração do seu negócio. Mas é preciso ir além da tecnologia e fomentar uma mudança de cultura e no modo de pensar. A competição entre as empresas no século XXI está obsessivamente focada na velocidade com que, a partir da análise de dados, entendemos e surpreendemos o cliente. Mas as grandes corporações são lentas por natureza e não estão preparadas para enfrentar essa realidade. Elas olham para o lado e encontram empresas que já nasceram no ambiente digital e são muito mais rápidas.

      Além da adaptação a novas tecnologias, seria também preciso firmar uma nova relação com os consumidores?

      Sem dúvida. A forma como nos relacionamos com as marcas é radicalmente diferente de 10 anos atrás. Nosso desejo é mais volátil, temos menos apego à tradição. Queremos saber se aquela marca resolve nossos problemas, se nos trata de maneira única.

(Adaptado de: entrevista de VASCONCELLOS, Yuri. Disponível em: revistapesquisa. fapesp.br

[A]s grandes corporações são lentas por natureza e não estão preparadas para enfrentar essa realidade. (3° parágrafo)


No contexto, uma nova redação para o trecho acima, em que se mantêm a correção e a lógica, está em:

Alternativas
Q1036934 Português
Te x t o 1

É sabido que o oeste catarinense e o sudoeste do Paraná começaram a ser ocupados, no início do século XIX, através da pecuária, em suas regiões de campo, pela criação extensiva em grandes propriedades. O resultante desse processo foi a rarefação da população em grandes espaços. Somente a partir de meados do século passado é que as áreas de florestas, que antes tinham permanecido praticamente intactas, passaram a ser ocupadas através do excedente populacional dos campos de criação de gado ou dos imigrantes provindos de outras partes do território nacional. Esse processo acabou constituindo a população cabocla com uma cultura e um modus vivendi próprios, e com a qual os imigrantes rio-grandenses iriam se defrontar.
As migrações visavam a ocupar o “espaço vazio” do oeste catarinense, dentro do projeto capitalista do governo, já que essa região era vista como perigosa e inóspita, um verdadeiro deserto a ser povoado para nele se produzir. As companhias colonizadoras, então, começaram a fazer investimentos e vender as glebas das áreas de florestas.
Nesse ínterim, entre os descendentes de imigrantes italianos do Rio Grande do Sul (Serra Gaúcha e regiões circunvizinhas), estava ocorrendo um fato conjuntural que veio ao encontro do interesse pela colonização do oeste catarinense. A estrutura fundiária das regiões de imigração rio-grandenses era baseada em peque-nos lotes de terra. Essas pequenas propriedades não podiam mais ser desmembradas porque tornar-se--iam inviáveis economicamente. Daí o deserdamento sistemático e necessário, forçando os colonos e seus descendentes a novas migrações para novas colônias, onde se reproduziu o modelo fundiário anterior.
ZAMBIASI, José Luiz. Lembranças de velhos. Chapecó: Universitária Grifos, 2000, p. 28-29. [Fragmento adaptado].
Assinale a frase correta quanto às normas da língua escrita padrão.
Alternativas
Q1036725 Português
Considere o uso adequado das palavras mal/mau:
I. _____ pude esperar por você. II. Ele tem um _____ caráter. III. Estávamos ____ intencionados quando saímos. IV. ______ chegamos e você nos recebeu muito ______. V. Fumar é bastante _____ para a saúde.
Complete as colunas e assinale a sequência CORRETA:
Alternativas
Q1036275 Português

1.      A bela cidade de Praga é um monumento a Franz Kafka, o mais ilustre de seus escritores. Toma todo um dia visitar as esculturas a ele dedicadas, as casas onde viveu, os cafés que frequentava.

2.      Comove-me ver, no Museu Franz Kafka, sua Carta ao Pai, que nunca enviou. Essa longa carta foi a primeira coisa que li dele. Eu me dava muito mal com meu pai, de quem tinha medo, e me identifiquei com o texto desde as primeiras linhas, sobretudo quando Kafka acusa seu progenitor de ter feito dele um homem inseguro, desconfiado da sua própria vocação.

3.       Recém-formado, Kafka começa a trabalhar numa companhia de seguros, afirmando que esse trabalho matará sua vocação; como poderia chegar a ser um escritor alguém que dedica tantas horas a um afazer alimentício? Todos os escritores se fizeram perguntas parecidas. Mas este fez o que a maioria deles não faz: escrever em todos os momentos livres que tinha, e, embora tenha publicado pouco em vida, deixar uma obra de longuíssimo fôlego.

4.      Nada me parece mais triste que alguém que, como Kafka, foi capaz de escrever tantos livros jamais tenha sido reconhecido enquanto vivia, e só postumamente se notasse que foi um dos grandes. O pedido a seu amigo Max Brod para que queimasse seus inéditos revela que acreditava ter fracassado como escritor, embora talvez restasse alguma expectativa otimista, porque, do contrário, ele mesmo os teria queimado.

5.      A propósito de Max Brod, um dos poucos contemporâneos que acreditavam no talento de Kafka, há agora uma retomada dos ataques que já lhe fizeram no passado. Que injustiça! O mundo deveria estar grato a Max Brod, por ter, em vez de acatado a decisão do amigo a quem admirava, salvado para os leitores do futuro uma das obras mais originais da literatura.

6.      Hermann Kafka, o destinatário da carta que seu filho nunca lhe enviou, não teve contato nenhum com a literatura. Dedicou-se ao comércio, abrindo lojas que tiveram certo êxito e elevaram os níveis de vida da família.

7.      O melhor amigo de Kafta foi sem dúvida Max Brod, que, naqueles anos, já havia publicado alguns livros. Foi um dos primeiros a perceber o gênio do escritor e o estimulou sem trégua a acreditar em si mesmo, algo que efetivamente ocorreu, pois Kafka, quando escrevia, perdia a insegurança da qual sempre padeceu e se tornava um insólito inventor de pessoas e histórias.

            (Adaptado de: LLOSA, Mario Vargas. 19/5/19. Disponível em: brasil.elpais.com

Toma todo um dia visitar as esculturas a ele dedicadas (1° parágrafo)
No contexto, o segmento sublinhado acima pode ser corretamente reescrito do seguinte modo:
Alternativas
Q1035786 Português

                                      Víamos os nossos pés


      Não sou uma pessoa tropical. Minha terra preferida é o outono em qualquer lugar. No outono as coisas se abrandam e absorvem a luz em vez de refleti-la. É como se a Natureza etc., etc. (O verão não é uma boa estação para literatura descritiva. Me peça o resto da frase no outono.)

      Sempre digo que a praia seria um lugar ótimo se não fossem a areia, o sol e a água fria. É só uma frase. Gosto do mar. O diabo é que a gente sempre tem na cabeça um banho de mar perfeito que nunca se repete. O meu aconteceu em Torres, Rio Grande do Sul, em algum ano da década de 50. Sim, crianças, em 50 já existiam Torres, o oceano Atlântico e este cronista, todos bem mais jovens. O mar de Torres estava verde como nunca mais esteve. Via-se o fundo?

      Via-se o fundo.

      Víamos os nossos pés, embora a água estivesse pelo nosso pescoço, e como eram jovens os nossos pés. Havia algas no mar? Iodo, mães-d’água, siris, dejetos, náufragos, sereias? Não, a água estava límpida como nunca mais esteve. Os únicos objetos estranhos no mar eram os nossos pés, e como isso faz tempo. Até que horas ficamos na água? Alguns anoiteceram dentro d’água e estariam lá até agora se não tivessem que voltar para a cidade, se formar, fazer carreira, casar, envelhecer, essas coisas.

      Como o cronista explica sua aversão ao verão depois de tais lembranças? É que eu não gostava do verão. Gostava de ser mais moço.

(Luis Fernado Verissimo. Em algum lugar do paraíso. Rio de Janeiro, Objetiva, 2011. Adaptado)

Assinale a alternativa em que as expressões substituem, respectivamente e em conformidade com a norma-padrão da língua, as expressões destacadas nas frases a seguir.


•  Via-se o fundo. (3° parágrafo)

•  Havia algas no mar? (4° parágrafo)

Alternativas
Q1035358 Português

      A atual revolução tecnológica lança, a cada ano, novas formas de leitura, mudando não só o modo como a literatura é distribuída, mas também como é escrita, à medida que os autores se ajustam a essas novas realidades. Ao mesmo tempo, alguns dos termos que começamos a usar recentemente parecem momentos anteriores da longa história da literatura.

      Hoje, muitos já leem em uma tela. No dispositivo, o leitor irá virar páginas ou rolar um texto. Dois milênios após o rolo de papiro ter dado lugar ao livro de pergaminho, esse movimento de rolagem voltou, visto que a infindável sequência de palavras armazenadas pelos computadores está mais próxima de um pergaminho do que de páginas separadas. E, como os antigos escribas, mais uma vez nos sentamos curvados sobre “tabuletas”. A narração oral também retornou. Como bem se sabe, palavras “escritas” podem ser apenas ouvidas em um dispositivo de áudio.

      Mas a revolução tecnológica por si só não assegura o futuro da literatura. A única garantia de sobrevivência de uma obra é o uso contínuo: um texto precisa permanecer relevante o suficiente e ser lido, traduzido, transcrito e transcodificado pelas gerações futuras para persistir ao longo do tempo.

(Adaptado de: PUCHNER, Martin. O mundo da escrita. Trad. Pedro Maia Soares. São Paulo: Companhia das Letras, 2018, edição digital) 

Está correta a redação do livre comentário que se encontra em:
Alternativas
Respostas
2741: E
2742: D
2743: A
2744: C
2745: B
2746: B
2747: A
2748: C
2749: E
2750: E
2751: B
2752: E
2753: D
2754: A
2755: B
2756: E
2757: C
2758: A
2759: D
2760: B