Questões de Concurso
Comentadas sobre problemas da língua culta em português
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Leia o texto para responder à questão.
Todos falaremos de Mário esta semana como se ele ainda estivesse ali em São Paulo e pela volta do correio nos mandasse um novo livro. Todos vamos repetir e confirmar a verdade daqueles seus versos:
“Eco, responda bem certo,
Meus amigos me amarão?
E o eco me responde: sim.”
Se há uma coisa indiscutível em sua obra é a verdade desses três simples versos. Os amigos de Mário continuam a cultivar sua amizade, mesmo sem saberem por onde anda, em sua viagem transcendental, essa criatura que, acima de todos os valores, deixou-nos a saudade de sua riqueza humana.
Foi essa riqueza humana (essa capacidade de compreender e sentir) que fez de Mário um poeta, um músico, um folclorista. Esse desejo de participação, esse entusiasmo de viver não uma, não a sua, mas inúmeras vidas, levaram-no até esse desdobramento do Macunaíma, tão misturada ao Bem e ao Mal, tão entregue à experiência terrena e sem fim: “Eu sou trezentos, sou trezentos e cinquenta...”
(Cecília Meireles. Semana de Mário. Escolha o seu sonho)
Leia o texto para responder à questão.
É prioritário estimular a leitura desde a infância, pois ao perceber o encanto do universo do livro e descobrir todas as portas que ele abre, o indivíduo dificilmente deixará de ser um leitor ao longo de toda a sua vida.
Portanto, para conquistarmos a meta tão almejada de que o Brasil seja um país de leitores, não há outro caminho senão despertar nas crianças e adolescentes o gosto pela leitura. Significativa contribuição para isso foi o fato de o livro do ano de ficção do Prêmio Jabuti 2014, o mais importante do mercado editorial brasileiro, ter sido Breve História de um Pequeno Amor, de Marina Colasanti. Tal conquista para uma obra infantojuvenil chama a atenção de todos para esse segmento da literatura.
Ao fazermos uma reflexão sobre a relevância da leitura para o público infantojuvenil, é pertinente lembrarmos o 25º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança, celebrado dia 20 de novembro, em Nova York, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Na ocasião, o comitê responsável pelo monitoramento desse programa ressaltou a importância da participação ativa das crianças nas discussões que afetem suas vidas.
(Folha de S.Paulo, 16.03.2015. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão.
Emojis estão confundindo juízes sobre intenções
dos réus nos EUA
Enviar um emoji de faca ou arma constitui ameaça? E corações e rostinhos se beijando significam assédio? Mais emoticons* estão aparecendo em processos judiciais e, embora o contexto em que foram utilizados diga muito sobre as intenções (e atos) de quem está por trás das mensagens, a justiça está penando para lidar com a nova forma de comunicação.
Em uma reportagem sobre o assunto, a CNN revelou que juízes dos Estados Unidos têm se confundido com a utilização dos símbolos. O número de casos com mensagens de texto contendo emojis foi de 33 em 2017 para 53 em 2018, e quase 50 casos apenas no primeiro semestre de 2019.
Como conta Eric Goldman, professor de Direito na Universidade de Santa Clara, na Califórnia, não há diretrizes judiciais sobre como abordar o tópico. Às vezes, um juiz pode descrever o emoji em questão para os jurados, em vez de permitir que eles o vejam e interpretem por si mesmos, ou até omiti-los de todas as evidências.
Outra questão relevante é que, embora emojis sejam comumente usados para trazer leveza às conversas (e os tribunais reconheçam o humor das “carinhas”), não é novidade para juízes que acusados tentem disfarçar ameaças dizendo que “estavam apenas brincando”. Por isso, a justiça está se tornando cada vez mais cética sobre essa defesa em casos criminais, já que o destinatário não tem como saber precisamente se o emoticon foi enviado com o intuito de ser engraçado.
“Há muita coisa que poderia se perder na tradução. Foi uma piada? Ou era sério? Ou a pessoa estava apenas usando o emoji para se proteger, para depois argumentar que não era sério?”, questionou Karen S. Elliott, advogada que já trabalhou em casos do tipo. Para a profissional é essencial desenvolver estudos sobre o assunto e exigir que advogados, juízes e juris obtenham a representação exata do que foi enviado e recebido em mensagens trocadas: “As palavras podem não descrever adequadamente o significado preciso dos emojis”.
(Galileu. 12.07.2019. https://revistagalileu.globo.com. Adaptado)
* Emojis e emoticons são imagens usadas na comunicação em redes
sociais e mensagens instantâneas para expressar emoção, atitude ou
estado de espírito.
Preencha as lacunas, numerando-as de acordo com a tabela a seguir. (Todos estão escritos com o p minúsculo)
I. porque
II. por que
III. porquê
IV. por quê
( ) Tu não trabalhas _______?
( ) O sofrimento _______ passei me deu coragem.
( ) ________ era jocoso, riam dele.
( ) Ele não trabalha ________ não quer.
( ) Quero saber o _________ da tua raiva.
( ) ________ não trabalhas?
Marque a opção que apresenta a sequência CORRETA.
Complete as lacunas em branco, da crônica de Fernando Sabino, abaixo, usando "por que", "porque", "por quê" ou "porquê":
Hora de dormir
(Fernando Sabino)
_____ não posso ficar vendo televisão?
_____ você tem de dormir.
_____ ?
_____ está na hora, ora essa!
(https://oglobo.globo.com. Adaptado)
Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, com:
Leia a charge.
(http://www.nanihumor.com)
Assinale a alternativa em que o enunciado expressa
informação coerente com as informações da charge e em
conformidade com a norma-padrão.
Considere o texto para responder à questão .
Na apresentação intitulada “A exaustão da razão”, a filósofa e psicanalista Viviane Mosé descreveu o quadro atual da sociedade: em crise. “Estamos vivendo mais do que uma crise normal porque, a meu ver, tudo está em crise”, sintetizou. Segundo ela, a atual crise civilizatória tem a ver com uma mudança na forma de percepção da realidade: o tradicional “pensamento em linha”, de acordo com Viviane, está sendo substituído velozmente pelo “pensamento em simultaneidade”, que troca a materialidade da vida, ou sua objetividade, pela narrativa midiática, nas redes. É como se o ato de viver estivesse sendo substituído pela exposição desse ato. “É mais ou menos o papel que o carro ou a casa tinham na vida das pessoas: hoje é essencial ter espaços de narrativa, registrar materialmente as vivências”, disse.
Nesse sentido, alertou para três aspectos decorrentes dessa transformação: estamos nos transformando apenas em metáforas do que somos efetivamente; acabamos ampliando nosso espaço de significação perante o coletivo; e criamos, com isso, uma exigência de desempenho que está nos incapacitando paulatinamente. Não é à toa, destacou a filósofa, que os índices de depressão batem recordes na contemporaneidade, assim como os suicídios em populações jovens, especialmente. “Estamos matando nossa intangibilidade. Se não posso comigo, posto”, destacou.
Por trás dessa pressão, lembrou a filósofa, estão as constantes promessas por felicidade. Mas a palavra felicidade só promete, não cumpre. “Essas promessas de felicidade acabaram nos retirando dos nossos corpos, pois passamos a odiar o sofrimento – tanto físico quanto psíquico – quando ele é um dos fundamentos da existência”, afirmou.
Da mesma forma que passamos a odiar o sofrimento físico e psíquico, e a nos medicar cada vez mais contra isso, passamos a odiar também a solidão, completou Viviane. Mas solidão é, ou deveria ser, diferente de abandono. “Solidão é condição de vida. Quando estou sozinha estou comigo, estou exercendo a minha humanidade de conversar comigo mesma. Estamos nos embotando rapidamente, como um retrato da nossa impotência em existir”, constatou.
(CRPRS – Conselho Regional de Psicologia-RS. www.crprs.org.br.
Adaptado)
TEXTO I
Tatuagens relacionadas à doação de órgãos terão dinheiro
revertido para Santa Casa da Capital
Instituição afirma que campanha visa conscientizar o público mais jovem
Com o intuito de incentivar a reflexão neste mês da conscientização sobre a doação de órgãos, um estúdio de tatuagem do bairro Cidade Baixa, na zona central de Porto Alegre, lançou uma promoção que vai até o fim de setembro: desenhos que revelem a intenção de ser um doador custam R$ 50.
“Nosso estúdio sempre teve uma preocupação com o social, mas importante dizer que a tattoo não é um atestado de doação. A pessoa tem que conscientizar a família que quer doar”, diz Raquel Mandaluna, 32 anos, uma das tatuadoras do estúdio El Xixo.
Os valores serão entregues integralmente ao setor de transplantes da Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre, parceira na iniciativa.
“É uma ação que fala com o público mais jovem. Atualmente, passa de 33 mil o número de pessoas no Brasil esperando por um transplante, por isso é fundamental falarmos cada vez mais sobre o tema”, justifica Kelen Machado, enfermeira da Organização de Procura de Órgãos da Santa Casa de Porto Alegre. Ao menos dez tatuagens com a temática foram feitas desde o início do mês. A expectativa dos donos do estúdio é de que chegue pelo menos a 25 até o fim da promoção.
A professora Lenise Ghiorzi, 30 anos, tatuou um coração anatômico no peito, com os dizeres “doador de órgãos”, na base do órgão.
“Eu acredito que o universo é conectado e que todos somos um. Somos todos células de um corpo maior. Se alguma parte desse todo está doente, o todo também estará. Sempre que possível farei o necessário para que o mundo esteja são. Tatuar isso é expor para o mundo esse desejo de ajudar o próximo com algo que não me fará falta”, diz a jovem.
Os desenhos são pré-definidos. Ainda há a opção de frases que integram o slogan “um salva oito” [...].
Uma tatuagem pequena custa, em média, R$ 150 com algum dos oito profissionais do espaço da Rua Lopo Gonçalves, 33. Proprietário do estúdio, Jean dos Santos Ximenes de Azevedo, 32 anos, estima que o material custe ao menos R$ 50, além do tempo do tatuador, cedido para a campanha solidária: “Me incomoda fazer tattoo só por estética. Quando apareceu a iniciativa pensei que isso ajudaria a fazer algo mais, fazer a diferença.”
Com o despertar da campanha, os clientes do estúdio passaram a pedir outras marcas no corpo, de acordo com o artista.
“A galera diz que tem que marcar mais e deixar claro, para não acontecer algo diferente depois. Pedem também para desenhar o tipo sanguíneo e se tem alergia. Uma forma de deixar claro em caso de alguma emergência.”
Disponível em:<http://twixar.me/Gq71>
Leia a letra da música a seguir.
Assum Preto
Luiz Gonzaga
Tudo em vorta é só beleza
Sol de Abril e a mata em frô
Mas Assum Preto, cego dos óio
Num vendo a luz, ai, canta de dor
Mas Assum Preto, cego dos óio
Num vendo a luz, ai, canta de dor
Tarvez por ignorança
Ou mardade das pió
Furaro os óio do Assum Preto
Pra ele assim, ai, cantá mió
Furaro os óio do Assum Preto
Pra ele assim, ai, cantá mió
Assum Preto veve sorto
Mas num pode avuá
Mil vez a sina de uma gaiola
Desde que o céu, ai, pudesse oiá
Mil vez a sina de uma gaiola
Desde que o céu, ai, pudesse oiá
Assum Preto, o meu cantar
É tão triste como o teu
Também roubaro o meu amor
Que era a luz, ai, dos óios meus
Também roubaro o meu amor
Que era a luz, ai, dos óios meus
Disponível em: <https://www.letras.mus.br/luizgonzaga/47082/>. Acesso em: 19 fev. 2019.
Quanto às escolhas linguísticas que compõem a letra da
música de Luiz Gonzaga, é correto afirmar:
Analise a frase abaixo.
Já ................ anos, ......................... neste município fauna e flora abundantes. Atualmente só ........................ animais de pequeno porte e poucas árvores.
Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto.
COMO COMECEI A ESCREVER
Já contei em uma crônica a primeira vez que vi meu nome em letra de forma: foi no jornalzinho "O ltapemirim", órgão oficial do Grêmio Domingos Martins, dos alunos do colégio Pedro Palácios, de Cachoeiro de Itapemirim. O professor de Português passara uma composição "A Lágrima" — e meu trabalho foi julgado tão bom que mereceu a honra de ser publicado.
Eu ainda estava no curso secundário quando um de meus irmãos mais velhos — Armando — fundou em Cachoeiro um jornal que existe até hoje — o "Correio do Sul". Fui convidado a escrever alguma coisa, o que também aconteceu com meu irmão Newton, que fazia principalmente poemas. Eu escrevia artigos e crônicas sobre assuntos os mais variados; no verão mandava da praia de Marataízes uma crônica regular, chamada "Correio Maratimba".
Quando fui para o Rio (na verdade para Niterói) por volta dos 15 anos, mandava correspondência para o “Correio”. Continuei a fazer o mesmo em 1931, quando mudei para Belo Horizonte. A essa altura meu irmão Newton trabalhava na redação do "Diário da Tarde" de Minas. No começo de 1932 ele deixou o emprego e voltou para Cachoeiro; herdei seu lugar no jornal. Passei então a escrever diária e efetivamente, e fui aprendendo a redigir com os profissionais como Octavio Xavier Ferreira e Newton Prates.
Quando terminei meu curso de Direito, resolvi continuar trabalhando em jornal. Fazia crônicas, reportagens e serviços de redação. Ainda em 1932 tive uma experiência bastante séria: fui fazer reportagem na frente de guerra da Mantiqueira, missão aventurosa porque a direção de meu jornal era favorável à Revolução Constitucionalista dos paulistas, e eu estava na frente getulista. Acabei preso e mandado de volta.
A essa altura eu já era um profissional de imprensa, e nunca mais deixei de ser.
CONY, C. Heitor.Inhttps://cronicasbrasil.blogspot.com/search/label/Cony
“Eu escrevia artigos e crônicas sobre assuntos os mais variados;” (2º §)
A preposição sublinhada na frase acima exprime o valor semântico de assunto. Ela pode ser substituída, sem alteração de sentido, pela seguinte locução prepositiva:
