Questões de Concurso
Sobre preposições em português
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“Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu”.
Esse segmento dá início ao romance Dom Casmurro, um dos mais famosos da literatura brasileira.
A opção em que a afirmativa está correta é:
A modificação necessária para que esse texto fique correto é:
Com relação aos aspectos linguísticos do texto CG1A1-I, julgue o item a seguir.
No trecho “deparamos com uma realidade única e definida”,
no sexto período do texto, a supressão da preposição “com”
prejudicaria a correção gramatical do texto.
Ele então começou a me enviar milhões de textos que eram uma mistura frenética de sonhos, pseudorroteiros cinematográficos, pedidos de desculpas, posts-denúncias, listas de exigências de sequestrador, tudo num fluxo insano de criação, que ele mesmo dizia que um dia iria sufocá-lo de vez — o que me fez proferir o dito conselho.
O fato é que um dia passei em frente ao notebook dele e lá estava a tela quase inteiramente coberta de post-its, todos iguais, escritos: NÃO PIRA. E ele então me confidenciou: Cara, você resolveu minha vida. Eu só não posso pirar! É isso!
Esse episódio obviamente fala muito mais sobre essa característica de esponja afetointelectual dele do que sobre alguma qualidade do meu conselho. E foi sendo assim, esponja que se enche e se comprime (deixando desaguar seus textos em redes sociais), que foi surgindo um escritor muito especial. Especial não pra mãe dele ou pra Su (a santa), mas para a cidade do Rio de Janeiro.
Com uma voz e um estilo absolutamente singulares, Dinho flerta com a narrativa do fluxo do pensamento, o que poderia gerar textos apenas egoicos e herméticos, eventualmente mais valiosos pra ele do que para o leitor. Mas sei lá como, seus textos conciliam esse jeitão com uma relevância quase política, pois jogam luz sobre partes da cidade que merecem ser mais vistas, mais percebidas, e até mesmo mais problematizadas.
Dinho “vê coisas”. E, consequentemente, tem o que dizer. Não só sobre o subúrbio, suas ruas, seus personagens e seus modos, numa linhagem Antônio Maria ou João do Rio, mas muitas vezes também sobre bairros já enjoativos, de tão submersos em clichês, como o tão adorado-odiado Leblon. Seu “olhar de estrangeiro” revela estranhas entranhas da Zona Sul do Rio de Janeiro. O fato é que, com este livro, a cidade fica muito maior, mais plural e consequentemente mais justa.
Espero que este seja apenas o primeiro de uma série. Se é que posso dar mais algum conselho, o único que me ocorre ao vê-lo escrevendo hoje em dia é: NÃO PARE!
A QUESTÃO REFEREM-SE AO TEXTO A SEGUIR.
O homem que escreve cartas de amor
A principal agência de correios de Ho Chi Minh fica perto do Rio Saigon, na parte mais tranquila da cidade, onde os arranha-céus ainda não furam as nuvens e nenhuma motocicleta cruza as ruas zoando como um enxame de abelhas. Fica na frente da catedral de Notre Dame, em um prédio colonial antigo de 1886. Parece com os mercados antigos de Paris, pintado em cor de pêssego, com ventiladores zumbindo entre colunas ornamentais e a luz solar entrando por uma claraboia no telhado. É um lugar eterno – a mais bela agência de correio em toda a Ásia.
Duong Van Ngo, um homem forte de 77 anos, estaciona sua bicicleta à sombra dos plátanos, cujos troncos são pintados de branco como se usassem polainas. Ele saúda os vendedores de postais e atravessa os arcos com o relógio da estação. São oito horas, o início de seu dia de trabalho em uma manhã quente e úmida de fevereiro.
Ngo se senta na ponta de uma longa mesa de madeira, abaixo de um mural de Ho Chi Minh. Ele tira de sua mala dois dicionários e uma lista de códigos postais franceses. Depois, coloca uma fita vermelha em sua manga esquerda para ficar facilmente reconhecível e expõe o cartaz: "Informações e Assistência de Redação".
Ngo é um mediador entre mundos - um escritor de cartas profissional do tipo que costumava existir antigamente. Ele escolhe cada palavra meticulosamente, formula as frases cautelosamente, burila o estilo da carta. Ele sabe como são importantes as palavras, e o mal que podem fazer. Ngo não apenas traduz, ele faz uma ponte entre as pessoas, aconselha-as e conforta-as, discretamente e com perfeita atenção à forma.
As funcionárias do correio chamam-no de o homem que escreve cartas de amor. Ele já provocou tantos casamentos, dizem, e é um poeta. Bem, diz Ngo, "talvez dois ou três casamentos. O amor em geral se esvai entre os continentes, com as duas línguas, duas culturas – você sabe. Não é fácil."
Disponível em <https://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2007/03/08/ult2682u383.jhtm> Acesso em: 4 nov. 2019. Adaptado.
A esse respeito, leia o fragmento retirado do texto “O homem que escrevia cartas de amor”.
“Duong Van Ngo, um homem forte de 77 anos, estaciona sua bicicleta à sombra dos plátanos, cujos troncos são pintados de branco como se usassem polainas. Ele saúda os vendedores de postais e atravessa os arcos com o relógio da estação.”
As palavras grifadas, respectivamente, classificam-se em
Descanso ensurdecedor
Uma explicação evolucionista para a qualidade contagiosa dos bocejos reza que eles servem para sincronizar o ciclo de sono e vigília em grupos humanos, desde o tempo das cavernas. Numa cidade de 12 milhões de habitantes, há muito isso se tornou impossível.
Nessa megamultidão sempre haverá notívagos e madrugadores, os que podem dispor da noite para divertir-se e os que precisam padecer horas a fio em meios de transporte para chegar ao trabalho.
Sem chance de coordenar suas atividades, resta torná-las compatíveis por meio de regras de convivência, e compete ao poder público garantir seu cumprimento.
Dormir bem, afinal, constitui direito do cidadão. O sono é imprescindível para recuperar o corpo de fadigas e até para a mente fixar coisas aprendidas durante o dia, mas quem consegue adormecer e descansar na metrópole barulhenta?
Poucos saberão, mas vigora em território paulistano uma norma que estipula o máximo de 60-65 decibéis de ruído no período diurno e 50-55 no noturno, a depender da classificação urbana da área.
O limiar legal para a madrugada fica pouco acima do volume recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), 40 decibéis, o equivalente a uma conversa em voz baixa.
A iniciativa Mapa do Ruído, por exemplo, já mediu 92 decibéis em ruas do Brás. O munícipe conta com um serviço de denúncias e reclamações da prefeitura, pelo telefone 156, mas as 440 multas aplicadas neste ano pelo programa Psiu não parecem surtir muito efeito.
Considere-se o bairro de Santa Cecília, primeiro no ranking das queixas. Só em 2019 acumularam-se 595 reclamações. As próximas vítimas do descaso ensurdecedor são os moradores de Pinheiros, que fizeram 511 denúncias neste ano.
A gastronomia e a vida noturna de São Paulo constituem um patrimônio cultural da metrópole, não se discute. Há que fiscalizar e punir com mais rigor, no entanto, quem as utiliza como álibi para perturbar o sono alheio.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 27.11.2019. Adaptado)
Considere as reescritas do texto:
• Numa cidade de 12 milhões de habitantes, os cidadãos estão suscetíveis _________ barulhos em excesso.
• Poucos sabem _________ vigora em território paulistano uma norma que estipula…
• Não se discute _______ a gastronomia e a vida noturna de São Paulo…
Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, com:
Leia a tira para responder à questão.

Leia o texto para responder à questão
Considerando-se que a vida social é fundamental à existência dos seres humanos, é na família que se dá início ao processo de socialização, educação e formação para o mundo. Os grupos familiares caracterizam-se por vínculos biológicos, mas sua constituição não se limita apenas ao aspecto da procriação e da preservação da espécie, pois é um fenômeno social.
As famílias são grupos primários, nos quais as relações entre os indivíduos são baseadas na força dos sentimentos entre as pessoas, o que justifica, muitas vezes, o amor existente entre pais e filhos adotivos, logo sem relação consanguínea.
Assim, laços que unem os indivíduos em família não são sustentados pela lógica da troca, a partir de um cálculo racional. Ao contrário, a família é um grupo informal, ao qual as pessoas estão ligadas por afeto e afinidade e, por conta desses sentimentos, criam vínculos que garantem a convivência, além da cooperação econômica.
Mesmo que por motivos quaisquer os indivíduos venham a se separar não mais residindo no mesmo local, obviamente continuam a constituir uma família, principalmente no aspecto legal.
Embora seja um fenômeno social presente em todas as culturas, os grupos familiares e as relações de parentesco manifestam-se de formas peculiares, dependendo dos costumes de um determinado povo ou sociedade, podendo sofrer alterações como consequência direta das transformações sociais, econômicas e políticas, dentro de uma mesma cultura.
(brasilescola.uol.com.br/sociologia/família-não-apenas-um-grupo-mas-um-fenomeno-social.htm. Acesso em 21.10.2019. Adaptado)
Considere a passagem:
As famílias são grupos primários, nos quais as relações entre os indivíduos são baseadas na força dos sentimentos entre as pessoas, o que justifica, muitas vezes, o amor existente entre pais e filhos adotivos, logo sem relação consanguínea.
Nesse trecho, o vocábulo destacado que expressa o sentido de ausência e privação é:
eia o texto para responder à questão.
Confiando no vento
Naquele dia, Leila se lembrou do avô distante que os irmãos mais velhos o descrevem como um homem franzino, sempre de boina e chupando balas. O menino estrangeiro, o clandestino, interno do abrigo de menores, o alfaiate no lombo do burro com sua máquina, o tocador de bandolim que falava uma língua só dele, mistura de português, francês e árabe.
A lembrança do avô veio à memória de Leila, especialmente se recordou de uma história com as peras do quintal dele. Ele estava já com setenta e muitos anos quando, pela primeira vez, começou a ter problemas de saúde. Cada dia uma coisa, aquele varejo implacável do envelhecer. O filho e a nora quiseram levá-lo ao médico, mas ele se recusou. O médico foi até sua casa e ele não quis recebê-lo. Remédios, nem pensar. E o avô de Leila só definhando, recusando qualquer tipo de tratamento.
Até que um dia, provavelmente para se livrar da insistência da família, ele, homem de pouquíssimas palavras, deu uma explicação definitiva para seu comportamento:
− Sabem aquelas peras lá do quintal? Quando estão muito maduras, elas caem com o vento. Vocês já viram alguém amarrar alguma delas no galho para durar mais tempo? Não, porque a gente confia no vento. Ele sabe a hora certa. Então, por favor, não queiram me amarrar na árvore. Me deixem em paz. Eu estou esperando o vento.
Poucos dias depois, uma brisa levou sem alarde o alfaiate. Numa cultura que nega a existência da velhice, ora admite que ela existe, mas a promove artificialmente à condição de melhor etapa da vida, saber respeitar a direção e a intensidade dos ventos, ao que tudo indica, é algo que ninguém quer.
As árvores estão cheias de peras amarradas que lutam, não só para não caírem, mas para não demonstrarem que amadureceram. O avô de Leila, que tanta estranheza causou com sua teimosia contra os homens e sua obediência à natureza, provavelmente iria se assustar com os pomares de hoje.
(Leila Ferreira. Viver não dói. São Paulo: Globo, 2013. Adaptado)
Leia o texto abaixo e responda ao que se pede.
Higiene bucal
A higiene bucal é um componente fundamental da higiene corporal das pessoas. Talvez você não saiba, mas os seus hábitos e estilo de vida impactam diretamente a saúde dos seus dentes.
A obesidade, por exemplo, pode aumentar o risco de doença periodontal. Outro fator é o cigarro. Estudos revelam que os fumantes são mais propensos a sofrerem com doenças periodontais avançadas do que quem não fuma. Além de aumentar as chances de desenvolver uma doença gengival, fumar também torna o tratamento muito mais demorado e complicado por dificultar o processo de recuperação.
Infecções bucais são comuns, mas elas também podem contribuir para dentes quebrados ou lascados. O uso de piercing na região bucal também pode causar uma retração da gengiva, que pode levar os dentes a amolecerem e caírem. Apesar desses dados, o grande vilão dos dentes é o açúcar, por promover o desenvolvimento de placas nos dentes. Essas placas causam acúmulo de ácido, que desmineraliza o esmalte do dente, causando cárie. Sem tratamento, a cárie pode penetrar fundo no dente provocando dor ou, em casos mais graves, a perda do dente.
(www.unimed.com.br)
Considere as afirmações abaixo sobre aspectos da construção linguística:
I- Em “Vossa Senhoria vos enganastes no tratamento daquela questão.”, o verbo e o pronome (vos)deveriam estar na terceira pessoa do singular, conforme recomenda a norma culta da língua.
II- Em “Porque não queria ir ao dentista, o menino apanhou de chinelo.”, a preposição destacada expressa relação de meio.
III- No segundo parágrafo do texto, (L 2), em “Outro fator é o cigarro.”, o elemento destacado exerce função anafórica.
Está correto apenas o que se afirma em:
Leia a crônica de Ivan Angelo para responder à questão.
Janelas e varandas
Varandas e janelas podem ser um campo interessante para observação nas metrópoles. Contribuições pessoais de moradores para a decoração da cidade. Espaços de expressão. Vitrines individuais.
É da sacada do prédio que o morador da metrópole confere a paisagem, o tempo e a vida lá fora. Janelas separam o íntimo e o público, mas algumas pessoas não se importam de botar no espaço público um pouco do que é do íntimo.
Rede estendida já vi mais de uma vez, em exíguas varandas, uma até com um homem em descuidada sesta. Nostalgia do Nordeste? De algum sítio? De uma minivaranda da Bela Vista1 , moça sentada de toalha nos ombros nus sob um secador de cabelos daqueles de pé e capacete, lendo revista. Casa dela ou salão de beleza improvisado? Em uma janela que dá para o Minhocão2 , uma gaiola com passarinho. Ave presidiária, condenada à feiura e ao barulho humanos. Será que canta?
Nesses espaços “públicos”, os ricos diferenciam-se principalmente pelas plantas, alguns com verdadeiras florestas. O povão ousa mais no pessoal. Como se fosse um quintal, lá põe rede, casa de cachorro, fogão quebrado, poleiro de papagaio, latão com planta, pendura bicicleta, monta churrasqueira...
Mas, em certas ocasiões, como Natal e Copa do Mundo, todos se igualam e botam luzes piscantes ou bandeiras.
É o que basta para pensarmos neles com uma distante camaradagem – oi, oi, estou aqui, sou um ser humano e cuido de um passarinho.
(VEJA SP, 05.10.2005. Adaptado)
1. Bela Vista: bairro paulistano.
2. Minhocão: famoso viaduto na cidade de São Paulo.
Considere as frases.
• As varandas e janelas, ____quais o cronista descreve, são vitrines do comportamento humano.
• O passarinho, ______quem o dono submete ao barulho e à feiura, aparece na janela de um edifício no Minhocão.
Para que as frases elaboradas a partir do texto estejam de acordo com a norma-padrão, as lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, por
Leia o texto para responder a questão.
Dormir bem é parte essencial de nossa rotina; veja dicas Não só é importante repousar tempo suficiente, como também é preciso ter um sono de qualidade
Cada vez mais, especialistas em sono nos alertam sobre a importância de dormir bem para a qualidade de nossa rotina. O tema tem sido muito debatido com a divulgação de estudos, a maioria deles dando conta de que não só é importante repousar tempo suficiente, como também é essencial que se tenha o chamado sono de qualidade.
Isso significa que precisamos dormir pelo menos seis horas por noite e de uma forma tranquila, sem interrupções. Mas como conquistar aquela tão desejada noite de sonhos? Veja o que sugerem os especialistas:
– Crie uma rotina de horários para dormir e despertar e tente segui-la sem muitas alterações;
– Vá para a cama somente na hora de dormir, tentando não exercer outras atividades nesse espaço;
– Tente não resolver problemas na cama, antes de dormir (de preferência, nem pense neles!);
– Não tome medicamentos para dormir sem orientação médica;
– Não faça atividades físicas ou exagere nas telas (TVs ou dispositivos móveis) perto da hora de dormir; – Durma em ambiente confortável, saudável, escuro e sem ruídos, na medida do possível;
– Não consuma bebidas com álcool ou cafeína pouco tempo antes de dormir;
– Jante moderadamente em horário adequado e regular e, após comer, dedique-se a atividades repousantes e relaxantes. [...]
Disponível em https://catracalivre.com.br/equilibre-se/dormir-bem-e-parteessencial-de-nossa-rotina-veja-dicas/
Como o casamento reduz a pobreza
Tiago Cordeiro, especial para a Gazeta do Povo
De todas as famílias brasileiras, 62,2% são formadas por casais, com ou sem filhos. Esse é o dado mais recente, produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2015. Dez anos antes, o percentual era maior: 65,3%. A queda é preocupante por um motivo simples: famílias compostas por casais são estratégicas para reduzir a pobreza.
Ainda de acordo com o IBGE, entre os grupos familiares que estavam abaixo da linha de pobreza em 2017, 57% eram compostos por mulheres sem cônjuge e com filhos. Casais, com e sem filhos, formam uma fatia menor das famílias pobres brasileiras: 42%.
A ideia de que o casamento é importante para aumentar a renda e garantir a estabilidade financeira também está bem arraigada nos Estados Unidos, onde há décadas estudos comparam a situação socioeconômica de casais, na comparação com solteiros ou viúvos. “Viver em uma família formada por um casal reduz a probabilidade de uma criança viver na pobreza em 82%”, afirma, por exemplo, Robert Rector, especialista em estudos de políticas domésticas, em artigo para a Fundação Heritage.
Utilizando dados do censo americano, ele aponta que 36,5% das casas em que mães ou pais solteiros vivem com os filhos estão abaixo da linha de pobreza, enquanto que apenas 6,4% das residências compostas por casais com filhos são caracterizadas como pobres. “Não surpreende o fato de a esmagadora maioria das crianças pobres dos Estados Unidos viver em famílias formadas só pelo pai ou pela mãe. O casamento é uma arma poderosa na luta contra a pobreza”, conclui Robert Rector. “Ser casado tem o mesmo efeito, para a redução da pobreza, de adicionar cinco anos ao nível de formação escolar dos pais”.
[...]
Disponível em https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/casamento-reduz-a-pobreza/
Vidinha
Vidinha era uma rapariga que tinha tanto de bonita como de movediça e leve; um soprozinho, por brando que fosse, a fazia voar, outro de igual natureza a fazia revoar, e voava e revoava na direção de quantos sopros por ela passassem; isto quer dizer, em linguagem chã e despida dos trejeitos da retórica, que ela era uma formidável namoradeira, como hoje se diz, para não dizer lambeta, como se dizia naquele tempo.
Portanto não foram de modo algum mal recebidas as primeiras finezas do Leonardo, que desta vez se tornou muito mais desembaraçado, quer porque já o negócio com Luisinha o tivesse desasnado, quer porque agora fosse a paixão mais forte, embora esta última hipótese vá de encontro à opinião dos ultrarromânticos, que põem todos os bofes pela boca pelo tal primeiro amor: no exemplo que nos dá o Leonardo aprendam o quanto ele tem de duradouro.
Se um dos primos de Vidinha, que dissemos ser o atendido naquela ocasião, teve motivos para levantar-se contra o Leonardo como seu rival, o outro primo, que dissemos ser o desatendido, teve dobrada razão para isso, porque além do irmão apresentava-se o Leonardo como segundo concorrente, e o furor de quem se defende contra dois é, ou deve ser sem dúvida, muito maior do que o de quem se defende contra um.
Declarou-se, portanto, desde que começaram a aparecer os sintomas do quer que fosse entre Vidinha e o nosso hóspede, guerra de dois contra um, ou de um contra dois. A princípio foi ela surda e muda; era guerra de olhares, de gestos, de desfeitas, de más caras, de maus modos de uns para com os outros; depois, seguindo o adiantamento do Leonardo, passou a dictérios, a chasques, a remoques.
Um dia finalmente desandou em descompostura cerrada, em ameaças do tamanho da Torre de Babel, e foi causa disto ter um dos primos pilhado o feliz Leonardo em flagrante gozo de uma primícia amorosa, um abraço que no quintal trocava ele com Vidinha.
(ALMEIDA, M. Antônio de. Memórias de um sargento de milícias. São Paulo: Editora FTD, 1996, p. 123.)
“embora esta última hipótese vá de encontro à opinião dos ultrarromânticos” (2º §)
É comum os falantes confundirem o emprego das locuções prepositivas “de encontro a” (ir no sentido contrário a alguma coisa, chocando-se com, opondo-se) e “ao encontro de” (ir no mesmo sentido de alguma coisa, indo a seu favor), por serem semelhantes na construção.
Das frases abaixo, em que foram empregadas ambas as locuções, aquela que está INCORRETA porque, pelo sentido da frase, foi empregada uma locução pela outra é:
Considerando a Gramática Normativa da Língua Portuguesa, leia com atenção o texto abaixo para responder à questão.
O câncer de mama é o segundo mais comum no mundo. E os dados sobre essa doença são contrastantes: enquanto ela é uma das principais causas de morte de mulheres, também é o tipo de câncer com a maior taxa de cura. O que separa um resultado de outro é, naturalmente, o diagnóstico precoce.
Hoje, o autoexame das mamas e a mamografia são prevenções efetivas, que buscam pequenos nódulos indicativos do início do problema. Agora, porém, médicos querem tornar o diagnóstico mais simples, prático e preciso: segundo um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, um exame de sangue poderia detectar um câncer de mama 5 anos antes de aparecerem os sinais detectados pelos exames atuais.
A lógica do estudo foi não focar nas concentrações de células cancerígenas, que são justamente o que causam o nódulo, mas sim nos antígenos produzidos por elas. Antígeno, vale lembrar, é toda substância que desencadeia uma resposta imune do organismo, ativando nosso sistema de defesa.
A hipótese dos pesquisadores era a de que as células cancerígenas, desde quando são muito poucas, já produzem proteínas que agem como antígenos. Detectar no sangue os anticorpos desencadeados por esses antígenos seria uma forma mais prática de detectar o câncer de mama em estágio inicial.
Para testar essa hipótese, a equipe coletou amostras de sangue de 90 pacientes recém-diagnosticados com câncer de mama e 90 amostras de pacientes sem o problema, para servir como grupo de controle.
Fonte: https://super.abril.com.br/saude/cancer-de-mama-pode-serdetectado-por-exame-de-sangue-ate-5-anos-antes-de-sinais-aparecerem/

(Alexandre Beck. Armandinho. https://tirasarmandinho.tumblr.com)
Nobel de Economia vai para trio que
pesquisa formas de reduzir a pobreza
Neste ano, o comitê do Prêmio Nobel de Economia concedeu a honraria a três pesquisadores da área: Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer.
Segundo os organizadores, os especialistas têm como mérito terem encontrado maneiras eficazes de combater a pobreza no mundo. Eles fizeram isso, cada um à sua maneira, dividindo um problema global em questões menores, o que facilita o gerenciamento.
Em meados dos anos 1990, o norte-americano Michael Kremer foi a campo testar intervenções que poderiam melhorar o desempenho escolar de crianças no oeste do Quênia. A francesa Esther Duflo e o indiano Abhijit Banerjee (que são casados) realizaram estudos semelhantes em outros países. Na Índia, por exemplo, mais de 5 milhões de crianças se beneficiaram de programas de reforço em salas de aula. A saúde também está no trabalho dos laureados. Seus estudos mostraram como populações mais pobres são sensíveis a elevações de preços nos gastos com saúde preventiva.
Dentre o trio de laureados, vale destacar Esther Duflo: ela é a segunda mulher e a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel de Economia.
(https://revistagalileu.globo.com, 14.10.2019. Adaptado)