Questões de Concurso
Sobre pontuação em português
Foram encontradas 14.499 questões
I. A vírgula após o vocábulo 'especificação' se justifica porquanto inicia uma oração explicativa;
II. A expressão 'dentro do' pode ser permutada, sem prejuízo sintático-semântico, por „como pertencentes ao‟;
III. A troca da forma verbal 'Há' pelo verbo „existir‟ não exigiria a flexão de número plural para este último.
Marque a opção CORRETA:
Leia o Texto 1 para responder à questão.
Texto 1
A onça e a raposa
Não há melhor momento para se contar história do que no final do dia. Nessa hora, todas as crianças já estão cansadas e a mente, mais tranquila. “Nosso corpo tem que estar bem tranquilo quando ouvimos uma história”, dizia sempre a velha Kaluhá. E ela dizia isso porque sabia que era necessário manter nosso corpo relaxado e a mente atenta para os desafios que a mata nos apresenta.
– E como a gente consegue isso, vovó? – perguntou meio sonolento o pequeno Tarú. A velha mulher olhou para o pequeno e lançou-lhe um olhar muito carinhoso.
– Você ainda é muito pequeno para saber todos os mistérios de nossas vidas, menino. Mas é observando os animais que aprendemos a nos comportar e a sobreviver.
– Como assim? – alguém questionou.
A anciã ajeitou seu corpo na esteira onde estava sentada e passou a narrar em voz alta a história da esperteza da raposa no dia em que queria tomar água e a onça não queria deixar.
MUNDURUKU, Daniel. Coisas de onça. São Paulo: Mercuryo Novo Tempo, 2011 p. 31 e 32.
Leia o Texto 2 para responder à questão.
Texto 2
No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma.
Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro passou mais de seis anos não falando. Si o incitavam a falar exclamava:
— Ai! Que preguiça!...
E não dizia mais nada. Ficava no canto da maloca, trepado no jirau de paxiúba, espiando o trabalho dos outros e principalmente os dois manos que tinha, Maanape já velhinho e Jiguê na força do homem. O divertimento dele era decepar cabeça de saúva. Vivia deitado mas si punha os olhos em dinheiro, Macunaíma dandava pra ganhar vintém. E também espertava quando a família ia tomar banho no rio, todos juntos e nus. Passava o tempo do banho dando mergulho, e as mulheres soltavam gritos gozados por causa dos guaiamuns diz-que habitando a águadoce por lá. No mocambo si alguma cunhatã se aproximava dele pra fazer festinha, Macunaíma punha a mão nas graças dela, cunhatã se afastava. Nos machos guspia na cara. Porém respeitava os velhos, e frequentava com aplicação a murua a poracê o torê o bacororô a cucuicogue, todas essas danças religiosas da tribo.
ANDRADE, Mário de. Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. São Paulo: Ubu Editora, 2017, p. 13.
Leia o texto para responder as questões.
Saudade do que não vivemos
Fomos enganados, acredite em mim.
Esses mal-intencionados donos das grandes redes sociais e de impérios tecnológicos nos convenceram que nossas vidas seriam muito melhores se nós todos nos conectássemos.
Todos nós, amigos, parentes, até você e eu, querido leitor, conectados para sempre.
Nos convenceram de que deveríamos empacotar os nossos relacionamentos profissionais e pessoais, nosso lazer, nossos planos, projetos e sonhos dentro de seus conglomerados.
Disseram que, pela primeira vez na história, o ser humano comum como você e eu, teríamos voz e poderíamos expor nossas opiniões para o mundo inteiro ouvir.
E com isso, seríamos muito mais felizes.
Tá. Vai nessa.
Depois de uns dez ou quinze anos dessa mudança sociocultural, não me sinto muito mais feliz do que no passado.
Primeiro porque, sempre que eu decido falar nas redes sociais, ninguém me escuta.
Depois, “estar conectado” com o mundo não tem se mostrado ser uma grande vantagem já que, a cada dia que passa me convenço que o mundo precisa muito mais de mim, do meu tempo e do meu dinheiro, do que eu dele.
Não está nada equilibrada essa brincadeira.
Antigamente, meu jovem, éramos desconectados, mas a vida era simples.
Você acordava pela manhã e ia trabalhar.
No Metrô, lia o jornal do dia, com as notícias de ontem.
Uma vez no escritório, encontrava o chefe em sua sala, os clientes na sala de reunião, os colegas de trabalho no café.
Voltava para casa olhando a paisagem.
Beijava a mulher e os filhos, jantavam todos juntos e depois assistiam o jornal e a novela, que eram – pasmem – de graça.
Hoje tudo mudou.
Acordo e, ainda na cama, repasso todas as notícias do dia, da noite, da véspera e o que vai acontecer pelo mundo nas próximas horas.
Nem tiro a cabeça do travesseiro e já levo, garganta abaixo, um direto de direita de informações.
A caminho do trabalho, sem jornal para ler, eu poderia, quem sabe, conversar com o cidadão sentado ao meu lado no ônibus.
Isso, claro, se ele levanta os olhos da tela, num jogo que aparentemente tem como objetivo organizar guloseimas coloridas.
Ao chegar ao escritório, o chefe, os clientes e os colegas de trabalhos estão nos mesmos lugares que estão sempre: no WhatsApp.
Curiosamente, nenhum deles parece utilizar o mesmo sistema de horas que eu.
Mensagens apitam num fluxo interminável, que não respeita qualquer pausa que eu tente dar ao meu analógico cérebro.
No caminho de volta para casa, a paisagem é, de novo, as guloseimas na tela do sujeito ao lado.
Num momento de fraqueza, baixo o jogo e me junto ao exército de zumbis que ocupam a mesma condução.
Em casa, mulher e filhos estão cada um no seu canto.
Um deles pergunta no grupo da família, se alguém pediu comida.
É bem provável que quando a pizza chegar, cada um coma no momento e local que melhor lhe convier.
Quem sabe, no próximo sábado, nos encontraremos na sala.
Cansado, ligo a TV para assistir a um filme.
A TV não é mais de graça.
Numa conta assim, por cima, descubro que com o que gasto em assinaturas de serviços de streaming, poderia ter comprado um cinema pequeno no interior.
Não me levem a mal.
Nem imaginem que não admiro os avanços tecnológicos que vivemos hoje.
Mas tenho saudade, ora.
Saudade de um tempo em que você e eu não estávamos conectados.
Mas já que estamos, se tiver umas vidas aí do joguinho das guloseimas, por favor, me mande, ok?
Disponível em: https://istoe.com.br/saudade-do-que-nao-vivemos/






I. Na linha 06, o emprego do duplo travessão deve-se ao isolamento de uma expressão retificadora.
II. Na linha 10, o emprego da vírgula deve-se à separação de uma oração subordinada deslocada.
III. Na linha 22, o emprego da vírgula separa um aposto deslocado.
Quais estão corretas?
( ) Ninguém, sabia onde ele, estava.
( ) Qual é a sua motivação?
Leia atentamente o texto a seguir para responder à questão.

Disponível em https://www.hospitaloswaldocruz.org.br/imprensa/noticias/precisamos-falar-de-gordofobia Acessado em 23/10/2010 - Texto adaptado


I. As filas fazem parte da vida em sociedade e são um ótimo exemplo das regras que ela nos impõe. O pronome ‘ela’ refere-se ao substantivo ‘vida’.
II. ‘pênalti’ e ‘vôlei’ não são acentuadas pela mesma regra.
III. “No futebol, bola na rede é gol, bola na mão pode, ser falta ou pênalti.”
A vírgula inserida na frase não prejudicou o sentido nem a correção gramatical do período.

