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Questões de Concurso Comentadas sobre pontuação em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 10.734 questões

Q4075522 Português
A seta ornamental


    Toda cidade abriga personagens fixos. Há o filósofo de fila de padaria, o especialista em clima que prevê chuva olhando para o joelho e o cidadão que trata vaga de estacionamento como herança de família. No trânsito, porém, existe uma figura especialmente notável: o motorista que usa a seta como item de decoração.

     Ele não desconhece a existência do dispositivo. Seria até injusto acusá-lo disso. Sabe onde a alavanca fica, já a viu de perto e, em algum momento remoto da formação como condutor, ouviu dizer que ela serve para indicar ao outro o que se pretende fazer. O problema nunca foi falta de informação. Foi excesso de autoconfiança. Esse motorista acredita, com a serenidade dos mal orientados, que seu carro transmite pensamento.

     Ele vira à direita como quem muda de assunto no meio da frase. Sem aviso, sem transição, sem a menor cerimônia. O veículo atrás que descubra, por dedução, vocação profética ou reflexo de sobrevivência, qual será o próximo movimento daquela alma apressada. A seta, nesse universo mental, não é ferramenta. É adereço. Uma joia discreta instalada ao lado do volante para compor o acabamento interno, como quem diz: “sim, o automóvel veio completo”.

  O mais curioso é que esse mesmo motorista costuma se indignar profundamente quando os outros não adivinham suas intenções. Fecha a cara, buzina, gesticula, olha pelo retrovisor com a decepção de um artista incompreendido. Na cabeça dele, o erro nunca está na omissão do aviso. Está na falha geral da humanidade em perceber sinais que não foram dados. É quase uma doutrina: se eu pensei, os demais deveriam ter sentido.

     Há também o motorista seletivo, primo próximo desse tipo principal. Ele usa a seta apenas em ocasiões solenes, como quem retira uma louça fina do armário em dia de visita. Num retorno importante, talvez. Numa conversão diante de uma viatura, quem sabe. Fora disso, considera exagero. Para entrar bruscamente na frente do outro, basta coragem. Para sair de uma vaga sem prevenir ninguém, basta fé. E assim a rua vai sendo administrada por impulsos, palpites e pequenos sustos.

    Seria engraçado, e de certo modo é, se não revelasse algo maior. No fundo, a seta esquecida não é apenas uma distração mecânica. Ela denuncia uma visão particular do mundo. Quem não avisa o próprio movimento costuma agir como se o espaço comum lhe pertencesse em regime de exclusividade. Os demais aparecem como obstáculos móveis, figurantes inconvenientes de um roteiro no qual ele se imagina protagonista. A pressa vira argumento moral. A imprudência, um detalhe operacional. 

     Mas o trânsito, essa instituição onde desconhecidos negociam a paz a cada esquina, não funciona por telepatia. Funciona por pacto. E pacto exige sinais claros, previsibilidade mínima e uma dose de respeito que não custa combustível. Acionar a seta é um gesto pequeno, quase ridículo de tão simples. Justamente por isso ele tem valor. Não pede talento, riqueza nem genialidade. Pede apenas a aceitação civilizada de que o outro não foi colocado na via pública para suportar surpresas produzidas pela nossa pressa.

       Talvez esteja aí a lição, escondida sob o humor cotidiano. A seta não serve só para indicar para onde o carro vai. Ela revela de maneira discreta para onde vai o senso de coletividade de quem dirige. No trânsito e fora dele, muita confusão começa quando alguém acha desnecessário avisar, explicar ou considerar o impacto do próprio gesto. Ser adulto, afinal, talvez seja isso: parar de exigir que o mundo adivinhe nossas intenções e começar a sinalizá-las com clareza. Até porque, na vida como na avenida, quem transforma aviso em ornamento costuma chamar de azar o problema que ele mesmo fabricou.


Fonte: Banca Elaboradora 
Assinale a alternativa em que a pontuação preserva a correção gramatical e o sentido restritivo da oração adjetiva.
Alternativas
Q4075211 Português
O que são os “cristais de memória” que desafiam as leis da física e prometem solucionar o problema do armazenamento de dados

Por Laurie Clarke

Durante uma visita ao Japão, em 1999, o pesquisador Peter Kazansky encontrou um fenômeno físico misterioso, o que o levou a acreditar que esta seja a chave para o futuro do armazenamento de dados. No laboratório de optoeletrônica da Universidade de Kyoto, os cientistas testavam como escrever em vidro usando lasers ultrarrápidos de femtossegundo, emitindo um pulso de luz a cada quadrilionésimo de segundo. Nesse momento, observou-se algo incomum na forma pela qual a luz trafegava através do vidro tratado com laser: a dispersão de Rayleigh é um efeito bem conhecido. Ela descreve como pequenas partículas refletem a luz branca em todas as direções — o que explica, entre outras coisas, por que o céu parece ser azul. Mas, nesse caso, a luz não se refletia conforme o esperado. “Foi difícil explicar”, afirmou Kazansky, que é professor de optoeletrônica da Universidade de Southampton, no Reino Unido. “Nós observamos a luz se dispersar de uma forma que parecia desafiar as leis da física”. A desconcertante observação acabou provocando “um autêntico momento Eureka”, segundo ele. Os pesquisadores descobriram nanoestruturas ocultas dentro do vidro de sílica, criadas por microexplosões geradas pelos lasers de femtossegundo. “Imagine que você sustente um grosso pedaço de cristal contra a luz e observe como a luz é refletida em muitas direções”. Com a técnica do laser, os pesquisadores de Kyoto criaram acidentalmente pequenos orifícios que tinham essa mesma propriedade. Cerca de mil vezes menores que a espessura de um cabelo humano, esses “redemoinhos” de luz são tão minúsculos que são imperceptíveis para o olho humano. No entanto, logo ficou claro para os cientistas que seu potencial era transformador. “Essa foi a primeira prova de que podemos usar a luz para imprimir padrões complexos dentro de materiais transparentes, em escala menor que o comprimento de onda da luz”, explica Kazansky. Agora, 27 anos depois, espera-se que a descoberta feita no Japão possa ajudar a resolver um dos problemas da nossa era da informação: o armazenamento massivo de dados. Na era da internet, da inteligência artificial, das casas inteligentes e do capitalismo de vigilância, existe algo que simplesmente não paramos de produzir: dados. A empresa de análises IDC prevê que, até 2028, geraremos coletivamente 394 trilhões de zettabytes de informações todos os anos (um zettabyte equivale a um trilhão de gigabytes). Toda vez que fazemos qualquer coisa na internet, como assistir a um vídeo no YouTube, enviar um e-mail ou fazer uma pergunta a um chatbot de IA, cadeias de pontos de dados saem em disparada rumo ao ciberespaço. A ideia de que os dados “pesam pouco” é enganosa. Nós imaginamos as informações viajando de forma etérea por cabos submarinos ou flutuando suavemente “na nuvem”. Mas, na verdade, elas exigem enormes recursos físicos, cuja demanda está se tornando insaciável. Os centros de dados consomem quantidades massivas de eletricidade, água e materiais, e seu crescimento exponencial nos obriga a buscar alternativas radicais. Esse dilema vem impulsionando soluções inovadoras, e uma delas é a proposta de Kazansky, que é a de gravar dados por meio de lasers. Outras opções, como a armazenagem de informações em DNA, também estão sendo exploradas por cientistas e empresas como a Microsoft. 
O emprego do travessão no trecho “Ela descreve como pequenas partículas refletem a luz branca em todas as direções — o que explica, entre outras coisas, por que o céu parece ser azul” justifica-se por: 
Alternativas
Q4072747 Português
FOGO E MAR


   Era uma vez uma chama muito ardente, que veio voando e voando até beijar o mar. Antes levemente cálido, o mar esquentou. Não a ponto de ferver, mas a nova temperatura fez surgir uma forma de vida que ninguém jamais conheceu. Ela nasceu tímida, depois revelou aos poucos suas habilidades e voou ao infinito. O mar ficou mais quente. A chama continuou acesa. E um trouxe à tona a face desconhecida do outro (a chama, mais fria; o mar, mais quente), até se encontrarem no céu.


Disponível em
<https://folhadabaixada.com.br/literatura/micronarrativas/fogo-e-mar/>.
Com adaptações. Acesso em 18/04/2026.
A respeito da vírgula em “Não a ponto de ferver, mas a nova temperatura fez surgir uma forma de vida que ninguém jamais conheceu”, é correto afirmar que: 
Alternativas
Q4072306 Português
O espelho


— Estava a olhar para o vidro, com uma persistência de desesperado, contemplando as próprias feições derramadas e inacabadas, uma nuvem de linhas soltas, informes, quando tive o pensamento... Não, não são capazes de adivinhar.


— Mas, diga, diga.


— Lembrou-me vestir a farda de alferes. Vesti-a, aprontei-me de todo; e, como estava defronte do espelho, levantei os olhos, e... não lhes digo nada; o vidro reproduziu então a figura integral; nenhuma linha de menos, nenhum contorno diverso; era eu mesmo, o alferes, que achava, enfim, a alma exterior. Essa alma ausente com a dona do sítio, dispersa e fugida com os escravos, ei-la recolhida no espelho. Imaginai um homem que, pouco a pouco, emerge de um letargo, abre os olhos sem ver, depois começa a ver, distingue as pessoas dos objetos, mas não conhece individualmente uns nem outros; enfim, sabe que este é Fulano, aquele é Sicrano; aqui está uma cadeira, ali um sofá. Tudo volta ao que era antes do sono. Assim foi comigo. Olhava para o espelho, ia de um lado para outro, recuava, gesticulava, sorria e o vidro exprimia tudo. Não era mais um autômato, era um ente animado. Daí em diante, fui outro. Cada dia, a uma certa hora, vestia-me de alferes, e sentava-me diante do espelho, lendo olhando, meditando; no fim de duas, três horas, despia-me outra vez. Com este regime pude atravessar mais seis dias de solidão sem os sentir...


Quando os outros voltaram a si, o narrador tinha descido as escadas.



ASSIS, Machado de. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. v. II. Trecho adaptado. 
Analise os trechos do texto a seguir:

“quando tive o pensamento... Não, não são capazes de adivinhar.” (1º §) “levantei os olhos, e... não lhes digo nada;” (3º §)

O uso das reticências nesses dois trechos tem a função de 
Alternativas
Q4071854 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Os mistérios de uma antiga civilização avançada ainda pouco conhecida

Casas de tijolos com vários andares, ruas organizadas e um sistema de drenagem eficiente, com estruturas semelhantes a vasos sanitários com descarga, poderiam lembrar cidades atuais. No entanto, essa descrição refere-se aos centros urbanos da antiga civilização do Vale do Indo, que existiu há milhares de anos e já apresentava elevado nível de desenvolvimento.

Essa civilização, contemporânea do antigo Egito e da Mesopotâmia, é considerada altamente sofisticada, embora ainda seja pouco compreendida. Parte desse desconhecimento decorre do fato de sua escrita não ter sido decifrada, além da possibilidade de sua organização social ter sido mais igualitária do que a de outras sociedades da época.

Seu período mais desenvolvido ocorreu entre 2600 a.C. e 1900 a.C., embora suas origens remontem a cerca de 4000 a.C. Estendia-se ao longo do rio Indo, em regiões que hoje correspondem ao Paquistão e à Índia, sendo formada por comunidades agrícolas e mais de mil e quatrocentas cidades e povoados.

Um de seus aspectos mais notáveis era o planejamento urbano. As cidades possuíam construções de tijolos padronizados, ruas retas e organizadas em ângulos, além de sistemas de esgoto avançados e espaços destinados a banhos. Esses elementos indicam preocupação com higiene e saúde. A organização urbana também favorecia o comércio, incluindo trocas com outras regiões, como a Mesopotâmia, envolvendo matérias-primas e tecidos.

Outro ponto relevante é a forma de governança. As evidências sugerem uma administração coletiva e estruturada, responsável pela manutenção das cidades, sem sinais claros de poder concentrado, como palácios ou grandes monumentos. Isso diferencia essa civilização de outras da mesma época, nas quais o poder era centralizado e visível.

Apesar dos avanços, muitos aspectos permanecem desconhecidos. Isso se deve, em parte, ao fato de vários sítios ainda não terem sido escavados e ao uso predominante de materiais menos duráveis, como tijolos de barro. Além disso, a escrita encontrada em selos ainda não foi compreendida, o que dificulta o acesso a informações sobre a cultura, as crenças e a organização dessa sociedade.

Essa escrita é composta por poucos símbolos e não possui equivalentes conhecidos que auxiliem sua interpretação. Estudos indicam que há uma estrutura organizada, o que sugere a existência de regras, mas ainda não há consenso sobre seu significado. Caso seja decifrada, poderá revelar informações importantes sobre essa civilização.

Quanto ao seu declínio, uma das principais explicações está relacionada a mudanças ambientais, especialmente alterações no regime de chuvas. Evidências indicam que as populações abandonaram as cidades por volta de 1900 a.C. devido a inundações e dificuldades de adaptação ao novo ambiente.

O estudo dessa civilização oferece reflexões importantes para o presente. Sua organização social e urbana demonstra alto nível de planejamento, mas também revela que fatores ambientais influenciam profundamente o destino das sociedades. Com os recursos tecnológicos atuais, há maior capacidade de compreender esses processos e buscar formas de garantir a sustentabilidade das civilizações contemporâneas.

 

https://www.bbc.com/portuguese/articles/c248qzqvzqpo.adaptado.

Essa civilização, contemporânea do antigo Egito e da Mesopotâmia, é considerada altamente sofisticada, embora ainda seja pouco compreendida.
Assinale a alternativa correta quanto à nova pontuação sem alteração do sentido original da frase.
Alternativas
Q4071827 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

O que é o lado oculto da Lua e por que é importante estudá-lo

Vimos coisas que nenhum ser humano jamais havia observado, nem mesmo os participantes das missões lunares anteriores. Com essa afirmação, o comandante da missão Artemis 2 descreveu a experiência de observar o lado oculto da Lua, um dos principais objetivos da primeira missão tripulada a orbitar o satélite natural da Terra desde 1972.

Ao alcançar essa meta, os astronautas também estabeleceram um novo recorde de distância percorrida por seres humanos no espaço, superando a marca registrada há mais de meio século.

O interesse renovado pela Lua, especialmente por sua face não visível da Terra, levanta diversas questões. Trata-se de uma região que, embora não possa ser observada diretamente de nosso planeta, não permanece em escuridão constante. Na realidade, recebe luz solar em proporção semelhante à face visível.

Essa área só pôde ser visualizada pela primeira vez em 1959, quando uma sonda captou imagens inéditas. A impossibilidade de observação direta se explica por um fenômeno conhecido como rotação sincronizada: a Lua leva o mesmo tempo para girar em torno de si mesma e para completar uma volta ao redor da Terra, o que faz com que sempre apresente a mesma face ao nosso planeta.

Essa característica também dificulta a comunicação com equipamentos posicionados no lado oculto, pois sinais de rádio não chegam diretamente até lá. Por isso, missões nessa região exigem o uso de naves intermediárias para retransmitir comandos e dados, o que aumenta significativamente os riscos operacionais.

Do ponto de vista físico, o lado oculto da Lua apresenta diferenças marcantes em relação à face visível. Sua crosta é mais antiga e espessa, e o relevo é mais acidentado, com grande quantidade de crateras e cadeias montanhosas. Uma das hipóteses para essa diferença está relacionada à influência térmica da Terra durante a formação lunar: enquanto a face voltada para o nosso planeta permaneceu aquecida por mais tempo, a face oposta esfriou mais rapidamente, formando uma crosta mais robusta.

Esse contraste torna o lado oculto um registro mais preservado da história geológica lunar, sendo fundamental para a compreensão da evolução de planetas rochosos. A análise dessa região pode oferecer informações valiosas sobre processos que também ocorreram na Terra.

Entre os pontos de interesse está uma extensa formação de quilômetros de largura, considerada uma das maiores e mais recentes crateras resultantes de um intenso período de impactos de asteroides ocorrido há aproximadamente quatro bilhões de anos. A observação direta desse tipo de estrutura por seres humanos representa um avanço significativo na pesquisa científica.

Estudos recentes também indicam que a temperatura no lado oculto pode ser até 100 °C mais baixa do que na face visível, além de apresentar menor quantidade de água congelada. A origem dessa água está associada, em grande parte, ao impacto de meteoritos ao longo da história lunar.

O lado oculto da Lua também desperta interesse estratégico para o futuro da exploração espacial. A análise de seu terreno pode contribuir para o planejamento de bases permanentes, fornecendo dados sobre o comportamento do pó lunar e a dinâmica das sombras, aspectos essenciais para missões de longa duração.

Além disso, o isolamento dessa região em relação às interferências de rádio da Terra a torna ideal para a instalação de radiotelescópios, possibilitando observações mais precisas do Universo. Há ainda interesse na exploração de recursos naturais, como o hélio-3, um isótopo com potencial para suprir demandas energéticas por longos períodos, além da possível presença de minerais valiosos no subsolo.

Esses fatores ajudam a explicar por que diversas nações têm intensificado seus programas espaciais voltados à Lua, planejando novas missões e ampliando os estudos sobre essa região ainda pouco explorada do nosso satélite natural.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/crr1exrnde1o.adaptado.

A origem dessa água está associada, em grande parte, ao impacto de meteoritos ao longo da história lunar.
Analise as alterações seguintes quanto à nova pontuação.
I. A origem dessa água está, em grande parte, associada ao impacto de meteoritos ao longo da história lunar.
II. Ao longo da história lunar, a origem dessa água está associada, em grande parte ao impacto de meteoritos.
III. A origem dessa água está associada ao impacto de meteoritos em grande parte, ao longo da história lunar.
IV. Em grande parte a origem dessa água está associada, ao impacto de meteoritos ao longo da história lunar.
Assinale a alternativa correta quanto à nova pontuação sem alteração do sentido original da frase. 
Alternativas
Q4071150 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Bullying no ambiente escolar: dados da pesquisa nacional de 2024


Recentemente, foi lançada a Pesquisa Nacional sobre o Bullying no Ambiente Educacional Brasileiro (2024), com objetivo de compreender as experiências de estudantes nas instituições de ensino do Brasil. Os resultados revelam que o bullying e diversas formas de violência aparecem como realidade frequente: 90% dos entrevistados sofreram agressão verbal, 34% relataram violência física e 34% já passaram por assédio sexual na escola. Além disso, 31% sofreram cyberbullying. A maioria das agressões parte de outros estudantes, mas educadores também aparecem como agressores em parte dos relatos. As respostas institucionais são consideradas ineficazes: apenas 31% das vítimas buscaram apoio na escola e, desses, 69% relataram que nenhuma providência foi tomada. Como consequência, os impactos são graves na saúde mental e no percurso escolar dos jovens, com risco elevado de abandono escolar, especialmente entre estudantes em situação de maior vulnerabilidade. Os dados demonstram a urgência de políticas públicas de proteção e promoção de ambientes escolares seguros e acolhedores para todos os estudantes.


MINISTÉRIO PÚBLICO DO PARANÁ. Pesquisa Nacional sobre o Bullying no Ambiente Educacional Brasileiro (2024). Disponível em: https://site.mppr.mp.br/direito/Noticia/Pesquisa-Nacional-sobre-o-Bullyi ng-no-Ambiente-Educacional-Brasileiro-2024. Acesso em: 13 abr. 2026. (Fragmento). 

Considerando o trecho "As respostas institucionais são consideradas ineficazes: apenas 31% das vítimas buscaram apoio na escola e, desses, 69% relataram que nenhuma providência foi tomada.", analise os aspectos relacionados à pontuação (vírgula e dois pontos) e à classificação da oração subordinada destacada:



I.Os dois pontos introduzem uma explicitação do conteúdo anterior, estabelecendo relação de esclarecimento entre a oração inicial e os dados apresentados na sequência.


II.As vírgulas em "e, desses, 69% relataram" isolam um termo intercalado que retoma anaforicamente o grupo anterior, contribuindo para a coesão textual.


III.A oração "que nenhuma providência foi tomada" classifica-se como subordinada substantiva objetiva direta, funcionando como complemento do verbo "relataram".



É correto o que se afirma em:

Alternativas
Q4070879 Português

Leia o texto abaixo e responda à questão.


As universidades e o desafio da desigualdade social


Cesar Martins

Vice-reitor da Unesp (Universidade Estadual Paulista)


    Desde o surgimento dos primeiros agrupamentos humanos, a desigualdade tem sido uma marca das sociedades. Embora hoje esteja entre as prioridades de ação de muitos governos, ela persiste como um paradoxo que alimenta a concentração de riquezas. Poucas nações encontraram caminhos capazes de construir sociedades mais igualitárias e com baixa vulnerabilidade socioeconômica.


    Atualmente, a desigualdade é tema de debate em universidades de várias partes do mundo. No entanto, durante boa parte de sua história, essas instituições atenderam a um segmento específico da população, a elite econômica, contribuindo para a estratificação social. No Brasil, não foi diferente. As universidades chegaram tardiamente ao país. A primeira faculdade criada, a Escola de Cirurgia da Bahia, surgiu em 1808, e o acesso ao ensino superior permaneceu, por muito tempo, restrito às elites.


     Embora tardio, o Brasil adotou relativamente cedo o modelo de universidades públicas, em princípio abertas a todos. Na prática, porém, essas instituições continuaram acessíveis a uma parcela reduzida da sociedade, formada por jovens com boa escolarização básica, o que não correspondia à realidade da maior parte da população. Até meados do século 21, as universidades públicas eram poucas, e os cursos noturnos, quase inexistentes, dificultavam o acesso de pessoas de baixa renda que precisavam trabalhar.


    Embora o sistema público de ensino superior tenha crescido na segunda metade do século 20, o padrão elitizado permaneceu. Foi apenas a partir da primeira década do século 21, com políticas como Sisu, Prouni, Fies e a Lei de Cotas, que houve ampliação do acesso de estudantes de baixa renda, pretos, pardos, indígenas e egressos de escolas públicas, especialmente nas universidades públicas.


    Essas políticas alteraram o perfil do estudante universitário brasileiro. Hoje, a maioria das universidades públicas conta com programas de inclusão, apoio estudantil e permanência, tornando esse espaço historicamente elitista mais diverso e representativo da sociedade brasileira.


    Apesar dos avanços, persistem barreiras importantes: a menor presença de estudantes socialmente vulneráveis nos cursos mais concorridos, como medicina, direito e engenharias; a limitação de recursos para políticas de permanência, como moradia, alimentação, transporte e materiais acadêmicos; e as dificuldades adicionais de acesso e permanência em universidades de maior prestígio.


    Embora ainda haja muito a avançar, as universidades públicas brasileiras têm sido referência, em escala global, na democratização do ensino superior e do conhecimento científico. Ainda assim, é momento de olhar com mais atenção para a estrutura acadêmica. Cursos e disciplinas precisam ser revistos e reinventados em diálogo com as políticas públicas, as novas tecnologias, a sustentabilidade e, sobretudo, a equidade social.


Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/04/as-

universidades-e-o-desafio-da-desigualdade-social.shtml. 

Sobre o trecho:


“Essas políticas alteraram o perfil do estudante universitário brasileiro. Hoje, a maioria das universidades públicas conta com programas de inclusão, apoio estudantil e permanência, tornando esse espaço historicamente elitista mais diverso e representativo da sociedade brasileira.”


Sobre a pontuação, especificamente o uso das vírgulas, assinale a alternativa correta. 

Alternativas
Q4070875 Português

Leia o texto abaixo e responda à questão.


As universidades e o desafio da desigualdade social


Cesar Martins

Vice-reitor da Unesp (Universidade Estadual Paulista)


    Desde o surgimento dos primeiros agrupamentos humanos, a desigualdade tem sido uma marca das sociedades. Embora hoje esteja entre as prioridades de ação de muitos governos, ela persiste como um paradoxo que alimenta a concentração de riquezas. Poucas nações encontraram caminhos capazes de construir sociedades mais igualitárias e com baixa vulnerabilidade socioeconômica.


    Atualmente, a desigualdade é tema de debate em universidades de várias partes do mundo. No entanto, durante boa parte de sua história, essas instituições atenderam a um segmento específico da população, a elite econômica, contribuindo para a estratificação social. No Brasil, não foi diferente. As universidades chegaram tardiamente ao país. A primeira faculdade criada, a Escola de Cirurgia da Bahia, surgiu em 1808, e o acesso ao ensino superior permaneceu, por muito tempo, restrito às elites.


     Embora tardio, o Brasil adotou relativamente cedo o modelo de universidades públicas, em princípio abertas a todos. Na prática, porém, essas instituições continuaram acessíveis a uma parcela reduzida da sociedade, formada por jovens com boa escolarização básica, o que não correspondia à realidade da maior parte da população. Até meados do século 21, as universidades públicas eram poucas, e os cursos noturnos, quase inexistentes, dificultavam o acesso de pessoas de baixa renda que precisavam trabalhar.


    Embora o sistema público de ensino superior tenha crescido na segunda metade do século 20, o padrão elitizado permaneceu. Foi apenas a partir da primeira década do século 21, com políticas como Sisu, Prouni, Fies e a Lei de Cotas, que houve ampliação do acesso de estudantes de baixa renda, pretos, pardos, indígenas e egressos de escolas públicas, especialmente nas universidades públicas.


    Essas políticas alteraram o perfil do estudante universitário brasileiro. Hoje, a maioria das universidades públicas conta com programas de inclusão, apoio estudantil e permanência, tornando esse espaço historicamente elitista mais diverso e representativo da sociedade brasileira.


    Apesar dos avanços, persistem barreiras importantes: a menor presença de estudantes socialmente vulneráveis nos cursos mais concorridos, como medicina, direito e engenharias; a limitação de recursos para políticas de permanência, como moradia, alimentação, transporte e materiais acadêmicos; e as dificuldades adicionais de acesso e permanência em universidades de maior prestígio.


    Embora ainda haja muito a avançar, as universidades públicas brasileiras têm sido referência, em escala global, na democratização do ensino superior e do conhecimento científico. Ainda assim, é momento de olhar com mais atenção para a estrutura acadêmica. Cursos e disciplinas precisam ser revistos e reinventados em diálogo com as políticas públicas, as novas tecnologias, a sustentabilidade e, sobretudo, a equidade social.


Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/04/as-

universidades-e-o-desafio-da-desigualdade-social.shtml. 

Analise o uso da vírgula após “atualmente” no seguinte trecho:


Atualmente, a desigualdade é tema de debate em universidades de várias partes do mundo. No entanto, durante boa parte de sua história, essas instituições atenderam a um segmento específico da população, a elite econômica, contribuindo para a estratificação social.”


De acordo com as regras de pontuação, a vírgula presente imediatamente após o termo “Atualmente” no trecho anterior é de uso:

Alternativas
Q4070833 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo.

Proporção de indígenas na liderança de grupos de pesquisa cresce mais de 50% em 23 anos

        A proporção de pesquisadores indígenas entre os líderes de grupos de pesquisa aumentou de 0,25"/o em 2000 para O,3B% em 2023. É o que mostra o artigo "A liderança indígena nos grupos de pesquisa no Brasil: um panorama por grandes áreas do conhecimento de 2000 a 2023", que será publicado na edição número B1 do Boletim Radar, com lançamerrto previsto para 4 de maio. O estudo baseia-se em dados do Censo do Diretorio dos Grupos de Pesquisa (DGP) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnologico (CNPq).

        Os dados do DGP mostram crescimento no número de líderes indígenas de 46 em 2000 para 252 em 2023. A presenÇa de mulheres indígenas entre as lideranças também aumentou: em 2000, elas representavam 0,06o/o do total de líderes, número que aumentou para 0,'l 6% em 2023.

        Embora os resultados mostrem crescimento nos números de líderes indígenas ao longo do período, sua participação é inferior a 0,5% em todas as áreas de conhecimento, enquanto as pessoas declaradas indígenas no Censo de2022 representaram 0,83%da população brasileira.

        A análise por sexo revela desigualdades na liderança indígena. Homens predominam na maior parte do período em todas as áreas do conhecimento. A exceção é Ciências da Vida, onde, em 2023, havia 33 mulheres indígenas na liderança, contra 19 homens.

        Nas Humanidades, há anos com maior presença feminina, mas, em 2023, os homens ainda eram maioria (81 líderes, ante 62 mulheres). Apesar disso, a participação feminina cresceu ao longo do tempo em todas as áreas. Ainda assim, a expansão da liderança indígena segue desigual e reflete diferenças de gênero entre os campos do conhecimento.

        O próximo passo e fortalecer a agenda de pesquisa sobre povos indígenas. "Neste texto do Radar, fizemos um primeiro retrato, mais descritivo, para entender em quais áreas do conhecimento esses líderes estão e como evoluíram ao longo do tempo. Agora estamos avançando. Queremos entender melhor quais são as linhas de pesquisa desses lÍderes indígenas, se há padrões específicos ou não", explica um dos autores. 

        "Também pretendemos conversar diretamente com um conjunto desses pesquisadores para compreender suas trajetórias, os desafios que enfrentam, como constroem sua legitimidade científica e se trazem outras cosmovisões que complementam ou mesmo contradizem processos científ icos. Além disso, nos interessa analisar como grupos liderados por indígenas se conectam com outros grupos e parceiros externos, e como se organizam essas colaborações", conta.

        Mesmo com avanços importantes para estimular a presença de indígenas no ambiente acadêmico - políticas afirmativas, editais específicos, programas voltados para a diversidade -, ainda há um longo caminho a percorrer.

Adaptado de: https://www.ipea.gov.brlporta l/categorias/ 45- todas-as-noticias/noticias/'16341 -proporcao-de indigenas-nalideranca-de-grupos-de-pesquisa-cresce-mais-de- 50-em-23 anos. 
Considerando o emprego dos dois-pontos no segundo parágrafo do texto, bem como seu valor semântico e função na organização das ideias, analise as assertivas que seguem, julgando-as V, se Verdadeiras, ou F, se Falsas:
( ) O segmento introduzido pelos dois-pontos mantem dependência semântica em relação à oração anterior.
( ) A substituição dos dois-pontos por um conectivo adversativo manteria o sentido original do texto.
( ) A relação estabelecida pelos dois-pontos e de especificação, ao apresentar dados numericos que concretizam a ideia geral.
Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, de cima para baixo, os parênteses acima? 
Alternativas
Q4067727 Português

Para responder à questão, Ieia o texto abaixo.



Analfabetismo funcional não apresenta melhora e

alcança 29%. dos brasileiros, mesmo patamar de 2018,

aponta novo levantamento do Inaf


    O analfabetismo funcional não avançou no Brasil nos últimos seis anos. É o que revela a nova edição do Inaf (lndicador de Alfabetismo Funcional). O levantamento aponta que 29% dos brasileiros de 15 a 64 anos seguem nessa condição, mesmo patamar verificado em 2018, ano em que a série histórica da pesquisa, publicada desde 2001, foi interrompida devido à pandemia de Covid- 19.


    Com relação aos jovens, o analfabetismo funcional teve um ligeiro incremento. Em 2018, 14% dos jovens de 15 a 29 anos estavam nessa condição e o percentual aumentou para 16% em 2024.


    Os níveis de alfabetismo são definidos a partir do desempenho em um teste que aborda situações presentes no cotidiano dos respondentes, considerando tanto habilidades relacionadas a textos  chamadas de letramento  quanto aquelas relacionadas aos números, designadas como numeramento. As aplicações inéditas no Inaf 2024, ao convidar os respondentes a resolver algumas questões aplicadas em um aparelho de telefone celular, permitem avançar no entendimento de em que medida o maior ou menor nível de alfabetismo incide sobre como as pessoas lidam com textos e informações numéricas no mundo digital. Traz também algumas pistas sobre como as "infinitas" oportunidades de consumir e produzir informação no ambiente digital podem ampliar ou limitar as possibilidades de inserção plena dos indivíduos numa sociedade crescentemente rica em tecnologia.


    Esta edição do Inaf entrevistou 2.554 indivíduos de 15 a 64 anos, entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, em todas as regiões do país, para mapear as habilidades de leitura, escrita e matemática dos brasileiros. A margem de erro estimada varia entre dois e três pontos percentuais, a depender da faixa etária analisada considerando um intervalo de confiança estimado de 95%.


Fonte: https://www.unicef.org/brazil/ comunicados-de-

imprensa/analfabetismo-funcional-nao-apresenta-melhora-e-alcanca-

29- por-cento-dos-brasileiros- mesmo- patamar-de-2018-aponta-novo-

levantamento-do-inaf (adaptado).

No período habilidades relacionadas a textos — as chamadas de letramento — quanto aquelas relacionadas aos números, os travessões foram empregados para:
Alternativas
Q4065866 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.


Como o governo brasileiro define o SUS?


    O Sistema Único de Saúde - SUS é um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde pública do mundo, abrangendo desde o simples atendimento para avaliação da pressão arterial, por meio da Atenção Primária, até o transplante de órgãos, garantindo acesso integral, universal e gratuito para toda a população do país. Com a sua criação, o SUS proporcionou o acesso universal ao sistema público de saúde, sem discriminação. A atenção integral à saúde, e não somente aos cuidados assistenciais, passou a ser um direito de todos os brasileiros, desde a gestação e por toda a vida, com foco na saúde com qualidade de vida, visando à prevenção e à promoção da saúde.


    A gestão das ações e dos serviços de saúde deve ser solidária e participativa entre os três entes da Federação: a União, os Estados e os municípios. A rede que compõe o SUS é ampla e abrange tanto as ações quanto os serviços de saúde. Engloba a atenção primária, média e alta complexidades, os serviços urgência e emergência, a atenção hospitalar, as ações e serviços das vigilâncias epidemiológica, sanitária e ambiental e assistência farmacêutica.


Autor: BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema Único de Saúde.

Sobre a pontuação no fragmento entre os três entes da Federação: a União, os Estados e os municípios, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4065690 Português
Como os conservantes na sua comida afetam as importantes bactérias do intestino



Dentro do corpo humano, existe uma comunidade complexa formada por trilhões de microrganismos que influenciam diversos aspectos da saúde. Esse conjunto é conhecido como microbiota intestinal. A diversidade dessas bactérias pode ser comparada a um ecossistema natural: quanto maior a variedade de microrganismos, maior tende a ser a capacidade de equilíbrio do organismo diante de perturbações.

Estudos indicam que uma microbiota variada exerce papel importante no bem-estar geral. Ela participa de processos ligados ao metabolismo, ao funcionamento do cérebro, à qualidade do sono e ao controle de inflamações. Pessoas com menor diversidade bacteriana apresentam maior tendência a distúrbios intestinais, inflamações e problemas relacionados ao descanso. Por outro lado, uma microbiota mais diversa é frequentemente associada a melhores condições de saúde.

Esse conjunto de microrganismos funciona como um verdadeiro ecossistema interno e é comparado a um órgão adicional do corpo humano. Entretanto, evidências recentes indicam que alguns hábitos alimentares interferem nesse equilíbrio. Entre os fatores mais investigados está o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, que alteram a composição das bactérias intestinais.

Uma das explicações para esse efeito está na presença de aditivos utilizados pela indústria para conservar alimentos, modificar a textura ou intensificar o sabor. Ao observar rótulos de produtos industrializados, é comum encontrar substâncias como emulsificantes, corantes e adoçantes artificiais. Esses componentes mantêm a aparência e o prazo de validade dos produtos, permitindo, por exemplo, que pães permaneçam macios por mais tempo ou que sorvetes tenham textura cremosa.

Entre esses aditivos, os emulsificantes são particularmente frequentes. Eles permitem a mistura de substâncias que normalmente não se combinariam, como água e óleo, além de contribuírem para a estabilidade de diversos alimentos industrializados. Pesquisas identificaram milhares de produtos alimentícios contendo esse tipo de substância, o que demonstra sua ampla presença na alimentação cotidiana.

Apesar de sua utilidade tecnológica, estudos indicam que alguns emulsificantes interferem na microbiota intestinal. Pesquisas associam essas substâncias a problemas como doenças inflamatórias intestinais, síndrome do intestino irritável e alguns tipos de câncer do sistema digestório. Experimentos realizados com animais mostram que determinadas doses de emulsificantes alteram o comportamento das bactérias intestinais, aproximando-as da parede do intestino e favorecendo processos inflamatórios.

Em condições normais, existe uma camada de muco que protege a parede intestinal e mantém as bactérias a uma distância segura. Quando esse equilíbrio é alterado e os microrganismos atravessam essa barreira protetora, surgem inflamações persistentes. Estudos com seres humanos também indicam possíveis associações entre o consumo frequente desses aditivos e doenças metabólicas.

Pesquisas realizadas com grandes grupos de adultos observaram que indivíduos mais expostos a emulsificantes apresentaram maior risco de desenvolver diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer. Embora esses resultados indiquem relações estatísticas e não causalidade direta, análises laboratoriais sugerem que certos emulsificantes reduzem a quantidade de bactérias consideradas benéficas.

Investigações clínicas também indicam que a redução do consumo desses aditivos traz benefícios para pessoas com doenças intestinais inflamatórias. Em experimentos controlados, indivíduos que adotaram dietas com menor presença de emulsificantes apresentaram maior probabilidade de melhora dos sintomas.

Além dos aditivos, o próprio grau de processamento dos alimentos também influenciam a saúde intestinal. Pesquisas compararam dietas com valores nutricionais semelhantes, mas com diferentes níveis de processamento. Participantes que consumiram alimentos frescos e minimamente processados apresentaram maior diversidade de bactérias intestinais, enquanto aqueles cuja alimentação incluía mais produtos ultraprocessados demonstraram menor diversidade microbiana e maior ocorrência de desconfortos digestivos.

De modo geral, uma orientação simples é priorizar alimentos frescos e minimamente processados. Essa escolha tende a beneficiar não apenas o organismo humano, mas também a comunidade de microrganismos que vive no intestino e desempenha papel essencial para a manutenção da saúde.



https://www.bbc.com/portuguese/articles/c5yr5002dg6o.adaptado.
Entre esses aditivos, os emulsificantes são particularmente frequentes.
Considerando a pontuação decorrente do deslocamento do termo "Entre esses aditivos", assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q4065124 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.



Da renda à ciência, desigualdade racial segue moldando o Brasil


    Olhar para a desigualdade no Brasil é, inevitavelmente, olhar para o que persiste. Não apenas nos indicadores, mas nas estruturas que atravessam o tempo e organizam silenciosamente a vida social.


    Os dados mais recentes do Ipea não deixam espaço para dúvida: mesmo diante de avanços importantes nas políticas públicas, a desigualdade racial permanece como uma presença constante. Ela não se limita a um campo específico — infiltra-se na renda, atravessa o acesso a serviços, delimita trajetórias e chega, inclusive, à forma como o país produz e organiza seus próprios dados.


    Mais do que um desvio ou uma exceção, trata-se de um padrão que se repete. Uma engrenagem que se ajusta ao tempo, mas não se desfaz, e que segue desafiando tanto a ação do Estado quanto a capacidade de compreender, em profundidade, o Brasil que se constrói todos os dias.


    O estudo Desigualdade de raça e gênero e impactos distributivos dos gastos públicos com saúde e educação no Brasil mostra que as políticas públicas têm, sim, potência transformadora. Ao incorporar serviços de saúde e educação ao cálculo da renda ampliada, a desigualdade diminui de forma expressiva — o índice de Theil (medida estatística de desigualdade econômica e concentração de renda) recua de 0,62 para 0,38, sinalizando o efeito redistributivo do Estado.


    Mas há camadas que resistem. Entre 11% e 12% da desigualdade total ainda se explica por fatores como raça e gênero, revelando que essas dimensões continuam a organizar o acesso a oportunidades. Mesmo quando o Estado atua, as marcas da desigualdade não desaparecem por completo — elas se reconfiguram.


    Essa distância se amplia quando se observa o gasto privado: entre as famílias de maior renda no país, por exemplo, as chefiadas por homens brancos chegam a investir em saúde até 150% do que é gasto por famílias negras. Em um mesmo país, convivem realidades profundamente distintas, separadas por barreiras que nem sempre são visíveis, mas são persistentemente eficazes.


    E quando raça e gênero se cruzam, o cenário se torna ainda mais complexo. As desigualdades não apenas se somam — elas se aprofundam, revelando um tecido social onde as diferenças se entrelaçam e se reforçam mutuamente.


    A desigualdade racial também se inscreve nos espaços onde o conhecimento é produzido. O estudo Fronteiras desiguais: um exame crítico da participação negra interseccionada com sexo na liderança científica brasileira revela um dado que vai além da representatividade: ele diz respeito à própria construção do saber.


    Pessoas negras — especialmente mulheres negras — permanecem sub-representadas em posições de liderança na pesquisa científica. E isso não é apenas uma questão de presença, mas de perspectiva.


    Quando determinados grupos ficam à margem, determinadas perguntas deixam de ser feitas. Certas experiências deixam de ser consideradas. E, pouco a pouco, o conhecimento produzido passa a refletir apenas uma parte da realidade — nunca o todo. Assim, a desigualdade não apenas limita trajetórias individuais. Ela também molda aquilo que o país escolhe, ou deixa de escolher, compreender sobre si mesmo.


    Quando reunidos, os estudos apontam para uma mesma direção: a desigualdade racial no Brasil não é episódica. Não é um resíduo do passado. É uma presença ativa, que se reorganiza e se mantém ao longo do tempo.


    Ela atravessa a renda, o acesso a serviços, os espaços de poder e até os instrumentos que deveriam revelá-la. Está nas trajetórias individuais, mas também nas estruturas que as condicionam. E é justamente essa persistência que torna o desafio mais complexo — e mais urgente.


Fonte: https://www.ipea.gov.brl/portal/categorias/ 45-todas-as-

noticias/noticias/16302-da-renda-a-ciencia-desigualdade-racial-segue-

moldando-o-brasil (adaptado).

Considerando aspectos sintáticos, semânticos e de pontuação empregados no primeiro parágrafo do texto, analise as assertivas que seguem, julgando-as V, se Verdadeiras, ou F, se Falsas:


(  ) A conjunção e estabelece relação de coordenação conclusiva entre dois verbos de mesmo sujeito.


(  ) O uso da vírgula antes de mas decorre da necessidade de separar o sujeito do predicado.


(  ) A retirada do advérbio de modo silenciosamente não compromete a estrutura sintática da oração, mas altera seu efeito de sentido.


Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, de cima para baixo, os parênteses acima?

Alternativas
Q4064955 Português
Barco fica três horas à deriva e é resgatado no litoral do Paraná 

A Polícia Militar do Paraná (PMPR) resgatou um barco à deriva na tarde desta sexta-feira (20/02), próximo à Ilha da Galheta, em Pontal do Sul, Pontal do Paraná. O Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) foi acionado após uma ligação informando sobre um barco sem controle na região.

 A equipe policial localizou dois tripulantes a cerca de três milhas da costa. Os ocupantes relataram que a embarcação sofreu uma pane mecânica e estavam à deriva por aproximadamente três horas, tentando obter ajuda. O BPMA realizou o reboque do barco até o terminal de embarque de Pontal do Sul, garantindo a segurança dos navegadores

Após o resgate, uma equipe da Capitania dos Portos assumiu o atendimento para as providências finais. A ação resultou no atendimento seguro de dois tripulantes e no resgate da embarcação, evitando possíveis acidentes ou complicações no mar.


Fonte: https://www.tribunapr.com.br/noticias/curitiba-regiao/barco-fica-tres-horas-a-deriva-e-eresgatada-no-litoral-do-parana/
Assinale a alternativa que apresente a justificativa adequada para o uso da vírgula no período: Após o resgate, uma equipe da Capitania dos Portos assumiu o atendimento para as providências finais.
Alternativas
Q4064166 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo.


Proporção de indígenas na liderança de grupos de pesquisa cresce mais de 5O%o em 23 anos


   A proporção de pesquisadores Indígenas entre os líderes de grupos de pesquisa aumentou de 0,25% em 2000 para O,38% em 2023. É o que mostra o artigo "A liderança indígena nos grupos de pesquisa no Brasil: um panorama por grandes áreas do conhecimento de 2000 a 2023" , que será publicado na edição número 81 do Boletim Radar, com lançamento previsto para 4 de maio. O estudo baseia-se em dados do Censo do Diretório dos Grupos de Pesquisa (DGP) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

  Os dados do DGP mostram crescimento no número de líderes indígenas de 46 em 2000 para 252 em 2023. A presença de mulheres indígenas entre as lideranças também aumentou: em 2000, elas representavam 0,06% do total de líderes, número que aumentou para 0,16% em 2023.

   Embora os resultados mostrem crescimento nos números de líderes indígenas ao longo do período, sua participação é inferior a 0,5% em todas as áreas de conhecimento, enquanto as pessoas declaradas indígenas no Censo de 2022 representaram 0,83% da população brasileira.

   A análise por sexo revela desigualdades na liderança indígena. Homens predominam na maior parte do período em todas as áreas do conhecimento. A exceção é Ciências da Vida, onde, em 2023, havia 33 mulheres indígenas na liderança, contra 19 homens.

  Nas Humanidades, há anos com maior presença feminina, mas, em 2023, os homens ainda eram maioria (81 líderes, ante 62 mulheres). Apesar disso, a participação feminina cresceu ao longo do tempo em todas as áreas. Ainda assim, a expansão da liderança indígena segue desigual e reflete diferenças de gênero entre os campos do conhecimento.

  O próximo passo é fortalecer a agenda de pesquisa sobre povos indígenas. "Neste texto do Radar, fizemos um primeiro retrato, mais descritivo, para entender em quais áreas do conhecimento esses líderes estão e como evoluíram ao longo do tempo. Agora estamos avançando. Queremos entender melhor quais são as linhas de pesquisa desses líderes indígenas, se há padrões específicos ou não", explica um dos autores.

 "Também pretendemos conversar diretamente com um conjunto desses pesquisadores para compreender suas trajetórias, os desafios que enfrentam, como constroem sua legitimidade científica e se trazem outras cosmovisôes que complementam ou mesmo contradizem processos científicos. Além disso, nos interessa analisar como grupos liderados por indígenas se conectam com outros grupos e parceiros externos, e como se organizam essas colaborações", conta.

  Mesmo com avanços importantes para estimular a presença de indígenas no ambiente acadêmico - políticas afirmativas, editais específicos, programas voltados para a diversidade -, ainda há um longo caminho a percorrer.


Adaptado de: https://www.ipea.gov.brlportal/categorias/45- todas-as-noticias/noticias/1 6341-proporcao-de-indigenas-nalideranca-de-grupos-de-pesquisa-cresce-mais-de-50-em-23-anos.
Considerando o emprego dos dois-pontos no segundo parágrafo do texto, bem como seu valor semântico e função na organização das ideias, analise as assertivas que seguem, julgando-as V, se Verdadeiras, ou F, se Falsas: 

( ) O segmento introduzido pelos dois-pontos mantem dependência semântica em relação à oração anterior.
( ) A substituição dos dois-pontos por um conectivo adversativo manteria o sentido original do texto.
( ) A relação estabelecida pelos dois-pontos é de especificação, ao apresentar dados numéricos que concretizam a ideia geral.

Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, de cima para baixo, os parênteses acima?
Alternativas
Q4063544 Português
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO A SEGUIR.

Por que a gente precisa de escolas e universidades?

Meus 20 anos de pesquisa sobre o que nos torna humanos contradizem meus colegas. Eles, munidos de milhões de dólares investidos em seus laboratórios bem-equipados, insistem em buscar genes e moléculas e sequências que devem ter evoluído de maneira diferente exclusivamente em nossa espécie. Eu, munida de uns poucos milhares providos primeiro pela Faperj, depois pelo CNPq, e mais recentemente pela Universidade Vanderbilt, onde trabalho, insisto que não somos especiais.

Mostrei que não somos ponto fora da curva. Meus dados deixam claro que não temos um cérebro aberrantemente maior, não temos mais neurônios do que deveríamos, não vivemos mais do que o esperado para um primata com o nosso número de neurônios corticais. Destes nós temos, sim, mais do que qualquer outro animal, e com mais neurônios corticais, como mostrei em 2019, ganhamos o que realmente nos torna humanos: tempo.

Temos uma combinação de muitos neurônios corticais e tempo de vida que nenhuma outra espécie tem, porque com mais neurônios corticais a vida fica mais lenta e mais longa (tartarugas, tubarões, morcegos e baleias "roubam" tempo funcionando em temperaturas mais baixas, mas isso é outra história). Com tantos neurônios, nós humanos levamos mais de uma década como crianças, livres para explorar o mundo e aprender com adultos, com crianças mais velhas, com avós e até bisavós – porque humanos, cheios de neurônios corticais, ultrapassam as dez décadas de vida. Camundongos, em comparação, têm apenas dois meses para aprender a ser adultos, e só dois anos para passar adiante o que aprenderam.

É essa sobreposição de gerações, resultado do maior tempo de vida que vem com ser primata da espécie humana, que nos torna mais do que nossa biologia. Só com ela, somos o Homo sapiens da idade da pedra. Mas com a sobreposição de gerações, as descobertas e invenções de cada leva de adultos são passadas adiante para a geração seguinte, que assim não começa a vida do zero. Com a sobreposição de gerações, e somente com ela, é que a transferência e a sobrevivência do conhecimento construído por cada humano se torna possível.

A sobreposição geracional começa na família, mas é aumentada exponencialmente graças a uma dessas invenções humanas: a escola. O que acontece de tão transformador na escola é que projetos de humanos têm tempo protegido para interagir com humanos adultos e aprender com eles, de forma sistematizada e eficiente, todo o conhecimento que a humanidade já construiu de mais importante para funcionarmos no planeta.

A universidade, neste sentido, é apenas a continuação da escola – cada vez mais imprescindível –, conforme não para de aumentar o corpo de conhecimento necessário para ser um ser humano funcional numa sociedade que tornamos cada vez mais complexa. E, na universidade, a sobreposição se estende por três gerações: os alunos, seus professores, e os professores destes.

Escolas e universidades são, portanto, os centros de sobreposição geracional onde os membros da espécie têm a oportunidade de aprender a ser humanos modernos. E nas universidades, onde jovens adultos têm tempo protegido para fazer pesquisa e construir conhecimento novo, eles empurram as fronteiras do que é ser humano – e passam isso adiante.

Não deveria haver nada mais precioso para a continuidade e o progresso de um país, portanto, do que garantir acesso livre e universal de seus cidadãos a escolas e universidades. Simples assim.


Herculano-Houzel, S. Por que a gente precisa de escolas e universidades? Folha de S. Paulo, Ciência, 30 maio 2025, p. A41 (adaptado).
Leia a passagem transcrita do texto.

“A universidade, neste sentido, é apenas a continuação da escola – cada vez mais imprescindível –, conforme não para de aumentar o corpo de conhecimento necessário para ser um ser humano funcional numa sociedade que tornamos cada vez mais complexa. E, na universidade, a sobreposição se estende por três gerações: os alunos, seus professores, e os professores destes.”

A respeito do emprego dos sinais de pontuação no referido trecho, analisados em seus respectivos contextos e em conformidade com a norma-padrão, é correto afirmar que
Alternativas
Q4063393 Português
Leia as frases a seguir, atentando para a pontuação que apresentam:

I. João Carlos trabalha, e o filho Alex estuda.
II. É um “ótimo leitor” de poesia: não entende nada.
III. Com a nova lei, os funcionários públicos e, principalmente os federais, receberam um reajuste aceitável.
IV. Madalena costuma dizer: eu só como sanduíches de “mortandela”, pois são os melhores.
V. Em nossa cidade natal, a segurança dos habitantes (oxalá isso venha a mudar um dia!) continua precária.

Quanto à pontuação, podemos afirmar que:
Alternativas
Q4063254 Português
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO A SEGUIR.

A disciplina do amor

Lygia Fagundes Telles*

Foi na França, durante a Segunda Grande Guerra: um jovem tinha um cachorro que todos os dias, pontualmente, ia esperá-lo voltar do trabalho. Postava-se na esquina, um pouco antes das seis da tarde. Assim que via o dono, ia correndo ao seu encontro e na maior alegria acompanhava-o com seu passinho saltitante de volta à casa. A vila inteira já conhecia o cachorro e as pessoas que passavam faziam-lhe festinhas e ele correspondia, chegava até a correr todo animado atrás dos mais íntimos. Para logo voltar atento ao seu posto e ali ficar sentado até o momento em que seu dono apontava lá longe.

Mas eu avisei que o tempo era de guerra, o jovem foi convocado. Pensa que o cachorro deixou de esperá-lo? Continuou a ir diariamente até a esquina, fixo o olhar naquele único ponto, a orelha em pé, atenta ao menor ruído que pudesse indicar a presença do dono bem-amado. Assim que anoitecia, ele voltava para casa e levava sua vida normal de cachorro, até chegar o dia seguinte. Então, disciplinadamente, como se tivesse um relógio preso à pata, voltava ao posto de espera. O jovem morreu num bombardeio, mas no pequeno coração do cachorro não morreu a esperança. Quiseram prendê-lo, distraí-lo. Tudo em vão. Quando ia chegando àquela hora ele disparava para o compromisso assumido, todos os dias.

* Escritora paulista, contista e romancista, pertencente à terceira geração modernista brasileira.


Disponível em: https://contobrasileiro.com.br/a-disciplina-do-amor-conto-de-lygia-fagundes-telles/#google_vignette Acesso em: 03 mar 2026. Adaptado
Os sinais de pontuação são recursos gráficos da escrita que têm como função organizar, estruturar e dar clareza ao texto, indicando pausas, entonações, relações sintáticas e intenções comunicativas.

Tendo por base os sinais de pontuação no trecho retirado do texto “A disciplina do amor”, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir.

“Foi na França, durante a Segunda Grande Guerra: um jovem tinha um cachorro que todos os dias, pontualmente, ia esperá-lo voltar do trabalho.”

( ) O ponto final indica encerramento da oração declarativa.
( ) Os dois pontos servem para indicar a mudança de interlocutor.
( ) A vírgula após a palavra “França” separa uma oração adjetiva explicativa.
( ) As vírgulas entre “pontualmente” servem para isolar um advérbio intercalado.

De acordo com as afirmações, a sequência correta é:
Alternativas
Q4062094 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Como os conservantes na sua comida afetam as importantes bactérias do intestino


Dentro do corpo humano, existe uma comunidade complexa formada por trilhões de microrganismos que influenciam diversos aspectos da saúde. Esse conjunto é conhecido como microbiota intestinal. A diversidade dessas bactérias pode ser comparada a um ecossistema natural: quanto maior a variedade de microrganismos, maior tende a ser a capacidade de equilíbrio do organismo diante de perturbações.

Estudos indicam que uma microbiota variada exerce papel importante no bem-estar geral. Ela participa de processos ligados ao metabolismo, ao funcionamento do cérebro, à qualidade do sono e ao controle de inflamações. Pessoas com menor diversidade bacteriana apresentam maior tendência a distúrbios intestinais, inflamações e problemas relacionados ao descanso. Por outro lado, uma microbiota mais diversa é frequentemente associada a melhores condições de saúde.

Esse conjunto de microrganismos funciona como um verdadeiro ecossistema interno e é comparado a um órgão adicional do corpo humano. Entretanto, evidências recentes indicam que alguns hábitos alimentares interferem nesse equilíbrio. Entre os fatores mais investigados está o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, que alteram a composição das bactérias intestinais.

Uma das explicações para esse efeito está na presença de aditivos utilizados pela indústria para conservar alimentos, modificar a textura ou intensificar o sabor. Ao observar rótulos de produtos industrializados, é comum encontrar substâncias como emulsificantes, corantes e adoçantes artificiais. Esses componentes mantêm a aparência e o prazo de validade dos produtos, permitindo, por exemplo, que pães permaneçam macios por mais tempo ou que sorvetes tenham textura cremosa.

Entre esses aditivos, os emulsificantes são particularmente frequentes. Eles permitem a mistura de substâncias que normalmente não se combinariam, como água e óleo, além de contribuírem para a estabilidade de diversos alimentos industrializados. Pesquisas identificaram milhares de produtos alimentícios contendo esse tipo de substância, o que demonstra sua ampla presença na alimentação cotidiana.

Apesar de sua utilidade tecnológica, estudos indicam que alguns emulsificantes interferem na microbiota intestinal. Pesquisas associam essas substâncias a problemas como doenças inflamatórias intestinais, síndrome do intestino irritável e alguns tipos de câncer do sistema digestório. Experimentos realizados com animais mostram que determinadas doses de emulsificantes alteram o comportamento das bactérias intestinais, aproximando-as da parede do intestino e favorecendo processos inflamatórios.

Em condições normais, existe uma camada de muco que protege a parede intestinal e mantém as bactérias a uma distância segura. Quando esse equilíbrio é alterado e os microrganismos atravessam essa barreira protetora, surgem inflamações persistentes. Estudos com seres humanos também indicam possíveis associações entre o consumo frequente desses aditivos e doenças metabólicas.

Pesquisas realizadas com grandes grupos de adultos observaram que indivíduos mais expostos a emulsificantes apresentaram maior risco de desenvolver diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer. Embora esses resultados indiquem relações estatísticas e não causalidade direta, análises laboratoriais sugerem que certos emulsificantes reduzem a quantidade de bactérias consideradas benéficas.

Investigações clínicas também indicam que a redução do consumo desses aditivos traz benefícios para pessoas com doenças intestinais inflamatórias. Em experimentos controlados, indivíduos que adotaram dietas com menor presença de emulsificantes apresentaram maior probabilidade de melhora dos sintomas.

Além dos aditivos, o próprio grau de processamento dos alimentos também influenciam a saúde intestinal. Pesquisas compararam dietas com valores nutricionais semelhantes, mas com diferentes níveis de processamento. Participantes que consumiram alimentos frescos e minimamente processados apresentaram maior diversidade de bactérias intestinais, enquanto aqueles cuja alimentação incluía mais produtos ultraprocessados demonstraram menor diversidade microbiana e maior ocorrência de desconfortos digestivos.

De modo geral, uma orientação simples é priorizar alimentos frescos e minimamente processados. Essa escolha tende a beneficiar não apenas o organismo humano, mas também a comunidade de microrganismos que vive no intestino e desempenha papel essencial para a manutenção da saúde.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c5yr5002dg6o.adaptado.
Entre esses aditivos, os emulsificantes são particularmente frequentes.

Considerando a pontuação decorrente do deslocamento do termo "Entre esses aditivos", assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Respostas
221: E
222: B
223: D
224: B
225: B
226: C
227: C
228: E
229: B
230: D
231: C
232: B
233: E
234: C
235: D
236: D
237: D
238: B
239: A
240: E