Questões de Concurso Sobre ortografia em português

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Q3621062 Português
A 3ª edição do Manual de Redação da Presidência da República de 2018 estabeleceu o emprego de somente dois fechos para todas as modalidades de comunicação oficial: respeitosamente e atenciosamente.
Segundo a Academia Brasileira de Letras, a correta abreviação de "Atenciosamente" corresponde a:
Alternativas
Q3620216 Português
Responda a questão com base no seguinte texto:


O futurismo ou a prática do futurismo refere-se ao estudo, à previsão e à antecipação do futuro, com base em análises e tendências no presente. Ser um futurista significa ter habilidades para olhar para o mundo atual e identificar tendências e mudanças que possam ocorrer no futuro próximo ou distante, com base em dados e insights. Os futuristas precisam ter conhecimentos em diversas áreas, como tecnologia, ciência, economia, sociologia, psicologia, entre outras. Isso permite que eles entendam como as tendências em uma área podem afetar outras áreas e como elas podem se interconectar no futuro. Precisam ter uma visão crítica e analítica das informações disponíveis e devem ser capazes de avaliar a qualidade e a confiabilidade das fontes e dos dados que usam para fazer previsões. Os futuristas precisam ser bons em pesquisa, pois essa é uma das principais ferramentas usadas para identificar tendências e padrões emergentes. Eles devem ser capazes de coletar e analisar dados de diversas fontes e transformá-los em insights úteis. Também precisam ser criativos e capazes de pensar fora da caixa. Eles devem ser capazes de imaginar cenários futuros que podem parecer improváveis ou impossíveis no presente. Além de tudo, precisam ser excelentes comunicadores, capazes de transmitir suas ideias e previsões de forma clara e concisa. Eles devem ser capazes de apresentar suas previsões de forma convincente e persuasiva para que as empresas e outras organizações possam tomar decisões informadas. Quem se habilita?

Fonte: Núbia. Dicionário do Futuro: o que aconteceu e o
que ainda está por vir. Adaptado
de:https://istoe.com.br/mulher/noticia/dicionario-do-futuro-o
que-aconteceu-e-o-que-ainda-esta-por-vir/. 
A acentuação gráfica consiste na colocação de acento ortográfico para indicar a pronúncia de uma vogal ou marcar a sílaba tônica de uma palavra. Nesse sentido, assinale a alternativa em que todos os vocábulos são acentuados em virtude da mesma regra. 
Alternativas
Q3620090 Português

Observe o acento gráfico na última palavra de cada verso da estrofe a seguir:


''Sentou pra descansar como se fosse sábado

Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe

Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago

Dançou e gargalhou como se ouvisse música''


(Chico Buarque)



A regra de acentuação que justifica o uso de acento nesses casos é a seguinte:

Alternativas
Q3619627 Português
Terra Yanomami é palco de “tragédia
humanitária”, dizem especialistas


Entidades indigenistas e socioambientais denunciaram uma “tragédia humanitária” em curso na Terra Indígena Yanomami, durante audiência da comissão externa da Câmara dos Deputados nesta quinta-feira (14). A área, que ocupa partes dos estados de Roraima e Amazonas, é marcada por garimpo ilegal de ouro e cassiterita, violência sexual de mulheres e crianças, ameaças de morte e desestruturação dos postos de saúde.

O geógrafo e analista do Instituto Socioambiental (ISA) Estevão Senra apresentou dados atualizados do relatório “Yanomami sob Ataque”: até abril deste ano, já havia 4 mil hectares impactados pelo garimpo ilegal dentro da terra indígena e mais de 40 pistas clandestinas a serviço de garimpeiros e narcotraficantes.

Em 2021, a região registrou quase 50% dos casos de malária do país e hoje existem cerca de 3 mil crianças com déficit nutricional, segundo Senra. “Hoje, a Terra Indígena Yanomami é palco de uma das maiores tragédias humanitárias que estão ocorrendo no Brasil. Os dois vetores principais dessa crise são o avanço do garimpo ilegal e a má gestão do distrito sanitário, que se entrelaçam e vão se realimentando”, disse.
Qual termo segue a mesma regra de acentuação gráfica que a palavra “indígena”?
Alternativas
Q3619542 Português

Responda à questão com base no seguinte texto:


O caso recente de racismo praticado contra o jogador de futebol Vinícius Junior, na Espanha, comprova mais uma vez como o problema assombra tanto nações emergentes como as mais desenvolvidas, na Europa ou nos Estados Unidos. Racismo é uma grave violação à dignidade da pessoa humana. Trata-se de discriminação social alicerçada pela ilusão de que a espécie humana é dividida em raças, e que uma é superior às outras – tese sem qualquer embasamento científico. No Brasil, nos Estados Unidos ou na Europa, principalmente camuflado como xenofobia, o racismo tem consequências graves e suscita o aumento sistemático da violência nos subúrbios de maioria negra e hispânica. O racismo no Brasil é principalmente estrutural, por causa da escravidão e dos mecanismos criados durante e depois desse período, para manter privilégios e reforçar a desigualdade. E “silencioso”: como o racismo não foi institucionalizado, pensou-se que as regras sociais racistas não existiram, porém elas estavam presentes. Por muito tempo foi propagado o mito de que no Brasil não existia racismo, devido à população miscigenada e por não ter existido racismo institucional por parte do Estado.


Fonte: Anália. O caso Vini Junior e a nossa luta pelo fim do racismo. Adaptado de: https://istoe.com.br/mulher/noticia/o-caso-vini-junior-e-anossa-luta-pelo-fim-do-racismo/.

As palavras proparoxítonas são classificadas como proparoxítonas reais e proparoxítonas aparentes. São proparoxítonas reais, EXCETO
Alternativas
Q3619377 Português
A lua foi ao cinema


Paulo Leminski


A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.


Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!


Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava para ela,
e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.


A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
que até hoje a lua insiste:
- Amanheça, por favor!

Quanto à acentuação gráfica das palavras, marque a alternativa que possui uma palavra paroxítona.
Alternativas
Q3619350 Português
Homônimos são palavras que apresentam significados diferentes, mas que são pronunciadas da mesma forma. Nesse sentido, assinale a alternativa que apresenta uma palavra homônima que está INADEQUADA ao contexto. 
Alternativas
Q3619288 Português

Texto para questão.


Por que nunca chegaremos à verdade?


Eu não acredito na transparência do olhar sobre mim ou sobre os outros. O olhar puro e transparente _______________(pressupor) uma essência e uma capacidade que eu acredito que não _____________( ser) portadores. Eu não poderia olhar para mim, porque não tenho uma essência e nem sou permanentemente algo. Eu sou uma soma de muitas coisas e ______________(poder) ter, sobre mim, opiniões muito variadas e distintas. 


Uma fábula indiana de que gosto muitíssimo narra que quatro cegos se ________________(aproximar) de um elefante. O primeiro cego, que nunca tinha visto um elefante diz, ao apalpar seu abdômen, que ele se parece com uma parede. Outro cego diz que ele se parece com uma corda, ao apalpar sua cauda. O terceiro diz que ele se parece com quatro colunas, ao apalpar suas pernas, e o último cego diz que o elefante se parece com uma espada, ao apalpar o marfim. Todos os quatro _____________(ter) razão e todos eles deram uma visão parcial do elefante. A verdade não é a soma dos quatro, porque o elefante não é uma parede, corda, colunas e espada: é algo ainda além disso.


Eu não acredito na transparência. Porém, não acredito também que estamos condenados ao olhar opaco. Ao defender que não existe o olhar opaco, quero dizer que não estamos condenados ao narciso permanente de nós mesmos num espelho, como uma velha que pergunta ao espelho se _______________(haver) alguém mais bela do que ela, e que só aceita uma resposta ou ameaça quebrar o espelho, caso a resposta não seja aquela.


Eu não acredito na transparência e nem na opacidade do olhar. Eu acredito que o exercício crítico, a filosofia, a psicanálise, a história, a antropologia, a sabedoria, a idade, a experiência, a dor – todas essas coisas podem tornar o meu olhar cada vez mais translúcido.


Cada vez mais eu olho para os outros, mas nunca os verei. Cada vez mais eu olho para mim, mas nunca ________________(captar), pois sempre me falta a experiência totalizadora, a última, a absoluta - que é morrer. Logo, nunca terei domínio de tudo, por que não sei ainda como é morrer.


Como diz Woody Allen: “Não tenho nada contra a morte. Só não gostaria de estar presente.”


Há a ideia de que a morte é a dor, mas, na verdade, é o último grande aprendizado. Padre Vieira diz que a morte é o espaço entre duas portas de diamante e que eu não posso retroceder diante delas, só avançar. Logo, o medo é natural.


Todos falam de uma angústia em quem está morrendo, em uma vontade de estar acompanhado, mas, ninguém vai conosco. Mesmo que seja um avião caindo, mesmo que seja a pessoa que está do meu lado caindo, ela não vai comigo para o mesmo lugar. Eu não sei para onde ela vai e não sei para onde ninguém vai. O resultado é que este aprendizado é o mais doloroso, mas, é mais uma etapa de tornar o opaco translúcido.


Desejar a utopia como transparência, rejeitar como autismo ontológico a opacidade, e aceitar como realidade subjetiva o translúcido são, hoje, as minhas crenças aos 50 anos. É um pouco complexo traduzir assim, mas, é a ideia de que, sim, é possível ver.


Digo isso por que há pessoas que eu conheço que se veem mais do que outras. E há pessoas que têm uma ideia de si inteiramente equivocada, entendendo como equívoco uma ideia única da pessoa sobre si, não compartilhada por mais ninguém ao redor dela. Convivi a vida inteira com alunos, professores e colegas que têm de si uma ideia inteiramente diferente do que os outros pensam dessa pessoa, mas, isso não quer dizer que a pessoa esteja errada, porque ela sozinha pode estar correta e o mundo pode estar errado.


Volto à velha ideia do homem que, andando na contramão numa estrada, vê todos buzinando para ele e ouve no rádio que há um louco andando na contramão, e ele diz: um não, milhares de loucos andando na contramão. Provavelmente, este homem, além de sua falta de senso de direção, é uma pessoa autocentrada e feliz.


Leandro Karnal. 

Assinale a alternativa cujas palavras são acentuadas pelo mesmo motivo que último, alguém, crítico, angústia e avião, respectivamente:
Alternativas
Q3619168 Português

A UFRJ concedeu título de doutor honoris causa a Lima Barreto, um dos pioneiros da literatura brasileira moderna.Segundo a professora Beatriz Resende, da Faculdade de Letras da UFRJ, essa homenagem póstuma é um reconhecimento tardio ao trabalho do escritor, que em seu tempo usou a literatura como uma potente ferramenta para tratar temas como racismo e desigualdade social – temas que conhecia muito bem. Lima nasceu no Rio de Janeiro, dia 13 de maio de 1881, com o nome Afonso Henriques de Lima Barreto. Suas obras literárias foram produzidas durante a primeira década do século XX.Com estilo próprio, foi incompreendido e criticado por intelectuais da época. Lima inegavelmente deixou sua marca como autor de obras importantes, como “Triste Fim de Policarpo Quaresma”.


Fonte: Luiz Antonio Ribeiro. Lima Barreto recebe título de Doutor Honoris Causa da UFRJ. Adaptado de: https://jornalnota.com.br/2023/06/06/lima-barreto-recebetitulo-de-doutor-honoris-causa-da-ufrj/.

Responda à questão com base no seguinte texto: 


A UFRJ concedeu título de doutor honoris causa a Lima Barreto, um dos pioneiros da literatura brasileira moderna.Segundo a professora Beatriz Resende, da Faculdade de Letras da UFRJ, essa homenagem póstuma é um reconhecimento tardio ao trabalho do escritor, que em seu tempo usou a literatura como uma potente ferramenta para tratar temas como racismo e desigualdade social – temas que conhecia muito bem. Lima nasceu no Rio de Janeiro, dia 13 de maio de 1881, com o nome Afonso Henriques de Lima Barreto. Suas obras literárias foram produzidas durante a primeira década do século XX.Com estilo próprio, foi incompreendido e criticado por intelectuais da época. Lima inegavelmente deixou sua marca como autor de obras importantes, como “Triste Fim de Policarpo Quaresma”. 


Fonte: Luiz Antonio Ribeiro. Lima Barreto recebe título de Doutor Honoris Causa da UFRJ. Adaptado de: https://jornalnota.com.br/2023/06/06/lima-barreto-recebetitulo-de-doutor-honoris-causa-da-ufrj/.


Analise os seguintes vocábulos do texto: década – título – época – póstuma. Quantos desses vocábulos são proparoxítonos?  
Alternativas
Q3617677 Português
Por que o tédio pode ser bom para o cérebro?


           Se alguém te convidar simplesmente para sentar e não fazer nada, você certamente vai se lembrar da longa lista de tarefas pendentes à sua espera ou vai pensar em algo melhor para fazer.
        A sensação de que o dia não tem horas suficientes para fazer frente a todos os e-mails não lidos, resolver as pendências no trabalho ou se dedicar à família é algo corriqueiro.
        Soma-se a isso que, quando não estamos tentando dar conta dessas tarefas, pegamos nosso celular para ler algo online ou responder algum comentário nas redes sociais, em uma busca contínua por entretenimento.
        Poucas pessoas pensam no tédio como uma opção válida. Mas, segundo neurocientistas, o tédio, mesmo com sua má reputação, pode aumentar nossa criatividade, nosso comprometimento com as tarefas e nossa produtividade no trabalho.
        Um famoso experimento, publicado na revista Science, mostrou, inclusive, que existem pessoas que preferem levar um leve choque elétrico a ficar sozinhas com seus pensamentos.
        No experimento, os pesquisadores pediram a um grupo de pessoas que se sentasse em silêncio por 15 minutos em um quarto sem nada para fazer. Como alternativa, sua única opção era apertar um botão e receber um choque elétrico.
        Sofrer uma descarga elétrica é desagradável, mas muita gente, especialmente do sexo masculino, preferiu levar o choque a ser privada de estímulos sensoriais externos.
        Podemos considerar o tempo de inatividade, o tédio ou a ociosidade como uma limpeza mental: uma forma de liberar nossa mente da congestão cognitiva acumulada com o passar do tempo. Por isso, a questão não é tanto que precisamos nos deixar entediar — mas, sim, que precisamos de tempo vazio, ou menos cheio de coisas.
        Dormir é uma das formas que o cérebro tem de fazer uma limpeza depois de um dia inteiro, mas ele continua trabalhando. E o tédio também é importante para sua saúde.
        Na Itália, as pessoas têm isso muito claro. A expressão il dolce far niente (“a doçura de não fazer nada”) faz parte da cultura do país, onde o descanso, o prazer de ficar sem fazer nada, é parte da vida.
        Não se trata de fazer uma siesta, mas sim de algo mais profundo. Trata-se de deixar de lado o ritmo do dia a dia e dedicar um momento à introspecção, o relaxamento e a consciência de viver no momento presente.
        Portanto, agora você sabe: é importante cultivar o tédio, esse prazer de não fazer nada, e saber apreciá-lo.

(Fonte: BBC — adaptado.)
Considerando-se a definição de parônimos e seus exemplos na língua portuguesa, marcar C para as afirmativas Certas, E para as Erradas e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:

( ) Um exemplo de parônimo é a relação entre as palavras "descrição" e "discrição".
( ) Um exemplo de parônimo é a relação entre as palavras “retificar” e “ratificar”.
( ) Um exemplo de parônimo é a relação entre as palavras “sessão” e “seção”. 
Alternativas
Q3617675 Português
Por que o tédio pode ser bom para o cérebro?


           Se alguém te convidar simplesmente para sentar e não fazer nada, você certamente vai se lembrar da longa lista de tarefas pendentes à sua espera ou vai pensar em algo melhor para fazer.
        A sensação de que o dia não tem horas suficientes para fazer frente a todos os e-mails não lidos, resolver as pendências no trabalho ou se dedicar à família é algo corriqueiro.
        Soma-se a isso que, quando não estamos tentando dar conta dessas tarefas, pegamos nosso celular para ler algo online ou responder algum comentário nas redes sociais, em uma busca contínua por entretenimento.
        Poucas pessoas pensam no tédio como uma opção válida. Mas, segundo neurocientistas, o tédio, mesmo com sua má reputação, pode aumentar nossa criatividade, nosso comprometimento com as tarefas e nossa produtividade no trabalho.
        Um famoso experimento, publicado na revista Science, mostrou, inclusive, que existem pessoas que preferem levar um leve choque elétrico a ficar sozinhas com seus pensamentos.
        No experimento, os pesquisadores pediram a um grupo de pessoas que se sentasse em silêncio por 15 minutos em um quarto sem nada para fazer. Como alternativa, sua única opção era apertar um botão e receber um choque elétrico.
        Sofrer uma descarga elétrica é desagradável, mas muita gente, especialmente do sexo masculino, preferiu levar o choque a ser privada de estímulos sensoriais externos.
        Podemos considerar o tempo de inatividade, o tédio ou a ociosidade como uma limpeza mental: uma forma de liberar nossa mente da congestão cognitiva acumulada com o passar do tempo. Por isso, a questão não é tanto que precisamos nos deixar entediar — mas, sim, que precisamos de tempo vazio, ou menos cheio de coisas.
        Dormir é uma das formas que o cérebro tem de fazer uma limpeza depois de um dia inteiro, mas ele continua trabalhando. E o tédio também é importante para sua saúde.
        Na Itália, as pessoas têm isso muito claro. A expressão il dolce far niente (“a doçura de não fazer nada”) faz parte da cultura do país, onde o descanso, o prazer de ficar sem fazer nada, é parte da vida.
        Não se trata de fazer uma siesta, mas sim de algo mais profundo. Trata-se de deixar de lado o ritmo do dia a dia e dedicar um momento à introspecção, o relaxamento e a consciência de viver no momento presente.
        Portanto, agora você sabe: é importante cultivar o tédio, esse prazer de não fazer nada, e saber apreciá-lo.

(Fonte: BBC — adaptado.)
Com relação ao emprego dos porquês, assinalar a alternativa CORRETA: 
Alternativas
Q3614701 Português
Assinale a alternativa que traz a acentuação errada:
Alternativas
Q3614549 Português
Texto 1

As calcinhas (fragmento)

Viriato Corrêa


Não me lembro qual a minha idade quando ficou decidido que, no ano seguinte, eu entraria para a escola. 

Mas eu devia ser muito e muito pequeno. Tão pequenino que não pronunciava direito as palavras e ainda chupava o dedo e vestia roupinhas de menina. Mas não imaginem que eu fosse um menino excepcional, desses meninos-prodígios, ajuizados e sisudos, que não riem, não brincam e não saltam, dando à gente a impressão de que já nasceram velhos. Pelo contrário. Eu era uma criança alegre, traquinas e estouvada, que vivia correndo pelo quintal e fazendo estripulias pela casa.

Dois motivos é que me deram vontade de estudar. O primeiro deles — as calças. Desde que me entendi, tive a preocupação de ser homem e nunca me pude ajeitar nos vestidinhos rendados de menina. Sempre olhei com inveja os garotos mais taludos do que eu, não porque eles fossem maiores e gozassem regalias que os garotinhos não gozam, mas porque usavam calças. Minha mãe prometia frequentemente: 

— Quando você entrar para a escola deixará dos vestidinhos.

E, por amor às calças, comecei a mostrar amor aos livros. 

O segundo motivo é que o primeiro contato que tive com uma escola foi através de uma festa. E ficou-me na cabeça a ideia de que a escola era um lugar de alegria.

Eu conto a vocês. 

Havia outrora nos sertões do Norte uma festa que hoje não mais existe em parte nenhuma. Chamava-se "festa da palmatória". 

As escolas antigamente não tinham, às vezes, mobiliário que prestasse, material de ensino que servisse, professores que cuidassem das lições, mas... uma palmatória, rija, feita de boa madeira, não havia escola que não tivesse.

No espírito das crianças a palmatória tomava a feição de um monstro. Punham-se-lhe em cima todos os nomes feios. Chamavam-lhe a "danada", a "tirana", a "malvada", a "bandida".

A meninada vingava-se dela no fim do ano, fazendo-lhe uma festa gaiata, com algazarra e cantoria.

Era isso a 7 de dezembro, justamente no dia em que se encerravam as aulas. Festa de infinita singeleza e de infinita ingenuidade, como costumavam ser as festas infantis.

A escola amanhecia enfeitada com ramos e palmas verdes. Flores, muitas flores na mesa e na cadeira do professor. A palmatória, amarrada com laços de fita, pendia dum prego, na parede. 

Os meninos, mais bem vestidos que nos outros dias, iam cedinho para a porta da escola, brincar. 

Quando o professor apontava ao longe, cessava o brinquedo. Faziam-se alas. Ele entrava comovido, ia para junto da mesa e encerrava as aulas com um discurso.

O discurso era, palavrinha por palavrinha, quase sempre o mesmo de todos os anos. Sempre conselhos: começava desejando que os alunos fossem felizes durante as férias e terminava lembrando-lhes que não se esquecessem das lições aprendidas e de nenhum dos deveres de moral e disciplina.

Em seguida, o professor abençoava os estudantes um por um e retirava-se. 

A escola ficava entregue à pequenada. O aluno mais velho tirava a palmatória do prego, amarrava-a num cabo de vassoura e empunhava-o como se empunha um estandarte.

As crianças formavam, então, duas a duas, e saíam em passeata pelas ruas da povoação ou da vila, gritando e pulando. No começo — uma ladainha triste, cantada em coro, a chorar a morte da palmatória. Depois, as emboladas, os desafios, as cantigas alegres do sertão.

Levaram-me, naquele ano, à porta da escola para assistir à festa.

(...)


Correia, Viriato. Cazuza. Cia. Editora Nacional. 37ª ed. 1992.


Sobre as palavras acentuadas no texto, assinale a única alternativa correta. 
Alternativas
Q3614519 Português
Toda regra tem sua __________. Complete: 
Alternativas
Q3614518 Português
A mesma regra de acentuação de PARANÁ é observada em todas as alternativas abaixo, EXCETO: 
Alternativas
Q3614517 Português
Assinale a alternativa cujas duas palavras possuem a mesma classificação quanto ao acento tônico: 
Alternativas
Q3614515 Português
Assinale a alternativa que contém uma palavra acentuada pela mesma razão que ARSÊNICO: 
Alternativas
Respostas
6221: B
6222: B
6223: E
6224: B
6225: B
6226: C
6227: D
6228: D
6229: B
6230: C
6231: B
6232: D
6233: A
6234: B
6235: B
6236: E
6237: A
6238: B
6239: E
6240: E