Questões de Concurso Comentadas sobre ortografia em português

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Q2447474 Português
Beijinho, beijinho


Na festa dos 34 anos da Clarinha, o seu marido, Amaro, fez um discurso muito aplaudido. Declarou que não trocava a sua Clarinha por duas de 17, sabiam por quê? Porque a Clarinha era duas de 17. Tinha a vivacidade, o frescor e, deduzia-se, o fervor sexual somado de duas adolescentes. No carro, depois da festa, o Marinho comentou:

‒ Bonito, o discurso do Amaro.

‒ Não dou dois meses para eles se separarem ‒ disse a Nair.

‒ O quê?

‒ Marido, quando começa a elogiar muito a mulher…

Nair deixou no ar todas as implicações da duplicidade masculina.

‒ Mas eles parecem cada vez mais apaixonados ‒ protestou Marinho.

‒ Exatamente. Apaixonados demais. Lembra o que eu disse quando a Janice e o Pedrão começaram a andar de mãos dadas?

‒ É mesmo…

‒ Vinte anos de casados e de repente começam a andar de mãos dadas? Como namorados? Ali tinha coisa.

‒ É mesmo…

‒ E não deu outra. Divórcio e litigioso.

‒ Você tem razão.

‒ E o Mário com a coitada da Marli? De uma hora para outra? Beijinho, beijinho, “mulher formidável” e descobriram que ele estava de caso com a gerente da loja dela.

‒ Você acha, então, que o Amaro tem outra?

‒ Ou outras.

Nem duas de 17 estavam fora de cogitação.

‒ Acho que você tem razão, Nair. Nenhum homem faz uma declaração daquelas assim, sem outros motivos.

‒ Eu sei que tenho razão.

‒ Você tem sempre razão, Nair.

‒ Sempre, não sei.

‒ Sempre. Você é inteligente, sensata, perspicaz e invariavelmente acerta na mosca. Você é uma mulher formidável, Nair. Durante algum tempo, só se ouviu, dentro do carro, o chiado dos pneus no asfalto. Aí Nair perguntou:

‒ Quem é ela, Marinho?


(Luís Fernando Veríssimo. Em: Cultura Genial.)
A ortografia é uma norma que unifica a forma escrita das palavras; assinale, a seguir, a palavra que está ortograficamente incorreta quanto a sua grafia.
Alternativas
Q2447281 Português
Texto 1


Caçador é a segunda cidade mais rica do Oeste de SC


As cidades mais ricas do Oeste de Santa Catarina são Chapecó, Caçador, Concórdia e Videira. Além disso, o Oeste de Santa Catarina foi novamente a terceira região catarinense mais rica, com maior participação no Produto Interno Bruno (PIB) dos municípios. Os dados são referentes a 2021 e foram divulgados nesta sexta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com as outras cinco regiões do Estado, o Oeste teve o quarto maior crescimento entre o PIB de 2020 e de 2021, com 16,7% de aumento. A variação ficou abaixo da média estadual, que foi de 22,7% de acréscimo.

A soma das riquezas produzidas pelas 118 cidades da região foi de R$ 71,6 bilhões, o que corresponde a 16,7% do total do PIB catarinense. A participação do Oeste no PIB produzido em todas as regiões oscilou pouco menos de um ponto percentual para baixo.

Principal cidade da região, Chapecó teve o maior volume de PIB por municípios na região, com R$ 13,6 bilhões de riquezas produzidas na cidade naquele ano. Em seguida, entre as cidades mais ricas do Oeste aparecem Caçador (R$ 4,7 bilhões), Concórdia (R$ 4,5 bilhões), Videira (R$ 3,4 bilhões), Xanxerê (R$ 2,6 bilhões) e Joaçaba (2,3 bilhões).

Na comparação das cidades do top 10 do ranking com o desempenho do PIB de 2020, Xaxim, com aumento de 27%, e Xanxerê, com alta de 23,8%, são as que mais se destacaram.

Entre as regiões, o Vale do Itajaí foi novamente a mais rica de Santa Catarina, aumentando a vantagem sobre o Norte catarinense, área com o segundo melhor desempenho do Estado.


Disponível em: https://www.cacador.net/noticias/economia/2023/ 12/17/pib-cacador-e-a-segunda-cidade-mais-rica-do-oeste-de-sc59874. Acesso em: 22 de fev 2024. Publicado em: 17 de dez. 2023.

Assinale a alternativa em que todas as palavras destacadas são oxítonas.


Alternativas
Q2447280 Português

Assinale a frase em que o termo sublinhado está corretamente empregado.


Alternativas
Q2447279 Português

Assinale a frase correta quanto à acentuação gráfica.


Alternativas
Q2447081 Português
Chuva


     Houve um prefeito, paisano e sem imaginação, que resolveu acabar com as inundações do Rio. Foi o engenheiro João Carlos Vital, cujo breve reinado se perde, na série imensa dos prefeitos, entre um calvo general atrabiliário que construiu o Maracanã e um bravo coronel do P.T.B. que ali recebeu a mais estrondosa das manifestações.

     Vital foi um Frontin às avessas, e conseguiu livrar o Rio do excesso de água com esta providência original: mandou desentupir os bueiros. Nunca ninguém se lembrara disso antes; e depois, como se viu no dia de ontem, nunca ninguém voltou a se lembrar. Tivemos ruas, praças e amplas avenidas transformadas em córregos, lagoas e rios. Foi a bela resposta do coronel à populaça que no estádio lhe gritava: água, água! “Pois tomem água”! – Disse ele.

          Eu tive pena foi de sair de casa calçado e, além disso, com 30 anos de idade mais do que o conveniente. Descalço e menino, faria o que os meninos descalços eu vi fazendo: entraria na enchente, patinaria na lama, soltaria na esquina meus barcos de papel, e me divertiria imenso com a aflição da gente grande a empilhar trastes e móveis no andar térreo e a buzinar nervosamente atrás de um carro de capota levantada e distribuidor enlameado.

       A infância pobre do Rio, sempre esquecida, teve ontem um lindo dia de folga e festa: desculpa para não ir à escola e divertimentos animados na grande alegria das enxurradas.

       Quando a infância ri, Deus está contente. O telhado de minha mansarda amanheceu limpinho, e as árvores da rua engordaram de verde, pingando alegria, muito gratas ao senhor prefeito. Os chauffeurs de táxi tungaram alegremente seus passageiros; não é à toa que esses marotos gostam de ter, no quadro do carro, a imagem de São Cristóvão carregando o menino Jesus no ombro durante uma enchente.

          Salve, portanto, a chuva, amiga das crianças, da lavoura e dos motoristas. Cheguei em casa de pés molhados, mas um gole de pisco, lembrança do Peru, me esquentou os pés e a alma. Para dizer a verdade, foi um gole para os pés e outro para a alma; e para dizer toda a verdade, houve mais um de lambuja. Haja pisco; motivos para beber não hão de faltar neste país sempre desgovernado e às vezes, graças a Deus, chuvoso.


(BRAGA, Rubem. Dois pinheiros e o mar: e outras crônicas sobre meio ambiente. Brasil, Global Editora, 2017.)
Chama-se estrangeirismo a palavra ou expressão estrangeira empregada com a mesma significação do idioma original em texto vernáculo. Consta um exemplo no termo sublinhado no trecho “Os chauffeurs de táxi tungaram alegremente seus passageiros; [...]” (5º§). Embora o autor tenha optado pela grafia original do termo “chauffeur” na língua francesa, poderia também ter feito uso de sua versão “abrasileirada”, que é registrada no VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa) e tem como grafia correta: 
Alternativas
Q2446893 Português

Julgue o item que se segue. 


Os vocábulos que se pronunciam da mesma maneira, mas que têm sentidos diferentes são chamados de homônimos, como ocorre em seção (parte, divisão, departamento), sessão (reunião, encontro, espaço de tempo), e cessão (ceder algo). 

Alternativas
Q2446891 Português

Julgue o item que se segue. 


É facultativo assinalar com acento agudo as formas verbais de pretérito perfeito do indicativo, do tipo "amámos", "louvámos", para distingui-las das correspondentes formas do presente do indicativo (amamos, louvamos). 

Alternativas
Q2446575 Português

Julgue o item subsequente. 


As palavras paroxítonas não são em geral acentuadas graficamente, como ocorre em: ENJOO, GRAVE, HOMEM, MESA, VELHO, VOO; ABENÇOO, ANGOLANO, BRASILEIRO; DESCOBRIMENTO, GRAFICAMENTE, MOÇAMBICANO. 

Alternativas
Q2446572 Português

Julgue o item subsequente. 


Segundo o novo Acordo ortográfico da Língua Portuguesa, o H inicial deve ser suprimido quando, por via de composição, passa ao interior da palavra e o elemento em que figura se aglutina ao precedente, como em: BIEBDOMADÁRIO, DESARMONIA, DESUMANO, EXAURIR, INÁBIL, LOBISOMEM, REABILITAR, REAVER.

Alternativas
Q2446568 Português

Julgue o item subsequente. 


Não se deve usar hífen na composição de palavras em que os elementos constitutivos mantêm sua acentuação própria, compondo um novo sentido, como ocorre em: matéria prima, papel moeda, salário família. 

Alternativas
Q2446459 Português
Somente não encontramos erro ortográfico na seguinte alternativa: 
Alternativas
Q2446274 Português
A bola



     O pai deu uma bola de presente ao filho. Lembrando o prazer que sentira ao ganhar a sua primeira bola do pai. Uma número 5 sem tento oficial de couro. Agora não era mais de couro, era de plástico. Mas era uma bola.

     O garoto agradeceu, desembrulhou a bola e disse “Legal!”. Ou o que os garotos dizem hoje em dia quando não gostam do presente ou não querem magoar o velho.

Depois começou a girar a bola, à procura de alguma coisa.

– Como é que liga? – perguntou.

– Como, como é que liga? Não se liga.

O garoto procurou dentro do papel de embrulho.

– Não tem manual de instrução?

O pai começou a desanimar e a pensar que os tempos são outros. Que os tempos são decididamente outros.

– Não precisa manual de instrução.

– O que é que ela faz?

– Ela não faz nada. Você é que faz coisas com ela.

– O quê?

– Controla, chuta...

– Ah, então é uma bola.

– Claro que é uma bola.

– Uma bola, bola. Uma bola mesmo.

– Você pensou que fosse o quê?

– Nada, não.

      O garoto agradeceu, disse “Legal” de novo, e dali a pouco o pai o encontrou na frente da tevê, com a bola nova do lado, manejando os controles de um videogame. Algo chamado Monster Ball, em que times de monstrinhos disputavam a posse de uma bola em forma de blip eletrônico na tela ao mesmo tempo que tentavam se destruir mutuamente. O garoto era bom no jogo. Tinha coordenação e raciocínio rápido. Estava ganhando da máquina. O pai pegou a bola nova e ensaiou algumas embaixadas. Conseguiu equilibrar a bola no peito do pé, como antigamente, e chamou o garoto.

       – Filho, olha.

      O garoto disse “Legal” mas não desviou os olhos da tela. O pai segurou a bola com as mãos e a cheirou, tentando recapturar mentalmente o cheiro de couro. A bola cheirava a nada. Talvez um manual de instrução fosse uma boa ideia, pensou. Mas em inglês, para a garotada se interessar.


(Festa de Criança, Luís Fernando Veríssimo. São Paulo: Ática, 2002.)
A ortografia é uma norma, convenção ou acordo social, que unifica a forma escrita das palavras. Assinale a palavra, a seguir, que está incorreta quanto à sua grafia.
Alternativas
Q2446072 Português
Polenta: história secreta de uma das comidas favoritas da Itália

    É dourada, granulada, pegajosa e tem um sabor bastante insípido se servida sozinha. Mas a versatilidade da polenta transformou-a em uma estrela culinária, com o famoso prato de fubá cozido da Itália combinando perfeitamente com uma infinidade de sabores. As coberturas podem incluir desde carne de veado, peixe, coelho, javali e vitela refogada até cogumelos, molho de tomate e queijo derretido. Também pode ser utilizado em sobremesas, incluindo biscoitos, tortas e panquecas -alguns até comem com Nutella. E não se pode esquecer das texturas, ela vem em vários formatos e pode ser extremamente cremosa.

    A polenta é consumida em toda a Itália, mas há três regiões principais no norte do país onde é particularmente popular – Veneto, Lombardia e Piemonte. Giovanna Gilli, 85 anos, tem boas lembranças de sua avó piemontesa mexendo lentamente o mingau de fubá dentro de um enorme caldeirão de cobre na lareira, depois servindo em uma mesa de madeira, derramando molho de tomate, salsichas e cebolas por cima antes que todos pegassem sua parte. “Pegávamos uma colherada e colocávamos em nossos pratos. Era uma delícia, derretia na boca”, lembra ela. “No dia seguinte, a polenta crocante e seca que sobrou era cortada em palitos para nós, crianças, mergulharmos no leite ou polvilharmos com açúcar no café da manhã.”

     Hoje, acredita-se que a polenta seja o alimento básico mais popular da Itália, depois das massas e da pizza. Na sua essência, continua a ser um humilde prato comunitário, mas durante os anos da Segunda Guerra Mundial foi consumido, principalmente, por necessidade. No final de um árduo dia de trabalho, alguns familiares reuniam-se à volta da mesa e partilhavam a polenta. Usando as mãos como colheres, esfregavam cada mordida em um arenque seco pendurado por um barbante no teto da cozinha para dar mais sabor à polenta simples e, ao mesmo tempo, conservar o peixe.

   Embora os historiadores da culinária observem que os antigos romanos costumavam comer um tipo mais macio de polenta, feita com espelta moída cozida, a versão que as pessoas conhecem e amam hoje tem suas raízes no Oceano Atlântico, nas Américas. Tudo começou quando Cristóvão Colombo trouxe consigo para o Velho Continente uma safra “exótica” de milho, produto que não era familiarizado até sua viagem em 1492.

     Segundo o chef e o historiador alimentar Amedeo Sandri, o milho foi posteriormente importado para a Itália por missionários que voltavam das Américas para a região de Friuli. O cultivo em grande escala se espalhou nos anos 1600 para Veneto e Lombardia, substituindo as culturas tradicionais e desencadeando uma revolução agrária. Hoje, existem cerca de uma dúzia de tipos de milho italiano cultivados no país. “Os agricultores perceberam que o milho tinha maior rendimento e ciclo de cultivo mais curto em comparação ao milheto, centeio e trigo, e que dava força suficiente para trabalhar na lavoura”, diz Sandri. “Mas houve alguns efeitos colaterais graves nesta dieta à base de polenta.”

     Diz-se que os europeus ficaram tão viciados em fubá cozido que desenvolveram uma doença peculiar chamada pelagra, causada pela falta de niacina – também conhecida como vitamina B3. Muitos teriam sofrido de demência, diarreia e erupções cutâneas como resultado da doença.

Fonte: Polenta: história secreta de uma das comidas favoritas da Itália | CNN Brasil 
Assinale a alternativa que apresente palavra oxítona: 
Alternativas
Q2446011 Português
Assinale a opção em que as duas palavras apresentadas recebem acento gráfico corretamente.
Alternativas
Q2446010 Português
Em qual das palavras abaixo segue duas regras que podem justificar a presença do acento gráfico: a das proparoxítonas e a do hiato.
Alternativas
Q2446009 Português
Assinale a alternativa que apresenta uma palavra proparoxítona.
Alternativas
Ano: 2024 Banca: FAU Órgão: Prefeitura de Prudentópolis - PR Provas: FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Advogado | FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Analista Contábil | FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Assistente Social | FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Contador | FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Arquiteto Urbanista | FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Professor de Libras | FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Topógrafo | FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Engenheiro Agrônomo | FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Engenheiro Ambiental | FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Psicólogo - I | FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Engenheiro Civil | FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Médico Clínico Geral | FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Pedagogo | FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Médico da Família e Comunidade | FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Fisioterapeuta | FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Médico Generalista | FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Médico Ginecologista | FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Médico Pediatra | FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Médico Psiquiatra | FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Médico Veterinário | FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Nutricionista | FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Fonoaudiólogo | FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Instrutor de Educação Física | FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Bioquímico - Farmacêutico | FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Dentista | FAU - 2024 - Prefeitura de Prudentópolis - PR - Enfermeiro - I |
Q2445956 Português
Após teste de DNA, mulher descobre 22 irmãos e que mãe foi fertilizada pelo próprio médico

    Victoria Hill nunca entendeu como ela poderia ser tão diferente do pai – na aparência e no temperamento. A assistente social clínica licenciada, de 39 anos, do subúrbio de Connecticut, nos EUA, costumava brincar que talvez ela fosse filha do carteiro. Sua piada acabou se tornando motivo de riso. Preocupada com um problema de saúde e intrigada porque nenhum de seus pais havia sofrido nenhum dos sintomas, Hill comprou um kit de teste de DNA da 23andMe há alguns anos e enviou as amostras para a empresa de genômica.

    O que deveria ter sido uma busca rotineira para aprender mais sobre si mesma se transformou em uma revelação chocante de que ela tinha muito mais irmãos do que apenas o irmão com quem cresceu – a contagem agora é de 22 irmãos. Alguns deles a procuraram e lançaram mais bombas: o pai biológico de Hill não era o homem com quem ela cresceu, mas um médico de fertilidade que ajudava sua mãe a conceber usando esperma doado. Esse médico, Burton Caldwell, segundo disse-lhe um irmão, usou seu próprio esperma para inseminar a mãe de Hill, supostamente sem o consentimento dela.

    Mas a revelação mais devastadora veio quando Hill descobriu que um de seus irmãos recém-descobertos era seu namorado do colégio – com quem ela diz que poderia facilmente ter se casado. “Fiquei traumatizada com isso”, disse Hill à CNN em entrevista exclusiva. “Agora estou vendo fotos de pessoas pensando, bem, se ele fosse ser meu irmão, qualquer um poderia ser meu irmão.”

    A história de Hill parece representar um dos casos mais extremos até à data de fraude de fertilidade, em que os médicos de fertilidade enganaram as suas pacientes e as suas famílias, utilizando secretamente o seu próprio esperma em vez do de um doador. O caso ilustra também como os enormes grupos de irmãos tornados possíveis, em parte, pela falta de regulamentação, podem levar à ocorrência do pior cenário possível: o incesto acidental.

    Neste sentido, dizem os defensores de novas leis que criminalizam a fraude na fertilidade, a história de Hill é histórica. Esta foi a primeira vez que tivemos um caso confirmado de alguém que realmente namorava, alguém que tinha intimidade com alguém que era seu meio irmão”, disse Jody Madeira, professora de direito na Universidade de Indiana e especialista em fraude de fertilidade.

    Uma investigação da CNN sobre fraude de fertilidade em todo o país descobriu que a maioria dos estados, incluindo Connecticut, não tem leis contra isso. As vítimas desta forma de engano enfrentam grandes dificuldades de obter qualquer tipo de recurso, e os médicos acusados disso têm uma enorme vantagem em tribunal, o que significa que raramente enfrentam consequências e, em alguns casos, continuaram a exercer a profissão, de acordo com documentos e entrevistas com especialistas em fertilidade, legisladores e várias pessoas cujos filhos são doadores de esperma.

    A CNN também descobriu que o relacionamento romântico de Hill com seu meio irmão não foi o único caso em que ela ou outras pessoas de seu recém-descoberto grupo de irmãos interagiram com alguém de sua comunidade que se revelou irmão. Numa altura em que os kits de DNA do tipo “faça você mesmo” estão transformando crianças concebidas por doadores em detetives online sobre as suas próprias origens – e quando este subconjunto da população americana atingiu cerca de um milhão de pessoas – a situação de Hill é um sinal dos tempos.

    Ela faz parte de uma onda maior de pessoas concebidas por doadores que, nos últimos anos, têm procurado expor práticas na indústria da fertilidade que, segundo eles, lhes causaram sofrimento: enormes grupos de irmãos, médicos antiéticos, pais biológicos inacessíveis, falta de informações sobre seus filhos biológicos e histórico médico da família.

    O movimento tem sido o principal impulsionador da aprovação de cerca de uma dúzia de novas leis estaduais nos últimos quatro anos. Ainda assim, o panorama jurídico é irregular e a indústria da fertilidade dos EUA é muitas vezes referida pelos críticos como o “Velho Oeste” devido à sua escassez de regulamentação em relação a outros países ocidentais. “Os salões de manicure são mais regulamentados do que a indústria da fertilidade”, disse Eve Wiley, cujas origens remontam à fraude na fertilidade e é uma proeminente defensora de novas leis. 


Fonte: Após teste de DNA, mulher descobre 22 irmãos e que mãe foi fertilizada pelo próprio médico | CNN Brasil
Assinale a alternativa que apresente palavra paroxítona: 
Alternativas
Respostas
4461: C
4462: C
4463: A
4464: D
4465: C
4466: A
4467: B
4468: C
4469: C
4470: C
4471: C
4472: C
4473: E
4474: B
4475: C
4476: C
4477: C
4478: A
4479: B
4480: D