Questões de Concurso
Comentadas sobre orações intercaladas em português
Foram encontradas 75 questões
Julgue o seguinte item, relativo às ideias e a aspectos linguísticos e discursivos do texto precedente.
Estariam preservados a correção gramatical e o sentido original do texto, mas não a intenção de ênfase do autor, caso a oração "Mas tentar sem dúvida devemos" (segundo parágrafo) fosse reescrita como Mas, sem dúvida, devemos tentar.
I. A crase ocorre devido à regência do verbo mostrar, que exige objeto indireto introduzido por preposição.
II. A expressão à luz da poderia ser substituída, sem prejuízo para a coerência textual e para a correção gramatical do período, por sob a perspectiva da.
III. A supressão de apenas uma das duas vírgulas preservaria a correção gramatical do período, embora alterasse o ritmo de leitura da oração.
Está CORRETO o que se afirma em:
Contato diário com cultura e arte pode desacelerar
envelhecimento, diz estudo
Pesquisa feita com mais de 3.500 adultos sugere que
prática de atividades ligadas à criatividade e cultura pode estar ligada a
ritmo mais lento de envelhecimento celular
Sarah Macedo
Atividades como ouvir música, ler um livro, desenhar ou
visitar um museu podem fazer mais pela sua saúde do que relaxar a mente.
Segundo uma nova pesquisa da UCL (University College London), na
Inglaterra, pessoas que mantêm contato frequente com artes e atividades
culturais apresentam um ritmo mais lento de envelhecimento biológico.
O estudo, publicado em 11 de maio na revista Innovation
in Aging, reuniu informações de mais de 3,5 mil adultos do Reino Unido,
incluindo exames de sangue e questionários sobre hábitos culturais. Com esses
dados, os pesquisadores conseguiram calcular a idade biológica dos
participantes e acompanhar a velocidade com que o corpo envelhece.
Os resultados mostraram que pessoas que se envolviam
com atividades artísticas semanalmente envelheciam cerca de 4% mais lentamente
do que aquelas que quase nunca tinham esse tipo de contato. Já quem mantinha
esse hábito ao menos uma vez por mês apresentava um envelhecimento cerca de 3%
mais lento.
Em média, os participantes que realizavam alguma
atividade artística semanalmente eram biologicamente um ano mais jovens do que
aqueles que raramente se dedicavam a elas, enquanto as pessoas que praticavam
exercícios físicos uma vez por semana apresentavam uma diferença de cerca de
seis meses nessa mesma métrica.
Como o estudo foi feito
Para a pesquisa, os participantes precisaram responder
com que frequência, ao longo do último ano, participaram de atividades como
canto, dança, pintura, fotografia e artesanato, além de visitas a exposições,
eventos culturais, museus, bibliotecas, arquivos e patrimônios históricos (como
monumentos, prédios antigos e parques históricos).
“Os resultados fornecem evidências de que o
envolvimento com as artes e a cultura deve ser reconhecido como um
comportamento promotor da saúde, de forma semelhante ao exercício físico”,
disse Daisy Fancourt, psicobióloga da UCL e autora principal do estudo, em
entrevista ao The Guardian.
Para Feifei Bu, pesquisadora da UCL e autora sênior do
estudo, o estudo traz “a primeira evidência” de uma relação entre o
envolvimento com atividades artísticas e cultura e um envelhecimento biológico
mais lento. Segundo ela, os resultados reforçam pesquisas anteriores que
associam as artes à redução do estresse, diminuição de inflamações e melhora do
risco de doenças cardiovasculares, benefícios já observados com a prática de
exercícios físicos.
Fancourt também destacou que diferentes atividades
culturais podem impactar o organismo de maneiras distintas. “Cada tipo de
atividade artística — ler, fazer música, assistir a apresentações culturais,
visitar locais históricos — tem efeitos diferentes sobre nós cognitivamente,
emocionalmente e fisiologicamente”, afirmou em entrevista à revista
Smithsonian. “Por isso, se envolver em uma variedade de atividades, assim como
manter uma alimentação diversificada, é extremamente benéfico para a saúde.”
[...]
Adaptado de:
https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/05/contato-diario-com-cultura-e-arte-pode-desacelerar-envelhecimento-diz-estudo.ghtml.
Acesso em: 17 jun. 2026.
Leia o texto para responder à questão.
O que está por trás do aumento de navios abandonados no mar
David Waddell
Ao longo do último ano, houve um grande aumento no número de petroleiros e outras embarcações comerciais que vêm sendo abandonados por seus proprietários ao redor do mundo. O que está por trás desse aumento repentino? E qual é o impacto humano sobre os marinheiros mercantes afetados?
Ivan (nome fictício) falou com a BBC no mês passado a partir de um petroleiro que permanece abandonado fora das águas territoriais da China. Ele é um funcionário sênior de convés.
“Houve falta de carne, grãos, peixe — coisas simples para a sobrevivência”, disse o fncionário russo. “Isso afetou nossa saúde e o clima operacional a bordo.
A tripulação estava com fome, a tripulação estava com raiva, e tentávamos sobreviver apenas dia após dia.”
O navio — que não será identificado para proteger Ivan — transporta cerca de 750 mil barris de petróleo bruto russo, com valor nominal de aproximadamente US$ 50 milhões (R$ 260 milhões). Ele havia zarpado do Extremo Oriente da Rússia em direção à China no início de novembro.
A embarcação foi dada como abandonada em dezembro pela federação sindical internacional International Transport Workers’ Federation (ITF), após a tripulação relatar que não recebia salários havia meses.
O navio permanece em águas internacionais. O nível de escrutínio em torno do caso é tal que a China, ao que tudo indica, não está disposta a permitir sua entrada em um porto.
No entanto, a ITF interveio para garantir o pagamento dos salários de Ivan e de seus colegas até dezembro, além de organizar o envio de alimentos, água potável e outros itens essenciais para o navio.
Embora alguns tripulantes tenham sido repatriados, a maioria, como Ivan, continua a bordo.
Segundo a ITF, 20 navios foram abandonados ao redor do mundo em 2016. Em 2025, esse número saltou para 410, com 6.223 marinheiros mercantes afetados. Ambos os números do ano passado representaram um aumento de quase um terço em relação a 2024.
A instabilidade geopolítica é apontada como um dos principais fatores por trás do crescimento recente. Conflitos generalizados em várias partes do mundo e a pandemia de covid-19 provocaram interrupções nas cadeias de suprimento e grandes variações nos custos de frete, fazendo com que algumas empresas tenham dificuldade para se manter operando.
Mas a ITF afirma que a crescente presença das chamadas “frotas fantasmas” pode ter contribuído para o forte aumento registrado no ano passado.
Esses navios — geralmente petroleiros, como aquele em que Ivan está preso — costumam ser embarcações antigas, de propriedade obscura, muitas vezes sem condições adequadas de navegação, provavelmente sem seguro e com operações perigosas. Em geral, eles navegam sob bandeiras de conveniência (FOCs, na sigla em inglês), ou seja, são registrados em países com fiscalização regulatória muito limitada.
As embarcações dessas frotas fantasmas tentam operar fora do radar para ajudar países como Rússia, Irã e Venezuela a exportar petróleo bruto em violação às sanções ocidentais.
O caso da Rússia é um exemplo. Após a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, o país passou a enfrentar sanções que limitaram o preço que poderia cobrar por seu petróleo.
Ainda assim, a Rússia encontrou compradores dispostos a pagar valores mais altos, como China e Índia — embora esta última tenha agora se comprometido a interromper as compras, conforme os termos de um recente acordo comercial com os Estados Unidos.
As bandeiras de conveniência (FOCs, na sigla em inglês) são usadas por navios mercantes há mais de um século como forma de os proprietários contornarem leis e regulações em seus países de origem. Nos anos 1920, por exemplo, era comum que navios de passageiros de propriedade americana fossem registrados no Panamá para driblar as normas da Lei Seca nos EUA e vender álcool a bordo.
Panamá, Libéria e Ilhas Marshall são hoje os Estados mais comuns de bandeira de conveniência, respondendo por 46,5% de todos os navios mercantes em termos de tonelagem. Mas a Gâmbia se tornou um novo ator nesse cenário nos últimos anos.
Em 2023, não havia nenhum petroleiro registrado na Gâmbia. Já em março do ano passado, o país havia se tornado, no papel, o Estado anfitrião de 35 dessas embarcações. Os países que oferecem esse tipo de registro recebem taxas consideráveis.
Navios com bandeira de conveniência aparecem com destaque nos casos de abandono. Em 2025, eles representaram 337 embarcações — ou 82% do total. O número exato de navios de “frotas fantasmas” dentro desse grupo não é claro, mas, dado o estado precário dessas embarcações e as estruturas de propriedade obscuras por trás delas, tudo indica que isso expõe tanto os navios quanto suas tripulações a riscos maiores.
De acordo com as diretrizes da Organização Marítima Internacional (IMO), um marinheiro é considerado abandonado quando o armador deixa de arcar com os custos de sua repatriação, ou o deixa sem a cobertura de custos e o apoio necessários, ou ainda rompe unilateralmente o vínculo com ele. Este último caso inclui a falta de pagamento dos salários contratuais por um período mínimo de dois meses.
O secretário-geral da ITF, Stephen Cotton, disse à BBC que “o abandono não é um acidente”. E acrescentou: “Os marinheiros, na verdade, não sabem exatamente para onde estão indo. Eles assinam um contrato, vão para alguma outra parte do mundo e se deparam com muitos desafios diferentes.”
No ano passado, tripulações da marinha mercante abandonadas ao redor do mundo tinham, juntas, US$ 25,8 milhões em salários atrasados, segundo dados de duas agências da ONU, a Organização Marítima Internacional (IMO) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
A ITF afirma ter recuperado e devolvido quase dois terços desse valor, o equivalente a US$ 16,5 milhões. No navio em que Ivan está, os salários atrasados somavam cerca de US$ 175 mil no momento da primeira intervenção da ITF.
A nacionalidade mais afetada pelo abandono marítimo em 2025 foi a indiana, com 1.125 marinheiros — 18% do total. Filipinos (539) e sírios (309) aparecem em segundo e terceiro lugar.
Em setembro do ano passado, para proteger sua importante comunidade de trabalhadores do mar, o governo da Índia colocou na lista negra 86 embarcações estrangeiras por casos de abandono de marinheiros e violações de direitos. As investigações constataram que muitas delas tinham proprietários impossíveis de rastrear ou não recebiam qualquer resposta dos Estados de bandeira.
Mark Dickinson é secretário-geral do Nautilus International, um sindicato que representa profissionais do setor marítimo.
Ele responsabiliza os Estados que oferecem bandeiras de conveniência (FOCs) por uma “completa abdicação de responsabilidade” em relação às suas frotas mercantes e às tripulações que navegam sob essas bandeiras.
Segundo ele, é preciso haver “um vínculo genuíno entre os proprietários dos navios e as bandeiras sob as quais eles navegam”. Esse vínculo já é exigido pelo direito marítimo internacional, mas não existe uma definição universalmente aceita do que ele significa na prática.
O navio de Ivan navegava sob uma bandeira gambiana falsa, sem registro e desconhecida pelas autoridades da Gâmbia. Desde então, ele foi aceito provisoriamente sob a bandeira de outro país africano, que, segundo informações, abriu uma investigação formal sobre a embarcação.
O inspetor da ITF Nathan Smith disse que espera que o destino do petroleiro só seja resolvido quando o petróleo for transferido para outro navio por meio de uma operação de navio a navio em alto-mar.
Ivan afirma que, no futuro, será muito mais cuidadoso ao escolher em que navio vai trabalhar.
“Com certeza vou ter uma conversa adequada sobre as condições da embarcação, sobre pagamento e provisões. E vou recorrer à internet, onde podemos ver quais navios são proibidos, quais estão sob sanções.”
Marinheiros como Ivan muitas vezes ficam à mercê dos contratos disponíveis. Com as viagens das chamadas frotas fantasmas sendo uma peça-chave da cadeia de suprimento do petróleo russo, será necessária uma cooperação internacional maior para proteger os trabalhadores do mar dos riscos inerentes ao serviço marítimo.
Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/articles/cd9gd4ee4zvo
Considerando as regras de pontuação da norma padrão, assinale a alternativa CORRETA quanto ao emprego dos sinais de pontuação no período.
Maior Sorte
O médico me olhou achando graça.
"Parece até que você está indo ao cinema" comentou sobre meu relaxamento.
Tentei falar que talvez tivesse algo a ver com a epidural, mas as palavras não saíram, e só consegui esboçar um sorriso indeciso. As paredes brancas eram tão claras que me cegavam como se fosse um quarto escuro feito breu, e logo caí num sono profundo. A próxima coisa que me lembro foram os gritos.
Eu os ouvia através de um véu, que tornava o som oco e distante, ainda que me perfurassem. Sua dor, eu acredito, doía mais em mim do que em você.
De repente, como que por mágica, o silêncio reinou.
Olho para baixo e lá está você, com a cabecinha mole que tanto me aterrorizou nos meses seguintes, encostada no meu peito. Você era uma paz que eu nunca soube ter. Apesar do parto tranquilo, você estava virada. O médico não te retirou, como é de praxe, pela cabeça, mas pela sua bundinha de neném. Ele brincou que você nasceu com o bumbum virado pra lua, mas eu sabia que isso não era brincadeira nenhuma. A sua primeira sorte foi ter vindo de mim. O que são casualidades e probabilidades se não esse conceito místico e até vulgar que chamamos de boa ou má sorte? Eu gostaria de entender, mas vou deixar essa para os filósofos. Só sei que a calmaria do seu nascimento foi um presságio de todos os trevos de quatro folhas que você encontraria ao longo da vida. A sua segunda sorte deve ter sido como nunca te deixei cair de maneira fatal, como você sempre atravessou a rua de forma segura, mesmo que soltasse as minhas mãos, que nunca deixaram de buscar as suas, e que por sua vez só buscavam independência. Para ficar vivo, necessita-se de uma baita sorte. E, por te ter comigo, ganhei na loteria.
MAGALHÃES, Lívia Batista. Maior sorte. In: MALULY, Luciano Victor Barros; MUÑOZ, Daniel Azevedo; TÔZO, Carla de Oliveira (org.). Crônicas para ler e ouvir: número 2. São Paulo: ECA-USP, 2023. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 095/1000/3699 . Acesso em: 14 abr. 2026.
Considere as afirmativas relacionadas ao emprego da vírgula nas frases extraídas do texto e registre V para verdadeiras e F para falsas:
(__)Na frase "Eu gostaria de entender, mas vou deixar essa para os filósofos", a vírgula antes de mas é facultativa pela norma culta, pois separa duas orações coordenadas adversativas de mesmo sujeito.
(__)Na frase "Apesar do parto tranquilo, você estava virada", a vírgula separa um adjunto adverbial concessivo deslocado para o início do período, uso consagrado pela gramática normativa.
(__)Na frase "Sua dor, eu acredito, doía mais em mim do que em você", as vírgulas isolam uma oração intercalada que não interfere na estrutura sintática da oração principal, podendo ser suprimida sem prejuízo gramatical.
Assinale a alternativa com a sequência CORRETA de cima para baixo:
Para responder à questão, leia o texto abaixo.
Brasil cria centro para pesquisar novos insumos farmacêuticos a partir da biodiversidade
O Brasil lançou na primeira semana de julho um centro de pesquisa dedicado a desenvolver Insumos Farmacêuticos Ativos (lFAs) a partir da biodiversidade brasileira, na tentativa de reduzir, no longo prazo, a dependência do país de matérias-primas importadas para fabricar medicamentos. Apesar do anúncio, ainda não há previsão de quando as pesquisas poderão resultar em novos medicamentos ou qual será o impacto concreto na redução da dependência brasileira de IFAs importados.
Segundo os responsáveis pela iniciativa, os quatro primeiros anos serão dedicados às etapas iniciais de desenvolvimento das moléculas, antes dos testes em seres humanos e da fase de produção industrial, que dependerá de parcerias com empresas.
O Centro de Competência em IFA a partir da Biodiversidade Brasileira (CC-IFABR) será instalado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), com R$ 60 milhões da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e do Ministério da Saúde. A proposta é identificar, em plantas, animais e microrganismos brasileiros, moléculas com potencial para virar medicamento.
O problema que o centro tenta resolver é conhecido do setor: hoje, mais de 90% dos IFAs usados pela indústria farmacêutica brasileira são importados — e, em alguns segmentos, essa dependência chega a 95%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi). Embora grande parte dos remédios vendidos no país seja fabricada aqui, é o IFA — a substância responsável pelo efeito terapêutico — que costuma vir de fora.
Nos próximos quatro anos, o CC-IFABR não vai desenvolver medicamentos completos nem produzir remédios para o Sistema Único de Saúde (SUS). O trabalho ficará concentrado nas etapas iniciais da pesquisa: identificar moléculas da biodiversidade brasileira com potencial terapêutico, aperfeiçoá-las e realizar os estudos pré-clínicos necessários para comprovar segurança e eficácia — a fase que antecede os testes em seres humanos. As duas primeiras áreas de pesquisa serão tratamentos contra o câncer, com foco em imunoterapia, e terapias para infecções emergentes.
Segundo Daniela Trivella, coordenadora do CC-IFABR no CNPEM, dois projetos já estão em andamento: um investiga uma molécula obtida de uma planta da Caatinga com potencial para estimular o sistema imunológico contra tumores; o outro busca desenvolver, a partir de um microrganismo, uma molécula para o tratamento da sepse — infecção generalizada que pode levar à falência de órgãos.
Depois dessa fase, ainda será preciso realizar testes em seres humanos, obter aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e desenvolver processos capazes de fabricar esses medicamentos em escala industrial.
Segundo Alvaro Prata, presidente da Embrapii, o objetivo do centro é atuar nas etapas anteriores ao desenvolvimento industrial, preparando moléculas e processos até um estágio em que possam ser assumidos pela indústria farmacêutica. Por isso, ainda não há estimativa de quando as pesquisas poderão resultar em produtos disponíveis no mercado nem qual será o impacto concreto na redução da dependência brasileira de IFAs importados.
Fonte: https://gl.globo.com/saude/noticia/2026/01/03/brasil-cria-centro-para-produzir-insumos-farmaceuticos-e-reduzir-dependencia-do-exterior-projeto-nao-tem-prazo-nem-meta-definidos.ghtml (adaptado)
Ética profissional na arquitetura e urbanismo: compromisso com o espaço, a sociedade e o futuro
A arquitetura e o urbanismo, mais que práticas técnicas ou artísticas, configuram-se como atividades de profundo impacto social. O espaço construído influencia a forma como vivemos, nos relacionamos e exercemos nossos direitos de cidadania. Diante dessa relevância, a ética profissional torna-se eixo central da atuação do arquiteto e urbanista, orientando decisões que ultrapassam o campo estético e alcançam dimensões sociais, ambientais, econômicas e culturais. Ser ético, na arquitetura, é compreender que cada projeto representa também uma intervenção na vida coletiva.
A ética profissional reúne princípios que orientam o comportamento do indivíduo em relação à sociedade e à sua profissão. No campo da arquitetura e do urbanismo, ela se concretiza em normas, condutas e compromissos definidos no Código de Ética e Disciplina do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR).
Entre os deveres fundamentais do código estão o respeito ao interesse público, o zelo pela segurança, acessibilidade e bem- -estar dos usuários, a responsabilidade ambiental e a defesa da dignidade da profissão. O exercício profissional deve ser pautado pela honestidade intelectual, pela transparência nas relações e pela valorização do trabalho técnico, artístico e científico.
Assim, a ética na arquitetura não se limita ao cumprimento de leis ou normas técnicas: envolve a capacidade crítica de avaliar as consequências das próprias decisões e de agir com integridade, mesmo sob pressões econômicas, políticas ou mercadológicas.
O arquiteto e urbanista é agente de transformação do espaço e, consequentemente, da sociedade. Suas decisões projetuais podem promover inclusão ou exclusão, sustentabilidade ou degradação, valorização cultural ou apagamento da memória coletiva.
A ética profissional exige que cada projeto considere seu impacto ambiental, respeite o território e promova o uso racional dos recursos naturais. Projetar de forma ética implica consciência ecológica e compromisso com soluções sustentáveis, acessíveis e socialmente justas.
A dimensão social da ética envolve o compromisso com o direito à cidade, conceito amplamente defendido por Henri Lefebvre e incorporado às políticas urbanas contemporâneas. O arquiteto ético compreende que seu trabalho deve contribuir para cidades mais democráticas, inclusivas e equitativas.
O exercício profissional apresenta inúmeros desafios éticos. Entre eles, destacam-se conflitos entre o interesse privado e o público; plágio e apropriação indevida de autoria em projetos e concursos; concorrência desleal, com práticas que desvalorizam o trabalho técnico; relações com o poder público que exigem transparência e integridade; e a responsabilidade técnica diante de irregularidades que possam comprometer a segurança das pessoas ou o patrimônio ambiental e cultural.
Essas situações exigem do profissional não apenas conhecimento técnico, mas sensibilidade ética, discernimento e coragem moral para tomar decisões orientadas pelo bem coletivo.
A ética profissional é também um compromisso com as gerações futuras. Em meio à crise climática, à urbanização desigual e à pressão crescente sobre os recursos naturais, arquitetos e urbanistas precisam adotar uma postura ética voltada à sustentabilidade e à justiça socioambiental.
A formação ética, iniciada na universidade e aprofundada ao longo da carreira, deve acompanhar a evolução da sociedade e das tecnologias. A ética não é estática: renova-se conforme emergem novos dilemas e demandas. Ser ético, portanto, é aprender continuamente, repensar práticas e agir com responsabilidade diante das transformações do mundo contemporâneo.
A ética profissional na arquitetura e no urbanismo constitui o alicerce da credibilidade e da relevância social da profissão. Ela orienta o arquiteto e urbanista a compreender seu papel como mediador de valores humanos, ambientais e culturais.
Atuar de forma ética é reconhecer que cada decisão projetual interfere na vida de pessoas e comunidades. É defender a dignidade da profissão, valorizar o conhecimento técnico e agir com compromisso social.
Somente com base na ética é possível construir cidades mais justas, sustentáveis e belas – espaços que expressem não o poder de poucos, mas o direito de todos à vida urbana com qualidade.
(Por Teresinha, Melo. Disponível em: https://caubr.gov.br/etica-profissional/. Adaptado. Acesso em: abril de 2026.)
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Áreas de parque de MG que tiveram pichação em pinturas rupestres serão isoladas para limpeza
A administração do Parque Nacional da Serra do Cipó, na região central de Minas, vai manter áreas da unidade isoladas até que as pichações sobre pinturas rupestres feitas no local sejam removidas pelo IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Com o isolamento, uma cachoeira do parque está com acesso proibido.
Desde a notificação das pichações, no começo de maio, a região de acesso às pinturas rupestres está com o acesso bloqueado para preservar o local que será periciado, como explica o chefe da gestão do parque, Gabriel Resende.
Segundo a administração do parque, na próxima semana, o Iphan, integrantes do Laboratório de Ciência da Conservação e do Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais da UFMG farão uma perícia no local do parque violado para realizar a remoção da tinta e restaurar o local.
O caso foi denunciado às Polícia Federal, Polícia Civil de Minas Gerais e Polícia Militar de Meio Ambiente em Lagoa Santa. O padrão das pichações é investigado para tentar identificar os autores do crime. Até agora, ninguém foi localizado e também não se sabe a data em que o crime foi cometido. O parque estuda instalar câmeras de segurança para evitar novos episódios.
As pinturas rupestres mais antigas encontradas no Parque são datadas de 8.500 a 12.000 anos, marcando a região como um importante sítio arqueológico. As primeiras populações que ocuparam a região eram pré-colombianas, coletores e caçadores. Entre os registros estão desenhos de animais e cenas de caça, principalmente nas regiões da Lapa da Sucupira e no Parque Arqueológico Pedra do Sol, que são patrimônios tombados.
O Parque Nacional da Serra do Cipó fica em um território de quatro municípios e ocupa uma área de 31 mil e 600 hectares. É um dos principais destinos de ecoturismo de Minas Gerais, com mais de 60 cachoeiras.
https://cbn.globo.com/belo-horizonte/noticia/2026/05/09/areas-de-parqu e-de-mg-que-teve-pichacao-em-pinturas-rupestres-serao-isoladas-para -limpeza.ghtml-adaptado
Analise as reescritas a seguir e assinale aquela que apresenta a pontuação adequada.
Acerca das partes, pode-se afirmar que:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Ministério da Saúde lança videocast com primeiro episódio focado em saúde mental.
O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, estreia, nesta segunda-feira (13), o videocast "Saúde nas Redes", programa quinzenal que será exibido no canal oficial do Ministério da Saúde no Youtube. No primeiro episódio, o tema será saúde mental, assunto cada vez mais urgente no debate público e nas redes sociais. Padilha recebe a psicóloga e criadora de conteúdo Karen Scavacini e a cientista social e influenciadora Nataly Neri.
"A gente vive um tempo em que as telas estão dominando tudo, mas o lazer, o aprendizado e outras oportunidades que elas proporcionam podem se tornar um problema quando o uso sai do controle. Quando alguém começa a ficar irritado ao ficar sem celular, deixa de realizar outras atividades, passa as madrugadas online, dorme mal, se isola no quarto e perde o interesse em conversar, esses são sinais de alerta. Quanto mais cedo a gente percebe, mais conseguimos ajudar", afirmou o ministro Alexandre Padilha.
Com formato quinzenal, o videocast surge com a proposta de ampliar o acesso da população a informações verdadeiras e qualificadas sobre saúde, conectando especialistas e comunicadores com forte presença digital. A cada episódio, o ministro recebe um especialista no tema em discussão ao lado de um influenciador digital, promovendo conversas acessíveis, relevantes e alinhadas aos desafios atuais da saúde pública.
O programa é uma parceria entre o Ministério da Saúde e o YouTube, sempre às segundas-feiras, no canal oficial do Ministério da Saúde e nas redes sociais da pasta.
Na estreia, o debate é em torno dos impactos do ambiente digital no bem-estar emocional da população. Durante a conversa, Karen Scavacini destaca a importância de compreender a internet como uma grande praça pública e reforça a necessidade de atenção dos pais e responsáveis ao uso de celulares e redes sociais por crianças e adolescentes. Já Nataly Neri compartilha como a exposição da vida nas redes sociais contribuiu para seu adoecimento mental e fala sobre o percurso de descoberta e cuidado com a própria saúde.
Os próximos episódios abordarão temas de grande relevância, como desinformação, jogos de apostas (bets) e saúde da mulher, ampliando o debate sobre questões atuais que impactam diretamente o bem-estar da população e o uso consciente das tecnologias no dia a dia.
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2026/abril/ministerio-d a-saude-lanca-videocast-com-primeiro-episodio-focado-em-saude-ment al
Analise as reescritas a seguir e identifique aquela em que a pontuação mantém a correção gramatical.
“O Agente Secreto” abarca imensidão e atualidade da violência brasileira
É tão vasto o horizonte aberto por “O Agente Secreto” que mais justo será fatiá-lo para melhor compreensão. Ele é, entre outras coisas, um filme sobre cinema. Ele começa em 1977, quando “Tubarão”, o longa de Steven Spielberg, estava na cabeça de todo mundo. Os tubarões estavam na cabeça de um menino de cinco ou seis anos, filho de Marcelo — Wagner Moura —, o protagonista do filme.
O tubarão do “Tubarão” não era apenas um peixe. Ele matava suas vítimas. E, quanto mais é perseguido, maior, mais ameaçador, mais horrendo e furioso se torna.
Naquele ano, também, o Brasil já estava saindo da fase mais difícil [...]. Nesse momento, Marcelo volta ao Recife para viver, bem discretamente, numa comunidade de “refugiados” e para encontrar um documento de identificação que, de certa forma, pode comprovar para ele a existência de sua mãe.
A mãe não é sua única perda. Foi criado pelo avô e perdeu a mulher. Sua pesquisa, do tempo em que era professor universitário, foi roubada. Foi difamado por um industrial paulista e é ameaçado de morte por ex-militares, hoje dedicados profissionalmente ao assassinato. O filme explicará tudo isso e por que esses fatos aconteceram.
Como já se pode notar, estamos no território de “Tubarão”, de uma boca cada vez mais imensa que se abre para apanhar o que vier. A diferença fundamental é que “Tubarão” se propõe como um longa de aventura e terror, enquanto “O Agente Secreto” é uma obra de mistério — e terror.
Há mais cinemas na história — e atenção a partir daqui com os “spoilers”.
O sogro de Marcelo — papel de Carlos Francisco — é projecionista do Cine São Luiz, em Recife. É também no prédio onde no passado existiu um cinema que Fernando, o filho de Marcelo, pratica a medicina. Num banco de sangue, isto é, um lugar onde o sangue não existe como perda — jorro vindo de corpos mortos —, mas como regeneração e vida — “O Agente Secreto” não é, afinal, um filme sem esperança.
O cinema, como se sabe, sempre foi um lugar de refúgio — tanto para fugitivos em geral como para namorados. E Marcelo, quando chega a Recife, logo no início do longa, vai para uma comunidade de pessoas que se dizem “refugiadas”.
A presença do cinema é, claro, apenas uma fatia — talvez minguada — da imensidade a que se abre o novo filme de Kleber Mendonça Filho. Ele trata da violência que ora é oficial, ora é particular, [...] da destruição de reputações e do roubo de ideias, do assassinato [...]. Essa máquina infernal existia no passado e não deixou de existir no presente.
“O Agente Secreto” é o longa onde mais evidentes são as ressonâncias de “O Som ao Redor”. Assim como a moderna Recife é o lugar onde sobrevive a antiga exploração dos engenhos em “O Som ao Redor”, o Brasil é o lugar onde práticas iníquas vão se perpetuando sempre adaptadas às condições do presente.
E tudo isso é o que temos a deglutir, pouco a pouco, neste filme realmente imenso, com um elenco admiravelmente equilibrado em torno de um Wagner Moura assombroso.
Muito pessoalmente, devo dizer que nunca me comoveu muito o prêmio do júri que “Bacurau” ganhou alguns anos atrás. O prêmio foi dividido com “Os Miseráveis”, de Ladj Ly, que me parecia muito superior. Desta vez, Kleber ganhou o prêmio de melhor direção, o mesmo que Glauber Rocha levou por “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”. Não passa vergonha diante de seu predecessor.
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2025/11/oagente-secreto-abarca-imensidao-e-atualidade-da-violenciabrasileira.shtml. Acesso em: 05 jan. 2026.