Questões de Concurso Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q2172216 Português
Grilos

    O Grilo Falante saíra pelo mundo e assim chegara a China, país onde encontrara outros grilos submetidos a uma triste “sina”: eram obrigados a lutar entre si para diversão de uns poucos espectadores. No meio deles o Grilo Falante se destacava, sobretudo, porque falava duas línguas: a dos humanos e a dos grilos. O que considerava uma dádiva do destino. Era uma oportunidade para que assumisse o papel de defensor dos oprimidos. Assim como Espártaco liderara uma revolta de gladiadores, ele lideraria os grilos não falantes numa rebelião. Empolgado, fazia discurso atrás de discurso: “Nós grilos, somos vítimas dos humanos!” Proclamava. “Eles fazem com que a gente se mate, e para quê? Para que tenham diversão, uma diversão cruel, doentia ... uni-vos, grilos! Nada tendes a perder, a não ser a vossa condição de escravos!”
   No começo os grilos ficaram perplexos, sem saber o que fazer, mas aos poucos foram se entusiasmando com a pregação e acabaram autorizando o Grilo Falante a negociar com os humanos condições de vida mais justas. O Grilo Falante disse aos proprietários dos grilos que nada tinha a ver com política. O que ele queria era proteção para seus companheiros por cujas vidas lutava. E listou suas condições: as lutas, daí em diante, deveriam ser apenas simuladas, de brincadeira. A caixa em que lutavam seria confortável, com ar-condicionado. Os grilos teriam direito a ração dupla de alimento etc.
     Na falta de alternativa, os donos dos grilos aceitaram as condições. Mas estão atrás do Pinóquio. Pagarão a ele qualquer quantia para que leve o Grilo Falante embora da China.
      Reflexão: Os mais espertos se sobressaem sempre sobre os demais.

(Texto de Moacyr Scliar adaptado por Ivan Melo. Adaptado)
A respeito das condições iniciais dos grilos, é correto afirmar que os pequenos animais 
Alternativas
Q2172215 Português
Grilos

    O Grilo Falante saíra pelo mundo e assim chegara a China, país onde encontrara outros grilos submetidos a uma triste “sina”: eram obrigados a lutar entre si para diversão de uns poucos espectadores. No meio deles o Grilo Falante se destacava, sobretudo, porque falava duas línguas: a dos humanos e a dos grilos. O que considerava uma dádiva do destino. Era uma oportunidade para que assumisse o papel de defensor dos oprimidos. Assim como Espártaco liderara uma revolta de gladiadores, ele lideraria os grilos não falantes numa rebelião. Empolgado, fazia discurso atrás de discurso: “Nós grilos, somos vítimas dos humanos!” Proclamava. “Eles fazem com que a gente se mate, e para quê? Para que tenham diversão, uma diversão cruel, doentia ... uni-vos, grilos! Nada tendes a perder, a não ser a vossa condição de escravos!”
   No começo os grilos ficaram perplexos, sem saber o que fazer, mas aos poucos foram se entusiasmando com a pregação e acabaram autorizando o Grilo Falante a negociar com os humanos condições de vida mais justas. O Grilo Falante disse aos proprietários dos grilos que nada tinha a ver com política. O que ele queria era proteção para seus companheiros por cujas vidas lutava. E listou suas condições: as lutas, daí em diante, deveriam ser apenas simuladas, de brincadeira. A caixa em que lutavam seria confortável, com ar-condicionado. Os grilos teriam direito a ração dupla de alimento etc.
     Na falta de alternativa, os donos dos grilos aceitaram as condições. Mas estão atrás do Pinóquio. Pagarão a ele qualquer quantia para que leve o Grilo Falante embora da China.
      Reflexão: Os mais espertos se sobressaem sempre sobre os demais.

(Texto de Moacyr Scliar adaptado por Ivan Melo. Adaptado)
De acordo com o texto, é correto afirmar que
Alternativas
Q2172097 Português

Malpassado


     Quanto mais sutil a opressão, mais cruel. Por isso, dentre as mil formas de “subjugar” os outros, tenho uma implicância especial com o bom gosto. Apontar o que há de brega, cafona, fora de moda ou exagerado nas pessoas é uma vaidade disfarçada de virtude.

     Dentre as mil formas de se oprimir pelo gosto, uma das que me dão mais raiva é o ponto da carne. Repare com que orgulho o cidadão declara ao garçom, num restaurante, “malpassado”. Fala alto, para que os outros ouçam, como se a pergunta fosse “Onde você se formou?” e a resposta, “Harvard”.

    Já o pobre diabo que quer seu bife bem passado é quase um proscrito. Eu sou churrasqueiro. Vejo uma amiga ou amigo se aproximar da grelha e pelo jeito que se arrasta, com o rabo entre as pernas, quase ganindo, sei o que vai pedir. Ela(e) chega bem perto. Inclina o corpo. Com cautela sussurra no meu ouvido como quem pede algo ilícito: “Será que rola sair uma um pouquinho mais bem passada?”.

    Venho de uma família dogmática. Minha avó tem uma pousada e no cardápio está escrito, em letras maiores do que as dos pratos: “Não servimos bife bem passado”. “No meu restaurante eu não sirvo comida ruim!”, ela diz. Eu respeito sua posição. Contudo, rompendo com os valores familiares, ajo diferente. Não ao ponto de preferir carne bem passada, mas pelo menos ao de grelhá-la mais pra quem quiser. Acredito que o churrasqueiro é um funcionário público e está a serviço dos comensais, não o contrário.

    “Ah, Antonio, mas e o ketchup na pizza?”. (Não sei por que pus entre aspas, sou eu perguntando pra mim mesmo). “E o cream cheese no sushi?”. “E o macarrão no bufê do rodízio?”. Aceitemo-los — assim como vós aceitais essa mesóclise. São todos filhos da Revolução Francesa, frutos da democracia. O preço da liberdade não é só a eterna vigilância. Entram também na conta o Crocs, a estampa de oncinha e o bife esturricado.

(Antônio Prata. Adaptado).

Em busca de convencer o leitor de seu ponto de vista e estabelecer uma ligação com ele, o autor usa um recurso humorístico muito comum nas crônicas. Assinale a alternativa que apresenta o recurso utilizado e um exemplo correspondente correto retirado do texto.
Alternativas
Q2172096 Português

Malpassado


     Quanto mais sutil a opressão, mais cruel. Por isso, dentre as mil formas de “subjugar” os outros, tenho uma implicância especial com o bom gosto. Apontar o que há de brega, cafona, fora de moda ou exagerado nas pessoas é uma vaidade disfarçada de virtude.

     Dentre as mil formas de se oprimir pelo gosto, uma das que me dão mais raiva é o ponto da carne. Repare com que orgulho o cidadão declara ao garçom, num restaurante, “malpassado”. Fala alto, para que os outros ouçam, como se a pergunta fosse “Onde você se formou?” e a resposta, “Harvard”.

    Já o pobre diabo que quer seu bife bem passado é quase um proscrito. Eu sou churrasqueiro. Vejo uma amiga ou amigo se aproximar da grelha e pelo jeito que se arrasta, com o rabo entre as pernas, quase ganindo, sei o que vai pedir. Ela(e) chega bem perto. Inclina o corpo. Com cautela sussurra no meu ouvido como quem pede algo ilícito: “Será que rola sair uma um pouquinho mais bem passada?”.

    Venho de uma família dogmática. Minha avó tem uma pousada e no cardápio está escrito, em letras maiores do que as dos pratos: “Não servimos bife bem passado”. “No meu restaurante eu não sirvo comida ruim!”, ela diz. Eu respeito sua posição. Contudo, rompendo com os valores familiares, ajo diferente. Não ao ponto de preferir carne bem passada, mas pelo menos ao de grelhá-la mais pra quem quiser. Acredito que o churrasqueiro é um funcionário público e está a serviço dos comensais, não o contrário.

    “Ah, Antonio, mas e o ketchup na pizza?”. (Não sei por que pus entre aspas, sou eu perguntando pra mim mesmo). “E o cream cheese no sushi?”. “E o macarrão no bufê do rodízio?”. Aceitemo-los — assim como vós aceitais essa mesóclise. São todos filhos da Revolução Francesa, frutos da democracia. O preço da liberdade não é só a eterna vigilância. Entram também na conta o Crocs, a estampa de oncinha e o bife esturricado.

(Antônio Prata. Adaptado).

A partir da leitura do texto, é correto afirmar que o autor 
Alternativas
Q2171828 Português

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.


Qualidade de vida

(Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/qualidade-de-vida-em-cinco-passos/– texto adaptado especialmente para esta prova). 

Sobre o texto, é possível afirmar que:
I. É aconselhado realizar 30 minutos de atividade física todos os dias. II. Devemos beber pelo menos 2 litros de água diariamente. III. Quando estivermos nervosos ou ansiosos, não devemos comer em excesso.
Quais estão corretas?
Alternativas
Q2171461 Português

Considere a tirinha de Quino para responder à questão.


Imagem associada para resolução da questão


É INCORRETO afirmar que

Alternativas
Q2171455 Português
A lição das árvores que perdem as folhas no outono.
Cada estação traz consigo as lições de um novo ciclo da vida.
Lira Neto – 09/2021

Os dias estão mais curtos, as noites mais longas. Levanto-me cedo, para preparar o café. Ainda faz escuro lá fora. Uma neblina toma conta do terraço, o frio atravessa a vidraça perto de onde está posta a pequena mesa redonda da cozinha. A partir de agora, vai ser necessário envergar um agasalho enquanto empunho a xícara e leio os jornais. O outono chegou na Europa. Oficialmente, a mudança de estação ocorre apenas amanhã, quarta-feira, dia 22 de setembro. Mas já é possível sentir a mutação térmica, bem como testemunhar a tonalidade alaranjada dos primeiros raios de luz a inundar o horizonte, rompendo o nevoeiro da manhã. As flores do canteiro acordam cobertas de orvalho. As árvores da rua tingem-se de vermelhos, amarelos e marrons.

É minha época preferida do ano. Ao longo do dia, o céu estará límpido, a paisagem ensolarada. Mas o vento frio exigirá o uso do casaco, que esteve guardado e esquecido, por tantos meses, no fundo do armário do quarto. De hoje em diante, ele terá de ficar sempre à mão, junto ao cachecol, no cabideiro próximo à porta da entrada de casa.

Cearense que sou, gosto, sobretudo, desta combinação de sol e frio, de dias tão dourados quanto amenos. Os finais de tarde, sobretudo, reservam pequenos prazeres durante o passeio vespertino pela vizinhança. A dramaticidade típica do pôr do sol ganha contornos ainda mais expressivos, suavemente melancólicos.

Em breve, as calçadas estarão atapetadas de folhas secas e quebradiças, que estralarão sobre a sola dos sapatos ao serem pisadas. Cogumelos brotarão por entre a folhagem úmida caída ao solo. É a época, também, das grandes colheitas.

As barraquinhas das vendas e mercadinhos estarão abarrotados de castanhas, avelãs, marmelos, romãs e, meus favoritos, caquis — aqui chamados de dióspiros, nome que não faz jus ao festival de sabor, cor e textura de uma fruta assim tão extraordinária.

É necessário, porém, estar atento aos sinais da natureza, essa velha e sábia senhora que sempre gosta de pregar peças aos incautos. De súbito, o vento vira de direção, o céu escurece, redemoinhos se formam sob nossos pés.

O preço a se pagar pela imprevidência é um maldito resfriado ou uma gripe oportunista, a serem padecidos com nariz vermelho e na companhia de uma manta grossa de lã, canecas de chá e pratos de sopa quente.

Afora isso, tomados os devidos cuidados, o outono é, para nós, humanos, uma bela lição natural a respeito dos instantes de transição. Quando as árvores vão perdendo assim todas as folhas, aos poucos ficando desnudas após nos oferecerem seus melhores frutos, estão a nos enviar silencioso recado. É preciso despir-se do que já não nos serve mais, desapegar de velhas fórmulas, rancores, tabus, preconceitos. Preparar-se para os dias vindouros.

Cada estação traz consigo as lições de um novo ciclo da vida. Outono é o momento de colher e se desfrutar aquilo que se semeou na primavera. Hora de deleite e, ao mesmo tempo, de introspecção. “Tempus autumnus” — tempo do ocaso, em latim. Aparentemente mortas, com galhos nus, as árvores estão reagindo à escassez gradativa de sol, luz e calor, elementos indispensáveis à fotossíntese e ao metabolismo vegetal. Manter as folhas, nessas circunstâncias, seria imprevidência, desperdício de energia. Os nutrientes acumulados nos últimos meses as alimentarão ao longo do outono e, mais adiante, até o final do gélido inverno europeu.

É essa a mensagem que este raio alaranjado de sol me transmite ao adentrar agora pela janela do escritório. O ocaso é apenas a lenta preparação para a manhã seguinte. Sim, o outono é a véspera do friorento inverno. Mas, também, a antevéspera da primavera.

Pode parecer chavão, lugar-comum, mensagem de autoajuda barata. Mas aquela árvore ali em frente, com suas folhas mudando de verde para marrom, não cansa em apregoar o que tanto insistimos em não ouvir.

https://diariodonordeste.verdesmares.com.br
“Os finais de tarde, sobretudo, reservam pequenos prazeres durante o passeio vespertino pela vizinhança.” (quarto parágrafo)
A reescrita dessa frase está de acordo com a norma culta em:
Alternativas
Q2171449 Português
A lição das árvores que perdem as folhas no outono.
Cada estação traz consigo as lições de um novo ciclo da vida.
Lira Neto – 09/2021

Os dias estão mais curtos, as noites mais longas. Levanto-me cedo, para preparar o café. Ainda faz escuro lá fora. Uma neblina toma conta do terraço, o frio atravessa a vidraça perto de onde está posta a pequena mesa redonda da cozinha. A partir de agora, vai ser necessário envergar um agasalho enquanto empunho a xícara e leio os jornais. O outono chegou na Europa. Oficialmente, a mudança de estação ocorre apenas amanhã, quarta-feira, dia 22 de setembro. Mas já é possível sentir a mutação térmica, bem como testemunhar a tonalidade alaranjada dos primeiros raios de luz a inundar o horizonte, rompendo o nevoeiro da manhã. As flores do canteiro acordam cobertas de orvalho. As árvores da rua tingem-se de vermelhos, amarelos e marrons.

É minha época preferida do ano. Ao longo do dia, o céu estará límpido, a paisagem ensolarada. Mas o vento frio exigirá o uso do casaco, que esteve guardado e esquecido, por tantos meses, no fundo do armário do quarto. De hoje em diante, ele terá de ficar sempre à mão, junto ao cachecol, no cabideiro próximo à porta da entrada de casa.

Cearense que sou, gosto, sobretudo, desta combinação de sol e frio, de dias tão dourados quanto amenos. Os finais de tarde, sobretudo, reservam pequenos prazeres durante o passeio vespertino pela vizinhança. A dramaticidade típica do pôr do sol ganha contornos ainda mais expressivos, suavemente melancólicos.

Em breve, as calçadas estarão atapetadas de folhas secas e quebradiças, que estralarão sobre a sola dos sapatos ao serem pisadas. Cogumelos brotarão por entre a folhagem úmida caída ao solo. É a época, também, das grandes colheitas.

As barraquinhas das vendas e mercadinhos estarão abarrotados de castanhas, avelãs, marmelos, romãs e, meus favoritos, caquis — aqui chamados de dióspiros, nome que não faz jus ao festival de sabor, cor e textura de uma fruta assim tão extraordinária.

É necessário, porém, estar atento aos sinais da natureza, essa velha e sábia senhora que sempre gosta de pregar peças aos incautos. De súbito, o vento vira de direção, o céu escurece, redemoinhos se formam sob nossos pés.

O preço a se pagar pela imprevidência é um maldito resfriado ou uma gripe oportunista, a serem padecidos com nariz vermelho e na companhia de uma manta grossa de lã, canecas de chá e pratos de sopa quente.

Afora isso, tomados os devidos cuidados, o outono é, para nós, humanos, uma bela lição natural a respeito dos instantes de transição. Quando as árvores vão perdendo assim todas as folhas, aos poucos ficando desnudas após nos oferecerem seus melhores frutos, estão a nos enviar silencioso recado. É preciso despir-se do que já não nos serve mais, desapegar de velhas fórmulas, rancores, tabus, preconceitos. Preparar-se para os dias vindouros.

Cada estação traz consigo as lições de um novo ciclo da vida. Outono é o momento de colher e se desfrutar aquilo que se semeou na primavera. Hora de deleite e, ao mesmo tempo, de introspecção. “Tempus autumnus” — tempo do ocaso, em latim. Aparentemente mortas, com galhos nus, as árvores estão reagindo à escassez gradativa de sol, luz e calor, elementos indispensáveis à fotossíntese e ao metabolismo vegetal. Manter as folhas, nessas circunstâncias, seria imprevidência, desperdício de energia. Os nutrientes acumulados nos últimos meses as alimentarão ao longo do outono e, mais adiante, até o final do gélido inverno europeu.

É essa a mensagem que este raio alaranjado de sol me transmite ao adentrar agora pela janela do escritório. O ocaso é apenas a lenta preparação para a manhã seguinte. Sim, o outono é a véspera do friorento inverno. Mas, também, a antevéspera da primavera.

Pode parecer chavão, lugar-comum, mensagem de autoajuda barata. Mas aquela árvore ali em frente, com suas folhas mudando de verde para marrom, não cansa em apregoar o que tanto insistimos em não ouvir.

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De acordo com os gêneros textuais, a intenção principal do autor foi
Alternativas
Q2171448 Português
A lição das árvores que perdem as folhas no outono.
Cada estação traz consigo as lições de um novo ciclo da vida.
Lira Neto – 09/2021

Os dias estão mais curtos, as noites mais longas. Levanto-me cedo, para preparar o café. Ainda faz escuro lá fora. Uma neblina toma conta do terraço, o frio atravessa a vidraça perto de onde está posta a pequena mesa redonda da cozinha. A partir de agora, vai ser necessário envergar um agasalho enquanto empunho a xícara e leio os jornais. O outono chegou na Europa. Oficialmente, a mudança de estação ocorre apenas amanhã, quarta-feira, dia 22 de setembro. Mas já é possível sentir a mutação térmica, bem como testemunhar a tonalidade alaranjada dos primeiros raios de luz a inundar o horizonte, rompendo o nevoeiro da manhã. As flores do canteiro acordam cobertas de orvalho. As árvores da rua tingem-se de vermelhos, amarelos e marrons.

É minha época preferida do ano. Ao longo do dia, o céu estará límpido, a paisagem ensolarada. Mas o vento frio exigirá o uso do casaco, que esteve guardado e esquecido, por tantos meses, no fundo do armário do quarto. De hoje em diante, ele terá de ficar sempre à mão, junto ao cachecol, no cabideiro próximo à porta da entrada de casa.

Cearense que sou, gosto, sobretudo, desta combinação de sol e frio, de dias tão dourados quanto amenos. Os finais de tarde, sobretudo, reservam pequenos prazeres durante o passeio vespertino pela vizinhança. A dramaticidade típica do pôr do sol ganha contornos ainda mais expressivos, suavemente melancólicos.

Em breve, as calçadas estarão atapetadas de folhas secas e quebradiças, que estralarão sobre a sola dos sapatos ao serem pisadas. Cogumelos brotarão por entre a folhagem úmida caída ao solo. É a época, também, das grandes colheitas.

As barraquinhas das vendas e mercadinhos estarão abarrotados de castanhas, avelãs, marmelos, romãs e, meus favoritos, caquis — aqui chamados de dióspiros, nome que não faz jus ao festival de sabor, cor e textura de uma fruta assim tão extraordinária.

É necessário, porém, estar atento aos sinais da natureza, essa velha e sábia senhora que sempre gosta de pregar peças aos incautos. De súbito, o vento vira de direção, o céu escurece, redemoinhos se formam sob nossos pés.

O preço a se pagar pela imprevidência é um maldito resfriado ou uma gripe oportunista, a serem padecidos com nariz vermelho e na companhia de uma manta grossa de lã, canecas de chá e pratos de sopa quente.

Afora isso, tomados os devidos cuidados, o outono é, para nós, humanos, uma bela lição natural a respeito dos instantes de transição. Quando as árvores vão perdendo assim todas as folhas, aos poucos ficando desnudas após nos oferecerem seus melhores frutos, estão a nos enviar silencioso recado. É preciso despir-se do que já não nos serve mais, desapegar de velhas fórmulas, rancores, tabus, preconceitos. Preparar-se para os dias vindouros.

Cada estação traz consigo as lições de um novo ciclo da vida. Outono é o momento de colher e se desfrutar aquilo que se semeou na primavera. Hora de deleite e, ao mesmo tempo, de introspecção. “Tempus autumnus” — tempo do ocaso, em latim. Aparentemente mortas, com galhos nus, as árvores estão reagindo à escassez gradativa de sol, luz e calor, elementos indispensáveis à fotossíntese e ao metabolismo vegetal. Manter as folhas, nessas circunstâncias, seria imprevidência, desperdício de energia. Os nutrientes acumulados nos últimos meses as alimentarão ao longo do outono e, mais adiante, até o final do gélido inverno europeu.

É essa a mensagem que este raio alaranjado de sol me transmite ao adentrar agora pela janela do escritório. O ocaso é apenas a lenta preparação para a manhã seguinte. Sim, o outono é a véspera do friorento inverno. Mas, também, a antevéspera da primavera.

Pode parecer chavão, lugar-comum, mensagem de autoajuda barata. Mas aquela árvore ali em frente, com suas folhas mudando de verde para marrom, não cansa em apregoar o que tanto insistimos em não ouvir.

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A alternativa que não apresenta uma característica do título do texto, é 
Alternativas
Q2171392 Português
    Pesquisa divulgada no Rio de Janeiro, em 2008, atestava:  63% dos afro-brasileiros são contra a segregação de direitos  raciais. Política racial, mesmo de boa-fé, é terapia estatal para  uma doença inexistente: não temos identidade racial.
    A questão em julgamento não são as políticas públicas de inclusão de afro-brasileiros nas universidades públicas, o que  poderá ser contemplado pelo critério de cotas sociais ampliando as oportunidades aos mais pobres, dos quais 70% são pretos e  pardos. O que se disputa é a possibilidade de segregação de     direitos raciais pelo Estado. Os defensores falam em diversidade racial. Nós contrapomos o império do pensamento da diversidade humana. A diversidade racial significa o Estado conferindo validade à tese racista da classificação racial, que nós repudiamos. 
    O que está sob julgamento é se a Carta Cidadã permite a discriminação estatal com base em direitos raciais segregados. É disso que tratamos nesse julgamento histórico e cuja deliberação influenciará a harmonia social de futuras gerações. Ortega y Gasset, o filósofo espanhol, nos diz da responsabilidade da atual geração entregar à futura um ambiente social melhor do que aquele recebido. A nossa geração recebeu uma sociedade sem direitos e sem ódios raciais. Como vamos entregá-la?
Disponível em: <https://www.estadao.com.br/roldao-arruda/cotas-raciais-contra-e-a-favor/>. Acesso em: 21 mar. 2023.

A respeito do texto, dadas as afirmativas, 
I. O tema é potencialmente polêmico, já que suscita opiniões divergentes e os possíveis leitores tenderão a concordar com as ideias que são apresentadas.  II. No texto, o princípio de cotas raciais é entendido como um  princípio de segregação e desigualdade entre os cidadãos. III. A expressão “identidade racial” em: “Política racial, mesmo de boa-fé, é terapia estatal para uma doença inexistente: não temos identidade racial.”, adquire conotação claramente negativa do ponto de vista da argumentação. IV. No texto, a palavra “cotas” destaca-se na importância argumentativa, ou seja, está no centro da argumentação.

verifica-se que está/ão correta/s
Alternativas
Q2171390 Português
    Evento que já se tornou tradição, o Prêmio Sabores da Orla se prepara para a sua 6ª edição. Organizado pela concessionária  Orla Rio, o maior festival de gastronomia praiana do Brasil se transformou em uma importante vitrine para a divulgação da diversidade de sabores presentes nos 309 quiosques espalhados pelos 34 quilômetros de praias cariocas.
   Ao utilizar a boa gastronomia para reunir cariocas e turistas  em um ambiente agradável para aproveitarem bons momentos, a  ação já faz parte do calendário de eventos aguardados  anualmente na cidade maravilhosa.
 Dessa forma, a grandiosidade da iniciativa não está apenas no reconhecimento do trabalho único desenvolvido pelos  estabelecimentos. Mas, também, na experiência de degustação  de diferentes iguarias durante o Prêmio Sabores da Orla, com os  circuitos gastronômicos que ocorrem nos quiosques participantes. [...] 
Disponível em: <https://bluestudioexpress.estadao.com.br/conteudo/2023/02/16/chega-a-6a-edicao-o-maior-premio-de-gastronomia-raiana-do-brasil/>. Acesso em: 12 mar. 2023.
Considerando os mecanismos linguísticos semânticos, recursos importantes na construção textual, as relações entre as palavras e as expressões destacadas no texto pertencem ao campo semântico da  
Alternativas
Q2171385 Português

Imagem associada para resolução da questão


Disponível em: <https://brainly.com.br/tarefa/32151751>. Acesso em: 15 de mar. 2023


Tendo como referência as falas das personagens dos quadrinhos, assinale a alternativa correta. 

Alternativas
Q2171382 Português
Contranarciso
em mim  eu vejo o outro  e outro  e outro  enfim dezenas  trens passando  vagões cheios de gente  centenas 
o outro  que há em mim  é você  você  e você 
assim como  eu estou em você  eu estou nele  em nós  e só quando  estamos em nós  estamos em paz  mesmo que estejamos a sós 
Disponível em: <https://guatafoz.com.br/contranarciso-poema-de-paulo-leminski/>. Acesso em: 14 mar. 2023.
Nos versos de Paulo Leminski, o “eu” poético sugere
Alternativas
Q2171380 Português
Amor é entre os deuses o mais antigo. E sendo o mais antigo é para nós a causa dos maiores bens. [...]. Aquilo que, com efeito, deve dirigir toda a vida dos homens, dos que estão prontos a vivê-la nobremente, eis o que nem a estirpe pode incutir tão bem, nem as honras nem as riquezas, nem nada mais, como o amor. A que então que me refiro? À vergonha do que é feio e ao apreço do que é belo. Não é com efeito possível, sem isso, nem cidade nem indivíduo produzir grandes e belas obras.
PLATÃO. O Banquete. São Paulo: Victor Civita, 1972.
Na frase: “Aquilo que, com efeito, deve dirigir toda a vida dos homens”, o termo “aquilo” refere-se
Alternativas
Q2171339 Português
Atenção: O texto a seguir deve ser utilizado como base para responder à questão:

Qual a árvore mais alta da Amazônia?

   A Floresta Amazônica conta com várias espécies de árvores que atingem dezenas de metros de altura. Mas o título de árvore mais alta já vista na Amazônia é um angelim-vermelho (Dinizia excelsa), encontrado na divisa entre o Pará e o Amapá.
  A árvore tem quase 10 metros de circunferência e 88 metros e meio de altura, o equivalente a um prédio de 30 andares. O gigante angelim-vermelho, que tem entre 400 e 600 anos, foi encontrado em setembro de 2022 em uma expedição do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) à Floresta Estadual (Flota) do Paru.
   Para chegar até ela, são necessários 15 dias de viagem por 400 quilômetros de rios e mais 40 quilômetros de caminhada pela mata densa, segundo o Imazon. A Flota do Paru é conhecida como um santuário de árvores gigantes porque, além do angelim, outras árvores de 70 a 80 metros foram localizadas na região.
   Além da maior da Amazônia, o angelim de quase 90 metros também é considerado a maior árvore da América Latina e a quarta maior do mundo, de acordo com o Imazon.
   Além da altura, o angelim-vermelho também chama a atenção entre as demais árvores amazônicas pela coloração avermelhada que seu tronco adquire quando iluminado pela luz solar, segundo informações do Museu da Amazônia (Musa). A espécie só ocorre nas áreas de terra firme da floresta.
(Fonte: https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2023/03/qual-a-arvore-mais-alta-da-amazonia)
Em que região foi encontrado o angelim-vermelho de quase 90 metros de altura?
Alternativas
Q2171338 Português
Atenção: O texto a seguir deve ser utilizado como base para responder à questão:

Qual a árvore mais alta da Amazônia?

   A Floresta Amazônica conta com várias espécies de árvores que atingem dezenas de metros de altura. Mas o título de árvore mais alta já vista na Amazônia é um angelim-vermelho (Dinizia excelsa), encontrado na divisa entre o Pará e o Amapá.
  A árvore tem quase 10 metros de circunferência e 88 metros e meio de altura, o equivalente a um prédio de 30 andares. O gigante angelim-vermelho, que tem entre 400 e 600 anos, foi encontrado em setembro de 2022 em uma expedição do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) à Floresta Estadual (Flota) do Paru.
   Para chegar até ela, são necessários 15 dias de viagem por 400 quilômetros de rios e mais 40 quilômetros de caminhada pela mata densa, segundo o Imazon. A Flota do Paru é conhecida como um santuário de árvores gigantes porque, além do angelim, outras árvores de 70 a 80 metros foram localizadas na região.
   Além da maior da Amazônia, o angelim de quase 90 metros também é considerado a maior árvore da América Latina e a quarta maior do mundo, de acordo com o Imazon.
   Além da altura, o angelim-vermelho também chama a atenção entre as demais árvores amazônicas pela coloração avermelhada que seu tronco adquire quando iluminado pela luz solar, segundo informações do Museu da Amazônia (Musa). A espécie só ocorre nas áreas de terra firme da floresta.
(Fonte: https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2023/03/qual-a-arvore-mais-alta-da-amazonia)
Além da altura, o que chama a atenção no tronco do angelim-vermelho?
Alternativas
Q2171285 Português

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 04 a seguir para responder à questão que a ele se refere.

Texto 04 


01.png (380×335)

Disponível em: https://bichinhosdejardim.com/futuro-visionario/. Acesso em: 14 fev. 2023.  

Analise as afirmativas, tendo em vista as ideias veiculadas no texto 04.
I. O computador permitiu que as pessoas tivessem mais tempo disponível para aproveitar a vida. II. A hipótese para o futuro era que, contando com o computador, as pessoas teriam mais tempo disponível. III. A previsão de que o computador permitiria que as pessoas tivessem mais tempo disponível não se cumpriu. IV. O tempo disponível futuramente, dependerá, exclusivamente, da modernização dos computadores. V. As pessoas, mesmo com a presença dos computadores, não têm tempo para aproveitar a vida.
Estão CORRETAS as afirmativas
Alternativas
Q2171283 Português
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 03 a seguir para responder à questão que a ele se refere.

Texto 03


Disponível em: https://tirasarmandinho.tumblr.com/post/108648342249/tirinha-original. Acesso em: 14 fev. 2023.

Analise as passagens do texto 01 que estão relacionadas à terceira fala do texto 03.


I. “E, confesso, tento algumas vezes desenhar em minha cabeça formas de aproveitá-lo melhor, diante da realidade do dia a dia.” (Linhas 4-6)

II. “Compreender que o tempo não é algo palpável, mas que pode se transformar diante dos desafios da nossa rotina é um grande passo para nos entendermos melhor com ele [...]” (Linhas 7-8)

III. “Quando criança, eu pensava que o tempo fosse um grande relógio de ponteiros gigantes, que funcionava sem descanso em algum lugar que eu não podia alcançar.” (Linhas 1-2)

IV. “Deixando nossa ansiedade de lado, perdemos um pouco o desejo de controlar tudo e então enxergamos novas possibilidades diante dos olhos, compreendendo que realmente há um tempo para todas as coisas.” (Linhas 16- 18)

V. “A partir do instante em que nos abrimos para as pequenezas da vida e entendemos que são elas que importam, temos a chance de viver de uma forma mais honesta com nós mesmos e com o nosso tempo.” (Linhas 20-21)


Estão CORRETAS as afirmativas  

Alternativas
Q2171281 Português

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 02 a seguir para responder à questão que a ele se refere.


Texto 02


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Disponível em: https://armandinho-facebook.com. Acesso em: 14 fev. 2023.

Analise as afirmativas a seguir tendo em vista as ideias veiculas no texto 2, em comparação ao texto 1.


I. O tempo na infância retratado no texto 01 vai ao encontro do tempo na infância retratado no texto 02. II. O problema da falta de tempo pelo acúmulo de atividades enfrentado por uma criança no texto 02 é o mesmo enfrentado por um adulto no texto 01. III. As tarefas cotidianas enumeradas pela personagem adulta do texto 02, segundo a personagem criança do texto 02, não condizem com o “ser criança”. IV. A personagem criança do texto 02 considera que ter uma agenda diária repleta de obrigações faz parte da infância. V. Os textos 01 e 02 defendem que, independentemente de ser uma criança ou um adulto, em primeiro lugar, devem estar as obrigações e, depois, a diversão.
Estão CORRETAS as afirmativas
Alternativas
Q2171279 Português

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 a seguir para responder à questão que a ele se refere. 

Texto 01


Quanto tempo a gente tem?  

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Disponível em: https://vidasimples.com/vida-emocional. Acesso em: 14 fev. 2023. Adaptado. 
Considere o trecho: ‘“Quando se vê, já são seis horas! Quando se vê, já é sexta-feira. Quando se vê, já é Natal. Quando se vê, já terminou o ano.’” (Linhas 9-10)
I. Os termos “seis horas”, “sexta-feira”, “Natal” e “terminou o ano” formam um recurso de expressão denominado gradação. II. O termo “quando” poderia ser substituído, sem alteração de sentido, por “mal”, também com função de conjunção subordinativa temporal. III. A palavra “quando” em “quando se vê” é atrativa, por isso se verifica a ocorrência da próclise obrigatória, de acordo com a norma. IV. O verbo “são” encontra-se no plural, concordando com o termo “seis horas”, mas poderia ter sido usado, com igual correção, no singular. V. A vírgula que separa a oração “Quando se vê” é facultativa, de acordo com a norma, para separar oração adverbial antecipada.
Estão CORRETAS as afirmativas
Alternativas
Respostas
17341: C
17342: D
17343: B
17344: D
17345: E
17346: E
17347: E
17348: B
17349: D
17350: C
17351: B
17352: A
17353: E
17354: A
17355: C
17356: B
17357: C
17358: B
17359: E
17360: A