Questões de Concurso Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q1722540 Português

Pelada


    Esta pracinha sem aquela pelada virou uma chatice completa: agora, é uma babá que passa, empurrando, sem afeto, um bebê de carrinho, é um par de velhos que troca silêncios num banco sem encosto. E, no entanto, ainda ontem, isso aqui fervia de menino, de sol, de bola, de sonho: “Eu jogo na linha! eu sou o Lula!; no gol, eu não jogo, tô com o joelho ralado de ontem; vou ficar aqui atrás: entrou aqui, já sabe”. Uma gritaria, todo mundo se escalando, todo mundo querendo tirar o selo da bola, bendito fruto de uma suada vaquinha. Oito de cada lado e, para não confundir, um time fica como está; o outro joga sem camisa. Já reparei uma coisa: bola de futebol, seja nova, seja velha, é um ser muito compreensivo que dança conforme a música: se está no Maracanã, numa decisão de título, ela rola e quiçá com um ar dramático, mantendo sempre a mesma pose adulta, esteja nos pés de Gérson ou nas mãos de um gandula. Em compensação, num racha de menino ninguém é mais sapeca: ela corre para cá, corre para lá, quica no meio-fio, para de estalo no canteiro, lambe a canela de um, deixa-se espremer entre mil canelas, depois escapa, rolando, doida, pela calçada. Parece um bichinho. Aqui, nessa pelada inocente é que se pode sentir a pureza de uma bola. Afinal, trata-se de uma bola profissional, uma número cinco, cheia de carimbos ilustres: “Copa Rio-Oficial”, “FIFA – Especial”. Uma bola assim, toda de branco, coberta de condecorações por todos os gomos (gomos hexagonais!), jamais seria barrada em recepção do Itamaraty. No entanto, aí está ela, correndo para cima e para baixo, na maior farra do mundo, disputada, maltratada até, pois, de quando em quando, acertam-lhe um bico, ela sai zarolha, vendo estrelas, coitadinha. Racha é assim mesmo: tem bico, mas tem também sem-pulo de craque como aquele do Tona, que empatou a pelada e que lava a alma de qualquer bola. Uma pintura. Nova saída. Entra na praça batendo palmas como quem enxota galinha no quintal. É um velho com cara de guarda-livros que, sem pedir licença, invade o universo infantil de uma pelada e vai expulsando todo mundo. Num instante, o campo está vazio, o mundo está vazio. Não deu tempo nem de desfazer as traves feitas de camisas. O espantalho-gente pega a bola, viva, ainda, tira do bolso um canivete e dá-lhe a primeira espetada. No segundo golpe, a bola começa a sangrar. Em cada gomo o coração de uma criança.

In: Armando Nogueira Os melhores da crônica brasileira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1977

No trecho “em compensação, num racha de menino, ninguém é mais sapeca...”, o termo sublinhado faz referência à:
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Q1722052 Português
INSTRUÇÃO: A questão diz respeito à Tirinha. Leia-a atentamente antes de respondê-la.


É correto afirmar que o humor da Tirinha acontece, pois:
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Q1721657 Português
Leia o texto e responda a questão.

A TECNOLOGIA
   Acordei cedo. Sem o que fazer naquela manhã, resolvi ir à praça da minha localidade. Antes, um espaço sem construção, cavalos amarrados nas estacas esperando seus donos que assistiam à missa. Hoje, observava o pouco movimento da comunidade, alguns poucos carros, motos e os pássaros que insistiam em alegrar aquela manhã nos pés de.
  Com o vento lambendo meu rosto e um calor de mil graus em plena manhã, percebi um casal de idosos que acabara de sentar naquele banco quase quebrado. Acho que esperavam algum transporte para ir à cidade, já que precisamos nos deslocar do nosso pacato lugar para resolvermos nossos problemas.
 Ele parecia meio que revoltado, algo o intrigava. Aproximei-me sem despertar sua atenção, descobri que falava de internet. Não era bem essa palavra que ele fazia uso, mas desvendei que esse era o assunto. Ele dizia para aquela senhora que ouvia suas inquietações:
  - Esse povo de hoje só vive nesse tal de facebook.
 -Verdade. A minha neta ganhou de presente um celular e agora não faz outra coisa, senão cutucar aquele troço. Não gosto disso! Falou aquela senhora.
  Entre tantas conversas naquele banco da praça, o senhor então resolveu amenizar o tom do diálogo:
  -Me recordo da dona Toinha que comprou uma televisão e resolvi ir a sua casa para vê-la depois de tantas conversas na vizinhança sobre a novidade. Saí correndo desesperado, tropeçando os pés no batente da porta da casa, quando a vi funcionar.
   -É o ônibus!
   -Vamos então.
   -O importante é valorizar e respeitar esta nova tecnologia, afinal, não podemos fazer nada para detê-la, apesar dela tanto nos ajudar.
   -Cuidado com o batente, não vá bater o pé de novo!
   -Claro que não!
   Aquela cena chamou minha atenção, pois percebi como a tecnologia influencia diretamente na vida das pessoas, jovens ou idosos. E se você leitor, gostou do meu texto e se interessou por ele, posso te enviar pelo email, afinal, hoje tudo depende apenas de um clique.
Nacélio Simoa
Na fala da personagem: “... senão cutucar aquele troço.”, infere-se que a senhora sentia :
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Q1721656 Português
Leia o texto e responda a questão.

A TECNOLOGIA
   Acordei cedo. Sem o que fazer naquela manhã, resolvi ir à praça da minha localidade. Antes, um espaço sem construção, cavalos amarrados nas estacas esperando seus donos que assistiam à missa. Hoje, observava o pouco movimento da comunidade, alguns poucos carros, motos e os pássaros que insistiam em alegrar aquela manhã nos pés de.
  Com o vento lambendo meu rosto e um calor de mil graus em plena manhã, percebi um casal de idosos que acabara de sentar naquele banco quase quebrado. Acho que esperavam algum transporte para ir à cidade, já que precisamos nos deslocar do nosso pacato lugar para resolvermos nossos problemas.
 Ele parecia meio que revoltado, algo o intrigava. Aproximei-me sem despertar sua atenção, descobri que falava de internet. Não era bem essa palavra que ele fazia uso, mas desvendei que esse era o assunto. Ele dizia para aquela senhora que ouvia suas inquietações:
  - Esse povo de hoje só vive nesse tal de facebook.
 -Verdade. A minha neta ganhou de presente um celular e agora não faz outra coisa, senão cutucar aquele troço. Não gosto disso! Falou aquela senhora.
  Entre tantas conversas naquele banco da praça, o senhor então resolveu amenizar o tom do diálogo:
  -Me recordo da dona Toinha que comprou uma televisão e resolvi ir a sua casa para vê-la depois de tantas conversas na vizinhança sobre a novidade. Saí correndo desesperado, tropeçando os pés no batente da porta da casa, quando a vi funcionar.
   -É o ônibus!
   -Vamos então.
   -O importante é valorizar e respeitar esta nova tecnologia, afinal, não podemos fazer nada para detê-la, apesar dela tanto nos ajudar.
   -Cuidado com o batente, não vá bater o pé de novo!
   -Claro que não!
   Aquela cena chamou minha atenção, pois percebi como a tecnologia influencia diretamente na vida das pessoas, jovens ou idosos. E se você leitor, gostou do meu texto e se interessou por ele, posso te enviar pelo email, afinal, hoje tudo depende apenas de um clique.
Nacélio Simoa
Segundo o texto, ao se aproximar para ouvir a conversa, o homem percebeu o assunto do qual falavam. Assinale a alternativa que comprova essa afirmação:
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Q1721101 Português
Leia o poema de Manuel Bandeira e em seguida responda a questão.
'Namorados
O rapaz chegou-se para junto da moça e disse:
— Antônia, ainda não me acostumei com o seu [corpo, com a sua cara. A moça olhou de lado e esperou.
— Você não sabe quando a gente é criança e de [repente vê uma lagarta listrada?
A moça se lembrava:
— A gente fica olhando…
A meninice brincou de novo nos olhos dela.
O rapaz prosseguiu com muita doçura:
— Antônia, você parece uma lagarta listrada.
A moça arregalou os olhos, fez exclamações.
O rapaz concluiu:
— Antônia, você é engraçada! Você parece louca.''
(Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983. p. 221)
De acordo com sua estrutura, objetivo e finalidade do tipo textual escolhido pelo autor, podemos afirmar que:
Alternativas
Q1721100 Português
Leia o poema de Manuel Bandeira e em seguida responda a questão.
'Namorados
O rapaz chegou-se para junto da moça e disse:
— Antônia, ainda não me acostumei com o seu [corpo, com a sua cara. A moça olhou de lado e esperou.
— Você não sabe quando a gente é criança e de [repente vê uma lagarta listrada?
A moça se lembrava:
— A gente fica olhando…
A meninice brincou de novo nos olhos dela.
O rapaz prosseguiu com muita doçura:
— Antônia, você parece uma lagarta listrada.
A moça arregalou os olhos, fez exclamações.
O rapaz concluiu:
— Antônia, você é engraçada! Você parece louca.''
(Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983. p. 221)
São características do texto que expressam a efervescência de novas ideias e modelos marcados pela escola literária da época:
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Q1720906 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão:

A humanidade sonha com a possibilidade de voar desde que pela primeira vez viu uma ave a singrar o céu. Está aí o mito grego antigo de Dédalo e Ícaro que não nos deixa mentir. Mas torná-lo realidade não foi fácil e passou primeiro pelos balões, antes de finalmente chegar à sua expressão consagrada, na forma do avião.
O sonho começou a avançar concretamente em 1709, quando o padre Bartolomeu de Gusmão, brasileiro nascido em Santos, demonstrou à corte portuguesa o primeiro balão de ar quente. A tecnologia só seria levada a um estágio prático pelos irmãos Montgolfier, na França, que em 1783 fizeram o primeiro voo tripulado num veículo mais leve que o ar.
Foi também num balão que o jovem Alberto Santos-Dumont, filho de uma abastada família de cafeicultores, realizou seu sonho de voar. Em 1898, ele saiu da experiência com duas impressões: o encantamento de flutuar pelo ar e a frustração de não poder controlar a direção do balão, voando ao sabor dos ventos. Em nenhum momento, contudo, lhe ocorreu pensar no voo de um aparelho mais pesado que o ar. Aliás, a sabedoria científica do fim do século 19 julgava tal aparelho impossível. Lorde Kelvin, pai da termodinâmica e um dos físicos mais prestigiados da época, proclamou: “Eu afirmo categoricamente que máquinas voadoras mais pesadas que o ar são impossíveis.”

Trecho da reportagem de Salvador Nogueira, na revista Super Interessante: Quem, afinal, inventou o avião?, em agosto de 2016.

O termo “lhe”, presente na frase “lhe ocorreu pensar no voo”, corresponde no texto:
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Q1720902 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão:

A humanidade sonha com a possibilidade de voar desde que pela primeira vez viu uma ave a singrar o céu. Está aí o mito grego antigo de Dédalo e Ícaro que não nos deixa mentir. Mas torná-lo realidade não foi fácil e passou primeiro pelos balões, antes de finalmente chegar à sua expressão consagrada, na forma do avião.
O sonho começou a avançar concretamente em 1709, quando o padre Bartolomeu de Gusmão, brasileiro nascido em Santos, demonstrou à corte portuguesa o primeiro balão de ar quente. A tecnologia só seria levada a um estágio prático pelos irmãos Montgolfier, na França, que em 1783 fizeram o primeiro voo tripulado num veículo mais leve que o ar.
Foi também num balão que o jovem Alberto Santos-Dumont, filho de uma abastada família de cafeicultores, realizou seu sonho de voar. Em 1898, ele saiu da experiência com duas impressões: o encantamento de flutuar pelo ar e a frustração de não poder controlar a direção do balão, voando ao sabor dos ventos. Em nenhum momento, contudo, lhe ocorreu pensar no voo de um aparelho mais pesado que o ar. Aliás, a sabedoria científica do fim do século 19 julgava tal aparelho impossível. Lorde Kelvin, pai da termodinâmica e um dos físicos mais prestigiados da época, proclamou: “Eu afirmo categoricamente que máquinas voadoras mais pesadas que o ar são impossíveis.”

Trecho da reportagem de Salvador Nogueira, na revista Super Interessante: Quem, afinal, inventou o avião?, em agosto de 2016.

Logo no início do texto, o autor afirma que “a humanidade sonha com a possibilidade de voar desde que pela primeira vez viu uma ave a singrar o céu.” Assinale a alternativa com a frase em que o autor faz uma referência à literatura para justificar sua colocação.
Alternativas
Q1720099 Português
Do ponto de vista pragmático, nem todo o conteúdo comunicado por um texto deve-se a sua construção gramatical unicamente. O contexto de enunciação também permite que fatores extralinguísticos preencham espaços vazios, deixados naturalmente pela estrutura da linguagem verbal. Na charge acima, o efeito de humor do cartoon se cumpre, devido ao fato de que:
Alternativas
Q1720097 Português
Leia o texto a seguir e responda as questão:

Espécies marinhas estão desaparecendo mais rápido do que as terrestres
As mudanças climáticas estão sendo sentidas mais intensamente pelas criaturas marinhas de sangue frio.

    À medida que as temperaturas médias do mundo aumentam, os animais marinhos ficam muito mais vulneráveis a extinções do que seus homólogos terrestres, de acordo com uma nova análise de mais de 400 espécies de sangue frio.
    Com menos maneiras de buscar refúgio ao aquecimento, as espécies que vivem nos oceanos estão desaparecendo de seus habitats no dobro da velocidade em comparação com aquelas que vivem na terra, observa pesquisa publicada na revista científica Nature.
    O estudo, liderado pelos pesquisadores da Universidade Rutgers de Nova Jersey, nos EUA, é o primeiro a comparar os impactos das temperaturas mais altas no oceano e na terra para diversos animais selvagens de sangue frio, de peixes e moluscos a lagartos e libélulas.
    Embora a pesquisa anterior tenha sugerido que animais de sangue quente se adaptam melhor às mudanças climáticas do que os de sangue frio, esse estudo salienta o risco especial para as criaturas marinhas. Como os oceanos continuam a absorver o calor preso na atmosfera da poluição por dióxido de carbono, o que deixou as águas em seu ponto mais quente nas últimas décadas, os habitantes do oceano não podem se dar ao luxo de fugir para um local com sombra ou para uma toca.
    ma toca. "Os animais marinhos vivem em um ambiente que, historicamente, não mudou tanto de temperatura", diz MalinPinsky, ecologista e biólogo evolutivo da Rutgers, que liderou a pesquisa. "É como se os animais marinhos estivessem dirigindo por uma montanha estreita com penhascos de temperatura dos dois lados".

De acordo com os dados da pesquisa liberados pelo instituto mencionado no texto, a afirmação "é como se os animais marinhos estivessem dirigindo por uma montanha estreita com penhascos de temperatura dos dois lados" deixa implícito a ideia de que:
Alternativas
Q1720091 Português
O humor da tira acima decorre de uma pressuposição, dedutível por meio de uma interpretação da fala das personagens associada às imagens. Nesse sentido, pode-se afirmar que:
Alternativas
Q1719916 Português

Com base na leitura da história em quadrinhos abaixo, marque a alternativa CORRETA:

Imagem associada para resolução da questão

Alternativas
Q1719913 Português
Marque a opção CORRETA em relação à história em quadrinhos a seguir:

Imagem associada para resolução da questão
Alternativas
Q1719910 Português
  • Leia o texto a seguir para responder a questão.

  • A banalidade do mal e as possibilidades da educação moral.

  •                A personalidade de Adolf Eichmann foi um dos pontos mais controversos enfrentados por Hannah Arendt, que o considerava um novo tipo de criminoso, um hosti humani generis (inimigo do gênero humano), participante de um novo tipo de crime: assassinatos em massa num sistema totalitário. Esse novo tipo de criminoso só pode ser entendido a partir de uma nova profissão: o burocrata. Para um burocrata, a função que lhe é própria não é a de responsabilidade, mas sim a de execução (Correia, 2004, p. 93). Daí a reiterada afirmação burocrática: eu só cumpro ordens.

              Esse foi o principal argumento de Eichmann: “Não sou o monstro que fazem de mim. Sou uma vítima da falácia” (Arendt, 1999, p. 269). O advogado de defesa trabalhou com a hipótese de que “sua culpa [de Eichmann] provinha de sua obediência, e a obediência é louvada como virtude. Sua virtude tinha sido abusada pelos líderes nazistas. No entanto, ele não era membro do grupo dominante, ele era uma vítima, e só os líderes mereciam punição” (idem, ibidem). Obviamente, os juízes, a promotoria, a imprensa nem Arendt estavam convencidos do argumento, mesmo que ele possa parecer plausível num primeiro momento.

  •              Eichmann apresentou-se como um homem virtuoso – “minha honra é minha lealdade” (idem, p. 121) – e seu único erro teria sido o de obedecer ordens e seguir leis, pois ele sempre tomou o cuidado de agir conforme determinações superiores, comprovadas pelas normas legais.

  • Recorte adaptado do artigo: A banalidade do mal e as possibilidades da educação moral, Marcelo Andrade/PUC-RJ. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbedu/v15n43/a08v15n43.pdf 
De acordo com o argumento central do texto, a banalidade do mal pressupõe:
Alternativas
Q1719908 Português
  • Leia o texto a seguir para responder a questão.

  • A banalidade do mal e as possibilidades da educação moral.

  •                A personalidade de Adolf Eichmann foi um dos pontos mais controversos enfrentados por Hannah Arendt, que o considerava um novo tipo de criminoso, um hosti humani generis (inimigo do gênero humano), participante de um novo tipo de crime: assassinatos em massa num sistema totalitário. Esse novo tipo de criminoso só pode ser entendido a partir de uma nova profissão: o burocrata. Para um burocrata, a função que lhe é própria não é a de responsabilidade, mas sim a de execução (Correia, 2004, p. 93). Daí a reiterada afirmação burocrática: eu só cumpro ordens.

              Esse foi o principal argumento de Eichmann: “Não sou o monstro que fazem de mim. Sou uma vítima da falácia” (Arendt, 1999, p. 269). O advogado de defesa trabalhou com a hipótese de que “sua culpa [de Eichmann] provinha de sua obediência, e a obediência é louvada como virtude. Sua virtude tinha sido abusada pelos líderes nazistas. No entanto, ele não era membro do grupo dominante, ele era uma vítima, e só os líderes mereciam punição” (idem, ibidem). Obviamente, os juízes, a promotoria, a imprensa nem Arendt estavam convencidos do argumento, mesmo que ele possa parecer plausível num primeiro momento.

  •              Eichmann apresentou-se como um homem virtuoso – “minha honra é minha lealdade” (idem, p. 121) – e seu único erro teria sido o de obedecer ordens e seguir leis, pois ele sempre tomou o cuidado de agir conforme determinações superiores, comprovadas pelas normas legais.

  • Recorte adaptado do artigo: A banalidade do mal e as possibilidades da educação moral, Marcelo Andrade/PUC-RJ. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbedu/v15n43/a08v15n43.pdf 
Sobre o argumento construído no texto, é CORRETO afirmar que:
I- O novo crime mencionado pelo autor no texto decorre de uma mudança na estrutura e mentalidade sociais. II- O burocrata, segundo a visão que o autor critica no texto, tem plena consciência do apagamento de sua individualidade em função da realização de seu trabalho, pois sabe que as consequências de seus atos são de responsabilidades do sistema. III- Os conceitos de obediência e lealdade, respectivamente, são descaracterizados em relação a suas cargas de sentido abstrato. IV- A fragilidade do argumento do réu está no fato de que cumprir ordens de uma hierarquia que permite o extermínio em massa de grupos de pessoas é uma virtude comprovada por normas legais.
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Q1719884 Português
MINEIRO DIANTE DO MAR


Affonso Romano de Sant'Anna

Me lembro dessa cena: um adolescente chegando ao Rio e o irmão lhe prevenindo: "Amanhã vou te apresentar o mar". Isto soava assim: amanhã vou te levar ao outro lado do mundo, amanhã te ofereço a Lua. Amanhã você já não será o mesmo homem.
E a cena continuou: resguardado pelo irmão mais velho, que se assentou no banco do calçadão, o adolescente, ousado e indefeso, caminha na areia para o primeiro encontro com o mar. Ele não pisava na areia. Era um oásis a caminhar. Ele não estava mais em Minas, mas andava num campo de tulipas na Holanda. O mar, a primeira vez, não é um rito que deixe um homem impune. Algo nele vai-se aprofundar.
E o irmão lá atrás, respeitoso, era a sentinela, o sacerdote que deixa o iniciante no limiar do sagrado, sabendo que dali para a frente o outro terá que, sozinho, enfrentar o dragão. E o dragão lá vinha soltando pelas narinas as ondas verdes de verão. E o pequeno cavaleiro, destemido e intimidado, tomou de uma espada ou pedaço de pau qualquer para enfrentar a hidra que ondeava mil cabeças, e convertendo a arma em caneta ou lápis, começou a escrever na areia um texto que não terminará jamais. Que é assim o ato de escrever: mais que um modo de se postar diante do mar, é uma forma de domar as vagas do presente convertendo-o num cristal passado. Não, não enchi a garrafinha de água salgada para mostrar aos vizinhos tímidos retidos nas montanhas, e fiz mal, porque muitos morreram sem jamais terem visto o mar que eu lhes trazia. Mas levei as conchas, é verdade, que na mesa interior marulhavam lembranças de um luminoso encontro de amor com o mar.
Certa vez um missionário branco pregava a negros africanos, e ao convertê-los dizendo que Cristo havia morrido por eles há dois mil anos, ouviu do chefe da tribo a seguinte recriminação: "Então, ele morreu há dois mil anos e só agora o senhor vem nos contar?" É a mesma coisa com o mar, encontrá-lo assim numa tarde como numa tarde se encontra o amor, é pensar: "Como pude viver até hoje sem esse amor, como pude viver na ausência do mar?".
[...]
Os cariocas vão achar estranho, mas devo lhes revelar: carioca, com esse modo natural de ir à praia, desvaloriza o mar. Ele vai ao mar com a sem-cerimônia que o mineiro vai ao quintal. E o mar é mais que horta e quintal. É quando atrás do verde-azul do instante o desejo se alucina num cardume de flores no jardim. O mar é isso: é quando os vagalhões das noites se arrebentam na aurora do sim.
[...]
O mar é o mestre da primeira vez e não para de ondear suas lições. Nenhuma onda é a mesma onda. Nenhum peixe o mesmo peixe. Nenhuma tarde a mesma tarde. O mar é um morrer sucessivo e um viver permanente. Ele se desfolha em ondas e não para de brotar. A contemplá-lo, ao mesmo tempo sou jovem e envelheço.
O mar é recomeço.
Affonso Romano de Sant'Anna
" O mar é um morrer sucessivo e um viver permanente. Ele se desfolha em ondas e não para de brotar. " Com essa afirmativa, o autor compara o mar com:
Alternativas
Q1719860 Português
Reflita a respeito das seguintes considerações:
Nota: A Nomenclatura Gramatical Brasileira não reconhece as conjunções modais e, consequentemente, as orações subordinadas adverbiais modais. Essas conjunções e orações estabeleciam o modo como a ação verbal era realizada. (Ex.: Fez diversos donativos para a caridade, sem que ninguém soubesse.) Ocorriam também como orações reduzidas do gerúndio. (Ex.:Fez diversos donativos para a caridade, escondendo isso de todos.)
fonte: https://www.normaculta.com.br/oracoes-subordinadas-adverbiais/

Entre as opções abaixo, há um único período contendo um exemplo de gerúndio que, em tese, poderia representar uma oração adverbial modal reduzida de gerúndio, embora essa classificação ainda seja um debate aberto para a comunidade de cientistas gramaticais, no contexto da língua portuguesa. Identifique-o.
Alternativas
Q1719531 Português

Leia o trecho a seguir e responda à questão:

Estava em Paris quando, na véspera de partir para o Brasil, fui, com meu pai, visitar uma exposição de máquinas no desaparecido “Palácio da Indústria”. Qual não foi o meu espanto quando vi, pela primeira vez, um motor à petróleo, da força de um cavalo, muito compacto, e leve, em comparação aos que eu conhecia, e... funcionando! Parei diante dele como que pregado pelo destino. Estava completamente fascinado. Meu pai, distraído, continuou a andar até que, depois de alguns passos, dando pela minha falta, voltou, perguntou-me o que havia. Contei-lhe a minha admiração de ver funcionar aquele motor, e ele me respondeu: “por hoje basta”. Aproveitando-me dessas palavras, pedi-lhe licença para fazer meus estudos em Paris. Continuamos o passeio, e meu pai, como distraído, não me respondeu. Nessa mesma noite, no jantar de despedida, reunida a família, entre nós, dois primos de meu pai, franceses e seus antigos companheiros de escola, pediu-lhes ele que me protegessem, pois pretendia fazer-me voltar a Paris para acabar meus estudos. Nessa mesma noite corri vários livreiros; comprei todos os livros que encontrei sobre balões e viagens aéreas.

Trecho extraído da obra “O que vi, o que nós veremos”, de Santos Dumont, 1918.

Analise os verbos “pediu” e “protegessem”, presentes em “pediu-lhes ele que me protegessem” e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q1719523 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão:

Uma manhã, em São Paulo, com grande surpresa minha, convidou-me meu pai a ir à cidade e, dirigindose a um cartório de tabelião, mandou lavrar escritura de minha emancipação. Tinha eu dezoito anos. De volta à casa, chamou-me ao escritório e disse-me: “Já lhe dei hoje a liberdade; aqui está mais este capital”, e entregou-me títulos no valor de muitas centenas de contos. “Tenho ainda alguns anos de vida; quero ver como você se conduz: vai para Paris, o lugar mais perigoso para um rapaz. Vamos ver se você se faz um homem; prefiro que não se faça doutor; em Paris, com o auxílio de nossos primos, você procurará um especialista em física, química, mecânica, eletricidade, etc., estude essas matérias e não se esqueça que o futuro do mundo está na mecânica. Você não precisa pensar em ganhar a vida; eu lhe deixarei o necessário para viver…”

Trecho extraído da obra “O que vi, o que nós veremos”, de Santos Dumont, 1918.
Assinale a alternativa que apresenta a interpretação mais adequada ao sentido central do texto.
Alternativas
Respostas
30001: A
30002: A
30003: C
30004: B
30005: A
30006: D
30007: C
30008: E
30009: B
30010: A
30011: C
30012: B
30013: C
30014: A
30015: A
30016: A
30017: A
30018: C
30019: C
30020: B