Questões de Concurso Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q1946462 Português
Leia o texto, para responder à questão.


Ir ao mesmo lugar

   Como sempre dizemos, estamos vivendo amplamente realidades virtuais. Conhecemos o mundo através da televisão, que muitas vezes não o retrata tal como é, mas trata de reconstruí-lo ou até de construí-lo novamente. Cada vez mais, vemos apenas simulacros da realidade.
   Contudo, hoje as pessoas começaram a viajar como nunca antes. Cada vez mais gente, cujos pais foram no máximo a uma cidade vizinha, declara que visitou lugares com os quais eu, viajante compulsivo, ou melhor, profissional, ainda me limito a sonhar. Não deveríamos, portanto, ver esta paixão turística como uma forma de fugir da realidade virtual para ver “a própria coisa”? O turismo representa para muitos um modo de se reapropriar do mundo. Só que antes a experiência da viagem era decisiva, voltávamos diferentes do que éramos ao partir, enquanto agora só se encontra gente que volta sem ter sido tocada minimamente pela fascinação do Outro Lugar.
   Talvez isso aconteça porque hoje os locais de peregrinação real fazem o possível para ficarem parecidos com os locais de peregrinação virtual. Tudo que o local turístico deseja é ficar igual à sua própria imagem glamorizada pela mídia.
   Ocorre também que todos os lugares tendem a se parecer e dessa vez a globalização tem tudo a ver com a história. Penso em alguns lugares mágicos de Paris, onde pouco a pouco estão desaparecendo os velhos restaurantes, as livrarias à meia-luz, as lojinhas dos velhos artesãos, substituídos por lojas de estilistas internacionais, que por sua vez são as mesmas que podemos encontrar na em Nova York, em Londres, em Milão. As principais ruas das grandes cidades se parecem cada vez mais umas com as outras, além de exibirem as mesmas lojas.
   Quando tudo for igual a tudo, ninguém mais fará turismo para descobrir o mundo verdadeiro, mas para encontrar sempre, onde quer que esteja, aquilo que já conhece e que poderia ver perfeitamente ficando em casa diante da TV.


(Umberto Eco. Pape satàn aleppe: Crônicas de uma sociedade líquida. Editora Record, Rio de Janeiro: 2017. Adaptado)
Para o autor, a experiência de viajar
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Q1946343 Português

O papel de parede venenoso pintado com arsênio que envenenou a Inglaterra do século XIX 


     Um “segredo fatal” ameaçava as casas da burguesia britânica em meados do século XIX, e não se tratava da ausência de maiores cuidados com a higiene pessoal que _______ doenças variadas sobre a população, mas sim de seus papéis de parede. Mais precisamente, da tinta usada para colorir os papéis que adornavam as casas da época e que trazia entre os componentes de sua fórmula um dos cinco venenos mais letais do mundo, o arsênio, que passou a envenenar lentamente parte da população do país.

      Segundo historiadores, o principal nome por trás da crise era o de William Morris, o mais popular designer da época, que - além de assinar a estampa e fabricação de papéis de parede - era herdeiro de uma mineradora estabelecida como uma das maiores produtoras de arsênio da época. 

      Apesar da toxicidade do elemento, ele era utilizado frequentemente para a fabricação de tintas com cores mais intensas e duradouras, presentes nos papéis decorativos, mas também em roupas, _______ e brinquedos. Isso acontecia porque as pessoas acreditavam que era preciso _______ diretamente o elemento para que ele pudesse envenenar alguém, ignorando o fato de que, especialmente a partir de uma superfície tão grande quanto uma parede inteira, o pigmento tóxico era capaz de lançar partículas e flocos de arsênio no ar e produzir um gás inodoro, porém letal.

      A situação se agravou especialmente na Inglaterra, mas, diante do fato de que o Reino Unido então ditava modas e exportava tendências de elegância e classe – e que assim os papéis de parede ingleses eram usados em casas por todo o mundo – causou uma crise com potencial global. Em meados de 1850, a situação já era noticiada nos jornais ingleses, tornando-se especialmente alarmada a partir de um incidente em 1862, quando algumas crianças vieram a falecer após arrancarem uma parte de um papel de parede para lamber o verde brilhante da estampa.
(Fonte: Hypeness - adaptado.) 
De acordo com o texto, assinalar a questão CORRETA: 
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Q1946273 Português

O câncer se esconde por trás de doenças mentais 

     Já se sabia que portadores de __________, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e afins apresentam maior risco de morrer de câncer. Pois uma revisão de estudos da Universidade de Pádua, na Itália, traz um motivo para isso: há menor ________ a exames nessa turma.

      Com base nos hábitos de 4.717.839 pessoas, os cientistas descobriram que mulheres com algum transtorno mental são 35% menos propensas a realizar mamografias, enquanto os homens teriam uma chance 22% menor de submeter a própria próstata a check-ups.

      “O problema psiquiátrico pode dominar o cotidiano e tirar o foco de outras condições de saúde”, interpreta o oncologista Ricardo Marques, da Rede D’Or, em São Paulo. Fora que, às vezes, esses indivíduos não se dão bem com as máquinas que fazem o rastreamento de tumores e não entendem a necessidade de estarem ali. 
(Fonte: Abril - adaptado.) 
Em conformidade com o texto, analisar os itens abaixo: 
I. Portadores de doenças mentais têm risco maior de morrer de câncer.
II. Por tirar o foco de outras condições de saúde, os problemas psicológicos nunca dominam o cotidiano. 
Alternativas
Q1946128 Português


Texto para o item.



Homero Santiago. Cuidado com as notícias! In: Humanitas, ano 16, ed. 149, 2022, p. 82 (com adaptações). 

Julgue o item, que propõem alterações no texto apresentado. 


A substituição de “todavia” (linha 7) por assim alteraria o sentido original do texto.

Alternativas
Q1946120 Português


Texto para o item.



Homero Santiago. Cuidado com as notícias! In: Humanitas, ano 16, ed. 149, 2022, p. 82 (com adaptações). 

Considerando as ideias e as propriedades linguísticas do texto apresentado, julgue o item.


O autor julga absurda a ideia de uma invasão alienígena.

Alternativas
Q1946119 Português


Texto para o item.



Homero Santiago. Cuidado com as notícias! In: Humanitas, ano 16, ed. 149, 2022, p. 82 (com adaptações). 

Considerando as ideias e as propriedades linguísticas do texto apresentado, julgue o item.


De acordo com o texto, na situação ocorrida nos Estados Unidos, o formato de apresentação da peça ficcional foi determinante para que milhares de pessoas entendessem, equivocadamente, que se tratava de um acontecimento real. 

Alternativas
Q1946118 Português


Texto para o item.



Homero Santiago. Cuidado com as notícias! In: Humanitas, ano 16, ed. 149, 2022, p. 82 (com adaptações). 

Considerando as ideias e as propriedades linguísticas do texto apresentado, julgue o item.


Conclui-se das informações do texto que a rede de rádio CBS tinha a intenção de propagar uma notícia falsa para manipular seu público.

Alternativas
Ano: 2022 Banca: Ibest Órgão: CRMV-DF Prova: Ibest - 2022 - CRMV-DF - Agente Administrativo |
Q1946011 Português

Texto para o item.



Waldomiro J. Silva Filho. A infelicidade. 28/3/2022. Disponível em: <https://revistacult.uol.com.br/home/a-infelicidade/> (com adaptações). 

Considerando as propriedades linguísticas do texto apresentado, julgue o item.


O vocábulo “Assim” (linha 45) confere sentido conclusivo ao último período do texto. 

Alternativas
Ano: 2022 Banca: Ibest Órgão: CRMV-DF Prova: Ibest - 2022 - CRMV-DF - Agente Administrativo |
Q1946008 Português

Texto para o item.



Waldomiro J. Silva Filho. A infelicidade. 28/3/2022. Disponível em: <https://revistacult.uol.com.br/home/a-infelicidade/> (com adaptações). 

Considerando as propriedades linguísticas do texto apresentado, julgue o item.


O trecho “porque perdemos algo precioso” (linhas 3 e 4) expressa a causa da infelicidade produzida pela guerra.  

Alternativas
Ano: 2022 Banca: Ibest Órgão: CRMV-DF Prova: Ibest - 2022 - CRMV-DF - Agente Administrativo |
Q1946004 Português

Texto para o item.



Waldomiro J. Silva Filho. A infelicidade. 28/3/2022. Disponível em: <https://revistacult.uol.com.br/home/a-infelicidade/> (com adaptações). 

Considerando as propriedades linguísticas do texto apresentado, julgue o item.


A afirmação “A guerra, sim” (linha 31) estabelece um contraste com a negação contida no período imediatamente anterior.

Alternativas
Ano: 2022 Banca: Ibest Órgão: CRMV-DF Prova: Ibest - 2022 - CRMV-DF - Agente Administrativo |
Q1946003 Português

Texto para o item.



Waldomiro J. Silva Filho. A infelicidade. 28/3/2022. Disponível em: <https://revistacult.uol.com.br/home/a-infelicidade/> (com adaptações). 

Com relação às ideias do texto apresentado e à construção dos seus sentidos, julgue o item.


Infere-se do texto que o infeliz da guerra padece de arrependimento. 

Alternativas
Ano: 2022 Banca: Ibest Órgão: CRMV-DF Prova: Ibest - 2022 - CRMV-DF - Agente Administrativo |
Q1946002 Português

Texto para o item.



Waldomiro J. Silva Filho. A infelicidade. 28/3/2022. Disponível em: <https://revistacult.uol.com.br/home/a-infelicidade/> (com adaptações). 

Com relação às ideias do texto apresentado e à construção dos seus sentidos, julgue o item.


Com a repetição da palavra “novamente” nas linhas 33 e 34, o autor dá ênfase à ideia de recorrência da guerra. 

Alternativas
Ano: 2022 Banca: Ibest Órgão: CRMV-DF Prova: Ibest - 2022 - CRMV-DF - Agente Administrativo |
Q1946001 Português

Texto para o item.



Waldomiro J. Silva Filho. A infelicidade. 28/3/2022. Disponível em: <https://revistacult.uol.com.br/home/a-infelicidade/> (com adaptações). 

Com relação às ideias do texto apresentado e à construção dos seus sentidos, julgue o item.


No segundo período do segundo parágrafo do texto, ao apresentar um dos lados da guerra, o autor faz uma descrição em tom pejorativo. 

Alternativas
Ano: 2022 Banca: Ibest Órgão: CRMV-DF Prova: Ibest - 2022 - CRMV-DF - Agente Administrativo |
Q1946000 Português

Texto para o item.



Waldomiro J. Silva Filho. A infelicidade. 28/3/2022. Disponível em: <https://revistacult.uol.com.br/home/a-infelicidade/> (com adaptações). 

Com relação às ideias do texto apresentado e à construção dos seus sentidos, julgue o item.


O autor argumenta no sentido de que ninguém tira proveito da guerra, pois ela atinge de forma maléfica todos nela envolvidos. 

Alternativas
Ano: 2022 Banca: Ibest Órgão: CRMV-DF Prova: Ibest - 2022 - CRMV-DF - Agente Administrativo |
Q1945999 Português

Texto para o item.



Waldomiro J. Silva Filho. A infelicidade. 28/3/2022. Disponível em: <https://revistacult.uol.com.br/home/a-infelicidade/> (com adaptações). 

Com relação às ideias do texto apresentado e à construção dos seus sentidos, julgue o item.


No texto, o autor não defende nenhum dos lados da guerra.

Alternativas
Ano: 2022 Banca: Ibest Órgão: CRMV-DF Prova: Ibest - 2022 - CRMV-DF - Agente Administrativo |
Q1945998 Português

Texto para o item.



Waldomiro J. Silva Filho. A infelicidade. 28/3/2022. Disponível em: <https://revistacult.uol.com.br/home/a-infelicidade/> (com adaptações). 

Com relação às ideias do texto apresentado e à construção dos seus sentidos, julgue o item.


O texto enaltece o papel dos infelizes na guerra. 

Alternativas
Ano: 2022 Banca: Ibest Órgão: CRMV-DF Prova: Ibest - 2022 - CRMV-DF - Agente Administrativo |
Q1945997 Português

Texto para o item.



Waldomiro J. Silva Filho. A infelicidade. 28/3/2022. Disponível em: <https://revistacult.uol.com.br/home/a-infelicidade/> (com adaptações). 

Com relação às ideias do texto apresentado e à construção dos seus sentidos, julgue o item.


O texto dedica-se a descrever determinada guerra que está ocorrendo na atualidade. 

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Q1945877 Português
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.

Vacina contra a dengue desenvolvida pelo Butantan entra na reta final de estudos clínicos


Analise as afirmações a seguir sobre o texto:
I. Em uma iniciativa individual, o instituto Butantan vem trabalhando na elaboração de uma vacina contra o vírus da dengue.
II. O texto veicula a mensagem de que será importante dar continuidade aos cuidados de prevenção à transmissão da dengue e ao combate ao mosquito, mesmo que a vacina venha a ser um elemento fundamental no combate à doença.
III. A dengue, por ser uma doença que se apresenta em quatro tipos, demanda mais tempo em relação à produção de imunizantes.
Quais estão corretas?
Alternativas
Q1945798 Português

Pandemia nos faz questionar noção de individualidade
Verlaine Freitas*

    “Quem sou eu em meio ao oceano de pessoas do país e do mundo?” “O que representam bilhões de pessoas do planeta para mim, um mero indivíduo?”
     Essas perguntas, que nos rondam ocasionalmente como meras fantasias existenciais – sem respostas e sem desdobramentos práticos, meros índices das incertezas quanto ao sentido da existência individual e coletiva em um mundo cada vez mais individualista, repentinamente ganharam uma concretude avassaladora.
    A pandemia de COVID-19 nos mostra a densidade urgente, visceral e corpórea do tecido societário, expondo à luz do dia como falácias inadmissíveis os discursos baseados no mero esforço próprio, nas opções individuais, no interesse centrado na maximização do lucro em detrimento do bem-estar coletivo.
   [...]
  Vivemos atualmente um chamamento à concretude radical da negatividade do mundo, muito além da experimentada nas figuras dos vilões nos filmes, nas derrotas esportivas e nas notícias de guerras do outro lado do mundo.
   Ela deverá forjar uma nova consciência do significado dessa vida “em piloto automático”, com este vaivém constante, seguindo o eterno princípio da maior vantagem para si. Tal como toda interrupção do trânsito com objetos de desejo constrange a uma posição crítica sobre o significado deste vínculo, agora também seremos levados a nos perguntar sobre esta colonização expansiva do mundo, cuja marcha inexorável levou a natureza a nos questionar: “Quais seus limites? Qual a racionalidade social disso tudo? Quais os custos ambientais e de vidas humanas vocês estão dispostos a pagar para manter a ilusão de um individualismo exacerbado?”.     
   Naturalmente, o aprendizado dessa experiência negativa será muito diverso, pois alguns grupos sociais lucram com esta crise, outros aferram-se a leituras religiosas fundamentalistas baseando-se no conceito de castigo divino, e alguns tenderão a se fechar mais ainda em seu mundo, isolando-se de toda e qualquer responsabilização social.
    Espero, porém, que a maior parte da sociedade tenha uma visão crítica progressista, cobrando de si e dos outros um comprometimento maior com o bemestar social, percebendo o quanto a vida em sociedade significa, por si, uma dimensão inexpugnável e inelidível da vida individual no sentido mais próprio do termo.
   O isolamento social a que hoje nos vemos forçados pode ser lido como uma metáfora do quanto a negligência para com os serviços públicos de saúde significa o desprezo para com a vida de cada uma e cada um de nós em termos singulares.
  Os filósofos da Escola de Frankfurt, Theodor Adorno e Max Horkheimer, haviam concebido a destruição avassaladora da Segunda Guerra Mundial como um retorno violento da natureza recalcada, reprimida e mutilada. Tal como, segundo a psicanálise, desejos recalcados retornam sob a forma de sofrimento neurótico, todo o complexo natural pareceu retornar, furioso, nas centenas de bombas despejados sobre as metrópoles.
   Agora vemos, mais uma vez, porém de forma menos metafórica, a natureza cobrando um alto preço pelo esquecimento de que somos seres vivos, aliás muito frágeis, muito mais fracos que outros, invisíveis aos nossos olhos, mas muito mais poderosos que nós humanos, demasiadamente humanos.

*Verlaine Freitas é professor da UFMG e pesquisador do CNPq

Disponível em:<https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2020/ 03/28/interna_cultura,1133266/pandemia-nos-faz-questionar-nocao-de-individualidade-diz-filosofo-da.shtml> . Acesso em 28 mar. 2020.

No último parágrafo, o autor observa: 


“Agora vemos, mais uma vez, porém de forma menos metafórica, a natureza cobrando um alto preço pelo esquecimento de que somos seres vivos, [...].” (10º parágrafo) 


Sobre esse trecho, é correto afirmar que a expressão grifada indica que o autor 

Alternativas
Q1945792 Português

Pandemia nos faz questionar noção de individualidade
Verlaine Freitas*

    “Quem sou eu em meio ao oceano de pessoas do país e do mundo?” “O que representam bilhões de pessoas do planeta para mim, um mero indivíduo?”
     Essas perguntas, que nos rondam ocasionalmente como meras fantasias existenciais – sem respostas e sem desdobramentos práticos, meros índices das incertezas quanto ao sentido da existência individual e coletiva em um mundo cada vez mais individualista, repentinamente ganharam uma concretude avassaladora.
    A pandemia de COVID-19 nos mostra a densidade urgente, visceral e corpórea do tecido societário, expondo à luz do dia como falácias inadmissíveis os discursos baseados no mero esforço próprio, nas opções individuais, no interesse centrado na maximização do lucro em detrimento do bem-estar coletivo.
   [...]
  Vivemos atualmente um chamamento à concretude radical da negatividade do mundo, muito além da experimentada nas figuras dos vilões nos filmes, nas derrotas esportivas e nas notícias de guerras do outro lado do mundo.
   Ela deverá forjar uma nova consciência do significado dessa vida “em piloto automático”, com este vaivém constante, seguindo o eterno princípio da maior vantagem para si. Tal como toda interrupção do trânsito com objetos de desejo constrange a uma posição crítica sobre o significado deste vínculo, agora também seremos levados a nos perguntar sobre esta colonização expansiva do mundo, cuja marcha inexorável levou a natureza a nos questionar: “Quais seus limites? Qual a racionalidade social disso tudo? Quais os custos ambientais e de vidas humanas vocês estão dispostos a pagar para manter a ilusão de um individualismo exacerbado?”.     
   Naturalmente, o aprendizado dessa experiência negativa será muito diverso, pois alguns grupos sociais lucram com esta crise, outros aferram-se a leituras religiosas fundamentalistas baseando-se no conceito de castigo divino, e alguns tenderão a se fechar mais ainda em seu mundo, isolando-se de toda e qualquer responsabilização social.
    Espero, porém, que a maior parte da sociedade tenha uma visão crítica progressista, cobrando de si e dos outros um comprometimento maior com o bemestar social, percebendo o quanto a vida em sociedade significa, por si, uma dimensão inexpugnável e inelidível da vida individual no sentido mais próprio do termo.
   O isolamento social a que hoje nos vemos forçados pode ser lido como uma metáfora do quanto a negligência para com os serviços públicos de saúde significa o desprezo para com a vida de cada uma e cada um de nós em termos singulares.
  Os filósofos da Escola de Frankfurt, Theodor Adorno e Max Horkheimer, haviam concebido a destruição avassaladora da Segunda Guerra Mundial como um retorno violento da natureza recalcada, reprimida e mutilada. Tal como, segundo a psicanálise, desejos recalcados retornam sob a forma de sofrimento neurótico, todo o complexo natural pareceu retornar, furioso, nas centenas de bombas despejados sobre as metrópoles.
   Agora vemos, mais uma vez, porém de forma menos metafórica, a natureza cobrando um alto preço pelo esquecimento de que somos seres vivos, aliás muito frágeis, muito mais fracos que outros, invisíveis aos nossos olhos, mas muito mais poderosos que nós humanos, demasiadamente humanos.

*Verlaine Freitas é professor da UFMG e pesquisador do CNPq

Disponível em:<https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2020/ 03/28/interna_cultura,1133266/pandemia-nos-faz-questionar-nocao-de-individualidade-diz-filosofo-da.shtml> . Acesso em 28 mar. 2020.
Após a leitura do texto, é correto afirmar que o autor 
Alternativas
Respostas
20701: D
20702: D
20703: B
20704: C
20705: C
20706: C
20707: E
20708: E
20709: E
20710: C
20711: C
20712: C
20713: C
20714: E
20715: C
20716: E
20717: E
20718: A
20719: A
20720: C