Questões de Concurso
Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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O uso do texto apenas como “pretexto” é uma das práticas mais criticadas do ensino tradicional de gramática.
Uma explicação para tal crítica relaciona-se com o seguinte fator principal, exposto no 6º parágrafo:
Na citação, o trecho que aponta para um pressuposto acerca de práticas escolares a serem superadas é:
O campo teórico que se dedica aos estudos da variação e um traço constitutivo da linguagem humana associado à noção de variação estão apresentados em:
A partir da subjetividade contida no trecho do gênero em voga, é possível caracterizar a estrutura sintática demarcada como uma modalização discursiva do tipo:
A respeito do texto e de suas construções linguísticas, julgue o item seguinte.
Em "Isso acontece quando auxilio um aluno", a forma pronominal isso retoma a ideia de "satisfação".
A respeito do texto e de suas construções linguísticas, julgue o item seguinte.
A prevalência da linguagem informal prejudica a progressão textual, como atesta a repetição da conjunção "Ou", o que dificulta o entendimento do texto.
De repente, os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e, para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual, a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima, com um desses horríveis substitutos do açúcar, porque o Dr. José Carlos, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala? Pensa-se numa escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais. Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite, pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir. Mas, e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão. Mas, quantas vezes a insônia é um dom. De repente, acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo, as nuvens se clareando sob um sol às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, com o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.
A linguagem do texto é marcada predominantemente :
Texto CG1A1-I
— Oh! seu Pilar! bradou o mestre com voz de trovão.
Estremeci como se acordasse de um sonho, e levantei-me às pressas. Dei com o mestre, olhando para mim, cara fechada, jornais dispersos, e ao pé da mesa, em pé, o Curvelo. Pareceu-me adivinhar tudo.
— Venha cá! bradou o mestre.
Fui e parei diante dele. Ele enterrou-me pela consciência dentro um par de olhos pontudos; depois chamou o filho. Toda a escola tinha parado; ninguém mais lia, ninguém fazia um só movimento. Eu, conquanto não tirasse os olhos do mestre, sentia no ar a curiosidade e o pavor de todos.
— Então o senhor recebe dinheiro para ensinar as lições aos outros? disse-me o Policarpo.
— Eu...
— Dê cá a moeda que este seu colega lhe deu! clamou.
Não obedeci logo, mas não pude negar nada. Continuei a tremer muito. Policarpo bradou de novo que lhe desse a moeda, e eu não resisti mais, meti a mão no bolso, vagarosamente, saquei-a e entreguei-lha. Ele examinou-a de um e outro lado, bufando de raiva; depois estendeu o braço e atirou-a à rua. E então disse-nos uma porção de coisas duras, que tanto o filho como eu acabávamos de praticar uma ação feia, indigna, baixa, uma vilania, e para emenda e exemplo íamos ser castigados. Aqui pegou da palmatória.
Machado de Assis. Conto de escola. In: 50 contos de Machado de Assis.
São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 331.
Leia o texto a seguir:
Os mares na bijuteria
Iesa Rodrigues
Se existe um setor, além do jeans e da moda praia, em
que o Brasil faz tendências de estilo, é o dos balangandãs. Desde a era das
descobertas, somos conquistados por espelhinhos e colares. Nem passaram muitos
anos até começarmos a usar a criatividade inata para inventar nossas próprias
bijuterias. Afinal, os cocares e adereços das tribos já eram bonitos.
Depois de algumas décadas acompanhando lançamentos
nacionais e internacionais, se ainda existe uma vitrine capaz de me surpreender
é a destes acessórios irresistíveis. A prova aconteceu nesta semana, na
rotineira passagem pelo shopping da Gávea: no lugar da antiga papelaria estavam
cordões coloridos, um deles com olhos gregos penduradinhos, um cavalo marinho
como pingente, conchas... Pronto: deixei de lado a discussão com o gerente do
banco, esqueci de ver o preço dos mouses na loja em frente. Entrei e conversei
com a Ana, vendedora, marketeira de mão cheia, garota simpática, que ama a loja
e seus produtos. E contou a história:
Michele Coelho, mais conhecida como Mimi Coelho,
criava as bijoux da Farm. A demanda cresceu tanto que virou a Lola, marca
independente, sem deixar a Farm. Os preços ficam na faixa dos R$150. Nos
despedimos com a promessa da Ana escrever para o meu site - ela é poeta! Só fui
embora porque entrou uma multidão na pequena loja.
Outra marca de balangandãs é a Morana. Uma gigante do
ramo, fundada em 2002, com mais de 300 lojas no país, que nunca se acomodou nas
peças básicas ou na pretensão a joias.
A Fresh Vibes, nova coleção inspirada em referências
marítimas e celestes, traz pérolas, conchas e elementos orgânicos, um frescor
para este alto-verão.
Fala Nara Dutra, Head de Marketing e E-commerce da
Morana:
"Fresh Vibes nasce como um convite para viver o
verão com mais espontaneidade e conexão com o momento presente. Pensamos em uma
coleção versátil, que dialoga com diferentes estilos e ocasiões, mas sempre com
esse frescor e brilho que são a essência da estação e da Morana.”
Fonte: https://www.jb.com.br/colunistas/iesa-rodrigues/2026/01/1058380-os-mares-na-bijuteria.html. Acesso em 19/01/2026. Excerto
Leia o texto a seguir:
Os mares na bijuteria
Iesa Rodrigues
Se existe um setor, além do jeans e da moda praia, em
que o Brasil faz tendências de estilo, é o dos balangandãs. Desde a era das
descobertas, somos conquistados por espelhinhos e colares. Nem passaram muitos
anos até começarmos a usar a criatividade inata para inventar nossas próprias
bijuterias. Afinal, os cocares e adereços das tribos já eram bonitos.
Depois de algumas décadas acompanhando lançamentos
nacionais e internacionais, se ainda existe uma vitrine capaz de me surpreender
é a destes acessórios irresistíveis. A prova aconteceu nesta semana, na
rotineira passagem pelo shopping da Gávea: no lugar da antiga papelaria estavam
cordões coloridos, um deles com olhos gregos penduradinhos, um cavalo marinho
como pingente, conchas... Pronto: deixei de lado a discussão com o gerente do
banco, esqueci de ver o preço dos mouses na loja em frente. Entrei e conversei
com a Ana, vendedora, marketeira de mão cheia, garota simpática, que ama a loja
e seus produtos. E contou a história:
Michele Coelho, mais conhecida como Mimi Coelho,
criava as bijoux da Farm. A demanda cresceu tanto que virou a Lola, marca
independente, sem deixar a Farm. Os preços ficam na faixa dos R$150. Nos
despedimos com a promessa da Ana escrever para o meu site - ela é poeta! Só fui
embora porque entrou uma multidão na pequena loja.
Outra marca de balangandãs é a Morana. Uma gigante do
ramo, fundada em 2002, com mais de 300 lojas no país, que nunca se acomodou nas
peças básicas ou na pretensão a joias.
A Fresh Vibes, nova coleção inspirada em referências
marítimas e celestes, traz pérolas, conchas e elementos orgânicos, um frescor
para este alto-verão.
Fala Nara Dutra, Head de Marketing e E-commerce da
Morana:
"Fresh Vibes nasce como um convite para viver o
verão com mais espontaneidade e conexão com o momento presente. Pensamos em uma
coleção versátil, que dialoga com diferentes estilos e ocasiões, mas sempre com
esse frescor e brilho que são a essência da estação e da Morana.”
Fonte: https://www.jb.com.br/colunistas/iesa-rodrigues/2026/01/1058380-os-mares-na-bijuteria.html. Acesso em 19/01/2026. Excerto
Leia o texto a seguir:
Os mares na bijuteria
Iesa Rodrigues
Se existe um setor, além do jeans e da moda praia, em
que o Brasil faz tendências de estilo, é o dos balangandãs. Desde a era das
descobertas, somos conquistados por espelhinhos e colares. Nem passaram muitos
anos até começarmos a usar a criatividade inata para inventar nossas próprias
bijuterias. Afinal, os cocares e adereços das tribos já eram bonitos.
Depois de algumas décadas acompanhando lançamentos
nacionais e internacionais, se ainda existe uma vitrine capaz de me surpreender
é a destes acessórios irresistíveis. A prova aconteceu nesta semana, na
rotineira passagem pelo shopping da Gávea: no lugar da antiga papelaria estavam
cordões coloridos, um deles com olhos gregos penduradinhos, um cavalo marinho
como pingente, conchas... Pronto: deixei de lado a discussão com o gerente do
banco, esqueci de ver o preço dos mouses na loja em frente. Entrei e conversei
com a Ana, vendedora, marketeira de mão cheia, garota simpática, que ama a loja
e seus produtos. E contou a história:
Michele Coelho, mais conhecida como Mimi Coelho,
criava as bijoux da Farm. A demanda cresceu tanto que virou a Lola, marca
independente, sem deixar a Farm. Os preços ficam na faixa dos R$150. Nos
despedimos com a promessa da Ana escrever para o meu site - ela é poeta! Só fui
embora porque entrou uma multidão na pequena loja.
Outra marca de balangandãs é a Morana. Uma gigante do
ramo, fundada em 2002, com mais de 300 lojas no país, que nunca se acomodou nas
peças básicas ou na pretensão a joias.
A Fresh Vibes, nova coleção inspirada em referências
marítimas e celestes, traz pérolas, conchas e elementos orgânicos, um frescor
para este alto-verão.
Fala Nara Dutra, Head de Marketing e E-commerce da
Morana:
"Fresh Vibes nasce como um convite para viver o
verão com mais espontaneidade e conexão com o momento presente. Pensamos em uma
coleção versátil, que dialoga com diferentes estilos e ocasiões, mas sempre com
esse frescor e brilho que são a essência da estação e da Morana.”
Fonte: https://www.jb.com.br/colunistas/iesa-rodrigues/2026/01/1058380-os-mares-na-bijuteria.html. Acesso em 19/01/2026. Excerto
Leia o texto a seguir:
Fórum Econômico Mundial começa nesta
segunda-feira em Davos
Começa nesta segunda-feira (19), em Davos, na Suíça, o Fórum Econômico Mundial. Há 55 anos, o encontro reúne líderes políticos e dirigentes de empresas das principais economias mundiais. O tema do evento, que ocorre até dia 23, é “Um Espírito de Diálogo”, buscando promover a cooperação entre líderes políticos, empresários e organizações.
O fórum contará com a participação de mais de 3 mil delegados de mais de 130 países, incluindo 64 chefes de Estado e de governo, de acordo com a organização. A representante do governo brasileiro será a ministra da Gestão e da Inovação dos Serviços Públicos, Esther Dweck.
Ela irá participar de diferentes debates, entre eles a reunião do Global Digital Collaboration (GDC), grupo que envolve governos, sociedade civil, organismos internacionais e empresas com foco em soluções digitais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já participou de edições anteriores, mas não vai a Davos em 2026.
Concentração de riqueza
Um relatório divulgado nesta segunda-feira pela Oxfam Brasil, por ocasião da abertura do Fórum Econômico Mundial, aponta que a riqueza dos bilionários cresceu mais de 16% em 2025. Esse aumento é três vezes superior à média dos últimos cinco anos, chegando a US$ 18,3 trilhões, nível mais alto da história.
O estudo ressalta que, desde 2020, a riqueza dos bilionários aumentou 81%, enquanto uma em cada quatro pessoas não tem regularmente o suficiente para comer, e quase metade da população mundial vive na pobreza. Comparativamente, o aumento da riqueza coletiva em US$ 2,5 trilhões, entre 2024 e 2025, seria suficiente para erradicar a pobreza extrema 26 vezes. (com Agência Brasil)
Fonte: https://www.jb.com.br/mundo/2026/01/1058396-forum-economico-mundial-
omeca-nesta-segunda-feira-em-davos.html. Acesso em 19/01/2026. Texto
adaptado
Leia o texto a seguir:
Fórum Econômico Mundial começa nesta
segunda-feira em Davos
Começa nesta segunda-feira (19), em Davos, na Suíça, o Fórum Econômico Mundial. Há 55 anos, o encontro reúne líderes políticos e dirigentes de empresas das principais economias mundiais. O tema do evento, que ocorre até dia 23, é “Um Espírito de Diálogo”, buscando promover a cooperação entre líderes políticos, empresários e organizações.
O fórum contará com a participação de mais de 3 mil delegados de mais de 130 países, incluindo 64 chefes de Estado e de governo, de acordo com a organização. A representante do governo brasileiro será a ministra da Gestão e da Inovação dos Serviços Públicos, Esther Dweck.
Ela irá participar de diferentes debates, entre eles a reunião do Global Digital Collaboration (GDC), grupo que envolve governos, sociedade civil, organismos internacionais e empresas com foco em soluções digitais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já participou de edições anteriores, mas não vai a Davos em 2026.
Concentração de riqueza
Um relatório divulgado nesta segunda-feira pela Oxfam Brasil, por ocasião da abertura do Fórum Econômico Mundial, aponta que a riqueza dos bilionários cresceu mais de 16% em 2025. Esse aumento é três vezes superior à média dos últimos cinco anos, chegando a US$ 18,3 trilhões, nível mais alto da história.
O estudo ressalta que, desde 2020, a riqueza dos bilionários aumentou 81%, enquanto uma em cada quatro pessoas não tem regularmente o suficiente para comer, e quase metade da população mundial vive na pobreza. Comparativamente, o aumento da riqueza coletiva em US$ 2,5 trilhões, entre 2024 e 2025, seria suficiente para erradicar a pobreza extrema 26 vezes. (com Agência Brasil)
Fonte: https://www.jb.com.br/mundo/2026/01/1058396-forum-economico-mundial-
omeca-nesta-segunda-feira-em-davos.html. Acesso em 19/01/2026. Texto
adaptado
O capital, entendido como riqueza acumulada em forma de dinheiro, propriedades imobiliárias ou ativos financeiros, é visto como o resultado de um processo no qual o trabalho gera o valor adicionado. Quando o trabalhador recebe salários (digitais ou não) pelo seu esforço produtivo, esses salários representam a recompensa pelo trabalho realizado.
O dinheiro digitalizado representa uma forma de acumulação de valor criada pelo trabalho. Mesmo na economia digital, o trabalho – seja físico, seja intelectual, seja criativo – gera um retorno financeiro. Esse retorno, se não for imediatamente gasto, é acumulado e investido, tornando‑se capital crescente com o tempo, por meio de juros compostos ou investimentos.
Quando o capital é investido, os juros compostos funcionam como multiplicadores de capital, porque aumentam a quantidade de riqueza acumulada ao longo do tempo. Nesse sentido, o dinheiro digital gerado pelo trabalho deve ser visto como uma forma de trabalho cujo valor se expande por meio dos mecanismos financeiros da economia digital. Assim como o aluguel é o pagamento pelo usufruto de propriedade imobiliário por um locador, os juros remuneram o custo de oportunidade pelo fato de o próprio possuidor não usufruir diretamente de seu uso.
Em uma economia sem papel moeda, a distinção entre trabalho e capital não muda essencialmente, mas a forma como o capital é gerido e acumulado sim. O capital continua a ser visto como a materialização de trabalho passado, porém agora ele existe predominantemente em forma digital. Isso cria outras dinâmicas.
O dinheiro digital circula mais rapidamente em comparação com o dinheiro físico, o que acelera o processo de acumulação e investimento, mas também de consumo. O acesso ao capital se torna ampliado ou restrito, dependendo de fatores como inclusão financeira digital.
Portanto, em uma economia digital, o capital pode ser entendido como uma extensão do trabalho acumulado, medido, transacionado e multiplicado por meio de sistemas de escrituração digital. A confiança nesse sistema de moeda digital e nas plataformas de transação e investimento é fundamental para o capital continuar a representar a riqueza criada pelo trabalho e, ao mesmo tempo, se tornar um ativo (forma de manutenção de riqueza) fluido, disponível para reinvestimento, consumo ou acumulação de reserva financeira a qualquer momento.
O capital, entendido como riqueza acumulada em forma de dinheiro, propriedades imobiliárias ou ativos financeiros, é visto como o resultado de um processo no qual o trabalho gera o valor adicionado. Quando o trabalhador recebe salários (digitais ou não) pelo seu esforço produtivo, esses salários representam a recompensa pelo trabalho realizado.
O dinheiro digitalizado representa uma forma de acumulação de valor criada pelo trabalho. Mesmo na economia digital, o trabalho – seja físico, seja intelectual, seja criativo – gera um retorno financeiro. Esse retorno, se não for imediatamente gasto, é acumulado e investido, tornando‑se capital crescente com o tempo, por meio de juros compostos ou investimentos.
Quando o capital é investido, os juros compostos funcionam como multiplicadores de capital, porque aumentam a quantidade de riqueza acumulada ao longo do tempo. Nesse sentido, o dinheiro digital gerado pelo trabalho deve ser visto como uma forma de trabalho cujo valor se expande por meio dos mecanismos financeiros da economia digital. Assim como o aluguel é o pagamento pelo usufruto de propriedade imobiliário por um locador, os juros remuneram o custo de oportunidade pelo fato de o próprio possuidor não usufruir diretamente de seu uso.
Em uma economia sem papel moeda, a distinção entre trabalho e capital não muda essencialmente, mas a forma como o capital é gerido e acumulado sim. O capital continua a ser visto como a materialização de trabalho passado, porém agora ele existe predominantemente em forma digital. Isso cria outras dinâmicas.
O dinheiro digital circula mais rapidamente em comparação com o dinheiro físico, o que acelera o processo de acumulação e investimento, mas também de consumo. O acesso ao capital se torna ampliado ou restrito, dependendo de fatores como inclusão financeira digital.
Portanto, em uma economia digital, o capital pode ser entendido como uma extensão do trabalho acumulado, medido, transacionado e multiplicado por meio de sistemas de escrituração digital. A confiança nesse sistema de moeda digital e nas plataformas de transação e investimento é fundamental para o capital continuar a representar a riqueza criada pelo trabalho e, ao mesmo tempo, se tornar um ativo (forma de manutenção de riqueza) fluido, disponível para reinvestimento, consumo ou acumulação de reserva financeira a qualquer momento.
As mudanças climáticas estão deixando de ser um desafio ambiental isolado para se tornar uma força transformadora em todos os aspectos da economia global. O mercado imobiliário, historicamente considerado uma aposta segura, não está imune a essas transformações. Pesquisas de 2025 indicam que o setor pode enfrentar perdas de até US$ 1,4 trilhão até 2055 em razão dos crescentes riscos climáticos, como enchentes, furacões, incêndios florestais e aumento do nível do mar.
Com a intensificação dos fenômenos climáticos extremos, o valor de imóveis localizados em áreas vulneráveis tende a diminuir, enquanto as regiões consideradas mais seguras ganham valorização. O aumento dos custos de seguros é um dos primeiros reflexos da crise climática. À medida que os riscos climáticos crescem, as seguradoras começam a repassar os custos mais altos para os consumidores, o que impacta diretamente o valor dos imóveis e a acessibilidade para os compradores. As projeções indicam que os prêmios de seguros podem subir 29,4% até 2055.
No Brasil, o impacto das mudanças climáticas já é visível. Porto Alegre foi severamente afetada pelas enchentes de 2024, que atingiram mais de 10.000 imóveis e causaram R$ 500 milhões em prejuízos. Esse evento resultou em uma mudança significativa no comportamento do mercado imobiliário da cidade. A demanda por imóveis em áreas mais seguras, longe de zonas propensas a alagamentos, aumentou consideravelmente. Estima‑se que 65% dos compradores agora priorizam essas regiões, e 45% estão dispostos a pagar um valor mais alto por imóveis em locais mais seguros.
A migração para áreas menos vulneráveis é um fenômeno crescente, e a tendência é que se intensifique à medida que os desastres climáticos se tornem mais frequentes e severos. O comportamento dos consumidores e investidores está mudando, com uma preferência cada vez maior por regiões mais resilientes aos efeitos das mudanças climáticas. Isso está moldando uma nova dinâmica no mercado imobiliário, com uma clara divisão entre as áreas mais expostas aos riscos climáticos e aquelas que oferecem maior segurança, tanto física quanto financeira.
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