Questões de Concurso
Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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Leia o Texto 03 para responder à questão.
Texto 03 - Especialista em computação adverte que corrida da IA ameaça sobrevivência humana
AFP - 17/02/26 - 14h31min Em Ciência
Os diretores executivos das principais empresas de tecnologia estão envolvidos em uma corrida pelo domínio no campo da inteligência artificial que pode colocar em risco a sobrevivência da humanidade, afirmou nesta terça-feira (17) à AFP o destacado pesquisador Stuart Russell.
Russell, professor da Universidade da Califórnia, em Berkeley, disse que os líderes das maiores companhias de IA do mundo têm consciência dos perigos representados por sistemas superinteligentes, capazes um dia de superar os humanos.
Segundo ele, a responsabilidade de salvar a espécie recai sobre os líderes mundiais, que podem agir de forma coletiva.
“Permitir que entidades privadas joguem essencialmente roleta russa com cada ser humano na Terra é, na minha opinião, um abandono total do dever”, declarou Russell, voz proeminente na área de segurança em IA.
Países e empresas estão investindo centenas de bilhões de dólares na construção de centros de dados de alto consumo de energia para treinar e operar ferramentas de IA generativa.
Essa tecnologia, que se desenvolve em ritmo acelerado, promete benefícios como a descoberta de medicamentos, mas também pode provocar perda de empregos e abusos on-line.
Além disso, existe o risco de que “os próprios sistemas de IA assumam o controle e a civilização humana seja um dano colateral nesse processo”, afirmou Russell em entrevista durante a AI Impact Summit, em Nova Délhi.
“Acho que cada um dos presidentes das principais companhias de IA quer desarmar [interromper o progresso da IA], mas não pode fazê-lo de maneira unilateral, porque os investidores os demitiriam”, acrescentou.
“Alguns disseram isso publicamente e outros me confessaram em privado”, afirmou, destacando que até Sam Altman, diretor da empresa criadora do ChatGPT, OpenAI, declarou publicamente que a IA pode levar à extinção humana.
A OpenAI e a startup americana rival Anthropic registraram demissões públicas de funcionários que manifestaram preocupações éticas.
A Anthropic também alertou na semana passada que seus modelos mais recentes de chatbot podem ser “influenciados para apoiar, de maneira consciente, mas limitada, esforços voltados ao desenvolvimento de armas químicas e outros crimes atrozes”.
Reuniões internacionais como a cúpula de IA desta semana oferecem uma oportunidade para regulamentar a tecnologia, embora suas três edições anteriores tenham resultado apenas em acordos voluntários por parte das empresas de tecnologia.
“Realmente ajuda que cada um dos governos compreenda esse assunto. E é por isso que estou aqui”, afirmou Russell.
[...]
Fonte: ISTOÉ DINHEIRO. Especialista em computação adverte que corrida da IA ameaça sobrevivência humana. São Paulo: Istoé Dinheiro, 17 fev. 2026. Disponível em: https://istoedinheiro.com.br/especialista-em-computacao-adverte-que-corrida-da-ia-ameaca-sobrevivencia-humana. Acesso em: 21 fev. 2026.
I.Na Tese 2, o autor defende que o recurso à água é uma necessidade vital e, por isso, deve ser satisfeita tendo como fundamento os princípios da igualdade e da responsabilidade. O acesso à água não deve ser uma questão de escolha ou de preferência do sujeito, nem tratado como propriedade ou mercadoria.
II.Uma das "crenças" desconstruídas ao longo do texto é de que o poluidor das águas deve pagar, pois, segundo Petrella, esse princípio é ineficaz, inadequado e mistificador. Isso porque, ao poluir, pode-se inferir que o responsável provoca uma cadeia de reações que atinge a toda uma comunidade, por exemplo, e não apenas a ele que poluiu.
III.O Estado é responsável pelo coletivo, devendo garantir o direito à água potável e ao saneamento, primando pelo princípio da gratuidade, isto é, extinguir custos. O indivíduo, no cenário defendido pelo autor, não assume responsabilidade quanto à água porque ela é coletiva, não cabendo-lhe, como cidadão, decidir como deve proceder no dia a dia quanto ao consumo e ao manejo.
É correto o que se afirma em:
"Essa velhinha já havia batido à minha porta em horas inoportunas."
A palavra destacada no trecho acima é sinônima de:
O ato de ler e a construção crítica do sentido
O ato de ler é frequentemente compreendido, em sua acepção mais elementar, como a capacidade de reconhecer e percorrer visualmente signos gráficos organizados em um texto. Tal compreensão, embora pertinente do ponto de vista técnico, reduz a leitura a um procedimento mecânico de decodificação, desconsiderando os processos cognitivos, sociais e culturais que lhe são constitutivos. Para além dessa visão restrita, a leitura deve ser entendida como uma prática complexa, na qual texto e leitor se articulam na produção de sentidos.
Nessa perspectiva ampliada, ler implica mobilizar conhecimentos prévios, experiências de vida e repertórios socioculturais, permitindo ao leitor interpretar, relacionar e ressignificar as informações apresentadas. A leitura, assim, assume papel central na formação do pensamento crítico, uma vez que possibilita a construção de inferências, a problematização de ideias e a ampliação da compreensão da realidade. Não se trata apenas de compreender o que está escrito, mas de dialogar com o texto e situá-lo em contextos mais amplos de significado.
A concepção freireana de leitura contribui de forma decisiva para esse entendimento ao afirmar que a leitura da palavra está indissociavelmente vinculada à leitura do mundo. Para Paulo Freire, o ato de ler envolve a compreensão crítica da realidade social, construída a partir das vivências e da inserção histórica dos sujeitos. Nesse sentido, a leitura configura-se como prática ativa e transformadora, na medida em que permite ao indivíduo interpretar o mundo e, a partir dessa interpretação, intervir conscientemente sobre ele.
Entretanto, no contexto contemporâneo, marcado pela expansão das tecnologias digitais e pelo acesso facilitado à informação, observa-se um enfraquecimento das práticas de leitura aprofundada. A lógica da velocidade e do consumo imediato de conteúdos, característica das redes sociais, tende a reduzir o espaço dedicado à leitura reflexiva. No âmbito educacional, esse fenômeno manifesta-se na diminuição do interesse por textos mais densos e na dificuldade de sustentar processos interpretativos complexos, o que exige da escola e dos docentes um posicionamento crítico diante das novas formas de circulação da escrita.
Dessa forma, reafirma-se a leitura como elemento essencial para a formação intelectual, ética e social dos sujeitos. A capacidade de ler criticamente textos e contextos torna-se condição indispensável para a participação autônoma na vida social, especialmente em uma sociedade atravessada por discursos múltiplos e, muitas vezes, contraditórios. A fragilização das práticas leitoras contribui para o avanço do analfabetismo funcional, limitando a atuação dos indivíduos nas esferas social, política e profissional, o que reforça a necessidade de políticas e práticas pedagógicas que promovam uma leitura crítica, consciente e socialmente situada.
Texto adaptado de BERNARDY, Francisca Rafaela; JACQUES, Juliana Sales. A leitura nos prescritos da BNCC: análise e reflexões dentro das habilidades de Língua Portuguesa, no Ensino Médio. Signo, Santa Cruz do Sul, v. 50, n. 98, p. 27–37, maio/ago. 2025. Disponível em: https://online. unisc.br/seer/index.php/signo. Acesso em: 26 jan. 2026
O ato de ler e a construção crítica do sentido
O ato de ler é frequentemente compreendido, em sua acepção mais elementar, como a capacidade de reconhecer e percorrer visualmente signos gráficos organizados em um texto. Tal compreensão, embora pertinente do ponto de vista técnico, reduz a leitura a um procedimento mecânico de decodificação, desconsiderando os processos cognitivos, sociais e culturais que lhe são constitutivos. Para além dessa visão restrita, a leitura deve ser entendida como uma prática complexa, na qual texto e leitor se articulam na produção de sentidos.
Nessa perspectiva ampliada, ler implica mobilizar conhecimentos prévios, experiências de vida e repertórios socioculturais, permitindo ao leitor interpretar, relacionar e ressignificar as informações apresentadas. A leitura, assim, assume papel central na formação do pensamento crítico, uma vez que possibilita a construção de inferências, a problematização de ideias e a ampliação da compreensão da realidade. Não se trata apenas de compreender o que está escrito, mas de dialogar com o texto e situá-lo em contextos mais amplos de significado.
A concepção freireana de leitura contribui de forma decisiva para esse entendimento ao afirmar que a leitura da palavra está indissociavelmente vinculada à leitura do mundo. Para Paulo Freire, o ato de ler envolve a compreensão crítica da realidade social, construída a partir das vivências e da inserção histórica dos sujeitos. Nesse sentido, a leitura configura-se como prática ativa e transformadora, na medida em que permite ao indivíduo interpretar o mundo e, a partir dessa interpretação, intervir conscientemente sobre ele.
Entretanto, no contexto contemporâneo, marcado pela expansão das tecnologias digitais e pelo acesso facilitado à informação, observa-se um enfraquecimento das práticas de leitura aprofundada. A lógica da velocidade e do consumo imediato de conteúdos, característica das redes sociais, tende a reduzir o espaço dedicado à leitura reflexiva. No âmbito educacional, esse fenômeno manifesta-se na diminuição do interesse por textos mais densos e na dificuldade de sustentar processos interpretativos complexos, o que exige da escola e dos docentes um posicionamento crítico diante das novas formas de circulação da escrita.
Dessa forma, reafirma-se a leitura como elemento essencial para a formação intelectual, ética e social dos sujeitos. A capacidade de ler criticamente textos e contextos torna-se condição indispensável para a participação autônoma na vida social, especialmente em uma sociedade atravessada por discursos múltiplos e, muitas vezes, contraditórios. A fragilização das práticas leitoras contribui para o avanço do analfabetismo funcional, limitando a atuação dos indivíduos nas esferas social, política e profissional, o que reforça a necessidade de políticas e práticas pedagógicas que promovam uma leitura crítica, consciente e socialmente situada.
Texto adaptado de BERNARDY, Francisca Rafaela; JACQUES, Juliana Sales. A leitura nos prescritos da BNCC: análise e reflexões dentro das habilidades de Língua Portuguesa, no Ensino Médio. Signo, Santa Cruz do Sul, v. 50, n. 98, p. 27–37, maio/ago. 2025. Disponível em: https://online. unisc.br/seer/index.php/signo. Acesso em: 26 jan. 2026
O ato de ler e a construção crítica do sentido
O ato de ler é frequentemente compreendido, em sua acepção mais elementar, como a capacidade de reconhecer e percorrer visualmente signos gráficos organizados em um texto. Tal compreensão, embora pertinente do ponto de vista técnico, reduz a leitura a um procedimento mecânico de decodificação, desconsiderando os processos cognitivos, sociais e culturais que lhe são constitutivos. Para além dessa visão restrita, a leitura deve ser entendida como uma prática complexa, na qual texto e leitor se articulam na produção de sentidos.
Nessa perspectiva ampliada, ler implica mobilizar conhecimentos prévios, experiências de vida e repertórios socioculturais, permitindo ao leitor interpretar, relacionar e ressignificar as informações apresentadas. A leitura, assim, assume papel central na formação do pensamento crítico, uma vez que possibilita a construção de inferências, a problematização de ideias e a ampliação da compreensão da realidade. Não se trata apenas de compreender o que está escrito, mas de dialogar com o texto e situá-lo em contextos mais amplos de significado.
A concepção freireana de leitura contribui de forma decisiva para esse entendimento ao afirmar que a leitura da palavra está indissociavelmente vinculada à leitura do mundo. Para Paulo Freire, o ato de ler envolve a compreensão crítica da realidade social, construída a partir das vivências e da inserção histórica dos sujeitos. Nesse sentido, a leitura configura-se como prática ativa e transformadora, na medida em que permite ao indivíduo interpretar o mundo e, a partir dessa interpretação, intervir conscientemente sobre ele.
Entretanto, no contexto contemporâneo, marcado pela expansão das tecnologias digitais e pelo acesso facilitado à informação, observa-se um enfraquecimento das práticas de leitura aprofundada. A lógica da velocidade e do consumo imediato de conteúdos, característica das redes sociais, tende a reduzir o espaço dedicado à leitura reflexiva. No âmbito educacional, esse fenômeno manifesta-se na diminuição do interesse por textos mais densos e na dificuldade de sustentar processos interpretativos complexos, o que exige da escola e dos docentes um posicionamento crítico diante das novas formas de circulação da escrita.
Dessa forma, reafirma-se a leitura como elemento essencial para a formação intelectual, ética e social dos sujeitos. A capacidade de ler criticamente textos e contextos torna-se condição indispensável para a participação autônoma na vida social, especialmente em uma sociedade atravessada por discursos múltiplos e, muitas vezes, contraditórios. A fragilização das práticas leitoras contribui para o avanço do analfabetismo funcional, limitando a atuação dos indivíduos nas esferas social, política e profissional, o que reforça a necessidade de políticas e práticas pedagógicas que promovam uma leitura crítica, consciente e socialmente situada.
Texto adaptado de BERNARDY, Francisca Rafaela; JACQUES, Juliana Sales. A leitura nos prescritos da BNCC: análise e reflexões dentro das habilidades de Língua Portuguesa, no Ensino Médio. Signo, Santa Cruz do Sul, v. 50, n. 98, p. 27–37, maio/ago. 2025. Disponível em: https://online. unisc.br/seer/index.php/signo. Acesso em: 26 jan. 2026
O ato de ler e a construção crítica do sentido
O ato de ler é frequentemente compreendido, em sua acepção mais elementar, como a capacidade de reconhecer e percorrer visualmente signos gráficos organizados em um texto. Tal compreensão, embora pertinente do ponto de vista técnico, reduz a leitura a um procedimento mecânico de decodificação, desconsiderando os processos cognitivos, sociais e culturais que lhe são constitutivos. Para além dessa visão restrita, a leitura deve ser entendida como uma prática complexa, na qual texto e leitor se articulam na produção de sentidos.
Nessa perspectiva ampliada, ler implica mobilizar conhecimentos prévios, experiências de vida e repertórios socioculturais, permitindo ao leitor interpretar, relacionar e ressignificar as informações apresentadas. A leitura, assim, assume papel central na formação do pensamento crítico, uma vez que possibilita a construção de inferências, a problematização de ideias e a ampliação da compreensão da realidade. Não se trata apenas de compreender o que está escrito, mas de dialogar com o texto e situá-lo em contextos mais amplos de significado.
A concepção freireana de leitura contribui de forma decisiva para esse entendimento ao afirmar que a leitura da palavra está indissociavelmente vinculada à leitura do mundo. Para Paulo Freire, o ato de ler envolve a compreensão crítica da realidade social, construída a partir das vivências e da inserção histórica dos sujeitos. Nesse sentido, a leitura configura-se como prática ativa e transformadora, na medida em que permite ao indivíduo interpretar o mundo e, a partir dessa interpretação, intervir conscientemente sobre ele.
Entretanto, no contexto contemporâneo, marcado pela expansão das tecnologias digitais e pelo acesso facilitado à informação, observa-se um enfraquecimento das práticas de leitura aprofundada. A lógica da velocidade e do consumo imediato de conteúdos, característica das redes sociais, tende a reduzir o espaço dedicado à leitura reflexiva. No âmbito educacional, esse fenômeno manifesta-se na diminuição do interesse por textos mais densos e na dificuldade de sustentar processos interpretativos complexos, o que exige da escola e dos docentes um posicionamento crítico diante das novas formas de circulação da escrita.
Dessa forma, reafirma-se a leitura como elemento essencial para a formação intelectual, ética e social dos sujeitos. A capacidade de ler criticamente textos e contextos torna-se condição indispensável para a participação autônoma na vida social, especialmente em uma sociedade atravessada por discursos múltiplos e, muitas vezes, contraditórios. A fragilização das práticas leitoras contribui para o avanço do analfabetismo funcional, limitando a atuação dos indivíduos nas esferas social, política e profissional, o que reforça a necessidade de políticas e práticas pedagógicas que promovam uma leitura crítica, consciente e socialmente situada.
Texto adaptado de BERNARDY, Francisca Rafaela; JACQUES, Juliana Sales. A leitura nos prescritos da BNCC: análise e reflexões dentro das habilidades de Língua Portuguesa, no Ensino Médio. Signo, Santa Cruz do Sul, v. 50, n. 98, p. 27–37, maio/ago. 2025. Disponível em: https://online. unisc.br/seer/index.php/signo. Acesso em: 26 jan. 2026
"O problema sempre foi o superego, que (...) se escafedia no meio da sessão.
A expressão empregada no trecho acima é sinônima de:
Calma, gente
Alguma coisa não vai bem entre mim e o tempo. Não o tempo de que tratam os filósofos, mas esse tempinho nosso de todo dia, medido em correrias, impaciências, tique-taques, calendários, reencontros (“Há quanto tempo!”), semáforos, luas cheias, aniversários, Natais e – ai – rugas. O tempo sobre o qual se conversa e no qual transitamos, transitórios.
Acontece que as pessoas têm pressa, e a pressa delas interfere no ritmo de outras. Na maioria das vezes, é uma agitação inútil e inexplicável. Tem gente que se assusta quando alguém propõe irem caminhando até um determinado lugar, perto: “A pé?!”. Não é pelo esforço, pois até atletas de academia reagem com espanto. Essas pessoas não suportam é “perder” tempo percorrendo uma distância que, de carro, levaria quatro minutos.
Em parte, foi essa pretensão de poder comprimir o tempo que derrotou o cavalo como transporte urbano, depois o bonde, o ônibus e promoveu o automóvel, maravilha que transformamos em problema. Ao volante, o raciocínio é: eu tenho o comando, eu decido a velocidade, eu me torno senhor do tempo no espaço.
Ilusão.
Quem pôde teve a mesma ideia e engarrafou as cidades.
O tempo já foi elástico, esticava-se segundo a vontade de quem dispunha dele. Dê tempo ao tempo, diziam umas pessoas para as outras, ralentando-se. Calma, que o Brasil ainda é nosso! – bradava-se, como quem diz: enquanto o país for nosso, vamos devagar. Fazíamos do tempo coisa nossa, como o samba, o futebol e outras bossas.
Leiam os romances antigos. Nenhum personagem diz para o outro: “Você tem um minuto?”. Havia muito mais do que um minuto para uma conversa. Vejam um filme clássico. Com que paciência era construída uma situação que iria depois desaguar em outra. John Ford, por exemplo, tinha tempo para contar uma boa história e sabia que também o tínhamos para apreciá-la. Hoje, no cinema pós-Spielberg, muitas vezes nem percebemos o que aconteceu, tal a rapidez da montagem.
A vida on-line traz, em segundos, o mundo. As imagens de um bombardeio da grande potência contra o Iraque depau perado chegaram à casa das pessoas no momento em que estava acontecendo. Chamam a isso “tempo real”. Como se fosse irreal o tempo dos cinejornais da II Guerra Mundial, que mostravam com meses de atraso centenas de milhares de soldados mortos. O tempo real trouxe também a globalização dos dinheiros aventureiros, que em segundos dão a volta ao mundo rapando economias, confrontando desiguais, espalhando o desemprego.
O que se faz com o tempo ganho com a pressa? Lembra-me o poeminha do pernambucano Ascenso Ferreira ironizando o gaúcho, que, diz ele, “riscando os cavalos” e tinindo as esporas sai de seus pagos em louca arrancada: “– Para quê? – Para nada”. Talvez para nada os apressados buzinam no trânsito, costuram, furam sinais; a pé, atropelam passantes nas ruas, em purram pessoas nas plataformas do metrô, impacientam-se com idosos, agridem garçons, trombam carrinhos de compras nos supermercados, reclamam do ritmo alheio. Entre a pressa e a falta de educação, a distância é curta.
É sábio um ditado russo que li citado pelo escritor Saul Bellow: “Quando estiver com pressa, vá devagar”. Mais ou menos é o que o historiador romano Suetônio, biógrafo dos césares, aconselhou ao imperador Adriano, 1.900 anos atrás: “Apressa-te devagar”. Sem nunca ter lido Suetônio, era quase o que minha mãe dizia quando eu moleque disparava pelas ruas do bairro: “Corre devagar, menino!”.
Suspeito que vem daí o meu descompasso com os apressados.
(ÂNGELO, Ivan. Revista Veja São Paulo. São Paulo: Editora Abril. Em: 10/09/2003.)
Calma, gente
Alguma coisa não vai bem entre mim e o tempo. Não o tempo de que tratam os filósofos, mas esse tempinho nosso de todo dia, medido em correrias, impaciências, tique-taques, calendários, reencontros (“Há quanto tempo!”), semáforos, luas cheias, aniversários, Natais e – ai – rugas. O tempo sobre o qual se conversa e no qual transitamos, transitórios.
Acontece que as pessoas têm pressa, e a pressa delas interfere no ritmo de outras. Na maioria das vezes, é uma agitação inútil e inexplicável. Tem gente que se assusta quando alguém propõe irem caminhando até um determinado lugar, perto: “A pé?!”. Não é pelo esforço, pois até atletas de academia reagem com espanto. Essas pessoas não suportam é “perder” tempo percorrendo uma distância que, de carro, levaria quatro minutos.
Em parte, foi essa pretensão de poder comprimir o tempo que derrotou o cavalo como transporte urbano, depois o bonde, o ônibus e promoveu o automóvel, maravilha que transformamos em problema. Ao volante, o raciocínio é: eu tenho o comando, eu decido a velocidade, eu me torno senhor do tempo no espaço.
Ilusão.
Quem pôde teve a mesma ideia e engarrafou as cidades.
O tempo já foi elástico, esticava-se segundo a vontade de quem dispunha dele. Dê tempo ao tempo, diziam umas pessoas para as outras, ralentando-se. Calma, que o Brasil ainda é nosso! – bradava-se, como quem diz: enquanto o país for nosso, vamos devagar. Fazíamos do tempo coisa nossa, como o samba, o futebol e outras bossas.
Leiam os romances antigos. Nenhum personagem diz para o outro: “Você tem um minuto?”. Havia muito mais do que um minuto para uma conversa. Vejam um filme clássico. Com que paciência era construída uma situação que iria depois desaguar em outra. John Ford, por exemplo, tinha tempo para contar uma boa história e sabia que também o tínhamos para apreciá-la. Hoje, no cinema pós-Spielberg, muitas vezes nem percebemos o que aconteceu, tal a rapidez da montagem.
A vida on-line traz, em segundos, o mundo. As imagens de um bombardeio da grande potência contra o Iraque depau perado chegaram à casa das pessoas no momento em que estava acontecendo. Chamam a isso “tempo real”. Como se fosse irreal o tempo dos cinejornais da II Guerra Mundial, que mostravam com meses de atraso centenas de milhares de soldados mortos. O tempo real trouxe também a globalização dos dinheiros aventureiros, que em segundos dão a volta ao mundo rapando economias, confrontando desiguais, espalhando o desemprego.
O que se faz com o tempo ganho com a pressa? Lembra-me o poeminha do pernambucano Ascenso Ferreira ironizando o gaúcho, que, diz ele, “riscando os cavalos” e tinindo as esporas sai de seus pagos em louca arrancada: “– Para quê? – Para nada”. Talvez para nada os apressados buzinam no trânsito, costuram, furam sinais; a pé, atropelam passantes nas ruas, em purram pessoas nas plataformas do metrô, impacientam-se com idosos, agridem garçons, trombam carrinhos de compras nos supermercados, reclamam do ritmo alheio. Entre a pressa e a falta de educação, a distância é curta.
É sábio um ditado russo que li citado pelo escritor Saul Bellow: “Quando estiver com pressa, vá devagar”. Mais ou menos é o que o historiador romano Suetônio, biógrafo dos césares, aconselhou ao imperador Adriano, 1.900 anos atrás: “Apressa-te devagar”. Sem nunca ter lido Suetônio, era quase o que minha mãe dizia quando eu moleque disparava pelas ruas do bairro: “Corre devagar, menino!”.
Suspeito que vem daí o meu descompasso com os apressados.
(ÂNGELO, Ivan. Revista Veja São Paulo. São Paulo: Editora Abril. Em: 10/09/2003.)
(__)A maioria da população brasileira (69%) é beneficiária da Tarifa de Água e Esgoto.
(__)Dados estatísticos confirmam que o acesso aos serviços de água e esgoto está atrelado à classe social brasileira, isto é, as pessoas pertencentes a classes sociais mais empobrecidas estão mais suscetíveis a não ter acesso aos serviços.
(__)Hoje, 38% da população brasileira não tem acesso à rede de esgoto, reforçando a necessidade de políticas públicas como a Tarifa Social.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Mundo preto e branco
Era um mundo preto e branco. Todo o planeta consistia apenas em branco, preto, cinza e suas respectivas tonalidades.
As pessoas caminhavam sob um céu cinza durante o dia e sob um manto carvão à noite. A humanidade consistia de 5 raças: branco, preto, cinza, granizo e chumbo.
Mas, em uma estranha manhã, o céu amanheceu azul. As flores carvão tornaram-se vermelhas, amarelas, verdes cintilantes. Em todo o planeta, mares cinzas ganharam tonalidades de verde e azul. E as planícies desbotadas revelavam cores múltiplas.
Naquele dia, as pessoas entraram em pânico. Anunciaram o fim do mundo. Gritaram, fizeram cortes em si mesmas, imploraram misericórdia.
No entanto, sem qualquer explicação, o fenômeno durou apenas um dia. Na manhã seguinte, quando o céu voltou a ser cinza, as pessoas agradeceram por terem sobrevivido àquele dia de apocalipse.
MARTINZ, Juliano. Mundo preto e branco. Corrosiva.
(Adaptado) Disponível
A palavra destacada no trecho acima é sinônima de:
A palavra destacada no trecho acima é sinônima de: