Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q2520750 Português

Julgue o item que se segue. 


O anacoluto, frequentemente considerado um erro gramatical, é usado para expressar uma estrutura frasal perfeitamente organizada e formal. Por exemplo, em "A velha hipocrisia, recordo-me dela com vergonha", de Camilo Castelo Branco, o uso do anacoluto garante a clareza e a formalidade do enunciado.

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Q2520736 Português

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O narrador onisciente tem a capacidade de conhecer e revelar os pensamentos, sentimentos e motivações internas de todas as personagens, narrando a história principalmente em terceira pessoa. Esse tipo de narrador oferece uma visão abrangente e detalhada do enredo, permitindo ao leitor uma compreensão profunda dos eventos e das interações entre as personagens.

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Q2520729 Português

Julgue o item que se segue. 


As onomatopeias, como "tic-tac" ou "zum-zum", são exemplos de palavras na língua portuguesa que, devido à sua natureza imitativa, não são consideradas capazes de formar derivados ou de participar em processos de composição de palavras mais complexos.

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Q2520720 Português

Julgue o item que se segue. 


Os níveis de linguagem referem-se às variações no uso da língua que se adaptam a diferentes contextos sociais, culturais e situacionais, incluindo o uso formal, informal, coloquial e técnico, cada um com características próprias que atendem às expectativas de comunicação específicas desses ambientes.

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Q2520718 Português

Julgue o item que se segue. 


O conceito de "produção por frequentação" envolve a prática de imersão em uma ampla variedade de textos, tanto literários quanto não literários, o que contribui para o enriquecimento da habilidade de escrita do autor ao expô-lo a diferentes estilos e estruturas textuais. 

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Q2520712 Português

Julgue o item que se segue. 


Os recursos estilísticos, que combinam elementos sintáticos, fonológicos e semânticos, são essenciais não só para a organização das palavras e a construção dos enunciados, mas também permitem desvios no padrão normativo da língua para enfatizar um termo, mensagem ou contexto. Assim, cada objetivo do emissor, seja convencer, emocionar ou confundir, pode ser alcançado por um recurso estilístico específico. 

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Q2520711 Português

Julgue o item que se segue. 


Na estilística sintática, as figuras de construção, como o anacoluto, são empregadas para enriquecer o texto, criando efeitos expressivos que podem alterar a estrutura convencional das frases. Isso inclui a suspensão da estrutura gramatical para evocar a impressão de pensamento interrompido, intensificando o impacto emocional ou estilístico da expressão.

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Q2520706 Português

Julgue o item que se segue. 


A linguagem possui a capacidade de realizar a função poética, na qual o foco está na própria mensagem e na forma como ela é expressa. Essa carcterística é comum em textos literários, que exploram recursos estilísticos e sonoros para realçar a experiência estética do leitor. 

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Q2520663 Português
          A China planeja levar astronautas à Lua antes de 2030, o que seria outro avanço no que é cada vez mais visto como uma nova corrida espacial que coloca o país asiático contra os Estados Unidos.


      O país americano pretende colocar seus astronautas novamente na superfície lunar até o final de 2025. O vice-diretor da Agência Espacial Tripulada da China, Lin Xiqiang, confirmou o objetivo do país em uma coletiva de imprensa, mas não deu uma data específica. Eles estariam se preparando primeiro para uma “curta estadia na superfície lunar e exploração humano-robótica”.


       “Temos uma estação espacial humana completa próxima da Terra e um sistema de transporte humano de ida e volta”, afirmou Xiqiang. Segundo ele, já existe um processo para selecionar, treinar e apoiar astronautas, e um cronograma de duas missões tripuladas por ano seria “suficiente para realizar nossos objetivos”.


        O espaço é considerado uma nova área de competição entre a China e os Estados Unidos – as duas maiores economias do mundo e rivais por influência diplomática e militar. Os astronautas que a NASA (a agência espacial americana) enviará à Lua até o final de 2025 terão como objetivo o Polo Sul, onde se acredita que as crateras permanentemente sombreadas estejam repletas de água congelada.


    Planos para bases tripuladas permanentes na Lua também estão sendo considerados por ambos os países, levantando questões sobre direitos e interesses na superfície lunar. A lei dos Estados Unidos restringe fortemente a cooperação entre os programas espaciais dos dois países e, embora a China diga que aceita colaborações estrangeiras, até agora elas se limitaram à pesquisa científica.


(China planeja levar astronautas à Lua antes de 2030.
www.estadao.com.br, 29.05.2023. Adaptado)

De acordo com informações presentes no texto, é correto afirmar que
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Q2520661 Português
       Há cinquenta anos, o homem desceu na Lua. Eu assisti pela televisão. Foi mais difícil conseguir a imagem em Louveira do que a NASA alunar o módulo e permitir que o astronauta norte-americano, Neil Armstrong, descesse no satélite da Terra.


       Em julho daquele ano, estávamos de férias na fazenda de Louveira, e a cidade não era famosa pela imagem captada pelos televisores da época, máquinas com telas pequenas, que transmitiam em branco e preto, invariavelmente com fantasmas e chuviscos distorcendo a imagem.


       Como o nome diz, fantasmas eram sombras das imagens e eles podiam ser tão fortes que impediam de ver a cena ou confundir o que os personagens estavam fazendo. Não eram uma exclusividade de Louveira. A imagem da TV na nossa casa em São Paulo também era trágica, mas, em julho de 1969, o problema tinha que ser solucionado, sob risco de não vermos o homem descer na Lua porque a imagem na televisão da fazenda era um borrão.


       O jeito foi instalar um mastro no telhado da casa da sede e colocar a antena no seu topo. A imagem não ficou nenhuma maravilha, mas, entre chuvisco e fantasmas, deu para ver o lunauta pisar na lua.


      Foi um momento importante. Mesmo nós, na época, crianças, sentimos a gravidade do que estava acontecendo e sabíamos que a humanidade tinha dado um passo enorme na rota de seu progresso.


        No dia seguinte, o administrador da fazenda perguntou para meu tio Paulo por que os americanos não tinham ido na lua cheia. Afinal, seria muito mais fácil acertar o nosso satélite.



(Antonio Penteado Mendonça. 50 anos atrás o homem chegou na lua.
https://cronicasdacidade.com.br, 16.07.2019. Adaptado)
De acordo com informações presentes no texto, é correto afirmar que o acontecimento da chegada do homem à Lua foi para o narrador
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Q2520618 Português
Na educação, o Brasil tem muito o que
aprender com o Brasil



        O debate público sobre educação básica ainda é, infelizmente, ocupado por mitos derrotistas, como o de a educação atual ser pior que a “de antigamente”, da escola pública como um fracasso e da melhoria da qualidade ser um processo que demora muitas décadas.

        Ainda que existam enormes desafios, que foram aprofundados na pandemia, não reconhecer os avanços é abandonar a oportunidade de universalizarmos para todo o país o patamar mais elevado de aprendizagem que já é realidade em redes de ensino de algumas cidades e estados. Uma característica que chama atenção na educação é a desigualdade no território nacional: enquanto muitas redes de ensino avançaram pouco ao longo do tempo, algumas conseguiram implementar um conjunto de medidas que, sustentadas no tempo, causaram um impacto substancial na qualidade.

       A média dos resultados ainda é ruim e muitas vezes esconde excelentes gestões educacionais que merecem destaque pelo efeito norteador que podem e devem ter. Estes casos de sucesso precisam ser mais conhecidos, e podem inspirar os planos educacionais nas três esferas de governo.



(Priscila Cruz, “Na educação, o Brasil tem muito o que aprender com o Brasil”. Em: Folha de S.Paulo, 18.07.2022. Adaptado)
No texto, a autora defende que
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Q2520613 Português
     Pra lhes dizer a verdade, não sei onde meu pai arranjou aquele almanaque, velharia do século passado, e que catalogava os municípios das Minas Gerais, um por um. Tenho de confessar que, como aquele, ainda não vi outro, tão bem arranjado e consciente das coisas que deviam ser preservadas para a posteridade. Tanto assim que, além de exaltar as belezas do lugar e as excelências do clima, descrevia o povo, listando os vultos mais ilustres, começando, como era de se esperar, pelos capitalistas, fazendeiros e donos de lojas, passando então aos médicos, boticários, bacharéis e sacerdotes, sem se esquecer, ainda que no fim, dos mestres-escolas. Lá, bem no começo, seguindo a ordem alfabética, estava Boa Esperança, terra de meu pai, e ele ajeitou os óculos para ver se descobria naquele registro do passado a informação de algum antepassado ilustre, quem sabe alguma glória de que se pudesse gabar! E o dedo indicador foi percorrendo o rol dos importantes pelo sobrenome, pois que de primeiro nome todas as memórias já tinham sido apagadas. Até que parou. Lá estava. Não podia haver dúvidas. O sobrenome era o mesmo: Espírito Santo. Profissão: tropeiro. Tropeiro? Isto mesmo. E com a tropa de burros e o barulho imaginário dos sinos da madrinha, pelas trilhas da serra da Boa Esperança que o Lamartine Babo cantou, foram-se também as esperanças de um passado glorioso.



(Rubem Alves, Conversas com quem gosta de ensinar. Adaptado)

Ao descrever a organização do almanaque, o autor deixa claro que ele estava organizado
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Q2520612 Português
     Pra lhes dizer a verdade, não sei onde meu pai arranjou aquele almanaque, velharia do século passado, e que catalogava os municípios das Minas Gerais, um por um. Tenho de confessar que, como aquele, ainda não vi outro, tão bem arranjado e consciente das coisas que deviam ser preservadas para a posteridade. Tanto assim que, além de exaltar as belezas do lugar e as excelências do clima, descrevia o povo, listando os vultos mais ilustres, começando, como era de se esperar, pelos capitalistas, fazendeiros e donos de lojas, passando então aos médicos, boticários, bacharéis e sacerdotes, sem se esquecer, ainda que no fim, dos mestres-escolas. Lá, bem no começo, seguindo a ordem alfabética, estava Boa Esperança, terra de meu pai, e ele ajeitou os óculos para ver se descobria naquele registro do passado a informação de algum antepassado ilustre, quem sabe alguma glória de que se pudesse gabar! E o dedo indicador foi percorrendo o rol dos importantes pelo sobrenome, pois que de primeiro nome todas as memórias já tinham sido apagadas. Até que parou. Lá estava. Não podia haver dúvidas. O sobrenome era o mesmo: Espírito Santo. Profissão: tropeiro. Tropeiro? Isto mesmo. E com a tropa de burros e o barulho imaginário dos sinos da madrinha, pelas trilhas da serra da Boa Esperança que o Lamartine Babo cantou, foram-se também as esperanças de um passado glorioso.



(Rubem Alves, Conversas com quem gosta de ensinar. Adaptado)

Na passagem – Profissão: tropeiro. Tropeiro? Isto mesmo. – a pergunta destacada expressa 
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Q2520611 Português
     Pra lhes dizer a verdade, não sei onde meu pai arranjou aquele almanaque, velharia do século passado, e que catalogava os municípios das Minas Gerais, um por um. Tenho de confessar que, como aquele, ainda não vi outro, tão bem arranjado e consciente das coisas que deviam ser preservadas para a posteridade. Tanto assim que, além de exaltar as belezas do lugar e as excelências do clima, descrevia o povo, listando os vultos mais ilustres, começando, como era de se esperar, pelos capitalistas, fazendeiros e donos de lojas, passando então aos médicos, boticários, bacharéis e sacerdotes, sem se esquecer, ainda que no fim, dos mestres-escolas. Lá, bem no começo, seguindo a ordem alfabética, estava Boa Esperança, terra de meu pai, e ele ajeitou os óculos para ver se descobria naquele registro do passado a informação de algum antepassado ilustre, quem sabe alguma glória de que se pudesse gabar! E o dedo indicador foi percorrendo o rol dos importantes pelo sobrenome, pois que de primeiro nome todas as memórias já tinham sido apagadas. Até que parou. Lá estava. Não podia haver dúvidas. O sobrenome era o mesmo: Espírito Santo. Profissão: tropeiro. Tropeiro? Isto mesmo. E com a tropa de burros e o barulho imaginário dos sinos da madrinha, pelas trilhas da serra da Boa Esperança que o Lamartine Babo cantou, foram-se também as esperanças de um passado glorioso.



(Rubem Alves, Conversas com quem gosta de ensinar. Adaptado)

De acordo com o narrador, a intenção da consulta do pai ao almanaque era
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Q2520014 Português

Texto para o item.


Divinos devaneios 




Gabriel Pedroso Teixeira 




Em relação aos aspectos gerais do texto, julgue o item abaixo.


O pronome “contigo” (linha 9) faz parte da oração subordinada que existe na fala nesse trecho.

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Q2519408 Português
Dorme, ruazinha… É tudo escuro…
(Texto adaptado)


Dorme, ruazinha... É tudo escuro...
E os meus passos, quem é que pode ouvi-los?
Dorme o teu sono sosegado e puro,
Com teus lampiões, com teus jardins tranquilos...
Dorme... Não ha ladrões, eu te asseguro...
Nem guardas para acaso persegui-los...
Na noite alta, como sobre um muro,
As estrelinhas cantam como grilos... O
vento está dormindo na calçada,
O vento enovelou-se como um cão...
Dorme, ruazinha... Não ha nada...
Só os meus passos... Mas tão leves são
Que até parecem, pela madrugada,
Os da minha futura assombração...


(Mario Quintana)
No poema acima, o poeta demonstra:
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Q2519161 Português
        Embora haja relação entre os conceitos, racismo difere de preconceito racial e de discriminação racial. O preconceito racial é o juízo que se baseia em estereótipos acerca de indivíduos que pertençam a determinado grupo racializado e que pode ou não resultar em práticas discriminatórias. As ideias de que negros são violentos e inconfiáveis, de que judeus são avarentos ou de que orientais são “naturalmente” preparados para as ciências exatas são exemplos de preconceitos.
         A discriminação racial, por sua vez, é a atribuição de tratamento diferenciado a membros de grupos racialmente identificados. Portanto, a discriminação tem como requisito fundamental o poder, ou seja, a possibilidade efetiva do uso da força, sem o qual não é possível atribuir vantagens ou desvantagens por conta da raça. Assim, a discriminação pode ser direta ou indireta.
         A discriminação direta é o repúdio ostensivo a indivíduos ou grupos, motivado pela condição racial, exemplo do que ocorre em países que proíbem a entrada de negros, judeus, muçulmanos, pessoas de origem árabe ou persa, ou ainda em lojas que se recusem a atender clientes de determinada raça. Adilson José Moreira afirma que o conceito de discriminação direta “pressupõe que as pessoas são discriminadas a partir de um único vetor e também que a imposição de um tratamento desvantajoso requer a existência da intenção de discriminar”. Por isso, conclui Moreira, o conceito de discriminação direta é “incompleto” para lidar com a complexidade do fenômeno da discriminação.
         Já a discriminação indireta é um processo em que a situação específica de grupos minoritários é ignorada — discriminação de fato —, ou sobre ela são impostas regras de “neutralidade racial”, sem que se leve em conta a existência de diferenças sociais significativas — discriminação pelo direito ou discriminação por impacto adverso. A discriminação indireta é “marcada pela ausência de intencionalidade explícita de discriminar pessoas. Isso pode acontecer porque a norma ou prática não leva em consideração ou não pode prever de forma concreta as consequências da norma.”, segundo Moreira.
         A consequência de práticas de discriminação direta e indireta ao longo do tempo leva à estratificação social, um fenômeno intergeracional em que o percurso de vida de todos os membros de um grupo social — o que inclui as chances de ascensão social, de reconhecimento e de sustento material — é afetado.

Silvio Almeida. Racismo estrutural. São Paulo: Pólen, 2019, p. 22-23 (com adaptações)

Considerando as ideias veiculadas no texto apresentado e seus aspectos linguísticos, julgue o seguinte item.


Depreende-se do texto que um dos motivos por que Adilson José Moreira julga incompleto o conceito de discriminação direta para tratar da complexidade das ocorrências de discriminação consiste em esse conceito desconsiderar práticas involuntárias de discriminação racial.

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Q2519159 Português
        Embora haja relação entre os conceitos, racismo difere de preconceito racial e de discriminação racial. O preconceito racial é o juízo que se baseia em estereótipos acerca de indivíduos que pertençam a determinado grupo racializado e que pode ou não resultar em práticas discriminatórias. As ideias de que negros são violentos e inconfiáveis, de que judeus são avarentos ou de que orientais são “naturalmente” preparados para as ciências exatas são exemplos de preconceitos.
         A discriminação racial, por sua vez, é a atribuição de tratamento diferenciado a membros de grupos racialmente identificados. Portanto, a discriminação tem como requisito fundamental o poder, ou seja, a possibilidade efetiva do uso da força, sem o qual não é possível atribuir vantagens ou desvantagens por conta da raça. Assim, a discriminação pode ser direta ou indireta.
         A discriminação direta é o repúdio ostensivo a indivíduos ou grupos, motivado pela condição racial, exemplo do que ocorre em países que proíbem a entrada de negros, judeus, muçulmanos, pessoas de origem árabe ou persa, ou ainda em lojas que se recusem a atender clientes de determinada raça. Adilson José Moreira afirma que o conceito de discriminação direta “pressupõe que as pessoas são discriminadas a partir de um único vetor e também que a imposição de um tratamento desvantajoso requer a existência da intenção de discriminar”. Por isso, conclui Moreira, o conceito de discriminação direta é “incompleto” para lidar com a complexidade do fenômeno da discriminação.
         Já a discriminação indireta é um processo em que a situação específica de grupos minoritários é ignorada — discriminação de fato —, ou sobre ela são impostas regras de “neutralidade racial”, sem que se leve em conta a existência de diferenças sociais significativas — discriminação pelo direito ou discriminação por impacto adverso. A discriminação indireta é “marcada pela ausência de intencionalidade explícita de discriminar pessoas. Isso pode acontecer porque a norma ou prática não leva em consideração ou não pode prever de forma concreta as consequências da norma.”, segundo Moreira.
         A consequência de práticas de discriminação direta e indireta ao longo do tempo leva à estratificação social, um fenômeno intergeracional em que o percurso de vida de todos os membros de um grupo social — o que inclui as chances de ascensão social, de reconhecimento e de sustento material — é afetado.

Silvio Almeida. Racismo estrutural. São Paulo: Pólen, 2019, p. 22-23 (com adaptações)

Considerando as ideias veiculadas no texto apresentado e seus aspectos linguísticos, julgue o seguinte item.


De acordo com o texto, o preconceito racial se distingue da discriminação racial porque aquele não necessariamente implica a execução de ações discriminatórias contra pessoas em função de seu grupo racial.

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Q2518923 Português
Minha terra

Saí menino de minha terra.
Passei trinta anos longe dela.
De vez em quando me diziam:
Sua terra está completamente mudada,
Tem avenidas, arranha-céus...
É hoje uma bonita cidade!

Meu coração ficava pequenino.

Revi afinal o meu Recife.
Está de fato completamente mudado.
Tem avenidas, arranha-céus.
É hoje uma bonita cidade.

Diabo leve quem pôs bonita a minha terra!

(Manuel Bandeira, As cidades e as musas)
A diferença na pontuação dos versos “É hoje uma bonita cidade!” e “É hoje uma bonita cidade.” permite concluir corretamente que o eu lírico expressa
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Q2518917 Português
Traumas do Trânsito


    Entre 2011 e 2021, o número de motocicletas circulando no Brasil cresceu 64,7%, de 18 milhões para 30,3 milhões. Como se sabe e boletim do Ministério da Saúde comprova, a escalada elevou a insegurança.

    Em 2011, 70,5 mil motociclistas lesionados em acidentes de trânsito foram hospitalizados (3,9 a cada 100 mil habitantes). Já em 2021, foram 115,7 mil (6,1 a cada 100 mil) – aumento de 55% em dez anos.

   Apesar de o número de mortos ter permanecido quase estável no período (11,5 mil e 11,1 mil, respectivamente), ele representa 26,6% das fatalidades no tráfego em 2011 e 35,3% em 2021.

   Acidentes de trânsito são grave problema de saúde pública no país que, no caso de motocicletas, atinge estratos sociais fragilizados.

   Em 2021, as hospitalizações de motociclistas custaram R$ 167 milhões ao Estado. Despesas por traumatismo cranioencefálico grave (TCE) passaram de R$ 123,7 milhões, em 2008, para R$ 278 milhões em 2019. Acidentes de trânsito são a principal causa de TCEs, seguidos por violência interpessoal.

    Os custos não findam com a internação. Traumas geram sequelas que exigem tratamentos custosos para reabilitação e podem incapacitar o paciente por toda a vida. Ou seja, além dos gastos públicos, o país perde força laboral.

    Para diminuir gastos na saúde e proteger jovens trabalhadores, é fundamental que o poder público, nas esferas municipal, estadual e federal, implemente ações de fiscalização e de conscientização que integrem órgãos de transporte, justiça, saúde e educação.

    Tal orientação já consta do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito, legislação aprovada pelo Congresso em 2018. Basta tirá-lo do papel.


(Editorial. Folha de S.Paulo, 31.05.2023. Adaptado) 
As passagens “... atinge estratos sociais fragilizados.” (4o parágrafo) e “Os custos não findam com a internação.” (6o parágrafo) podem ser interpretadas, correta e respectivamente, da seguinte forma:
Alternativas
Respostas
6821: E
6822: C
6823: E
6824: C
6825: C
6826: E
6827: C
6828: C
6829: B
6830: D
6831: B
6832: E
6833: A
6834: B
6835: E
6836: D
6837: C
6838: C
6839: B
6840: D