Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q3129359 Português

Leia a charge a seguir.


Q4.png (386×510)

Disponível em:

<https://www.facebook.com/photo.php?fbid=4636459549766813&id=8009

56409983832&set=a.1158925690853567>. Acesso em: 06 out. 2024.



De acordo com a norma gramatical culta, qual frase foi adaptada adequadamente a partir das frases da charge acima?

Alternativas
Q3129300 Português

Leia o Texto 3 para responder à questão.


Texto 3


Menos plástico, mais amor 


    Eu provavelmente estava distraída quando os guardanapos das lanchonetes começaram a vir em invólucros de plástico. Você precisa abri-los antes de sujar as mãos, senão pode ser complicado demais. Embora essa questão seja importantíssima, o que me intriga de fato é em que momento e por que começamos a exagerar tanto no uso das coisas plásticas.

    Vou chamar o fenômeno de hiperassepsia. Será que alguém morreu por um guardanapo contaminado, e eu não fiquei sabendo? E quanto ao copo descartável que acompanha a garrafa também descartável, nós precisamos mesmo dele? Talvez eu possa esboçar duas razões para esse excesso de itens destinados às lixeiras. 

    Em tempos de álcool gel, é natural que um dispensador de canudos nos pareça uma monstruosa colônia de germes. Melhor embalá-los um a um. No entanto, nesse exato momento, na França, há um funcionário recebendo uma nota de cinco euros e depois entregando um sanduíche a alguém com as mesmas mãos sem luvas. Isso pode causar nojo, mas revela mais sobre diferenças culturais do que reais riscos à saúde.

    E o mais importante: o exagero dos plásticos parece estar ligado à tendência de querer agradar a qualquer custo. Só isso explica o que observo cotidianamente nos caixas de supermercado. Embora a maioria de nós seja capaz de pôr objetos dentro de uma sacola, temos empacotadores, instruídos a não colocar no mesmo saco uma pasta de dente e um pacote de biscoitos. A consequência é o uso de uma quantidade absurda de sacolas.

    Na minha sacola de pano, sob os olhos atônitos do empacotador que acabo de dispensar, é claro que tudo vai misturado. Continuo viva. 


Disponível em: <https://www.escrevendoofuturo.org.br/blog/literatura-em-movimento/menos-plastico-mais-amor/>. Acesso em: 19 set. 2024. [Adaptado].


O tema central abordado na crônica é
Alternativas
Q3129297 Português

Leia o Texto 2 para responder à questão.


Texto 2


    Em meio ao crescente impacto ambiental da indústria da moda, os brechós surgem como uma resposta consciente e sustentável ao fenômeno do fast fashion, termo usado para definir a constante renovação das peças vendidas no varejo.  

    Com peças até 60% mais acessíveis do que as de grandes marcas, os brechós não apenas oferecem uma alternativa econômica, mas também promovem o consumo consciente de roupas, contrapondo a tendência de descarte rápido que domina o mercado atual.

      A indústria têxtil é uma das responsáveis pelo consumo excessivo dos recursos naturais, uma vez que necessita de muita água e de terrenos para o cultivo de algodão e outras fibras.

     Segundo relatório da Agência Europeia do Ambiente, a produção de uma única camiseta de algodão consome cerca de 2700 litros de água doce, quantidade média de água que uma pessoa bebe em dois anos e meio.

    Além disso, estima-se que essa indústria seja responsável por 10% de emissão dos gases causadores do efeito estufa, superando as emissões da aviação e do transporte marítimo juntos.


Disponível em: <https://www.brasildefato.com.br/2024/04/17/brechos-populares-sao-alternativas-para-consumo-consciente-e-sustentavel-no-parana>. Acesso em: 19 set. 2024.

Segundo as informações dadas pelo texto, 
Alternativas
Q3129295 Português

Leia o Texto 1 para responder à questão.


Texto 1


    O consumo consciente é a prática de repensar os hábitos de consumo promovendo um estilo de vida mais sustentável e equilibrado. Trata-se de consumir de forma responsável, considerando o impacto positivo ou negativo que nossas escolhas provocam no meio ambiente, na economia e na sociedade.

     Isso significa planejar melhor as compras, refletindo sobre a necessidade real dos itens que desejamos adquirir e buscando alternativas mais sustentáveis. É fundamental considerar a procedência dos produtos, dando preferência aos produzidos localmente, com menor impacto ambiental em sua fabricação e respeito às leis trabalhistas.

    É pertinente privilegiar os alimentos frescos, evitando o consumo excessivo de processados e industrializados. Deve-se atentar às embalagens, optando pelas recicláveis. O descarte adequado dos resíduos e seu encaminhamento correto também são importantes.


Disponível em: <https://www2.camara.leg.br/a-camara/estruturaadm/gestaona-camara-dos-deputados/responsabilidade-social-e-ambiental/ecocamara/consumo-consciente>. Acesso em: 16 set. 2024.

[Adaptado].

O excerto, retirado de texto informativo, tem a função social de
Alternativas
Q3128953 Português
       Ouço falar de escritores atemorizados, assombrados com sua própria morte. Escritores que não temem o lento definhar do corpo, não temem o desfalecer da mente num sono fatal. O que temem é um fim menor, é a morte de sua função. Sofrem com a ameaça cada vez mais concreta de que máquinas passem a realizar seu trabalho, ponham-se a escrever romances, poemas, crônicas, ensaios filosóficos. Sentem atordoados seus pobres cérebros ante a grandiosidade do cérebro eletrônico, sentem obsoletos seus caóticos neurônios em face de algoritmos bem mais ordeiros, mais eficazes.

       Esse receio já longevo e tratado em ficções demais ganhou contornos quase dramáticos nos últimos meses, desde a aparição de programas que criam textos inéditos de qualidade razoável, e da publicação dos primeiros romances de autoria eletrônica. O debate tem tomado mais de uma mesa de bar, mais de um fórum virtual, confrontando não exatamente máquinas e humanos, mas sim céticos e apocalípticos, calmos e atormentados. Os primeiros se riem da promessa descumprida, riem das precariedades da máquina, de sua absoluta inaptidão para o humor e o lirismo. Os segundos mantêm os cenhos franzidos e alertam com sabedoria: não se enganem, a máquina acaba de surgir, e há de se livrar das fraquezas em velocidade impressionante.

       De minha parte, se me permitem, prefiro permanecer desassombrado — a morte literal ainda me parece um terror mais palpável. Não que eu seja um cético, não duvido da capacidade robótica de nos abismar, confio que em pouco tempo computadores comporão obras consideráveis, e em muito tempo podem chegar a portentos literários. Mas desconfio é dos humanos: da nossa disposição de apreciar um romance bom carente de um autor, desprovido de uma figura anterior feita de carne e de sonho. Desconfio que não queiramos livros escritos sem suor e intenção, redigidos por seres insensíveis às desrazões da arte, por seres indiferentes à história humana, seu prazer, sua dor.


(Julián Fuks. Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/
julian-fuks/2023/05/13/a-nova-morte-do-autor-substituidoagora-pelo-cerebro-eletronico.htm. Adaptado)
Nos trechos – ... e alertam com sabedoria... (2° parágrafo) – e – ... a morte literal ainda me parece um terror mais palpável (3° parágrafo) –, as expressões em destaque apresentam respectivamente ideias de 
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Q3128951 Português
       Ouço falar de escritores atemorizados, assombrados com sua própria morte. Escritores que não temem o lento definhar do corpo, não temem o desfalecer da mente num sono fatal. O que temem é um fim menor, é a morte de sua função. Sofrem com a ameaça cada vez mais concreta de que máquinas passem a realizar seu trabalho, ponham-se a escrever romances, poemas, crônicas, ensaios filosóficos. Sentem atordoados seus pobres cérebros ante a grandiosidade do cérebro eletrônico, sentem obsoletos seus caóticos neurônios em face de algoritmos bem mais ordeiros, mais eficazes.

       Esse receio já longevo e tratado em ficções demais ganhou contornos quase dramáticos nos últimos meses, desde a aparição de programas que criam textos inéditos de qualidade razoável, e da publicação dos primeiros romances de autoria eletrônica. O debate tem tomado mais de uma mesa de bar, mais de um fórum virtual, confrontando não exatamente máquinas e humanos, mas sim céticos e apocalípticos, calmos e atormentados. Os primeiros se riem da promessa descumprida, riem das precariedades da máquina, de sua absoluta inaptidão para o humor e o lirismo. Os segundos mantêm os cenhos franzidos e alertam com sabedoria: não se enganem, a máquina acaba de surgir, e há de se livrar das fraquezas em velocidade impressionante.

       De minha parte, se me permitem, prefiro permanecer desassombrado — a morte literal ainda me parece um terror mais palpável. Não que eu seja um cético, não duvido da capacidade robótica de nos abismar, confio que em pouco tempo computadores comporão obras consideráveis, e em muito tempo podem chegar a portentos literários. Mas desconfio é dos humanos: da nossa disposição de apreciar um romance bom carente de um autor, desprovido de uma figura anterior feita de carne e de sonho. Desconfio que não queiramos livros escritos sem suor e intenção, redigidos por seres insensíveis às desrazões da arte, por seres indiferentes à história humana, seu prazer, sua dor.


(Julián Fuks. Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/
julian-fuks/2023/05/13/a-nova-morte-do-autor-substituidoagora-pelo-cerebro-eletronico.htm. Adaptado)
Na opinião do autor, os leitores
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Q3128950 Português
       Ouço falar de escritores atemorizados, assombrados com sua própria morte. Escritores que não temem o lento definhar do corpo, não temem o desfalecer da mente num sono fatal. O que temem é um fim menor, é a morte de sua função. Sofrem com a ameaça cada vez mais concreta de que máquinas passem a realizar seu trabalho, ponham-se a escrever romances, poemas, crônicas, ensaios filosóficos. Sentem atordoados seus pobres cérebros ante a grandiosidade do cérebro eletrônico, sentem obsoletos seus caóticos neurônios em face de algoritmos bem mais ordeiros, mais eficazes.

       Esse receio já longevo e tratado em ficções demais ganhou contornos quase dramáticos nos últimos meses, desde a aparição de programas que criam textos inéditos de qualidade razoável, e da publicação dos primeiros romances de autoria eletrônica. O debate tem tomado mais de uma mesa de bar, mais de um fórum virtual, confrontando não exatamente máquinas e humanos, mas sim céticos e apocalípticos, calmos e atormentados. Os primeiros se riem da promessa descumprida, riem das precariedades da máquina, de sua absoluta inaptidão para o humor e o lirismo. Os segundos mantêm os cenhos franzidos e alertam com sabedoria: não se enganem, a máquina acaba de surgir, e há de se livrar das fraquezas em velocidade impressionante.

       De minha parte, se me permitem, prefiro permanecer desassombrado — a morte literal ainda me parece um terror mais palpável. Não que eu seja um cético, não duvido da capacidade robótica de nos abismar, confio que em pouco tempo computadores comporão obras consideráveis, e em muito tempo podem chegar a portentos literários. Mas desconfio é dos humanos: da nossa disposição de apreciar um romance bom carente de um autor, desprovido de uma figura anterior feita de carne e de sonho. Desconfio que não queiramos livros escritos sem suor e intenção, redigidos por seres insensíveis às desrazões da arte, por seres indiferentes à história humana, seu prazer, sua dor.


(Julián Fuks. Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/
julian-fuks/2023/05/13/a-nova-morte-do-autor-substituidoagora-pelo-cerebro-eletronico.htm. Adaptado)
Segundo o texto, é correto afirmar que
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Q3128946 Português
          Ao contrário da maioria dos humanos, eu me conectaria à “máquina da felicidade”, descrita no célebre experimento mental de Robert Nozick. Para quem não conhece, o filósofo pede que imaginemos uma engenhoca capaz de gerar estímulos prazerosos tão perfeita que, se nos ligássemos a ela, viveríamos uma vida de júbilos, que não teríamos como distinguir da realidade, e pergunta se escolheríamos a máquina ou a realidade.

       Nozick criou seu experimento para refutar o hedonismo ético, isto é, a ideia de que o prazer é o fim que todos perseguimos. Se a maioria prefere a realidade à máquina, está provado que o prazer não é tudo que importa. Embora Nozick nunca tenha submetido seu experimento a testes, outros autores o fizeram, constatando maiorias a favor do real que ficam entre 70% e 85%.

     Por um bom tempo, a conclusão de Nozick foi considerada válida, mas filósofos começaram a questioná-la e a demonstrar que não é tanto que desejemos o real, mas sim que rejeitemos mudanças. Isso fica claro se modificarmos o experimento. Em vez de perguntar ao sujeito se ele quer ser ligado à máquina, nós o informamos de que passou a vida conectado a uma e o questionamos se deseja permanecer nessa condição ou passar a viver “na realidade”. Nesse caso, a proporção dos que preferem o real cai para 13%.

       Minha opção pessoal pela máquina é mais singela. Ainda que exista uma realidade objetiva ou mesmo transcendente, somos prisioneiros daquilo que estamos equipados para perceber como real. Nesse contexto, o experimento se torna só uma pergunta sobre ter mais ou menos prazer. E não vejo razão para ter menos, já que, para todos os efeitos, essa seria nossa realidade.


(Hélio Schwartsman. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/
helioschwartsman/2023/06/a-felicidade-num-clique.shtml)
Segundo o texto, filósofos procuraram provar que, em relação ao experimento mental proposto por Nozick, a maioria das pessoas
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Q3128945 Português
          Ao contrário da maioria dos humanos, eu me conectaria à “máquina da felicidade”, descrita no célebre experimento mental de Robert Nozick. Para quem não conhece, o filósofo pede que imaginemos uma engenhoca capaz de gerar estímulos prazerosos tão perfeita que, se nos ligássemos a ela, viveríamos uma vida de júbilos, que não teríamos como distinguir da realidade, e pergunta se escolheríamos a máquina ou a realidade.

       Nozick criou seu experimento para refutar o hedonismo ético, isto é, a ideia de que o prazer é o fim que todos perseguimos. Se a maioria prefere a realidade à máquina, está provado que o prazer não é tudo que importa. Embora Nozick nunca tenha submetido seu experimento a testes, outros autores o fizeram, constatando maiorias a favor do real que ficam entre 70% e 85%.

     Por um bom tempo, a conclusão de Nozick foi considerada válida, mas filósofos começaram a questioná-la e a demonstrar que não é tanto que desejemos o real, mas sim que rejeitemos mudanças. Isso fica claro se modificarmos o experimento. Em vez de perguntar ao sujeito se ele quer ser ligado à máquina, nós o informamos de que passou a vida conectado a uma e o questionamos se deseja permanecer nessa condição ou passar a viver “na realidade”. Nesse caso, a proporção dos que preferem o real cai para 13%.

       Minha opção pessoal pela máquina é mais singela. Ainda que exista uma realidade objetiva ou mesmo transcendente, somos prisioneiros daquilo que estamos equipados para perceber como real. Nesse contexto, o experimento se torna só uma pergunta sobre ter mais ou menos prazer. E não vejo razão para ter menos, já que, para todos os efeitos, essa seria nossa realidade.


(Hélio Schwartsman. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/
helioschwartsman/2023/06/a-felicidade-num-clique.shtml)
De acordo com o texto, Nozick
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Q3128920 Português
Tu, místico

Tu, místico, vês uma significação em todas as coisas.
Para ti tudo tem um sentido velado.
Há uma coisa oculta em cada coisa que vês.
O que vês, vê-lo sempre para veres outra coisa.

Para mim, graças a ter olhos só para ver,
Eu vejo ausência de significação em todas as coisas;
Vejo-o e amo-me, porque ser uma coisa é não
significar nada.
Ser uma coisa é não ser suscetível de interpretação.

(“Poemas Inconjuntos”. In Poemas de Alberto
Caeiro. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1946.)
A palavra místico no poema é usada para caracterizar uma forma de ver o mundo. Qual é o significado semântico da palavra nesse contexto?
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Q3128889 Português
Texto para responder à questão.

O padeiro

    Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento – mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante, me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é um lock-out, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que não obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo. Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:
   – Não é ninguém, é o padeiro!
   Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?
  “Então você não é ninguém?”
  Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém...
  Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para explicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação do jornal, quase sempre depois de uma passagem pela oficina – e muitas vezes já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno.
  Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou um artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; “não é ninguém, é o padeiro!”.
  E assobiava pelas escadas.

(BRAGA, Rubem. O padeiro. In: Para gostar de ler. São Paulo: Ática, 1989.)
No trecho “E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente.” (1º§), o uso da expressão “um homem modesto” para descrever o padeiro provoca o seguinte efeito de sentido:
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Q3128886 Português
Texto para responder à questão.

O padeiro

    Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento – mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante, me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é um lock-out, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que não obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo. Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:
   – Não é ninguém, é o padeiro!
   Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?
  “Então você não é ninguém?”
  Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém...
  Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para explicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação do jornal, quase sempre depois de uma passagem pela oficina – e muitas vezes já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno.
  Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou um artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; “não é ninguém, é o padeiro!”.
  E assobiava pelas escadas.

(BRAGA, Rubem. O padeiro. In: Para gostar de ler. São Paulo: Ática, 1989.)
A expressão “Não é ninguém, é o padeiro!” (2º§) reflete um uso popular característico de:
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Q3128884 Português
Texto para responder à questão.

O padeiro

    Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento – mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante, me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é um lock-out, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que não obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo. Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:
   – Não é ninguém, é o padeiro!
   Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?
  “Então você não é ninguém?”
  Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém...
  Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para explicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação do jornal, quase sempre depois de uma passagem pela oficina – e muitas vezes já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno.
  Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou um artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; “não é ninguém, é o padeiro!”.
  E assobiava pelas escadas.

(BRAGA, Rubem. O padeiro. In: Para gostar de ler. São Paulo: Ática, 1989.)
Ao mencionar a “greve do pão dormido” (1º§), o narrador:
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Q3128883 Português
Texto para responder à questão.

O padeiro

    Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento – mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante, me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é um lock-out, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que não obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo. Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:
   – Não é ninguém, é o padeiro!
   Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?
  “Então você não é ninguém?”
  Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém...
  Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para explicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação do jornal, quase sempre depois de uma passagem pela oficina – e muitas vezes já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno.
  Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou um artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; “não é ninguém, é o padeiro!”.
  E assobiava pelas escadas.

(BRAGA, Rubem. O padeiro. In: Para gostar de ler. São Paulo: Ática, 1989.)
A expressão “Não é ninguém, é o padeiro!” (2º§) reflete:
Alternativas
Q3128882 Português
Texto para responder à questão.

O padeiro

    Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento – mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante, me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é um lock-out, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que não obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo. Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:
   – Não é ninguém, é o padeiro!
   Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?
  “Então você não é ninguém?”
  Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém...
  Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para explicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação do jornal, quase sempre depois de uma passagem pela oficina – e muitas vezes já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno.
  Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou um artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; “não é ninguém, é o padeiro!”.
  E assobiava pelas escadas.

(BRAGA, Rubem. O padeiro. In: Para gostar de ler. São Paulo: Ática, 1989.)
Qual é o tom predominante do texto?
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Q3128881 Português
Texto para responder à questão.

O padeiro

    Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento – mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante, me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é um lock-out, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que não obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo. Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:
   – Não é ninguém, é o padeiro!
   Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?
  “Então você não é ninguém?”
  Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém...
  Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para explicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação do jornal, quase sempre depois de uma passagem pela oficina – e muitas vezes já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno.
  Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou um artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; “não é ninguém, é o padeiro!”.
  E assobiava pelas escadas.

(BRAGA, Rubem. O padeiro. In: Para gostar de ler. São Paulo: Ática, 1989.)
Por que o narrador compara seu trabalho ao do padeiro?
Alternativas
Q3128880 Português
Texto para responder à questão.

O padeiro

    Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento – mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante, me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é um lock-out, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que não obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo. Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:
   – Não é ninguém, é o padeiro!
   Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?
  “Então você não é ninguém?”
  Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém...
  Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para explicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação do jornal, quase sempre depois de uma passagem pela oficina – e muitas vezes já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno.
  Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou um artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; “não é ninguém, é o padeiro!”.
  E assobiava pelas escadas.

(BRAGA, Rubem. O padeiro. In: Para gostar de ler. São Paulo: Ática, 1989.)
Qual o principal tema abordado no texto “O padeiro”?
Alternativas
Q3128873 Português
Texto para responder à questão.

Lágrimas e testosterona

    Ele vivia furioso com a mulher. Por, achava ele, boas razões. Ela era relaxada com a casa, deixava faltar comida na geladeira, não cuidava bem das crianças, gastava demais. Cada vez, porém, que queria repreendê-la por uma dessas coisas, ela começava a chorar. E aí, pronto: ele simplesmente perdia o ânimo, derretia. Acabava desistindo da briga, o que o deixava furioso: afinal, se ele não chamasse a mulher à razão, quem o faria? Mais que isso, não entendia o seu próprio comportamento. Considerava-se um cara durão, detestava gente chorona.
    Por que o pranto da mulher o comovia tanto? E comovia-o à distância, inclusive. Muitas vezes ela se trancava no quarto para chorar sozinha, longe dele. E mesmo assim ele se comovia de uma maneira absurda.
   Foi então que leu sobre a relação entre lágrimas de mulher e a testosterona, o hormônio masculino. Foi uma verdadeira revelação. Finalmente tinha uma explicação lógica, científica, sobre o que estava acontecendo. As lágrimas diminuíam a testosterona em seu organismo, privando-o da natural agressividade do sexo masculino, transformando-o num cordeirinho. Uma ideia lhe ocorreu: e se tomasse injeções de testosterona? Era o que o seu irmão mais velho fazia, mas por carência do hormônio.
    Com ele conseguiu duas ampolas do hormônio. Seu plano era muito simples: fazer a injeção, esperar alguns dias para que o nível da substância aumentasse em seu organismo e então chamar a esposa à razão.
   Decidido, foi à farmácia e pediu ao encarregado que lhe aplicasse a testosterona, mentindo que depois traria a receita. Enquanto isso era feito, ele, de repente, caiu no choro, um choro tão convulso que o homem se assustou: alguma coisa estava acontecendo?
   É que eu tenho medo de injeção, ele disse, entre soluços. Pediu desculpas e saiu precipitadamente. Estava voltando para casa. Para a esposa e suas lágrimas.

(SCLIAR, Moacyr. Folha de S. Paulo, São Paulo. Em fevereiro de 2011. Cotidiano, C2. Fragmento.)
A partir das características textuais identificadas em “Lágrimas e testosterona”, pode-se afirmar que:
Alternativas
Q3128872 Português
Texto para responder à questão.

Lágrimas e testosterona

    Ele vivia furioso com a mulher. Por, achava ele, boas razões. Ela era relaxada com a casa, deixava faltar comida na geladeira, não cuidava bem das crianças, gastava demais. Cada vez, porém, que queria repreendê-la por uma dessas coisas, ela começava a chorar. E aí, pronto: ele simplesmente perdia o ânimo, derretia. Acabava desistindo da briga, o que o deixava furioso: afinal, se ele não chamasse a mulher à razão, quem o faria? Mais que isso, não entendia o seu próprio comportamento. Considerava-se um cara durão, detestava gente chorona.
    Por que o pranto da mulher o comovia tanto? E comovia-o à distância, inclusive. Muitas vezes ela se trancava no quarto para chorar sozinha, longe dele. E mesmo assim ele se comovia de uma maneira absurda.
   Foi então que leu sobre a relação entre lágrimas de mulher e a testosterona, o hormônio masculino. Foi uma verdadeira revelação. Finalmente tinha uma explicação lógica, científica, sobre o que estava acontecendo. As lágrimas diminuíam a testosterona em seu organismo, privando-o da natural agressividade do sexo masculino, transformando-o num cordeirinho. Uma ideia lhe ocorreu: e se tomasse injeções de testosterona? Era o que o seu irmão mais velho fazia, mas por carência do hormônio.
    Com ele conseguiu duas ampolas do hormônio. Seu plano era muito simples: fazer a injeção, esperar alguns dias para que o nível da substância aumentasse em seu organismo e então chamar a esposa à razão.
   Decidido, foi à farmácia e pediu ao encarregado que lhe aplicasse a testosterona, mentindo que depois traria a receita. Enquanto isso era feito, ele, de repente, caiu no choro, um choro tão convulso que o homem se assustou: alguma coisa estava acontecendo?
   É que eu tenho medo de injeção, ele disse, entre soluços. Pediu desculpas e saiu precipitadamente. Estava voltando para casa. Para a esposa e suas lágrimas.

(SCLIAR, Moacyr. Folha de S. Paulo, São Paulo. Em fevereiro de 2011. Cotidiano, C2. Fragmento.)
Considerando os elementos que constituem o texto apresentado, identifique, a seguir, o trecho que apresenta escolha equivalente quanto ao foco narrativo visto no texto em análise.
Alternativas
Q3128868 Português
Texto para responder à questão.

Infância hiperconectada cria “geração ansiosa”, diz o livro mais discutido do ano

    O psicólogo americano Jonathan Haidt, de 60 anos, acredita que a consciência humana está mudando – e para pior.
    Crianças e adolescentes, em particular, são hoje mais deprimidos e propensos à automutilação e ao suicídio do que eram na primeira década do século.
    A causa dessa transformação, diz Haidt, é o smartphone. Para a garotada, o celular equipado com apps de redes sociais teria se tornado um portal de bolso para a ansiedade e a depressão.       Haidt expõe essa tese em “A geração ansiosa – Como a infância hiperconectada está causando uma epidemia de transtornos mentais” (tradução de Lígia Azevedo; Companhia das Letras; 440 páginas), um dos livros mais discutidos do ano. Com lançamento no Brasil previsto para 16 de julho, a obra já está em pré-venda.
    “Existe um longo histórico de pesquisas acadêmicas interessantes sobre como ferramentas mudam nossa consciência”, Haidt disse à revista The New Yorker. Ele mesmo deu seguimento a essa tradição, ao atribuir às telinhas o súbito aumento da incidência de distúrbios mentais que, a partir de 2012, se verificou entre adolescentes americanos (sobretudo garotas).
   Essa epidemia também afetou Reino Unido, Canadá, Nova Zelândia, Austrália e países escandinavos, entre outras nações. Trata-se de um fato bem documentado.
   Apenas suas causas ainda são debatidas. Há quem as busque não nas inovações tecnológicas, mas em fatores sociais ou econômicos – por exemplo, na crise econômica dos subprimes, que, no entanto, eclodiu quatro anos antes, em 2008.
    Haidt argumenta que foi a dupla revolução do smartphone e das redes sociais que abriu essa crise na infância e na juventude. Essa hipótese é rigorosamente amparada em pesquisas e dados.
   O mal-estar da juventude apareceu no livro anterior de Haidt, The coddling of the American mind (2018), escrito em parceria com o advogado e ativista da liberdade acadêmica Greg Lukianoff. O tema ali era mais político – a crescente limitação à liberdade de pensamento nas universidades americanas –, mas Haidt já apontava para a fragilidade psicológica da geração que então ocupava os bancos universitários como um fator determinante para a ascensão do que mais tarde se chamaria de “cultura do cancelamento”.
    A “geração ansiosa” não se limita à análise do problema. O autor apresenta soluções simples para tirar as crianças da telinha, encorajando-as a voltar à rua para brincar com amigos. Também defende que os celulares sejam banidos da sala de aula e que o acesso às redes sociais seja legalmente limitado a maiores de 13 anos.
   Haidt não é um ludita pregando a demolição dos teares do Vale do Silício. Seu livro pretende apenas alertar legisladores, professores e sobretudo pais dos perigos a que crianças e adolescentes estão expostos quando têm acesso ilimitado a celulares e tablets.

(Disponível em: < https://braziljournal.com/. Acesso em: novembro de 2024. Adaptado.)
A partir do título atribuído ao texto, pode-se afirmar que:
Alternativas
Respostas
3201: C
3202: C
3203: D
3204: B
3205: E
3206: B
3207: C
3208: A
3209: E
3210: C
3211: A
3212: A
3213: C
3214: D
3215: C
3216: C
3217: A
3218: B
3219: B
3220: A