Questões de Concurso
Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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Leia o Texto para responder a questão.
Texto
“Carlos Nuzman é fantástico”
(Juca Kfouri)
Carlos Nuzman jamais imaginou aparecer, como acaba de acontecer, durante tanto tempo, no “Fantástico”. Além de ver e ouvir todas as acusações que pesam contra ele como intermediário de compra de votos para a escolha do Rio como sede da Olimpíada de 2016, teve a honra do destaque de uma frase sua na abertura dos jogos “Aqui é o melhor lugar do mundo”. Era mesmo. Para quem imaginava impunidade eterna. Ricardo Teixeira também disse a mesma coisa em entrevista recente à “Folha de S. Paulo”. Parece que está deixando de ser. E eles precisam aproveitar o tempo que lhes resta por aqui mesmo, porque não podem mais sair do “melhor lugar do mundo”. Nuzman ainda teve o direito de aparecer na mesma reportagem com referências aos malfeitos de José Maria Marin e Marco Polo Del Nero. Minutos intermináveis, imagens expostas, visita forçada à Polícia Federal. Jesus! Difícil, agora, tamanha popularidade, ir ao restaurante preferido, ao cinema, teatro, a um simples jogo de vôlei. Maracanã? Nem pensar! Pobres cartolas milionários do esporte brasileiro. A mão que afagava é a mesma que apedreja.
Disponível em: <http://blogdojuca.uol.com.br/2017/09/carlos-nuzman-e-fantastico/>
Leia o Texto para responder a questão.
Texto
“Carlos Nuzman é fantástico”
(Juca Kfouri)
Carlos Nuzman jamais imaginou aparecer, como acaba de acontecer, durante tanto tempo, no “Fantástico”. Além de ver e ouvir todas as acusações que pesam contra ele como intermediário de compra de votos para a escolha do Rio como sede da Olimpíada de 2016, teve a honra do destaque de uma frase sua na abertura dos jogos “Aqui é o melhor lugar do mundo”. Era mesmo. Para quem imaginava impunidade eterna. Ricardo Teixeira também disse a mesma coisa em entrevista recente à “Folha de S. Paulo”. Parece que está deixando de ser. E eles precisam aproveitar o tempo que lhes resta por aqui mesmo, porque não podem mais sair do “melhor lugar do mundo”. Nuzman ainda teve o direito de aparecer na mesma reportagem com referências aos malfeitos de José Maria Marin e Marco Polo Del Nero. Minutos intermináveis, imagens expostas, visita forçada à Polícia Federal. Jesus! Difícil, agora, tamanha popularidade, ir ao restaurante preferido, ao cinema, teatro, a um simples jogo de vôlei. Maracanã? Nem pensar! Pobres cartolas milionários do esporte brasileiro. A mão que afagava é a mesma que apedreja.
Disponível em: <http://blogdojuca.uol.com.br/2017/09/carlos-nuzman-e-fantastico/>
Texto
Disponível em: <http://atividadesdeportugueseliteratura.blogspot.com.br/2016/08/tirinha-hagar-em-questoes-de-vestibular.html>. Acesso em: 9 set. 2017
O Médico de Hagar usou de um eufemismo para recomendar-lhe dieta de emagrecimento. Hagar, ao reportar a recomendação médica a sua esposa
Sobre o o título “Mitologia: as dietas” e sua relação com o texto, é correto afirmar que
Hannah Arendt, preocupada com a situação da arte numa sociedade dominada pela cultura de massas, explica que, embora cultura e arte estejam inter-relacionadas, são coisas diversas. A palavra “cultura”, desde sua origem romana, implica criação e preservação da natureza e das obras humanas. As obras de arte são, para ela, a expressão mais alta da cultura, “aqueles objetos que toda a civilização deixa atrás de si como quintessência e o testemunho duradouro do espírito que a animou”. A cultura implica “uma atitude de carinhoso cuidado”, e
uma sociedade de consumo não pode absolutamente saber como cuidar de um mundo e das coisas que pertencem de modo exclusivo ao espaço das aparências mundanas, visto que sua atitude central ante todos os objetos, a atitude de consumo, condena à ruina tudo o que toca.
Diz a pensadora, referindo-se à sociedade de massas do século XX: “A sociedade de massas [...] não precisa de cultura, mas de diversão, e os produtos oferecidos pela indústria de diversões são com efeito consumidos pela sociedade exatamente como quaisquer outros bens de consumo”. Os produtos dessa indústria de diversões são perecíveis, portanto precisam ser renovados.
Nessa situação premente, os que produzem para os meios de comunicação de massa esgaravatam toda a gama da cultura passada e presente na ânsia de encontrar material aproveitável. Esse material, além do mais, não pode ser oferecido tal qual é; [...] deve ser preparado para consumo fácil.
Essas considerações de Arendt têm-se mostrado absolutamente justas, com o passar das décadas e os avanços das tecnologias de comunicação. A literatura, como forma de arte, tem sofrido os efeitos da nova situação. O sonho dos escritores modernistas era que a massa comesse o “biscoito fino” por eles fabricado. Infelizmente, a massa tem preferido os cookies industrializados.
Para que a literatura chegue ao grande público, promovem-se eventos literários (salões do livro, festas de premiação), nos quais autores e obras são apresentados como espetáculo. Os objetos desses eventos são, sem dúvida, legítimos e justificados. Entretanto, o público numeroso que frequenta esses eventos parece incluir menos leitores de livros do que meros espectadores e caçadores de autógrafos.
Os escritores de hoje têm uma visibilidade pessoal maior do que em épocas anteriores porque são incluídos na categoria de “celebridades”, e os mais “midiáticos” têm mais chance de vender livros, independentemente do valor de suas obras. Ao mesmo tempo, nos debates teóricos, assistimos à defesa da “literatura de entretenimento”, contra as exigências daqueles que ainda têm uma concepção mais alta da literatura. Estes são chamados de conservadores e elitistas. Ora, a conservação é uma atitude inerente aos conceitos de cultura, arte e de educação. Conservação não como imobilismo e fechamento ao novo, mas como conhecimento da tradição sem a qual não se pode avançar.
Obs.: Hannah Arendt (1906-1975), filósofa alemã, é uma das raras vozes femininas de destaque na filosofia do século XX.
(Adaptado de: PERRONE-MOISÉS, Leyla. A literatura na cultura contemporânea. Mutações da literatura no século XXI, São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 31 a 33)
Consideradas as ideias desenvolvidas no texto, a frase que, se apresentada como argumento em defesa da concepção mais alta da literatura, seria contraditória é:
Em relação à frase: ‘Aprender a polir as ferramentas obtendo objetos mais afiados permitiu o aprimoramento de diversas técnicas agrícolas de maneira que se iniciou o primeiro ciclo de sedentarismo’, retirada do texto, afirma-se que:
I. Através do vocábulo primeiro, é possível inferir que houve outros.
II. O uso do advérbio mais permite dizer que já havia objetos não tão afiados.
III. O adjetivo diversas informa ao leitor que somente existiam técnicas que não eram agrícolas.
Quais estão INCORRETAS?
Alguém duvida que a internet tenha mudado a vida das pessoas? Não, ninguém pode duvidar disso. A internet não é apenas um meio de comunicação ou de informação; é um jeito de viver, um novo jeito de viver, e a história do mundo vai se dividir em duas fases: AI (antes da Internet) e DI (depois da Internet).
E ai do AI! A internet subverteu totalmente a milenar ideia de que os mais velhos detêm o conhecimento. Agora, são eles que têm de aprender com os jovens, e não o contrário. Um aprendizado que, aliás, funciona: num projeto conduzido nos Estados Unidos, adolescentes, orientados por professores de informática, prontificaram-se a dar aulas sobre computador e internet para pessoas de idade. Ficaram, os veteranos, melindrados com a situação? Nada disso. Antes do treinamento, só 5% sentiam-se à vontade com internet. Depois do treinamento, essa porcentagem subiu para 80%. O vovô pode, sim, aprender com os netos. Vale para computador, vale para celular, vale até para controle remoto.
Mas há um lugar em que a internet está causando problemas: a sala de aula.
No passado, era muito comum os professores pedirem aos alunos que preparassem, em casa, trabalhos sobre temas diversos. As pesquisas para isso eram feitas em bibliotecas ou em enciclopédias. No mínimo, os jovens tinham de copiar os textos. Agora eles simplesmente podem baixá-los da internet. E podem contar também com o auxílio de empresas especializadas, que elaboram até teses de mestrado e de doutorado. A frequência com que isso está acontecendo é muito grande; nos Estados Unidos, 50% dos alunos admitem que já recorreram a esse tipo de fraude. Por causa disso, surgiu uma nova especialidade, a detecção de fraudes, um método que conta até com um programa de computador, o Turnitin, capaz de identificar a cópia.
Pergunta: será que isso vale a pena? Transformar os professores em êmulos da Polícia Federal será a solução do problema? Ou seria melhor pensar sobre as causas desse fenômeno?
Em primeiro lugar, precisamos nos dar conta de que, como foi dito, copiar os alunos sempre copiaram, só que antes faziam isto à mão. Alguém alegará que dessa forma aprendiam alguma coisa, mas trata-se de uma afirmação questionável: copiar pode ser simplesmente uma coisa mecânica. O melhor é perguntar: qual deve, afinal, ser a característica de um trabalho de aluno? A mim a resposta parece óbvia. O trabalho do aluno, como o trabalho de qualquer pessoa – como este texto que vocês estão lendo –, deve refletir seu pensamento e suas emoções. Ou seja: o trabalho deve ser eminentemente pessoal. Deixem-me dar um exemplo tirado do ensino de medicina. Podemos pedir a um aluno que escreva sobre as relações médico-paciente, e aí, sem dúvida, ele encontrará na internet montes de textos copiáveis. Ou podemos pedir que descreva um episódio de sua própria vida: uma doença que teve e o papel que o médico desempenhou então, com sua avaliação a respeito. Aí não tem como colar. Só a autenticidade resolve. E essa autenticidade será extremamente educativa para o aluno.
Ou seja: a internet nos ensina coisas, sim. Até quando temos de pensar a respeito das armadilhas da internet e de como evitá-las.
(SCLIAR, Moacyr. Do jeito que nós vivemos – Belo Horizonte: Editora Leitura, 2007.)
De acordo com o texto
Enquanto te enterravam no cemitério judeu do Caju (e o clarão de teu olhar soterrado resistindo ainda) O taxi corria comigo à borda da Lagoa na direção de Botafogo As pedras e as nuvens e as árvores no vento mostravam alegremente Que não dependem de nós
Das afirmações seguintes:
I- O eu lírico do poema dirige-se a uma pessoa, representada pelos pronomes TE, TEU e NÓS. II- No primeiro verso, a função sintática desempenhada pelo pronome TE é de objeto indireto. III- A palavra ALEGREMENTE se classifica sintaticamente como adjunto adverbial de modo.
A correlação dos gestos com os centros cerebrais, ativando-lhes a capacidade criadora, e não esses àqueles, possui, presentemente, alto número de defensores. (3º parágrafo)
Os pronomes sublinhados referem-se, respectivamente, a:
Há algumas dicotomias que parecem ter a força de atravessar o tempo e se imporem a nós com uma evidência inaudita. Em
filosofia, conhecemos várias delas, assim como conhecemos suas maneiras de orientar o pensamento e as ações.
Tais dicotomias podem operar não apenas como um horizonte normativo pressuposto, mas também como base para a
consolidação de certas modalidades de pensamento crítico. No entanto, há momentos em que percebemos a necessidade de
questionar as próprias estratégias críticas e suas dicotomias. Pois, ao menos para alguns, elas parecem nos paralisar em vez de nos
permitir avançar em direção às transformações que desejamos.
Um exemplo de dicotomia que tem força evidente no pensamento crítico atual é aquela, herdada de Spinoza, entre paixões
tristes e paixões alegres. Paixões tristes diminuem nossa potência de agir, paixões alegres aumentam nossa potência de agir e nossa
força para existir. A liberdade estaria ligada à força afirmativa das paixões alegres, assim como a servidão seria a perpetuação do
caráter reativo das paixões tristes. Haveria pois aquilo que nos afeta de forma tal que permitiria a nossos corpos desenvolver ou não
uma potência de agir e existir que é o exercício mesmo da vida em sua atividade soberana.
Sem querer aqui fazer o exercício infame e sem sentido de discutir a teoria spinozista dos afetos e sua bela complexidade em
uma coluna de jornal, gostaria apenas de sublinhar inicialmente a importância desse entendimento de que a capacidade crítica está
ligada diretamente a uma compreensão dos afetos e de seus circuitos. Nada de nossas estratégias contemporâneas de crítica seria
possível sem esse passo essencial de Spinoza, recuperado depois por vários outros filósofos que o seguiram.
No entanto, valeria a pena nos perguntarmos o que aconteceria se insistíssemos que talvez não existam paixões tristes e
paixões alegres, que talvez essa dicotomia possa e deva ser abandonada (independentemente do que pensemos ou não de Spinoza).
É claro que isso inicialmente soa como um exercício ocioso de pensamento. Afinal, a existência da tristeza e da alegria nos
parece imediatamente evidente, nós podemos sentir tal diferença e nos esforçamos (ou ao menos deveríamos nos esforçar, se não
nos deixássemos vencer pelo ressentimento e pela resignação) para nos afastarmos da primeira e nos aproximarmos da segunda.
Mas o que aconteceria se habitássemos um mundo no qual não faz mais sentido distinguir entre paixões tristes e alegres? Um
mundo no qual existem apenas paixões, com a capacidade de às vezes nos fazerem tristes, às vezes alegres. Ou seja, um mundo no
qual as paixões têm uma dinâmica que inclui necessariamente o movimento da alegria à tristeza.
Pois, se esse for o caso, então talvez sejamos obrigados a concluir que não é possível para nós nos afastarmos do que
tenderíamos a chamar de "paixões tristes", pois não há paixão que, em vários momentos, não nos entristeça. Não há afetos que não
nos contraiam, não há vida que não se deixe paralisar, que não precise se paralisar por certo tempo, que não se vista com sua própria
impotência a fim de recompor sua velocidade. Mais, ainda. Não há vida que não se sirva da doença para se desconstituir e
reconstruir.
(SAFATLE, Wladimir. Folha de S.Paulo, 23/06/2017)
Sobre o que vem mencionado na alternativa, considerado em seu contexto, é correto o seguinte comentário:
Velocidade das mudanças dificulta o registro de importantes passagens da história atual O ano está terminando. Já? Mais um. Mudou a noção de tempo. A novidade não é a mudança do mundo, mas a velocidade das mudanças. Nunca se mudou tão velozmente. Vinte anos atrás, choque de gerações era choque entre pais e filhos. Calculava- se, inclusive, que geração era um tempo de 25 anos. Aos 25 anos, supostamente, você teria outro descendente, e aí viria outra geração. Hoje, choque de gerações é imediato. Meu filho de 24 anos é considerado ultrapassado pela minha filha de 22 anos. Por sua vez, o de 18 anos, o mais novo, considera os dois mais velhos ultrapassados. Eles não cortam o cabelo do mesmo jeito, não ouvem o mesmo tipo de música, e não usam o mesmo tipo de roupa, com uma diferença de apenas dois anos. Imagine eu perto deles. Meus filhos referem-se ao tempo em que eu tinha 20 anos - para mim, foi agora - sempre usando a palavra “antigamente”. Quando eu era criança e falava antigamente, eu estava me referindo a gregos e romanos. Eles falam antigamente referindo-se a 1974: “Pai, é verdade que antigamente não tinha controle remoto?". Eu falo que é verdade. A gente tinha de levantar, mudar o canal, sentar, voltar outra vez. Se eu contar para eles que tinha seletor, que fazia barulho clac, clac, clac. Você já viu um desses? Em 1980 - isso foi agora, vários já davam aulas, vários já eram pais e mães - as TVs tinham válvula e se você quisesse assistir a um programa, tinha de ligar a TV bem antes, para ela ficar quentinha, que nem um forno a lenha. As coisas têm mudado muito velozmente, a tal ponto que a memória fica fugaz. O que marcou a vida de nossos avós ou pais? Que fatos da história eles viveram? [...] Em um domingo de março você estava assistindo TV e veio a notícia de que os Mamonas Assassinas tinham morrido. Quando? Em agosto, fez quatro anos que Lady Di morreu. Já? Neste ano, dois senadores brasileiros renunciaram. E, pouco depois, um terceiro também o fez. Que mês foi: março, abril, maio, junho? Já, já, não se lembra mais. Eu não estou falando de coisas do século XIX, estou falando de coisas de cinco anos para cá, todas elas. A gente acaba perdendo a memória e isso é muito ruim. O mundo vai além do ano letivo.
CORTELLA, Mário Sérgio. Além do ano letivo. Revista Educação n . 2 4 8 . d e z , 2 0 0 1 . D i s p o n í v e l e m : http://www2.uol.com.br/aprendiz/n_revistas/revista_educacao.
Em “As coisas têm mudado muito velozmente, a tal ponto QUE A MEMÓRIA FICA FUGAZ." a construção destacada exemplifica uma oração com ideia:
DISPARADA
Geraldo Vandré e Theo
Prepare seu coração P’ras coisas que eu vou contar. Eu venho lá do sertão E posso não lhe agradar.
Aprendi a dizer não, Ver a morte sem chorar, E a morte, o destino, tudo, A morte, o destino, tudo Estava fora do lugar, Eu vivo p’ra consertar.
Na boiada já fui boi Mas um dia me montei. Não por um motivo meu Ou de quem comigo houvesse Que qualquer querer tivesse, Porém por necessidade Do dono de uma boiada Cujo vaqueiro morreu.
Boiadeiro muito tempo, Laço firme, braço forte, Muito gado, muita gente Pela vida segurei, Seguia como num sonho E boiadeiro, era um rei.
Mas o mundo foi rodando Nas patas do meu cavalo E no sonho que fui sonhando As visões se clareando As visões se clareando, Até que um dia acordei.
Então não pude seguir Valente lugar-tenente De dono de gado e gente, Porque gado a gente marca, Tange, ferra, engorda e mata, Mas com gente é diferente.
Se você não concordar, Não posso me desculpar, Não canto para enganar, Vou pegar minha viola, Vou deixar você de lado, Vou cantar noutro lugar.
Na boiada já fui boi, Boiadeiro já fui rei, Não por mim nem por ninguém Que junto comigo houvesse, Que quisesse ou que pudesse, Por qualquer coisa de seu, Querer mais longe que eu.
Mas o mundo foi rodando Nas patas do meu cavalo, E já que um dia montei, Agora sou cavaleiro, Laço firme, braço forte, De um reino que não tem rei. Observe: “E boiadeiro era um rei.” Isso representa uma posição:
DISPARADA
Geraldo Vandré e Theo
Prepare seu coração P’ras coisas que eu vou contar. Eu venho lá do sertão E posso não lhe agradar.
Aprendi a dizer não, Ver a morte sem chorar, E a morte, o destino, tudo, A morte, o destino, tudo Estava fora do lugar, Eu vivo p’ra consertar.
Na boiada já fui boi Mas um dia me montei. Não por um motivo meu Ou de quem comigo houvesse Que qualquer querer tivesse, Porém por necessidade Do dono de uma boiada Cujo vaqueiro morreu.
Boiadeiro muito tempo, Laço firme, braço forte, Muito gado, muita gente Pela vida segurei, Seguia como num sonho E boiadeiro, era um rei.
Mas o mundo foi rodando Nas patas do meu cavalo E no sonho que fui sonhando As visões se clareando As visões se clareando, Até que um dia acordei.
Então não pude seguir Valente lugar-tenente De dono de gado e gente, Porque gado a gente marca, Tange, ferra, engorda e mata, Mas com gente é diferente.
Se você não concordar, Não posso me desculpar, Não canto para enganar, Vou pegar minha viola, Vou deixar você de lado, Vou cantar noutro lugar.
Na boiada já fui boi, Boiadeiro já fui rei, Não por mim nem por ninguém Que junto comigo houvesse, Que quisesse ou que pudesse, Por qualquer coisa de seu, Querer mais longe que eu.
Mas o mundo foi rodando Nas patas do meu cavalo, E já que um dia montei, Agora sou cavaleiro, Laço firme, braço forte, De um reino que não tem rei. Observe: “Na boiada já fui boi.” Isso representa:
Da janela do trem o homem avista a velha cidadezinha que o viu nascer. Seus olhos se enchem de lágrimas. Trinta anos. Desce na estação – a mesma do seu tempo, não mudou nada – e respira fundo. Até o cheiro é o mesmo! Cheiro de mato e poeira. Só não tem mais cheiro de carvão, porque o trem agora é elétrico. E o chefe da estação, será possível? Ainda é o mesmo. Fora a careca, os bigodes brancos, as rugas e o corpo encurvado pela idade, não mudou nada. O homem não precisa perguntar como se chega ao centro da cidade. Vai a pé, guiando-se por suas lembranças. O centro continua como era. A praça. A igreja. A prefeitura. Até o vendedor de bilhetes na frente do Clube Comercial parece o mesmo. — Você não tinha um cachorro? — O Cusca? Morreu, ih, faz vinte anos. O homem sabe que subindo a Rua Quinze vai dar num cinema. O Elite. Sobe a Rua Quinze. O cinema ainda existe. Mas mudou de nome. Agora é o Rex. Do lado tem uma confeitaria. Ah, os doces da infância... Ele entra na confeitaria. Tudo igual. Fora o balcão de fórmica, tudo igual. Ou muito se engana ou o dono ainda é o mesmo. — Seu Adolfo, certo? — Lupércio. — Errei por pouco. Estou procurando a casa onde nasci. Sei que ficava ao lado de uma farmácia. — Qual delas, a Progresso, a Tem Tudo ou a Moderna? — Qual é a mais antiga? — A Moderna. — Então é essa. — Fica na Rua Voluntários da Pátria. Claro. A velha Voluntários. Sua casa está lá intacta. Ele sente vontade de chorar. A cor era outra. Tinham mudado a porta e provavelmente emparedado uma das janelas. Mas não havia dúvida, era a casa da sua infância. Bateu na porta. A mulher que abriu lhe parecia vagamente familiar. Seria... — Titia? — Puluca! — Bem, meu nome é... — Todos chamavam você de Puluca. Entre. Ela lhe serviu licor. Perguntou por parentes que ele não conhecia. Ele perguntou por parentes de que ela não se lembrava. Conversaram até escurecer. Então ele se levantou e disse que precisava ir embora. Não podia, infelizmente, demorar se em Riachinho. Só viera matar a saudade. A tia parecia intrigada. — Riachinho, Puluca? — É, por quê? — Você vai para Riachinho? Ele não entendeu. — Eu estou em Riachinho. — Não, não. Riachinho é a próxima parada do trem. Você está em Coronel Assis. — Então eu desci na estação errada! Durante alguns minutos os dois ficaram se olhando em silêncio. Finalmente a velha pergunta: — Como é mesmo o seu nome?
Mas ele estava na rua, atordoado. E agora? Não sabia como voltar para a estação, naquela cidade estranha. (Luís Fernando Veríssimo. A mulher do Silva. Porto Alegre. L&PM).
Considere o trecho abaixo:
— Qual é a mais antiga? — A Moderna.
A relação de sentido que há entre as palavras em destaque é a mesma que há entre
A respeito da recusa de metodologias que obedecem a uma única abordagem, assinale a alternativa que apresenta uma opinião da autora.
Uma estratégia aproxima os países que deixaram a rabeira da educação para estrelar no topo dos rankings de ensino: todos formularam um plano de longo prazo para avançar, com metas claras e realistas, e se aferraram a elas com louvável disciplina, sem cair na tentação de recomeçar do zero ao sabor da política. Nesse sentido, a existência do Plano Nacional de Educação (PNE) é uma iniciativa a celebrar no Brasil. Veio com atraso, mas veio. A fragilidade está justamente naquilo que outros fizeram tão bem – ele se desgarra da realidade. Valendo desde junho de 2014, o PNE projeta um país que, dali a dez anos, sairia do pelotão de trás para alcançar a excelência empurrado por um caminhão de dinheiro. Nesse enredo, de fantasia e puro luxo, o Brasil se tornaria a nação que mais investe em educação. [...] Em resumo, o plano nasceu inexequível – e já há sinais claros disso. Se o PNE fosse levado a sério, em 2014 suas metas consumiriam 16,8% do PIB, o triplo do que efetivamente foi gasto. Essa bolada toda sai em porções diferentes dos cofres da União, de estados e municípios. De acordo com a lei em vigor, cada prefeitura é obrigada a despejar na educação 25% do que arrecada, uma dureza em tempos de caixa curto. Pois, caso o script do PNE tivesse deixado o papel no ritmo previsto, nesse mesmo 2014 os municípios deveriam ter separado 60% de todo o bolo arrecadado para a educação, conforme o IDados.
O carnaval de incongruências financeiras impõe uma questão anterior: o Brasil precisa mesmo destinar tanta verba para o ensino? Uma conta clássica mostra que o gasto por aluno aqui, de 6670 reais por ano, de fato ainda é baixo na comparação internacional. Mais dinheiro, portanto, poderia ser bem-vindo. Poderia, assim mesmo, no condicional. A experiência revela que o quinhão brasileiro só vem aumentando – na última década, a fatia do PIB para o setor expandiu-se 57%, perdendo apenas para a Rússia -, mas o nível do ensino continua entre os piores do mundo, e até retrocede em certas métricas. “Acho um erro gastar mais onde se gasta mal”, alerta o economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas. Está aí um quesito em que o Brasil é lembrado – a ineficácia na gestão de recursos públicos. Aos programas vistosos faltam objetivos claros, vigilância permanente e cobrança de resultados. Por questões políticas, muito dinheiro é empatado em obras grandiloquentes, e não no que faz a diferença: o bom professor.
Adaptado de BUSTAMANTE, Luísa. VEJA, n.6, ano 50, ed.2516, 08 fev.2017, p.82-83.
Na frase “Mais dinheiro, portanto, poderia ser bem-vindo.”, o elemento destacado introduz
É noite. Sinto que é noite não porque a sombra descesse (bem me importa a face negra) mas porque dentro de mim, no fundo de mim, o grito se calou, fez-se desânimo. Sinto que nós somos noite, que palpitamos no escuro e em noite dissolvemos. Sinto que é noite no vento, noite nas águas, na pedra. E que adianta uma lâmpada? E que adianta uma voz? É noite no meu amigo. É noite no submarino. É noite na roça grande. É noite, não é morte, é noite de sono espesso e sem praia. Não é dor, nem paz, é noite, é perfeitamente a noite. Mas, salve, olhar de alegria! E salve, dia que surge! Os corpos saltam do sono, o mundo se recompõe. Que gozo na bicicleta! Existir: seja como for. A fraterna entrega do pão. Amar: mesmo nas canções. De novo andar: as distâncias, as cores, posse das ruas. Tudo que à noite perdemos se nos confia outra vez. Obrigado, coisas fiéis! Saber que ainda há florestas, sinos, palavras; que a terra prossegue seu giro, e o tempo não murchou; não nos diluímos! Chupar o gosto do dia! Clara manhã, obrigado, o essencial é viver!
(Reunião. 10. ed. Rio de Janeiro: José Olympia, 1980. P.88)
Que relação há entre a 3ª estrofe e as anteriores?
Seja eu, seja eu Deixa que eu seja eu E aceita o que seja seu Então deixa e aceita eu Deixa que eu seja o céu E receba o que seja seu Anoiteça, amanheça eu Beija eu, beija eu, beija eu Me beija Deixa o que seja seu Então beba e receba Meu corpo, no seu corpo (...) Analise as afirmações abaixo:
I- traz poesia e linguagem subjetiva, não se preocupando com a norma culta, seguindo os padrões poéticos.
II- apresenta a linguagem na norma culta, usada nos variados gêneros, inclusive na poesia.
III- a linguagem utilizada reflete traços da oralidade, muitas vezes comum ao gênero em que se insere.
Está CORRETO o que se afirma em:
Quais são os tipos de linguagens existentes?