Questões de Concurso Sobre morfologia em português

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Q2692215 Português

O HOMEM E A GALINHA

Era uma vez um homem que tinha uma galinha. Era uma galinha como as outras.

Um dia a galinha botou um ovo de ouro. O homem ficou contente. Chamou a mulher:

- Olha o ovo que a galinha botou.

A mulher ficou contente:

- Vamos ficar ricos!

E a mulher começou a tratar bem da galinha. Todos os dias a mulher dava mingau para a galinha. Dava pão de ló, dava até sorvete. E todos os dias a galinha botava um ovo de ouro. Vai que o marido disse:

- Pra que esse luxo com a galinha? Nunca vi galinha comer pão de ló... Muito menos tomar sorvete!

- É, mas esta é diferente! Ela bota ovos de ouro!

O marido não quis conversa: -

- Acaba com isso mulher. Galinha come é farelo.

Aí a mulher disse:

- E se ela não botar mais ovos de ouro?

- Bota sim - o marido respondeu.

A mulher todos os dias dava farelo à galinha. E a galinha botava um ovo de ouro. Vai que o marido disse:

- Farelo está muito caro, mulher, um dinheirão! A galinha pode muito bem comer milho.

- E se ela não botar mais ovos de ouro?

- Bota sim - o marido respondeu.

Aí a mulher começou a dar milho pra galinha. E todos os dias a galinha botava um ovo de ouro. Vai que o marido disse:

- Pra que esse luxo de dar milho pra galinha? Ela que procure o de-comer no quintal!

- E se ela não botar mais ovos de ouro? - a mulher perguntou.

- Bota sim - o marido falou.

E a mulher soltou a galinha no quintal. Ela catava sozinha a comida dela. Todos os dias a galinha botava um ovo de ouro. Um dia a galinha encontrou o portão aberto. Foi embora e não voltou mais.

Dizem, eu não sei, que ela agora está numa boa casa onde tratam dela a pão de ló.


Ruth Rocha

A seguir, seguem algumas frases retiradas do texto. Assinale a alternativa em que a frase contenha um substantivo no grau aumentativo:

Alternativas
Q2691726 Português

Para onde vão as palavras

Como se sabe, a palavra durante algum tempo foi obrigada a recuar diante da imagem, e o mundo escrito e impresso diante do falado na tela. Tiras de quadrinhos e livros ilustrados com um mínimo de texto hoje não se destinam mais somente a iniciantes que estão aprendendo a soletrar. De muito mais peso, no entanto, é o recuo da notícia impressa em face da notícia falada e ilustrada. A imprensa, principal veículo da esfera pública no século XIX assim como em boa parte do século XX, dificilmente será capaz de manter sua posição no século XXI.

Mas nada disso pode deter a ascensão quantitativa da literatura. A rigor, eu quase diria que - apesar dos prognósticos pessimistas - o mais importante veículo tradicional da literatura, o livro impresso, sobreviverá sem grande dificuldade, com poucas exceções, como as das enciclopédias, dos dicionários, dos compêndios de informação etc., os queridinhos da internet.

Fonte: HOBSBAWM, Eric. Tempos fraturados. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 29-30. (trecho adaptado)

Em “nada disso pode deter a ascensão quantitativa da literatura”, a locução adverbial pode ser substituída, sem prejuízo ao texto, pela conjugação:

Alternativas
Q2691725 Português

Para onde vão as palavras

Como se sabe, a palavra durante algum tempo foi obrigada a recuar diante da imagem, e o mundo escrito e impresso diante do falado na tela. Tiras de quadrinhos e livros ilustrados com um mínimo de texto hoje não se destinam mais somente a iniciantes que estão aprendendo a soletrar. De muito mais peso, no entanto, é o recuo da notícia impressa em face da notícia falada e ilustrada. A imprensa, principal veículo da esfera pública no século XIX assim como em boa parte do século XX, dificilmente será capaz de manter sua posição no século XXI.

Mas nada disso pode deter a ascensão quantitativa da literatura. A rigor, eu quase diria que - apesar dos prognósticos pessimistas - o mais importante veículo tradicional da literatura, o livro impresso, sobreviverá sem grande dificuldade, com poucas exceções, como as das enciclopédias, dos dicionários, dos compêndios de informação etc., os queridinhos da internet.

Fonte: HOBSBAWM, Eric. Tempos fraturados. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 29-30. (trecho adaptado)

Analise as afirmativas, tendo em vista questões gramaticais:

I. Em ‘como se sabe’ o termo destacado é partícula apassivadora.

II. Em ‘no século XIX’ o algarismo em destaque denomina-se ‘arábico’.

III. Em ‘Mas nada disso pode deter’ ocorrem dois pronomes.

IV. Em ‘De muito mais peso, no entanto,’ a expressão destacada denomina-se conjunção.

Assinale a alternativa correta:

Alternativas
Q2691636 Português

Releia este trecho.
Embora a vida tenha ficado mais fácil desde que eles apareceram – basta lembrar de como era pesquisar sobre qualquer assunto sem o Google –, há indícios de que esses softwares não sejam tão neutros e inofensivos quanto parecem.”

A relação que a conjunção destacada estabelece entre as orações é


Alternativas
Q2691025 Português

Queremos a infância para nós


O mundo anda bem atrapalhado: de um lado, temos crianças que se comportam, se vestem, falam e são tratadas como adultos. Do outro, adultos que se comportam, se vestem, falam e são tratados como crianças. Pelo jeito, infância e vida adulta têm hoje pouco a ver com idade cronológica.

Não é preciso muito para observar sinais dessa troca: basta olhar as pessoas no espaço público. É corriqueiro vermos meninas vestidas com roupas de adultos, inclusive sensuais: blusas e saias curtas, calças apertadas, meia-calça e sapatos de salto. E pensar que elas precisam é de roupa folgada para deixar o corpo explodir em movimentos que devem ser experimentados... Mas sempre há um traço que trai a idade: um brinquedo pendurado, um exagero de enfeites, um excesso de maquiagem, etc.

Se olharmos as adultas, vestidas com o mesmo tipo de roupa das meninas descritas acima, vemos também brinquedos, carregados como enfeites ou amuletos: nos chaveiros, nas bolsas, nos telefones celulares, nos carros. Isso sem falar nas mesas de trabalho, enfeitadas com ícones do mundo infantil.

Criança pequena adora ter amigo imaginário, mas essa maravilhosa possibilidade tem sido destruída, pouco a pouco, pelo massacre da realidade do mundo adulto, que tem colaborado muito para desfazer a fantasia e o faz-de-conta. Mas os legítimos representantes desse mundo, por sua vez, não hesitam em ter o seu. Ultimamente, ele tem sido comum e ganhou o nome de deus. Não me refiro ao Deus das religiões e alvo da fé. A ideia de deus foi privatizada, e cada um tem o seu, à sua imagem e semelhança, mesmo sem professar religião nenhuma.

O amigo imaginário dos adultos chamado de deus é aquele com quem eles conversam animadamente, a quem chamam nos momentos de estresse, a quem recorrem sempre que enfrentam dificuldades, precisam tomar uma decisão ou anseiam por algo e, principalmente, para contornar a solidão. Nada como ter um amigo invisível, já que ele não exige lealdade, dedicação nem cobra nada, não é?

E o que dizer, então, das brincadeiras infantis que muitos adultos são obrigados a enfrentar quando fazem cursos, frequentam seminários ou assistem a aulas? É um tal de assoprar bexigas, abraçar quem está ao lado, acender fósforo para expressar uma ideia, carregar uma pedra para ter a palavra no grupo, escolher um bicho como imagem de identificação, usar canetas coloridas para fazer trabalhos, etc.

Mas, se existe uma manifestação comum a crianças e adultos para expressar alegria, contentamento, comemoração e afins, ela tem sido o grito. Que as crianças gritem porque ainda não descobriram outras maneiras de expressar emoções, dá para entender. Aliás, é bom lembrar que os educadores não têm colaborado para que elas aprendam a desenvolver outros tipos de expressão. Mas os adultos gritarem desesperada e estridentemente para manifestar emoção é constrangedor. Com tamanha confusão, fica a impressão de que roubamos a infância das crianças porque a queremos para nós, não?


SAYÃO, Rosely. “As melhores crônicas do Brasil”. In cronicasbrasil.blogspot.com

O nome substantivo “criança”, sublinhado no fragmento “Criança pequena adora ter amigo imaginário” (4º §), do ponto de vista do gênero gramatical classifica-se como:


Alternativas
Q2690380 Português

As questões de 1 a 10 referem-se ao texto reproduzido a seguir.


Futuro a distância


A aura de sacralidade que envolve o corpo humano e, por extensão, a prática médica enfrenta seguidos desafios postos por inovações técnicas, como a telemedicina, hoje, ou a reprodução assistida, no passado. A inquietação daí surgida justifica prolongar o debate, mas não afastar indefinidamente futuros aperfeiçoamentos.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) baixara resolução, para entrar em vigor em maio, regulamentando o atendimento a distância. Foram tantas as reações contrárias e de questionamento que a norma foi revogada, pois não haveria tempo hábil para processar todas as objeções e sugestões.

Mas muito do que se regulamentava ali já existe como praxe de mercado, caso de consultas remotas.

Embora exame físico e anamnese presencial constituam os fundamentos básicos da relação entre médico e paciente, existem casos em que são dispensáveis (como na entrega de resultados de testes laboratoriais) ou ficam impossibilitadas pela distância.

A resolução do CFM estipulava regras para esse tipo de encontro, como ser necessariamente precedido por um contato pessoal, contar com autorização do paciente e ficar gravado em meio digital. Fixava, ainda, normas para outros procedimentos, como telecirurgias.

Algumas questões levantadas fazem sentido, como a obrigatoriedade de gravação da teleconsulta. Se não se exige tal coisa em encontros presenciais, por que fazê-lo quando se recorre a meios tecnológicos?

Abre-se flanco considerável para deslizes de privacidade e se reforça o preconceito retrógrado contra a modalidade inovadora.

Por detrás da aparente preocupação com a qualidade do atendimento, está a suspeita, oculta-se o zelo corporativo que tantas vezes resiste ao aumento de produtividade. Não há mal algum em banalizar (no bom sentido da palavra) a telemedicina, se isso não acarretar prejuízo ao doente.

Não são raras as consultas, hoje em dia, em que o médico dispensa uma conversa atenta e a interação física com pacientes em favor da realização de exames laboratoriais ou de imagem. Identifica-se algo de tecnocrático e desumanizador nesse tipo de relacionamento, com alguma dose de razão.

Admitindo que seja necessário combater tal tendência, a melhor maneira de fazê-lo seria rever o tipo de formação oferecida nas faculdades de medicina, como já se faz em alguns estabelecimentos. Não será com obstáculos à tecnologia, quando ela se provar mais útil e barata, que se reduzirá o distanciamento entre médicos e pacientes.


Disponível em: <www.folha.uol.com.br>. Acesso em: 08 mar. 2019.

Exerce função substantiva o trecho destacado em:

Alternativas
Q2690162 Português

As questões de 1 a 10 desta prova são baseadas no texto a seguir.


ABORTO, ASSUNTO DE HOMENS


Conrado Hübner Mendes

Doutor em Direito e professor da USP


1º Dias atrás, a Irlanda promoveu histórico referendo para legalização do aborto no país. O resultado teve apoio de 66% dos eleitores. Foi o ponto culminante de uma longa história de luta por direitos e igualdade, num país em que convicções religiosas sustentavam uma das leis mais restritivas à autonomia da mulher.

2º Há dois meses, o Instituto Guttmacher lançou um profundo relatório sobre a situação do aborto ao redor do mundo (Abortion worldwide 2017: uneven progress and unequal access). Entre os achados da pesquisa, apontou que as taxas de aborto caem em países desenvolvidos e se mantêm estáveis nos países em desenvolvimento; que a América Latina é a região com mais alta taxa anual de aborto (44 a cada 1.000 mulheres em idade reprodutiva) e com a mais alta taxa de gravidez indesejada (96 a cada 100 mulheres). Mostrou também que a taxa de aborto é similar entre os países que legalizaram e os que continuam proibindo a prática. Em suas palavras: "Restrições jurídicas não eliminam o aborto. Em vez disso, aumentam as chances de abortos inseguros, pois mulheres são compelidas a buscar a via clandestina".

3º Nem sempre o direito ao aborto é conquistado pela via legislativa ou pela do voto popular. Em muitos países, como Estados Unidos e Alemanha, foram tribunais de cúpula que deram esse passo. No Brasil, o episódio mais recente dessa longa história está no STF, no qual tramita ação que questiona a criminalização do aborto pelo Código Penal (Art. 124 e 126). Alega-se a violação de direitos fundamentais como dignidade, liberdade e igualdade, assim como a desproporcionalidade da medida. A ministra Rosa Weber, relatora do processo, convocou audiência pública para discutir o caso com a sociedade em breve. Os participantes serão selecionados por critérios de representatividade, expertise técnica e pluralidade.

4º Duas comissões da Câmara e uma do Senado se anteciparam ao STF e coorganizaram um seminário para debater o caso. O seminário ocorre enquanto escrevo este texto (30 de maio). Não poderei estar lá para opinar sobre os argumentos e símbolos ali presentes, mas uma olhada no perfil dos participantes dá indícios de como o assunto é tratado. O requerimento foi feito por 16 parlamentares, apenas uma mulher. Na programação, dos 24 participantes na mesa, apenas seis mulheres. Do ponto de vista profissional, uma mistura de políticos, representantes religiosos e alguns juristas. Nenhum especialista em política pública de saúde, nenhum cientista. O seminário tem lado único, e esse não é o do debate franco, que a audiência do STF promete realizar.

5º Dos minutos a que pude assistir, um participante dizia algo assim: "A criança dentro ou fora do útero tem o mesmo valor! Descriminalizado o aborto, teremos um cemitério de criancinhas!". Não duvido que ele esteja sinceramente preocupado com o valor da vida. Mas tem a responsabilidade de informar-se melhor sobre a principal lei social do aborto: na qual se criminaliza e se estigmatiza, a taxa de gravidez indesejada não s e altera, a mulher permanece no escuro e o número de abortos só faz aumentar. A criminalização do aborto não dissuade mulheres. Orientação e cuidado, talvez.

6º Há infinitas posições morais e jurídicas em relação ao aborto e múltiplos arranjos institucionais para enfrentar o tema com respeito e competência. O debate público, contudo, não resiste ao contraste binário entre os pró e os contra, sem saber exatamente ao quê.

7º Quem descriminaliza não necessariamente legaliza. Quem legaliza não expressa aprovação moral. Quem aprova legalmente não incentiva nem está menos preocupado com a vida. Todos os países que descriminalizaram o aborto no mundo o fizeram por meio de políticas públicas complexas que não celebram o aborto, não subestimam a dimensão trágica da escolha nem ignoram a sacralidade da vida. Pelo contrário: tiraram o tema da esfera do crime e da punição e o trataram por meio de orientação, prevenção, acolhimento e procedimentos médicos seguros. Conseguiram reduzir, sem exceção, o número de abortos e de mortalidade materna. Como melhor proteger a vida?


MENDES, Conrado Hübner. Aborto, assunto de homens. Época. São Paulo, Editora Globo, nº 1040, Jun. 2018. [Adaptado]



Para responder às questões 06, 07, 08 e 09, considere o excerto transcrito abaixo.


Entre os achados da pesquisa, apontou que as taxas de aborto caem em países desenvolvidos e se mantêm estáveis nos países em desenvolvimento; que[1] a América Latina é a região com mais alta taxa anual de aborto (44 a cada 1.000 mulheres em idade reprodutiva) e com a mais alta taxa de gravidez indesejada (96 a cada 100 mulheres). Mostrou também que a taxa de aborto é similar entre os países que legalizaram e os que continuam proibindo a prática. Em suas palavras: "Restrições jurídicas não eliminam o aborto. Em vez disso, aumentam as chances de abortos inseguros, pois[2] mulheres são compelidas a buscar a via clandestina".

No contexto em que surge, o elemento linguístico [2] estabelece com a oração anterior uma relação de

Alternativas
Q2690161 Português

As questões de 1 a 10 desta prova são baseadas no texto a seguir.


ABORTO, ASSUNTO DE HOMENS


Conrado Hübner Mendes

Doutor em Direito e professor da USP


1º Dias atrás, a Irlanda promoveu histórico referendo para legalização do aborto no país. O resultado teve apoio de 66% dos eleitores. Foi o ponto culminante de uma longa história de luta por direitos e igualdade, num país em que convicções religiosas sustentavam uma das leis mais restritivas à autonomia da mulher.

2º Há dois meses, o Instituto Guttmacher lançou um profundo relatório sobre a situação do aborto ao redor do mundo (Abortion worldwide 2017: uneven progress and unequal access). Entre os achados da pesquisa, apontou que as taxas de aborto caem em países desenvolvidos e se mantêm estáveis nos países em desenvolvimento; que a América Latina é a região com mais alta taxa anual de aborto (44 a cada 1.000 mulheres em idade reprodutiva) e com a mais alta taxa de gravidez indesejada (96 a cada 100 mulheres). Mostrou também que a taxa de aborto é similar entre os países que legalizaram e os que continuam proibindo a prática. Em suas palavras: "Restrições jurídicas não eliminam o aborto. Em vez disso, aumentam as chances de abortos inseguros, pois mulheres são compelidas a buscar a via clandestina".

3º Nem sempre o direito ao aborto é conquistado pela via legislativa ou pela do voto popular. Em muitos países, como Estados Unidos e Alemanha, foram tribunais de cúpula que deram esse passo. No Brasil, o episódio mais recente dessa longa história está no STF, no qual tramita ação que questiona a criminalização do aborto pelo Código Penal (Art. 124 e 126). Alega-se a violação de direitos fundamentais como dignidade, liberdade e igualdade, assim como a desproporcionalidade da medida. A ministra Rosa Weber, relatora do processo, convocou audiência pública para discutir o caso com a sociedade em breve. Os participantes serão selecionados por critérios de representatividade, expertise técnica e pluralidade.

4º Duas comissões da Câmara e uma do Senado se anteciparam ao STF e coorganizaram um seminário para debater o caso. O seminário ocorre enquanto escrevo este texto (30 de maio). Não poderei estar lá para opinar sobre os argumentos e símbolos ali presentes, mas uma olhada no perfil dos participantes dá indícios de como o assunto é tratado. O requerimento foi feito por 16 parlamentares, apenas uma mulher. Na programação, dos 24 participantes na mesa, apenas seis mulheres. Do ponto de vista profissional, uma mistura de políticos, representantes religiosos e alguns juristas. Nenhum especialista em política pública de saúde, nenhum cientista. O seminário tem lado único, e esse não é o do debate franco, que a audiência do STF promete realizar.

5º Dos minutos a que pude assistir, um participante dizia algo assim: "A criança dentro ou fora do útero tem o mesmo valor! Descriminalizado o aborto, teremos um cemitério de criancinhas!". Não duvido que ele esteja sinceramente preocupado com o valor da vida. Mas tem a responsabilidade de informar-se melhor sobre a principal lei social do aborto: na qual se criminaliza e se estigmatiza, a taxa de gravidez indesejada não s e altera, a mulher permanece no escuro e o número de abortos só faz aumentar. A criminalização do aborto não dissuade mulheres. Orientação e cuidado, talvez.

6º Há infinitas posições morais e jurídicas em relação ao aborto e múltiplos arranjos institucionais para enfrentar o tema com respeito e competência. O debate público, contudo, não resiste ao contraste binário entre os pró e os contra, sem saber exatamente ao quê.

7º Quem descriminaliza não necessariamente legaliza. Quem legaliza não expressa aprovação moral. Quem aprova legalmente não incentiva nem está menos preocupado com a vida. Todos os países que descriminalizaram o aborto no mundo o fizeram por meio de políticas públicas complexas que não celebram o aborto, não subestimam a dimensão trágica da escolha nem ignoram a sacralidade da vida. Pelo contrário: tiraram o tema da esfera do crime e da punição e o trataram por meio de orientação, prevenção, acolhimento e procedimentos médicos seguros. Conseguiram reduzir, sem exceção, o número de abortos e de mortalidade materna. Como melhor proteger a vida?


MENDES, Conrado Hübner. Aborto, assunto de homens. Época. São Paulo, Editora Globo, nº 1040, Jun. 2018. [Adaptado]



Para responder às questões 06, 07, 08 e 09, considere o excerto transcrito abaixo.


Entre os achados da pesquisa, apontou que as taxas de aborto caem em países desenvolvidos e se mantêm estáveis nos países em desenvolvimento; que[1] a América Latina é a região com mais alta taxa anual de aborto (44 a cada 1.000 mulheres em idade reprodutiva) e com a mais alta taxa de gravidez indesejada (96 a cada 100 mulheres). Mostrou também que a taxa de aborto é similar entre os países que legalizaram e os que continuam proibindo a prática. Em suas palavras: "Restrições jurídicas não eliminam o aborto. Em vez disso, aumentam as chances de abortos inseguros, pois[2] mulheres são compelidas a buscar a via clandestina".

O elemento linguístico [1] funciona como

Alternativas
Q2690068 Português

Texto 2 para as questões 10 e 11


Tanto o desenvolvimento como o ponto de partida da argumentação pressupõem acordo do auditório. Esse acordo tem por objeto ora o conteúdo das premissas explícitas, ora as ligações particulares utilizadas, ora a forma de servir-se dessas ligações. O orador, utilizando as premissas que servirão de fundamento à sua construção, conta com a adesão de seus ouvintes às proposições iniciais, mas estes lha podem recusar, seja por não aderirem ao que o orador lhes apresenta como adquirido, seja por perceberem o caráter unilateral da escolha das premissas, seja por ficarem contrariados com o caráter tendencioso da apresentação delas.


PERELMAN, Chaim; OLBRECHTS-TYTECA, Lucie. Tratado da argumentação: a nova retórica. São Paulo: Martins Fontes, 2014, p. 73 (adaptado).

Assinale a alternativa que apresenta fragmento do texto em que o emprego do artigo definido é optativo.

Alternativas
Q2690067 Português

Texto 2 para as questões 10 e 11


Tanto o desenvolvimento como o ponto de partida da argumentação pressupõem acordo do auditório. Esse acordo tem por objeto ora o conteúdo das premissas explícitas, ora as ligações particulares utilizadas, ora a forma de servir-se dessas ligações. O orador, utilizando as premissas que servirão de fundamento à sua construção, conta com a adesão de seus ouvintes às proposições iniciais, mas estes lha podem recusar, seja por não aderirem ao que o orador lhes apresenta como adquirido, seja por perceberem o caráter unilateral da escolha das premissas, seja por ficarem contrariados com o caráter tendencioso da apresentação delas.


PERELMAN, Chaim; OLBRECHTS-TYTECA, Lucie. Tratado da argumentação: a nova retórica. São Paulo: Martins Fontes, 2014, p. 73 (adaptado).

A contração pronominal “lha” tem como referentes:

Alternativas
Q2689992 Português


As questões de 1 a 10 referem-se ao texto reproduzido a seguir.

A (in)segurança pública e os reflexos na sociedade

José Ricardo Bandeira

A cada dia que passa os cidadãos das grandes cidades e capitais brasileiras são obrigados a conviver com a explosão de violência e criminalidade que assola o país. Balas perdidas, arrastões, roubos e homicídios já não são surpresas em uma nação que tem a incrível taxa de mais de 60 mil assassinatos por ano.

E, nessa esteira de violência, muitos políticos são eleitos. Infelizmente, exploram a bandeira da repressão — a exemplo das últimas eleições — com um discurso muitas vezes demagógico e sem profundidade. Falam coisas que o cidadão cansado e acuado espera ouvir. Mas, assim como os anteriores, repetem as mesmas práticas de combate à criminalidade, que, por evidentes razões, não surtiram efeito.

A saber, nas últimas décadas, tornou-se prática obrigatória no Brasil combater a criminalidade por meio do enfrentamento policial em detrimento de muitas outras medidas racionais e científicas que poderiam trazer resultados sólidos.

Em uma caixa chamada segurança pública, onde existem diversas outras alternativas, a polícia é única e tão somente uma das ferramentas no combate à criminalidade.

Apenas para ilustrar como os nossos governantes priorizam o enfrentamento policial, a primeira grande operação no Brasil ocorreu no dia 21 de março de 1963 na “comunidade da favela”, hoje conhecida como morro da Providência, no Rio. Com o apoio de um helicóptero, cerca de 500 policiais cercaram a comunidade e fizeram 200 presos. Daí por diante, essa foi a política de segurança implementada por praticamente todos os governadores do Brasil.

Entretanto, ao priorizar o enfrentamento policial, os efeitos colaterais são inevitáveis. Há morte de inocentes, caos e transtornos nas grandes cidades e prejuízos ao comércio e turismo, além de graves sequelas psicológicas provocadas naqueles que vivenciam a violência diariamente.

A segurança pública é uma ciência e, como tal, deve ser tratada e conduzida. Logo, a forma mais eficiente de lidar com a violência nas grandes cidades é por meio de investimento em inteligência, impedindo que drogas, armas e munições cheguem às comunidades dominadas pelo tráfico de drogas e pelas organizações criminosas. Asfixia-se, assim, suas ações e corta-se seus recursos — sem drogas, armas e munições, o crime naturalmente sucumbe.

Todavia, nesse critério, o governo federal sempre foi o grande vilão da segurança pública, pois nunca impediu que drogas, armas e munições atravessassem fronteiras, percorressem estradas, portos e aeroportos e chegassem às comunidades.

Em paralelo à aplicação das medidas de inteligência, é necessário também um grande projeto de geração de emprego e renda em substituição ao dinheiro gerado pela narcoeconomia que circula nas comunidades. Infelizmente, enquanto tais medidas não forem implementadas, continuaremos a velha política de enfrentamento e com a triste classificação de termos a polícia que mais mata e que mais morre no mundo.

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 16 abr. 2019

As questões 3, 4 e 5 referem-se ao parágrafo reproduzido a seguir.

E, nessa esteira de violência, muitos políticos são eleitos. Infelizmente, exploram a bandeira da repressão — a exemplo das últimas eleições — com um discurso muitas vezes demagógico e sem profundidade. Falam coisas que o cidadão cansado e acuado espera ouvir. Mas, assim como os anteriores, repetem as mesmas práticas de combate à criminalidade, que, por evidentes razões, não surtiram efeito.


O uso do acento grave é justificado

Alternativas
Ano: 2019 Banca: IMA Órgão: Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA Provas: IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Psicopedagogo | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Assistente Social / Serviço Social | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Arquiteto Urbanista | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Engenheiro Elétrico | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Farmacêutico - Bioquímico | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Cirurgião Dentista | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Engenheiro Agrônomo | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Fisioterapeuta | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Fonoaudiólogo | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Médico Plantonista Clínico Geral | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Médico - PSF | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Químico | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Nutricionista | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Médico Veterinário | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Professor de Educação Especial | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Professor de Ciências | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Professor de Português | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Professor de 1º ao 5º Ano |
Q2689564 Português

AS QUESTÕES DE 1 A 15 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO

..

TEXTO


1--------- O regime capitalista de produção pressupõe a generalização da produção para a troca. Com a

2 expansão desta - entendida como expressão da diferenciação da divisão social do trabalho - ocorre

3 também a separação definitiva dos produtores diretos de mercadorias dos seus meios de produção.

4 Expropriados, passam a ser possuidores de uma única mercadoria - sua força de trabalho.

5 Proletarizados, são convertidos em trabalhadores assalariados. Simples operadores dos instrumentos

6 de produção que não mais lhes pertencem.

7 --------- Para participar do processo de troca, para ter existência social, o produtor precisa então levar

8 sua mercadoria ao mercado, onde esta irá defrontar-se com todas as demais mercadorias. Seu

9 possuidor a leva "livremente" ao mercado e vende-a por tempo determinado, forma única de

10 continuar sobrevivendo. Não se aliena definitivamente dela, pois só agindo assim pode continuar

11 participando da troca. Caso contrário, nada mais teria a oferecer. Alienando-se de sua mercadoria

12 única, nada mais seria que um escravo - ele próprio mercadoria. Isso significa que alguém, o

13 comprador, proprietário do dinheiro e dos meios de produção, adquire o direito de usar essa força de

14 trabalho pelo tempo acordado. Caracteriza-se, assim, a dicotomia proprietários dos meios de

15 produção/proletários.

16--------- Os proprietários da força de trabalho, os trabalhadores, submetem-se, porque dessa maneira

17 integram-se eles próprios no mercado. Só assim podem ter acesso à mercadoria dinheiro -

18 representado neste caso pelo salário - passaporte único às demais mercadorias, o que lhes permite a

19 sobrevivência. Nesse sentido, percebe-se que o salário, expressão do valor da força de trabalho, não

20 importa os meios pelos quais seja estabelecido, não "deveria" descer a níveis que ameacem a própria

21 sobrevivência e reprodução da classe trabalhadora dada a importância para o capital, que a submete,

22 mas que dela necessita (até mesmo enquanto exército de reserva), para continuar sua trajetória de

23 valorização e acumulação. (Pelo menos até a fase atual, o capitalismo não conseguiu se descartar

24 definitivamente da força de trabalho, embora a substituição de trabalho vivo por trabalho morto seja

25 mais e mais acelerada).

26--------- O trabalho torna-se então alienado, vazio de sentido para o trabalhador, dado que o resultado

27 de sua atividade passa a ser propriedade de outrem. Nesse ponto, é bastante oportuna a seguinte

28 citação: "O antigo possuidor de dinheiro marcha adiante como capitalista, segue-o o possuidor da

29 força de trabalho como seu trabalhador, um, cheio de importância, sorriso satisfeito e ávido por

30 negócios; o outro, tímido, contrafeito, como alguém que levou a própria pele ao mercado e agora não

31 tem mais nada a esperar, exceto o - curtume." Revela-se aqui todo o significado do fato de a força de

32 trabalho ser transformada em uma mercadoria a mais, no mundo da produção capitalista, em que os

33 produtos do trabalho não mais pertencem a seus produtores, anônimos participantes de um espetáculo

34 no qual entram em cena sem nem mesmo perceber e no qual têm de permanecer independentemente

35 de sua vontade. Sua sobrevivência está agora delimitada por decisões que vão, cada vez mais,

36 afastando-se de seu domínio, às quais, por meios mais ou menos violentos, acabam sendo obrigados a

37 acatar. A "liberdade", não conquistada senão que imposta, que lhes permite colocar sua força de

38 trabalho à venda, significa a subordinação completa, definitiva, do trabalho ao capital. Este, sim,

39 impondo as regras e condições aos personagens que a ele são atrelados. O conflito é inerente e

40 intransponível. Ingenuidade querer eliminá-lo, mantendo-se intocadas as características do cenário

41 em que se insere.

...

FONTE: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/violencia-urbana-no-brasil.htm

Vocábulo que não admite dupla pronúncia, masculino ou feminino, é o da alternativa

Alternativas
Q2688650 Português
“Yoga para o bem do cérebro!” Nesse contexto, a expressão destacada é
Alternativas
Q2688536 Português

São todos vocábulos formados por hibridismo.

Alternativas
Q2688535 Português

Numere a coluna B pela A quanto aos tipos de substantivo.


COLUNA A


I. Epiceno.

II. Sobrecomum.

III. Comum de dois gêneros.

IV. Masculino.

V. Feminino.


COLUNA B


( ) Estudante.

( ) Alface.

( ) Clã.

( ) Tartaruga.

( ) Verdugo.


Marque a opção que apresenta a sequência CORRETA.

Alternativas
Q2688530 Português

São masculinos todos os substantivos da alternativa

Alternativas
Q2688529 Português

NÃO estão corretos, na língua padrão, todos os superlativos sintéticos da alternativa

Alternativas
Ano: 2019 Banca: UNESP Órgão: UNESP Prova: UNESP - 2019 - UNESP - Nutricionista |
Q2688199 Português

Leia o texto para responder às questões de números 01 a 10.


Alarme amazônico


Más novas para a floresta amazônica. A destruição de sua cobertura vegetal acelerou-se nos últimos meses, segundo indicam dois levantamentos independentes.

De agosto a outubro, o desmatamento na região aumentou 49%, na comparação com o mesmo período de 2017, conforme o Deter B, projeto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (lnpe) que faz monitoramento em tempo quase real para subsidiar o trabalho de fiscalização.

O percentual corresponde a uma perda de nada menos que 1.674 km2 de floresta, área pouco maior que a do município de São Paulo.

Verdade que a taxa oficial é calculada por outro sistema, o Prodes, também do lnpe, de maior resolução. Ambos os métodos, no entanto, apresentam convergência.

O maior aumento do desmate ilegal se deu na divisa do Acre com Amazonas, área de influência da BR-364. Nesses estados, a alta foi de 273% e 114%, respectivamente.

Já o acompanhamento conduzido pela ONG lmazon trouxe dados ainda mais inquietantes. Em setembro, seu Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) registrou elevação de 84% na perda florestal da Amazônia, comparada ao mesmo mês de 2017.

Diversos fatores concorrem, tradicionalmente, para a derrubada de florestas. Destacam-se a especulação imobiliária, a expansão da fronteira agropecuária e a consolidação de infraestruturas regionais, como estradas e portos.

Ademais, em especial em Mato Grosso, Pará e Rondônia, circunstâncias como a alta do dólar também dão impulso ao fenômeno.

Deveria ser desnecessário mencionar os motivos para que o poder público se empenhe no combate ao desmatamento. Trata-se de compromissos assumidos no esforço para conter o aquecimento global - a maior parte das emissões brasileiras de gases do efeito estufa provém da devastação das matas.

Sabe-se ainda que a cobertura vegetal da maior floresta tropical do mundo tem influência sobre o regime de chuvas de parte considerável do Brasil, levando água por meio de "rios voadores", inclusive na estação seca, para o Sul e o Sudeste.

Tem impacto direto, ademais, sobre o clima de regiões mais próximas, como o Centro-Oeste, base do agronegócio nacional.

O país obteve expressiva melhora na preservação florestal durante a década passada. Se novos avanços têm se mostrado difíceis, um retrocesso seria inadmissível.


(Editorial. Folha de S.Pau/o. 14 novembro 2018. Adaptado)

Assinale a alternativa cuja palavra ou expressão em destaque intensifica o sentido da palavra a que se refere.

Alternativas
Q2687984 Português

AS QUESTÕES DE 1 A 15 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO

TEXTO


  1. O mercado de trabalho mudou e ele se impõe ao exigir um novo perfil de profissional: aquele que está em constante
  2. mutação. A crise, a recessão, o fechamento de postos de trabalho, a queda de contratações via CLT, a globalização, o aumento
  3. do empreendedorismo (muitos por necessidade), tudo isso se apresenta em um momento de transição em que é fundamental
  4. para o trabalhador buscar um novo modelo de carreira que o prepare para o futuro, que já bate à porta. Exceto áreas
  5. específicas, esqueça o tempo de ser especialista em uma única área da sua formação. Esse tempo acabou. Hoje, o profissional
  6. disputado pelas organizações é o que consegue ser multitarefa em um mercado em frequente mudança. Se ainda não enxergou
  7. que o cenário é outro, é melhor abrir os olhos.
  8. Amir El-Kouba, professor de gestão de pessoas em MBAs da Fundação Getúlio Vargas/Faculdade IBS e consultor
  9. empresarial, afirma que se tem algo de positivo em toda essa crise é que “foi feita uma releitura do mundo do trabalho por
  10. parte do profissional à revelia da nossa legislação trabalhista. Formaram-se MEIs (microempreendedor individual),
  11. profissionais se associando a outros profissionais para prestar serviço, contratos temporários, consultores, técnicos
  12. associados, enfim, uma nova reconfiguração”.
  13. [...]
  14. Qual é o de modelo de profissional que as empresas querem com a nova reconfiguração do mercado de trabalho
  15. durante e após a crise? Muitos especialistas dizem que nada será como antes. A globalização, há décadas, o avanço da
  16. tecnologia e a recessão se impõem para mudar o status quo. Do caos que vivemos e pelo qual passamos no Brasil (e o mundo
  17. também, desde a crise de 2008) nasce uma nova força de trabalho. Para Rúbria Coutinho, consultora em recursos humanos e
  18. desenvolvimento organizacional, após o período mais crítico, muitas organizações retomarão as contratações. Aliás, já há
  19. sinais de estabilização em boa parte delas em segmentos específicos. “No entanto, muitos profissionais que buscam
  20. oportunidade de recolocação estão passando por repetidas frustrações – há um grande número de profissionais competentes
  21. à disposição para proporcionalmente poucas ofertas de vagas. Assim, estão se movimentando para criar ou participar de
  22. espaços produtivos e alternativos porque precisam e querem trabalhar”, diz.
  23. [...]
  24. A verdade é que nunca é fácil para quem está no olho do furacão, que vive a transição. Dúvidas e inseguranças atingem
  25. tanto o profissional experiente quanto os jovens, que absorvem melhor as mudanças. “As novas gerações não sonham com o
  26. modelo de trabalho tradicional com estabilidade, benefícios, longas jornadas, ascensão de carreira dentro de uma única
  27. empresa, com as referências de sucesso profissional que tínhamos até então.” Para a consultora, o que vemos hoje é que boa
  28. parte dos jovens não esperam chegar ao final do curso para iniciar um projeto. São, de modo geral, superconectados, com
  29. bons conhecimentos em tecnologia, capacidade e repertório para lidar com novas soluções e até mesmo desenvolver soluções,
  30. produtos e serviços inovadores no mercado. “Tendem a ser mais flexíveis e dinâmicos, lidam com a instabilidade de forma
  31. mais natural e podem migrar de uma carreira para outra ao longo da vida em busca de experiências, novos desafios e pelo
  32. prazer. Percebo que são cada vez mais guiados por uma causa própria e não temem empreender.”
  33. Porém, lembra a especialista, o empreendedorismo requer muito mais que o desejo ou o que chamamos de aptidão.
  34. [...]
  35. Como será o mercado de trabalho do futuro? Não é matemática exata, mas já é possível prever novas demandas
  36. profissionais e qual rumo elas tomam, ainda que as transformações sejam inúmeras, distintas e ocorram em velocidade
  37. assustadora. “Não há uma resposta, só o futuro dirá, mas a dinâmica do mercado muda rápido e há profissões que podem não
  38. existir daqui a um tempo. Assim, a formação passa a ser um adendo da carreira profissional. É o engenheiro que abre um
  39. carrinho de brigadeiro ou muda para a área de finanças. O certo é que o redirecionamento já ocorre (e será cada vez mais
  40. comum) com frequência”, analisa Bruno da Matta Machado, sócio-diretor e headhunter da Upside Group.
  41. O Brasil é apontado como um dos países mais empreendedores do mundo, ainda que tenha muitos problemas e
  42. barreiras quanto à consolidação das milhares de iniciativas de novas empresas. Por outro lado, o empreendedor corporativo
  43. é um perfil cada vez mais procurado pelos gestores. “É o profissional bem-visto, o perfil desejado. No entanto, muitos
  44. profissionais acham que não se encaixam porque pensam que para empreender precisam abrir uma empresa. Mas ele pode
  45. ser um empreendedor dentro da empresa. Esse será o colaborador que traz como características a criatividade, é proativo,
  46. corre riscos, enfrenta o escuro, busca coisas novas e, por tudo isso, acaba sendo um curinga”, explica o headhunter.
  47. [...]
  48. “A tecnologia tem modificado drasticamente o mercado de trabalho. Segundo relatório publicado pelo Fórum
  49. Econômico Mundial, a economia mundial sentirá os efeitos da chamada “Quarta Revolução Industrial”, que promete ser
  50. muito mais rápida, abrangente e impactante que as anteriores. São muitas as novidades: computação em nuvem, internet das
  51. coisas, big data, robótica, impressão em 3D... O Fórum projeta que, até 2020, essas tecnologias vão eliminar 5,1 milhões de
  52. vagas em 15 países e regiões que respondem por dois terços da força mundial de trabalho, incluindo o Brasil.
  53. O mercado de trabalho atual exige características comportamentais para que os profissionais se adaptem à nova
  54. realidade: conhecimento do negócio, flexibilidade, saber trabalhar em equipe. Também é necessário ter uma visão geral de
  55. tudo que o cerca. Além disso, é fundamental estar inteirado da tecnologia. Todas essas mudanças devem ser absorvidas por
  56. todos que almejam obter sucesso no novo cenário. Bem-vindo, não mais à era de mudança, mas à mudança de era, talvez
  57. Darwin já soubesse de tudo isso lá atrás, quando disse que as espécies vivas que sobrevivem não são as mais fortes nem as
  58. mais inteligentes; são aquelas que conseguem se adaptar e se ajustar às contínuas demandas e desafios do meio ambiente.”


FONTE: https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2017/04/26

A expressão adjetiva com ideia de tempo

Alternativas
Q2687950 Português

AS QUESTÕES DE 1 A 15 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO


TEXTO


  1. As sucessivas revoluções industriais em muito pouco se assemelham a uma revolução de fato, uma vez que tal
  2. expressão é representativa de uma mudança abrupta ou a derrubada imediata de uma determinada ordem, configuração ou
  3. forma de poder. No caso das revoluções industriais, trata-se de um processo gradual e, sob o ponto de vista histórico,
  4. relativamente lento.
  5. A terceira etapa desse processo de transformação nos meios e modos de produção iniciou-se na segunda metade do
  6. século XX e ainda está em curso, a Terceira Revolução Industrial, também conhecida como Revolução Técnico-Científica
  7. Informacional, caracteriza-se pelos avanços nos sistemas de telecomunicações e transportes, pelo surgimento e rápida expansão
  8. da informática e da automação, além do desenvolvimento da engenharia robótica. Essa nova configuração estabeleceu
  9. profundas transformações no mundo do trabalho.
  10. Nas etapas anteriores das produções industriais, observava-se uma crescente substituição do homem pela máquina
  11. no processo produtivo, tornando o indivíduo apenas um apêndice de um maquinário cada vez mais amplo e complexo. No atual
  12. momento, essa situação ganhou novas e maiores proporções, na medida em que, junto ao maquinário e às novas tecnologias, a
  13. informática passou também a atuar. O ser humano passou a ser substituído não apenas pela mecânica, mas também
  14. por softwares, que, em muitos casos, passaram a gerir a produção fabril.
  15. Além disso, observa-se também a crescente terciarização da economia, em que a maior parte dos empregos gerados
  16. passou a se concentrar no setor de comércio e serviços. Tal processo, aliado à flexibilização do trabalho, contribuiu para a
  17. precarização das condições do trabalho, para a crise das representações sindicais e para a perda de direitos trabalhistas.
  18. Outro aspecto das transformações no mundo do trabalho ao longo da Terceira Revolução Industrial também está
  19. ligado à questão espacial entre campo e cidade. Ocorreu uma intensa mecanização dos meios rurais e o desenvolvimento de
  20. técnicas e mecanismos agrícolas que propiciaram um grande desemprego nesse meio, o que contribuiu para a intensificação do
  21. êxodo rural, isto é, uma migração em massa da população do campo para a cidade.
  22. O trabalho, tanto no meio urbano quanto no meio rural, passou a ser exigido muito mais em sua qualificação técnica,
  23. uma vez que a operação das novas tecnologias exige determinados conhecimentos específicos que não podem ser realizados
  24. por um profissional que não possui uma determinada formação. Tal contexto contribui para a emergência da contradição:
  25. aumento do número de empregos e aumento do número de desempregados, uma vez que a massa de trabalhadores que não
  26. consegue se adequar às novas condições de trabalho não alcança oportunidades.
  27. Como resultado há um crescimento na geração de emprego nos setores informais, onde não há leis e direitos
  28. trabalhistas, tendo em vista que esse setor caracteriza-se pela sua desregulamentação e pela ausência de uma hierarquia
  29. organizada de trabalho (a maior parte é informal). O resultado é a caracterização de diversos problemas, dentre eles, a pirataria,
  30. bastante comum nos países subdesenvolvidos ao final do século XX e início do século XXI.


Por Rodolfo Alves Pena. FONTE: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/trabalho-na-terceira-revolucao-industrial.htm

Há correspondência modo-temporal entre a forma verbal simples “estabeleceu” (L.8) e a composta

Alternativas
Respostas
18361: B
18362: E
18363: A
18364: D
18365: C
18366: C
18367: A
18368: B
18369: B
18370: B
18371: A
18372: D
18373: C
18374: B
18375: B
18376: A
18377: A
18378: D
18379: A
18380: D