Questões de Concurso
Sobre morfologia em português
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O Galo e a Pedra Preciosa
Esopo
Um galo, que procurava ciscando no terreiro, alimento para ele e suas galinhas, sem querer, acaba por encontrar uma pedra preciosa de grande beleza e valor.
Mas, depois de observá-la e examiná-la por alguns instantes, se volta e comenta desolado:
"Ora, ora, se ao invés de mim, teu dono tivesse te encontrado, ele decerto não iria se conter diante de tamanha alegria, e é quase certo que iria te colocar em lugar digno de adoração. No entanto, eu te achei e de nada me serves. Antes disso, preferia ter encontrado um simples grão de milho, ao invés de todas as joias do mundo!"
Moral da história: A utilidade de cada coisa é o que determina seu real valor.
Em “pedra preciosa”, o adjetivo “preciosa” indica o valor material, como em:
Leia o seguinte poema, de autoria de Mário Quintana, para responder às questões 1 a 6:
“A nós bastem nossos próprios ais,
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais…”
O termo “pequenina”, empregado no poema, está flexionado respectivamente, quanto ao seu gênero, número e grau:
Leia o seguinte poema, de autoria de Mário Quintana, para responder às questões 1 a 6:
“A nós bastem nossos próprios ais,
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais…”
Em relação à palavra “ais”, que aparece no primeiro verso do poema, assinale a alternativa correta.
Considere os textos 1 e 2 para responder às questões de números 31 a 33.
Texto 1
(Folha de S.Paulo, 26.04.2016)
Texto 2
(www.videos.disney.com.br)
Com base em Koch (1997, 2002), a coesão e a coerência no texto 1, considerando-se o primeiro e o terceiro quadrinhos e a conjunção “mas”, fundamenta-se em uma relação de sentido de
Leia o texto a seguir e responda às questões de 11 a 20:
A Língua Portuguesa ou apenas português é uma língua originada no galegoportuguês, idioma falado no Reino da Galiza e no norte de Portugal. Os portugueses foram os primeiros europeus a lançar-se ao mar no período das Grandes Navegações Marítimas.
Em virtude dessa expansão marítima, motivada por questões comerciais, deu-se a difusão da língua nas terras conquistadas, entre elas, o Brasil, cuja língua primária é o português.
A influência da cultura portuguesa por aqui foi tamanha que acabou definindo o idioma oficial da terra recém-conquistada. O mesmo aconteceu em outras partes do mundo, principalmente na África, onde países como Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe utilizam, além de vários dialetos, a língua de Camões, Fernando Pessoa e de nosso genial Machado de Assis.
Além dos países africanos, o português chegou a Macau, Timor-Leste e em Goa, países asiáticos que também foram colonizados ou dominados por Portugal.
Hoje, a língua portuguesa é a 5ª língua mais falada no mundo e a mais falada no hemisfério sul da Terra, contando com aproximadamente 280 milhões de falantes em diferentes continentes.
De acordo com estimativas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, a UNESCO, o português, depois do inglês e do espanhol, é um dos idiomas que mais crescem entre as línguas europeias, além de ser a língua com maior potencial de crescimento como língua internacional na África e na América do Sul. Se as estimativas se confirmarem, é possível que, até o ano de 2050, nosso idioma conte com mais de 400 milhões de falantes ao redor do mundo!
O português, assim como vários outros idiomas, sofreu uma evolução histórica, fato que comprova a organicidade de nossa língua. Ao longo dos séculos, outras línguas e dialetos influenciaram sua composição, resultando no idioma tal qual o conhecemos hoje.
É importante ressaltar que o português brasileiro, hoje o mais estudado, falado e escrito no mundo, apresenta importantes diferenças em relação ao português falado em Portugal, especialmente no que diz respeito ao vocabulário, à pronúncia e à sintaxe.
Tais diferenças deram origem a dois padrões de linguagem diferentes, o que não significa que um seja mais correto do que o outro. Nossa língua é rica em variedades, e essas variedades, sobretudo regionais, não inviabilizam a sua compreensão, ainda que dificuldades pontuais possam acontecer.
Além das variações linguísticas, a língua portuguesa também possui diferentes registros, adotados de acordo com as necessidades comunicacionais dos falantes. Esses registros referem-se aos níveis de linguagem e estabelecem diferenças entre a linguagem culta (determinada pela norma-padrão) e a linguagem coloquial, empregada em diferentes situações de nosso cotidiano. Tais aspectos apenas comprovam a riqueza e a diversidade de nosso idioma, reforçando a importância de estudá-lo e compreendê-lo.
Fonte: Luana Castro. Disponível em: < +http://brasilescola.uol.com.br/portugues/>.
Na frase: “Nossa língua é rica em variedades, e essas variedades, sobretudo regionais, não inviabilizam a sua compreensão, ainda que dificuldades pontuais possam acontecer.”, a palavra ‘rica’ é considerada:
Leia o texto a seguir e responda às questões de 11 a 20:
A Língua Portuguesa ou apenas português é uma língua originada no galegoportuguês, idioma falado no Reino da Galiza e no norte de Portugal. Os portugueses foram os primeiros europeus a lançar-se ao mar no período das Grandes Navegações Marítimas.
Em virtude dessa expansão marítima, motivada por questões comerciais, deu-se a difusão da língua nas terras conquistadas, entre elas, o Brasil, cuja língua primária é o português.
A influência da cultura portuguesa por aqui foi tamanha que acabou definindo o idioma oficial da terra recém-conquistada. O mesmo aconteceu em outras partes do mundo, principalmente na África, onde países como Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe utilizam, além de vários dialetos, a língua de Camões, Fernando Pessoa e de nosso genial Machado de Assis.
Além dos países africanos, o português chegou a Macau, Timor-Leste e em Goa, países asiáticos que também foram colonizados ou dominados por Portugal.
Hoje, a língua portuguesa é a 5ª língua mais falada no mundo e a mais falada no hemisfério sul da Terra, contando com aproximadamente 280 milhões de falantes em diferentes continentes.
De acordo com estimativas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, a UNESCO, o português, depois do inglês e do espanhol, é um dos idiomas que mais crescem entre as línguas europeias, além de ser a língua com maior potencial de crescimento como língua internacional na África e na América do Sul. Se as estimativas se confirmarem, é possível que, até o ano de 2050, nosso idioma conte com mais de 400 milhões de falantes ao redor do mundo!
O português, assim como vários outros idiomas, sofreu uma evolução histórica, fato que comprova a organicidade de nossa língua. Ao longo dos séculos, outras línguas e dialetos influenciaram sua composição, resultando no idioma tal qual o conhecemos hoje.
É importante ressaltar que o português brasileiro, hoje o mais estudado, falado e escrito no mundo, apresenta importantes diferenças em relação ao português falado em Portugal, especialmente no que diz respeito ao vocabulário, à pronúncia e à sintaxe.
Tais diferenças deram origem a dois padrões de linguagem diferentes, o que não significa que um seja mais correto do que o outro. Nossa língua é rica em variedades, e essas variedades, sobretudo regionais, não inviabilizam a sua compreensão, ainda que dificuldades pontuais possam acontecer.
Além das variações linguísticas, a língua portuguesa também possui diferentes registros, adotados de acordo com as necessidades comunicacionais dos falantes. Esses registros referem-se aos níveis de linguagem e estabelecem diferenças entre a linguagem culta (determinada pela norma-padrão) e a linguagem coloquial, empregada em diferentes situações de nosso cotidiano. Tais aspectos apenas comprovam a riqueza e a diversidade de nosso idioma, reforçando a importância de estudá-lo e compreendê-lo.
Fonte: Luana Castro. Disponível em: < +http://brasilescola.uol.com.br/portugues/>.
Na frase: “Tais aspectos apenas comprovam a riqueza e a diversidade de nosso idioma, reforçando a importância de estudá-lo e compreendê-lo’, a palavra apenas é um:
Leia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 10:
A ética coletiva e o jeitinho brasileiro
Ricardo Semler, homem de negócios bem sucedido, em seu best-seller ‘Virando a Própria Mesa’, alega que “é impossível ser industrial neste país sem ser corrupto”, tantos e tamanhos são os esquemas que envolvem essa atividade que não resta alternativa senão fazer parte deles ou perecer.
De certa forma, embora a exorbitante carga tributária a que estão submetidas as empresas brasileiras não deixe dúvidas do quanto a afirmativa se aproxima da realidade, é fato também que todo o restante da sociedade se utiliza dessa mesma lógica para justificar suas ações despidas de qualquer sentido de ética. E isso se generalizou de tal forma que não podemos mais falar sequer de ações pontuais, mas de uma cultura que se instalou e passou a fazer parte do cotidiano das pessoas que sequer conseguem fazer a distinção entre certo e errado, entre ético e não ético no convívio social.
A corrupção é mera consequência desse padrão moral no qual somos iniciados desde a mais tenra idade. A desonestidade, o engano e a falta de caráter é algo intrínseco e altamente difundido na maioria das atividades que se desenvolvem neste país. Daí porque me posiciono como um ferrenho combatente do tal "jeitinho brasileiro".
Se fizermos uma pesquisa nas ruas, será bem provável que muitos digam ser da mesma opinião, mas na prática do dia-a-dia as mesmas pessoas que fazem tal afirmativa cometem atos que vão desde conseguir um lugar na frente de uma fila ou calar-se ao receber um benefício indevido da previdência, até se manter na folha de pagamento de empresa pública na qual nunca desenvolveu qualquer atividade. E todos se acham plenamente justificados na crença de que "estou pegando de volta um pouco do muito que o governo me tira!". Não resta dúvida de que esse tipo de pensamento aplaca muitas consciências a partir do momento em que reconhecemos que o governo fica longe de cumprir a sua parte.
Só que isso não se pode constituir em fator decisivo para a perda generalizada de referenciais e de renúncia absoluta ao sentido de valores pelas pessoas. Vou mais longe quando se trata de avaliar essa prática quando utilizada com conotação de malandragem.
Se ainda existe a vontade de enganar, a real intenção de ser malandro, ainda há esperança de que o processo seja revertido, pois a pessoa sabe que está cometendo um ilícito, tem o conhecimento de que está utilizando um recurso desleal ou desonesto. O mais grave – e é o que já está amplamente difundido na cultura deste país – é quando os indivíduos perdem a noção de que tais atitudes se constituem em ações desonestas.
Eu tenho muito mais medo dos indivíduos aéticos do que dos antiéticos, porque estes últimos têm consciência plena de que estão cometendo um ato ilícito, e isso faz o divisor de águas. Quando se perde a noção entre o lícito e o ilícito, como acontece no Brasil, e a população acha muito comum cometer o pequeno "delito nosso de cada dia", aí sim, tem-se o maior indicador de que a moral pública sofreu uma derrocada significativa, e não se sabe mais se isso poderá ser revertido um dia.
O contexto está degenerado de tal forma, com seu esquema de valores tão deturpado, que tudo passa a ser válido, desde que o final seja considerado "uma boa causa".
Li certa vez um artigo que classifica a corrupção em vários níveis e mostra que ela já começa dentro de casa, quando se usa até a carteira de estudante de um irmão para pagar "meia" no cinema. E o comportamento tolerante, a complacência usual das pessoas com a corrupção do cotidiano é que se configura inaceitável.
O país do "jeitinho" é a mais verdadeira das nossas realidades! Afinal, o negócio é levar vantagem em tudo, certo? Enquanto não nos cobrarmos, cada um de si mesmo, – até que isto se torne uma prática comum – uma postura ética de tolerância zero, nada vai mudar.
Fonte: BOLDSTEIN, Luiz Roberto. Disponível em:< www.diferencialbr.com.br>.
No trecho: “De certa forma, embora a exorbitante carga tributária a que estão submetidas as empresas brasileiras não deixe dúvidas do quanto a afirmativa se aproxima da realidade [...]”, a palavra ‘exorbitante’ é um:
Texto II
Carnaval de trazer por casa
Quinze dias antes já os olhos se colavam aos pés, com medo de uma queda que acabasse com o Carnaval. Subíamos e descíamos as escadas, como quem pisa algodão. [...] Nós éramos todas meninas. Tínhamos a idade que julgávamos ser eterna. Sonhávamos com os cinco dias mais prometidos do ano. A folia começava sexta-feira e só terminava terça quando as estrelas iam muito altas. Havia o cheiro das bombinhas que tinham um odor aproximado ao dos ovos podres e que se misturava com o pó do baile que se colava aos lábios. Que se ressentiam vermelhos de dor. Havia o cantor esganiçado em palco a tentar a afinação, que quase nunca conseguia: [...] Depois os bombos saíam à rua, noite fora, dia adentro. [...] E na noite que transformava o frio do inverno no calor do Carnaval, eu tinha a certeza de que aquele som dos bombos fazia parte do meu código genético. E que o Carnaval ia estar sempre presente nas ruas estreitas da minha aldeia, assim, igual a si próprio, com os carros de bois a chiar pelas ruas, homens vestidos de mulheres com pernas cheias de pelos, mulheres vestidas de bebês, o meu pai vestido de François Mitterrand e eu com a certeza de que o mundo estava todo certo naqueles cinco dias, na minha aldeia.
O outro, o que via nas televisões, não era meu.
(FREITAS, Eduarda. Revista Carta Capital. Disponível em: http:// www.cartacapital.com.br/sociedade/carnaval-de-trazer-porcasa/?autor=40. Acesso em set. 2016.)
O texto expõe memórias coletivas através do olhar de um narrador. Assinale a opção em que se destaca um vocábulo que evidencie essa ideia de coletividade.
Texto II
Carnaval de trazer por casa
Quinze dias antes já os olhos se colavam aos pés, com medo de uma queda que acabasse com o Carnaval. Subíamos e descíamos as escadas, como quem pisa algodão. [...] Nós éramos todas meninas. Tínhamos a idade que julgávamos ser eterna. Sonhávamos com os cinco dias mais prometidos do ano. A folia começava sexta-feira e só terminava terça quando as estrelas iam muito altas. Havia o cheiro das bombinhas que tinham um odor aproximado ao dos ovos podres e que se misturava com o pó do baile que se colava aos lábios. Que se ressentiam vermelhos de dor. Havia o cantor esganiçado em palco a tentar a afinação, que quase nunca conseguia: [...] Depois os bombos saíam à rua, noite fora, dia adentro. [...] E na noite que transformava o frio do inverno no calor do Carnaval, eu tinha a certeza de que aquele som dos bombos fazia parte do meu código genético. E que o Carnaval ia estar sempre presente nas ruas estreitas da minha aldeia, assim, igual a si próprio, com os carros de bois a chiar pelas ruas, homens vestidos de mulheres com pernas cheias de pelos, mulheres vestidas de bebês, o meu pai vestido de François Mitterrand e eu com a certeza de que o mundo estava todo certo naqueles cinco dias, na minha aldeia.
O outro, o que via nas televisões, não era meu.
(FREITAS, Eduarda. Revista Carta Capital. Disponível em: http:// www.cartacapital.com.br/sociedade/carnaval-de-trazer-porcasa/?autor=40. Acesso em set. 2016.)
Considere o fragmento abaixo para responder às questões 8 e 9 seguintes.
“E na noite que transformava o frio do inverno no calor do Carnaval, eu tinha a certeza de que aquele som dos bombos fazia parte do meu código genético.” (1º§)
Há duas ocorrências do vocábulo “que” no trecho em análise. Contudo, possuem classificações morfológicas distintas. Assim, nota-se que, respectivamente, são:
Marque a alternativa onde temos apenas substantivos femininos.
Quanto aos substantivos, assinale a alternativa incorreta.
Assinale a alternativa que apresenta a palavra não formada por derivação parassintética:
TEXTO 1
As torcidas organizadas não são as (únicas) culpadas
Torcidas organizadas agora recebem o rótulo de "facções". É uma clara tentativa de relacioná-las ao mundo do crime, como se todas as suas atitudes fossem ilícitas. Mas a realidade é diferente. O torcedor organizado não é bandido. Ele trabalha (a média de desemprego nas torcidas é de 2,8%, em comparação com os 8,1% da média brasileira), mora com os pais (86,8%) e tem um significativo grau de instrução (80,8% possui de 10 a 12 anos de escolaridade).
Esses números fazem parte do resultado de uma pesquisa que realizei com 813 integrantes das três maiores organizadas de São Paulo. São dados que desmentem a visão de que seus filiados são vagabundos que se associam para o crime. Costuma-se generalizar, mostrando que as mortes que ocorrem no futebol têm a ver apenas com as torcidas. Não é verdade. Por isso, pregar a extinção das organizadas para estancar a violência é a mesma coisa que defender o fim do Senado para acabar com a corrupção.
Enquanto alguns culpam apenas as torcidas organizadas, outros responsáveis pelo problema são poupados. Há o Estado, que muitas vezes não oferece um policiamento de qualidade, preparado para atuar em jogos de futebol. Jogadores e dirigentes incitam a violência com declarações impensadas. E grande parte da imprensa, na ânsia de encontrar respostas imediatas a um problema histórico, comete equívocos básicos, como não ouvir todas as partes envolvidas. O resultado é uma visão deturpada e preconceituosa, que não contribui para a superação do problema.
Outros números da pesquisa apontam que é um erro subestimar a capacidade de discernimento dos torcedores organizados. A maioria tem compreensão dos fatores que causam a violência e apontam a imprensa (78,1%) e a polícia (19,5%) como co-responsáveis. Engana-se também quem pensa que estão pretendendo transferir a responsabilidade, pois 61,8% remete o problema a situações em que os próprios torcedores são os protagonistas, como rivalidade, provocação dos rivais, falta de educação e ignorância.
Além disso, os torcedores organizados, especialmente os jovens, se reúnem não apenas para torcer por suas cores. Eles discutem a política do clube, o esporte, entre outros assuntos. São questões que atualmente não são abordadas em outro espaço da sociedade. Mesmo que possuam uma parcela da responsabilidade pelo clima bélico nos estádios, as torcidas organizadas apresentam características positivas. Essas agremiações têm grande importância para os clubes, apresentando um alto grau de fidelidade (85% dos entrevistados vão ao estádio de uma a duas vezes por semana, independentemente da situação do seu time e de onde o jogo será realizado).
E não apenas nas arquibancadas as agremiações demonstram aspectos construtivos. Geralmente, são compostas por representantes de diversas origens e classes sociais, que promovem ações de assistência social voltadas para a comunidade. Há, portanto, uma inegável importância de cunho social. Mais do que isso, trata-se de um ambiente de aprendizado político, derivado da convivência entre os integrantes. Assim, alguns membros se destacam, pleiteiam cargos e acabam tornando-se dirigentes, enquanto os demais exercem alguns dos seus direitos de cidadania. É um espaço de discussão política, que preenche uma lacuna.
Obviamente, os crimes e delitos praticados por membros de torcidas devem ser punidos, como deveria acontecer com todos. Mas a falta de leis específicas e a cultura da impunidade no Brasil jogam contra a paz no futebol. No Senado, tramita um projeto de lei que talvez mude esse panorama, modificando e ampliando os direitos e deveres dos torcedores e dos organizadores das partidas de futebol. Mas, até que essa lei surta efeito, poderíamos ao menos abandonar o preconceito com que tratamos as torcidas organizadas. E deixar de apontá-las como as únicas vilãs de uma história que não tem mocinhos.
Revista Galileu, n.18, de setembro de 2009. p.96-97.
As questões de 1 a 12 referem-se ao texto 1
Assinale a alternativa cujo advérbio destacado foi empregado para expressar uma opinião do autor.
TEXTO 1
As torcidas organizadas não são as (únicas) culpadas
Torcidas organizadas agora recebem o rótulo de "facções". É uma clara tentativa de relacioná-las ao mundo do crime, como se todas as suas atitudes fossem ilícitas. Mas a realidade é diferente. O torcedor organizado não é bandido. Ele trabalha (a média de desemprego nas torcidas é de 2,8%, em comparação com os 8,1% da média brasileira), mora com os pais (86,8%) e tem um significativo grau de instrução (80,8% possui de 10 a 12 anos de escolaridade).
Esses números fazem parte do resultado de uma pesquisa que realizei com 813 integrantes das três maiores organizadas de São Paulo. São dados que desmentem a visão de que seus filiados são vagabundos que se associam para o crime. Costuma-se generalizar, mostrando que as mortes que ocorrem no futebol têm a ver apenas com as torcidas. Não é verdade. Por isso, pregar a extinção das organizadas para estancar a violência é a mesma coisa que defender o fim do Senado para acabar com a corrupção.
Enquanto alguns culpam apenas as torcidas organizadas, outros responsáveis pelo problema são poupados. Há o Estado, que muitas vezes não oferece um policiamento de qualidade, preparado para atuar em jogos de futebol. Jogadores e dirigentes incitam a violência com declarações impensadas. E grande parte da imprensa, na ânsia de encontrar respostas imediatas a um problema histórico, comete equívocos básicos, como não ouvir todas as partes envolvidas. O resultado é uma visão deturpada e preconceituosa, que não contribui para a superação do problema.
Outros números da pesquisa apontam que é um erro subestimar a capacidade de discernimento dos torcedores organizados. A maioria tem compreensão dos fatores que causam a violência e apontam a imprensa (78,1%) e a polícia (19,5%) como co-responsáveis. Engana-se também quem pensa que estão pretendendo transferir a responsabilidade, pois 61,8% remete o problema a situações em que os próprios torcedores são os protagonistas, como rivalidade, provocação dos rivais, falta de educação e ignorância.
Além disso, os torcedores organizados, especialmente os jovens, se reúnem não apenas para torcer por suas cores. Eles discutem a política do clube, o esporte, entre outros assuntos. São questões que atualmente não são abordadas em outro espaço da sociedade. Mesmo que possuam uma parcela da responsabilidade pelo clima bélico nos estádios, as torcidas organizadas apresentam características positivas. Essas agremiações têm grande importância para os clubes, apresentando um alto grau de fidelidade (85% dos entrevistados vão ao estádio de uma a duas vezes por semana, independentemente da situação do seu time e de onde o jogo será realizado).
E não apenas nas arquibancadas as agremiações demonstram aspectos construtivos. Geralmente, são compostas por representantes de diversas origens e classes sociais, que promovem ações de assistência social voltadas para a comunidade. Há, portanto, uma inegável importância de cunho social. Mais do que isso, trata-se de um ambiente de aprendizado político, derivado da convivência entre os integrantes. Assim, alguns membros se destacam, pleiteiam cargos e acabam tornando-se dirigentes, enquanto os demais exercem alguns dos seus direitos de cidadania. É um espaço de discussão política, que preenche uma lacuna.
Obviamente, os crimes e delitos praticados por membros de torcidas devem ser punidos, como deveria acontecer com todos. Mas a falta de leis específicas e a cultura da impunidade no Brasil jogam contra a paz no futebol. No Senado, tramita um projeto de lei que talvez mude esse panorama, modificando e ampliando os direitos e deveres dos torcedores e dos organizadores das partidas de futebol. Mas, até que essa lei surta efeito, poderíamos ao menos abandonar o preconceito com que tratamos as torcidas organizadas. E deixar de apontá-las como as únicas vilãs de uma história que não tem mocinhos.
Revista Galileu, n.18, de setembro de 2009. p.96-97.
As questões de 1 a 12 referem-se ao texto 1
“Mesmo que possuam uma parcela da responsabilidade pelo clima bélico nos estádios, as torcidas organizadas apresentam características positivas.”
A relação lógico-semântica estabelecida pela expressão mesmo que é a de
Aposentados que são voluntários sofrem menos de depressão
Um quinto da população de idosos do planeta sofre de depressão, segundo estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS). A doença costuma se manifestar, na maioria dos casos, pouco depois da aposentadoria, quando as pessoas passam a acreditar que já não são mais úteis à sociedade, mesmo que isso não seja verdade. No Brasil, este índice é um pouco inferior - 15% dos idosos - , porém, de qualquer forma, é uma triste realidade para muitas pessoas. Embora sejam os fatores biológicos, sociais e psicológicos os maiores responsáveis pelo desencadeamento dos casos de depressão, dizem os médicos, a propensão aumenta nesta faixa etária porque, ao parar de trabalhar, muitas vezes os aposentados deixam de fazer qualquer outra atividade e acabam perdendo o interesse pela vida.
Repassar conhecimentos, doar este tempo que está sobrando e descobrir novas potencialidades podem ser grandes e surpreendentes experiências para quem está na terceira idade. Os problemas relacionados à solidão, tristeza, decepção e até a própria depressão, tão comuns nessa fase da vida, têm grandes chances de serem solucionadas (ou pelo menos minimizados) se o tempo livre for utilizado, por exemplo, para a realização de trabalhos voluntários. É muito comum recém-aposentados queixarem-se da falta do que fazer, e para quem trabalhou a vida toda isso não é muito fácil de lidar. Os médicos normalmente recomendam a prática de atividades ocupacionais, como artesanato, exercícios, aulas de dança e informática, dentre outras coisas que os agrade. Mesmo assim, às vezes estas atividades ainda não são suficientes, pois o que prevalece é o sentimento de não serem mais úteis à sociedade.
Dentro deste contexto, a psicóloga Danielle Sá, da Sociedade Brasileira de Arte, Cultura e Cidadania, aconselha aos aposentados realizarem algum tipo de trabalho voluntário, uma prática que só traz benefícios - tanto para quem atua quanto para aquele que recebe a atenção. Para os idosos, o primeiro benefício é quase instantâneo: a recuperação da autoestima e a satisfação de sentir-se importante para o outro, o que diminui muito os índices de ansiedade e estresse. O voluntariado é, sem dúvida, uma excelente oportunidade para o aposentado demonstrar suas habilidades, conhecer novas pessoas, dedicar-se a uma causa nobre e ainda exercitar novas competências, diz a especialista. Enfim, uma grande motivação para não entregar-se ao pijama e ao sofá pelo resto da vida.
Viviane Bevilacqua, Diário Catarinense, 15/02/2016- 21h46min, atualizada em 15/02/2016- 21h48min
Observe as palavras sublinhadas neste trecho: Repassar conhecimentos, doar este tempo que está sobrando e descobrir novas potencialidades podem ser grandes e surpreendentes experiências para quem está na terceira idade.
Essas palavras pertencem à classe gramatical:
Aposentados que são voluntários sofrem menos de depressão
Um quinto da população de idosos do planeta sofre de depressão, segundo estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS). A doença costuma se manifestar, na maioria dos casos, pouco depois da aposentadoria, quando as pessoas passam a acreditar que já não são mais úteis à sociedade, mesmo que isso não seja verdade. No Brasil, este índice é um pouco inferior - 15% dos idosos - , porém, de qualquer forma, é uma triste realidade para muitas pessoas. Embora sejam os fatores biológicos, sociais e psicológicos os maiores responsáveis pelo desencadeamento dos casos de depressão, dizem os médicos, a propensão aumenta nesta faixa etária porque, ao parar de trabalhar, muitas vezes os aposentados deixam de fazer qualquer outra atividade e acabam perdendo o interesse pela vida.
Repassar conhecimentos, doar este tempo que está sobrando e descobrir novas potencialidades podem ser grandes e surpreendentes experiências para quem está na terceira idade. Os problemas relacionados à solidão, tristeza, decepção e até a própria depressão, tão comuns nessa fase da vida, têm grandes chances de serem solucionadas (ou pelo menos minimizados) se o tempo livre for utilizado, por exemplo, para a realização de trabalhos voluntários. É muito comum recém-aposentados queixarem-se da falta do que fazer, e para quem trabalhou a vida toda isso não é muito fácil de lidar. Os médicos normalmente recomendam a prática de atividades ocupacionais, como artesanato, exercícios, aulas de dança e informática, dentre outras coisas que os agrade. Mesmo assim, às vezes estas atividades ainda não são suficientes, pois o que prevalece é o sentimento de não serem mais úteis à sociedade.
Dentro deste contexto, a psicóloga Danielle Sá, da Sociedade Brasileira de Arte, Cultura e Cidadania, aconselha aos aposentados realizarem algum tipo de trabalho voluntário, uma prática que só traz benefícios - tanto para quem atua quanto para aquele que recebe a atenção. Para os idosos, o primeiro benefício é quase instantâneo: a recuperação da autoestima e a satisfação de sentir-se importante para o outro, o que diminui muito os índices de ansiedade e estresse. O voluntariado é, sem dúvida, uma excelente oportunidade para o aposentado demonstrar suas habilidades, conhecer novas pessoas, dedicar-se a uma causa nobre e ainda exercitar novas competências, diz a especialista. Enfim, uma grande motivação para não entregar-se ao pijama e ao sofá pelo resto da vida.
Viviane Bevilacqua, Diário Catarinense, 15/02/2016- 21h46min, atualizada em 15/02/2016- 21h48min
Um quinto da população de idosos do planeta sofre de depressão, segundo estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A expressão sublinhada pertence à classe gramatical:
Leia o texto 1 para responder às questões de 01 a 07.
Texto 1
Objetivo de princesas da Disney não é mais o casamento, revela estudo
Maria Clara Moreira
Quando Walt Disney trouxe para as telas a versão animada de "Branca de Neve" (1937), clássico alemão imortalizado pelos irmãos Grimm, lançou as bases para o que se tornaria um ícone cultural infantil.
Desde então, sucessoras como Ariel, de "A Pequena Sereia", e Tiana, de "A Princesa e o Sapo", colaboram para a formação do ideal de feminilidade de milhares de meninas mundo afora. Em suas histórias, carregam papéis e ideais que pautam, ainda na infância, os valores sociais.
Foi essa ideia que levou as pesquisadoras americanas Carmen Fought, do Pitzer College, e Karen Eisenhauer, da North Carolina State University, a aplicarem princípios da linguística para analisar como os filmes da Disney expressam as diferenças entre homens e mulheres e como essa abordagem mudou nos últimos anos.
"A feminilidade não vem do nascimento, é algo desenvolvido a partir de interações com a ideologia da nossa sociedade, e os filmes da Disney atuam como uma fonte de ideias sobre o que é ser mulher", defende Carmen.
Ela e Karen categorizaram os filmes em três eras cronológicas: Clássica, de "Branca de Neve" (1937) a "A Bela Adormecida" (1959); Renascentista, de "A Pequena Sereia" (1989) a "Mulan" (1998); e a Nova Era, de "A Princesa e o Sapo" (2009) a "Frozen" (2013) − este último não é reconhecido pela Disney como parte da franquia, mas também foi considerado pela pesquisa.
Fora "Aladdin" (1992), todos os longas da franquia das princesas são protagonizados por mulheres, embora dominados por personagens masculinos. O número de homens foi superior ao de mulheres em quase todos os exemplos, com o empate em "Cinderela" (1950), única exceção.
Carmen não acredita que povoar os longas com homens seja uma escolha consciente por parte dos produtores. Ao contrário, explica o fenômeno como uma decisão automática e inconsciente de assumir o masculino como norma.
"Nossa imagem de médicos e advogados, por exemplo, costuma ser masculina, mesmo com muitas mulheres nessas profissões. Nos filmes analisados, quase todos os papéis além da protagonista vão automaticamente para homens. Acho que é automático [para eles] colocar personagens homens como o braço direito engraçadinho e em funções menores, que passam batido", argumenta.
DIFERENÇA GERACIONAL?
Entre as eras Clássica e Renascentista, há uma diferença geracional. Os 30 anos entre "A Bela Adormecida" e "A Pequena Sereia" viram desde a luta pelos direitos civis dos negros nos EUA à morte de Walt Disney, passando pela segunda onda do feminismo.
As mudanças culturais levaram a uma princesa supostamente diferente. A sereia Ariel foi recebida pela crítica como uma rebelde, cuja independência em muito diferia da submissão das predecessoras.
O estudo de Carmen e Karen, no entanto, prova o contrário. Se desde "Branca de Neve" a quantidade de palavras ditas por personagens femininas vinha crescendo (passando de 50% para 71% em 1959), Ariel e suas sucessoras da era Renascentista reverteram a tendência de forma drástica. Todos os cinco filmes do período viram dominância masculina, cujo ápice foi "Aladdin" (90%).
"Os filmes mais recentes mostram evolução em algumas áreas. Em geral, as ideias estão sendo atualizadas. A ideia de ser salva por um homem parece ter mudado, e o casamento como meta única também. Um exemplo é Tiana, de 'A Princesa e o Sapo', cujo sonho é ter um restaurante", explica Carmen. "É possível argumentar que se esforçaram ao incluir duas princesas que salvam a si mesmas em 'Frozen'. Ao mesmo tempo, a maioria de seus personagens é masculina, e os homens ganham a maior parte do diálogo (59%)."
BELEZA NÃO É TUDO
Instigadas não apenas pela soberania do discurso, mas também por seu conteúdo, as americanas catalogaram os elogios distribuídos ao longo dos 12 filmes, buscando descobrir se as personagens mulheres são mais elogiadas por sua aparência que por suas habilidades, e se o padrão se opõe à tendência masculina.
Aqui, "A Pequena Sereia" se mostrou progressista. O filme deu início à era Disney que reduziu de 55% para 38% a quantidade de elogios à beleza das personagens. No lugar, as princesas passaram a ser celebradas por suas habilidades (um aumento de 12 pontos percentuais em relação aos filmes clássicos) e personalidades. A tendência se manteve durante a Nova Era.
Na contramão da diminuição dos elogios à aparência das personagens femininas, a pesquisa descobriu que personagens masculinos cada vez mais têm a beleza, e não as habilidades, elogiada.
Os números refletem a inclusão de profissionais mulheres em seu processo de criação. Entre os exemplos notáveis estão "A Bela e a Fera" e "Valente". Idealizados por mulheres (Linda Woolverton e Brenda Chapman, respectivamente), os dois têm heroínas criadas para serem novos modelos para meninas, desta vez baseados em força de vontade e independência.
"Torço para que façam filmes mais representativos. É algo que necessitamos em toda a mídia, não só na Disney", opina Carmen. "Se nós não tomarmos a decisão de incluir maior diversidade étnica, etária e de gênero na mídia, continuaremos a escolher automaticamente a maioria, ou seja, homens brancos."
Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/02/1734943-objetivode-princesas-da-disney-nao-e-mais-o-casamento-revela-estudo.shtml >. Acesso em: 13
abr. 2016. [Adaptado].
A correspondência entre o operador discursivo em destaque e a descrição de seu funcionamento dentro dos parênteses ocorre em:
A taxa de obesidade entre crianças de menos de cinco anos sofre uma expansão sem precedentes.
A expressão sublinhada, no período acima, pertence à classe gramatical:
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
A diferença entre mimar um filho e torná-lo um incompetente
- A criação de um filho envolve questões bastante complexas. São muitos os pais que
- anseiam por manter seus filhos felizes. Na perseguição deste desejo, muitas vezes eles dão de
- cara com um paradoxo: quanto mais esforço fazem, menos alcançam o objetivo. As crianças
- que recebem mais mimos e considerações geralmente também são as que mais sofrem pelo
- que não têm.
- Dizem que as novas gerações “nasceram cansadas”. Muitas das crianças de hoje parecem
- não ter ideia do que significa um despertador. O alarme pode tocar mil vezes e elas ainda estão
- lá, como se nada tivesse acontecido. Os pais têm que chamá-las várias vezes para que elas se
- levantem e possam ir para a escola. Muitos pais sabem que isso não é correto. Ainda assim eles
- continuam a fazê-lo, presos na própria dinâmica que criaram. Talvez não queiram lidar com o
- seu filho, porque não se sentem com autoridade suficiente para fazê-lo. Ou carregam sobre
- seus ombros alguma culpa que não lhes pertence e tentam compensar sendo mais permissivos.
- A verdade é que muitas crianças de hoje em dia têm se tornado verdadeiros preguiçosos.
- Elas não fazem sua cama e não têm ideia do que fazer para que as roupas apareçam limpas e
- passadas. Às vezes, elas não são tão pequenas. Às vezes elas chegam __ idades bastante
- avançadas se comportando da mesma maneira. O que está acontecendo?
- Esse desejo de que a criança não passe por determinadas dificuldades se tornou muito
- recorrente entre alguns pais. Eles idealizam __ vida e a colocam em termos parecidos com um
- paraíso. Isso é o que querem para seus filhos, um paraíso colorido onde eles possam ir
- crescendo sem sobressaltos. Por isso constroem em casa uma espécie de “resort” com “tudo
- incluído”: pensão completa, sem necessidade de que tenham que se preocupar nem mesmo
- com “suas coisas”, para não falar das demais; comida quente, que deve ser deliciosa, ou então
- correm o risco de que a criança não queira comer e que a “pobrezinha” adoeça; cama macia e
- sempre feita. E a coisa não termina aí. Eles também ensinam a criança a conjugar o verbo pedir
- em todos os modos e tempos. Isso é o que a criança sabe fazer de melhor: pedir. É tudo o que
- ela tem que fazer para conseguir o que deseja. “Como não lhe dar o melhor smartphone se
- depois ela irá se sentir complexada com os seus colegas?”. “Como não comprar a melhor
- roupa? Não quero que digam que ‘anda como um indigente’”.
- O “eu não quero que meu filho passe pelo que eu passei” é um pensamento que inúmeras
- vezes tem conduzido – e continuará conduzindo – ao desastre. Não é uma maneira de educar
- no amor. Porque quando se diz que o amor fica satisfeito com a felicidade do outro, não se
- refere à preguiça do outro, mas a sua realização.
- Muitos pais têm medo de seus filhos. O medo é justificado, especialmente se considerarmos
- que as agressões físicas aos pais têm aumentado em todos os países do Ocidente. Em alguns
- mais, em outros menos, mas no geral as porcentagens já alcançam os dois dígitos. Muitos pais
- também não são capazes de tomar decisões sem primeiro consultar seu filho. O que resulta
- desse tipo de criação são pessoas basicamente inúteis. Mas não é só isso. Também se tornam
- indolentes, falsamente convencidas, intolerantes e egoístas. Exatamente o tipo de pessoas que
- um pai ou uma mãe não quer perto de seu filho. Exatamente o tipo de seres humanos que
- vivem sem utilidade, nem sequer para si mesmos.
- Os avós e bisavós utilizavam a “pedagogia do cinto”. Não ___ necessidade de converter as
- infâncias em um sofrimento para educar adultos responsáveis, na verdade é um caminho ainda
- mais censurável que o excesso de permissividade, porque coloca em perigo a integridade da
- criança. No entanto, em algo eles estavam certos: o pai ou a mãe são aqueles que têm a
- obrigação de tomar a decisão. Também tinham razão em envolver as crianças em tarefas
- domésticas e lhes delegar responsabilidades para serem cumpridas. Um pai abusivo resulta em
- uma criança diminuída. Um pai permissivo e obediente educa filhos inúteis. Um pai que sabe
- estabelecer e manter alguns limites com carinho cria filhos fortes.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em https://www.contioutra.com/a-diferenca-entre-mimar-um-filho-e-torna-lo-um-incompetente/. Acesso em 31 Jan. 2019.
O termo “objetivo”, utilizado no texto é decorrente de um processo de formação de palavras conhecido como:
Leia os quadrinhos de Mafalda a seguir:
No quadrinho acima, Felipe pergunta a Mafalda: “Como vão as coisas?” A palavra “vão”, aqui, é uma flexão de um verbo, cujos homônimos também podem ter o valor de: