Questões de Concurso
Sobre morfologia em português
Foram encontradas 26.992 questões
Leia o texto a seguir para responder à questão.
O suicida e o computador
Depois de fazer o laço da forca e colocar uma cadeira embaixo, o escritor sentou-se atrás da sua mesa de trabalho, ligou o computador e digitou: “No fundo, no fundo, os escritores passam o tempo todo redigindo a sua nota de suicida. Os que se suicidam mesmo são os que a terminam mais cedo.”
Levantou-se, subiu na cadeira sob a forca e colocou a forca no pescoço. Depois retirou a forca do pescoço, desceu da cadeira, voltou ao computador e apagou o segundo “no fundo”. Ficava mais enxuto. Mais categórico. Releu a nota e achou que estava curta. Pensou um pouco, depois acrescentou: “Há os que se suicidam antes para escapar da terrível agonia de encontrar um final para a nota. O suicídio substitui o final. O suicídio é o final.”
Levantou-se, subiu na cadeira, colocou a forca no pescoço e ficou pensando. Lembrou-se de uma frase de Borges. Encaixa, pensou, retirando a corda do pescoço, descendo da cadeira e voltando ao computador. Digitou: “Borges disse que o escritor publica seus livros para livrar-se deles, senão passaria o resto da vida reescrevendo-os. O suicídio substitui a publicação. O suicídio é a publicação. No caso, o livro livra-se do escritor.”
Levantou-se, subiu na cadeira, mas desceu da cadeira antes de colocar a forca no pescoço. Lembrara-se de outra coisa. Voltou ao computador e, entre o penúltimo e o último parágrafo, inseriu: “Há escritores que escrevem um grande livro, ou uma grande nota de suicida, e depois nunca mais conseguem escrever outro. Atribuem a um bloqueio, ao medo do fracasso. Não é nada disso. É que escreveram a nota, mas esqueceram-se de se suicidar. Passam o resto da vida sabendo que faltou alguma coisa na sua obra e não sabendo o que é. Faltou o suicídio.”
Levantou-se, ficou olhando a tela do computador, depois sentou-se de novo. Digitou: “No fundo, no fundo, a agonia é saber quando se terminou. Há os que não sabem quando chegaram ao final da sua nota de suicida. Geralmente, são escritores de uma obra extensa. A crítica elogia sua prolixidade, a sua experimentação com formas diversas. Não sabe que ele não consegue é terminar a nota.” Dessa vez não se levantou. Ficou olhando para a tela, pensando. Depois acrescentou: “É claro que o computador agravou a agonia. Talvez uma nota de suicida definitiva só possa ser manuscrita ou datilografada à moda antiga, quando o medo de borrar o papel com correções e deixar uma impressão de desleixo para a posteridade leva o autor a ser preciso e sucinto. Tese: é impossível escrever uma nota de suicida num computador.” Era isso? Ele releu o que tinha escrito. Apagou o segundo “no fundo”. Era isso. Por via das dúvidas, guardou o texto na memória do computador. No dia seguinte o revisaria. E foi dormir.
VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Leia o texto a seguir para responder à questão.
O suicida e o computador
Depois de fazer o laço da forca e colocar uma cadeira embaixo, o escritor sentou-se atrás da sua mesa de trabalho, ligou o computador e digitou: “No fundo, no fundo, os escritores passam o tempo todo redigindo a sua nota de suicida. Os que se suicidam mesmo são os que a terminam mais cedo.”
Levantou-se, subiu na cadeira sob a forca e colocou a forca no pescoço. Depois retirou a forca do pescoço, desceu da cadeira, voltou ao computador e apagou o segundo “no fundo”. Ficava mais enxuto. Mais categórico. Releu a nota e achou que estava curta. Pensou um pouco, depois acrescentou: “Há os que se suicidam antes para escapar da terrível agonia de encontrar um final para a nota. O suicídio substitui o final. O suicídio é o final.”
Levantou-se, subiu na cadeira, colocou a forca no pescoço e ficou pensando. Lembrou-se de uma frase de Borges. Encaixa, pensou, retirando a corda do pescoço, descendo da cadeira e voltando ao computador. Digitou: “Borges disse que o escritor publica seus livros para livrar-se deles, senão passaria o resto da vida reescrevendo-os. O suicídio substitui a publicação. O suicídio é a publicação. No caso, o livro livra-se do escritor.”
Levantou-se, subiu na cadeira, mas desceu da cadeira antes de colocar a forca no pescoço. Lembrara-se de outra coisa. Voltou ao computador e, entre o penúltimo e o último parágrafo, inseriu: “Há escritores que escrevem um grande livro, ou uma grande nota de suicida, e depois nunca mais conseguem escrever outro. Atribuem a um bloqueio, ao medo do fracasso. Não é nada disso. É que escreveram a nota, mas esqueceram-se de se suicidar. Passam o resto da vida sabendo que faltou alguma coisa na sua obra e não sabendo o que é. Faltou o suicídio.”
Levantou-se, ficou olhando a tela do computador, depois sentou-se de novo. Digitou: “No fundo, no fundo, a agonia é saber quando se terminou. Há os que não sabem quando chegaram ao final da sua nota de suicida. Geralmente, são escritores de uma obra extensa. A crítica elogia sua prolixidade, a sua experimentação com formas diversas. Não sabe que ele não consegue é terminar a nota.” Dessa vez não se levantou. Ficou olhando para a tela, pensando. Depois acrescentou: “É claro que o computador agravou a agonia. Talvez uma nota de suicida definitiva só possa ser manuscrita ou datilografada à moda antiga, quando o medo de borrar o papel com correções e deixar uma impressão de desleixo para a posteridade leva o autor a ser preciso e sucinto. Tese: é impossível escrever uma nota de suicida num computador.” Era isso? Ele releu o que tinha escrito. Apagou o segundo “no fundo”. Era isso. Por via das dúvidas, guardou o texto na memória do computador. No dia seguinte o revisaria. E foi dormir.
VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

“Crie suas leis¹ de felicidades. Aprecie as estrelas² de um céu iluminado e colorido! Você tem as chaves³ para viver em paz e harmonia com a vida!” – Marque a alternativa com os coletivos correspondentes, correta e respectivamente.



I – Na expressão: “Este ano” – temos pronome demonstrativo, indicativo do objeto próximo de quem emite a mensagem, concordando em gênero e em número com o substantivo dissílabo paroxítono.
II – A expressão: “quero continuar atenta a tudo” – é formada por locução verbal, adjetivo biforme, preposição essencial imposta pela regência nominal e pronome indefinido invariável.
III – No segmento, sublinhamos, respectivamente: “prestando atenção às cores dos relacionamentos que” – verbo na forma nominal do gerúndio; crase imposta pela regência nominal; pronome relativo.
IV – Os verbos: “surgem e desaparecem” – conjugados no presente do modo indicativo, enunciam ideias que se opõem pelo sentido.
I – Na frase exclamativa: “Simplesmente morrer de amor!” – sublinhamos: preposição imposta pela regência verbal e substantivo abstrato.
II – Na frase: “Entenda agora e venha comigo!” – há duas informações escritas com verbos no modo imperativo, sugerindo ordem ou conselho.
III – Na frase: “Este ano, eu estou começando a compor” – a vírgula separa um adjunto adverbial de tempo.
IV – O verbo da frase: “Será um ano de tentativas e de vitórias!” - está conjugado no tempo futuro do modo subjuntivo.
I – Na expressão: “Este ano” – temos pronome demonstrativo, indicativo do objeto próximo de quem emite a mensagem, concordando em gênero e em número com o substantivo dissílabo paroxítono.
II – A expressão: “quero continuar atenta a tudo” – é formada por locução verbal, adjetivo biforme, preposição essencial imposta pela regência nominal e pronome indefinido invariável.
III – No segmento, sublinhamos, respectivamente: “prestando atenção às cores dos relacionamentos que” – verbo na forma nominal do gerúndio; crase imposta pela regência nominal; pronome relativo.
IV – Os verbos: “surgem e desaparecem” – conjugados no presente do modo indicativo, enunciam ideias que se opõem pelo sentido.
I – As palavras: “paixão” e “coração” não têm acento gráfico que justifique a tonicidade na última sílaba, porque TIL é marca suprassegmental de nasalização, coincidindo com a sílaba tônica.
II – Os advérbios “não” e “sim” exemplificam uma antítese.
III – Os substantivos: “escândalos” e “máscaras” são proparoxítonos.
IV – Todos os verbos do período: “Este ano, quero aprender algo mais, algo que ainda nem sei o que é” – são regulares e estão conjugados no presente do modo indicativo.