Questões de Concurso
Sobre morfologia - verbos em português
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“O arsenal de suplementos alimentares em voga inclui outros itens, alguns menos estudados." (linha 26)
“Em nenhum dos casos foi observado qualquer benefício." (linhas 20-21)
“A grande maioria dessas vitaminas simplesmente não funciona na prevenção de doenças cardíacas." (linhas 8- 9)
“Elas estão certas em se preocupar." (linhas 5-6)
“As doenças cardiovasculares lideram as causas de morte – no Brasil, [...]" (linha 6)
A locução “pode reduzir" pode ser substituída por “ reduzirá", mantendo-se o mesmo sentido do texto.
(Roberto Muylaert, Revista CartaCapital, nº 698, 2012) Das afirmações sobre o verbo assinalado em “...já que ninguém assiste a uma tevê...", I. Seu valor semântico difere do que apresenta na oração: “Este é um direito que não lhe assiste". II. Pode ser substituído pelo verbo “ver" sem alteração da transitividade. III. É um verbo impessoal, cujo objeto direto é regido de preposição. IV. Pode ser corretamente substituído por “dar assistência". V. No sentido em que foi empregado, somente pode ser transitivo indireto.
deduz-se que estão incorretos os itens
GARANTIR O FUNCIONAMENTO EFETIVO DA LEI DE
ACESSO À INFORMAÇÃO
Tornar o Poder Público realmente público é fundamental
para reduzir a corrupção. No ano passado, o Congresso aprovou
a Lei de Acesso à Informação. O maior avanço é abrir a máquina
pública ao cidadão que a sustenta. A lei obriga os governos a
divulgar dados da administração na internet. Cria regras para o
fornecimento de qualquer informação perdida. Por último,
disciplina a prática de estabelecer o grau de sigilo de
documentos e o acesso a eles.
Não é pouco. Se uma prefeitura decidir aumentar o valor
pago a determinada empreiteira pelo asfalto de uma rua, terá
que publicar o aditivo na internet. Assim, qualquer interessado
terá acesso fácil à informação, seja ele opositor do prefeito,
fornecedor da empresa, trabalhador, concorrente ou mero
curioso. [...]
Grande parte dos países democráticos tem suas leis de
acesso. Em todos eles há dificuldades. A mais comum é o atraso
para responder às solicitações. Há entidades que defendem
esse direito e se especializam em pressionar os governos por
acesso cada vez maior a documentos públicos. [...]
(Marcelo Rocha, Revista Época, nº 715, 2012)
O ciclista
Curvado no guidão lá vai ele numa chispa. Na esquina dá com o sinal vermelho e não se perturba - levanta voo bem na cara do guarda crucificado. No labirinto urbano persegue a morte com o trim-trim da campainha: entrega sem derreter sorvete a domicílio.
É sua lâmpada de Aladino a bicicleta e, ao sentar-se no selim, liberta o gênio acorrentado ao pedal. Indefeso homem, frágil máquina, arremete impávido colosso, desvia de fininho o poste e o caminhão; o ciclista por muito favor derrubou o boné.
Atropela gentilmente e, vespa furiosa que morde, ei-lo defunto ao perder o ferrão. Guerreiros inimigos trituram com chio de pneus o seu diáfano esqueleto. Se não se estrebucha ali mesmo, bate o pó da roupa e - uma perna mais curta - foge por entre nuvens, a bicicleta no ombro.
Opõe o peito magro ao para-choque do ônibus. Salta a poça d'água no asfalto. Num só corpo, touro e toureiro, golpeia ferido o ar nos cornos do guidão.
Ao fim do dia, José guarda no canto da casa o pássaro de viagem. Enfrenta o sono trim-trim a pé e, na primeira esquina, avança pelo céu na contramão, trim-trim.
O ciclista
Curvado no guidão lá vai ele numa chispa. Na esquina dá com o sinal vermelho e não se perturba - levanta voo bem na cara do guarda crucificado. No labirinto urbano persegue a morte com o trim-trim da campainha: entrega sem derreter sorvete a domicílio.
É sua lâmpada de Aladino a bicicleta e, ao sentar-se no selim, liberta o gênio acorrentado ao pedal. Indefeso homem, frágil máquina, arremete impávido colosso, desvia de fininho o poste e o caminhão; o ciclista por muito favor derrubou o boné.
Atropela gentilmente e, vespa furiosa que morde, ei-lo defunto ao perder o ferrão. Guerreiros inimigos trituram com chio de pneus o seu diáfano esqueleto. Se não se estrebucha ali mesmo, bate o pó da roupa e - uma perna mais curta - foge por entre nuvens, a bicicleta no ombro.
Opõe o peito magro ao para-choque do ônibus. Salta a poça d'água no asfalto. Num só corpo, touro e toureiro, golpeia ferido o ar nos cornos do guidão.
Ao fim do dia, José guarda no canto da casa o pássaro de viagem. Enfrenta o sono trim-trim a pé e, na primeira esquina, avança pelo céu na contramão, trim-trim.
“Agora, foram introduzidos tratamentos caros, entre eles o transplante de medula óssea [...]." (linhas 20- 21)
“Hoje, o custo médio desses planos é de 120 reais." (linha 5)
Os museus, dizia Morelli, estão cheios de quadros atribuídos de maneira incorreta. Mas devolver cada quadro ao seu verdadeiro autor é difícil: muitíssimas vezes encontramo- nos frente a obras não assinadas, talvez repintadas ou num mau estado de conservação. Nessas condições, é indispensável poder dintinguir os originais das cópias. Para tanto, porém, é preciso não se basear, como normalmente se faz, em características mais vistosas, portanto mais facilmente imitáveis, dos quadros. Pelo contrário, é necessário examinar os pormenores mais negligenciáveis, e menos influenciados pelas características da escola a que o pintor pertencia: os lóbulos das orelhas, as unhas, as formas dos dedos das mãos e dos pés. Com esse método, Morelli propôs dezenas e dezenas de novas atribuições em alguns dos principais museus da Europa.
Apesar dos resultados obtidos, o método de Morelli foi muito criticado, talvez também pela segurança quase arrogante com que era proposto. Posteriormente foi julgado mecânico, grosseiramente positivista, e caiu em descrédito. Por outro lado, é possível que muitos estudiosos que falavam dele com desdém continuassem a usá-lo tacitamente para as suas atribuições. O renovado interesse pelos trabalhos de Morelli é mérito de E. Wind, que viu neles um exemplo típico da atitude moderna em relação à obra de arte - atitude que o leva a apreciar os pormenores, de preferência à obra em seu conjunto. Em Morelli existiria, segundo Wind, uma exacerbação do culto pela imediaticidade do gênio, assimilado por ele na juventude, em contato com os círculos românticos berlinenses.
(Adaptado de Carlo Ginzburg. Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história. Trad. Federico Carotti. S.Paulo: Cia. das Letras, 1989, p.143-5)
O verbo empregado nos mesmos tempo e modo que o grifado na frase acima está em:
Gleiser retoma as ideias de Peter Ward expostas de modo persuasivo em "Terra Rara". Ali, o autor sugere que a vida microbiana deve ser um fenômeno trivial, podendo pipocar até em mundos inóspitos; já o surgimento de vida multicelular na Terra dependeu de muitas outras variáveis físicas e históricas, o que, se não permite estimar o número de civilizações extraterráqueas, ao menos faz com que reduzamos nossas expectativas.
Uma questão análoga só arranhada por Ward é a da inexorabilidade da inteligência. A evolução de organismos complexos leva necessariamente à consciência e à inteligência?
Robert Wright diz que sim, mas seu argumento é mais matemático do que biológico: complexidade engendra complexidade, levando a uma corrida armamentista entre espécies cujo subproduto é a inteligência.
Stephen J. Gould e Steven Pinker apostam que não. Para eles, é apenas devido a uma sucessão de pré-adaptações e coincidências que alguns animais transformaram a capacidade de resolver problemas em estratégia de sobrevivência. Se rebobinássemos o filme da evolução e reencenássemos o processo mudando alguns detalhes do início, seriam grandes as chances de não chegarmos a nada parecido com a inteligência.
(Adaptado de Hélio Schwartsman. Folha de S. Paulo, 28/10/2012)
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma verbal resultante será:

