Questões de Concurso Sobre morfologia - pronomes em português

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Q3286175 Português

Leia o texto a seguir:


O céu ameaça a terra


Meninos e meninas do povo ikolen-gavião, de Rondônia, sentamse à noite ao redor da fogueira e olham o céu estrelado. Estão maravilhados, mas têm medo: um velho pajé acaba de contar como, antigamente, o céu quase esmagou a Terra.


Era muito antes dos avós dos avós dos meninos, era no começo dos tempos. A humanidade esteve por um fio: podia ser o fim do mundo. Nessa época, o céu ficava muito longe da Terra, mal dava para ver seu azul.


Um dia, ouviu-se trovejar, com estrondo ensurdecedor. O céu começou a tremer e, bem devagarinho, foi caindo, caindo. Homens, mulheres e crianças mal conseguiam ficar em pé e fugiam apavorados para debaixo das árvores ou para dentro de tocas. Só coqueiros e mamoeiros seguravam o céu, servindo de esteios, impedindo-o de colar-se à Terra. Talvez as pessoas, apesar do medo, estivessem experimentando tocar o céu com as mãos...


Nisso, um menino de 5 anos pegou algumas penas de nambu, "mawir" na língua tupi-mondé dos índios ikolens, e fez flechas. Crianças dos ikolens não podem comer essa espécie de nambu, senão ficam aleijadas. Era um nambu redondinho, como a abóbada celeste.


O céu era duríssimo, mas o menino esperto atirou suas flechas adornadas com plumas de mawir. Espanto e alívio! A cada f lechada do garotinho, o céu subia um bom pedaço. Foram três, até o céu ficar como é hoje.


Fonte: https://novaescola.org.br/conteudo/3165/o-ceu-ameaca-a-terra. Acesso em 27/12/2024. Texto adaptado

Em “Só coqueiros e mamoeiros seguravam o céu, servindo de esteios, impedindo-o de colar-se à Terra” (3º parágrafo), a palavra destacada está substituindo um termo anterior, que é:
Alternativas
Q3286019 Português
A frase “Abraçou-o porque estava com saudades.” contém ênclise, isto é, o pronome está colocado após o verbo. Qual das frases a seguir apresenta o mesmo tipo de estrutura?
Alternativas
Q3286010 Português

Analise as afirmativas abaixo a respeito da colocação pronominal e destaque, posteriormente, a alternativa correta.



I. Na oração “Onde nos encontraremos amanhã?”, utiliza-se a próclise em razão do advérbio interrogativo.


II. A posição do termo “me” em “Não me auxiliou na tarefa.” se justifica porque há uma palavra de negação que atrai o pronome.


III. Em “Te chamei mais cedo.”, a colocação pronominal está errada, visto que o verbo “chamar” exige a ênclise. 

Alternativas
Q3286005 Português

Leia a tirinha a seguir para responder a questão




Fonte: https://www.zinecultural.com/blog/melhores-tirinhas-da-mafalda

No primeiro quadrinho, Mafalda pergunta “Mas por que eu tenho que fazer isso?”. A palavra “isso” é um(a):
Alternativas
Q3285944 Português
A Mulher do Vizinho

Sérgio abriu a porta e era a mulher do vizinho. A fantástica mulher do vizinho. A fantástica mulher do vizinho dizendo “Oi”. A fantástica mulher do vizinho perguntando, depois do “Oi”, se podia pegar uma toalha que tinha voado da sacada deles — “Sabe, o vento” — para a sacada dele.

— Entre, entre, disse o Sérgio, checando, rapidamente, com a mão, se sua braguilha não estava aberta. Morava sozinho, às vezes se descuidava dessas coisas.

Ela começou a entrar, mas parou. Ficou como que paralisada, só os olhos se mexendo. Os grandes olhos verdes e arregalados indo de um lado para o outro.

– Ih – disse a mulher do vizinho. – Surtei.
– Que foi? – perguntou Sérgio, já pensando em como socorrê-la (“Vamos ter de desamarrar esse bustiê”), já pensando em ambulância, hospital, confusão, mal-entendido com o vizinho…

Mas ela explicou:

– O seu apartamento é exatamente o oposto do nosso. Preciso me acostumar…

Ela entrou devagarinho. Como se, além de ser o avesso do seu, o apartamento do Sérgio pudesse conter outras surpresas. O chão podia estar no teto e o teto no chão.

– Que coisa! – disse a mulher do vizinho, passando por Sérgio e parando no meio da sala.

Exatamente o que Sérgio tinha pensado ao ver que sobrava um pouco de nádega onde acabava o shortinho da mulher do vizinho. No caso, que coisas!

– Você quer sentar?
– Como?
– Até se orientar…

Ela sentou-se, ainda maravilhada.

– Nossa televisão também fica ali, só que ao contrário! Ele tentou acalmá-la.
– Você quer um copo d’água?
– Você é solteiro?
– Sou.
– Meu marido é casado. Aliás, comigo. Viu só?
– O quê?
– É tudo ao contrário!
– É. Eu…
– Palmeiras ou Corinthians?
– Corinthians.
– Ele é Palmeiras!
– Puxa.
– Destro ou canhoto?
– Destro.
– Meu marido é canhoto!
– E você?
– Eu o quê?
– Palmeiras ou Corinthians? Destra ou canhota?

Ela tinha se levantado e estava andando pela sala. Cuidadosamente, até se acostumar com tudo ao contrário. Disse:

– Não dou muita importância para essas coisas.

Foi nesse momento que Sérgio se apaixonou pela mulher do vizinho. Os grandes olhos verdes tinham ajudado, claro. Os nacos de nádega sobrando do shortinho também. As coxas longas, sem dúvida. O “erre” meio carregado (ela dissera “Palmeirrras” e Corrinthians”, em alemão) contribuíra. Mas Sérgio se apaixonou pela mulher do vizinho quando ela declarou que não dava muita importância para essas coisas, times de futebol, ser destro ou canhoto…

Ficou esperando que ela dissesse “Isso é coisa de homem” para se atirar aos seus pés e beijá-los, mas ela não disse. Ela conseguiu chegar até a sacada, apesar de desorientada, e apanhar a toalha. Mas quando se virou para reentrar na sala, ficou paralisada outra vez. Ficou em pânico.

– Ai meu Deus!
– O que foi?
– A porta da rua. Onde fica a porta da rua?
– É aquela ali.
– Ai meu Deus! Eu não consigo me orientar.
– Pense no meu apartamento como o seu apartamento visto no espelho. A esquerda fica na direita e a direita…
– Por favor: esquerda e direita não, senão complica ainda mais!

Ele foi buscá-la. Ele foi salvá-la da sua confusão. Ele enlaçou sua cintura com um abraço, segurou a sua mão e começou a acompanhá-la até a porta, como se dançassem um minueto. Pensou em dizer que também estava desorientado (o amor, o amor) e levá-la para o seu quarto, para a sua cama. Imaginou-se tendo dificuldade para desamarrar o bustiê, os dois chegando à conclusão que no apartamento dele o bustiê deveria ser desamarrado ao contrário, depois desistindo de desamarrar o bustiê e se amando. O bustiê arrancado. O shortinho arrancado. E a mulher do vizinho, como se não bastassem o “erre” um pouco carregado e tudo mais, revelando que não usava calcinha. E dizendo que ele era tudo que o vizinho não era. Que ele era o oposto do vizinho em tudo. Em tudo!

Mas chegaram, não ao orgasmo simultâneo (“Com ele isto nunca aconteceu, com ele é o contrário!”), mas à porta. Ela agradeceu, se despediu e já ia saindo, levando a sua toalha, e todas as esperanças do Sérgio, quando se virou, deu outra passada de grandes olhos verdes pelo apartamento, e disse:

– Preciso voltar aqui.
– Para se acostumar – disse Sérgio.
– É – disse ela. E sorriu.

Ainda por cima, ela sorria!


Luís Fernando Veríssimo
No excerto abaixo, retirado da crônica de Veríssimo, há o predomínio de formas pronominais na terceira pessoa do singular (ela), referindo-se à mulher do vizinho. Caso fosse substituído o tratamento para a segunda pessoa do singular, quantas alterações morfológicas seriam necessárias para a posterior correção gramatical? Ele foi buscá-la. Ele foi salvá-la da sua confusão. Ele enlaçou sua cintura com um abraço, segurou a sua mão e começou a acompanhá-la até a porta, como se dançassem um minueto. Alternativas: 
Alternativas
Q3285835 Português

Texto para a questão. 




Antonieta Cunha. A crônica. In: Affonso Romano de Sant’Anna. Crônicas para jovens. Global Editora, 2015 (com adaptações).

Acerca das construções gramaticais do último parágrafo do texto, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q3285834 Português

Texto para a questão. 




Antonieta Cunha. A crônica. In: Affonso Romano de Sant’Anna. Crônicas para jovens. Global Editora, 2015 (com adaptações).

O pronome “lhe”, em “dar-lhe” (linha 51), remete a
Alternativas
Q3285674 Português
No texto, o referente do pronome em destaque está corretamente explicitado entre colchetes na seguinte passagem:
Alternativas
Q3285594 Português
A era da inteligência artificial (IA)



Internet:<https://cienciahoje.org.br> .
No trecho “Uma delas a descreve como atividade dedicada” (linhas 11 e 12), o “a” exerce a função de
Alternativas
Q3285591 Português
A era da inteligência artificial (IA)



Internet:<https://cienciahoje.org.br> .
Na frase “é uma área multidisciplinar cujo objetivo é automatizar atividades que requerem inteligência humana” (linhas 21-23), o vocábulo “cujo” é classificado como pronome
Alternativas
Q3285366 Português

Leia a tirinha a seguir para responder a questão.


A mãe de Calvin pergunta ao menino, no último quadrinho, “Qual é a peça?”. A palavra “Qual” é um(a):
Alternativas
Q3285199 Português
O pronome oblíquo é objeto indireto apenas em:
Alternativas
Q3284853 Português
Leia a tirinha a seguir para responder à questão.

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Fonte: https://www.zinecultural.com/blog/melhores-tirinhas-da-mafalda
Em relação à frase da mãe de Mafalda no segundo quadrinho, “Porque eu estou mandando, e eu sou sua mãe!”, analise as afirmativas a seguir e classifique-as em verdadeiro (V) ou falso (F). Em seguida, marque a alternativa correta.

( ) O termo “porque” é classificado gramaticalmente como pronome relativo e está iniciando uma oração subordinada adverbial.
( ) A palavra “mãe” é um substantivo comum.
( ) “Sua” é um pronome possessivo.
( ) “sou” é um verbo de ligação e está conjugado na primeira pessoa do presente do indicativo.
Alternativas
Q3284820 Português

Leia o texto e responda a questão:


Oscar 2025: 'Ainda estou aqui' faz história e 'Anora' é grande vencedor da noite


'Ainda estou aqui' ganhou primeiro Oscar do Brasil, na categoria de melhor filme internacional. Veja lista completa de ganhadores.



    "Ainda estou aqui" fez história ao ganhar o primeiro Oscar da história do Brasil, na categoria de melhor filme internacional, neste domingo (2).


    Já na premiação geral, o grande vencedor foi "Anora", que venceu como melhor filme, melhor atriz (Mikey Madison) e em outras três categorias. Só seu diretor, Sean Baker, se tornou a primeira pessoa a ganhar quatro estatuetas pela mesma produção.


    "O brutalista" conseguiu três prêmios no total. Entre eles, o de melhor ator, para Adrien Brody. "Emilia Pérez", "Wicked" e "Duna: Parte 2" levaram dois cada.


    "Ainda estou aqui" ganhou o primeiro Oscar do Brasil. A produção original Globoplay venceu na categoria de melhor filme internacional e fez história.


    "Em nome do cinema brasileiro, é uma honra tão grande receber isso de um grupo tão extraordinário. Isso vai para uma mulher que, depois de uma perda tão grande em um regime tão autoritário, decidiu não se dobrar e resistir", afirmou o diretor Walter Salles em seu discurso de agradecimento.


    "Esse prêmio vai para ela: o nome dela é Eunice Paiva. E também vai para as mulheres extraordinárias que deram vida a ela. Fernanda Torres e Fernanda Montenegro." O filme também estava indicado a melhor atriz, com Fernanda Torres, e melhor filme. Ambas as categorias ficaram com o grande vencedor da noite.


    "Anora" ganhou cinco prêmios no total. Com tamanho domínio, Sean Baker também fez história. O cineasta se tornou a primeira pessoa na história a ganhar quatro Oscars pelo mesmo filme.


    Além da estatueta de melhor filme como produtor da história sobre a relação entre uma stripper e o herdeiro de um oligarca russo, o americano venceu como diretor, como montador e como roteirista (na categoria de roteiro original).


    Fechando a conta, Mikey Madison superou o favoritismo de Demi Moore (e a torcida brasileira por Fernanda Torres) ao levar a estatueta de melhor atriz.


    O filme passou por altos e baixos na temporada. Após iniciar como favorito ao vencer a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em maio de 2024, perdeu um pouco de fôlego com os meses e ao passar em branco no Globo de Ouro, em janeiro.


    No entanto, chegou como favorito às principais categorias da edição ao ganhar prêmios importantes, como os dos sindicatos dos diretores e dos produtores de Hollywood.


(https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2025/03/03/oscar-2025-ainda-estou-aqui-faz-historia-e-anora-e-grandevencedor-da-noite.ghtml)

Analise e assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, a classificação dos termos da citação abaixo: “


"Esse prêmio vai para ela: o nome dela é Eunice Paiva.”

Alternativas
Q3284766 Português
Analise as afirmativas abaixo a respeito da colocação pronominal e destaque, posteriormente, a alternativa correta.

I. A frase “Não levantar-me cedo atrapalha meus estudos.” está correta em relação ao uso da mesóclise.
II. Em “Quem deu-lhe uma coleção de discos?”, a ênclise está incorreta, pois nas orações interrogativas iniciadas por pronomes ou advérbios interrogativos utiliza-se a próclise.
III. Utiliza-se a ênclise com verbos que iniciam a frase, por exemplo: “Fez-me bem caminhar ontem.”.
Alternativas
Q3284294 Português
O vocábulo “se” atua como pronome reflexivo apenas em:
Alternativas
Q3284293 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Vista cansada


    Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor quem disse. Essa ideia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou. Fugiu enquanto pôde do desespero que o roía – e daquele tiro brutal.

    Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.

    Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.

    Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima ideia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprido o rito, pode ser que também ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.

    Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de tão visto, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia a dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.


RESENDE, O. L. Vista cansada. Folha de São Paulo. São Paulo, 1992. Disponível em <https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/7040/vistacansada>.
Considere as seguintes sentenças, com especial atenção aos pronomes enumerados:

I. Pela primeira vez foi outro escritor quem(1) disse.
II. Essa ideia de olhar pela última vez tem algo(2) de deprimente.
III. Em 32 anos, nunca o(3) viu.

A classificação do tipo dos pronomes enumerados nas sentenças dadas é, respectivamente:
Alternativas
Q3284292 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Vista cansada


    Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor quem disse. Essa ideia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou. Fugiu enquanto pôde do desespero que o roía – e daquele tiro brutal.

    Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.

    Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.

    Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima ideia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprido o rito, pode ser que também ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.

    Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de tão visto, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia a dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.


RESENDE, O. L. Vista cansada. Folha de São Paulo. São Paulo, 1992. Disponível em <https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/7040/vistacansada>.
As colocações pronominais em “Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência” correspondem, respectivamente, a:
Alternativas
Q3284242 Português
Leia o texto a seguir para responder às questão.


Vista cansada


    Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor quem disse. Essa ideia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou. Fugiu enquanto pôde do desespero que o roía – e daquele tiro brutal.

    Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio. 

    Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.

    Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima ideia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprido o rito, pode ser que também ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.

    Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de tão visto, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia a dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.


RESENDE, O. L. Vista cansada. Folha de São Paulo. São Paulo, 1992. Disponível em <https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/7040/vistacansada>.
As colocações pronominais em “Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência” correspondem, respectivamente, a:
Alternativas
Q3283818 Português

Para responder à questão, considere o Texto II a seguir.


Q16_20.png (748×516)


Fonte: G1. Redes sociais, perigos e distorção da realidade. Disponível em: <https://g1.globo.com/pr/parana/especial-publicitario/colegio-positivo/

para-um-futuro-positivo/noticia/2021/11/18/redes-sociais-perigos-e-distorcao-da-realidade.ghtml>. Acesso em: 25 nov. 2024. (Adaptado)

Com base no texto e observando a classe gramatical das palavras destacadas, considere as afirmativas a seguir.

I  →  No trecho “Este mundo tecnológico em que vivemos promove (...)” (ℓ. 03), a palavra “que” é um pronome relativo.
II  →  No trecho “(...) os adolescentes, e até mesmo as crianças, passam a acreditar que o mundo das telas (...)” (ℓ. 08-09), a palavra “que” é um pronome relativo.
III  →  No trecho “(...) tornam não apenas reais, mas cruciais.” (ℓ. 19-20), a palavra “mas” é uma conjunção coordenada adversativa. 
IV  →  No trecho “(...) não é bem-vindo no mundo digital, embora esses sejam aspectos intrínsecos (...)” (ℓ. 24-25), a substituição da conjunção “embora” pela locução conjuntiva “posto que” mantém o sentido original. 

Estão corretas
Alternativas
Respostas
1941: A
1942: C
1943: B
1944: A
1945: C
1946: C
1947: A
1948: B
1949: A
1950: D
1951: C
1952: B
1953: C
1954: C
1955: C
1956: D
1957: C
1958: E
1959: E
1960: C