Questões de Concurso Sobre morfologia - pronomes em português

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Q3232157 Português
USP usa técnica da ovelha Dolly para fazer transplante de porcos em humanos

Esperança é de que, no futuro, abordagem diminua tempo de espera por um novo órgão.

Reinaldo José Lopes

SÃO CARLOS (SP)

        Pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) acabam de inaugurar um laboratório que, com alguma sorte, poderá viabilizar a prática dos xenotransplantes (transplantes de órgãos de animais para seres humanos) no Brasil.

        Médicos, geneticistas e veterinários, entre outros especialistas, usarão o espaço para abrigar porcas grávidas de filhotes geneticamente modificados. As alterações no DNA dos suínos servem para minimizar o risco de rejeição quando seus órgãos forem transferidos para pessoas que precisam de um transplante.

        Os primeiros testes bem-sucedidos já aparecem nos últimos anos em pacientes dos EUA, e a esperança é que, no futuro, a abordagem encurte o tempo de espera por um novo órgão, talvez dispensando, em alguns casos, a necessidade de um doador humano. Antes que isso se torne realidade, porém, é preciso vencer uma gama considerável de desafios técnicos, a começar pela reprodução dos próprios suínos.

        No papel, a abordagem parece simples. O material genético no núcleo de células fetais de porcos é alterado e, depois, transferido para óvulos suínos cujo DNA foi retirado.

        "Estamos usando a técnica que deu origem à ovelha Dolly", resume Mayana Zatz, geneticista do Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células-Tronco da USP, uma das coordenadoras do projeto Xeno BR.

        O problema é que, mesmo quase 30 anos após o nascimento de Dolly, o primeiro mamífero clonado, produzir cópias genéticas de qualquer animal doméstico ainda é um processo complexo. A clonagem sempre envolve o uso de centenas ou até milhares de óvulos para, se tudo der certo, ocorrer o nascimento de um filhote viável.

        "Sabemos que a eficiência é baixa, mas estamos aprendendo que a qualidade das células a serem editadas geneticamente pode ter um papel importante no sucesso", diz Zatz. A equipe está sendo assessorada por Luiz Mauro Queiroz, brasileiro responsável pela criação dos porcos transgênicos (geneticamente modificados) da empresa eGenesis nos EUA. A equipe americana já realizou seus primeiros transplantes suíno-humanos.

        Também ainda não está totalmente claro quantas modificações no DNA são necessárias para que os órgãos de porcos sejam substitutos aceitáveis daqueles doados por pessoas.

[...]

        "Alguns grupos acreditam que seja suficiente silenciar três genes [grosso modo, regiões funcionais do DNA] dos porcos, o que tem sido a nossa proposta. Outros defendem que um só gene poderia ser suficiente ou que seja necessário introduzir genes humanos", diz a geneticista. "Somente com o seguimento dos pacientes a longo prazo será possível responder essa pergunta."

        O cirurgião Silvano Raia, da Faculdade de Medicina da USP, coordena o trabalho ao lado de Zatz e diz que o objetivo inicial do trabalho é viabilizar um xenotransplante de rim, como já aconteceu nos EUA.

        "Na hipótese de insucesso, podemos retirar o xenoenxerto não funcionante e fazer com que o paciente volte a fazer hemodiálise até que esteja em condições de receber um alotransplante [de um doador humano], para o qual terá uma prioridade que não tinha antes do xenotransplante", explica Raia.

        Esse primeiro candidato a receptor precisará ter condições clínicas para receber o órgão do suíno geneticamente modificado e, ao mesmo tempo, não ter prioridade na lista de espera por um órgão humano. "Os xenotransplantes já realizados de coração e rim seguiram essa conduta."

        De acordo com Raia, ainda é cedo para dizer se o avanço da técnica vai acabar equiparando os xenotransplantes, em termos de sucesso e riscos, aos feitos hoje com as técnicas convencionais, embora essa possibilidade exista.

        Ao menos por ora, os pacientes que receberem os órgãos suínos deverão ter de enfrentar um esquema imunossupressor mais potente e constante. Ou seja, eles farão um uso mais intenso de medicamentos que controlam o sistema de defesa de seu organismo, para que ele não rejeite o transplante como um corpo estranho.

        "Em consequência disso, a possiblidade de esse paciente se contaminar será maior, sem dúvida. Ele terá de seguir recomendações que evitem ao máximo o contato com fontes de infecção", observa o médico.

        Raia lembra ainda que pesquisas feitas anteriormente no Brasil com candidatos na fila por rim ou fígado que já tinham recebido novos órgãos mostram que 91% aceitariam um xenotransplante suíno caso fosse necessário, taxa superior à de países como a China (75%) e Turquia (43%).

Disponível em:<https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2024/05/usp-se-prepara-para-fazer-transplantes-de-orgaos-de-porcos-para-humanos.shtm> . Acesso em: 03 mai. 2024.

Considere o seguinte trecho do artigo em questão:

        "Alguns grupos acreditam que seja suficiente silenciar três genes [grosso modo, regiões funcionais do DNA] dos porcos, o que tem sido a nossa proposta. Outros defendem que um só gene poderia ser suficiente ou que seja necessário introduzir genes humanos", diz a geneticista. "Somente com o seguimento dos pacientes a longo prazo será possível responder essa pergunta."

        O cirurgião Silvano Raia, da Faculdade de Medicina da USP, coordena o trabalho ao lado de Zatz e diz que o objetivo inicial do trabalho é viabilizar um xenotransplante de rim, como já aconteceu nos EUA.

        "Na hipótese de insucesso, podemos retirar o xenoenxerto não funcionante e fazer com que o paciente volte a fazer hemodiálise até que esteja em condições de receber um alotransplante [de um doador humano], para o qual terá uma prioridade que não tinha antes do xenotransplante", explica Raia.

        Esse primeiro candidato a receptor precisará ter condições clínicas para receber o órgão do suíno geneticamente modificado e, ao mesmo tempo, não ter prioridade na lista de espera por um órgão humano. "Os xenotransplantes já realizados de coração e rim seguiram essa conduta." 


Assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas
Q3232108 Português
O que é acolhimento familiar


Internet:<www.familiaacolhedora.org.br>  (com adaptações). 
Em relação ao pronome “esta”, que inicia o segundo período do primeiro parágrafo, assinale a alternativa que o descreve e o analisa corretamente. 
Alternativas
Q3231840 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.  


    Compreendo perfeitamente o pintor Raimundo Nogueira. Ele, a mais bem-humorada e a mais cordial de todas as criaturas que conheço, cortou relações há alguns anos com um sujeito. Fez deste o seu único inimigo, negando-lhe cumprimento. E andou certo, a meu ver. O indivíduo em apreço, naquela época ainda em muito boas relações com o Raimundo, era dono duma churrascaria em Ipanema e dum terreno que desejava vender. O pintor se interessou pelo lote e foi vê-lo; no dia seguinte levou a família e, mal chegou ao lugar, ficou indignado e voltou: o proprietário do lote mandara derrubar uma frondosa mangueira que tinha lá. Na churrascaria, houve o seguinte diálogo:

    Raimundo: – E a árvore? E a mangueira?

    Dono: – Mandei cortar.

    Raimundo: – Por quê, rapaz? Por quê?

    Dono: – Acho que os pretendentes podem ver melhor o terreno sem a árvore.

    Raimundo: – Ah, é assim, não é? Então, é favor não falar mais comigo.

    Foi-se embora; desde então, quando passa defronte da churrascaria, Raimundo vira o rosto. Há entre churrasqueiro e pintor uma árvore morta.

    Não sei com quem brigar, a quem virar o rosto. Mas cortaram também a amendoeira que existia debaixo da minha janela, no quintal ao lado. Era uma das maiores e das mais bonitas amendoeiras do Rio. Foi abaixo, para ceder lugar a uma garagem. Ora, seu tronco era longo, portanto, seria a coisa mais simples do mundo fazer um buraco no teto da garagem para o tronco passar, antes de se abrir em galhos e folhas no alto. A ideia não ocorreu ao proprietário do edifício que se constrói e que julgou ainda mais simples pôr a árvore no chão. Trata-se duma alma irmã à do churrasqueiro. Um sujeito que não merece o meu respeito ou a minha confiança. Assim, em meu nome, no do pintor Raimundo Nogueira e de todas as pessoas que gostam de árvores, eu o mando para o diabo que o carregue.


(Paulo Mendes Campos. Árvores. Disponível em: https://cronicabrasileira. org.br/cronicas/19359/arvores. Acesso em 23.05.2024. Adaptado)


Assinale a alternativa em que a expressão destacada reescrita entre colchetes mantém a norma-padrão de colocação pronominal.
Alternativas
Q3231639 Português

Leia o texto para responder à questão.


 Doadores agora podem declarar sua vontade em cartório


    Um documento legal, digital e gratuito, disponível por meio de qualquer dispositivo com acesso à internet, pode ser a solução para o Brasil superar antigos entraves e salvar a vida de mais de 42 mil pessoas que aguardam na fila da doação de órgãos e tecidos no país.

    A partir de agora, brasileiros que querem ser doadores poderão deixar explícita a sua vontade em um documento oficial, redigido por um tabelião de notas e que possui autenticidade e segurança jurídica: a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos, Tecidos e Partes do Corpo Humano – AEDO, que passa a ter validade como declaração de vontade do cidadão.

    Essa Autorização Eletrônica ficará armazenada em uma base de dados nacional única mantida pelo Colégio Notarial do Brasil, que representa os 8344 Cartórios de Notas do país, e permitirá que médicos vinculados ao Sistema Nacional de Transplantes ou às Centrais Estaduais de Transplantes, instituições do Ministério da Saúde, possam consultar, via CPF, se a pessoa falecida deixou expressa sua vontade em ser um doador e, em caso positivo, apresentar o documento à família para obterem a autorização prevista em lei.

    A iniciativa busca superar um dos maiores entraves à doação de órgãos no país, a autorização da família. Em 2023, 42% das famílias recusaram a doação. Com a AEDO, que pode ser solicitada por maiores de 18 anos, essa manifestação de vontade fica registrada e será acessada pelos profissionais da Saúde.

    Para realizar a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos, o interessado preenche um formulário diretamente no site www.aedo.org.br. Por meio do sistema, poderá escolher qual órgão deseja doar ou se pretende doar todos. No Brasil, a maioria das pessoas na fila única nacional de transplantes aguarda a doação de um rim, seguido por fígado, coração, pulmão e pâncreas. Somente no ano passado, três mil pessoas faleceram pela falta de doação de um órgão. Atualmente, mais de 500 crianças aguardam um transplante.

    Nosso país é o quarto em número absoluto de transplantes, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia. A taxa de doadores é maior no Sudeste (22,2) e no Sul (36,5). No Centro-Oeste (14,1), Nordeste (13,0) e Norte (7,0).

    Em um momento em que a solidariedade é mais importante do que nunca, a AEDO representa um passo significativo da sociedade na busca de soluções concretas para milhares de brasileiros à espera da chance de uma nova vida. Que todos juntos possamos ser vida na vida de alguém.


(Giselle Oliveria de Barros. https://www.estadao.com.br/politica/blogdo-fausto-macedo/doadores-de-orgaos-agora-podem-declarar-sua-vontade- -direto-no-cartorio-de-notas-entenda/?utm_source=estadao:mail. Publicado em 04.04.2024. Adaptado)

Considere as frases reescritas a partir do texto.


•  A generosidade de doadores propiciou chances de uma nova vida para milhares de brasileiros esperançosos que, sem ela, não teriam alcançado essas chances de uma nova vida.


•  Na realização de transplantes, o Brasil ocupa a quarta posição mundial, o que torna o Brasil um país de evidente sucesso nessa área.


•  Existem formulários específicos para a doação de órgãos, e o interessado deverá preencher esses formulários pelo site.


Em conformidade com a norma-padrão de emprego e de colocação de pronomes, os trechos destacados devem ser substituídos, respectivamente, por

Alternativas
Q3231487 Português

  

Revista Brasileira de História do Direito (com adaptações).

No trecho "legislações que tratassem especificamente desta curatela ou tutela" (linhas 17-18), o termo “que” é classificado como
Alternativas
Q3229706 Português
No tocante à devida colocação pronominal, marque (V) verdadeiro ou (F) falso e assinale a alternativa correta.

( ) A colocação pronominal trata-se da relação de posição que existe entre os verbos e os pronomes oblíquos átonos. Assim, dependendo do contexto de uso, os pronomes podem ser colocados antes do verbo, situação enclítica, no meio do verbo, situação mesoclítica, ou depois do verbo, situação proclítica.
( ) Regra de uso da ênclise: com o verbo no início da frase.
( ) Regra de uso da mesóclise: a estrutura da mesóclise é sempre a mesma, verbo no infinitivo, pronome oblíquo átono, desinência.
( ) Regra de uso da próclise: diante de palavras negativas – não, de modo algum, etc. 
Alternativas
Q3229636 Português
No tocante a pronome demonstrativo, relacione a Coluna I com a Coluna II e marque a alternativa correta.

Coluna I.

A- Ano presente.
B- Um passado próximo.
C- Um passado distante.
D- Pronome demonstrativo invariável.

Coluna II.

1- Esse ano que passou foi razoável.
2- Aquilo.
3- Este ano está sendo bom para nós.
4- Aquele ano foi terrível para todos.
Alternativas
Q3229242 Português
No tocante a pronome, relacione a Coluna I com a Coluna II e marque a alternativa correta.

Coluna I.
A- Pronome substantivo.
B- Pronome adjetivo.
C- Pronome de tratamento.
D- Pronome relativo.

Coluna II.
1- Este moço é meu irmão.
2- O preconceito racial é um problema que faz parte da Sociedade Brasileira.
3- Nem tudo está perdido.
4- Sua Excelência volta hoje para São Paulo. 
Alternativas
Q3229239 Português

Q6.png (312×133)

http://pensador.uol.com.br/img/pens/3e/b0/3eb0fad427de0156b81721aba97266ea.jpg


No texto, as palavras (e, de, se) são respectivamente:

Alternativas
Q3229126 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O vinho de banana que salvou produtoras afetadas por calor extremo

Emily Nkhana, uma pequena agricultora no norte do Malawi, costumava jogar fora as bananas que estavam maduras demais ou simplesmente deixá-las apodrecer, até encontrar um uso lucrativo para elas: o vinho de banana.

O calor extremo estava fazendo as bananas amadurecerem rápido demais, resultando em grandes perdas para Emily e diversos outros agricultores que vivem no distrito de Karonga.

"Então descobrimos como fazer vinho de banana", conta ela à BBC, enquanto descasca os limões usados para preservar o sabor das bananas na planta de processamento da Cooperativa Twitule.

Para os agricultores, não se trata apenas de fazer vinho, mas também de sobrevivência, resiliência e de abraçar as novas possibilidades que vêm diante das mudanças climáticas.

O cultivo era feito perto das margens do Lago Malawi. Mas, com aumento do nível das águas causado pelo aumento das chuvas, as plantações de banana passaram a ser inundadas, forçando os produtores a migrar para terras mais altas, mas mais quentes, onde as temperaturas chegam a 42°C.

"Na antiga fazenda, nosso desafio era a grande quantidade de água do lago. Algumas das bananas se afogavam na água, ou nem conseguíamos ver onde tínhamos plantado. Aqui em cima, temos calor demais. Isso faz com que nossas bananas amadureçam muito rápido e sejam desperdiçadas", diz Emily.

Ela faz parte de um grupo de mulheres unidas pela cooperativa para melhorar suas condições econômicas por meio da agricultura.

A produção de vinho é um empreendimento de pequena escala nos quintais dessas mulheres, onde elas plantam bananas.

O processo de vinificação acontece em um pequeno complexo com uma casa de quatro cômodos na vila de Mchenjere.

E é bem simples: as bananas maduras são descascadas, cortadas em pedaços pequenos, pesadas e misturadas com açúcar, fermento, passas, água, e cobertas com limões.

A mistura é então deixada para fermentar por várias semanas, transformando a polpa da banana em um vinho potente e aromático, contendo 13% de álcool - semelhante ao vinho feito de uvas.

"É um vinho de ótima qualidade. Você tem que bebê-lo sentado para poder aproveitar o sabor doce", diz Emily.

(https://www.bbc.com/portuguese/articles/cwy3ygg4n3vo fragmento adaptado)

 
"Você tem que bebê- lo sentado para poder aproveitar o sabor doce", diz Emily."

A forma do pronome oblíquo átono destacado está substituindo "vinho" corretamente. Identifique abaixo a alternativa em que o vocábulo destacado NÃO foi substituído pela forma do pronome átono corretamente:
Alternativas
Q3227797 Português


Internet:: <sema.df.gov.br>  (com adaptações).

Quanto aos aspectos linguísticos do texto, julgue o item.


O segmento “Compete a nós” (linha 43) poderia ser correta e coerentemente substituído por Compete‑nos, em que a forma pronominal nos estaria exercendo a mesma função sintática de “a nós”.

Alternativas
Q3227157 Português
A MULHER DO VIZINHO
Fernando Sabino


        Contaram-me que na rua onde mora (ou morava) um conhecido e antipático general de nosso Exército morava (ou mora) também um sueco cujos filhos passavam o dia jogando futebol com bola de meia. Ora, às vezes acontecia cair a bola no carro do general e um dia o general acabou perdendo a paciência, pediu ao delegado do bairro para dar um jeito nos filhos do sueco.
        O delegado resolveu passar uma chamada no homem, e intimou-o a comparecer à delegacia.
        O sueco era tímido, meio descuidado no vestir e pelo aspecto não parecia ser um importante industrial, dono de grande fábrica de papel (ou coisa parecida), que realmente ele era. Obedecendo à ordem recebida, compareceu em companhia da mulher à delegacia e ouviu calado tudo o que o delegado tinha a dizer-lhe. O delegado tinha a dizer- lhe o seguinte:

O senhor pensa que só porque o deixaram morar neste país pode logo ir fazendo o que quer? Nunca ouviu falar numa coisa chamada AUTORIDADES CONSTITUÍDAS? Não sabe que tem de conhecer as leis do país? Não sabe que existe uma coisa chamada EXÉRCITO BRASILEIRO que o senhor tem de respeitar? Que negócio é este? Então é ir chegando assim sem mais nem menos e fazendo o que bem entende, como se isso aqui fosse casa da sogra? Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro: dura lex! Seus filhos são uns moleques e outra vez que eu souber que andaram incomodando o general, vai tudo em cana. Morou? Sei como tratar gringos feito o senhor.

        Tudo isso com voz pausada, reclinado para trás, sob o olhar de aprovação do escrivão a um canto. O sueco pediu (com delicadeza) licença para se retirar. Foi então que a mulher do sueco interveio:

        — Era tudo que o senhor tinha a dizer a meu marido?
        O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento.
 
        — Pois então fique sabendo que eu também sei tratar tipos como o senhor. Meu marido não é gringo nem meus filhos são moleques. Se por acaso incomodaram o general ele que viesse falar comigo, pois o senhor também está nos incomodando. E fique sabendo que sou brasileira, sou prima de um major do Exército, sobrinha de um coronel, E FILHA DE UM GENERAL! Morou?
        Estarrecido, o delegado só teve forças para engolir em seco e balbuciar humildemente:

— Da ativa, minha senhora?

    E ante a confirmação, voltou-se para o escrivão, erguendo os braços desalentado:

— Da ativa, Motinha! Sai dessa…


Disponível em: https://armazemdetexto.blogspot.com/
No trecho “O senhor pensa que só porque o deixaram morar neste país pode logo ir fazendo o que quer?”, a palavra “neste” é classificada como um:
Alternativas
Q3226825 Português
       Mãe, acho que nunca escrevi uma carta para você. Procurei, sem sucesso, por alguma correspondência nossa na pasta onde guardo documentos passados. Tampouco fui capaz de encontrar mensagens tuas no meu celular. Não há, ao que parece, nenhum registro de comunicação entre nós.

         Tenho, no entanto, um vídeo teu, gravado pelo celular em uma viagem a Miami anos atrás, quando a tecnologia daquele tipo de registro ainda era algo novo. Filmei você andando pelos corredores de uma loja de departamentos, pedindo que eu traduzisse os rótulos dos produtos, completamente absorta na procura por um hidratante que tua amiga havia recomendado, sem saber que aquele permaneceria um dos poucos vestígios mais recentes da tua existência.

        Além disso, na minha caixa de entrada, encontrei uma única mensagem que recebi de você, enviada em setembro de 2011, pouco depois de eu ter deixado tua casa e me mudado para outra cidade, quando passei algumas semanas acometido por aquele tipo de melancolia trazida pelas grandes mudanças. No e-mail, você falava sobre solidão. Dizia que momentos como aquele podiam ser oportunos para nos conhecermos melhor, para descobrirmos o que desejamos, para aprender a lidar com as adversidades. Recomendava que eu fosse chorar no banheiro até que o nó na minha garganta fosse desatado e pedia que eu descansasse e confiasse que o dia seguinte, assim como todos os outros em frente, seria diferente.

      Releio essa mensagem diversas vezes como um mantra, em busca de algum estado contemplativo em que eu possa sentir tua presença. Examino o endereço do remetente, a data e a hora do envio, na esperança de que desse conjunto de dados possa emanar alguma centelha do teu espírito. Apego-me a esses parcos registros, as últimas relíquias que guardo de você.



(Gabriel Abreu. Triste não é ao certo a palavra.
São Paulo: Companhia das Letras, 2023. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o trecho do texto foi reescrito em conformidade com a norma-padrão de concordância e de emprego dos pronomes.
Alternativas
Q3225737 Português
   Cangalha, Minas Gerais. Aqui estou há um mês. Em paz. Fugi da barafunda que se chama São Paulo. Cidade que foi meu sonho, onde fiz carreira. Cidade enrascada, encrenca, desordem, banzé. Total alvoroço provocado pelas construtoras que armaram um cerco ao redor de meu apartamento em Pinheiros. Só do meu? Apontem um só canto, recanto, esquina, vão, desvão, beco, região em que não haja tal rebuliço.

   Estamos vivendo a época do vale-tudo. Caminhões de concreto, de material de construção, cimento, areia, ferro, a todo momento, betoneiras, caçambas sendo atiradas ao chão na madrugada, o asfalto sendo corroído, buracos por toda parte, águas de mananciais subterrâneos liberadas e correndo ao longo do meio-fio. Lixo.

   O espantoso é que, com toda a tecnologia de construção que a gente vê pelo mundo inteiro, ainda existam bate-estacas dinossáuricos a nos alucinar o dia inteiro. Nunca se falou tanto em teletrabalho. Mas como manter teletrabalho com a insensatez das construções que, a cada momento, surgem repentinamente ao nosso redor?

   Como se vivêssemos em um conto de fadas e uma varinha mágica batesse no solo e dissesse: erga-se, arranha-céu. E ele subisse, geração espontânea, e não há nada para se fazer. Eu estou nesta cidade, que amo – mas já não sei mais o motivo –, desde 1957. Plano Diretor arrasado, mudado constantemente, ao interesse de quem?

   Cidade suja, sem um governo que saiba o que fazer. Ou sabe, nós é que não sabemos por que não fazem. Um mundo de amigos meus deixou a cidade. Outros planejam fazê-lo. Há uma camada de elite que tem dinheiro e vai para Miami. Outros foram devastar Portugal, comprar prédios, desalojar gente que neles vivia há décadas e não tem para onde ir.

   O que importa? São espertos, mas não humanos. Aqui em Cangalha, tento recuperar a paz, a calma, a segurança que não estou mais sentindo na cidade que vim para conquistar. E conquistei, fiz minha vida, e não é uma vida ruim. Mas estão destruindo sonhos e projetos de vida, não somente meus, mas de milhares. E estamos em silêncio. Isso me angustia. Mas não sei o que fazer, como fazer, se há o que fazer. Batemos no iceberg. E agora?


(Ignácio de Loyola Brandão. Disponível em: https://www.estadao.com.br/cultura/ignacio-deloyola-brandao/batemos-no-iceberg/ 27.08.2024. Adaptado) 
No trecho do 3º parágrafo – ... a insensatez das construções que, a cada momento, surgem... – , o vocábulo destacado pertence à mesma classe de palavras daquele destacado em: 
Alternativas
Q3225435 Português
Considere os trechos redigidos a partir do texto.

•  O universo da escrita é interessante. Muitas pessoas têm dominado o universo da escrita.
•  Há quem goste muito de livros. Grandes leitores sempre têm livros por perto.

As expressões destacadas podem ser, correta e respectivamente, substituídas por:
Alternativas
Q3225276 Português
A tragédia de uma geração


        Algo terrível aconteceu com nossas crianças e adolescentes. Segundo levantamento do Estadão, no Brasil as internações de jovens de 13 a 29 anos por estresse e ansiedade aumentaram 139% em 10 anos. É um fenômeno encontradiço no Ocidente. O senso comum, corroborado por pesquisas, é o de que os índices de felicidade são tradicionalmente maiores entre os jovens, declinam na idade adulta e se recuperam na velhice. Mas, segundo o Relatório da Felicidade Mundial, desde 2010 a percepção de felicidade entre os jovens caiu drasticamente, a um patamar menor que o dos idosos. Os jovens socializam menos, dizem-se mais solitários, namoram menos, ficam mais tempo na casa dos pais, começam a trabalhar mais tarde e têm menos interesse em ter filhos que as gerações anteriores.

       É preciso cautela contra catastrofismos. As aflições dos jovens já são dramáticas o suficiente para serem exageradas por generalizações simplistas. Há aspectos positivos. Especialmente nas classes e países ricos, a delinquência juvenil, o abuso de drogas ou álcool e a gravidez precoce diminuíram. Nas últimas gerações, a qualidade de vida melhorou massivamente, especialmente nos países pobres. Miséria, analfabetismo, mortes infantis ou maternas caíram mais acentuadamente que em qualquer época da história da humanidade. A renda e o salário inicial dos jovens são maiores que os de seus pais e avós.


(Opinião. https://www.estadao.com.br/, 25.08.2024. Adaptado)
A alternativa em que o enunciado atende à norma-padrão de colocação pronominal é:
Alternativas
Q3225269 Português
Considerando-se os aspectos de regência verbal, de flexão verbal e de emprego de pronome, a frase do primeiro quadro está reescrita de acordo com a norma-padrão em:
Alternativas
Q3225020 Português

Leia o texto para responder a questão.


O mal é da televisão


    Camarada escritor:

    Escrevo-lhe esta carta, conforme me pediu, para contar o que sei sobre o cão pastor-alemão. Agradeço que me corrija as faltas e a pontuação, para sair bem no livro. Aí vai…

    O meu pai apareceu um dia com o cão em casa. Disse: “andou sempre a seguir-me, não quer largar mais.” Eu fiquei contente, um lindo cão e inteligente. Demos-lhe o nome de Jasão, foi o meu pai que escolheu o nome, pois gosta muito de lendas gregas. Jasão aprendeu logo o nome, era esperto.

    Quando eu ia para o Instituto, onde estou a estudar Planificação, o cão queria ir comigo. Às vezes até foi. Ficava à espera de que eu saísse das aulas e acompanhava-me a casa. Sempre grande e calmo, um senhor. As garinas1 rodeavam-no logo, a fazer festas, ele deixava. Quem aproveitava da popularidade dele era eu. Por isso até que gostava da sua companhia. Mas o meu pai xingava-me sempre por o levar. Achava que não ficava bem o filho dum responsável, mesmo se pequeno, andar com um cão. Isso era prática de outros tempos que devíamos combater: os filhos dos governadores ou senhores coloniais é que andavam assim! Podíamos ter o cão, mas em casa, sem dar nas vistas, para que as massas não fizessem paralelos incômodos com os tempos antigos.


(Pepetela. O Cão e os Caluandas. Adaptado)

Na reescrita de informações do texto, o emprego de pronomes e a colocação pronominal atendem à norma- -padrão em:
Alternativas
Q3224844 Português
Leia o texto para responder à questão.

Tudo que você postar pode ser usado contra você

    Não é novidade que tudo que publicamos nas redes sociais é usado na criação de perfis detalhados sobre nós para que as empresas nos vendam todo tipo de quinquilharia. Também não é novidade que nossas informações são usadas para “aprimorar” essas plataformas e que muitas delas não fazem o que deveriam para nos proteger contra desinformação e diferentes tipos de assédio.
    Mas a novidade é que agora essas companhias também usam nossas informações pessoais para treinar seus nascentes serviços de inteligência artificial, abrindo uma nova brecha na violação de privacidade, já que transitam nas ambiguidades de seus termos de serviço e posicionamentos públicos.
    No Senado americano, em janeiro de 2024, os CEOs das redes sociais mais acessadas por crianças e adolescentes foram interpelados a respeito de suas ações para proteger os jovens. O mais questionado foi Mark Zuckerberg, da Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp). Diante da pressão dos senadores, ele pediu desculpas aos presentes. Ali estavam pais e mães de crianças que morreram por problemas derivados de abusos nas redes sociais.
    Porém, menos de uma semana depois, o mesmo Zuckerberg disse, ao transmitir os resultados financeiros da Meta, que sua empresa está usando todas as publicações de seus usuários – inclusive de crianças – para treinar suas plataformas de IA. O mercado adorou: as ações da companhia dispararam 21%. E essa infinidade de dados pessoais é mesmo uma mina de ouro!
    Mas e se eu, que sou o proprietário das minhas ideias (por mais que sejam públicas), quiser que a Meta não as use para treinar sua IA, poderei continuar usando seus produtos?
    No momento mais dramático da audiência, Zuckerberg disse: “Sinto muito por tudo que passaram”. Mas também se defendeu afirmando que investiu mais de US$ 20 bilhões e que contratou “milhares de funcionários” para garantir a proteção dos clientes. Ponderou ainda que a empresa precisa equilibrar o cuidado e “as boas experiências entre amigos, entes queridos, celebridades e interesses”. Em outras palavras, a proteção não pode piorar o produto, o que seria ruim para os negócios.
    Segundo Marcelo Crespo, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), a principal violação nesse movimento da Meta é que ela usa dados pessoais de seus usuários, sem que estes saibam, com uma finalidade que não é aquela para a qual criaram contas e fazem publicações. “A grande questão é se essas regras são moralmente aceitas e transparentes ou se, de alguma forma, constituem abuso de direito”, explica Crespo.
    A novidade trazida por Zuckerberg é apenas um recente exemplo de que, se deixarmos as empresas se autorregularem, nós, seus usuários, continuaremos os grandes prejudicados.

(Paulo Silvestre. www.estadao.com.br/brasil/macaco-eletrico/ tudo-que-voce-postar-pode-ser-usado-contra-voce-e-a-favor-da-ia/ ?utm_source=estadao:mail. Publicado em 12.02.2024. Adaptado)
Analise as frases elaboradas a partir das ideias do texto.
•  A coleta de dados é essencial para as empresas de comunicação, e elas alegam que usam essa coleta para o aprimoramento das plataformas.
•  Zuckerberg enfatizou a quantia de 20 bilhões de dólares, pois diz ter investido esses bilhões em prol dos clientes.
•  Os acionistas esperavam os resultados financeiros da Meta, e os resultados seguramente foram favoráveis aos acionistas.
Com base na norma-padrão de emprego e de colocação dos pronomes, os trechos destacados estão corretamente reescritos na alternativa:
Alternativas
Q3223255 Português
Cinema antigo


Os pequenos prazeres da vida, curtidos quase secretamente, exigem certo refinamento não ao alcance de qualquer um. Requerem uma habilidade especial, igual à dos pássaros ao sugar o néctar das menores flores. Já os grandes prazeres pedem cenário, câmaras e razoável plateia. A felicidade dos artistas de televisão, por exemplo, é uma coisa pública, para ser compartilhada, fotografada, invejada. Quanta alegria eles demonstram ao exibir sua mansão, seus carros ou quando são flagrados fazendo compras em Paris ou Nova York, ocasiões sempre aproveitadas para dar aquelas declarações inteligentes!

Há prazeres de todos os tamanhos, como os domésticos, inocentes. O meu favorito parece obra de maníaco. Conforta- -me, porém, não ser o único desse clube. Aí, entra minha mulher, Ismênia, e diz a vocês:

– Ele é maluco por filmes antigos. Aqueles do Humphrey Bogart, vocês sabem.

Sim, filmes de preferência em preto e branco. Feitos antes das cores e dos chatíssimos efeitos especiais, tão ao alcance de qualquer diretor sem talento. Não há nada mais delicioso que ver um policial noir1 , numa noite de sexta-feira, tomando uma dose de uísque e mordiscando salgadinhos.

Alguns são velhos conhecidos. Como “Os Assassinos”, baseado em Hemingway2 , primeira versão de 1946, com Burt Lancaster e Ava Gardner. Outros nem tanto, aí procuro descobrir em que ano foram produzidos. Há várias pistas: as roupas que os atores usam, a marca e o modelo dos carros, o estilo dos móveis e as referências históricas. Concentro-me em todos os detalhes. Às vezes peço socorro a Ismênia se a chave do enigma está no penteado ou no vestido.

– Ah, eu já sei esse. Esteve na moda por volta de 1960.

Adoro filmes, como “Falcão Maltês” ou “Pacto Sinistro”, que são adaptações de romances marcantes. Algo todos tinham em comum, além do roteiro primoroso, a fumaça. Os atores e atrizes fumavam desbragadamente; era preciso assoprar para apreciar certas cenas. Outro item, a beleza estonteante das Ava, Rita, Marlene3 . Enchiam a tela.

Não haveria lugar para os Stallone, com seus equipamentos mortíferos. No lugar de armas de grande poder de fogo, imperavam os lances de inteligência, demolidoras frases de espírito ou certeiros socos no queixo. Tudo elegante, sofisticado, chiquérrimo. Os próprios fora da lei usavam smoking, e rolava uma trilha sonora de Cole Porter ou Gershwin. Então o bom ficava ainda melhor.

– Você vai assistir a esse filme de novo? – pergunta minha mulher.

– Sim, querida.

– Se assistir, vou para um hotel.

Não suporto mais. Não me preocupo; ela só cumpriu a ameaça umas cinco vezes.


(Marcos Rey. Coleção melhores crônicas: Marcos Rey. Seleção de Anna Maria Martins. Global editora. Adaptado)

1. policial noir: romances e filmes baseados em histórias de investigação e suspense.
2. Ernest Hemingway (1899-1961): escritor norte-americano.
3. Ava, Rita, Marlene: Ava Gardner, Rita Hayworth, Marlene Dietrich.
Considere as frases elaboradas a partir das ideias do texto.

•  Fumar era hábito corriqueiro entre as personagens, e elas _________desenfreadamente.
•  O estilo dos móveis é um dos detalhes para decifrar a época em que __________a história.
•  Ismênia faz ameaças ao marido, quando ele exagera em sua paixão pelos filmes, e ela eventualmente________ .


Com base na norma-padrão de emprego e de colocação dos pronomes, as lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, por:
Alternativas
Respostas
2401: A
2402: A
2403: C
2404: B
2405: E
2406: D
2407: A
2408: A
2409: A
2410: B
2411: C
2412: D
2413: A
2414: A
2415: D
2416: A
2417: B
2418: A
2419: E
2420: A