Questões de Concurso Comentadas sobre morfologia - pronomes em português

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Q3756190 Português

Texto 2

Ataque e Defesa

 

Diante da conturbação mundial nos negócios provocada pela agressiva imposição de tarifas definidas nos Estados Unidos, as empresas brasileiras precisam rever suas estratégias.

O mundo assiste, entre atônito e aflito, à sucessão de medidas de pressão comercial que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vem desencadeando. Entre elas, a que alveja as exportações brasileiras com uma sobretaxa de 50%, anunciada em 9 de julho. Ela foi seguida, no dia 15, pela abertura de uma extensa investigação sobre práticas de comércio do Brasil. Até o fechamento desta edição, ainda não havia solução para o derrame proposto para 1 de agosto nem detalhes sobre o andamento das investigações. São ataques com potencial de atingir muitas empresas por aqui e mesmo nos Estados Unidos.

As relações de Brasil e Estados Unidos são bicentenárias em vários campos. Hoje, o vizinho da América do Norte, superado pela China, não é mais nosso principal parceiro no comércio exterior. Mas se mantém como o país que mais fez investimentos aqui e o de maior número de empresas instaladas em território brasileiro. É uma relação sólida, de ganhos mútuos, que certamente não irá se perder, resistindo além da atual turbulência.

Recentemente. cresceu o parque de empresas brasileiras com operações nos Estados Unidos e com papéis na bolsa de Nova York. Esta edição mostra, na reportagem "O rei dos ovos' (pág. 24), o caso da Global Eggs, controladora da Granja Faria, entre outras. Com produção maior lá do que aqui, tornou-se a segunda do setor de ovos no planeta, numa lista em que três das cinco grandes empresas são americanas. Essa posição pode ser uma vantagem para atravessar o momento.

Já a Embraer está sob o efeito adverso de ter o mercado americano como principal comprador e também fornecedor de partes dos aviões. Mas está diversificando as vendas, como as do novo caça supersônico Gripen F-39 e as do cargueiro KC-390 num mundo que gastou 2,7 trilhões de dólares em armamentos no primeiro semestre, como destaca a reportagem "Prontos para a guerra (pág. 48). A hora é de paciência e frieza de decisões, para se proteger dos ataques e avançar nas oportunidades que surgem.

 

Veja Negócios. 16 ed. julho de 2025.

Observe o trecho abaixo, retirado do 2º parágrafo do Texto 2.
Hoje, o vizinho da América do Norte, superado pela China, não é mais nosso principal parceiro no comércio exterior. Mas se mantém como o país que mais fez investimentos aqui e o de maior número de empresas instaladas em território brasileiro
Agora assinale a alternativa que apresenta uma reescrita gramaticalmente correta do trecho sublinhado acima em relação à colocação do pronome oblíquo átono, em conformidade com a norma-padrão da Língua Portuguesa.
Alternativas
Q3756046 Português

Texto 1

 

Desenvolvimento Sustentável: o que é e objetivos

 

Com o passar do tempo, o conceito de sustentabilidade acabou sendo associado de forma limitada pelo grande público a “ações ecológicas” ou “menos poluentes”. A boa notícia é que marcas que se assumem como sustentáveis já são vistas de forma mais positiva pelos consumidores, ainda que não entendam exatamente o que isso queira dizer. A má notícia é que a limitação do conceito no imaginário coletivo interfere negativamente no entendimento do que é “desenvolvimento sustentável”.

É importante termos em mente que a essência da definição de sustentável está em perpetuar o planeta, sendo diretamente associada a palavras como legado, continuidade e equilíbrio. Para haver o desenvolvimento sustentável pleno, é necessário planejamento e, acima de tudo, reconhecer que os recursos naturais são finitos. A permanência do mundo como conhecemos depende de como conseguimos gerenciar nossos impactos no presente e no futuro próximo. Os recursos são finitos e todos somos responsáveis pela conservação dos mesmos. Entretanto, pode ser difícil compreender quais ações estão sendo feitas, na prática, e que possam garantir esta continuidade.

Para esclarecer esse ponto desenvolvemos este artigo com o objetivo de apresentar a definição de desenvolvimento sustentável, que movimentos as empresas estão realizando e o papel do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável) nesse contexto. Confira!

 

O que é desenvolvimento sustentável?

O desenvolvimento sustentável é aquele capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem colocar em risco a capacidade de atender as gerações futuras. Por isso, conforme já citado neste artigo, a definição está vinculada aos termos “legado” e “continuidade”. Em resumo, desenvolvimento sustentável também diz respeito à necessidade de repensar hábitos de consumo e produção, focando em qualidade (como produzimos, o que, por que e para quem) em vez de quantidade, com uso de matérias-primas que sejam provenientes de fontes limpas e verdes, além da adoção de mecanismos de mitigação e compensação, e o aumento da reutilização e da reciclagem.

Desenvolver-se de forma sustentável, seja em pequena esfera (no contexto de uma empresa, por exemplo), ou em larga esfera (no contexto de um país), pressupõe possibilitar às pessoas, agora e futuramente, atingir um nível satisfatório de desenvolvimento socioeconômico e cultural fazendo uso razoável dos recursos naturais, de forma a não os esgotar para as próximas gerações.

Para conquistar tais resultados é necessário planejamento, bem como o entendimento de que os recursos são finitos. Por isso, não podemos confundir desenvolvimento sustentável com crescimento econômico, uma vez que este último costuma depender do consumo crescente de energia e recursos naturais. A grande diferença deste pensamento está em promover o equilíbrio entre os objetivos de desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e a conservação ambiental.

 

Que movimentos estão sendo feitos em prol do desenvolvimento sustentável?

A preocupação da comunidade internacional com os limites do desenvolvimento do planeta é uma realidade, e dentro deste contexto existem grandes ações sendo realizadas como o Acordo de Paris e os ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável), e também ações do cotidiano de cada um de nós e também das empresas.

 

Entenda melhor:

Sobre o Acordo de Paris

O Acordo de Paris, firmado na COP 21 (Conferência das Partes, promovida pela ONU), passou a valer a partir de 4 de novembro de 2016, e traz um compromisso e plano de ações a serem desenvolvidas pelos países para combater as mudanças climáticas. Para a entrada em vigor do acordo, que substituiu a partir de 2020, o Protocolo de Kyoto, 55 países que representam 55% das emissões de gases de efeito estufa precisavam ratificá-lo. Isso aconteceu em 4 de novembro de 2016. Até junho de 2017, 195 países assinaram o acordo, e 147 destes, entre eles o Brasil, ratificaram-no.

 

O que são ODS?

ODS é a sigla para Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, surge em 2015 e faz parte do documento “Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável” publicado pela ONU. O documento é composto, entre outros itens, por 17 ODS que visam a melhoria da qualidade de vida das pessoas, preservando o ecossistema e garantindo prosperidade econômica.

 

Principais movimentações das empresas em relação ao desenvolvimento sustentável

Apesar da conscientização de que as mudanças não são opcionais, mas primordiais, ainda existe a necessidade de maior adaptação do setor empresarial. Aderir ao desenvolvimento sustentável vai muito além de ser bom para o planeta: a mudança de atitudes garante a continuidade dos negócios.

Em 2022, 70% dos brasileiros acreditavam que o aquecimento global prejudica a todos, e 90% deles também acreditam que com o passar dos anos aumentará ainda mais os desastres provocados por alterações climáticas. Em pesquisa realizada no Brasil, dos 100 líderes empresariais dos maiores grupos corporativos presentes em diferentes setores, 99% acreditam que a sustentabilidade é importante ou muito importante para os negócios e que as empresas desempenham papel imprescindível para viabilizar a mudança de modelo. A pesquisa reforça a tese de que os grandes desafios econômicos, ambientais e sociais podem e devem ser transformados em oportunidades.

Diversas empresas já estão trabalhando com o modelo de Economia Circular, no entanto, as empresas enfrentam um desafio crescente para expandir e criar valor em meio a um cenário de instabilidade e escassez no fornecimento de recursos, com elevação de custos e incertezas nos negócios.

A chave para gerir este desafio está na Economia Circular, modelo alternativo que dissocia crescimento de utilização de recursos escassos, pois possibilita o desenvolvimento econômico dentro dos limites dos recursos naturais e promove a oportunidade às empresas de inovar.

O conceito consiste em um ciclo de desenvolvimento positivo contínuo que preserva e otimiza o capital natural, a produção de recursos e minimiza riscos sistêmicos, administrando estoques finitos e fluxos renováveis.

De forma mais prática, entre os modelos de negócio da economia circular está a extensão do ciclo de vida de produtos, que visa estender o ciclo de vida útil de mercadorias e seus componentes por meio de reparo, upgrade e revenda. Para elucidar melhor o conceito e os outros modelos de negócio propostos pela economia circular, basta acessar este documento. (...)

 

Acessível em https://cebds.org/desenvolvimento-sustentavel-o-que-e-e-objetivos/

A colocação pronominal (próclise, ênclise e mesóclise) é regida por fatores sintáticos e fonéticos que determinam a posição dos pronomes oblíquos átonos em relação ao verbo. Sabendo-se disso, assinale a alternativa que apresenta a colocação pronominal correta e obrigatória em conformidade com a gramática normativa.
Alternativas
Q3755681 Português
Por que alguns animais marinhos comem lixo?

    A poluição dos oceanos já não é mais novidade. Pior do que saber disso é descobrir que alguns animais marinhos comem lixo. A explicação é simples: além de detritos despejados diretamente por algumas embarcações, o lixo jogado nas ruas acaba sendo arrastado pelas chuvas, indo parar nos rios, que sempre desembocam no mar. Aí todo esse material impróprio – o lixo! – pode passar a ser "comida" de tartarugasmarinhas, peixes, golfinhos e pinguins.
    Hoje, nenhum oceano do mundo é considerado limpo. Até nas águas congelantes da Antártida pesquisadores já encontraram plástico e outras sujeiras. As tartarugas-marinhas, provavelmente, são as que mais sofrem com a poluição dos oceanos. Elas viajam por longas distâncias e, com seu casco resistente, conseguem se livrar de muitos predadores. Depois do acasalamento, retornam às praias onde nasceram para depositarem seus ovos. Nesse percurso, elas se alimentam de peixes, camarões, águas-vivas e... Plástico!
    Na verdade, as tartarugas costumam confundir sacolas plásticas flutuantes com águas-vivas, suas presas favoritas – elas ainda comem pequenos pedaços de plástico que boiam entre as algas marinhas, seres que também se alimentam.
    O material ingerido acidentalmente vai parar no estômago desses animais, atrapalhando a digestão e, por vezes, os levando à morte. Cientistas do mundo inteiro tentam encontrar meios de reduzir o grave problema que é a poluição marinha e de proteger os animais que vivem nos oceanos. Um caminho importante é conscientizar as pessoas a darem o destino adequado ao lixo que produzem.
    O ideal é que tudo aquilo que não serve mais seja separado por categoria – plástico, papel, vidro, metal e matéria orgânica – e destinado ao recolhimento por parte das empresas de limpeza urbana. Evitar o uso de sacolas plásticas também pode ajudar.
    Se você entendeu como pode contribuir em terra para evitar poluir as águas e puder passar estas informações adiante, já estaria fazendo um bem enorme aos oceanos e aos animais cuja vida depende deles.


Texto: Gustavo F. de Carvalho-Souza e Daniele de A. Miranda
Revista: Ciências Hoje
“As tartarugas-marinhas, provavelmente, são as que mais sofrem com a poluição dos oceanos.” A palavra destacada se refere a: 
Alternativas
Q3755486 Português
O que é mesmo a língua brasileira?


        Nos últimos tempos, voltou ao debate a ideia de que o português do Brasil deve ser tratado como uma língua distinta daquela falada em Portugal. Os defensores dessa proposta, no entanto, não parecem assumir uma perspectiva nacionalista, como se poderia imaginar à primeira vista. Não é essa a questão, nem de longe. O que parece alimentar a tese da língua brasi leira hoje, no século 21, é a valorização da oralidade, naturalmente suscetível a grande variação tanto regional como diastrática. Enfatizam-se as diferenças colhidas no registro distenso da língua a pretexto de valorizar a diversidade, agora mais relevante que a unidade. A diversidade seria “real” e a unidade seria “fictícia”.

     Com base nesse olhar, atento mais às mudanças que às permanências, propõe-se uma atualização do cânone da língua padrão, que estaria ultrapassado. Assim, as obras literárias consagradas deixariam de ser o modelo de correção gramatical, papel que passaria a ser desempenhado pelo texto jornalístico e pela produção acadêmica. Em tese, a mudança de corpus não deveria fazer grande diferença, pois tanto jornalistas como graduandos, mestrandos, doutorandos e professores universitários fazem uso da norma padrão sistematizada nas gramáticas. Ou não?

     Sim e, às vezes, não. Grandes jornais costumam ter manuais de orientação editorial, que, baseados nas gramáticas, servem para tirar dúvidas de quem escreve contra o relógio no dia a dia. Há muito tempo, porém, dispensaram a figura do revisor (ou do “copidesque”), atividade que já foi exercida – em tempos ainda mais distantes – por gente do quilate de Graciliano Ramos, José Saramago e Machado de Assis, entre outros que conhecemos pelo brilho de suas obras literárias.

     O fato é que, sem o revisor, a tendência é haver menos rigor no uso da norma padrão. Há, sem dúvida, jornalistas que se revelam exímios escritores (não faltam exemplos), mas outros ainda estão ganhando experiência. Claro está que todos, indistin tamente, participariam desse novo cânone. Na prática, o que eram “erros gramaticais”, às vezes mero fruto de lapso, ganharia status de modelo de correção. Não é demasiado lembrar que a atividade do jornalista não se resume a escrever, o que, de saída, o distingue de escritores propriamente ditos. Estes últimos é que se ocupam de fato de burilar a linguagem, explorando a pleni tude de seus recursos. Sempre foi assim.

     Os textos produzidos por estudantes universitários, por vezes, refletem falhas da formação escolar anterior – e quem o diz são os próprios professores que leem os trabalhos deles. Alguns orientadores sugerem a alunos que submetam seus trabalhos à revisão profissional, mas muitos outros não o fazem. Além disso, frequentemente esses trabalhos são revisados por outros estudantes, em busca de um “bico” para arredondar o orçamento. O resultado é novamente a irregularidade.

     O novo cânone seria, então, muito abrangente. Naturalmente, para ser “novo”, teria de assegurar a pureza do corpus, liberto da interferência de algum tacanho revisor de texto. Não por acaso, os revisores vêm sendo tachados de “elitistas” e até de “reacionários”. Seriam, no plano específico de sua atividade, defensores da “unidade fictícia” em detrimento da “diversidade real” e, no plano geral, defensores de uma tradição que, por muitos motivos, deveria ser questionada.

     Em outras palavras, a posição “progressista” no debate é a que introduz como modelo de correção gramatical os textos jornalísticos e universitários em “estado puro”, que, afinal, sem a interferência fantasmagórica do revisor, seriam a expressão “real” da língua da camada culta da população. Com esse modelo, por certo, não nos livramos do “elitismo”, mas, talvez, apenas dos revisores.

      Não vamos negar que haja revisores de mão pesada, pouco sensíveis ao estilo de algum escritor, mas é falso tomá-los como padrão da profissão. O revisor não é um mero “caçador de erros”, muito menos alguém que decore meia dúzia de regras gramaticais e se gabe de suposta sapiência para diminuir o valor alheio. Existe gente séria fazendo trabalho sério nessa área, gente que estuda, pesquisa, consulta, confere, mas atua longe dos holofotes, como o simpático personagem da “História do Cerco de Lisboa”, de José Saramago.

     Ao defender, na sua atividade, o conhecimento consolidado nas gramáticas, o revisor usa como modelo não o seu estilo pessoal (como parece fazer quem advoga em causa própria), mas um patrimônio coletivo constituído pela tradição cultural. Demonizar esse profissional, sob o duvidoso pretexto de “democratizar” a língua, é perda de tempo. Ao que tudo indica, esse “novo cânone”, se sair do discurso fácil de ser “curtido” nas redes sociais, vai enfrentar grandes dificuldades técnicas, se não a total impossibilidade de concretização. Com objetivos pouco claros, pode ser apenas uma batalha fadada a ser inglória.

  (Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/. Acesso em: julho de 2025.) 
Considerando os mecanismos de coesão empregados no texto, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q3754984 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


   Vim. Não nego que, ao avistar a cidade natal, tive uma sensação nova. Nada menos que uma renascença. O espírito, como um pássaro, não se lhe deu da corrente dos anos, arrepiou o voo na direção da fonte original, e foi beber da água fresca e pura, ainda não mesclada do enxurro* da vida.

    Reparando bem, há aí um lugar-comum. Outro lugar-comum, tristemente comum, foi a consternação da família. Meu pai abraçou-me com lágrimas.

    — Tua mãe não pode viver, disse-me ele.

    Com efeito, não era já o reumatismo que a matava, era um cancro no estômago. A infeliz padecia de um modo cru, porque o cancro é indiferente às virtudes do sujeito; quando rói, rói; roer é o seu ofício. Minha irmã Sabina, já então casada com o Cotrim, andava a cair de fadiga. Pobre moça! dormia três horas por noite, nada mais. O próprio tio João estava abatido e triste. D. Eusébia e algumas outras senhoras lá estavam também, não menos tristes e não menos dedicadas.

    — Meu filho!

    A dor suspendeu por um pouco as tenazes; um sorriso alumiou o rosto da enferma, sobre o qual a morte batia a asa eterna. Era menos um rosto do que uma caveira: a beleza passara, como um dia brilhante; restavam os ossos, que não emagrecem nunca. Mal poderia conhecê-la; havia oito ou nove anos que nos não víamos. Ajoelhado, ao pé da cama, com as mãos dela entre as minhas, fiquei mudo e quieto, sem ousar falar, porque cada palavra seria um soluço, e nós temíamos avisá-la do fim. Vão temor! Ela sabia que estava prestes a acabar; disse-mo; verificamo-lo na seguinte manhã.


(Machado de Assis. Memórias Póstumas de Brás Cubas, 2018. Adaptado) *Enxurro: conjunto de eventos degradantes.
Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de colocação pronominal.
Alternativas
Q3754626 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


Quando a ciência encontra o humano: a trajetória de um médico que enfrenta o câncer de próstata


      Hoje, apresento a minha aula da vida: não apenas como médico e pesquisador, mas como alguém que viveu no próprio corpo aquilo que estuda diariamente – o câncer de próstata.

   O resultado do exame trouxe uma verdade incômoda: mesmo conhecendo profundamente a medicina e tendo acesso à tecnologia mais avançada, eu estava vulnerável como qualquer homem.

     Diante de três caminhos, precisei escolher. O primeiro, o mais tradicional, seria a cirurgia imediata, mas com chance maior de falhas. O segundo, apelidado por mim de “mítico”, reunia promessas milagrosas e pouco resultado real. E o terceiro, o mais longo, exigia paciência e disciplina: uma preparação com novos medicamentos que reduzem a força do tumor, seguida da cirurgia. Foi esse que abracei, por acreditar na ciência e confiar que a pesquisa moderna ainda pode abrir portas para resultados mais consistentes.

     A escolha, no entanto, não me poupou do peso emocional. Os efeitos do tratamento foram intensos: um esvaziamento da energia, da disposição e até da identidade masculina. Era como se apagassem um motor vital. Mas não me entreguei. Segui com disciplina, exercícios e trabalho, buscando manter vivo o meu propósito. Passei a sentir na pele o que tantos pacientes me confidenciaram ao longo dos anos. Entendi, de forma brutal e transformadora, que, por trás de cada prontuário, há uma vida em suspensão, esperando uma resposta, um gesto de esperança.
    
   O que era previsível mudou de repente: novos exames mostraram que minha chance de resposta era mínima. Pensei em desistir e partir logo para a cirurgia. Mas respirei fundo e investiguei a resposta ao tratamento. Um exame avançado revelou que o tumor havia encolhido mais de 80%. Segui até o fim do protocolo. A cirurgia, então, foi um sucesso: o tumor removido, as funções recuperadas, a vida retomada. A ciência havia cumprido seu papel, mas o processo inteiro me ensinou que a jornada emocional pode ser tão ou mais difícil do que a jornada clínica.

    O câncer me tirou certezas e dogmas, mas me deu algo maior: a capacidade de olhar diferente para cada paciente, para cada vida que confia em mim. Não sou mais o mesmo médico, e esse é, hoje, o meu maior prêmio. Sou alguém que já atravessou a tempestade e, por isso, pode oferecer mais que técnica: pode oferecer presença, escuta e humanidade.


(Fabrício Carrerette. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 01.10.2025. Adaptado)
Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de colocação pronominal.
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Q3754565 Português
Texto para a questão.


    Imagine um time de futebol atacado por um surto enlouquecedor, em que os jogadores saem marcando gol desvairadamente contra a própria equipe. É isso o que o corpo faz quando acometido por doenças autoimunes. O sistema de defesa do organismo (sistema imunológico) deixa de reconhecer o próprio corpo e, em vez de combater apenas inimigos, como certos vírus e bactérias, passa a atacar células ou tecidos saudáveis do organismo.

    Não é à toa que as doenças autoimunes tanto assustam. De início, o paciente tem dificuldade para compreender que, além de vítima, é “autor” desse mecanismo de agressão. Já os médicos também não compreendem por que as células de defesa do corpo perdem o controle. As doenças autoimunes não têm cura, mas há remédio para os sintomas, e os novos tratamentos têm dado esperança aos pacientes.

    A incidência de doenças autoimunes tem aumentado. Duplicou nos últimos 40 anos – também não se sabe por que, mas há quem credite esse fato ao aprimoramento nos diagnósticos e à precisão dos testes laboratoriais. O fato é que, só nos Estados Unidos, são 50 milhões de pessoas por ano diagnosticadas com uma doença desse tipo. Em todo o mundo, médicos e pesquisadores presumem que 15% a 20% da população seja atingida, e a maior parte das vítimas são mulheres.

    Uma das hipóteses para a causa das doenças, segundo o imunologista Momtchilo Russo, presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia, é a da higiene. “Como hoje as pessoas não desenvolvem tantas infecções, que talvez regularizassem a ação do sistema imunológico, nossas células de defesa poderiam estar superativadas”. Por outro lado, alguns estudos revelam que as doenças infecciosas é que afetariam o funcionamento do sistema imunológico. “Na febre reumática, sabe‑se que o organismo ataca células do coração, pois as confunde com um aminoácido presente na bactéria estreptococo”, diz a imunologista Myrthes Toledo Barros, do Serviço de Imunologia Clínica e Alergia do Hospital das Clínicas (SP).

    Hipóteses à parte, sabe‑se que, para desenvolver uma doença autoimune, são necessárias três condições, explica Scheinberg. A primeira é ter predisposição genética para a doença. A segunda é o problema ser desencadeado por um fator do ambiente externo, como exposição ao sol, no caso do lúpus, ou situação estressante, no caso da psoríase. Já a terceira, mais óbvia, é haver desequilíbrio das células do sistema imunológico.


Internet: <desenbahia.ba.gov.br> (com adaptações).

No trecho “‘Na febre reumática, sabe‑se que o organismo ataca células do coração, pois as confunde com um aminoácido presente na bactéria estreptococo’”, o referente do pronome “as”, dentro do quarto parágrafo, é a expressão
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Q3754322 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Cinco alimentos fáceis de trocar na sua dieta para melhorar a saúde intestinal


Nas redes sociais e nas prateleiras dos supermercados, multiplicam-se produtos que prometem melhorar a saúde intestinal. O interesse pelo tema cresceu à medida que a ciência passou a destacar a importância da microbiota — o conjunto de trilhões de micro-organismos que vivem no sistema digestivo e influenciam diversos aspectos da saúde, como digestão, imunidade, sono e até o humor.

Manter o intestino saudável depende de uma combinação equilibrada entre bactérias benéficas e alimentos ricos em fibras, consumidos em quantidade adequada para garantir o bom funcionamento do organismo. Assim, cuidar da microbiota é mais simples do que parece: basta fornecer aos micróbios os alimentos certos.

Em vez de gastar dinheiro com suplementos ou produtos ultraprocessados que prometem efeitos probióticos, é possível adotar substituições simples e eficazes no dia a dia. A seguir, cinco trocas alimentares recomendadas para favorecer a saúde intestinal:

Substitua batatas fritas por pipoca. A pipoca é um grão integral com alto teor de fibras que nutrem as bactérias benéficas do intestino. Além disso, é mais leve e menos processada que as batatas fritas industrializadas. 

Substitua doces por frutas secas. Essa mudança parece difícil, especialmente para quem aprecia açúcar. No entanto, damascos, uvas passas e tâmaras oferecem doçura natural, fibras e vitaminas que favorecem o equilíbrio intestinal e ajudam a manter os níveis de energia estáveis.

Adicione lentilhas ou grão-de-bico à bolonhesa. As leguminosas são excelentes fontes de fibras prebióticas, que servem de alimento para os micróbios do intestino. Elas também aumentam o valor nutritivo da refeição, acrescentando textura e proteínas vegetais — uma alternativa saudável para reduzir o consumo de carne sem perder sabor.

Prefira castanhas naturais em vez das aromatizadas. As versões com aromatizantes geralmente contêm excesso de sal e açúcar. Já as castanhas naturais oferecem gorduras boas e fibras, sem aditivos que prejudiquem o equilíbrio intestinal.

Há, evidentemente, outros alimentos que também contribuem para a saúde intestinal, como o kombucha e os alimentos fermentados, entre eles o kimchi e o chucrute. No entanto, não é necessário exagerar na busca por opções específicas ou caras.

O essencial é manter uma alimentação variada, composta por alimentos integrais e ricos em fibras, como frutas, verduras e legumes. Quanto aos suplementos e bebidas probióticas, o conselho é de cautela: ainda não existem evidências científicas sólidas que comprovem seus benefícios, e muitos desses produtos têm custo elevado, sem garantias de eficácia.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx2pg9d9839o.adaptado.
Em vez de gastar dinheiro com suplementos ou produtos ultraprocessados que prometem efeitos probióticos, é possível "adotá-las" no dia a dia.

De acordo com as regras de colocação pronominal, é correto afirmar que:
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Q3753968 Português

Texto 1

Pois é, ninguém está satisfeito. Ainda bem.


Martha Medeiros  


    Era uma festa familiar, dessas que reúnem tios, primos, avós e alguns agregados ocasionais que ninguém conhece direito. Jogada no sofá, uma garota não estava lá muito sociável, a cara era de enterro. Quieta, olhava para a parede como se ali fosse encontrar a resposta para a pergunta que certamente martelava em sua cabeça: o que estou fazendo aqui? De soslaio, flagrei a mãe dela também observando a cena, inconsolável, ao mesmo tempo em que comentava com uma tia: "Olha pra essa menina. Sempre com esta cara. Nunca está feliz. Tem emprego, marido, filho. O que ela pode querer mais?"


    Nada é tão comum quanto resumirmos a vida de outra pessoa e achar que ela não pode querer mais. Fulana é linda, jovem e tem um corpaço, o que mais ela quer? Sicrana ganha rios de dinheiro, é valorizada no trabalho e vive viajando, o que é que lhe falta?


    Imaginei a garota acusando o golpe e confessando: sim, quero mais. Quero não ter nenhuma condescendência com o tédio, não ser forçada a aceitá-lo na minha rotina como um inquilino inevitável. A cada manhã, exijo ao menos a expectativa de uma surpresa, quer ela aconteça ou não. Expectativa, por si só, já é um entusiasmo.


    Quero que o fato de ter uma vida prática e sensata não me roube o direito ao desatino. Que eu nunca aceite a ideia de que a maturidade exige um certo conformismo. Que eu não tenha medo nem vergonha de ainda desejar.


    Quero uma primeira vez outra vez. Um primeiro beijo em alguém que ainda não conheço, uma primeira caminhada por uma nova cidade, uma primeira estreia em algo que nunca fiz, quero seguir desfazendo as virgindades que ainda carrego, quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias.


    Quero ventilação, não morrer um pouquinho a cada dia sufocada em obrigações e em exigências de ser a melhor mãe do mundo, a melhor esposa do mundo, a melhor qualquer coisa. Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas, arejar minha biografia, deixar que vazem algumas ideias minhas que não são muito abençoáveis.


    Queria não me sentir tão responsável sobre o que acontece ao meu redor. Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum sobre as emoções dos outros, sobre suas escolhas, sobre as coisas que dão errado e também sobre as que dão certo. Me permitir ser um pouco insignificante.


    E, na minha insignificância, poder acordar um dia mais tarde sem dar explicação, conversar com estranhos, me divertir fazendo coisas que nunca imaginei, deixar de ser tão misteriosa pra mim mesma, me conectar com as minhas outras possibilidades de existir. O que eu quero mais? Me escutar e obedecer ao meu lado mais transgressor, menos comportadinho, menos refém de reuniões familiares, marido, filhos, bolos de aniversário e despertadores na segunda-feira de manhã. E também quero mais tempo livre. E mais abraços.


MEDEIROS, M. Doidas e Santas. Porto Alegre: L&PM, 2008.

Acessível em https://www.pensador.com/cronicas_martha_medeiros/ 

No período “Era uma festa familiar, dessas que¹ reúnem tios, primos, avós e alguns agregados ocasionais que² ninguém conhece direito.”, a partícula “que”, em 1 e 2, é classificada morfologicamente como 
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Q3753932 Português

Texto 1

Por que homens não são julgados pela aparência tanto quanto mulheres?

Martha Medeiros 


    Acho que foi a saudosa Danuza Leão que escreveu, certa vez, que não deveríamos sair de casa sem batom nem mesmo para ir até o mercado da esquina comprar um quilo de arroz. Vá que justamente neste intervalo de tempo você cruze na calçada com um ex-namorado que ainda faça seu coração saltar. Fosse hoje, Danuza correria o risco de ser cancelada por esse tipo de conselho — não bastassem nossas preocupações, ainda precisamos estar bonitas para encontros hipotéticos com sujeitos que já nem fazem parte da nossa vida?


    Alguém poderia sugerir que os homens, dentro do mesmo princípio, também deveriam colocar uma camiseta limpa antes de ir ao açougue comprar carne para o churrasco, mas esta equiparidade costuma ser derrubada pelas nossas diferenças de expectativas. Eu, ao menos, tenho um fraco por desgrenhados. Uma camisa para fora das calças, uma bota ainda com a poeira de algum show, aquela barba eternamente por fazer.


    Não estou dizendo que banho não seja importante, mas deixar o cabelo secar ao deus-dará não é pecado, tem até quem consiga emprego na Globonews sem jamais ter visto um pente. Cancelada serei eu por celebrar a liberdade que os homens têm de não serem julgados pela aparência e ainda apreciar a descompostura deles (sem exagero, claro — prefiro estar acompanhada por um homem de terno numa festa de casamento). Porém, considere este texto parte da luta: reivindico a mesma liberdade para nós.


    Não estaria na hora de reduzirmos os excessos de artifício? Somos perfeitamente atraentes com nossos cílios de nascença, com unhas aparadas e com os lábios que nos coube. Se é para inflar a boca, que seja a boca das calças: as skinny deram lugar às pantalonas e tudo bem seguir tendências da moda, é divertido e menos radical do que mudar o próprio rosto.


    Algumas mulheres ficarão de bronca comigo, mas é clássico: quanto mais natural, mais elegante.


    Mesmo assim, reconheço que não é fácil se libertar da patrulha dos costumes. Outro dia, entrei num mercado de esquina para comprar tomates, era só um pulinho, então nem me importei por estar com o cabelo mal preso num rabo de cavalo, os trapos que uso para trabalhar em casa e, claro, sem nenhum vestígio de batom. Mas, ao ser interpelada por um moço educado (e, se não me falha a memória, bem-vestido, o que põe em dúvida a minha preferência por esculhambação), lembrei dos conselhos da Danuza. Que ideia foi aquela de eu sair de cara lavada e com um mocassim de 1997? Eu sei, mais antigo que o mocassim, só esse desejo de causar boa impressão.


    Resta confiar que a nossa autenticidade dá conta do recado a cada vez que somos flagradas quando menos se espera, com os lábios nus.


Acessível em https://oglobo.globo.com/ela/martha-medeiros/coluna/2025/10/por-que-homens-nao-sao-julgados-pela-aparencia-tanto-quanto-mulheres.ghtml 

Sobre a colocação do pronome “me” no excerto “Outro dia, entrei num mercado de esquina para comprar tomates, era só um pulinho, então nem me importei por estar com o cabelo mal preso num rabo de cavalo,...”, do Texto 1, pode-se afirmar que 
Alternativas
Q3753244 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Como descobrir se o vídeo que você está vendo é real ou gerado por IA


Nos últimos meses, os geradores de vídeo baseados em inteligência artificial evoluíram a tal ponto que a confiança nas imagens captadas por câmeras começa a se abalar. O cenário inevitável é o de um público cada vez mais desconfiado: enganado repetidas vezes, o espectador passará a questionar tudo o que vê.

Por enquanto, ainda é possível identificar alguns sinais de que um vídeo pode não ser real. Um dos principais é a baixa qualidade da imagem: filmagens borradas, granuladas ou pixeladas podem indicar o uso de IA. Segundo o professor Hany Farid, da Universidade da Califórnia em Berkeley, especialista em forense digital, esse é um dos primeiros aspectos a observar.

As ferramentas de vídeo com IA continuarão a se aperfeiçoar, e esse tipo de orientação logo se tornará obsoleto. Ainda assim, por ora, vale a pena usá-la para evitar cair em vídeos falsos. O professor Matthew Stamm, da Universidade Drexel, lembra que imagens de má qualidade não são necessariamente falsas, mas que vídeos de IA costumam recorrer a essa aparência para disfarçar falhas visuais.

Esses vídeos apresentam inconsistências sutis — texturas de pele excessivamente lisas, padrões irregulares em cabelos ou roupas e movimentos improváveis de pequenos objetos. Quanto mais nítida a imagem, maiores as chances de perceber esses detalhes. Por isso, vídeos supostamente gravados por câmeras antigas ou de segurança podem esconder imperfeições típicas da IA.

Nos últimos meses, diversos vídeos gerados por IA enganaram milhões de pessoas. Um deles mostrava coelhos saltando sobre um trampolim; outro, um casal se apaixonando no metrô de Nova York; e um terceiro, um pastor pregando contra bilionários — todos falsos. Em comum, tinham a aparência amadora e a baixa resolução.

Hany Farid afirma que há três fatores essenciais para desconfiar: resolução, qualidade e duração. Os vídeos de IA costumam ser curtos — geralmente entre seis e dez segundos — porque sua produção é cara e mais propensa a falhas em trechos longos. Além disso, a baixa qualidade e a compressão propositais das imagens ajudam a mascarar os indícios de falsificação.

Enquanto isso, as grandes empresas de tecnologia investem bilhões para tornar a IA cada vez mais realista. De acordo com Stamm, as falhas visuais que hoje servem de pista tendem a desaparecer em pouco tempo. Ainda assim, os especialistas acreditam que novas técnicas de autenticação ajudarão a distinguir o que é real do que é criado artificialmente.

Farid e Stamm explicam que vídeos gerados ou modificados deixam rastros invisíveis — impressões digitais que podem ser detectadas com ferramentas estatísticas. Além disso, câmeras e programas de IA poderão, em breve, incorporar informações de origem diretamente nos arquivos, facilitando a verificação da autenticidade.

No passado, imagens e vídeos pareciam provas incontestáveis; hoje, podem ser facilmente manipulados. O essencial passa a ser quem criou o conteúdo, de onde ele veio e se foi verificado por fontes confiáveis. Trata-se, segundo Stamm, de um dos maiores desafios da segurança da informação no século atual — um problema recente, mas que mobiliza um número crescente de pesquisadores e profissionais em busca de soluções conjuntas entre tecnologia, educação e políticas públicas.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cz0xp8p5vzmo.adaptado
As ferramentas de vídeo com IA continuarão a "se aperfeiçoar", e esse tipo de orientação logo "tornar-se-á" obsoleto.

De acordo com as regras de colocação pronominal, é correto afirmar que ocorrem, respectivamente:
Alternativas
Q3752645 Português
Atenção: o texto a seguir deve ser usado para responder à
próxima questão.


Nasce uma crônica


    A moça era bonita, se chamava Fabíola e me perguntou como nascia uma crônica. Entre outras coisas. Ela era repórter do jornal da universidade de Ouro Preto e estava me entrevistando, uma tarefa que eu não desejo a ninguém, enquanto uma câmera de TV gravava tudo. Dei a resposta de sempre. Qualquer coisa pode originar uma crônica. Às vezes, há um assunto em evidência que você é obrigado a comentar. Às vezes, é uma coisa, assim, impressionista; às vezes, é pura invenção, uma frase que sugere uma história, ou um cheiro no ar, ou um incidente banal... Os mistérios, enfim, da criação. Etcetera, etcetera. Não há vezes em que as ideias simplesmente não vêm? Há, há. Acontece muito. Com os anos, as ideias parecem que vão ficando cada vez mais longe, enquanto o seu poder de convocá-las diminui. Você chama e elas não se aproximam. Você grita por socorro e elas continuam longe, lixando as unhas. Você espreme o cérebro e não pinga nada. E hoje nenhum cronista que se respeite pode recorrer ao velho truque de, não tendo assunto, escrever sobre a falta de assunto. Ou desperdiçar papel caro e o tempo do leitor com um parágrafo inteiro só de introdução.


VERISSIMO, Luis Fernando. "Nasce uma crônica". São Paulo. O Estado de São Paulo, caderno 2, p. 49, 01/05/2003. 
Sobre a colocação pronominal no trecho “A moça era bonita, se chamava Fabíola e me perguntou como nascia uma crônica”, é correto afirmar que 
Alternativas
Q3752641 Português
As crônicas do escritor gaúcho Luís Fernando Veríssimo apresentam linguagem coloquial e narrativa fluida, mas ainda assim seguem normas da língua culta.
Nas frases a seguir, retiradas de uma seleção de suas crônicas, identifique aquela em que há inadequação no uso do demonstrativo relativo de lugar, com a forma onde empregada incorretamente no lugar de aonde.
Alternativas
Q3752486 Português

Leia o TEXTO I e responda à questão.



TEXTO I



 IA pode impactar 40% dos empregos em todo o mundo, alerta ONU


Por France Presse



Para ONU, Brasil, China, Índia e Filipinas se destacam pela sua preparação tecnológica, estando entre os países em desenvolvimento mais bem posicionados para aproveitar as oportunidades oferecidas pela IA.


O mercado global de inteligência artificial (IA) deve alcançar 4,8 trilhões de dólares (cerca de R$ 27 trilhões) até 2033, informou a ONU. A organização alertou que quase metade dos empregos em todo o mundo poderiam ser afetados.


Enquanto a IA transforma as economias, criando uma variedade de oportunidades, também traz riscos de aprofundar as desigualdades. A ONU Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) explica isso em um novo relatório.


Segundo o documento, o uso da IA "poderia afetar 40% dos empregos em todo o mundo, gerando ganhos de produtividade, mas também trazendo preocupação sobre a automação e a perda de postos de trabalho".


Em 2023, as tecnologias avançadas (internet das coisas, blockchain, nanotecnologias, IA) representaram um mercado de 2,5 trilhões de dólares (cerca de R$ 12 trilhões, na cotação da época) e se espera que este montante seja multiplicado por seis até 2033, chegando a US$ 16,4 trilhões de dólares (aproximadamente R$ 93 trilhões, na cotação atual), segundo o documento.


Até 2033, a IA ocupará o primeiro lugar deste mercado, à frente da internet das coisas, com um valor de 4,8 trilhões de dólares (cerca de R$ 27 trilhões), o equivalente, aproximadamente, à economia alemã.


O relatório explica que é provável que seus benefícios fiquem muito concentrados em algumas poucas economias. Cem empresas, principalmente dos Estados Unidos e da China, representam 40% dos gastos mundiais em pesquisa e desenvolvimento das empresas.


O informe também assinala que Brasil, China, Índia e Filipinas são os países em desenvolvimento com os melhores resultados quanto à sua preparação tecnológica.


A ONU Comércio e Desenvolvimento lembra que a IA não se limita a substituir postos de trabalho, mas também pode criar novas indústrias e empoderar os trabalhadores.


Diversos atores, em nível europeu e internacional, participam das tentativas de se estabelecer a governança da IA. Mas a ONU lamenta que muitos países, "a maioria do Sul Global", estejam ausentes destas conversas.


"À medida que a regulação da IA e os marcos éticos tomam forma, os países em desenvolvimento devem ter um lugar na mesa para garantir que a IA sirva ao progresso global, não só aos interesses de alguns poucos", afirma a ONU Comércio e Desenvolvimento.


Texto adaptado. Disponível em: https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2025/04/05/ia-pode-impactar-40percent-dos-em-pregos-em-todo-o-mundo-alerta-onu.ghtml. Acesso em: 02 maio 2025. 

Leia o trecho, julgue os itens e, em seguida, assinale a alternativa CORRETA.



Em 2023, as tecnologias avançadas (internet das coisas, blockchain, nanotecnologias, IA) representaram um mercado de 2,5 trilhões de dólares (cerca de R$ 12 trilhões, na cotação da época) e se espera que este montante seja multiplicado por seis até 2033, chegando a US$ 16,4 trilhões de dólares (aproximadamente R$ 93 trilhões, na cotação atual), segundo o documento.


Até 2033, a IA ocupará o primeiro lugar deste mercado, à frente da internet das coisas, com um valor de 4,8 trilhões de dólares (cerca de R$ 27 trilhões), o equivalente, aproximadamente, à economia alemã.


O relatório explica que é provável que seus benefícios fiquem muito concentrados em algumas poucas economias.



I. Os pronomes “este”, “deste” e “seus”, destacados, são elementos catafóricos de coesão.



II. O termo “este” retoma “2,5 trilhões de dólares”, e “deste mercado” retoma “tecnologias avançadas”.



III. O pronome “seus” retoma “IA”.



IV. Os pronomes destacados no texto são recursos linguísticos denominados de anáforas.



Está CORRETO o que afirma em:

Alternativas
Q3751084 Português
Assinale a frase cuja expressão destacada está correta.
Alternativas
Q3750455 Português
Observe as orações.

I - Nunca se queixa nem se aborrece.
II- Os céus te favoreçam!
III- Não falaram-me nada a respeito disso.

Há erro na colocação pronominal:
Alternativas
Q3748890 Português
Instruções para dar corda no relógio

        Lá no fundo está a morte, mas não tenha medo. Segure o relógio com uma mão, pegue com dois dedos o pino da corda, puxe‑o suavemente. Agora se abre outro prazo, as árvores soltam suas folhas, os barcos correm regata, o tempo como um leque vai se enchendo de si mesmo e dele brotam o ar, as brisas da terra, a sombra de uma mulher, o perfume do pão.

        Que mais quer, que mais quer? Amarre‑o depressa a seu pulso, deixe‑o bater em liberdade, imite‑o anelante. O medo enferruja as âncoras, cada coisa que pôde ser alcançada e foi esquecida começa a corroer as veias do relógio, gangrenando o frio sangue de seus pequenos rubis. E lá no fundo está a morte se não corremos, e chegamos antes e compreendemos que já não tem importância.

CORTÁZAR, Júlio. Histórias de Cronópios e de famas. São Paulo:
Editora Civilização Brasileira, 1994, p. 33‑34 (com adaptações).
No trecho “puxe‑o suavemente”, o pronome “o” faz referência a
Alternativas
Q3748475 Português
TEXTO 2


O Lançador de Estrelas

Um homem caminhava pela praia ao amanhecer e viu outro recolhendo estrelas-do-mar que haviam sido trazidas pela maré. Ele as pegava uma a uma e as devolvia ao mar.  

Intrigado, o homem perguntou: — Por que está  fazendo isso? Há milhares de estrelas espalhadas pela areia. 

O outro respondeu: — Porque se eu não devolver  essas, elas morrerão.

O homem sorriu e disse: — Mas você não pode salvar todas!

O outro, pegando mais uma estrela, lançou-a ao mar e respondeu: — Para esta aqui, eu fiz toda a diferença.

Loren Eiseley, O Universo Inesperado, 1969 (adaptado). 
Na frase “Ele as pegava uma a uma...”, a palavra “as” é: 
Alternativas
Q3748470 Português
TEXTO 1


Atenção e o Mundo Acelerado

Vivemos em um tempo em que a atenção se tornou um recurso escasso. São muitas telas, sons e informações disputando o olhar. As pessoas tentam fazer várias coisas ao mesmo tempo, mas acabam não se concentrando totalmente em nenhuma delas.

De acordo com a psicóloga Luciana Caliman, prestar atenção é um exercício que exige escolha e pausa. Quando tudo chama a nossa atenção, é preciso aprender a decidir o que realmente importa.

Desacelerar, portanto, não é perder tempo, mas recuperar a capacidade de perceber o que acontece dentro e fora de nós.


Luciana Caliman. Os regimes da atenção na subjetividade contemporânea. (adaptado) Revista Mal-Estar e Subjetividade, v.  12, n. 1, 2012.
Em: “São muitas telas, sons e informações disputando o olhar. As pessoas tentam fazer várias coisas ao mesmo tempo, mas acabam não se concentrando totalmente em nenhuma delas.”

O pronome destacado “delas” retoma:  
Alternativas
Q3748388 Português
Texto para a questão.


    Em São Paulo, do início da colonização, em 1532, até meados do século XVIII, o crescimento demográfico da província havia sido lento, e apenas uma pequena parte do território provincial estava ocupada. O século XIX assistiu a intenso desmatamento, implantação de ferrovias (a partir de 1867, que ligavam o porto de Santos ao interior, para o escoamento da produção de café), fluxos migratórios internos e externos (imigração em massa foi promovida pelo governo da Província a partir de 1882) e grande crescimento econômico. Ao final do Império, a então Província de São Paulo tinha 115 municípios, muitos dos quais criados ao longo dos trajetos das estradas de ferro, incluindo Ribeirão Preto, em 1856, onde a ferrovia chegou em 1883.

    Grandes cidades começaram a surgir como espaço para novas possibilidades de vida, atraindo, principalmente, trabalhadores estrangeiros. Parte desses migrava na tentativa de fugir das epidemias de febre amarela e varíola que acometiam cidades do interior. A última década do século XIX e a primeira década do século XX tiveram as atenções das autoridades sanitárias voltadas para a elucidação dos mecanismos de transmissão e o controle dessas duas doenças. As formas de ocupação do espaço agrário e do espaço urbano favoreceram a ocorrência de doenças de transmissão vetorial – febre amarela, peste, malária, doença de Chagas, entre outras –, de transmissão hídrica e de transmissão respiratória. Vários desses surtos começaram no porto do Rio de Janeiro, então capital do Brasil, ou no porto de Santos e se expandiam pelas regiões por onde o trem passava.

   Em Santos, a mortalidade por febre amarela, em 1892, chegou a 6,2% da população. Daí se irradiou para o interior, fazendo vítimas na capital, geralmente na hospedaria dos imigrantes. Na região cafeeira de Ribeirão Preto, o surto iniciou‑se no final de 1901, generalizando‑se no ano seguinte. Os médicos da cidade não aceitavam a teoria da transmissão vetorial da doença (defendiam que a doença era transmitida pela água contaminada) e impediam a tomada das medidas de controle preconizadas pelo médico sanitarista Emílio Ribas. Dada a gravidade do surto, parte da população e gestores municipais abandonaram a cidade, e a comissão da Inspetoria Sanitária do estado impôs as medidas de controle: isolamento hospitalar dos doentes, expurgo domiciliar e destruição de criadouros pela queima de piretro (um inseticida natural extraído de flores da família Chrysanthemum, com o querosene como base), proteção telada para portas e janelas. Realizaram‑se, também, obras de engenharia sanitária, como a canalização de córregos e a drenagem das margens dos rios, além da coleta de lixo urbano, reduzindo‑se a densidade dos vetores.


Internet: <www.scielo.br> (com adaptações).
No trecho “Ao final do Império, a então Província de São Paulo tinha 115 municípios, muitos dos quais criados ao longo dos trajetos das estradas de ferro, incluindo Ribeirão Preto, em 1856, onde a ferrovia chegou em 1883.”, sem prejuízo à correção gramatical, a expressão “dos quais” pode ser substituída por
Alternativas
Respostas
821: B
822: A
823: A
824: B
825: E
826: D
827: E
828: A
829: D
830: D
831: C
832: B
833: D
834: D
835: A
836: A
837: B
838: B
839: C
840: C